Em sua primeira declaração pública após a morte de Ozzy Osbourne, Tony Iommi falou à ITV News nesta quarta-feira, 23 de julho, sobre a perda do parceiro de Black Sabbath. Visivelmente abalado, Iommi revelou a tristeza de receber a notícia menos de 24 horas depois de trocar mensagens com o vocalista e descreveu os momentos finais de convivência com o amigo.
“Foi um choque para nós. Digo, quando ouvi ontem, não consegui acreditar. Pensei: ‘Não pode ser.’ Eu tinha recebido uma mensagem dele no dia anterior. Parecia irreal, surreal. E realmente não caiu a ficha. Durante a noite, comecei a pensar sobre isso: ‘Deus, estou sonhando com tudo isso?’ Mas, como disse antes, ele não parecia bem nos ensaios (para a apresentação de despedida do Black Sabbath no evento “Back to the Beginning”, realizado no último dia 5 de julho). E acho que ele simplesmente resistiu para fazer aquele show. Sinto realmente, e eu e Geezer (Butler) conversamos sobre isso ontem à noite, que achamos que ele resistiu para fazer aquilo, e, depois de feito, se despediu dos fãs. E foi isso, de fato.”
Segundo Iommi, realizar o show final em Birmingham, cidade natal da banda, era um desejo profundo de Ozzy.
“Ele se preparou para isso por um tempo. Ele estava treinando e tentando fazer o que podia para realizar esse show. E era isso o que ele queria fazer. Acho que ele devia ter algo na cabeça dizendo: ‘Bem, isso vai ser tudo, a última coisa que vou fazer.’ Se ele achava que ia morrer ou não, não sei. Mas ele realmente queria fazer e estava determinado. E é justo dizer: ele conseguiu.”
O reencontro entre os quatro membros originais do Black Sabbath — Ozzy, Tony, Geezer e o baterista Bill Ward — foi emocionante, segundo o guitarrista.
“Foi muito comovente, acho. Todos nós sentimos: ‘Uau.’ E, de novo, foi quase como um sonho. Quando nos demos conta, já estávamos fora do palco. E (pensamos), ‘O que aconteceu?’”
Nos bastidores, após o show, Ozzy conseguiu se despedir dos colegas.
“Bem, ele foi para seu camarim e eu fui para o meu e Geez foi para o dele, e assim por diante. Aí ele apareceu. Antes de ir embora, veio de cadeira de rodas para se despedir e conversar um pouco. E parecia bem. Ele curtiu. E disse: ‘Ah, foi legal, não foi?’ E eu disse: ‘Foi, sim.’ Mas, como eu disse, recebi uma mensagem dele anteontem dizendo que estava cansado e sem energia. E pensei: ‘Puxa vida.’ Porque é muito para ele fazer aquilo nas condições em que estava. E vimos isso nos ensaios. Não queríamos que ele estivesse lá todo dia, porque era demais. Ele não conseguiria aguentar. Então o traziam e ele sentava, cantava algumas músicas, depois a gente falava besteira sobre os velhos tempos, ria, e ele ia embora. Foi isso o que fizemos, basicamente. Mas o show foi para ele se despedir, na verdade, e para nós também nos despedirmos, porque também foi o adeus do Sabbath; foi o fim da banda, e nunca mais faremos aquilo. E ter o Bill conosco também, depois de tantos anos, depois de 20 anos sem tocar com ele. Nem acredito que já se passaram 20 anos, para ser honesto.”
O guitarrista também relembrou os primeiros anos do grupo e as conversas nostálgicas durante os ensaios.
“Acho que todos esses pensamentos passaram por nossas cabeças. Na verdade, falamos sobre isso quando estávamos no estúdio, nos ensaios. Sentamos no sofá e ficamos falando sobre os velhos tempos, mesmo. Porque você sempre se lembra disso. Você não lembra do que aconteceu ontem, mas lembra do que aconteceu naquela época. E foi isso o que fizemos. Estávamos falando sobre tudo que aconteceu. ‘Lembra disso, quando fizemos aquilo?’ ‘Lembra?’ E foi ótimo. Foi como nos reunir de novo, como nos velhos tempos. E com o Bill lá também. E o Bill (risos) — bem, o Bill é o Bill. (risos) Ele nunca mudou. Dissemos: ‘Não tire a camisa, Bill, por favor.’ (risos)”
Quando perguntado se achava que Ozzy havia gostado de estar no palco naquela noite, Iommi respondeu:
“Acho que ele ficou comovido e frustrado também, porque queria ficar de pé. Dava para ver que ele tentava se levantar. Mas sim, significava tudo para ele. Foi para isso que nos preparamos, para aquele grande encerramento onde ele poderia ver todas as pessoas e nós também, e encerrar daquele jeito. Mas não esperávamos encerrar tão rápido com o Ozz; não esperávamos que ele fosse tão rápido, realmente. Bem, não esperávamos que ele fosse. Então foi um choque.”
Apesar da dor, Tony Iommi disse estar aliviado por terem feito aquele show final.
“Estou realmente feliz por termos feito, porque foi o encerramento para todos. E acho que, se não tivéssemos feito, as pessoas não teriam visto a banda e o Ozzy. Teria sido uma pena. Mas tiveram a chance de ver todos nós e ver o Ozz pela última vez naquela situação.”
Ao ser questionado sobre como lembrará do vocalista, Tony relembrou com carinho o humor e a personalidade única do amigo.
“Deus, voltamos tantos anos. Conheci o Ozzy antes de todo mundo, porque fomos à mesma escola. Ele sempre foi engraçado. Ozzy era Ozzy. Nunca vai haver outro Ozzy. Ele é único — existiu um Ozzy e só. Era uma pessoa especial, só pelo jeito que era. Dizia o que pensava. Muitas vezes dissemos a ele: ‘Agora, não vai falar nada.’ E, claro, ele falava. Mas era engraçado. Era mesmo engraçado. Ele fazia umas palhaçadas hilárias. E a gente ria no palco. Por mais sérios que fôssemos com a música, sempre tínhamos esse lado, e o Ozz vinha até mim e fazia caretas. Claro que o público não via, e ele fazia aquelas caras engraçadas, e eu começava a rir. Depois ele ia até o Geezer e fazia o mesmo. Ele era esse tipo de pessoa. Um verdadeiro showman.”
Sobre o impacto de Ozzy na música, Iommi declarou:
“Ele tinha um jeito especial, e era isso. Não existe outro Ozzy. E suas palhaçadas e tudo mais — nunca sabíamos o que ele faria, em todos esses anos que o conhecemos. Sempre havia aquela coisa: ‘O que será que ele vai aprontar agora?’”
Ozzy Osbourne morreu na manhã de terça-feira, 22 de julho. Segundo comunicado da família, ele estava cercado por seus entes queridos no momento do falecimento. Não foi divulgada a causa da morte, mas o cantor vinha enfrentando diversos problemas de saúde nos últimos anos, incluindo Parkinson e complicações de uma queda em 2019.
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