O ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, comentou sem rodeios o anúncio do último álbum e da turnê de despedida da banda durante o podcast The David Ellefson Show, levantando questionamentos sobre sua própria exclusão e sobre a forma como a despedida está sendo conduzida.
Sobre suas impressões ao saber da despedida, Ellefson disse: “Há muita coisa (que me vem à mente), porque, claro, traz anos e anos de pensamentos, sentimentos, emoções. Alguns ótimos, outros nem tanto.” Ele relembrou os discos de ouro pendurados na parede do estúdio de sua casa, que servem como cenário para o podcast: “Olho para eles, Countdown to Extinction, Peace Sells, Beavis and Butt-Head (referindo-se à série animada da MTV americana), Rust in Peace, todos têm uma história. E algumas coisas dos anos 90 eram histórias melhores — a banda estava coesa, a gestão era consistente, a música, eu acho, era colaborativa. Alcançamos novos patamares e exploramos territórios que você só podia sonhar.”
Apesar das lembranças positivas, Ellefson não escondeu as dificuldades vividas: “No meio disso, claro, havia vícios, reabilitações, turnês canceladas, perdas financeiras de milhões. E, para que as coisas se resolvessem do jeito que se resolveram, agora eu não fazendo parte da despedida final de algo que ajudei a criar, como se pode imaginar, provavelmente não é algo que me deixe totalmente feliz. E digo isso enquanto ainda sou grato por tudo o que foi, porque acho que em algum momento você tem que encontrar um caminho através disso, porque essa é a realidade.”

Quando questionado sobre a possibilidade de participar da turnê de despedida, Ellefson respondeu: “Eu gostaria de fazer parte? Sim, claro. Quem não gostaria? Sou um membro fundador. Estive mais de 30 anos na banda. Isso vai acontecer? Quem sabe? É cedo demais para dizer.” Ele ainda comparou a situação com a despedida do Black Sabbath: “O Back to the Beginning do Black Sabbath, olha, eles fizeram as pazes. Trouxeram os quatro membros do Black Sabbath. Trouxeram todo mundo de volta. Você teve Jake (E. Lee). Estava todo mundo lá? Não. Havia algumas pessoas importantes — Bob Daisley — algumas pessoas não estavam lá. Mas, na maior parte, eles trouxeram muitas pessoas de volta. E falando do Black Sabbath, eles trouxeram os quatro membros originais e se despediram. Não apenas se despediram, todos tiveram a chance de se despedir deles. Acho que, quando você faz uma despedida, é importante que você possa se despedir e que todos possam se despedir de você. Acho que isso é uma parte importante. Mas isso sou eu. Eu não estou mais na banda. Não tenho voz nisso. Então, isso é só minha opinião, para ser honesto.”
Sobre uma possível aposentadoria de Dave Mustaine, Ellefson comentou: “Se o Dave precisa se aposentar, quer se aposentar, eu entendo. Eu compreendo. Ele deu muito. Isso tirou muito dele. Certamente cobrou seu preço, como qualquer um pode imaginar. Então, olha, Deus te abençoe, irmão. Se você finalizou tudo, é isso, quer fazer outra coisa da vida, passar tempo com a família, apenas não tocar guitarra, eu entendo.” E acrescentou: “Acredite, eu tenho 60 anos. Há alguns dias em que penso, ‘Deus, sério? Devo escrever outro álbum, outra música? Eu realmente quero subir no palco?’ E a resposta sempre volta: sim, eu quero. Então eu faço. Então eu não posso falar por ele e não vou falar por ele. Mas, olha, novamente, não falo com o cara há quatro anos e meio, então não faço ideia do que está pensando, qual a razão por trás disso.”
Clique aqui para receber notícias da ROADIE CREW no WhatsApp.