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  • AMEN CORNER – Under The Whip And The Crown [9,0/10]

    AMEN CORNER – Under The Whip And The Crown [9,0/10]

    Estamos diante de um grande trabalho indubitavelmente de uma banda incansável, o Amen Corner em sua carreira de quase três décadas se tornou uma referência e uma das mais importantes bandas de Black Metal do mundo.

    Under The Whip And The Crown é um ótimo trabalho, as músicas deste álbum são composições que mostram uma banda muito viva.

    Neste CD eles apresentam um lado mais conceitual, com músicas mais viscerais e também notamos que houve um resgate do Amen Corner conhecido do passado. Sim! músicas que nos remetem muito aos velhos tempos do The Final Celebration e Fall, Ascension, Domination. Então sentimos a velha essência do Amen Corner muito latente e trazendo a frieza, melancolia e partes mais energéticas. Tudo muito bem pensado e muito bem trabalhado, afinal foram quatro longos anos após o último álbum.

    Para alcançar esses sentimentos, a interpretações do vocalista Sucoth Benoth foi importante e ele foi bem e conseguiu nos envolver de tal maneira que sentimos mesmo o sofrimento, as angustias e também toda supremacia em uma atmosfera negra e muito satânica.

    Este álbum, como foi falado acima, é um trabalho conceitual e muito interessante. Uma obra muito bem escrita que nos remete a uma era negra para os cristãos, quando o império Romano mostrou toda sua supremacia com seus guerreiros determinados a extinguir toda e qualquer crença cristã, um império determinado e que durante séculos mostrou que é possível combater essa praga que infelizmente infesta o mundo com suas mentiras até os dias de hoje.

    As lamurias e as dores sofridas pelos cristãos nesta era são muito bem descritas. As letras conseguem envolver muito misticismo e exaltação do supremo poder demoníaco, onde existem passagens que descrevem que quando Judas traiu Jesus, ele estava possuído por Azazel, demonstrando toda fraqueza e a mentira que descreve o tal poder do nazareno.

    O início do CD nos mostra o talento ímpar do tecladista Fernando Nahtaivel, que não compôs somente uma introdução e sim, uma trilha sonora digna de produções cinematográficas e que consegue nos transportar para toda concepção do álbum.

    Então iniciando com a intro The Fall Of The Messiah, este CD já começa de forma muito imponente, uma obra perfeita.

    Aí vem a música The Lord Of Sodoma que além de muito envolvente é uma composição com uma aura muito negra, entre suas bases cadenciadas, com passagens muito melancólicas e vocais lamuriosos que fazem desta música uma ótima escolha para suceder a belíssima introdução.

    Jerusalem Fell impressiona pela sua soberba interpretação, uma letra forte onde a queda de Jerusalém é muito bem narrada. O instrumental executado de maneira impecável torna essa música uma das melhores deste artefato.

    E continuando a audição deste álbum, nos deparamos com a difícil tarefa de escolher as músicas que mais se destacam, todas as composições se completam de uma forma muito primorosa.

    Under The Whip And The Crown é uma faixa que nos fez entender o porquê de ser escolhida para intitular o CD, uma música muito forte e muito bem construída. Riffs pesados em meio a todo sofrimento causado sob chicote e a coroa de espinhos. Essa música escorre sangue com muita maldição. Uma letra perversa onde ao lermos conseguimos mentalizar os olhares raivosos dos centuriões sedentos pra profanar o corpo do nazareno com suas chicotadas, marteladas e muitas torturas.

    As músicas The Ritual e Azazel são verdadeiros hinos, com suas atmosferas melancólicas e obscuras, nos faz ter a sensação que essas composições emergiram do mais profundo abismo infernal onde habitam as hostes satânicas.

    E também encontramos aqui uma belíssima regravação da cultuada Heir Of Lust Heir Of Pleasures que ficou ótima, mantendo a mesma característica  registrada em seu primeiro álbum. Aqui mais pesada com toda certeza.

    E para fechar o review desta obra maligna, destaco The Wrath Of Roman Gods, essa música vai te impressionar. Mostra um Amen Corner com uma criatividade sem igual tornando este álbum um dos mais gloriosos de toda sua carreira, um tributo ao Black Metal.

  • BRUTAL ABYSS – Misanthropic Butcher [10/10]

    BRUTAL ABYSS – Misanthropic Butcher [10/10]

    É impressionante como proliferam bandas extremas e muito talentosas no nordeste de nosso país. Essa banda oriunda de Fortaleza é uma grata revelação, pois este primeiro álbum recém-lançado nos deixou com ótimas impressões.

    Death Metal feito com primor, sim, feito com muita qualidade e paixão. E de fato impressionante, suas músicas são muito brutais e que mesmo assim não deixam de ser cativantes, conseguimos entender cada riff, cada base, cada berro… numa gravação digna de altíssimo nível.

    Notamos também fortes influências de bandas clássicas dos anos noventa como Grave e Gorguts em seu primeiros álbuns e uma pegada também chegada mais para o splatter e gore, uma fusão perfeita que esta banda conseguiu fazer em suas composições.

    Este CD já causa ótimas impressões pela sua capa que expressa muita brutalidade e essa arte que chama muito a atenção foi feita pelo artista Tiago Medeiros que conseguiu assimilar toda proposta musical da banda e traduzir tudo em uma capa devastadora.

    E ouvindo esse CD, nos deparamos com uma banda que surpreendeu e que trará muitos bons frutos para sua carreira, uma banda pronta e muito coesa para ganhar o mundo.

    O CD inicia com a intro Death Is Coming com seus teclados mórbidos e misantrópicos e ouvimos ao fundo uma agonia e sofrimento, sons assustadores que nos fazem imaginar muitas atrocidades. A faixa título Maniac In Control, que vem logo após, mostra que este trabalho foi inteiramente pensado para que tudo combine perfeitamente. Esta música com suas influências noventistas e também modernas já nos toma de assalto e nos faz querer ouvir mais o que vem por aí.

    E o que vem por aí? Faixas que em suas essências são obras primas do estilo e que fazem deste álbum um trabalho impar, músicas como So Satisfying, Iniquitous Bigot que são a pura tradução de uma banda que veio para ficar, daí vem a faixa titulo Misanthropic Butcher que no início de suas guitarras nos remete até os gloriosos tempos do Benediction, mas que não fica só nisso… Muita técnica e uma pegada extrema toma conta da composição fazendo dessa música realmente uma das melhores de todo álbum.

    Também músicas como Basement Of Despair com sua cadencia, Misery Rules que é violenta deste o inicio e Twisted Fuck que em suas melodias mórbidas e brutais, com riffs bem palhetados fica impossível não balançarmos nossas cabeças e reconhecer que o nosso Death Metal é de fato um dos melhores do mundo.

    O Brutal Abyss está de parabéns, pois em seu álbum de estréia fizeram um trabalho merecedor de nota dez!

  • INFECTED SPHERE – Abyss Ov Flesh [9,0/10]

    INFECTED SPHERE – Abyss Ov Flesh [9,0/10]

    Definitivamente insano! Este é o primeiro álbum desta banda gaúcha que demonstrou aqui muita habilidade em um trabalho maravilhoso. A brutalidade aqui é palavra de ordem, esses caras não pegaram leve um só minuto e fizeram de Abyss Ov Flesh um tributo ao o que há de mais perverso no Death Metal.

    São músicos que impressionam pelas técnicas apresentadas, a cada música desse CD ficamos de cabelo em pé, muito espantados pelos riffs muito bem construídos e e uma violência absurda nas suas execuções.

    O material gráfico deste primeiro álbum ficou muito bem feita, uma capa agressiva e que já passa a mensagem do que vamos encontrar em seu conteúdo. Conteúdo esse que não desaponta um só segundo, Death Metal feito com ódio, garra e muita determinação.

    Notei em sua música que há muita influência de bandas como Suffocation, as linhas de vocais nos remetem muito ao Human Waste. Quem conhece esse grande EP, já deve fazer uma ideia do que digo aqui.

    O guitarrista Luis C. Tomasini no comando das guitarras desta banda mostrou ser um instrumentista de muito respeito, pois para tocar as músicas deste CD tem que ter muita habilidade e muito intimidade com o instrumento.

    E eles conseguiram equilibrar tudo na dose certa, não é um álbum técnico demais o que poderia se tornar chato ao ouvir e aqui além de técnicas a banda exibe uma musicalidade soberba. Death Metal feito por quem conhece o estilo.

    Este é um trabalho impiedoso, um CD que inicia com guitarras caóticas trazendo a intro Putrid Chant  e que anuncia a pesada e muito bem construída Bizarre Mutilation com seus riffs rápidos e também cadenciados, abre o CD na pura e extrema violência.

    Surgical Putrefaction  é o que podemos classificar de um pesadelo para aqueles que não estão acostumados com composições como esta, é absurdo e devastador. E o clima desta música é destruidora, os vocais guturais vomitados se encaixam perfeitamente com a sonoridade obscura e vale ressaltar os solos impressionantes que não parecem ter sido executados por um ser humano.

    E destaco aqui também as ótimas faixas Saw That Cut Your Decomposing Cadaver, a instrumental Into The Grave e a música que nomeia este álbum, Abyss Ov Flesh, são composições que apresentam uma banda muito madura apesar deste ser seu primeiro CD, esses músicos mostraram aqui muita versatilidade em suas músicas sempre executadas com muita intensidade.

    Uma grata revelação e que com certeza marcará seu nome na história de nosso underground.

  • BURNING WITCHES – Hexenhammer (8,0/10)

    BURNING WITCHES – Hexenhammer (8,0/10)

    Um ano e meio separa o autointitulado debut do Burning Witches e o segundo álbum, Hexenhammer, e é possível sentir uma grande evolução da banda. Apesar de a fórmula ser a mesma do primeiro disco, ou seja, um heavy/power guiado por peso e melodia, nota-se o quanto o quinteto suíço, nascido em 2015 na cidade de Brugg e formado apenas por mulheres, lapidou melhor seu som e emplacou canções empolgantes, como Executed – com selo de qualidade Judas Priest –, e as imponentes Lords of War e Open Your Mind.

    Com um vocal que flerta com o da rainha Doro Pesch e de Leather Leone (Chastain), Seraina Telli esbanja vitalidade e potência em temas como Maiden of Steel. A guitarrista Romana Kalkuhl, agora com uma nova parceira nas seis cordas – Sonia Nusselder substituiu Alea Wyss –, é a força-motriz, com riffs poderosos, enquanto a cozinha composta por Jay Grob (baixo) e Lala Frischknecht (bateria) cumpre bem seu papel. Destaque ainda para a capa desenvolvida pelo artista húngaro Gyula (Destruction, Grave Digger, Stratovarius). As baixas ficam por conta de coisas um tanto quanto genéricas, como Possession, e o descartável cover de Holy Diver (Dio).

  • BRUTALLIAN – Reason For Violence [9,0/10]

    BRUTALLIAN – Reason For Violence [9,0/10]

    Esta é uma banda de altíssimo nível, sim, Reason For Violence é surpreendente. Um trabalho tão bem produzido e executado que mostra o metal nacional está verdadeiramente no mesmo nível das grandes produções mundiais.

    O Brutallian neste segundo álbum desfila exuberância em composições muito bem construídas, suas músicas são muito técnicas e pesadas e nos remetem aos mais pesados clássicos do thrash/speed metal até o maravilhoso Judas Priest em seu ótimo e técnico álbum Painkiller.

    Os vocais do Pablo Barros são agressivos e muito afinados com a proposta musical da banda e tem momentos em seus agudos que nos lembram de verdade o mestre Halford. Seus talentosos guitarristas são o coração pulsante desta banda, com riffs clássicos também modernos e solos tão muito bem feitos que nos deixa boquiabertos o tempo inteiro.

    É um show de dinâmica e virtuosismo em todas as 11 faixas, que faz deste álbum um dos melhores lançamentos do estilo no país. Essa banda com certeza tem a chave para abrir todas as portas e fincarem seu nome entre as grandes bandas do mundo, eles estão preparados para conquistar o planeta, pois conseguiram a fórmula perfeita entre peso, técnica, agressividade e melodias cativantes. Esses maranhenses vão longe e muito em breve.

    O CD tem uma capa que traduz literalmente todo conteúdo lírico abordado aqui, além de sua música como já descrito acima, este trabalho gráfico muito bem feito foi assinado pelo Fábio Matta que absorveu a mensagem da banda perfeitamente e traduziu em imagens de forma espetacular.

    Este álbum já inicia com faixa título Reason For Violence que traz uma violência absurda, uma música matadora que tem toda razão de estar nomeando este trabalho, é uma das melhores músicas aqui.

    Fear Inside Rage Outside, The Ride e From Hell We Are são composições que também se destacam por suas pegadas pesadas e melodias absurdamente arrebatadoras, entre suas passagens heavy ao thrash metal nos faz querer escutar muito mais desta ótima banda, se esse disco fosse um álbum duplo ainda assim não cansaríamos de ouvir. E falando especialmente da From Hell We Are, notamos que tem até elementos brutais muito bem misturadas à música como por exemplo incursões de vocais guturais.

    O talento destes membros e seu poder musical produziu um dos melhores álbuns deste ano e que nos faz acreditar que logo ouviremos seu nome ser aclamado por fãs do estilo nos quatro cantos deste planeta.

  • STORMTHRASH – Systematic Annihilation [8,5/10]

    STORMTHRASH – Systematic Annihilation [8,5/10]

    Este trabalho apresenta um thrash metal de extrema violência, uma banda venezuelana que descarrega todo seu ódio e fúria em suas músicas chegando de fato à beira da mais insana brutalidade.

    Seus integrantes passam uma energia impressionante, além de uma técnica ímpar. Há momentos que viajamos entre os primórdios do Destruction, Kreator, Slayer e até mesmo o grande nome do death metal Death.

    Esses caras são realmente headbangers com muita vontade de fazer metal, metal rápido e sem frescuras. Mas não se atenha ao que disse “sem frescuras” achando que é um som simples, pois não é mesmo. A rifferama aqui é incansável e que segue a rápida e estrondosa linha bateria. Se você se acha preparado para um headbanging, vai preparando seu pescoço por que o assunto aqui é sério.

    Os vocais são muito empolgantes e apesar de muito agressivos conseguimos entender claramente cada palavra cantada. Este trabalho é perfeito para os amantes do thrash metal que buscam por bandas que não sejam plágios do que já foi feito no passado. O Stormthrash consegue com uma incrível competência soar oitentista e noventista com uma sonoridade moderna e com muita personalidade.

    Entre as ótimas músicas se destacam Don’t Learn To Be Corpse, The Art Of Destruction, Sytematic Anihhilation e Error Mortal que são faixas extremamente poderosas, furiosas e com algumas passagens mais calmas com dedilhados bem precisos, que me faz pensar… Depois da calmaria vem a tormenta. Como o próprio nome da banda já traduz o seu avassalador estilo.

    E para esta ótima versão nacional as gravadoras envolvidas anexaram a este lançamento o EP homônimo lançado em 2012 na integra.

  • SCARLET PEACE – Tempus Fugit [9,0/10]

    SCARLET PEACE – Tempus Fugit [9,0/10]

    Depois de 14 anos do lançamento de seu debut o Scarlet Peace vem com seu novo álbum Tempus Fugit e nos apresenta a banda muito mais amadurecida e mesmo se mantendo fiel ao doom metal, mostrou uma evolução surpreendente.

    Este trabalho nos traz composições soberbas em climas que vão da obscuridade a mais misantrópica melancolia, em uma execução impecável de suas músicas que nos conquista deste os primeiros riffs.

    Doom metal muito bem feito que nos leva em uma viajem muito interessante em seu conteúdo lírico e por todas as passagens que vão de atmosferas muito mórbidas à riffs puramente influenciados pelos mestres do Black Sabbath.

    E ouvindo mais atentamente percebemos que a banda conseguiu unir os climas mais sombrios com partes mais energéticas assim tornando esse trabalho ainda mais interessante, pois tiveram o cuidado para não tornar este CD maçante e cansativo.

    A participação do James Freitas com seus maravilhosos teclados foi de extremo bom gosto e deu aquele toque especial que as músicas realmente precisavam, notamos perfeitamente que esse tecladista conseguiu capitar de forma magistral todo clima que a banda passa em suas ótimas músicas.

    Os músicos desta banda com certeza devem respirar e transpirar doom metal todo o tempo, sentimos ouvindo este álbum muita paixão que obviamente nos transmite muita emoção a cada faixa que se sucede. É difícil sentir tal sensação e este álbum conseguiu passar esse sentimento de forma primorosa.

    Este definitivamente é um trabalho onde destacaria exatamente todas as músicas, todas elas são tão boas e estão em uma ordem que se completam tão perfeitamente que nos deixa em uma situação muito difícil de escolher determinadas músicas, com guitarras executadas com muita competência e precisão, bateria com uma qualidade excelente e muito bem encaixada, o baixo que está audível e que também se destaca pelas ótimas incursões de seus fraseados e que algumas vezes faz belíssimos duetos com as guitarras.

    A parte vocal é uma das coisas mais belas deste material, entre seus rasgados e guturais há uma harmonia maravilhosa com os vocais limpos e todo instrumental, todos os detalhes deste trabalho foram sabiamente pensados para ser um grande álbum, e digo, acertaram em cheio.

    Percebemos muito cuidado neste CD também em sua apresentação gráfica, uma capa que nos chama atenção e também que se encaixa em todo contexto musical/lírico do Scarlet Peace apresentado aqui, a capa foi assinado pelo renomado artista plástico Paulo Frade que também é professor de artes visuais, ele definitivamente absorveu a mensagem da banda e transmitiu de uma forma incrível nesta capa.

    E ainda falando da capa, é uma belíssima pintura onde retrata a passagem entre a vida e a morte com o barqueiro conduzindo uma alma recém-morta através do rio Styx para o mundo dos mortos. Já que a temática que compõe este álbum é a vida e a morte em um estado de coma, lembranças de vida, angustia, decepção, ganância, sofrimento e dor, além de sonhos e pesadelos terríveis.

    E falando das músicas aqui presentes sob a temática apresentada acima podemos destacar entre todas ótimas faixas a Tempus que começa um coral e vocal rasgado perfeitamente unidos que traz um clima triste e ainda sim muito belo. Com sua letra em português em veia poética muito bem escrita. Um ótimo início.

    Entre a Razão e a Fé é uma composição onde a banda questiona a fé e afirma que a razão destrói qualquer forma de crença sem causas verdadeiras, …como uma droga ingerida eliminando, assim, a dor da vida… Todo esse forte conteúdo lírico sob uma execução instrumental angustiante e muito viajante. Uma interpretação vocal que nos traz de fato muita dor.

    Remembrances Of Pain inicia com de forma energética com belas dobradas de bumbos e riffs rápidos que logo o clima sombrio e lento devolve à música aquele clima soturno do estilo. Destaco aqui o talento de seu baixista que nesta faixa dá uma aula com seus fraseados que se destacam e abrilhantam muito esta composição.

    So Silent começa com teclados maravilhosos que se misturam com riffs de guitarras muito cativantes e que nos faz balançar nossas cabeças mesmo que inconscientemente, é uma música belíssima com melodias intensas e muito sentimentais. O riffs destas guitarras são lindos e que conquista a atenção de qualquer um que ouvir.

    Quis trazer para vocês um pouco deste ótimo álbum, e reforço que foi difícil decidir quais faixas destacar, todas as músicas deste trabalho são magnificas e muito envolventes que nos arrebata por completo. Um álbum que apesar de seus setenta minutos ao final nos deixa com mais vontade de ouvir mais e mais.

    Este trabalho precioso feito pelo Scarlet Peace mostra que o doom metal está muito bem representado no país pela competência, determinação e paixão pelo estilo. 2018 foi de fato um ano em que o doom retomou seu lugar com maravilhosos lançamentos a exemplo deste que lhes apresentei agora.

  • BONFIRE – Legends [8,0/10]

    BONFIRE – Legends [8,0/10]

    Por Matheus Vieira

    Chame os amigos. Coloque a cerveja para gelar e curta este disco em um volume considerável. Pois é. A palavra festa é a que melhor define a essência deste novo disco dos veteranos hard rockers alemães da Bonfire, batizado de Legends (o segundo álbum dos caras do ano, já que eles lançaram Temple of Lies, apenas com inéditas, em abril de 2018).

    A ideia do material é simples: homenagear nomes dos anos 70 e 80 que influenciaram diretamente a carreira da banda. Assim, os atuais membros da Bonfire – sim, desde sua fundação em 1986 pelo guitarrista Hans Ziller, diversos músicos passaram por seu line-up – fizeram uma gigantesca seleção de covers, distribuída em dois Cds, cuja produção apresenta um bom nível, sem exageros e de acordo com a proposta. Entre os escolhidos, destaque para canções do Rainbow, TOTO, UFO, Grave Digger, Running Wild, Survivor, entre outros.

    Para mim, a versão mais bacana ficou para Eyes Of A Stranger, do Queensrÿche. Aqui, não há espaço para aquela discussão cover x autoral. A ideia é apenas comemorar. Afinal, você, leitor, também “entrou para o universo do rock” por influência de alguém, não é mesmo? Curta sem dores de cabeça.

  • INNER CALL – Elementals [9,0/10]

    INNER CALL – Elementals [9,0/10]

    Heavy Metal de altíssima qualidade, músicas muito bem construídas e um peso absurdo. Os seus instrumentistas são virtuosos e com o verdadeiro espirito do metal em suas veias. Esses baianos dão um show neste trabalho, a qualidade de suas composições atrelado a alta qualidade da gravação nos traz um álbum muito bom. A concepção gráfica deste CD é outro show, uma capa que chama a atenção logo no primeiro olhar, a capa ficou a cargo do artista Luiz Omar que também é o baterista da banda. E toda produção gráfica foi feito pelo renomado João Duarte da J. Duarte Design, posso dizer com veemência, ficou um trabalho maravilhoso.

    Ao executar o CD ouvimos com certeza uma das melhores bandas do Brasil, a essência deste trabalho nos remete as melhores bandas do estilo e consagradas da década de 80, mas com uma roupagem moderna, pois apesar de notarmos claras influências oitentistas a banda se preocupou em não ter uma gravação nos mesmos moldes, o que acho formidável, afinal a tecnologia está aí e deve ser explorada sim.

    O CD inicia com uma Intro caótica, sim, com sirenes e muitas explosões. Assim sem um preludio para o massacre sonoro que está por vir, o seu Heavy Metal não foi feita para fracos e amantes de melodias massantes e chatas como muitas bandas tem feito aqui no Brasil e no mundo. É um Heavy Metal feito por headbangers para headbangers de verdade. A segunda faixa “Elementals” faixa que dá nome este ótimo material começa demostrando virtuosismo de uma maneira visceral e que logo é tomado por uma pegada maravilhosamente forte, os vocais do Roberto Índio se encaixa perfeitamente à música do Inner Call, numa junção perfeita, pois também percebemos que este vocalista canta com paixão e amor ao que se propõe a fazer. E que faz com extrema competência.

    A riferama neste CD é intensa que chega a ser frenética, algumas com a absurda rapidez em sua execução que nos chama muito a atenção, pois são muito bem tocados de forma tão clara que entendemos cada palhetada.

    Já a música “The Night Queen” mostra uma música diferenciada em sua bateria, e alguns falsetes que lembram muito o grande King Diamond em algumas passagens. E também falando dessa faixa, existem certas pontes, as passagens entre um riff e outro, que também notamos demais o Iron Maiden em seu hall de influências.

    Bom… não vou ficar aqui fazendo comparações e nem ficar falando que as faixas parecem com essa ou aquela banda, eles tem identidade própria e com certeza conseguiram trazer para o seu som o melhor do Heavy Metal feito no passado e no presente. Um belíssimo material que tive a felicidade de ouvir com muita atenção e satisfação.

    Todas as 6 faixas são uma viagem no que há de melhor no estilo, e também destaco aqui “There’ll be Hell” e “Hades” que fecha com louvor o CD.

    Se você é amante de Heavy Metal de verdade sem frescuras, o INNER CALL é pra você. Eles de fato resgatam a verdadeira identidade do estilo e o executam com primor.

    Uma grata revelação brasileira com o poder e garra do nordeste. Para vocês o meu “Hail” e continuem trilhando esse caminho, vocês estão na direção certa.

  • MIGHT EXECUTION – Sceptic & Controversial [8,0/10]

    MIGHT EXECUTION – Sceptic & Controversial [8,0/10]

    Este é o primeiro álbum desta banda paulistana que faz um soberbo Heavy/Death Metal com muita influência Thrash Metal Oitentista.

    Liderado pelo Glauber Marques (Ex-Evil Sense), o mesmo mostrou muita competência neste álbum, pois suas composições são muito coesas e um tanto complexas, tem momentos que chega a lembrar a complexibilidade das músicas do grande Death.

    A apresentação gráfica desde CD é muito interessante e sua concepção foi muito bem feita, a capa do CD ao abrirmos se torna um mini pôster muito bonito, além de trazer todas as informações e as letras. O artista escolhido para criação da capa e todo layout gráfico ficou a cargo do conhecido artista Raphael Bueno, que diga-se de passagem, ficou de muito bom gosto e que traduz toda temática lírica da banda.

    A produção deste material foi feita pela própria banda e No Limits Studio que executou um trabalho fantástico.

    Ao ouvirmos este CD nos deparamos com uma banda que acertou em sua proposta, as musicas são pesadas, muito trabalhadas e com uma essência verdadeiramente headbanger. O Glauber Marques além de ter um vocal pra lá de mórbido e muito peculiar, mostrou todo seu conhecimento e virtuosismo na guitarra, e junto ao não menos virtuoso Michael Pedroso que também é um instrumentista ímpar, fizeram uma dupla imbatível e que conseguiram nos proporcionar composições de tirar o folego.

    A Bateria é um outro show, a banda contou com toda experiencia e o conhecimento aprofundado desse baterista que dispensa apresentações. O Robson Rodrigues (também integrante do renomado e subterrâneo Endless Carnage) dá uma aula em seu instrumento. Com seus bumbos impecáveis e toda sua destreza fez que a união destes três membros se tornasse uma banda que vai sim, ecoar sua música por todo planeta com muita grandeza.

    Entre as 9 ótimas faixas destacamos aqui as músicas que nos tomou de assalto e que com certeza vai te fazer gostar dessa banda logo na primeira audição.

    “Simple Mortal Man” é a faixa que abre toda epopeia sonora deste álbum, uma música violenta que nos remete as bandas clássicas do Thrash/Death Metal mundiais. Além de riffs que nos remete demais ao Destruction  e sentimos fortes influencias de Heavy Metal Tradicional.

    A segunda faixa “Obsession” começa com riffs impressionantes que logo a música tomada por uma fúria indescritível. O Robson e suas viradas nos moldes de Dave Lombardo deu um toque ainda mais visceral a esta música. Uma porrada sonora.

    E cito aqui a faixa “Catch The Liar” que começa com muita serenidade e um clima transcendental que nos faz viajar e claro, que logo se funde a riffs pesadíssimos numa música cadenciada e que faz qualquer headbanger balançar suas cabeças. Essa música de fato se destaca neste ótimo material.

    E as não menos importantes “When The Spirits Returns”, “Eyes Of Dawn”, “You Are Coward”, “What Is Destiny”, “At Edge Of Cosmos” e “Simple Mortal Man – Revelations”, são músicas de um poderio sonoro que fazem deste um grande álbum e um debut notável, uma grande estreia.

    Might Execution, o nome da banda já traduz bem, é uma grande execução e uma viajem arrebatadora entre o Heavy, Thrash, Speed e o Death Metal. Ouçam e confiram!