Há 40 anos, o KISS lançava “Asylum” e mergulhava de vez na estética glam dos anos 80

Por Leandro Nogueira Coppi Lançado em 16 de setembro de 1985, o terceiro álbum do KISS após o abandono das maquiagens teve o título Asylum (“manicômio” – a ideia inicial era chamá-lo de Out of the Asylum) sugerido pelo baterista Eric Carr. A ideia, aceita pela banda, baseava-se na loucura da vida na estrada e a rotina instável que o KISS vivia naquele período. Com Gene Simmons mais focado em sua carreira paralela no cinema durante boa parte da década de 1980, o comando musical da banda ficou nas mãos de Paul Stanley, que foi quem produziu Asylum. O disco traz canções como Tears Are Falling, Who Wants to Be Lonely e Uh! All Night, que destacam o lado mais melódico e comercial do KISS, em sintonia com a cena glam metal que dominava o rádio e a MTV na época, com bandas como Mötley Crüe, Ratt e Bon Jovi. Tears Are Falling foi o maior sucesso de Asylum e seu clipe foi bastante exibido na MTV. Dirigido por David Mallet (Queen, David Bowie), o vídeo trazia visuais exagerados, figurinos chamativos, chuva artificial e muita pose, o que ajudou a fixar a canção entre os fãs da geração dos anos 80. Apesar de o próprio Gene ter confessado mais tarde que o odiava, o clipe tornou-se um símbolo da fase visualmente mais extravagante do grupo. Musicalmente, Asylum equilibra momentos mais pesados, como King of the Mountain e Radar for Love, com faixas mais acessíveis, mantendo a fórmula que vinha garantindo ao KISS certa sobrevida comercial nos anos 1980. Foi o primeiro disco gravado integralmente com Bruce Kulick, efetivado em 1985 para o lugar de Mark St. John, que gravou apenas parte do antecessor Animalize. A atuação de Bruce é um dos destaques: embora ainda discreto, ele imprime solos técnicos e precisos, que ajudariam a moldar a identidade sonora da banda até o início da década seguinte. A capa de Asylum se inspirou no visual de Hotter Than Hell, segundo disco do KISS, lançado em 1974, mas adotou uma imagem multicolorida inspirada na estética pop-art. As faixas coloridas que cortam os rostos dos integrantes geraram críticas por parecerem “infantilizadas”, distantes da imagem pesada que o KISS cultivava. Na turnê, os músicos usaram visuais que muitos fãs consideram os mais bregas do KISS. Apesar de não ter obtido a mesma repercussão de trabalhos anteriores, Asylum foi Disco de Ouro nos Estados Unidos e sustentou a popularidade do grupo entre o público jovem. A recepção da crítica, por outro lado, foi morna, com muitas análises apontando que o álbum soava genérico e excessivamente calculado para agradar ao mercado mainstream.

Curiosidades sobre Asylum

  • Produção de Paul Stanley – foi o primeiro disco do KISS creditado como totalmente produzido por Paul Stanley, reforçando seu papel de liderança naquele momento.
  • Radar for Love x Led Zeppelin – muitos fãs notaram semelhanças de Radar for Love com músicas do Led Zeppelin, principalmente pelo estilo vocal de Paul Stanley na faixa, lembrando o de Robert Plant.

  • Eric Carr como backing vocal – além da bateria, Eric gravou backing vocals em várias músicas, algo que ele passou a fazer com mais frequência a partir desse álbum.

  • Influência na estética glam – o visual exagerado do KISS nesse período (roupas de couro coloridas, botas altas, maquiagem) foi alvo de críticas, mas também inspirou bandas menores da cena glam.

  • Desempenho comercialAsylum alcançou a posição nº 20 na Billboard 200 e recebeu certificado de ouro nos EUA, com mais de 500 mil cópias vendidas.

  • Relação com os fãs – apesar da repercussão crítica morna, muitos fãs dos anos 80 lembram Asylum com carinho, pois marcou uma fase de forte presença da banda na TV e no rádio.

https://www.youtube.com/watch?v=_XMU_3o5RRs&list=RD_XMU_3o5RRs&start_radio=1  
  • Clique aqui para seguir o canal ROADIE CREW no WhatsApp