Para Gary Holt, guitarrista e principal compositor do Exodus, nenhum outro trabalho da banda conseguiu superar o impacto do disco de estreia, Bonded By Blood, lançado em 1985. A declaração foi feita durante entrevista ao site alemão Metal.de, em que o músico não hesitou ao colocar o álbum como sua obra definitiva (assista a entrevista completa abaixo).
“Nunca superamos. Dizer o contrário seria uma blasfêmia. Bonded By Blood é o álbum que começou tudo. Representa minha juventude, é como meu álbum de formatura do ensino médio. É o motivo de eu ainda estar aqui. Então ele sempre vai ser o número um”, afirmou Holt.
O guitarrista também destacou o papel de Paul Baloff, vocalista original da banda, falecido em 2002. Mesmo tendo participado apenas daquele primeiro disco, ele continua, na visão de Holt, como a voz definitiva do Exodus: “Isso não é um desrespeito ao (Steve) Zetro (Souza) ou ao Rob (Dukes), mas foi Paul quem começou tudo”.

A declaração vem em um momento em que o Exodus vive nova fase, com o retorno do vocalista Rob Dukes e planos de seguir gravando enquanto as condições físicas permitem. Holt admite estar cansado, mas ainda comprometido com a música e sem pensar em aposentadoria: “Eu estou exausto pra caralho. Mas vamos fazer isso o mais intensamente e pesado possível até não conseguirmos mais. E é por isso que gravamos tanta música (para o próximo álbum do Exodus). Pensamos: vamos fazer agora, enquanto ainda conseguimos. Quem sabe? Já tive problemas no cotovelo, na mão, agora no ombro. Talvez daqui a cinco anos a idade me alcance, a artrite piore e eu não consiga mais tocar. Não sei.”
O guitarrista também expôs a dura realidade financeira por trás das turnês. Ele contou que grande parte da renda da banda vem da venda de camisetas e não dos shows ou dos discos. “É, isso ajuda”, disse ele. “As pessoas pensam: ‘Ah, você é um rock star rico.’ Não. Eu vendo camisetas, e vendo direto do meu maldito armário. Tipo: beleza, empacota essa aqui, coloca a etiqueta, envia. Mas não, isso só ajuda. Não paga as contas. Ajuda a manter as contas pagas. Foi uma baita ajuda na pandemia. Mas sei lá. Se eu realmente me aposentasse, provavelmente faria mais produções. Continuaria na música. Mas às vezes eu fico sonhando acordado com a ideia de não sair de casa. Porque eu odeio sair — odeio entrar no avião pra ir embora — mas assim que chego no lugar, me divirto.”, concluiu.
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