Foi num workshop promovido por Vinny Appice (Appice, Black Sabbath, Heaven and Hell, Dio e tantos outros) em Belo Horizonte, em 2015, que o baterista começou a forjar uma aliança com o Concreto. Naquela oportunidade, o batera se empolgou tanto com a execução das músicas Mob Rules, Heaven and Hell e Holy Diver ao lado dos mineiros que, passando por cima do protocolo, pediu para tocarem mais uma, no caso, Paranoid. Ídolo do quarteto de rock/metal, Appice, numa inversão de papéis, acabou se tornando fã confesso do grupo. Disposto a repetir a dose, gravaram juntos as quatro faixas do EP Lama, lançado pelo Concreto neste ano. E não parou por aí. Na turnê que acontecerá neste mês no Brasil, o mestre das baquetas deixou claro que o Concreto será sua banda de apoio na apresentação na capital mineira, no dia 18, no Stonehenge Rock Bar – em todas as outras datas, será acompanhado pelo vocalista Nando Fernandes, o guitarrista Edu Ardanuy e o baixista Fernando Giovannetti. Por motivos de logística, Appice e a banda mineira não conseguirão ensaiar para o show que visa reproduzir o clássico álbum Mob Rules (1981) e outras músicas da prolífica carreira do batera. Mas a química de outrora e a confiança depositada do grupo formado por Marcelo Loss (baixo e voz), Túlio de Paula (guitarra e voz), Adriano Fidélis (guitarra) e Teddy Almeida (bateria) – este último voltará a ceder seu posto para o ícone – são suficientes para se imaginar mais uma passagem histórica de Appice em BH. Em entrevista à ROADIE CREW, Marcelo Loss e Túlio de Paula ressaltam o desafio de tocar o Mob Rules na íntegra, o reencontro com o ídolo e alguns planos do Concreto para o futuro.
Marcelo, o Vinny vem ao Brasil com uma banda para vários concertos, mas em Belo Horizonte ele não abriu mão de contar com vocês. Qual a expectativa para o show?
Marcelo Loss – É a melhor possível. Até porque o Vinny abriu mão de tocar com a banda que vai acompanhá-lo nos outros shows da turnê, formado por grandes músicos brasileiros, para tocar em Belo Horizonte com a gente. Prova que realmente ele curtiu tocar conosco em 2015, e rolou essa empatia que resultou no nosso EP Lama, em que ele tocou a bateria nas quatro músicas.
Vocês conseguirão ensaiar com ele?
Túlio de Paula – Infelizmente não conseguiremos. Não haverá tempo hábil para isso. O Vinny vai chegar em Belo Horizonte na hora do almoço, e tocaremos à noite. Mas como ele é um cara muito generoso, mantém contato com a gente por e-mail falando sobre o repertório, os finais das músicas e que confia na gente e que vamos fazer um bom trabalho. E pediu para, na hora do show, olharmos sempre para ele, que vai nos guiar. Então, estamos muito tranquilos com relação a isso. E ele se propôs a fazer uma passagem de som mais longa, para acertamos alguns detalhes.
Concreto e Vinny Appice
O entrosamento adquirido em ocasiões anteriores também conta nessa hora, certo?
Marcelo Loss – O que mais conta nessa hora é realmente a química que rolou entre o Vinny e a banda Concreto quando estivemos juntos em 2015. Com a falta de ensaio, existe mesmo é aquela sintonia dos músicos em cima do palco, olho no olho, prestando atenção em como serão os finais das músicas e coisas do tipo. Estamos com uma expectativa muito boa para isso.
O que representa o álbum Mob Rules para vocês?
Túlio de Paula – O Mob Rules, para mim, significa um disco muito foda do Black Sabbath. Curiosamente, não era dos discos que escutei muito. A gente está redescobrindo esse disco, que é espetacular. Os caras estavam num nível muito alto, voando mesmo. O Dio cantando como nunca, o Vinny destruindo a bateria… O Geezer (Butler) e o Tony Iommi então, não precisa nem falar. Era um nível altíssimo, músicas maravilhosas. Está sendo muito desafiador reproduzir esse disco com um cara que o gravou. Um desafio muito saboroso para nós.
Mas vocês conhecem o álbum de cabo a rabo, certo? Até porque ele será tocado na íntegra.
Marcelo Loss – Sim, o plano é tocar o álbum Mob Rules na íntegra, além de outros sucessos que ele gravou com o Black Sabbath e com o Dio. O curioso é que esse disco nem é um dos favoritos para nós. Sempre ouvimos muito o Live Evil (1982) e não tínhamos tanta intimidade com o Mob Rules. Tanto que, quando ele nos disse que faria turnê desse disco, ficamos um pouco apreensivos, pensando que íamos ter muito trabalho com as músicas. Mas tem sido muito bacana redescobrir esse álbum.
Quando vocês gravaram o EP Na Lama, o Vinny queria até saber das letras das músicas. Como foi isso para vocês?
Túlio de Paula – Um sonho realizado. A ficha custa a cair. Um cara do nível do Vinny Appice tocando quatro músicas nossas, cantadas em português, é de uma generosidade enorme da parte dele. Foi superprofissional. Foi ele quem falou que queria gravar músicas nossas. Ao encontrar-se com um amigo nosso em Los Angeles, o Vinny tocou no assunto. Falou para esse amigo nosso entrar em contato com a gente. Para nós foi de uma satisfação enorme. Quatro músicas gravadas por um cara do nível dele, um monstro da bateria, da história do heavy metal mundial. Foi uma felicidade muito grande para nós.
Vinny Appice
Vocês já tocaram com ele em outras ocasiões. Têm boas recordações? Como é o Vinny, um cara brincalhão ou mais sério, na dele?
Marcelo Loss – Temos as melhores recordações possíveis do nosso encontro com o Vinny em 2015. Naquela oportunidade, rolou uma química muito legal no palco e também no pessoal. O Vinny é um cara muito legal, simples e acessível. Foi muito legal conhecer um artista que a gente é fã desde criança, estar com ele no palco, e o cara conversar com a gente de igual para igual. Foi algo impagável. Esperamos repetir agora com um show completo. Na outra ocasião foram apenas quatro músicas. E agora serão 15. Teremos mais oportunidades para curtir esse momento.
O disco ficou com aquele gostinho de “quero mais”. Vocês pensam em fazer mais músicas para um disco completo em breve?
Túlio de Paula – A gente pensa em gravar músicas novas para completar um disco e lançá-lo no ano que vem. Nos últimos anos lançamos só EPs e DVDs. Teremos novas músicas a serem gravadas para um lançamento em 2019.
A parceria com Vinny pode resultar em outro álbum no futuro?
Marcelo Loss – Quem sabe. Essa relação que estamos construindo com o Vinny é realmente um sonho, ter essa oportunidade de trabalhar com um artista que a gente é fã. Temos muito orgulho de ter esse cara nosso novo EP. Se tiver outra oportunidade de repetir a dose, vai ser um prazer.
Quando vocês olham para trás e veem tudo o que o Concreto conquistou, há algo que mudariam?
Túlio de Paula – Quando a gente olha para trás, temos uma satisfação muito grande e uma saudade das coisas que passaram. Eu, Marcelo e Adriano, meu irmão, tocamos juntos há 32 anos. Na maioria desse tempo, fizemos músicas autorais. A gente era criança quando tudo começou. Iniciamos por causa do Rock in Rio de 1985, quando todo mundo queria ter uma banda. E acho que não mudaríamos nada. A gente aprende muito com erros. Foram muitos erros, muitos acertos, muitas coisas deliciosas, saborosas, gratificantes, momentos que a gente guarda na memória, shows antológicos. Muita coisa boa passa pela cabeça, e fica a certeza de que tudo valeu a pena.
Vinny e Concreto
O que podemos esperar do Concreto para 2019? O que está em pauta?
Marcelo Loss – Para 2019, precisamos finalizar nosso quinto álbum. Neste ano e nos anos passados soltamos apenas EPs. E os fãs mais tradicionais ainda cobram o quinto álbum físico. Também teremos o show de comemoração dos 20 anos dos nosso primeiro CD, A Calma da Alma, lançado em 1998. Era um plano para 2018, mas foi um ano que passou muito rápido. E esse show com o Vinny passou por cima de tudo. Tivemos que adiar esses planos por hora. E então, para 2019, queremos lançar um novo disco e fazer essa comemoração do nosso primeiro álbum.
SERVIÇO
VINNY APPICE E CONCRETO
Dia 18 de novembro. Abertura da casa às 16h; show principal previsto para 20h
No Stonehenge Rock Bar – rua Tupis, 1448, bairro Barro Preto, em BH
Foi num workshop promovido por Vinny Appice (Appice, Black Sabbath, Heaven and Hell, Dio e tantos outros) em Belo Horizonte, em 2015, que o baterista começou a forjar uma aliança com o Concreto. Naquela oportunidade, o batera se empolgou tanto com a execução das músicas Mob Rules, Heaven and Hell e Holy Diver ao lado dos mineiros que, passando por cima do protocolo, pediu para tocarem mais uma, no caso, Paranoid. Ídolo do quarteto de rock/metal, Appice, numa inversão de papéis, acabou se tornando fã confesso do grupo. Disposto a repetir a dose, gravaram juntos as quatro faixas do EP Lama, lançado pelo Concreto neste ano. E não parou por aí. Na turnê que acontecerá neste mês no Brasil, o mestre das baquetas deixou claro que o Concreto será sua banda de apoio na apresentação na capital mineira, no dia 18, no Stonehenge Rock Bar – em todas as outras datas, será acompanhado pelo vocalista Nando Fernandes, o guitarrista Edu Ardanuy e o baixista Fernando Giovannetti. Por motivos de logística, Appice e a banda mineira não conseguirão ensaiar para o show que visa reproduzir o clássico álbum Mob Rules (1981) e outras músicas da prolífica carreira do batera. Mas a química de outrora e a confiança depositada do grupo formado por Marcelo Loss (baixo e voz), Túlio de Paula (guitarra e voz), Adriano Fidélis (guitarra) e Teddy Almeida (bateria) – este último voltará a ceder seu posto para o ícone – são suficientes para se imaginar mais uma passagem histórica de Appice em BH. Em entrevista à ROADIE CREW, Marcelo Loss e Túlio de Paula ressaltam o desafio de tocar o Mob Rules na íntegra, o reencontro com o ídolo e alguns planos do Concreto para o futuro.
Marcelo, o Vinny vem ao Brasil com uma banda para vários concertos, mas em Belo Horizonte ele não abriu mão de contar com vocês. Qual a expectativa para o show?
Marcelo Loss – É a melhor possível. Até porque o Vinny abriu mão de tocar com a banda que vai acompanhá-lo nos outros shows da turnê, formado por grandes músicos brasileiros, para tocar em Belo Horizonte com a gente. Prova que realmente ele curtiu tocar conosco em 2015, e rolou essa empatia que resultou no nosso EP Lama, em que ele tocou a bateria nas quatro músicas.
Vocês conseguirão ensaiar com ele?
Túlio de Paula – Infelizmente não conseguiremos. Não haverá tempo hábil para isso. O Vinny vai chegar em Belo Horizonte na hora do almoço, e tocaremos à noite. Mas como ele é um cara muito generoso, mantém contato com a gente por e-mail falando sobre o repertório, os finais das músicas e que confia na gente e que vamos fazer um bom trabalho. E pediu para, na hora do show, olharmos sempre para ele, que vai nos guiar. Então, estamos muito tranquilos com relação a isso. E ele se propôs a fazer uma passagem de som mais longa, para acertamos alguns detalhes.
Concreto e Vinny Appice
O entrosamento adquirido em ocasiões anteriores também conta nessa hora, certo?
Marcelo Loss – O que mais conta nessa hora é realmente a química que rolou entre o Vinny e a banda Concreto quando estivemos juntos em 2015. Com a falta de ensaio, existe mesmo é aquela sintonia dos músicos em cima do palco, olho no olho, prestando atenção em como serão os finais das músicas e coisas do tipo. Estamos com uma expectativa muito boa para isso.
O que representa o álbum Mob Rules para vocês?
Túlio de Paula – O Mob Rules, para mim, significa um disco muito foda do Black Sabbath. Curiosamente, não era dos discos que escutei muito. A gente está redescobrindo esse disco, que é espetacular. Os caras estavam num nível muito alto, voando mesmo. O Dio cantando como nunca, o Vinny destruindo a bateria… O Geezer (Butler) e o Tony Iommi então, não precisa nem falar. Era um nível altíssimo, músicas maravilhosas. Está sendo muito desafiador reproduzir esse disco com um cara que o gravou. Um desafio muito saboroso para nós.
Mas vocês conhecem o álbum de cabo a rabo, certo? Até porque ele será tocado na íntegra.
Marcelo Loss – Sim, o plano é tocar o álbum Mob Rules na íntegra, além de outros sucessos que ele gravou com o Black Sabbath e com o Dio. O curioso é que esse disco nem é um dos favoritos para nós. Sempre ouvimos muito o Live Evil (1982) e não tínhamos tanta intimidade com o Mob Rules. Tanto que, quando ele nos disse que faria turnê desse disco, ficamos um pouco apreensivos, pensando que íamos ter muito trabalho com as músicas. Mas tem sido muito bacana redescobrir esse álbum.
Quando vocês gravaram o EP Na Lama, o Vinny queria até saber das letras das músicas. Como foi isso para vocês?
Túlio de Paula – Um sonho realizado. A ficha custa a cair. Um cara do nível do Vinny Appice tocando quatro músicas nossas, cantadas em português, é de uma generosidade enorme da parte dele. Foi superprofissional. Foi ele quem falou que queria gravar músicas nossas. Ao encontrar-se com um amigo nosso em Los Angeles, o Vinny tocou no assunto. Falou para esse amigo nosso entrar em contato com a gente. Para nós foi de uma satisfação enorme. Quatro músicas gravadas por um cara do nível dele, um monstro da bateria, da história do heavy metal mundial. Foi uma felicidade muito grande para nós.
Vinny Appice
Vocês já tocaram com ele em outras ocasiões. Têm boas recordações? Como é o Vinny, um cara brincalhão ou mais sério, na dele?
Marcelo Loss – Temos as melhores recordações possíveis do nosso encontro com o Vinny em 2015. Naquela oportunidade, rolou uma química muito legal no palco e também no pessoal. O Vinny é um cara muito legal, simples e acessível. Foi muito legal conhecer um artista que a gente é fã desde criança, estar com ele no palco, e o cara conversar com a gente de igual para igual. Foi algo impagável. Esperamos repetir agora com um show completo. Na outra ocasião foram apenas quatro músicas. E agora serão 15. Teremos mais oportunidades para curtir esse momento.
O disco ficou com aquele gostinho de “quero mais”. Vocês pensam em fazer mais músicas para um disco completo em breve?
Túlio de Paula – A gente pensa em gravar músicas novas para completar um disco e lançá-lo no ano que vem. Nos últimos anos lançamos só EPs e DVDs. Teremos novas músicas a serem gravadas para um lançamento em 2019.
A parceria com Vinny pode resultar em outro álbum no futuro?
Marcelo Loss – Quem sabe. Essa relação que estamos construindo com o Vinny é realmente um sonho, ter essa oportunidade de trabalhar com um artista que a gente é fã. Temos muito orgulho de ter esse cara nosso novo EP. Se tiver outra oportunidade de repetir a dose, vai ser um prazer.
Quando vocês olham para trás e veem tudo o que o Concreto conquistou, há algo que mudariam?
Túlio de Paula – Quando a gente olha para trás, temos uma satisfação muito grande e uma saudade das coisas que passaram. Eu, Marcelo e Adriano, meu irmão, tocamos juntos há 32 anos. Na maioria desse tempo, fizemos músicas autorais. A gente era criança quando tudo começou. Iniciamos por causa do Rock in Rio de 1985, quando todo mundo queria ter uma banda. E acho que não mudaríamos nada. A gente aprende muito com erros. Foram muitos erros, muitos acertos, muitas coisas deliciosas, saborosas, gratificantes, momentos que a gente guarda na memória, shows antológicos. Muita coisa boa passa pela cabeça, e fica a certeza de que tudo valeu a pena.
Vinny e Concreto
O que podemos esperar do Concreto para 2019? O que está em pauta?
Marcelo Loss – Para 2019, precisamos finalizar nosso quinto álbum. Neste ano e nos anos passados soltamos apenas EPs. E os fãs mais tradicionais ainda cobram o quinto álbum físico. Também teremos o show de comemoração dos 20 anos dos nosso primeiro CD, A Calma da Alma, lançado em 1998. Era um plano para 2018, mas foi um ano que passou muito rápido. E esse show com o Vinny passou por cima de tudo. Tivemos que adiar esses planos por hora. E então, para 2019, queremos lançar um novo disco e fazer essa comemoração do nosso primeiro álbum.
SERVIÇO
VINNY APPICE E CONCRETO
Dia 18 de novembro. Abertura da casa às 16h; show principal previsto para 20h
No Stonehenge Rock Bar – rua Tupis, 1448, bairro Barro Preto, em BH
Com mais de 20 anos de carreira a banda Deformity BR se tornou definitivamente uma das mais importantes e avassaladoras bandas de nosso cenário. Nesta trajetória conquistada com muito sangue, suor e dedicação a Deformity BR está no hall das bandas mais respeitadas do estilo. O seu fundador e mestre em física (não preciso nem mencionar sua inteligência) Yuri Hamayano nos concedeu gentilmente esta entrevista para que possamos saber como a banda superou todas as dificuldades e hoje, após retomados seus batimentos cardíacos, continuam derretendo nossos tímpanos.
Yuri Hamayano, Foto por: Divulgação
A Deformity BR foi fundada em 1995 na cidade de Feira de Santana e por todos esses anos a banda se manteve fiel ao estilo. Como surgiu a proposta de fazer o Brutal Death Metal? Fale-nos a respeito dessa criação sangrenta chamada Deformity BR…
Yuri Hamayano: Eu e Julio (guitarra) somos os fundadores da banda. Nós nos conhecemos em 1993 e participamos de outro projeto juntos. Felizmente aconteceram brigas e divergências nesse projeto, assim decidimos sair para fundar a Deformity. O engraçado é que, no início, não havia nada de Brutal Death Metal. Sequer tínhamos uma ideia clara de como seria o som. Nessa época, as composições tinham uma influência Death/Doom e Lucio já estava fazendo o vocal conosco. Nem sonhávamos com “blast beats”! As músicas eram bem mais lentas e as partes mais rápidas possuíam uma pegada mais tradicional Death Metal. Em 1997 eu tive que me ausentar por um ano para estudos e, nesse interstício, Lucio acabou apresentando bandas mais brutais para Julio, como o Cannibal Corpse, Carcass, Brutal Truth, Napalm Death e Terrorizer. Essas bandas não me chamavam muito a atenção. Eu ainda estava vidrado em bandas como Slayer, Gorefest e Paradise Lost. Além disso, até aquele instante, eu ainda não havia sido apresentado ao conceito “splatter”, mas mesmo assim tive uma brilhante ideia de começar a retratar os acontecimentos com muito sangue, além de eventos brutais e doentios nas letras (também conheci o Mortician nessa época). Quando nos reencontramos, Julio me mostrou as novas composições que definiram o atual estilo da banda; do meu lado, os apresentei minhas novas ideias para as letras – Lucio me explicou que aquilo já existia e era denominado “splatter”. Assim nasciam os clássicos “Agony Yells” e “Bloody Banquet”. Entramos de vez no mundo do Splatter Death Metal e o som foi se tornando cada vez mais brutal, como um carro velho que desce uma ladeira esburacada e sem freios.
Julio Nascimento, Foto por: Divulgação
Feira de Santana é uma cidade que foi apelidada como a “Princesa do Sertão” pelo escritor Ruy Barbosa e que é um celeiro de bandas importantíssimas no underground. Como você vê a cena na região atualmente?
Yuri Hamayano: Se formos bem precisos quanto à geografia, Feira de Santana não está exatamente no sertão da Bahia… kkkkk… Sem me prender a essas questões secundárias, posso estender seu questionamento a todo o interior da Bahia, excluindo apenas a região metropolitana de Salvador. Dessa forma não deixo de citar bandas como a Suffocation of Souls que, dentre as interioranas, ainda é nova, mas já alçou voos mais altos (e fazem um Thrash foda). A cena do interior vai muito bem (em termos de bandas), obrigado! Sempre tivemos ótimas bandas, algumas delas conseguiram sobreviver, outras não; e já existem tantas outras novas… o pessoal não para! Assim, posso citar alguns nomes que me vêm rapidamente à mente, como: Braincancer, Impios, Inside Hatred, Bastard, Kerberus, Sades, Second Face, entre outros; em Feira de Santana, mais especificamente, temos Human, MetalWar, Martyrdom, Pestis, Erasy e Pathfinders que já estão na batalha há algum tempo; outras começando agora, como a Gaia Beta. É muito bom perceber que a cena metálica baiana não está mais restrita à região metropolitana de Salvador. O interior, além das bandas, tem conseguido apresentar ótimos festivais, muitos bons fanzines e uma estrutura foda. Só fico triste porque estamos passando por um momento de baixa de público. Já passamos por outros momentos como esse e percebo que é um movimento cíclico da cena. Imagino que este seja um desses momentos de transição entre gerações. Muitos bangers antigos somem e os novos ainda não se sentiram agentes do próprio cenário. Por isso a importância em acolher e cativar o sangue novo. Aqui em Feira de Santana foi criado um grupo para tentar discutir coletivamente os problemas do cenário, especialmente do interior da Bahia. Já fizemos uma mesa redonda para discutir essas questões com a participação do público e esses esforços já têm resultado em boas ideias. Agora só nos falta pôr mãos à obra e colocar os projetos para frente. Espero que o fortalecimento venha num curto tempo, toda a Bahia ganha com isso!
Krusius Barreto, Foto por: Divulgação
A última vez que os vi ao vivo, a banda contava com o Fúlvio (Ex-Sower) e também com um dos vocais mais brutais que eu conheço: Lúcio. Hoje a banda não conta mais com ele no vocal. Qual o motivo desse afastamento?
Yuri Hamayano: Cara, então já faz muito tempo que você viu uma apresentação nossa! 2002/2003? A saída será irmos a São Paulo para uma apresentação! Kkkkk… Nós temos muito apreço pelos ex-integrantes da banda. No caso do Fúlvio, mesmo tendo ficado conosco por muito pouco tempo, ele conseguiu fazer contribuições importantes, trazendo ideias e experiências. Seria interessante ainda tê-lo na banda… aliás, seria bom se todos os ex-integrantes pudessem continuar juntos conosco na Deformity. Imagine! Uma banda com 20 integrantes! Kkkk… Com relação a Lucio, concordo contigo: é um dos vocais mais brutais e versáteis que eu tive o prazer em conhecer. Infelizmente divergências aparecem e elas vão minando as relações entre as pessoas. Isso é a coisa mais natural do mundo! O estranho é ver as pessoas terem o amadurecimento para conseguir repensar as situações e contornar os problemas. Foi muito triste, pois era inimaginável tê-lo fora da banda. Afinal, havia a amizade de anos, além do fato de a Deformity BR ser caracterizada exatamente por seu timbre. Mas creio que o seu afastamento tenha sido a melhor solução. Estávamos preocupados em como solucionar o problema da carência de uma voz que pudesse ser a nova cara da Deformity. Não saímos à procura de novos vocalistas, mas mesmo assim, com a notícia da saída de Lucio, algumas pessoas demonstraram interesse na posição e ofereceram ajuda – um deles com o vocal tão fudido e versátil quanto o do próprio Lucio (coisa que eu não imaginava que pudesse acontecer). O engraçado é que você não se dá conta da repercussão que sua banda possui até acontecer um evento como esse. Conversamos entre nós e decidimos que o baixista Krusius também assumiria o vocal, afinal ele já estava acumulando essas duas funções em alguns shows que Lucio ficou impossibilitado de viajar. Seu timbre é completamente diferente daquele de Lucio e do que estávamos acostumados. É mais fechado, mais grave. Mesmo assim ficamos supercontentes com o resultado desse novo casamento! Em breve, quanto lançarmos um novo registro fonográfico, vamos compartilhar essa nova experiência com os bangers. Esperamos desde já pelas críticas!
Diego “Corpsegrinder”, Foto por: Divulgação
Falando um pouco de você e de sua trajetória como um baterista de um alto nível técnico, você também fez parte do Mystifier. Como foi a experiência de estar dando suporte a essa renomada banda?
Yuri Hamayano: Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk… Para ser sincero, nem sei como é que meu nome apareceu na cabeça de Armando (Beelzebuth)… kkkkk. Um belo dia, Elimar do Thundergod Zine me ligou para dizer que Armando queria conversar comigo e tinha interesse em me ter tocando bateria para alguns shows do Mystifier. Aceitei, afinal quando escutei o “Born… Suffer… Die” e o “Goetia” pela primeira vez, caralho… Amor à primeira vista. Eu nem tinha noção de que aqui, tão perto, havia bandas naquele nível! Como não aceitar? É foda poder tocar com uma banda que se admira! Armando é um cara que sempre pensa à frente. Aprendi muito com ele, com a sua forma estabelecer as metas, com sua forma de pensar a banda. Armando tem um pensamento muito profissional e foi foda observar o processo da Mystifier estando do outro das cortinas. Pena que na época ele estava desanimado para compor e não pude participar desse processo. Mas deu para acumular toneladas de experiências boas. Creio que também tenha deixado a minha marca… kkkk… com minha personalidade metódica… kkkk. Além disso, tive o prazer de tocar em diversos estados brasileiros, ir à Alemanha, conhecer muita gente, montar rede de contatos. O Mystifier foi um agente importante do meu amadurecimento como músico e como integrante do underground!
Por um tempo pensei que você estaria como membro efetivo do Mystifier. Você esteve de 2006 a 2013 ao lado deles, o que é bastante tempo. Em algum momento você pensou em estar com eles definitivamente?
Yuri Hamayano: Cara, e foi esse tempo todo mesmo? Fique surpreso aqui! Achava que teria sido até 2011… Aturando Armando (Beelzebuth), realmente muito tempo! kkkk… Na verdade, comecei como um músico contratado. Quando fui para a primeira turnê com eles, eu ganhava por show! Foi ótimo, tocar numa banda que se admira, fazer o que gosta e ainda receber por isso! Kkkk… Fiz duas turnês nesse formato. Depois disso, parece que o dinheiro diminuiu e ele me convidou a ficar como membro fixo na banda… Eu preferia o formato antigo… kkkkkk. Enfim, eu creio que fui considerado como membro da banda… kkkkk. Mas não havia como ficar definitivamente na banda, afinal, após pouco tempo, as viagens para as turnês começaram a se tornar cada vez mais frequentes. Nessa época eu ainda estava no mestrado em Física e tinha certa flexibilidade com o tempo, mas hoje sou funcionário público e tenho uma família– atividades altamente incompatíveis com quem sonha em estar na estrada, trilhando os caminhos do Heavy Metal. Certo dia, Armando me ligou comentando acerca de uns shows… Eu lhe disse que as datas acabavam chocando com um congresso. Ele perguntou sobre a possibilidade de levar outro baterista e foi aí que percebi que o melhor era jogar a toalha.
1999 Disgrace is Coming “Demo”
Voltando ao foco, vamos voltar a falar do Deformity BR. Apesar da banda iniciar suas atividades em 1995, o primeiro registro foi a demo “Disgrace Is Coming”, gravado em 1999, que conta com apenas uma música de mesmo nome. Como foi a receptividade por parte do público no lançamento deste registro?
Yuri Hamayano: O fato interessante é que essa não era a nossa primeira composição à época, como eu já deixei claro anteriormente. Nós a escolhemos por ser mais brutal e insana! Não tínhamos a intenção de gravar apenas uma música, mas os nossos planos eram incertos. Era a nossa primeira vez num estúdio, por que gravar apenas uma música? Uma coisa é certa: o fator financeiro influenciou fortemente a gravarmos apenas “Disgrace is Coming”. A demora em lançar a demo ocorreu por conta de todo o processo de definição de nossa identidade musical, como eu comentei. Além disso, Feira de Santana não dispunha de técnicos que pudessem entender e nos ajudar com o nosso tipo de som. Ao observar que o Malefactor havia acabado de lançar o “Celebrate Thy War”, pensamos na possibilidade de ir ao mesmo estúdio, mesmo com o dinheiro limitado. Sequer tínhamos estrutura para uma gravação: levamos material emprestado de bateria, o estúdio conseguiu um amplificador de guitarra emprestado. Não tínhamos a mínima noção de como seria a “coisa”. Quando pisamos os pés no estúdio, o cara logo nos disse: man, está contando! Kkkk… Aquilo nos desestabilizou. Foi a maior correria para fazer a gravação. Ao final do primeiro dia, tínhamos gravado a bateria e a guitarra para uma única música. Voltamos para casa com a sensação de que deveríamos fazer um esforço com o dinheiro para gravar uma segunda, mas, no dia seguinte, quando retornamos ao estúdio, eis que recebemos a notícia que o amplificador de guitarra já havia sido devolvido. A única opção era gravar o baixo e o vocal e retornar a Feira de Santana. Surpreendentemente, o resultado dessa gravação teve tanta energia, que todos os que tiveram a oportunidade de escuta-la, ficaram impressionados. Foi um material muito mal divulgado, mas serviu como um bom cartão de visitas. Creio que foi com ela que conquistamos o público de Salvador. Lembrando de uma história… Certa vez, convidamos uma guitarrista para tocar conosco. Então levamos a demo para que ele pudesse fazer uma audição – conquistamos o cara no mesmo instante, que ficou surpreso com a desgraça!
Depois de dois longos anos a banda lança a segunda demo “Fleshless Remains”, com quatro faixas do mais puro e Brutal Death Metal. No seu ponto de vista, foi a partir dessa demo que a banda começou a ser conhecida na cena brasileira? Pelo que tenho visto, essa demo é muito procurada até hoje pelos amantes do estilo…
2001 Fleshless Remains “Demo”
Yuri Hamayano: Exatamente isso. Eu tive uma preocupação enorme com a divulgação da “Fleshless Remains”. Catei o contato de muitos zines, mandei para algumas revistas da época, preparei um monte de flyers. Creio que ela tenha chegado à muita gente, principalmente no sudeste do país. Quando comecei a viajar com o Mystifier, notei o quanto essa divulgação havia sido efetiva, pois as pessoas me procuravam para perguntar pela Deformity, enquanto que outras comentavam que trocavam cartas comigo. Em outros momentos, encontrava com pessoas que relatavam possuir a demo… É muito gratificante sentir que as pessoas tiveram acesso ao seu trabalho. Tivemos a preocupação em incluir a faixa “Disgrace is Coming”, já que ela não tinha sido muito divulgada, e percebemos que essa havia ficado mais brutal que as demais. Lucio ficou abusando quanto a isso por um bom tempo. Logo depois de seu lançamento, as fitas K7 entraram em desuso e passamos a divulgar a demo no formato demo-CD. Recentemente, algumas pessoas voltaram a perguntar pelo formato fita K7. Tenho que me organizar para voltar a divulga-la, pois perdi os arquivos da capinha.
Já com muita visibilidade no extremo underground, a banda, em 2002, foi convidada a participar de um split CD, lançada pelo selo brasiliense Kill Again Records, junto com as bandas: Imperial Devastation, Sangrena e Purgatory. Como foi recebido esse convite por vocês? Como foi participar deste split?
2002 Killing All The Posers “Split”
Yuri Hamayano: Isso foi fruto da ótima repercussão da demo “Fleshless Remains”. Conhecíamos o Jaime Amorim do The MetalVox e ele nos deu uma grande ajuda com a divulgação. Ele é uma pessoa muito bem relacionada dentro do underground e usou a sua rede de contatos para nos dar uma força. Com isso, ele facilitou a nossa participação na trilha sonora do filme “Feto morto”, da Black Vomit Filmes (blackvomit.com.br). Outro contato importantíssimo intermediado por Jaime foi com Antonio Rolldão, da Kill Again Rec. Isso possibilitou a nossa ida a Brasília para abrir o show do Vader, além do convite para participar do CD coletânea “Killing all the Posers”. Todos esses três fatos foram recebidos com muito entusiasmo pela banda. A primeira vez a aparecer num CD prensado oficialmente é uma experiência muito empolgante! Não havia como negar essas propostas! Essa coletânea também ajudou bastante em nossa divulgação. As demais bandas são foda… Infelizmente, apenas a Sangrena ainda está em atividade. Agradecemos ao Jaime Amorim (themetalvox.com.br) e a Rolldão pelo suporte, ajuda, e força que eles deram. A Deformity sempre estará em dívida com eles!
Quatro anos depois (bastante tempo) a banda lança, em 2006, mais uma demo com um título bem interessante (“There’s More Blood Coming”), que nos remete ao título da primeira demo e conta com apenas duas músicas. Qual o motivo para lançar seus materiais com longos espaços de tempo?
2009 Advanced Tracks For Annihilation “Promo”
Yuri Hamayano: Pois … lembra quando eu citei o grande Fúlvio? Ele teve participação direta na composição de “Squeezing Necks”, que saiu nessa demo. As contribuições dadas por ele, além da participação de Diego nessa época, começaram a traçar uma nova rota para a Deformity, que culminou no resultado apresentado no EP “Torturing Unfortunate People”, 10 anos após a ideia ser iniciada. Falando novamente acerca da questão temporal, havia dois grandes fatores que sempre foram decisivos para a demora entre os nossos lançamentos. O primeiro deles, já comentado, estava relacionado com a parte técnicas, como a carência de produtores especializados na cidade, escassez de dinheiro à mão para conduzir as ideias, falta de experiência dos músicos e, principalmente, falta de estratégias para a divulgação da banda. “There’s more blood coming” foi o nosso primeiro material gravado em Feira de Santana – para conseguir fazer isso, nós próprios tivemos que lançar mão da produção, mesmo sem entender do assunto, com a ajuda do dono do estúdio que sequer tinha muita experiência com gravação em geral. Ao menos, já se sabia um pouco do que não fazer. O segundo e, talvez, mais preponderante dos fatores era a velocidade com a qual conseguíamos compor as músicas. Para se ter uma ideia, as dez músicas que fazem parte do álbum “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia” refletiam toda a nossa produção desde 1997 até 2006. Uma média de quase uma música por ano! Mas também sempre fomos muito perfeccionistas e queríamos que nossos lançamentos estivessem à altura dos materiais de outras bandas apresentavam materiais muito cuidadosos. Posso até afirmar que essa busca infindável acabou atrapalhando e atrasou muito os lançamentos.
Essa demo me apresentou o Deformity BR com mais sede de sangue. O Ódio com certeza é um dos sentimentos que temos ao ouvir este famigerado material. Fale-nos a respeito da aceitação e distribuição desta demo…
Yuri Hamayano: Como eu disse, essas composições eram a nova centelha, pronta a provocar uma nova explosão dentro das nossas composições. Estávamos com vontade de trazer algo mais brutal, mais trabalhado, mais insano. Por outro lado, posso afirmar que o processo de distribuição sempre foi algo difícil para mim. Hoje percebo o quanto falhei nessa tarefa de mostrar ao Brasil o som que estávamos fazendo. Parece que só tive gás para fazê-lo na “Fleshless Remains”. Quanto a “There’s more blood coming”, acabei divulgando mais com a ajuda das viagens que fazia com o Mystifier; a entregava ela direto nas mãos das pessoas! Sua divulgação não foi tão boa quanto a anterior. Mas quem teve acesso, gostou do que escutou e, felizmente, tivemos bons retornos deste material, apesar desta ter sido muito mal distribuída.
Os fãs, como eu, que seguem a banda desde o início tiveram, finalmente, o prelúdio do que seria a destruição anunciada para o Debut, quando chegou em nossas mãos a Promo “Advanced Tracks to Annihilation”. Ainda assim, de forma completamente independente. Mas, em minha opinião, esse foi o divisor de águas na carreira da banda. Qual a sua visão a respeito desta Promo?
Yuri Hamayano: A intenção era justamente essa: fazer uma prévia do que estaria por vir no álbum. As músicas que fizeram parte dessa promo foram gravadas exatamente para o álbum. Como percebi que o álbum demoraria um pouco mais a sair, resolvi lançar a promo, apenas para dar uma amostra grátis da pancadaria. Claro, mostrei as músicas antes que essas pudessem passar pelo processo de mixagem, feita pelo mestre Jera Cravo. Eu mesmo passei uma equalização mal feita nas músicas, e as coloquei na promo… kkkk. Eu passei essas músicas para uma quantidade ainda menor de pessoas… apenas para mostrar que estávamos em atividade.
2010 AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia “1º Álbum”
Apesar de todas as dificuldades, a banda alia-se a Thundergod Productions e, em 2010, foi lançado o tão esperado debut álbum: “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia”. Este álbum finca definitivamente a banda entre os grandes nomes do extremo em nosso país. Por que tanto tempo para lançar esse, como já falei, o tão esperado álbum?
Yuri Hamayano: O processo para conseguir fechar essa gravação foi parecida com o da demo “There’s more blood coming”, ou seja, um trabalho desgraçado! A bateria foi emprestada de um amigo e um guitarrista foi chamado para timbrar a guitarra. Quando ele chegou ao estúdio, a primeira coisa a notar foi que a guitarra precisava ser regulada. Ou seja, a gravação foi interrompida antes mesmo de começar… kkk. Gravamos apenas seis músicas. Depois que estava tudo pronto, percebemos que aqui só daria para lançar um EP. Quando quisemos gravar mais quatro músicas, já não tínhamos mais a disponibilidade do mesmo amplificador de guitarra. Então esperamos mais um ano até ter novamente condições similares para gravar as demais músicas. Com as músicas gravadas, as levamos para outro estúdio fazer a mixagem. Não deu certo, pois o técnico não conseguia chegar a um resultado animador. A última saída foi levar o material para ser mixado em Salvador, com Jera Cravo. Depois de muitos erros durante a gravação, ele conseguiu fazer mágica e salvar as músicas. O resultado foi esse que todos conhecem! Então iniciamos outra caminhada para fechar uma parceria para o seu lançamento. Mandamos o álbum e tentamos conversar com diversos selos brasileiros, mas essa busca só foi finalizada quando fechamos com o Thundergod Prods. Foi sorte, pois essa parceria investiu uma energia enorme para fazer a divulgação desse material!
Após o lançamento do debut, li resenhas na mídia especializada que o colocavam entre os mais importantes álbuns nacionais. A distribuição dentro país foi satisfatória para você?
Yuri Hamayano: Eu acredito que sim, pois os resultados foram muito positivos. Como eu falei, foi uma energia tremenda que foi colocada nesse processo de divulgação. Nós nos preocupamos muito com a distribuição nos meios de divulgação underground. Quem pensa que esse processo de divulgação é simples, está muito enganado. Não basta a disponibilidade de dinheiro – é necessária muita vontade e disposição! Infelizmente, não conseguimos atingir todo o Brasil.
Quanto ao exterior, esse trabalho também foi distribuído por lá?
Yuri Hamayano: Com o material prensado em mãos, tive a ideia de aventurar um selo estrangeiro para fazer sua distribuição. Mas parece que o pessoal não viu muita novidade na Deformity. O máximo que consegui foram algumas trocas. Ainda aconteceu uma desventura, na qual trocamos vinte unidades com a Sevared Rec., mas houve algum problema com o serviço de entrega e o pacote nunca chegou em nossas mãos.
Depois deste grande feito, a banda ficou adormecida por três anos. O que aconteceu?
Yuri Hamayano: Cara, exatamente nessa época houve problemas pessoais com o Julio, que acabou se afastando dos trabalhos da banda. Estávamos em trio nessa época, então este fato forçou umas férias na banda. O chato é que isso aconteceu exatamente durante o processo de divulgação do álbum. Assim, os projetos que existiam para a divulgação física, com os shows, ficou comprometida. As coisas foram esfriando e a banda quase acabou. Felizmente, conseguimos arrumar a casa, reorganizar a formação, e retornar com gás total!
2015 Born To Punish The Skies Vol. 2 “Tributo ao Headhunter D.C.”
Como vocês mesmo escreveram em sua bio, em 2013 a banda retomou seus batimentos cardíacos e retornou ao massacre. Assim, em 2015, a banda ressurge e faz uma participação impecável no tributo ao Headhunter D.C., chamado “Born to Punish The Skies”, tocando a música “From Dream To Nightmare”, apresentando a banda como um quinteto. Entraram na banda dois novos membros: Diego “Corpsegrinder” na guitarra e o Tarcísio Medeiros no Baixo. Como foi este retorno com a banda junto a estes novos membros?
Yuri Hamayano: A condição essencial para a banda retomar a atividade era ter sangue novo, colocando mais gás na banda. Assim, convidei o Tarcísio, que tocava baixo com a Martyrdom, para fazer parte desse assalto. Ele aceitou no mesmo instante. Até então, Lucio estava acumulando o baixo e vocal, mas precisávamos de alguém que pudesse acrescentar ao nosso trabalho, deixando Lucio mais à vontade para as suas vociferações alucinadas. Ao mesmo tempo, tive a ideia de convidar o Diego. Ele já havia passado Deformity em duas ocasiões distintas: a primeira como guitarrista, em 2000, se não me engano; a segunda, como baixista em torno de 2005, com a saída do Marcello (ex-Martyrdom). Diego tem uma mente doentia e uma facilidade inigualável para compor (para conferir o que estou relatando, basta escutar as músicas da Rotten Cadaveric Execration, sua banda de gore grind). Assim a banda estaria pronta para a sua fase mais sangrenta! Foi justamente a interpretação que Diego deu para a guitarra de “From dream to nightmare” que nos permitiu deixar essa música com a nossa cara! Foi um retorno com uma chave podre! Tivemos a oportunidade de participar do tributo a uma banda que admiramos, tocando uma música do álbum que mais admiro. Acho que conseguimos fazer uma interpretação à altura do que a Headhunter D.C. merece!
No ano seguinte (2016) a banda, já com sua formação estabilizada, lança o EP “Torturing Unfortunate People”. Esse EP é definitivamente um dos materiais mais Brutais que já ouvi. Fale-nos a respeito da concepção deste trabalho…
2016 Torturing Unfortunate People “EP”
Yuri Hamayano: Como eu deixei claro, o processo que culminou nesse EP começou por volta de 2005, mas esse projeto ficou parado até o retorno de Diego à banda. Com seu retorno, tivemos gás o suficiente para retomar duas composições que estavam meio caminho andado, e compomos outras duas. A forma que Diego pensa as composições abre espaço para todos os demais instrumentos, assim como para os arranjos de vox. Assim conseguimos imprimir uma pancadaria completamente diferente do primeiro álbum: mais madurecida. Para fechar a tampa deste caixão, convidamos o guitarrista Victor Porto para fazer os solos, que ficaram animais. Aliás, ele também gravou o solo para a música do tributo ao Headhunter D.C., abrilhantando ainda mais essa. Para aumentar a boa impressão em torno do EP, trabalhamos com a Putrid Design. Claudio seguiu a nossa ideia de uma música torturante e desenvolveu um projeto gráfico tão doentio quanto a nossa música. Tudo completo e fechado para atingir o propósito final. Nós ficamos muito contentes com o resultado e temos consciência de nossos erros e falhas. Isso significa que a experiência está aumentando, assim como a cobrança própria. A expectativa é que o próximo material saia ainda melhor e mais interessante.
Para o lançamento deste EP a banda contou com a união de três selos “Rise Of Cthulhu”, “Pictures From Hell” e “Sociedade Dos Mortos”. Como surgiu essa parceria? Como está sendo a experiência de trabalhar com estes selos?
Yuri Hamayano: A parceria surgiu através de Elimar do Thundergod, que fez contato com o Junior da “Pictures from Hell” e abriu as negociações. O grande Junior aceitou o desafio e buscou a parceria de Gleison do “Sociedade dos Mortos” e Sócrates, que estava estreando com a “Rise of Cthulhu”. Eu já admirava esses caras antes de trabalharmos juntos; agora mais ainda! Quando a equipe viu o material gráfico e escutou as músicas, fizeram a proposta de um lançamento em digipack. Foi a escolha mais acertada para o seu formato. Apesar de termos rodado apenas 500 cópias, o material se esgotou em muito pouco tempo! O único erro nosso foi não ter negociado e estabelecido um projeto de divulgação para o material. Com isso eu tive que me virar, com poucas cópias em mãos, para enviar o material para a mídia especializada. Tentei ser mais abrangente desta vez, escolhendo ao menos um representante de cada região do país, mas não pude enviar para todos zines que tive vontade. Os comentários e impressões foram muito bons, o que é muito gratificante diante do esforço que fizemos para que esse material fosse lançado.
Como este último lançamento é um EP, logo pensamos: vem o segundo álbum aí, devastador como a banda sempre foi. De fato, podemos esperar mais um trabalho em breve?
Yuri Hamayano: Com toda a aprendizagem desses quase 23 anos, agora estou mais atento aos projetos e às programações. De fato, já deveríamos estar começando o processo de gravação desse próximo álbum agora para tentar um lançamento em 2019, mas diversos problemas pessoais acabaram atrasando o processo de composição. Temos poucas composições novas, mas eu estou muito animado com todo o processo e espero poder dar início a esses planos de gravação em breve. Uma coisa eu garanto: as músicas estarão tão, ou ainda mais avassaladoras que aquelas presentes no EP. Vou tentar amarrar as letras de maneira mais conceitual e pensar com mais cuidado nos pequenos detalhes. Também espero conseguir desenvolver um projeto gráfico e uma gravação tão bons quanto os que foram apresentados no EP. Já estou conversando com um estúdio aqui da cidade e o cara me apresentou milhões de novas ideias para melhorar o som da guitarra. Parece-me que tudo está sendo mais bem planejado dessa vez. Até lá, estamos preparando uns vídeos para que possamos ter alguma novidade para os bangers.
O baixista Tarcísio Medeiros já não faz mais parte da banda, assim como o vocalista Lucio. Krusius Barreto acabou assumindo ambas as posições. Como está sendo essa adaptação no vocal? Qual a sua opinião a respeito da atual formação do Deformity BR?
Yuri Hamayano: Houve uma verdadeira reviravolta na banda nesses últimos dois anos. Inicialmente, não havia planos de mudanças na formação. Tínhamos umas datas para apresentações em Natal e Recife, mas o Tarcísio sinalizou que não teria a possibilidade de estar conosco. Nós não conhecíamos o Krusius, mas eu sabia que ele era baixista e vocalista da banda Ímpios e que estava morando em Feira de Santana. Com isso, fizemos o convite para ele nos ajudar nesses shows e tudo correu bem. Após esse fato, coincidentemente, os fatos convergiram para a saída do Tarcísio. Como eu já comentei, um fato parecido aconteceu com Lucio, que também não pôde participar de alguns shows, tendo a substituição feita por Krusius. Pouco tempo depois, Lucio anunciou o seu desligamento e fomos compelidos a resolver o problema da maneira mais prática: Krusius assumiu ambas as posições. Ele é novo (quase da idade da banda), mas é uma pessoa completamente conectada ao underground, conhecedor do metal extremo, comunicativo e um ótimo músico. Ele entendeu rapidamente a proposta de nosso trabalho e vem dando muitas contribuições para que as engrenagens se mantenham em perfeito funcionamento. A adaptação dele foi um desafio, pois as músicas estão ganhando maior complexidade, enquanto que os arranjos de vocal tiveram que ser repensados para não descaracterizar as músicas e, ao mesmo tempo, permitir certo conforto à sua execução. Quanto ao timbre do vocal, não há o que ser feito. Agora é entrar num estúdio e ver como o timbre harmoniza com as novas composições, mas sou otimista e acredito que já deu certo. Finalmente, posso afinar que essa nova formação, em quarteto, está pronta para continuar derretendo os tímpanos alheios. Estamos muito contentes com o trabalho resultante.
Yuri Hamayano, muito obrigado por nos dedicar o seu tempo e sua atenção, espero poder ter a oportunidade vê-los por aqui, destruindo tudo. Será um prazer revê-los. Um forte abraço e conte sempre com a Roadie Crew…
Yuri Hamayano: Éden, nós sequer temos palavras para descrever a felicidade que foi ter novamente o seu contato, ainda mais com um convite como este. Somos muito agradecidos pelo espaço e pela força que você e a Roadie Crew estão dando para a Deformity BR. Quanto à possibilidade de você ver a Deformity ao vivo, atualmente temos buscado meios alternativos para facilitar a nossa ida a algumas localidades mais distantes da Bahia… Se tudo der certo, já temos planos para um giro no estado de SP para o próximo ano. Assim teremos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. Dismembraço para você! Hails a todos os bangers!
Ao ler essa entrevista houve um momento que o Yuri se espantou com a minha afirmação à respeito do seu alto nível técnico como baterista. “Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk…”. Abaixo segue uma Drum Cam feito durante as gravações do EP “Torturing Unfortunate People”. Assista e veja se não foi correta a minha afirmação….
Abaixo segue uma apresentação do Deformity BR no Palco do Rock gravado em fevereiro deste ano (2018). No inicio deste vídeo o áudio na está muito bom, logo tudo se normaliza e podemos conferir toda sua brutalidade ao vivo:
Mesmo ainda desconhecido por muitos aqui no Brasil, a cena Doom/Stoner Metal está viva e com representantes de peso. A Erasy é uma prova disso, com suas músicas que permeiam entre o clássico ao brutal nos velhos moldes do estilo vem cativando muitos apreciadores pelo mundo. O seu fundador Luciano Penelu nos fala à respeito desta banda que ainda vamos ouvir falar muito, muito em Breve!
Foto por: Divulgação
A ERASY é uma banda realmente diferenciada e me chamou muito a atenção quanto ao seu estilo, uma sonoridade que remete muito aos macabros acordes de Iommi e com vocais ultra rasgados… como surgiu a ideia da banda?
Luciano Penelu: Creio que a sonoridade foi surgindo aos poucos, quando a gente se juntava para tocar Black Sabbath. Com o tempo, cada um foi introduzindo sua própria identidade no projeto, expondo gostos e influências, e o resultado é este que temos hoje!
Ao ouvir o ótimo CD “The Valley Of Dying Stars” fazemos uma viagem entre o clássico e o brutal, uma mistura de estilos feito com muito bom gosto e competência. Como está sendo a divulgação e a reação dos headbangers?
Luciano Penelu: Ficamos muito gratos pelas palavras! Com relação à repercussão, acreditamos que vem sendo muito positiva. O disco foi resenhado por ótimos zines e revistas especializadas (incluindo a própria Roadie Crew), comentado por bangers do Brasil e do exterior e divulgado em muitos canais especializados em Doom / Stoner Metal. Não poderíamos estar mais satisfeitos.
ERASY “The Valley Of Dying Stars”
O estilo apresentado aqui, não é muito comum entre as bandas nordestinas e no Brasil inteiro também, me lembro de ouvir algo dentro desse estilo à muitos anos quando existia a banda Centennial. Quais as suas principais influências? claro além do Black Sabbath que notamos influências em todas as faixas.
Luciano Penelu: De fato a cena Doom / Stoner / Sludge ainda é bastante restrita, sobretudo no Brasil, mas observamos um crescimento nos últimos anos. Há cada vez mais bandas e mais público interessado nesta vertente lenta e viajada de Metal. Quanto às influências para além do Sabbath, podemos citar Eyehategod, Saint Vitus, Pentagram, Crowbar, Acid King, Bongzilla, entre outras que abriram caminho para que bandas como nós pudessem desenvolver algo nesta linha sonora, que me parece recuperar um pouco da tradição do Doom e injetar nela doses suplementares de peso.
As letras também são profundas, na banda quem escreve as letras? nos fale um pouco de todo conceito lírico abordado neste trabalho…
Luciano Penelu: Sou o responsável pelas letras, e posso dizer que elas foram tomando este formato muito naturalmente. Somente depois de prontas pude notar de fato que havia um fio, uma coerência entre as faixas do disco. Creio que assim o foi pois elas abordam temas que combinam perfeitamente com a sonoridade densa e arrastada: a solidão do homem contemporâneo e a falta de perspectiva diante do caos da existência são menções constantes neste disco. Depois veio a ideia do título do álbum e do discurso do personagem de Marlon Brando em Apocalypse Now, que pode ser ouvido em “Telling lies”, ambos extraídos do poema “The hollow men”, de TS Eliot.
Foto por: Divulgação
A banda vem do interior da Bahia, a segunda maior cidade do estado onde existem bandas respeitadas pelos seus muitos anos na luta pelo Underground como Deformity BR e o Martyrdom. Como você vê a cena local? e a cena como um todo?
Luciano Penelu: A cena feirense é de fato muito interessante. Diversas bandas importantes como as que você cita pavimentaram o caminho deste cenário que hoje, podemos dizer, é muito representativo. Produtores locais organizam eventos de Metal constantemente apesar das dificuldades, que, diga-se de passagem, não são feirenses, mas nacionais, como a falta de publico, de uma casa para realizar os eventos etc. Acho que a cena de Feira, apesar de todas as turbulências, é rica e atuante.
O Baterista Vurmum também é baterista do Martyrdom, quanto a você e os outros membros, tocam em mais algumas bandas?
Luciano Penelu: Joilson (baixista) toca na Clube de Patifes, uma tradicional banda de Blues. Eu e Léo (guitarrista) já tivemos outros projetos, mas hoje estamos focados na Erasy.
Este trabalho está tendo distribuição internacional?
Luciano Penelu: Não, toda a repercussão internacional veio dos meios digitais, como bandcamp, facebook, etc.
Foto por: Divulgação
Há um tempo atrás uma das bandas referência do Doom Metal nacional o The Cross voltou à ativa, e vocês estão na ativa desde 2012. Você sente que possa estar havendo uma retomada do estilo no estado?
Luciano Penelu: Uma retomada, talvez não, pois creio que ainda é uma vertente muito restrita por aqui. Contudo, gostaria muito que esta cena crescesse e que aparecessem mais e mais bandas na mesma linha.
Para os fãs do estilo, o surgimento de uma banda como a Erasy é uma prova que o estilo está mais vivo do que nunca. O CD “The Valley Of Dying Stars” lançado em 2016 ainda se encontra disponível?
Luciano Penelu: Sim, sem dúvida. Quem se interessar, pode adquirir o disco conosco através do facebook, ou com os nossos parceiros do Resistência Underground e do The Metalvox.
Quanto ao um novo material, podemos esperar mais um CD em breve?
Luciano Penelu: Temos um projeto em andamento, que deve ser lançado até o final do ano. Fechamos uma parceria com a Doom Stew Records (EUA) para um compacto de 7”, com músicas inéditas. Estamos muito empolgados com a possibilidade do diálogo internacional e com os caminhos que ele pode abrir para a banda.
Luciano Penelu, muito obrigado por nos ceder gentilmente esta entrevista e espero pode vê-los aqui em breve para celebrarmos com muitas cervejas o verdadeiro metal imortal e com muitos headbanging… o Espaço é seu…
Luciano Penelu: Nós é que agradecemos, meu caro! É sempre bom poder divulgar o nosso trabalho, ainda mais quando a palavra é franqueada por um irmão com a sua trajetória dentro do underground. Espero que a gente se encontre em breve para uma cerveja, em São Paulo ou na Bahia!
Assista abaixo o lyric video de “Sea Of Sadness”. Altamente recomendado para amantes do bom e velho Black Sabbath e que curtam belos vocais rasgados. Assista, ouça e comprove:
O interior de São Paulo sempre mostrando sua força extrema no underground nacional e o Corporate Death é um excelente exemplo. Com seu estilo calcado em um primoroso Death Metal convidamos os membros Damien Mendonça e Rafael Cau para essa entrevista onde eles nos trazem importantes informações e anunciam que em 2019 serão iniciados os trabalhos para o novo álbum.
A banda Corporate Death foi fundada em 2001 e desde então vem trilhando o caminho da mais pura Brutalidade com seu excelente Death Metal. Durante todo esse tempo de atividade quais foram as maiores conquistas no seu ponto de vista?
Damien e Rafael: Primeiramente muito obrigado pela oportunidade e pelo espaço cedido para a banda. Acreditamos que a maior conquista é de tocarmos as pessoas com nossa música. Lutamos para compor, gravar e divulgar nosso trabalho e mesmo com todas as dificuldades de incentivo no Brasil, a resposta positiva do público headbanger é muito gratificante.
Em 2003 vocês lançaram um Rehearsal e dois anos depois a demo “Ways to the Madness” (2005). Como foi a receptividade do público nessa época?
Damien e Rafael: Na verdade a gravação da música “Loser” foi um ensaio na casa do Rafael Cau com 1 microfone gravado em fita, e foi lançado só para termos um primeiro registro. Depois disso a banda ficou em hiato e só gravamos o Ways to the Madness pouco mais de 1 anos depois. Tivemos uma repercussão excelente graças às boas resenhas da mídia especializada, e fizermos muitos shows de divulgação.
Rafael Cau, Aline Lodi e Damien Mendonça
Vemos que entre os lançamentos do Corporate Death existem longos espaços de tempo. Qual a maior dificuldade enfrentada por parte da banda quanto aos lançamentos de seus álbuns?
Damien e Rafael: Temos que conciliar as atividades da banda com nossa vida profissional, estudo e família. Infelizmente não conseguimos nos dedicar totalmente ao Corporate Death mas sempre tratamos a banda com seriedade e profissionalismo. Gravar um álbum exige muito tempo, dedicação e principalmente dinheiro. Então trabalhamos com um espaço de tempo razoável para oferecer um material com qualidade.
O primeiro Álbum “Terminate Existence” é uma obra prima, considerado por muitos um grandioso trabalho e que teve seu lançamento feito por um importante selo a Die Hard. A divulgação do mesmo foi satisfatória?
Damien e Rafael: Na verdade não foi feita uma divulgação satisfatória na época, além do resultado geral da gravação e mixagem não nos agradar. Temos planos de remixar e relançar o Terminate Existence em breve para a comemoração dos seus 10 anos.
Acredito que esse álbum logo de cara se tornou uma referência para o estilo pela sua alta qualidade musical e técnica. Para você este álbum foi o fator determinante para a projeção do Corporate Death no mundo?
Damien e Rafael: A banda está em constante evolução. Nós amadurecemos muito por causa dele, e após essa experiência evoluímos muito em diversos aspectos. Gostamos muito das composições do Terminate Existence. Esse álbum foi o nosso ponto de partida e com certeza abriu muitas portas.
Quanto a cena gringa, houve uma distribuição por lá?
Damien e Rafael: O Terminate Existence é um pouco raro para fora do país. Quem tinha mais contato com o Fausto da Die Hard era o Paulo e todo o trâmite do lançamento foi feito por ele, então temos poucas informações da forma como o álbum foi distribuído, e em geral sobre esse lançamento.
Rafael Cau, Aline Lodi e Damien Mendonça
Em 2014 ainda com a mesma formação vocês lançaram o segundo álbum “Angels & Worms” após 6 anos do lançamento do primeiro álbum. Este trabalho foi lançado pelo selo italiano Murdher Records. Este lançamento feito por um selo europeu ajudou a difundir definitivamente o nome Corporate Death no velho continente?
Damien e Rafael: Na verdade o Angels & Worms foi gravado com Rafael Cau na bateria e já estava bem encaminhado nas composições quando o Paulo Pinheiro deixou a banda. Quanto ao lançamento do Angels & Worms, a Murdher Records fez uma excelente distribuição do nosso trabalho na Europa. Por lá é bem fácil encontrar esse material, mas por aqui é bem raro.
Esse mesmo álbum nunca teve seu lançamento em nossas terras. Por que não foi lançado no Brasil?
Damien e Rafael: Hoje em dia os selos especializados em música extrema batalham para lançar o material sempre em parcerias. Na época encontramos alguns selos interessados mas não o suficiente para o lançamento. Lançamos o CD promo (100 cópias) de forma independente e a Murdher Records gostou do trabalho da banda e decidiu lançar o CD.
Para nossa surpresa o vocalista Flávio Ribeiro se desligou da banda logo após o lançamento de “Angels & Worms”, afinal foram 13 anos à frente do line-up com sua voz poderosa. Qual o motivo desse afastamento tão repentino?
Damien e Rafael: Todos os anos com o Flávio foram uma excelente fase de nossas vidas. Fizemos ótimas músicas e shows mas devido a algumas divergências e desgaste de ambas as partes ele decidiu deixar a banda. Foi uma época difícil, mas com essa separação seguimos em frente com o Corporate Death e hoje o Flávio continua com seu poderoso vocal à frente da banda Vizaresh onde também toca baixo. O Vizaresh é mais uma força extrema somando no death metal nacional.
Terminate Existence – 2008
Para sua substituição vocês nos pegam de surpresa novamente. Entra na banda a Aline Lodi que é muito conhecida por integrar a banda Exhortation e claro, uma vocalista Brutal. Como foi que surgiu a ideia para a entrada desta que pra mim é uma das melhores vocalistas do Brasil?
Damien e Rafael: Tocamos com o Exhortation em alguns festivais e já conhecíamos o pessoal a algum tempo. A ideia principal quando chamamos a Aline para a banda foi de iniciar uma nova fase no Corporate Death. Não queríamos um vocalista que tentasse imitar o vocal do Flávio e como a Aline tem um vocal com personalidade decidimos fazer o convite. Ela aceitou de imediato o desafio e a cada ensaio sua evolução mostrou que ela foi uma escolha certa para a banda.
Quando ouvi o Single “Ignorance Prevails” fiquei impressionadíssimo com a adaptação dela na banda. Por um momento parecia que ela sempre foi integrante da banda pois seus vocais caíram como uma luva nas composições da banda. Como foi a repercussão deste material junto aos fãs?
Damien e Rafael: A repercussão foi muito boa e recebemos um feedback positivo desse single. Isso nos motivou ainda mais para continuarmos com as composições do próximo álbum.
Logo após este single de 2016 a banda vem com “Reborn” título muito justo ao vermos toda a trajetória da banda. Afinal uma banda reformulada. Este trabalho foi lançado pela união de três selos e para muitos o melhor álbum da banda desde então. O que vocês nos falam a respeito?
Damien e Rafael: Esse trabalho é muito especial para a banda, como foi dito anteriormente cada álbum marca uma fase de nossas vidas. Reborn é um álbum brutal como os anteriores mas tem uma dinâmica diferente, mostra um Corporate Death mais sólido. Temos muita gratidão com os selos (Misanthropic Records, Cianeto Records e Brutaller Records) por acreditarem na banda e investirem no lançamento desse CD.
Angels & Worms – 2013
A Aline Lodi mostrou muita competência neste trabalho, ela está como membro efetivo ou está apenas dando suporte à banda?
Damien e Rafael: A Aline já faz parte da história do Corporate Death há mais de 4 anos e é membro efetivo da banda sem sombra de dúvida.
Quanto aos shows para divulgação do álbum, vocês têm viajado e tocado em outros estados Brasileiros?
Damien e Rafael: Não recebemos muitas propostas para tocarmos fora do estado mas a banda está com a agenda aberta para shows.
Este álbum também está tendo uma boa divulgação fora do Brasil?
Damien e Rafael: Sim, estamos recebendo um ótimo feedback de fora sobre o Reborn e os selos contribuem muito para isso.
Com essa formação destruidora a banda pretende nos brindar com mais trabalho em breve?
Damien e Rafael: Estamos em processo de composição, com muitas ideias amadurecendo, e pretendemos entrar em estúdio em 2019 para o próximo álbum.
A banda é originaria de Jundiaí cidade bem perto da capital e que parece ter uma cena bem forte. Como você vê a cena atual?
Reborn – 2017
Damien e Rafael: Na nossa cidade os shows são muito raros. Não vemos mais shows lotados como antigamente, mas a cena underground ainda respira, principalmente no interior. O Brasil tem excelentes bandas na ativa, e é a ajuda de todos que nos mantém em pé.
A banda apresenta temáticas bem fortes em suas letras como anti religião, Niilismo e o lado negro da vida humana. Quem é o compositor mais ativo na questão lírica? e quais as suas principais fontes de inspiração?
Damien e Rafael: Cada álbum teve um método de composição diferente. Atualmente todos escrevem letras na banda. A principal fonte de inspiração é a fraqueza humana que atribui suas responsabilidades em fantasmas imaginários.
Meus velhos amigos Damien Mendonça e Rafael Cau, eu agradeço imensamente gentileza em me receber e por toda a atenção à essa entrevista. Um forte abraço e o espaço é de vocês…
Damien e Rafael: Muito obrigado pela oportunidade dada a nós e às bandas do metal nacional.
Abaixo o vídeo gravado da apresentação do Corporate Death no Umbra Ad Aeternum Fest 2
No dia 31 de Maio o grande Headhunter D.C. comemorou 31 anos de carreira, e nós da Roadie Crew não podíamos deixar passar esse marco importantíssimo para o Underground mundial, afinal estamos falando de um dos maiores nomes do Death Metal brasileiro que com muita honestidade e paixão vem travando completas batalhas em prol de nossa cena. Para celebrar esses ininterruptos 31 anos, trazemos aqui uma entrevista comemorativa como jamais tínhamos feito até agora. Convidamos o seu frontman Sérgio “Baloff” Borges para nos presentear com informações exclusivas em uma entrevista histórica em ordem cronológica. Isso mesmo, um completo resumo de toda a longa vida do Headhunter D.C.. Dadas as premissas acima, vamos à entrevista… “Long Live the Death Cult”!!!
A banda surgiu com a dissolução de outra banda, “Túmulo”, fundada pelo guitarrista Paulo Lisboa. Você que acompanhou de perto este início, nos conte mais a respeito, como tudo surgiu na visão do Sérgio Baloff… 1986-Banda Túmulo: Luciano, Iaçanã, Zé e Paulo Lisboa
Sérgio “Baloff” Borges: Sem querer ser nostálgico demais (mas já sendo, inevitavelmente…), estávamos numa era mágica, realmente. Uma época de descobertas, fosse de novas bandas, novos materiais ou novos amigos, todo mundo crescendo e aprendendo junto e sendo testemunhas de uma nova revolução musical e ideológica que estava acontecendo no mundo. 1986, quando o Túmulo foi fundado, foi o ano de lançamento de alguns álbuns primordiais e revolucionários, como “Pleasure to Kill”, “Obsessed by Cruelty”, “Darkness Descends”, “Eternal Devastation”, “Beyond the Gates”, “Reign in Blood”, “Morbid Visions” entre outros, e temos orgulho em termos visto esses clássicos sendo lançados e ser influenciados por eles em tempo real. morava bem distante dos outros caras, pro lado do Subúrbio de Salvador, e ainda não os conhecia – eles que, por sua vez, moravam em sua maioria no bairro da Pituba. Certa vez fui à loja Cor & Som pra comprar discos (a primeira loja de Salvador a vender material de Metal mais extremo e underground), e ao entrar vi na porta de vidro da loja um cartaz com os dizeres: “Vem aí Túmulo, aguardem!”. Aquilo me chamou atenção de uma forma especial: primeiro porque o super mal desenhado logotipo da banda me remetia ao primeiro logo do Sepultura, com o “T” em formato de cruz de cemitério, e segundo porque se aquilo remetia ao Sepultura, banda da qual eu já era fã na época (comprei o “Século XX/Bestial Devastation” antes
1987-Primeiro show do Headhunter D.C., Sérgio “Baloff” dando mosh!!!
do mesmo chegar às lojas, via fã-clube do Overdose do qual eu fazia parte), então iria me agradar em cheio. Numa outra vez que fui na mesma loja, encontrei pela primeira vez o Zé Paulo e o Iaçanã, e nem sabia que aqueles dois caras eram os fundadores daquela aberração fúnebre do tal cartaz. O primeiro show do Túmulo eu, por algum motivo, não estava presente, mas me sinto como se houvesse estado lá. Conheço as fotos daquele show como conheço a minha carteira de identidade, acredite. Na frente do “palco” – que na verdade eram mesas que separavam a banda do público – estavam figuras emblemáticas de nossa cena, como Eduardo Falsão, Kléber e Eclésio do ThrashMassacre (então ainda sob o nome de “Massacre”), Estevam “Malária” (que um par de anos mais tarde fundaria a loja/selo Maniac) entre outros. No início do ano seguinte conheci o Falsão no show do Vulcano em Itabuna/BA na tour do “Bloody Vengeance” (um dos shows mais brutais e bestiais que já presenciei), com abertura do Krânio Metálico, e pouco tempo depois ele estaria fazendo parte da nova banda do Paulo, o Headhunter. Convidado por um amigo em comum, fui num dos primeiros ensaios da banda (provavelmente o segundo ou terceiro), que acontecia em parceria com o ThrashMassacre no quarto do baterista Iaçanã, que tocava em ambas as bandas. Pro meu azar não rolou ensaio naquele dia devido a um problema no pedal Heavy Metal da Boss do Eclésio, que também era compartilhado por Zé Paulo. A sessão de headbanging ficaria pro próximo ensaio, infelizmente, mas aquela tarde de sábado foi realmente especial pra mim, pois começava uma relação com uma banda que duraria até os dias de hoje. O resto é história…
1987-Sergio “Baloff”, Ualson Martins, Paulo Lisboa e Eduardo Falsão
A banda fez seu primeiro registro, “Rehearsal”, ainda sem você como membro, mas claro, você esteve sempre acompanhando tudo de perto. A receptividade desse material na época você considera um marco na história do Headhunter D.C.?
Sérgio “Baloff” Borges: Esse ensaio de 88 na verdade é o segundo registro da banda a ser espalhado na cena, um registro feito, obviamente, de forma bem precária, underground ao pé da letra, o que era bastante comum entre as bandas da época. Existe um ensaio ainda mais antigo, datado de 87, onde a banda inclusive toca um cover de “Blasphemer” do Sodom, mais “Evil Followers” e “Miserable Priests”, duas das primeiríssimas composições do Headhunter. Parte de ambos os ensaios estão compilados no CD duplo comemorativo dos 20 anos da banda intitulado “The Darkest Archives… From the Death Cult (1987-2007)” lançado pelo selo peruano Crypts of Eternity. Esses materiais eram espalhados na cena via tapetrading, e causou uma ótima repercussão entre os bangers mais radicais da época. É claro que houveram críticas negativas, talvez até pela precariedade dessas gravações, o que é normal e que faz parte do processo de desenvolvimento de uma banda de verdade, com todos aprendendo a tocar juntos e lutando juntos pelo mesmo ideal.
No final do ano de 1989 você se torna membro efetivo da banda, sendo que no início você era o roadie e já tinha um contato muito especial com todos os membros da época. Como foi que aconteceu tudo para que você se integrasse à banda?
1989-Sérgio “Baloff” Borges
Sérgio “Baloff” Borges: A partir de meu primeiro contato com a banda eu não parei mais de freqüentar os ensaios, reuniões, shows dentro e fora de Salvador e demais atividades, era como se eu fosse o quinto membro do grupo, saca? Eu era um misto de roadie e fotógrafo, além do que também dava uma força nas correspondências da banda, mas nesse ínterim eu cheguei a tentar tocar bateria com os caras – cheguei, inclusive, a fazer uma sessão de fotos e figurar em um dos releases da banda como baterista…
rsrsrsrs… Sim, você havia mencionado comigo que foi quase baterista. Por quanto tempo assumiu essa função na banda antes de se tornar vocalista?
Sérgio “Baloff” Borges: Exato! Acontece que o Iaçanã era baterista oficial do ThrashMassacre e tocava com o Headhunter como baterista de suporte, então a banda precisava de um baterista efetivo, e como eu sempre no final dos ensaios costumava dar umas porradas na bateria, o Falsão teve a idéia de fazer uns testes comigo enquanto Iaçanã me dava uns toques de como tocar o instrumento. Acabou que no final de 89 o Falsão saiu da banda e eu, que já conhecia todas as músicas e praticamente todas as letras da banda, automaticamente fui convocado para ser o novo vocalista. “Estava escrito”! hahaha… Com isso, Iaçanã se tornou baterista efetivo da banda, então ficou tudo em casa mesmo… hahahahaaa!!!
Neste mesmo ano a banda lança a clássica demo “Hell is Here”, demo muito procurada até os dias de hoje pelos fãs. Essa demo realmente é um marco na história do metal extremo brasileiro…
1989-Hell Is Here “Demo Tape”
Sérgio “Baloff” Borges: Aquela gravação originalmente consiste de 6 músicas as quais integrariam um 12″ EP intitulado “Noise” que jamais fora lançado por motivos de má fé por parte da empresa/gravadora (ir)responsável pelo seu lançamento. Falsão, inclusive, até hoje cita esse acontecimento como fator primordial para o seu descontentamento e posterior distanciamento da banda, o que é bastante compreensível dada tamanha decepção causada a todos na época. Se me lembro bem, esse seria um split 12″ com o ThrashMassacre, mas como eles não conseguiram gravar seu material a tempo, ficou para ser um lançamento exclusivo do Headhunter D.C. mesmo. Das 6 faixas gravadas, 4 foram extraídas para integrarem a primeira demo da banda, “Hell is Here”, tendo sida a primeira demo de Metal Extremo a ser gravada em estúdio profissional na Bahia (e provavelmente em todo Nordeste) e a primeira a ser distribuída por um selo estrangeiro, no caso a Wild Rags dos EUA.
Logo depois do lançamento da demo um dos fundadores, Eduardo Falsão, decide sair da banda. Foi neste momento que a banda decidiu que você seria o próximo vocalista?
Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade, quando “Hell is Here” saiu eu já era o novo vocalista da banda, inclusive no encarte da fita meu nome já está no lineup, mas com os créditos dos vocais gravados para Eduardo Falsão. Como falei anteriormente, a decisão da banda em me chamar para fazer os vocais foi a mais natural possível pela proximidade que eu já tinha com eles. Não havia como ser diferente! Só fico puto por não ter aprendido a tocar bateria direito… hahahahahaaa!!!
1991-Born… Suffer… Die… Primeiro álbum
A banda foi convidada pelo histórico selo Cogumelo Records para o lançamento do debut, “Born…Suffer…Die”, que na opinião de todos que acompanham a banda, esse LP foi o primeiro material de uma banda do Nordeste a conquistar uma visibilidade extrema no país. Como foi recebida pela banda a notícia que a maior gravadora do Brasil estava interessada em lançar o Headhunter D.C.?
Sérgio “Baloff” Borges: Aquilo foi mesmo um enorme alcance atingido por uma banda nordestina, afinal estávamos falando do maior e mais icônico selo de Metal Extremo da América do Sul, que abrigou nada mais nada menos que bandas como Sepultura e Sarcófago, isso em finais de 1990, quando assinamos o contrato com o selo. Na verdade uma das primeiras cópias da demo “Hell is Here” enviadas pela banda foi para a Cogumelo, que apreciou muito o material, mas nos solicitou uma gravação com algumas músicas mais recentes e com o novo vocalista para uma melhor avaliação e a possibilidade de um contrato com o selo. Foi então que no dia 27/05/1990 entramos em estúdio e gravamos, ao vivo, as então inéditas “Am I Crazy?” e “Why Wars?” e novas versões para “Hell is Here” e “Death Vomit”, e logo enviamos a promo tape para a Cogumelo, que aprovou o material e assim foi assinado o contrato com o selo.
1991-Headhunter D.C. com Max Cavalera ao centro
A gravação foi feita na época no JG Estúdio, em Minas Gerais, onde também gravaram os grandes nomes da época e bandas clássicas até os dias de hoje. Nos conte como foi a experiência de gravar o debut no JG estúdio…
Sérgio “Baloff” Borges: Tudo era extremamente novo pra gente no que se dizia respeito a estúdios de gravação, e apesar da experiência adquirida pelos caras na gravação da demo, o JG possuía bem mais recursos que o Orion Studio, onde gravamos “Hell is Here” aqui em Salvador. Apesar disso, trabalhar com alguém já renomado naquela época como o Gauguin, que tinha um ‘know how’ em gravações de bandas de Metal e que assinou grandes clássicos do Death/Thrash Metal brasileiro, de certa forma nos trouxe uma segurança quanto ao que viria a ser o resultado final do álbum, diferente de toda aquela incógnita que é trabalhar com gente que não sabe nem pra que lado Black Sabbath vai, quiçá saber o que é Death Metal. Viajamos para Belo Horizonte para gravar “Born…Suffer…Die” um dia após termos aberto o show do Sepultura aqui em Salvador na turnê do “Arise” diante de 2000 pessoas, o que não era nada mal pra uma banda com apenas 4 anos de estrada e que ainda nem tinha um álbum de estréia, e isso nos serviu como uma grande injeção de ânimo rumo a um universo até então novo para nós. Gravamos o álbum em 6 períodos de 6 horas cada, num total de 36 horas para gravarmos e mixarmos, um verdadeiro feito – sangue de pedra mesmo! Acho que toda a pressão sofrida tanto pela falta de experiência quanto pelo curto tempo disponível em estúdio ajudou a deixar nossas músicas com uma sonoridade ainda mais ríspida e crua. É claro que se tivéssemos tido um investimento maior na produção do disco, teríamos um resultado ainda mais pesado e com uma sonoridade que refletisse melhor nossa proposta, mas pra um álbum de estréia ficamos muito satisfeitos com seu resultado final. Acho que diante de todas as circunstâncias que permeavam nossa história, não tinha como exigirmos mais do que aquilo, então temos muito orgulho de nosso début album. A propósito, lembro do saudoso Osvaldo “Pussy Ripper” do SexTrash (R.I.P.) me dando uns toques na véspera do início das gravações do disco, eles que tinham gravado o “Sexual Carnage” há apenas alguns meses. Grandes memórias!
Em 1992 a Revista Veja, revista de caráter jornalístico muito famosa, fez uma publicação à respeito do Heavy Metal da Bahia onde estampou na página a foto do Headhunter D.C. em uma matéria sensacionalista onde retrataram as bandas da época como vocês, Slavery e etc… como bandas que não sabiam cantar em inglês. Houve alguma espécie de contato da Veja com você? Qual a reação das bandas ao lerem esta publicação?
1992-Foto publicada pela revista Veja
Sérgio “Baloff” Borges: Aquilo foi um lixo, e saiu em um encarte especial apenas para o estado chamado “Veja Bahia”, que a revista lançava junto a cada nova edição em cada estado do país. Desde quando eles entraram em contato com a banda eu não concordei em fazermos parte daquela matéria, pois sabia que aquele discurso de “apoiar a cena Metal local” tinha na verdade um outro propósito e caráter, mas acabei sendo vencido em uma votação “democrática” entre os membros da banda. Isso ainda foi entre 92 e 93, e a matéria em questão abordava as letras do “Born…Suffer…Die”. Como esperar que pessoas totalmente leigas e indiferentes ao Death Metal e ao Metal em geral pudessem ter o poder de absorver nossas letras? No aspecto gramatical eles criticaram os textos sem qualquer embasamento real ou critério (uma vergonha para jornalistas de tão conceituada revista!), citando um suposto “erro” em “Am I Crazy?” quando a letra diz “I see felicity”, já que, segundo eles, a palavra certa para ser usada deveria ser (e tão somente ser) “happiness”, pois, ainda segundo eles, a palavra “felicity” só poderia ser usada se fosse sob o contexto de “felicitar” (!?), como se, não bastasse o tiro pela culatra deles, fosse proibido um músico usar a palavra cuja métrica dentro da canção lhe seja mais conveniente. Qualquer Google Translator de hoje em dia vai lhe mostrar que “felicity” significa “felicidade, alegria”, uma visão às avessas do mundo atual em primeira pessoa, para quem não está familiarizado com o contexto lírico de “Am I Crazy?” – e olha que nem internet e muito menos Google tínhamos naquela época… hahaha!!! Nós poderíamos não ter o conhecimento em Inglês que temos hoje, afinal tínhamos menos de 20 anos naquela época e o acesso à língua inglesa ainda era bem escasso, mas desde então eu já possuía uma razoável noção de inglês, além do que a Cogumelo tinha um rígido controle de qualidade nesse sentido já naquela época, então jamais deixaria algo assim passar. Posteriormente ao lançamento dessa matéria infeliz, mandei uma carta com todos os nossos argumentos à redação da revista para que fosse publicada uma retratação na edição seguinte, o que jamais aconteceu – e nem mesmo uma resposta recebemos, nada mais óbvio. De qualquer modo, foda-se a Veja!!!
1993-Punishment At Dawn “Segundo Álbum”
Neste ano a banda lança seu segundo álbum, “Punishment At Dawn”, e já apresenta o Headhunter D.C. com 2 novos membros, o Túlio Constantin assumindo a bateria e o Simon Matos assumindo as guitarras junto ao Paulo Lisboa. Qual foi o motivo do afastamento do excelente baterista Iaçanã Lima?
Sérgio “Baloff” Borges: O afastamento do Iaçanã se deu por razões pessoais que não mais permitiram sua continuidade na banda.
Nos fale como aconteceu a entrada destes 2 novos membros…
Sérgio “Baloff” Borges: O Simon (ex-Putrefaction) entrou na banda ainda no final de 91, quando percebemos que necessitávamos de uma segunda guitarra para dar mais peso à banda nas situações ao vivo. Sua estréia na banda em palcos, se me recordo bem, foi em Aracaju/SE. Seu estilo e postura se encaixaram como uma luva na proposta da banda, além do que ele também já freqüentava ensaios e shows do Headhunter D.C. desde praticamente o início, então tratou-se de outra escolha bem natural – sem falar que não existiam tantas opções assim àquela época, então quando surgia uma necessidade de recrutar alguém para a banda, meio que já sabíamos quem iríamos chamar. Já o Túlio foi chamado pra banda ainda em meados/final de 92, mas só estreou mesmo em 93, não me lembro exatamente onde nem em qual mês. Ele é mineiro, tocava no Calvary Death antes de se unir ao Culto e se mudou pra Salvador na época pra se dedicar de perto à banda.
1993-Paulo Lisboa, Simon Matos, Ualson Martins, Túlio Constantin e Sérgio “Baloff”. Foto por: Nino Andrés
O segundo álbum também foi lançado pela Cogumelo Records e foi o álbum que mostrou ao mundo o Headhunter D.C. com distribuição em muitos países. Na sua visão, como foi a receptividade deste segundo álbum? Este álbum foi o trabalho que levou o Headhunter D.C. a conquistar novos horizontes?
Sérgio “Baloff” Borges: Acho que posso dizer que sim. Nos mudamos pra BH no início de 93, ficando assim mais próximos de nosso selo, gravamos o “Punishment…” e foi a partir daí que as coisas começaram a acontecer em maior escala. Finalmente estávamos tocando nos grandes centros de Metal do país (Rio/São Paulo/Belo Horizonte) e saindo em cada vez mais fanzines e revistas, enquanto que no exterior o álbum estava sendo distribuído na Europa pela Black Water da Holanda e nos EUA via Relapse, o que também rendeu excelentes resenhas em zines e revistas lá fora. Algumas dessas resenhas colocaram o álbum como um dos melhores lançamentos já vindos da America do Sul naquela época, o que foi de extrema importância para uma maior projeção do Headhunter D.C. em outros países, além, é claro, de nosso próprio esquema de divulgação do álbum mundo a fora, isso numa época sem internet, sem download, e-mail, mp3, Facebook, Myspace, Whatsapp, Spotity, globalização…, tudo na base do correio e muita, muita paixão pelo Underground.
Foi neste mesmo ano que a banda decide se mudar para Belo Horizonte… Quais foram os reais motivos que motivaram essa mudança de estado?
1993-Cartaz da passagem em Santo André/SP
Sérgio “Baloff” Borges: As principais razões para termos nos mudado para Belo Horizonte naquela época foram mesmo para estarmos mais perto da gravadora e conseqüentemente conquistarmos novos horizontes com a banda, e foi exatamente o que aconteceu. Somos provavelmente a primeira banda de Metal Extremo do Norte/Nordeste a fazermos uma turnê que atingiria as principais cidades do Sudeste do país, numa época em que uma turnê, mesmo em menores escalas do que como acontece hoje, ainda era um sonho distante para as bandas dessas regiões. Se tivéssemos permanecido em Salvador naquele período provavelmente nada teria acontecido. Tivemos a sorte de termos pego a cena mineira ainda fervilhando àquela época, e todas as alianças que fizemos na cena de BH nos ajudaram para que nos sentíssemos em casa àquele período, e bandas como Witchhammer (nossos brothers desde 89), SexTrash (que já havíamos conhecido na ocasião da gravação do “Born…” e que também dividiu o palco conosco em Salvador no mesmo ano de 91), Atack Epiléptico, Maitreya, Pathologic Noise, Aberration, Overdose, Impurity (irmãos desde 1990), Lustful, Chakal, LouCyfer, The Mist, Sinners entre outras estavam entre nossos aliados.
1996-Promo Tape
A banda passa por longos anos sem lançamentos, sendo que em 1996 tiveram outra grande mudança em sua formação, começaram a fazer parte da banda o Alberto Alpire no baixo e mais uma vez houve mudança nas baquetas, entrou o André Moysés, e lançaram uma promo tape contendo músicas que viriam a fazer parte da tracklist do próximo trabalho lançado em 2000. Visto que essa formação não perdurou muito tempo…
Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade não foi tanto tempo assim, mas naquela época 3 anos realmente significavam muito mais do que hoje em dia. Além da Promo Tape ’96, que foi lançada com o intuito de mostrar à cena algo de nosso novo material (e acabou servindo como uma pré-produção do “…And the Sky Turns to Black…”), também houve a participação da banda no CD Tributo ao Dorsal Atlântica intitulado “Omnisciens”, quando abrimos a compilação com “Álcool”, e em ambos os lançamentos já contávamos com Alberto Alpire (ex-Kaddish, ex-Obliteration) substituindo Ualson Martins no baixo (um dos principais compositores da banda até final de 93 e que estava à frente do Headhunter D.C. como seu principal contato) e André Moysés (ex-Sepulchral, ex-Mercy Killing, ex-Zona Abissal) no lugar de Tulio Constantin. Fora isso, a banda manteve-se ativa na cena fazendo shows brutais pelo país e mantendo contato com o UG mundial, sempre de forma séria e ininterrupta, inclusive seguindo compondo material para o que viria a ser o próximo álbum.
1996-Paulo Lisboa, Alberto Alpire, André Moysés, Simon Matos e Sergio “Baloff” ao centro. Foto por: Marcelo Santo
Quais foram os principais motivos para a banda ter passado por esse hiato de tanto tempo sem lançar um novo álbum?
Sérgio “Baloff” Borges: Estamos falando de meados dos anos 90, um período tenebroso para o Metal Extremo no Brasil e no mundo, quando as bandas e gravadoras estavam abrindo as pernas pro Grunge e todo mundo estava abandonando suas jaquetas pretas e crucifixos invertidos para ostentar suas camisas de flanela quadriculadas… um horror, na pior concepção da palavra! Daí você pode imaginar o que enfrentamos para manter nosso som e nossa postura intacta perante esse cenário terrível: selos fechando as portas para o Death Metal e chamando o gênero de “morto e enterrado”, bandas abandonando o Metal e rendendo-se ao pula-pula e à batucada e produtores de shows seguindo a onda como abutres na carniça… Pouquíssimas são as bandas que resistiram a esse “furacão trendy” e não sucumbiram à todo esse lixo, e mais uma vez temos orgulho de fazer parte desse seleto grupo de guerreiros que se mantiveram de pé e continuaram acreditando no que faziam. Outro ponto relevante que nos levou a ficar tanto tempo sem lançar um novo álbum foi o fato da Cogumelo não ter investido no terceiro álbum de nosso contrato com o selo, então acabamos por levar cerca de 5 anos até gravarmos o terceiro full length e mais dois até conseguirmos lançá-lo por um novo selo que estivesse disposto a nos dar o suporte que precisávamos e merecíamos.
2000-And The Sky Turns To Black “Terceiro Álbum”
A banda vem com força total no 3º álbum, “…And The Skys Turns To Black… (The Dark Age Has Come)”, novamente apresentando mudanças radicais na formação, agora com três novos membros, Alex Mendonça assumindo o baixo, Fábio Nosferatus na guitarra e o renomado baterista Thiago Nogueira na bateria…
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, foi mesmo uma reformulação radical no lineup, mas acho que não poderia ser diferente depois de tanto tempo e de tanta coisa que se passou nesse ínterim – sem mencionar que, pela nossa “tradição” em mudanças de formação, se houvesse sido diferente não seria o Headhunter D.C…. haha! A entrada dos novos membros trouxe o sangue que a banda estava precisando naquele período, e foram essenciais para dar ao álbum a pegada, sonoridade e atmosfera únicos que ele tem, sejam os solos macabros e sentimentais do Nosferatus, as profundas e pesadas linhas de baixo do Alex e a bateria bomB(L)ÁSTica (desculpa pelo trocadilho infame, mas não pude evitar… hahahahaaaa!!!) de Thiago.
Para esta retomada do Headhunter D.C. aos lançamentos, vocês assinaram com a Mutilation Records, selo reconhecidíssimo por apoiar a cena extrema. Como nasceu a parceria entre a banda e o selo?
Sérgio “Baloff” Borges: A Mutilation (então ainda sob o nome de Millennium Records) foi o único selo brasileiro entre os quais enviamos material naquela época que manteve a fé no Death Metal. Depois deles, um monte de selos nacionais passaram a lançar (alguns novamente) bandas do gênero, o que é de se esperar de quem segue cegamente as modas e tendências que vez por outra infectam a cena. Foi a Mutilation que nos fez acreditar, de uma forma mais abrangente, que nem tudo estava perdido aqui no Brasil em termos de Death Metal, e ao irmão e parceiro Sérgio Tullula somos eternamente agradecidos por isso. Já são 18 anos de uma parceria a qual eu espero que ainda dure muito tempo! Quando gravamos o “ATSTTB” em 98 fizemos um promo single com duas faixas do álbum a ser destinado apenas aos selos, e foi através desse material que surgiu nosso primeiro contato com a Mutilation.
2000-Paulo Lisboa, Alex Mendonça, Sérgio “Baloff”, Thiago Nogueira e Fábio Nosferatus. Foto por: Adriana Dibby
Na minha humilde opinião este trabalho foi de tirar o fôlego. Um trabalho excepcional e me mostrou o Headhunter D.C. como jamais tinha visto. Uma evolução musical extrema… A repercussão deste trabalho foi muito positiva, eu mesmo me lembro de enviar esse CD para o Aad Kloosterwaard (Sinister) que ficou enlouquecido ao ouvir e pediu que eu enviasse para ele, assim o fiz. A distribuição fora do Brasil foi satisfatória? Houve relançamentos fora do país?
Sérgio “Baloff” Borges: Interessante essa estória sobre o Aad do Sinister, que é uma banda que acompanho desde a sua fase de demos, inclusive o Ualson costumava manter contato com eles, creio que através do próprio Aad. Eu sou um fã incondicional do “…And the Sky…”, e acho que o Paulo Lisboa se superou em termos de talento e criatividade nesse álbum, uma verdadeira máquina de rifferamas deathmetálicos, sem falar nos climas grotescos e decadentes, peso abissal e textos que sintetizam perfeitamente a identidade ideológica da banda. Creio que foi a evolução perfeita do “Punishment At Dawn”, um irretocável sucessor da oferenda de 93. Eu diria ainda que “ATSTTB” é a perfeita criação demoníaca de todas as agruras acumuladas durante a fase negra do Death Metal entre 93 e 98. Esse conjunto de fatores unidos a uma banda 100% compromissada com a verdadeira essência do Metal da Morte criada pelos mestres Possessed faz do álbum o que ele é! A distribuição do álbum no exterior foi bem satisfatória, e mais uma vez a banda alcançou excelentes resenhas mundo a fora. Esse alcance em maior escala intensificou-se ainda mais após o lançamento oficial do disco no território norte-americano via Mercenary Musik/WW3 Records. O álbum foi lançado por lá com nossas versões de “Twisted Minds” do Possessed e “Morbid Visions” do Sepultura como bonus tracks, duas grandes influências nossas.
A Mutilation Records investiu pesado neste lançamento, houve prensagens em Picture LP e CD com slipcase, além de camisetas oficiais. A saída da Cogumelo Records e a entrada para a Mutilation Records nos mostra ter sido melhor para banda. Como você vê tudo isso?
Sérgio “Baloff” Borges: Ambos os selos tiveram grande impacto e importância na história da banda em seus respectivos períodos.
Este trabalho, na sua opinião, marca um reinício? Uma nova fase do Headhunter D.C.?
Sérgio “Baloff” Borges: Eu não diria um reinício, afinal de contas nunca paramos. “Uma nova fase” representaria melhor tudo o que aconteceu, ou melhor, uma nova era negra para o Culto da Morte do Caçador de Cabeças!
2002-Brazilian Deathkult Live Violence “Live Tape”
No auge da divulgação do 3º álbum a banda lança um limitadíssimo live tape, “Brazilian Deathkult Live Violence…”. Este lançamento foi idealizado pelo Eternal Fire Zine/Tape Series, distribuindo assim um registro histórico da passagem da banda na cidade de Itabuna/BA em junho de 1995 que posteriormente foi relançado em CD. A ideia de lançar este material em plena divulgação do até então atual álbum “…And The Sky Turns To Black…” já vinha de antes do mesmo ser concebido?
Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade não, esse live tape acabou saindo mesmo meio que por acaso. Esse lançamento surgiu de um convite do nosso eterno amigo e parceiro (apesar de sumido já há alguns anos) Hugues “Karnage” Vallot do lendário Eternal Fire zine da França em lançar algo da banda em sua ‘live tape series’. Naquele momento o Karnage estava fazendo uma entrevista conosco que sairia em uma das futuras edições do zine (uma das maiores que já respondi), e como tínhamos essa gravação do show de Itabuna em 95 ainda inédita (apesar de fazer parte de minha lista de tapetrading da época), resolvemos lançá-la de forma oficial. Hoje trata-se de um item raríssimo, principalmente por ter sido lançado em apenas 100 cópias limitadas.
2007-…In Deathmetalic Brotherhood “Split LP”
2007 foi um ano de muitas realizações para a banda. Vamos começar falando do split “…In Deathmetallic Brotherhood”, onde vocês dividiram um raríssimo vinil de 10” com o Sanctifier. Onde também as bandas registraram covers, Headhunter D.C. tocando uma música do Sanctifier e o mesmo tocando uma música do Headhunter D.C.. Um registro histórico. Essa proposta partiu do selo Legion of Death Records ou das bandas? Como foi participar deste registro até então inédito no Brasil?
Sérgio “Baloff” Borges: A idéia partiu de mim mesmo, influenciado pelo split 10″ “Desaster In League With Pentacle” e posteriormente passada ao Karnage, que fazia parte da Legion of Death Rekordz e que prontamente comprou a idéia do split, lançando-o em seguida. Trata-se mesmo de um registro histórico e inédito à época aqui no Brasil, e que sintetizou de uma forma pra lá de fudida o elo que temos com o Sanctifier desde eles abriram nosso show em Natal em 93. Foi um prazer e uma honra para nós gravarmos uma música de uma das melhores demos de Death Metal brasileiro da história, “Ad Perpetuam Rei Memoriam”, e honra idem por ter tido uma de nossas músicas gravadas por esses cutulistas dos mares abissais de Natal. Hail Alexandre Emerson & Sanctifier shoggoths!!!
2007-God’s Spreading Cancer “Quarto Álbum”
Neste mesmo ano chega nas mãos dos Headbangers o tão esperado “God’s Spreading Cancer…”, o quarto álbum da banda. Que também foi lançado pelo selo alemão Evil Spell Records em um belissimo LP e junto vem um 7” “Long Live The Hunter” como bônus. Como a banda recebeu essa proposta inovadora do selo alemão?
Sérgio “Baloff” Borges: O Alex Tiebel da Undercover/Evil Spell Records já era nosso amigo e admirador de nosso trabalho, então nos fez a proposta para o lançamento da versão em vinil do álbum. As faixas que integram o 7″ de bonus são os covers do ThrashMassacre, “Angelkiller” (que faz parte do tracklist oficial do álbum original), e Necrovore “Slaughtered Remains”, essa, por sinal, com a bateria gravada pelo nosso atual baterista Daniel Brandão, que também gravou as faixas do split com o Sanctifier. O resultado final do LP ficou fudido, um excelente trabalho da Evil Spell Recs.
Neste álbum a banda nos traz mais uma nova formação, agora com Zulbert Buery no baixo, persona muito conhecida na cena por ter passado por bandas importantíssimas no underground nordestino como Inoculation, Eternal Sacrifice, Wintermoon… além de ser um velho amigo que sempre acompanhou o Headhunter D.C. muito de perto…
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, a convocação de Zulbert foi outro fato natural dentro da história da banda por todo o elo de amizade que ele já tinha comigo e o Zé Paulo desde praticamente quando retornamos de Belo Horizonte, além do que era um cara que, como nós, também respirava o Death Metal Underground e o tinha como estilo de vida mesmo. Sua entrada na banda trouxe uma notória evolução em nossas linhas de baixo, e creio que isso percebe-se em sua performance em “God’s Spreading Cancer…”
2007-Zulbert Buery, Paulo Lisboa, Sérgio “Baloff” e Fábio Nosferatus. Foto por: Antenor Pereira
Este álbum contou com importantes relançamentos fora do Brasil, na europa pela Obscure Domain Productions e nos Estados Unidos pelo selo Ibex Moon Records do renomado Jonh McEntee (Incantation)…
Sérgio “Baloff” Borges: Exato! Inclua nessa lista também a versão em vinil via Evil Spell Records (Alemanha) e a versão peruana em CD pela Death Cult Records.
A banda neste ano realizou sua primeira turnê sul-americana, vocês tocaram em muitas cidades do Brasil e cruzaram as fronteiras, passaram pelo Peru, Chile e Bolívia. Como foi essa experiência de estar com os nossos hermanos?
Sérgio “Baloff” Borges: Essa foi uma turnê realizada sob booking da Morte Pacífica Prods., sendo nossa primeiríssima vez tocando fora do país. Foram cerca de 15 datas em torno de 21 dias entre Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, Chile, Peru e Bolívia, com alguns shows realmente brutais. Por termos feito todo o roteiro por terra, foi uma tour bem cansativa com alguns “perrengues” típicos de um giro nesses moldes, mas que no final realmente valeu a pena e nos serviu como uma grande experiência para o que ainda teríamos pela frente. Destaques para os shows em Maringá/PR com o Holder, Santiago e Iquique no Chile, Santa Cruz de La Sierra na Bolívia com o Bemdesar e outras bandas e em Cuiabá/MT.
2010-The Darkest Archives… “Coletânea”
Este ano foi marcado por um lançamento de fato importantíssimo que imortalizou gravações raras de todo conteúdo do passado da banda, foi lançado pela Crypts Of Eternity Productions o CD duplo “The Darkest Archives… From The Death Cult (1987-2007)”. Este selo peruano fez um excelente trabalho… Por ser um material que traz a oportunidade para os fãs terem esse maravilhoso registro em suas coleções, houve algum momento que vocês cogitaram em fazer um relançamento do mesmo aqui no Brasil? Digo isso pela dificuldade em adquiri-lo, já que trata-se de um material importado…
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, realmente cheguei a cogitar fazer esse lançamento no Brasil, tanto pelo cunho histórico quanto por ter sido lançado numa quantidade limitada de 500 cópias que esgotaram-se rapidamente, mas acabou que, talvez por ter saído com um certo atraso (levando em conta que trata-se de um lançamento comemorativo dos 20 anos da banda e só foi lançado em 2010), resolvemos mantê-lo em tiragem e versão únicas. Recentemente tivemos uma proposta de lançar algo parecido em comemoração aos 30 anos, então existe a possibilidade de colocarmos todos aqueles materiais disponíveis novamente em uma nova compilação com algumas adições dos anos posteriores. Vamos aguardar e ver o que acontece…
2011-Zulbert Buery, Daniel Brandão, Sergio “Baloff”, Paulo Lisboa e George Lessa. Foto por: Frederico Neto
Também entraram na banda o excelente guitarrista George Lessa que também tocava no Keter e o virtuoso baterista Daniel Brandão, que dispensa comentários. Como aconteceu a entrada desses músicos na banda? Qual foi o ganho evolutivo que a banda teve com a entrada deles na sua visão?
Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade, Daniel Brandão entrou na banda junto com Zulbert, em 2003, realizou diversos shows conosco naquele período, incluindo a tour pelo Nordeste em 2004, mas acabou saindo da banda às vésperas das gravações do “God’s Spreading Cancer…” (daí o motivo do Thiago Nogueira ter gravado o álbum como ‘session drummer’), retornando oficialmente à banda logo após o lançamento do álbum e já participando da tour sulamericana de 2007. A entrada do George Lessa foi um adicional bastante significativo à banda. Entre suas características está uma inteligente e ímpar união de agressividade e técnica, tanto em seus solos quanto em sua forma de tocar riffs e bases. O conheci durante uma apresentação de sua ex-banda, o Keter, e seu talento me chamou tanto a atenção que logo o convidei para substituir Fábio Nosferatus, que havia deixado a banda na época. Obviamente sua postura ideológica e atitude perante a cena também se encaixaram dentro do nosso contexto geral, e por esses aspectos é que ele já está há quase 10 anos conosco. Vale mencionar que recentemente George montou uma nova banda de Death Metal chamada God Funeral, que inclusive acaba de lançar seu début EP. Vale a pena conferir!
2012-In Unholy Mourning “Quinto Álbum”
Com essa nova formação estabilizada vocês lançaram através da Mutilation Records mais um álbum, ”…In Unholy Mourning…” Esse lançamento também teve sua prensagem em vários formatos… como foi a distribuição e a repercussão?
Sérgio “Baloff” Borges: “…In Unholy Mourning…” é nosso álbum que mais conta com diferentes formatos e relançamentos –entre eles um excelente double tape box set via Raw Blackult Prods. da Bolívia –, além do que trabalhamos em cima dele por longos 5 anos entre shows e promoção na cena. A repercussão do mesmo foi ótima, e mais uma vez algumas publicações, daqui e de fora, o colocaram entre os melhores álbuns de Death Metal daquele ano. Mais sobre o que penso acerca desse disco pode ser conferido em um texto que escrevi e que figura o seu booklet nas versões em CD e no encarte da versão em vinil.
Assim como em “God’s Spreading Cancer…” vocês gravaram para esse álbum mais um cover do antigo ThrashMassacre, pra quem não sabe essa foi uma das primeiras bandas de Metal do estado da Bahia…
2012-George Lessa, Zulbert Buery, Sérgio “Baloff”, Daniel Brandão e Paulo Lisboa. Foto por: Frederico Neto
Sérgio “Baloff” Borges: Sim! Foi mais uma forma de ajudar a perpetuar a excelente música dessa que foi a grande pioneira de Metal Extremo na Bahia e uma das pioneiras do Nordeste, junto com Krânio Metálico e Túmulo/Headhunter D.C., da qual eu, inclusive, fiz parte antes de encerrar suas atividades no final de 89/início de 90. Atualmente canto numa banda tributo ao “Bonded by Blood” do Exodus que conta com ex-membros do ThrashMassacre, e com a mesma formação iniciamos os trabalhos de ensaios das músicas originais da banda para o futuro registro desse material em CD e assim eternizar de uma vez o nome e o magistral Raging Thrash Metal Mayhem dessa banda única. Aguardem!
2013-Headhunter D.C. e Nervochaos na República Tcheca. Foto por: The Heretic Inc.
Em 2013 a banda passou por terras européias, passando por vários países como Portugal, Bélgica, Alemanha, Polônia, Espanha, Itália, França, Holanda entre outros. Nos conte como foi essa visita ao velho continente…
Sérgio “Baloff” Borges: Foi uma experiência inesquecível, cara, e nos fez crescer tanto como banda quanto como indivíduos mesmo. Tivemos alguns shows memoráveis, conhecemos lugares incríveis, grandes encontros com novos e antigos amigos e irmãos de cartas, boas (e não tão boas também…) cervejas e comidas, enfim… espalhamos a palavra do Culto por onde passamos com muito Death fucking Metal e atitude Underground! Vale lembrar também do grande suporte dos irmãos do Nervo Chaos (hails Edu!), que compartilharam essa tour conosco, e do pessoal da Roadmaster Agency, Daniel Duracell (Mortificy/Incarceration) e Vlad e Dario, que tocam no War-Head. Muito grato por tudo, brothers! A idéia é retornarmos ao Velho Mundo quando estivermos com o novo álbum em mãos, dessa vez passando por países pelos quais não passamos em 2013.
A turnê realmente foi muito bem sucedida, tanto que por causa dessa passagem por lá a banda fez o seu segundo álbum ao vivo “Death Kurwa! – Live In Warsaw”, lançado em 2016 pela Bestial Invasion Records da Suécia…
2013-Death Kurwa “Álbum Ao Vivo”
Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade “Death Kurwa! – Live in Warsaw 2013” não foi nem de longe um álbum programado. Como pode perceber, não é um disco gravado profissionalmente e nem possui uma grande qualidade de gravação, mas que de alguma forma merecia ser lançado e disponibilizado aos fãs por se tratar de algo histórico na carreira da banda. O CD foi lançado principalmente para acompanhar a edição de jubileu do legendário Necroscope Zine da Polônia a convite de nosso grande amigo e velho apoiador da banda na Europa, seu editor Adam Stasiak, mas acabou sendo lançado oficialmente pelo selo escocês Bestial Invasion Records e também pode ser adquirido de forma avulsa. Logicamente que ainda não é o álbum ao vivo definitivo do Headhunter D.C., digamos que se trata de um “bootleg oficial” (se é que podemos assim chamar… haha!), mas é algo que fiquei muito satisfeito pelo seu contexto e importância histórica, principalmente por ser um registro de nossa primeiríssima turnê européia, então ele tinha que ser lançado. Esse live foi captado de forma caseira através de uma camera de vídeo (infelizmente não foi possível gravar o show em sua íntegra devido a problemas com a câmera, daí o porquê de várias músicas terem ficado de fora), e ficou na gaveta por algum tempo até surgir a ideia e o convite do Adam de lançar o CD junto com o zine – e nesse caso contamos com a coincidência de termos a gravação de um show na Polônia a ser lançado junto a um zine polonês. O resultado é um CD 666% ao vivo, pesado, grotesco, rude, sujo, alto, cru, com a verdadeira atmosfera underground e sujeito a todas as possíveis falhas e imperfeições técnicas de um verdadeiro show de Death Metal Underground, orgânico e feito com sangue nos olhos. Definitely no fucking overdubs here!
2015-Born To Punish The Skies VOL.1″Tributo”
Em 2015 a banda recebe uma grandiosa e merecida homenagem de bandas do mundo inteiro em um tributo dividido em dois volumes chamado “Born To Punish The Skies… A Deathmetallic Brotherhood in Darkest Mourning for God – Tribute to Headhunter D.C.”, e além dessa homenagem ser prestada com suas músicas tocadas por todas estas bandas, as mesmas ainda descrevem a importância que o Headhunter D.C. tem em suas influências e em suas carreiras… Este é um registro realmente emocionante… o que você tem a dizer para todas as bandas que realizaram esta homenagem?
Sérgio “Baloff” Borges: A emoção em ver/ouvir isso se transformando em realidade foi grande, cara, e a honra, maior ainda. É quase indescritível a sensação de ter dois CDs lançados em homenagem e reconhecimento à sua banda, e o que é ainda mais fudido, com tantas versões de suas músicas com uma imensa qualidade, e não estou falando apenas em qualidade de gravação, mas de criatividade e performance também, de versões que nos fazem sentir que foram feitas a partir do mesmo princípio do qual as músicas originais foram criadas: da paixão pela música negra da morte, sem a qual nada do que se é feito soa 100% real. Acho que conseguimos expressar esse sentimento com exatidão através dos textos escritos por mim (no volume 1) e pelo Paulo Lisboa (no volume 2), através dos quais também contamos um pouco da nossa história sob uma ótica não encontrada nas conhecidas biografias da banda. Cada uma das bandas contidas em ambos os volumes nos passaram muita verdade com suas versões, até porque são bandas que possuem um vínculo muito próximo de nós, são bandas irmãs, que possuem ideias e ideais basicamente iguais aos nossos, e isso também pesou bastante na escolha de cada uma delas, independente de serem fãs ‘diehard’
2015-Born To Punish The Skies VOL.2″Tributo”
do Headhunter D.C. ou de serem diretamente influenciadas por nossa música. Eu mesmo coordenei e produzi o tributo a convite do Sérgio Tullula da Mutilation Records, idealizador do projeto e responsável pelo seu lançamento, e achei bastante natural que eu tenha sido convidado para esse processo, pois apesar de não se tratar de um lançamento nosso, mas sim uma compilação com outras bandas, cada um dos CDs estaria emanando puro Headhunter D.C. quando estivesse sendo colocado no player ou tendo seu booklet folheado, então nada mais natural que fosse um de nós que estivesse diretamente envolvido nisso. A todos só posso dizer que confiram ambos os volumes e não se arrependerão. Cópias ainda disponíveis através da banda. Morte total 666% garantida!
2017-Sérgio “Baloff” e Nebiros (Mortem) em Lima (Peru)
Vocês fazem sua segunda turnê sul-americana ao lado da renomada Mortem. Quais foram os países visitados desta vez?
Sérgio “Baloff” Borges: Mais uma vez a tour passou por Chile e Peru, mas dessa vez tivemos a honra de tocarmos na terra do Mortem, Lima, e atingimos outras cidades chilenas além de Santiago. Apesar de menor que a tour de 2007, esse giro nos trouxe excelentes frutos, entre eles a oportunidade de finalmente dividirmos o palco por duas fudidas vezes com as bestas andinas, um desejo que era compartilhado já há algum tempo entre ambas as bandas. Posso dizer que as jams que fizemos juntos em ambos os shows de Lima e Santiago, com o Nebiros tocando guitarra conosco no cover do Death “Zombie Ritual” e eu cantando com eles seu clássico “Summoned to Hell” (com o qual participamos do CD tributo ao Mortem há alguns anos via Heavier Recs.) foram absolutamente e definitivamente antológicas. Hail The True Mortem!!! Meu muito obrigado aos irmãos Ricardo Lucas do Crypts of Eternity Zine/Prods., Leo Thrash, baterista da banda chilena Ejecutor, e Armin Obando da Veins Full of Wrath Prods. por terem sido os grandes responsáveis por essa mini tour. Salve!!!
E neste mesmo ano a banda tem uma grande baixa em sua formação, a saída do membro fundador da banda, o Paulo Lisboa, por motivos claramente pessoais… Me lembro que foi uma surpresa, eu como fã da banda nunca imaginaria acontecer esse desligamento…
2017-Ao Vivo em Lima (Peru)
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, infelizmente o Paulo saiu oficialmente da banda em julho de 2017, logo após a mini turnê no Chile e Peru com o Mortem e logo após a banda ter completado 30 anos de existência. Esta notícia caiu como uma bomba em nosso Culto e atingiu todos nós em cheio, especialmente falando sobre mim mesmo, já que eu e o Zé Paulo temos uma amizade/parceria muito forte desde o começo do Headhunter D.C., então tem sido muito difícil para mim ter que lidar com sua ausência na banda; você sabe, subir em um palco e tocar sem ele depois de tantos anos juntos se apresentando ao vivo, viajando mundo a fora, ou mesmo compor sem suas opiniões ou não podermos mais contar com seu enorme talento e genialidade dentro da banda… isso é muito triste para mim e para todos os outros caras da banda, e mesmo que já estivéssemos de alguma forma preparados para a sua partida, as coisas não foram e não têm sido fáceis para nós desde então. Na verdade Paulo já estava basicamente afastado das atividades da banda desde algum tempo, tendo inclusive se ausentado em 3 shows antes de deixar a banda, sendo substituído por Yury Duplat (Old Chaos, ex-Keter) em um show no Brasil, enquanto nos dois últimos shows no Chile tivemos que tocar com apenas uma guitarra porque ele teve que voltar ao Brasil logo após o show de Lima devido ao seu emprego – sem mencionar que ele também não participou do processo de criação do próximo álbum. A razão para isso, segundo ele, estava relacionada à logística, já que ele mora em uma cidade a 350 km de Salvador, e fazer viagens entre as duas cidades mais as turnês estava se tornando cada vez mais difícil para ele com o passar dos anos, então nós não poderíamos fazer nada além de respeitar sua decisão e continuar sem ele. Apesar de tudo, nossa amizade permanece intocável como nos velhos tempos, afinal de contas temos uma amizade/irmandade que transcende o Metal e o Underground. Desejo-o o melhor em sua vida, sempre!
2017-Paulo Lisboa em Lima (Peru)
O Paulo Lisboa está tocando em alguma banda que não exija muito de seu tempo?
Sérgio “Baloff” Borges: Ainda antes de sair do Headhunter D.C. ele já tocava em uma banda da cidade onde vive que toca covers de clássicos do Heavy Metal, o Steel Fist. Em uma das últimas vezes em que nos falamos ele comentou comigo que estava para entrar em uma banda de Heavy Metal tradicional da cidade de Irecê, mas não tive mais notícias quanto a isso.
O que você tem a dizer para o Paulo Lisboa por todos estes anos que vocês estiveram lado a lado lutando pelo Headhunter D.C.?
Sérgio “Baloff” Borges: Um grande e sincero MUITO OBRIGADO POR TUDO! E que foi uma honra estar a seu lado por tanto tempo tocando, criando e desenvolvendo o mais genuíno Metal da Morte que pôde sair do fundo de nossos corações negros e de nossas almas obscuras! A huge THANK YOU, master!!!
2018-Sérgio “Baloff” Borges. Foto por: Rafael Almeida
A banda tem previsão de quando nos brindará com mais um álbum?
Sérgio “Baloff” Borges: Estamos trabalhando duro em cima do material que dará vida em forma de morte total ao nosso próximo álbum. Em primeira mão, digo aqui que o provável título do album será “In Death Metal We Trust”, mas ainda estamos estudando isso. O álbum contará com 9 músicas inéditas e uma intro, num total de 10 ataques profanos de Culto da Morte e extinção à cristandade. Alguns novos títulos são: “Unblessed by the Unsacred” (a qual inclusive temos incluído em nosso atual repertório de shows), “One Thousand Apocalypses”, “Rise of the Damned” e a (possível) faixa-título, uma parceria entre eu e George Lessa. A previsão de gravação é entre outubro e novembro de 2018 e lançamento no primeiro trimestre de 2019. Aguardem!
E para substituição do Paulo Lisboa a banda hoje conta com o renomado guitarrista Tony Assis, integrante de bandas como Insaintification e Ungodly, ex-Carnified e ex-Mystifier. Como está sendo a experiência de tê-lo no line-up atual? Pois a responsabilidade dele é grande, afinal substituir Paulo Lisboa não é tarefa fácil…
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, felizmente pudemos contar com o apoio de Tony Assis, que prontamente atendeu ao nosso chamado e substituiu oficialmente o Paulo, já tendo feito três apresentações ao vivo conosco em Dezembro passado e Março desse ano. Tony é um velho amigo e fã da banda desde o começo dos anos 90, tendo inclusive feito uma turnê conosco em 2004 substituindo nosso então guitarrista Fábio Nosferatus – sem mencionar que ele é um músico muito talentoso e que se encaixa muito bem em nosso contexto geral, então acho que fizemos a escolha certa. De alguma forma o novo guitarrista possui muita influência e inspiração no Paulo, pois o Tony sempre foi fã e acompanhou o desenvolvimento da banda muito de perto – posso até dizer que Zé Paulo foi um dos grandes responsáveis por ele ser um guitarrista de Metal Extremo, então de alguma forma o estilo e essência do Paulo permanecerão bem vivos dentro do Headhunter D.C..
2018-Tony Assis. Foto por: Rafael Almeida
No site Whiplash! o Bem Ami Scopinho se refere ao “…In Unholy Mourning…” como o melhor álbum da banda até então. Este também é o melhor para você?
Sérgio “Baloff” Borges: Sim, concordo, mas não será assim por muito tempo, pois uma nova era de blasfêmia e profanação deathmetálica está se aproximando com níveis de brutalidade ainda mais assombrosos que da última vez!
Nestes 31 anos ininterruptos quais foram as maiores realizações do Headhunter D.C.?
Sérgio “Baloff” Borges: Eu acho que cada passo dado ao longo de todos esses anos, por menores que possam parecer, foram e continuam sendo como grandes conquistas para nós, seja um show, uma tour, um novo material composto ou gravado ou um novo deathmetalhead de um longínquo país atingido por nosso som… tudo é muito valorizado por nós, pois somos nós quem sabemos, em primeiro lugar, o que passamos para estarmos aqui após 3 longas décadas sendo honestos com nós mesmos e com o nosso público. Fazer Death Metal no Nordeste e se manter vivo e ativo por um período tão longo é uma prova de resistência, e desde 1987 que nós sabemos, com autoridade e muito conhecimento de causa, o que é resistência total!
Para quem não sabe, no dia 31 de Maio a banda comemorou 31 anos de existência, sem se vender a modismos, fazendo sempre a sua proposta musical e ideológica desde o início… Essa pergunta sempre faço às bandas que entrevisto aqui. Como você vê a cena atual no Brasil e no Mundo?
2018-Zulbert Buery. Foto por: Rafael Almeida
Sérgio “Baloff” Borges: A velha pergunta sobre nossa visão da cena… rsrsrsss! Essa é uma questão cuja resposta pode variar em questão de meses, conforme o desenvolvimento da própria cena e de nossas próprias experiências dentro da mesma. Mas há muitos anos que preciso enxergar essa questão da atual cena numa inevitável comparação com os anos 80 e 90 tanto sob a ótica do headbanger fã diehard de Metal quanto também a do “músico” de Metal, ainda que um seja exatamente a extensão do outro. Digo isso (e tão somente por mim apenas, numa ótica totalmente pessoal) porque a visão do deathbanger Sérgio Baloff é intrinsecamente voltada pro lado ideológico da cena, do lado radical e primordial do Underground, no qual quantidade jamais foi sinônimo de qualidade, porém hoje vivemos numa época em que a globalização deu uma visibilidade e acessibilidade ao Metal nunca antes imaginadas, e essa nova realidade sempre terá os dois lados da moeda. Hoje em dia o público de Metal é inevitavelmente maior que o de 25, 30 anos atrás, e com ele veio um leque maior de fontes de informação e acessibilidade – ainda que nem todos consigam absorver essa que, a princípio, seria uma vantagem em relação às gerações anteriores –, porém, em contrapartida e desproporcionalmente a essa equação, o que vemos atualmente são os shows cada vez mais vazios (pelo menos essa é uma reclamação geral que tenho visto aqui no país), o que significa que trata-se de uma questão mais complicada do que se imagina. Essa questão do público também se correlaciona com a questão da estrutura física da cena, pois com um bom público comparecendo aos shows os produtores se estruturarão mais e mais para eventos de maior qualidade, e assim bandas e público saem ganhando. Como vê, não trata-se de um assunto tão simples de se abordar conforme a cena vai crescendo de forma desenfreada com suas conseqüências positivas e negativas, no qual até mesmo a tese sobre uma questão cultural poderia ser inserida, mas o mais importante nisso tudo é que cada um que se diz fazer (e que faça realmente) parte da cena cumpra o seu papel de forma honesta e real para que um dia possamos ter uma cena realmente digna para todos os envolvidos. E àqueles do tipo “não faço parte de nenhuma cena” ou “não existe nenhuma cena atualmente”, é melhor mesmo que fiquem em casa dando continuidade às suas vidinhas virtuais!
2018-George Lessa. Foto por: Rafael Almeida
Falando um pouco da parte lírica e ideológica da banda… Quando penso em inimigos reais do nazareno, vem um nome na minha cabeça – Headhunter D.C. –, pois o conteúdo lírico são reais profanações. Você como principal compositor, quais as suas principais influências?
Sérgio “Baloff” Borges: Nada mudou, e a nossa campanha de repúdio à cristandade só cresce e se fortalece a cada ano e a cada lançamento. O atual mundo decadente e hipócrita que vivemos, gerado pela podridão das religiões, só alimenta cada vez mais nossa repulsa contra esse câncer que merece e deve ser extirpado. Minhas influências e fontes de inspiração vêm basicamente de minhas próprias vivências, experiências e de tudo aquilo que eu vejo, sinto e que me rodeia em meu dia-a-dia – e muitas vezes essa atmosfera quase irrespirável pode estar mais próxima de você do que qualquer um possa imaginar. Tenho bebido muito da fonte nietzscheana e de bandas como Immolation (godz!) em seus primeiros álbuns, mas para esse próximo álbum tenho absorvido e exposto muito de meus próprios conhecimentos, posicionamentos ideológicos e experiências vividas ao longo de minha vida, e tenho estado muito satisfeito com o que tem sido gerado aqui em termos líricos. Spreading the Cult like a plague!!!
Está previsto para este ano se não me engano outro relançamento histórico na carreira da banda, virá uma edição especial do álbum “Punishment At Dawn” que ainda trará um DVD para a comemoração dos 25 anos deste trabalho. Você tem a data correta de quando este material estará disponível? Terão shows para celebrar mais este marco na bem sucedida carreira do Headhunter D.C.?
2018-Daniel Brandão. Foto por: Rafael Almeida
Sim, a idéia da Cogumelo é fazer uma edição comemorativa dos 25 anos do álbum (completados esse ano de 2018) nos mesmos moldes da reedição de 25 anos do “Born…”, com áudio remasterizado, os mesmos bônus da primeira edição em CD e mais um DVD com algum show da época, o que já estamos providenciando desde já. Não existe uma previsão de data de lançamento, mas é certo de que saia esse ano.
“Chifres para Cima… Cruzes para Baixo”… Meu velho amigo Sérgio “Baloff” Borges, saiba que foi um imenso prazer poder realizar esta entrevista comemorativa e poder prestar a minha homenagem a esta que pra mim é uma das maiores bandas do mundo, o grande Headhunter D.C.. “Hail aos 31 anos de puro massacre e resistência”…
Sérgio “Baloff” Borges: Foi um prazer, Mr. Éden, e agradeço aqui a você e mais uma vez à Roadie Crew pelo espaço, oportunidade de expormos nossas idéias e real suporte ao longo dos anos. “United we stand, together we are strong”, já dizia o Destruction em “Eternal Ban”! Espero que eu tenha sido bastante claro em minhas respostas para aqueles a quem nossa longa história possa interessar. De últimas novidades, participaremos de um tributo em CD duplo ao Black Sabbath apenas com bandas brasileiras via Secret Service Records, para o qual gravamos uma versão para a clássica “Electric Funeral”, numa sincera homenagem aos verdadeiros pais do Heavy Metal. Lançamento previsto para Junho/Julho. Confiram! Também planejamos lançar ainda esse ano, e possivelmente antes do próximo full length, um 7″ EP com uma faixa inédita e provavelmente um cover e uma regravação, ainda em comemoração aos 30 anos da banda. Enfim, aguardem nosso próximo álbum e serão testemunhas de um novo capítulo de trevas na história do Culto da Morte! Grande abraço a todos e morte aos posers! Death Metal eternal!!! In Death Metal We Trust!!!!!!!!!!…
Abaixo trouxemos exclusivamente para esta entrevista comemorativa uma galeria com fotos que contam toda história da banda em imagens escolhidos pelo próprio Sérgio “Baloff” Borges:
Também para celebrar estes 31 anos de existência, trazemos aqui um show completíssimo, divididos em 3 partes, que apresenta a nova formação da banda e já nos mostra o que virá em mais um grande álbum em breve!!! Show gravado em 16/12/2017 no Groove Bar, Salvador/BA:
https://youtu.be/FogAQG_CXZo
https://youtu.be/dhkeYZmE__Y
https://youtu.be/3xi-2SFs5mg
Confira também uma belíssima entrevista com o Headhunter D.C. feito pelo Leonardo M. Brauna na Edição 217. Para adquirir esta edição e ler a entrevista Clique Aqui.
No dia 12 de maio publicamos aqui uma entrevista com o Naberius que até então nos disse que já estavam trabalhando para o novo álbum que tinha seu título sob sigilo. Agora chegou a hora de revelação…
O próprio Naberius com toda sua sabedoria nos traz através de suas palavras todo conceito que envolve o novo álbum do Eternal Sacrifice.
Ad Tertivm Librvm Nigrvm
“Ad Tertivm Librvm Nigrvm é uma obra conceitual, mais uma entre os álbuns que a horda Eternal Sacrifice lançou durante seus anos de existência. Trata-se de uma história, fictícia, em qual um mago usa um livro de feitiços para abrir portões dimensionais. O livro e os símbolos mágickos são usados para invocar o Arcano Lúcifer, o mago é Hazred, aquele que mais tempo vive. A concepção artística do encarte ficou, então, toda ambientada sobre a ideia de um livro, um livro antigo, com sabedoria capaz de guiar o mago Hazred em seu intento… Eternal Sacrifce, sempre, manteve sua tradição de abordar, de forma poética, o Satanismo em sua mais profunda concepção, sem abrir precedentes por crer que o metal negro se faz a partir das descobertas do oculto. Para Eternal Sacrifice o termo Paganismo é o resumo do que trata em seus temas líricos e musicais, a liberdade para criar e enveredar por caminhos desconhecidos sem medo, assim como manter a tradição de um estilo que hoje mostra grandes desvios ideológicos do que foi, naturalmente, concebido por seus criadores outrora. A Eternal Sacrifice, nada mais tem como missão, primeiro satisfazer nossos próprios anseios, depois, criar a confusão na mente de indivíduos fracos e pouco versados nos conhecimentos ocultos.”
Este é o terceiro álbum da horda e que foi totalmente finalizado e encontra-se em processo de produção.
Este novo opus, intitulado “Ad Tertium Librum Nigrum” contará com 10 faixas do mais puro Pagan Black Metal e deverá ser disponibilizado a partir de Agosto de 2018. Aguardem!!!
Já está disponível uma faixa deste trabalho que também fará parte da coletânea “Ad Astra Per Espera” da gravadora Hammer Of Damnation. Confira a entrevista que fizemos com o Naberius e ouça a música “The Three Mashu’s seals- The Conquest of the Ganzir and Arzir Gates (Hazred-rea)” . Clique aqui
Track List também revelada:
01. Intro
02. The Three Mashu’s seals- The Conquest of the Ganzir and Arzir Gates (Hazred ·rea)
03. The vision of the light of the sculptures in the monument of Mashu (The Black Book of Signs)
04. The Amulet, the fire and the seals of wisdom in the course of a triple life
05. The revelations of the first Sigil, Lucifer, after a saga of delusions and battles
06. When Angel of Light in Ur, in invoking the second sign Agga
07. Nasha, restitution of double the light (Luce) and harmony (Fer) – pagans calls
08. Interludium
09. The emptiness, the guard of the sortileges and the time in which the dust takes the rites
10. Epilogue
Na luta pelo negro Underground ao lado do Ocultan por quase 20 anos a D. Profaner vem surpreendendo a cena com o seu projeto chamado Khaotic. Gentilmente nos cede esta entrevista e nos fala à respeito deste projeto e toda ideologia que o envolve. Já com dois álbuns oficiais, ela revela que mais um álbum odioso está por vir institulado “Antithesis”.
O Khaotic é um projeto idealizado por você, sendo o único membro. Como surgiu a ideia do projeto?D. Profaner – A ideia de criar um projeto que transmitisse uma atmosfera obscura, além de tudo que penso a respeito do mundo que nos cerca já existia há muito tempo, há pelo menos 8 anos, no entanto uma série de fatores impedia que eu tivesse tempo para coloca-lo em prática, tanto pela dedicação ao meu trabalho no Ocultan assim como outros projetos como o selo Pazuzu Records. Chegou um momento em que percebi que não poderia mais adiar essa ideia ou ela nunca sairia do papel, e em 2012, a partir do momento que escolhi o nome “Khaotic” (algo que remetesse à atmosfera musical caótica), comecei compor de forma à transmitir obscuros sentimentos, escolhi fazer tudo sozinha pois o Khaotic é algo extremamente pessoal, não quis envolver outras pessoas, criar uma formação, pois o que quero expressar na música são meus sentimentos e visões a respeito do obscuro, do mundo que nos cerca, da humanidade cada vez mais enfraquecida por ideais escravistas.
Você é membro de uma das mais importantes bandas do Brasil, o grande Ocultan. Como está sendo essa conciliação entre o Ocultan e o Khaotic?D. Profaner – Um trabalho não interfere no outro pois o Khaotic é só um projeto, eu componho, gravo e lanço os materiais, não tem shows nem ensaios, então não afeta as atividades com o Ocultan! Apenas evito compor para ambos na mesma época para não correr o risco de ter composições parecidas, já que as propostas são diferentes.
Hoje a tecnologia nos proporciona a incrível versatilidade para poder criar linhas de bateria programada de forma brilhante, e nos trabalhos do Khaotic percebi que estão muito bem encaixados às músicas. Essa parte técnica é também feita por você? Em algum momento houve a ideia do Count Imperium gravar as linhas de bateria, já que ele é um ótimo baterista?D. Profaner – Eu crio todas as linhas de bateria no Khaotic, nunca cogitei chamar ele ou outro baterista para fazer as linhas pois quero que o Khaotic seja algo 100% meu. Hoje temos recursos, plugins e programas que possibilitam fazer uma bateria perfeita sem soar como uma bateria eletrônica, mas conhecimento e noção musical sobre o instrumento também é essencial para criar uma linha de bateria mais trabalhada, já toquei bateria há muito tempo, o que me possibilitou trabalhar melhor nisso. Preferi criar uma bateria programada do que toca-la pois tenho minhas limitações e teria que treinar o instrumento durante muito tempo para conseguir fazer algo decente.
Você está nesta luta incessante no negro underground brasileiro desde os anos 90 e conhecida como Lady Of Blood, e, no Khaotic como D. Profaner. Por que?D. Profaner – Sim, com o Ocultan são quase 20 anos de trabalho, comecei a tocar na banda em 1999!!
São dois trabalhos distintos, não quero que as pessoas associem uma banda com a outra, o pseudônimo Lady of Blood é uma homenagem à Dama do Sangue, entidade pertencente à Quimbanda e que é a temática lírica mais presente no Ocultan.
A temática lírica do Khaotic aborda o desprezo à humanidade e às religiões abraâmicas, a rejeição desse mundo material e ilusório, além de diversas letras profanas e blasfêmicas (especialmente na primeira demo tape Antichrist Propaganda), no inicio do projeto o tema mais presente nas letras era esse citado por último, por isso o pseudônimo D. Profaner.
A veia ideológica concebida nas letras é claramente perceptível e quanto às músicas senti uma atmosfera muito negra e odiosa. De onde vem as inspirações para a criação das músicas?D. Profaner – Como havia falado anteriormente, os temas líricos abordam o desprezo à humanidade e às religiões abraâmicas, a rejeição desse mundo ilusório, o caminho de mão esquerda.
As letras do Khaotic refletem exatamente meu pensamento a respeito deste mundo, da existência e do pós morte que considero a libertação desta prisão, as ideias destrutivas e obscuras contidas nas letras é uma forma de expressar minha negação em relação à este mundo que apenas aprisiona e limita o ser, vivemos uma ilusão, a vida pode oferecer coisas agradáveis mas na maior parte do tempo é só dor e sofrimento, o ser humano é falho e defeituoso, egoísta e traidor, o livre arbítrio é uma falsa afirmativa porém a maioria das pessoas acreditam nisso, no entanto todos são escravos de diversos sistemas que regem este mundo material, não somos seres totalmente livres embora dentro do contexto obscuro buscamos a plena liberdade, dentro deste contexto a única maneira de se libertar dessa prisão é no momento de nossa morte material. No entanto, enquanto vivemos nesse mundo, temos que nos sujeitar às suas regras porém sempre buscando sabedoria e evolução do nosso ser interior.
Existe a possibilidade deste projeto se tornar sua segunda banda?D. Profaner – Definitivamente não, muitas pessoas gostariam de ver o Khaotic ao vivo mas não pretendo ter uma formação nem para essa finalidade, é raro conseguir pessoas para tocar que compartilham da mesma ideia e que levem um trabalho à sério, principalmente se for só para shows ao vivo. E o Khaotic é algo extremamente pessoal, não tenho intenções de envolver terceiros nisso.
Falando dos álbuns lançados. A distribuição está sendo satisfatória?D. Profaner – Sim, tem sido satisfatória, o primeiro álbum lançado pela Pazuzu está praticamente esgotado e o segundo álbum está fora de catálogo ! Apesar das dificuldades atuais no mercado de CDs, a divulgação dos materiais atendeu todas as expectativas.
A receptividade tem sido excelente, quando surgiu a ideia de criar o Khaotic, as pessoas pensaram que seria um projeto na linha do Ocultan, depois de lançar a primeira demo tape, o que chamou a atenção foi justamente o contrário, um trabalho totalmente diferente do que faço no Ocultan !
Possuo em minha coleção os seus dois álbuns e os aprecio muito. O conceito nas artes gráficas neles também é feito por você?D. Profaner – Sim, eu que desenvolvo toda arte, o primeiro álbum Tenebrae eu trabalhei em todo conceito e criação da arte da capa, já no álbum Ars Obscurum os desenhos ilustrados na capa e encarte foram feitos pelo artista Emerson Maia, os desenhos originais são feitos em caneta bic, me encarreguei de criar os efeitos, texturas e cores. Já estou trabalhando no conceito gráfico do próximo álbum, nele haverá ilustrações de outro grande artista brasileiro, Márcio Rogério Silva, que disponibilizou magníficos desenhos tanto para o Ocultan quanto Khaotic!
Seu desprezo pelo cristianismo é muito evidente nas letras que são muito diretas e incisivas. A primeira vez que a ví foi no segundo álbum do Ocultan “Lembranças do Mal, A Crucificação” e a banda era declaradamente Quinbandista. Essa influência também corre nas veias do Khaotic?D. Profaner – Sim, esse é um tema recorrente em minhas letras, a Quimbanda não é abordada nas letras do Khaotic pois já é um tema bem presente no Ocultan, visto que alguns de nós somos adeptos. Embora atualmente no Ocultan a Quimbanda não é o único tema abordado, quis fazer algo diferente no Khaotic.
Abordo o tema em minhas letras como forma de desmascarar a mentira que é o cristianismo, a escravidão, servidão e intolerância imposta, a rejeição à sabedoria e conhecimento, a manipulação de mentes fracas ao longo de séculos. Vejo o cristianismo e outras religiões abraâmicas como o verdadeiro mal, uma maneira de escravizar e tornar fanático o ser humano que não é capaz alcançar iluminação, fanatismo é totalmente o oposto de evolução espiritual.
O último álbum foi concebido em 2015, vem um novo trabalho em breve?D. Profaner – Sim, estou trabalhando nele, as músicas já estão finalizadas e nesse momento estou trabalhando na concepção lírica, mas ainda não há data para lançamento pois ainda não tenho nada fechado com um selo. Dentro de poucas semanas começarei as gravações e quando tudo estiver finalizado pretendo negociar com quem tiver interesse em lançar. Com a Pazuzu Rec. será inviável pois pretendemos encerrar as atividades com o selo em breve, com as dificuldades atuais para manter um selo e ainda sem tempo suficiente para se dedicar a isso, fica completamente inviável manter as atividades.
https://youtu.be/OHnewxaD3ek
Acompanho sua carreira desde o Ocultan, em outrora não era comum vermos um membro mulher assumindo de forma competentíssima as seis cordas. Isso me chamou muito a atenção e daí sempre fui acompanhando os seus trabalhos e me tornei um fã. Quais foram as maiores dificuldades nos anos 90 no início de sua carreira e quais as vitórias mais importantes que foram conquistadas por você?D. Profaner – Obrigado pelo apoio! As dificuldades enfrentadas com meu trabalho não teve relação nenhuma com eu ser mulher, mas sim de forma geral, dificuldade que diversas bandas enfrentam, dificuldades para produzir um material, exploração de alguns produtores que cobram para uma banda nacional tocar em seu evento, eles te procuram e querem impor ao que você deve se sujeitar para tocar no evento de merda deles, tirar grana do bolso, pagar as passagens, pagar taxa para abrir pra banda gringa, nunca nos sujeitamos e nem nos sujeitaremos a esse tipo de humilhação, mas infelizmente muitas bandas pagam para tocar pois veem uma oportunidade de divulgar seu trabalho, você tira dinheiro do seu bolso o tempo todo para bancar ensaios, instrumentos e gravações, quando não se sujeita à determinadas situações, é chamado de estrelinha popstar. Além de outras situações como quando você sai de casa com vontade de apresentar seu trabalho ao vivo e se depara com péssimas condições, aparelhagem de má qualidade e eventos mal organizados.
Minha maior conquista foi o apoio, respeito e admiração que adquiri de todos apreciadores de meu trabalho!
Nas entrevistas que tenho feito sempre uma pergunta, assim sabemos seus diferentes pontos de vista a respeito. Vou fazer para você também. Qual sua opinião a respeito na cena atual no Brasil e no Mundo?D. Profaner – Fora do Brasil é meio complicado opinar pois não vivencio outras cenas, só posso dizer que existem bandas excelentes ao redor do mundo.
No Brasil temos muitas bandas sérias que batalham há anos assim como diversas que surgiram recentemente com uma proposta digna, apesar de termos tanta coisa boa e tantas bandas dedicadas, o que eu vejo atualmente em parte é disputa de quem é mais foda e panelinhas de todos os lados. Eu sempre costumei apontar diversas falhas em nossa cena como falta de apoio do publico, mas hoje em dia analisando bem, é melhor ter o apoio de poucas pessoas verdadeiras do que de uma massa que não entende nem o que você quer passar em sua música. Tem muita gente que só quer saber de mp3 e tomar cachaça em porta de evento, pra que choramingar pelo apoio de um tipo de pessoa dessa? Ou choramingar pela falta de apoio de brasileiros que tem aquele complexo de que banda internacional sempre será superior, as bandas internacionais tem sim uma puta qualidade, mas também as oportunidades são melhores, aqui tudo é mais difícil então a maioria das bandas fazem seu trabalho na “raça”, pessoas sem maturidade não vão entender isso, então não vale a pena reclamar pela falta de apoio delas!! Pra mim hoje em dia o que realmente vale a pena é se focar naqueles poucos que apoiam e entendem seu trabalho, não importa os números, temos reais apoiadores que se esforçam para adquirir materiais originais, que apoiam bandas em turnê adquirindo merchandising oficial, já teve pessoas de outro estado que veio pra São Paulo só para ver uma apresentação nossa, enfim, temos que nos focar no que realmente importa !
Fazem alguns anos que estive algumas vezes no seu estúdio para assistir aos ensaios e sempre fui muito bem recebido por você e o Count Imperium. Espero poder vê-los em breve. Foi um grande prazer poder realizar esta entrevista e agradeço toda sua atenção sempre muito especial… Um grande Hail à você!D. Profaner – Agradeço pelo espaço cedido para eu expor um pouco das minhas opiniões! Valeu pelo seu verdadeiro apoio e suporte ao Ocultan e Khaotic! Agradeço à todos os reais guerreiros que vem apoiando meus trabalhos, mantenham a chama negra sempre acessa!!!
Abaixo o Vídeo Clip Oficial da música “Post Mortem”, álbum: Ars Obscurum, Ad Cultus Mortem.
https://youtu.be/pGLdtmbI5FY
Ad Baculum: Lunatic, Lord Hades e Inquisitor. Foto: Divulgação
Os Soteropolitanos do Ad Baculum vem conquistando legiões de fãs por todo mundo com uma sonoridade autêntica. Isso nos mostra que o Negro Underground brasileiro está muito vivo e se espalhando pelos quatro cantos do planeta. Gentilmente os membros, Lord Hades e o Inquisitor, nos falam à respeito de toda história do passado e do presente da banda, suas experiências nos shows, suas influências e também suas aspirações para o futuro. Com exclusividade a banda revela o título do seu mais novo trabalho, “Birth of Human Tragedy” que está em processo de produção com previsão de seu lançamento em 2019.
Você com certeza é um dos percussores do Metal Negro na américa do sul, você foi o primeiro vocalista do grande Mystifier e outrora era chamado como Meugninuosoan, como ainda é conhecido por uma legião de seguidores. Como se deu o fato de trocar o pseudônimo? foi por causa do contexto musical/ideológico da banda?LORD HADES: Saudações à todos os Death Black Metal maníacos ao redor do mundo!!!
Na verdade, éramos 4 garotos malvados, Eu, e o Beelzebubth fundamos a banda e depois vieram Behemoth e Lucifuge R. pra completar o tormento! A primeira apresentação da banda foi uma loucura. Foi em um festival patrocinado pela prefeitura em que qualquer banda poderia subir no palco e mostrar seu som. Quando entramos em ação as pessoas ficaram horrorizadas em ver cruzes invertidas, pregos, correntes e sangue de animais no palco. Logo começou a rolar brigas no público causada pela energia negativa e clima de podridão no ar.
Eu saí do Mystifier por problemas pessoais e profissionais, mas depois do Mystifier e Necrolust, eu ainda criei outro projeto, o Ritual. Fizemos algumas apresentações, porém, os outros membros não se mostraram interessados em continuar e a desgraça acabou.
O meu pseudônimo agora é Lord Hades, e o significado dispensa comentários já que é bem conhecido entre os apreciadoras da antiga mitologia grega.
Com o Mystifier fez grandes trabalhos e na minha opinião o disco mais importante do Black Metal sul americano, o álbum Wicca. O Ad Baculum tem uma sonoridade autêntica, muito diferente dos seus trabalhos no passado. A aspiração de fazer o som que faz hoje já vinha desde o passado?
LORD HADES: As composições do Ad Baculum atualmente soam muito diferente do antigo Mystifier. Minhas inspirações são variadas, não me prendo à modismos. É tanto que o Ad Baculum está na contramão de outras bandas do estilo que vemos por aí. Estamos adentrando um clima mais mórbido, um clima chegando no Morbid Black Death Doom.
Foto: Divulgação
O Ad Baculum inicialmente foi idealizado para ser um projeto com apenas um membro, você. Como surgiu a ideia de tornar o Ad Baculum uma banda?LORD HADES: Quando eu pertencia ao Mystifier eu colaborava com letras, mas o instrumental eu não fazia. Na mesma época eu cantava e fazia bateria no Necrolust, mas os compromissos com o Mystifier fizeram com que eu me afastasse do Necrolust.
Agora com o Ad Baculum, nas gravações, sempre toco todos instrumentos exceto a bateria. Atualmente encontro-me extremamente satisfeito com o Ad Baculum em formato power trio tornando-se uma banda. Após conhecer o Inquisitor, passamos som juntos e percebi o potencial do Ad Baculum como uma banda. Convidamos o Splatter como baterista e começamos a fazer apresentações. Fiquei bastante satisfeito com o resultado. Após algumas mudanças, hoje somos Eu, Inquisitor e Lunatic a formação oficial do Ad Baculum.
Inquisitor, você participou de grandes bandas como o Poisonous com características muito diferenciadas. Como está sendo a experiência de estar no Ad Baculum?
INQUISITOR: A experiência de fazer parte do Ad Baculum é das melhores possíveis. Eu sempre fui um maníaco por Death Black Metal!!!! Eu já era fã da banda antes mesmo de fazer parte dela. Hoje, ajudo o Lord Hades a dar forma às músicas do Ad Baculum. Isso para mim é uma verdadeira honra!!! HAIL SATANÁS!!!
É notório que a banda tem uma identidade única em suas composições. As composições ficam unicamente centradas no Lord Hades ou hoje como uma banda, todos compõem juntos?LORD HADES: Eu componho as letras do Ad Baculum, faço também as linhas musicais. Após isso, Inquisitor vem e dá uma forma mais nítida e brutal nas músicas.
Foto: Divulgação
A banda até este momento tem 5 trabalhos e 1 ao vivo. A divulgação tem sido satisfatória? está havendo distribuição fora do país?INQUISITOR: Sim, com certeza. Temos uma aceitação muito boa fora do Brasil. Temos também uma gravadora extremamente competente que lançou nosso último álbum, a Brazilian Ritual Records que espalha suas pragas por todo o continente. Estamos em negociação também com a Regain Records da Suécia para relançar nosso último álbum nos EUA e Europa.
Pode ser em qualquer lugar do mundo com separatismo ou não eles vão ter que nos engolir!!! Somos negros, nordestinos e fazemos o real e autêntico Death Black Metal doa a quem doer! Eles aceitando ou não! Fodam-se!!!
O último álbum “Summe Potens & Callidus” lançado em 2017 teve ótima repercussão entre os seguidores, cheguei a ouvir que este até o momento é o melhor álbum da banda. Na opinião de vocês este de fato é o melhor álbum da banda?LORD HADES: Não acho esse o melhor álbum da banda, eu gosto muito do clima caótico do Morbid End of Cannibalistic Cosmos e também gosto da evolução musical do Opening the Abyss, já que iniciamos à partir desse trabalho como uma banda e não mais como um projeto “one man band”.
INQUISITOR: Gosto muito do resultado do que fiz no Summe Potens & Callidus, mesmo não tendo tempo hábil para ter criado mais nele. Mas os meus álbuns prediletos do Ad Baculum são o Blackness Doctrine e o Opening the Abyss.
As capas de todos os álbuns são muito bem feitas. De quem vem as ideias para criação destas artes?LORD HADES: Quem construiu o logo foi o famoso artista mexicano Alemsahim. A capa do ” Blackness Doctrine” é de autoria do francês Chris Moyen. O álbum Abstract Abysmal Domain teve a capa feita pelo italiano Ahrin Von Past. No “Morbid End…” eu mesmo fiz a montagem para a capa. O “Opening the Abyss” tem na capa uma pintura do artista medieval Paul Gustave Dore, 1869. Que desenhou as ilustrações para o livro A divina Comédia, de Dante Alighieri. O álbum “Summe Potens & Callidus” tem a capa feita pelo paulista Natan Viana.
Foto: Divulgação
Já existe um novo trabalho a caminho? pode nos falar um pouco a respeito?LORD HADES: Sim, já estamos em estúdio compondo material para nosso próximo álbum. Eu e o Inquisitor já começamos a dar forma às músicas. Lunatic também já está criando a bateria. Posso adiantar que serão 9 faixas do mais puro Black Death Doom Metal soteropolitano cheio de ódio!!! Vou adiantar para vocês também o título do álbum que se chamará “Birth of Human Tragedy”.
Você vem se mantendo fiel ao estilo e toda sua ideologia por todos esses anos, o que é louvável. Como você enxerga hoje o cenário como um todo?LORD HADES: Atualmente gosto muito das cenas do Chile e Grécia. No Brasil, nos anos 80, Belo Horizonte em MG, tinha maior cena que revelou bandas de potencial internacional. Atualmente está muito decadente. Nos anos 80 tínhamos muitos problemas com brigas sangrentas com punks e carecas nacionalistas aqui em Salvador. Mas, atualmente, esses movimentos políticos têm bem menos notoriedade aqui na cidade. Foram exterminados até o último homem. Só o que resta é o império do metal underground!!!
Aqui no estado tem surgido bandas de potencial muito grande como: Escarnium, Poisonous, Morbid Perversion, Putrid Sêmen entre outras que não vêm à mente no momento. Além das já renomadas de outrora como: Headhunter DC, Bennemerinnen, Deformity BR entre outras que infestam nossa terra de peste negra!!!!
Os álbuns são bem conceituais, as letras são muito bem escritas. Quais são suas inspirações na hora de escrevê-las?LORD HADES: Minhas inspirações vêm do meu interesse por antigas civilizações e o lado obscuro do cosmos. Ainda acrescento o que tem de pior na natureza humana em minhas composições, alertando o quanto decadente é a nossa civilização ao ponto de tornarmo-nos criaturas parecidas com pragas nas plantações.
Foto: Divulgação
Durante a carreira do Ad Baculum houve uma mudança intensa de selos, vocês lançaram seus álbuns pela Undercover, Craneo Negro, Hammer of Damnation e Brazilian Ritual Records. Como foi a relação da banda e os selos? O novo trabalho já tem o selo definido para o seu lançamento?LORD HADES: Muitos selos nos procuram para lançar nossos álbuns. Damos prioridade aos mais comprometidos com a causa underground, que é a nossa cena. Temos sempre uma ótima relação com esses parceiros que se interessam em espalhar nossas pragas em forma de música pelos 4 cantos desse local imundo chamado de planeta terra.
No momento estamos em negociação com alguns selos para o lançamento do nosso próximo álbum em 2019.
Quais são suas principais influências?LORD HADES: Minhas influências são os primórdios do metal maldito feito nos anos 80. Acho que isso é o bastante!
INQUISITOR: Black Sabbath, Slayer (old), Possessed, Celtic Frost (old), Warfaire Noise 1 Compilation entre outros!!!
Quantos aos shows, vocês já tocaram em diversos estados brasileiros e inclusive participou da 4º edição do importante festival Brazilian Ritual onde foi feito um registro ao vivo da banda. Como foram os preparativos e a produção para este registro?INQUISITOR: A experiência de fazer parte do cast do festival Brazilian Ritual em São Paulo foi diabólica. Experiência ímpar! O idealizador do festival, Eduardo Beherit é um verdadeiro guerreiro da cena underground brasileira. Fomos muito bem recebidos até o último momento pela produção do evento! Só temos a agradecer ao idealizador desse festival e desejar que venham vários outros!!!
Foto: Divulgação
Como tem sido a receptividade da banda nas cidades por onde passaram? Já houve algo vocês desaprovaram?LORD HADES: Até o momento só fizemos shows fudidos ao redor do Brasil. São Paulo, Aracaju e Rio Grande do Sul ofereceram as melhores estruturas para o Ad Baculum até o momento.
Vocês pretendem divulgar o trabalho que está sendo concebido em uma turnê internacional?LORD HADES: Sim, com certeza! Estamos recebendo algumas propostas e avaliando as melhores formas para podermos espalhar nossa praga em outras civilizações!
Tenho muitos contatos em muitos países e principalmente os amigos que estão espalhados por toda américa do sul me perguntam sempre sobre vocês. Existe uma pretensão de visitar os nossos países vizinhos e sanar a grande vontade que os nossos Hermanos têm de vê-los ao vivo?LORD HADES: Temos um grande interesse em excursionar pelo nosso continente sul americano. Ouço muitas bandas desses países e eles respiram o verdadeiro underground! Espero que em breve nos convidem para fazer alguns rituais por essas terras!!!
Quais são as aspirações da banda para o futuro?INQUISITOR: Vamos continuar trabalhando até o último suspiro e fazer nosso trabalho em nome da maldição e da intolerância! Nosso principal argumento é: falar menos e fazer mais!!! Por isso já estamos dando forma ao novo álbum.
Meus amigos, eu agradeço muito a entrevista cedida e por toda atenção. Um forte abraço a vocês…LORD HADES: O Ad Baculum é que agradece o espaço cedido, Eden! Um grande hail à Roadie Crew e aos leitores maníacos por metal maldito!!!!
Enquanto o novo álbum da banda ainda está sendo produzido ficamos aqui com duas músicas escolhidas pelo próprio Inquisitor para completar esta entrevista. São elas: The Man Who Defied God (Lyric Vídeo) e “Babylonia in Blood”.
Com 26 anos na estrada o Malefactor está divulgando seu mais novo trabalho, Sixth Legion. O melhor álbum da carreira nas palavras do Lord Vlad, fundador da banda. Nesta entrevista o Lord Vlad nos conta as dificuldades, seu ponto vista e um pouco de toda trajetória do Malefactor até hoje. Banda ao qual se tornou de fato uma das mais importantes em nossa cena e percussores de um estilo musical único. E que ainda este ano nos presenteia com um documentário em vídeo sobre todos esses anos de muita luta e vitórias, já com o título revelado “MALEFACTOR – 25 anos sob a a Lei da Espada”.
Lord Vlad, Foto por: Steph Ciciliatti
Lord Vlad, O Malefactor ao longo desses muitos anos de existência se tornou indubitavelmente um dos maiores nomes do estilo no Brasil. Como você vê toda essa trajetória?Lord Vlad – Saudações aos leitores da Roadie Crew. Muito obrigado pelas palavras. Temos trabalhado duro por 26 anos, mesmo com momentos mais confusos. Agora as coisas estão mais ajustadas e boa parte dos unholy metallers tem entrado em contato com nossa arte, e mesmo após quase 3 décadas de música profana, muitos brasileiros ainda não nos conhecem ou não deram atenção por não esperarem ouvir este tipo de metal no Brasil. São os problemas de morar numa parte do país estigmatizada e da visão de parte da cena de que os gringos merecem mais do que os nossos conterrâneos. Nossa trajetória é pra lá de vitoriosa. Começamos aqui, com poucos recursos, péssimos equipamentos, dificuldades enormes para conseguir discos e fitas antes do advento da internet. Somos de outra época, e temos acompanhado as mudanças, mas sem abandonar os princípios básicos. Ouvimos e falamos sobre metal todos os dias. Como não temos tempo mais de nos vermos todo dia (ainda bem), agora temos recursos nos nossos próprios smartphones que travam, por onde conseguimos organizar tudo, além de falarmos as merdas e os bullyings habituais. Olho pra trás, sinto orgulho de quase tudo, e prosseguimos, mesmo sabendo que escolhemos muitas vezes os caminhos mais difíceis para manter nossos espíritos conectados ao cenário underground mundial. 26 longos anos. E ainda estamos aqui. HAIL!!!
Sixth Legion – 6º álbum da banda.
O Sixth Legions acaba de ser lançado e apresentou o Malefactor como um trio. Como foi essa transição devido a saída do Alexandre Deminco, Chris Macchi e o Roberto Souza?Lord Vlad – Do ponto de vista musical, as coisas estavam cada vez mais desinteressantes. A gota d’água foi a pré-produção do disco, quando eu, Danilo e Jafet passamos a compor e notamos que os outros integrantes não estavam tão satisfeitos com as músicas novas e o direcionamento mais direto. Danilo e Jafet já estavam tocando em outras bandas, eu também passei a fazer parte de outro projeto chamado Born in Black, e o Malefactor cada vez mais ganhava ares de um hobby. Estávamos nos tornando uma banda de ensaio e disco, sendo que sempre fomos uma banda de shows. Foram 8 anos tocando e ensaiando antes de gravar o primeiro disco, porque foi o que sempre gostamos de fazer. Tocar. Infelizmente tivemos que nos separar, e desejamos aos outros ex-integrantes tudo de melhor. São músicos com seus corações ligados ao metal, e espero que não parem de tocar, juntos ou com outras pessoas. Sempre terão nosso apoio. Agora estamos renovados e focados em produzir mais álbuns e fazer mais turnês. Esta é nossa meta.
Acompanho a carreira de vocês desde o início, no começo da banda você além de vocal era guitarrista e hoje assumiu o baixo. Houve alguma dificuldade nessa adaptação?Lord Vlad – Eu toquei guitarra no Malefactor somente durante 1 ano na verdade, logo no começo. Para quem não sabe eu fiz um show como baixista em 92 na Ossos do Ofício, uma banda que o Danilo montou no final da década de 80 para tocar rock e depois passou a tocar metal e acabou em 94/95. Tive um pouco de dificuldade para voltar a tocar e cantar, mas sempre toquei em casa. Sempre fui um dos compositores do Malefactor e algumas pessoas acham que é meio inexplicável eu aparecer tocando e cantando, principalmente algumas partes mais complexas. Eu poderia aproveitar o marketing como algumas bandas e dizer que foi Satã que me presenteou e aprendi em uma semana. Mas a verdade é que toco guitarra e baixo a vida toda, mesmo que não com tanta seriedade quanto toco atualmente. Confesso que hoje me sinto mais à vontade no palco do que antes.
Danilo Coimbra, Foto por: Steph Ciciliatti
Ao ouvir o novo CD fiquei impressionado com as composições. Você acha que isso pode ser resultado de um amadurecimento musical? E talvez por causa de até então estarem como um trio e fez com que as ideias e propostas ficassem concentradas unicamente em vocês?Lord Vlad – Você foi ao ponto correto. Menos pessoas opinando, as coisas fluíram mais rápido. Fato que nós 3 sempre fomos os compositores das estruturas principais das músicas, embora os outros sempre estivessem no processo. Agora não temos mais que discutir tanto. As vezes eram horas discordando sobre um riff. Agora é tudo mais rápido. Não preciso mais jogar um riff fora porque alguns acham black metal demais ou de menos. Não precisamos mais nos preocupar se está lento demais ou rápido demais. Todo um novo horizonte se abriu para as composições e mesmo para uma banda sem um rótulo claro como o Malefactor, ainda estávamos presos a questões de “isso não parece Malefactor”. Agora podemos soar mais brutais e mais técnicos.
Sixth Legion tem o lirismo muito mais negro que os álbuns anteriores, um trabalho que pode ser considerado Death/Black. Você como principal compositor pode nos falar quais foram as influencias que resultaram nestas letras tão intensas?Lord Vlad – Sempre fomos bastante abertos em relação aos temas. Se você analisar friamente, verá que Satã, Magia Negra, Guerra e História Antiga sempre estiveram presentes em todos os nossos discos (eu sou historiador). Talvez a sonoridade mais crua e direta traga um pouco mais essa percepção ao ouvinte, mas desde sempre procuramos estar no lado obscuro do metal. Pela musicalidade mais porrada, talvez este disco soe ainda mais macabro e satânico. Mas sempre foi nossa veia lírica. Basta olhar os titulos de várias musicas antigas desde as demo-tapes: ”Malleus Maleficarum”, “Under The Black Walls of Hell”, “Old Demons”, “666 Steps to Golgotha”, “Trevas”, “Goat of Mendes”. Você não é o primeiro que fala isso, mas ao meu ver, a trilha sonora trouxe a tona a parte mais satânica de nossas letras, mas elas sempre estiveram lá. Utilizar de forma real temas assim fazem com que a musica deixe o ouvinte desconectado deste mundo material. Sempre recomendo que as pessoas abram um vinho, acendam uma vela, apaguem as luzes e se conectem aos nossos discos. A forma de ouvi-los será outra. A magia acontece e a música é o canalizador.
Jafet Amoedo, Foto por: Carlos Figueiredo
Na opinião de todos que conheço e também de todos que fazem parte desta revista, todos são unânimes em dizer que este trabalho mostra um Malefactor mais visceral, apesar que o álbum Barbarian foi considerado pela nossa revista o melhor da carreira até então, recebendo o merecido selo indicativo como um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos. Você considera este CD um divisor de águas na história da banda, uma superação?Lord Vlad – Foi ótimo você ter tocado nesse assunto. Eu tenho até uma pequena rusga com a revista por este selo. Me sinto entre amigos na Roadie Crew e amigos falam como amigos. Quando ela afirmou isso, colocando este álbum como um dos melhores discos de metal nacional de todos os tempos, me soou muito estranho quando nos esqueceram quando dos 100 melhores discos do metal nacional. Sem citar nomes, mas tem uns discos bem meia boca naquela lista (e ouvi isso de dezenas de pessoas também). Discos que não estariam em lista de melhores nem de 500 discos nacionais. Mas, só posso respeitar as críticas e tentar fazer discos ainda melhores. Vários discos que saíram ali eu assino embaixo. São obras de arte. Mas tem umas bombas ali, muitas empurradas goela abaixo. Eu não acho que modéstia seja uma virtude em todos os casos. Com música não é. Inclusive eu nem acho o “Barbarian” nosso melhor álbum. Acho que já produzimos bons discos, como também já produzimos ótimos discos. Alguns deles, como o “The Darkest Throne” é citado por alguns musicos de outras bandas brasileiras como o melhor disco do estilo na América do Sul. O “Sixth Legion”, com certeza, é um disco divisor de águas, pelo menos na nossa discografia. Espero que ele seja absorvido, afinal somos uma banda de difícil definição quanto a estilo, por metalheads que não ligam se a banda é paulista, carioca, baiana, capixaba. Isso é apenas merda. Somos uma banda do mundo. Como dizia o baiano, e pai do rock do diabo no Brasil, Raul Seixas: “Longe das cercas embandeiradas que separam quintais”.
Lord Vlad, Foto por: Steph Ciciliatti
Alguns anos atrás a banda fez uma tour de muito sucesso na Europa chegando a tocar no principal festival de Metal, Wacken Open Air, que foi na turnê do álbum The Darkest Throne. Para a turnê deste novo trabalho haverá uma turnê pelo velho continente?Lord Vlad – Fomos 2 vezes a Europa nos anos 2000. Da primeira vez tocamos em 3 países, e fizemos tour promocional por mais 3. Muita loucura da idade, amadorismo, coragem e aprendizagem. O Wacken foi um sonho que chegou do nada, através de um convite da Roadie Crew (muito obrigado por isso. Mas ainda to chateado com aquela lista com discos meia boca, hahahahahaah) e hoje, como estamos, sei que teria sido ainda melhor. A produtora de video do Wacken fez uma cagança com nossa filmagem, nos enviando um áudio péssimo e querendo grana por isso. Como nunca fomos deslumbrados, porém educados, dissemos “peguem suas fitas de vídeo e… se divirtam bastante”. Só temos pequenos registros desse show. Parte da equipe da Roadie Crew não conseguiu se credenciar a tempo e perdeu nosso show, por isso não tivemos muitas fotos. Hoje teríamos o show filmado por 500 celulares. Quem sabe não tocaremos lá novamente um dia? É um marco na nossa carreira, mas estávamos mais nervosos do que nos divertindo. O palco estava sem energia quando subimos lá, e faltou pouco para que não desse tudo errado. Faltando 2 minutos, tudo ligou e o show foi foda. Eu via bandeiras de Brasil,Argentina, El Salvador, Espanha, Grécia, Portugal, Reino Unido, Noruega. Um show no Wacken vale por uma tour na Europa inteira.
O Thiago Nogueira é um baterista que dispensa comentários e fez uma participação maravilhosa neste CD. Como surgiu a ideia de gravar com este exímio baterista?Lord Vlad – Nós brincamos, e ele fica todo orgulhoso, de que ele é o Gene Hoglan brasileiro, e seu desempenho neste disco não deixa dúvidas. Thiago vive de música desde adolescente, e sabíamos que ele tinha outros planos e não seria nosso baterista. Hoje ele vive em São Paulo e continua com seus projetos musicais que lhe dão dinheiro para ajudar no sustento da sua família. Antes dele chegar, ficamos sem baterista no meio da gravação do disco. Paramos tudo e decidimos que Thiago seria o baterista ideal naquele momento, já que já tem dezenas de álbuns gravados dentro e fora do metal, o que faria nos poupar bastante tempo e dinheiro também, já que ele é totalmente familiarizado com o processo e entrega a bateria 100% pronta muito rápido. Chegamos a fazer shows maravilhosos com ele, e só temos a agradecer este monstro da bateria. Um grande abraço a nosso irmão Thiago “Bambam” Nogueira, e que ele continue sendo o músico e amigo fantástico de sempre.
Daniel Falcão, Foto por: Steph Ciciliatti
Agora vocês contam com outro baterista de muita técnica e precisão, o Daniel Falcão que integra bandas muito importantes e de renome como Headhunter DC e Insaintification. E com certeza ele é um baterista que sente o feeling de cada banda que toca e executa o trabalho de forma brilhante. Como estão sendo os shows com o Daniel?Lord Vlad – Nós conhecemos Daniel “Beans” Falcão quando ele ainda era adolescente, chegando no metal. Ele é 10 anos mais novo que nós. Mesmo no começo, quando ele tocava heavy/black metal com a Mortify, de sonoridade primitiva, já percebi de cara que ele tinha talento. Ao invés de se acomodar com o talento, ele procurou professores de bateria, estudou muito, e rapidamente se tornou um dos melhores bateristas do Brasil. Hoje temos a honra de termos ele no Malefactor, já que sempre fomos amigos muito próximos e quando o convidamos para ser baterista contratado, o mesmo nos disse já no primeiro ensaio que a vaga era dele e que queria ser efetivado. Tudo que precisávamos. Quando Daniel chegou, nitidamente ele se adequou imediatamente. Quem vai aos shows fala que estamos na nossa melhor fase e a banda cresceu, e não tem tempo ruim com ele.
Voltando um pouco antes, depois do lançamento de Sixth Legions, o Malefactor teve também o suporte do baterista Marcio Jordanne hoje membro da banda de Brutal Death Metal “Devouring”. Em algum momento houve a ideia de efetiva-lo na banda?Lord Vlad – Além de shows com Thiago, chegamos a fazer um show com o Marcio “Firestorm” Jordanne, baterista da Devouring/Proffano e outras bandas, e ele não pode ficar por motivos pessoais. A ideia era termos bateristas contratados até achar alguém que tivesse gostos musicais próximos e gostasse da estrada. Excelente pessoa, e excelente músico. Maquina de tocar death metal. Só temos a agradecer a Márcio também.
Em 2008 dois ótimos álbuns da banda foram relançados e teve a distribuição internacional via Displeased Records, da Holanda. Este novo trabalho está sendo distribuído internacionalmente?Lord Vlad – Nossos discos sempre tiveram uma pequena distribuição lá fora, e nunca soubemos exatamente quantos e para onde estes discos foram. Sempre tivemos uma “caveira de burro enterrada” no que se trata de lançamentos internacionais. Tudo dava sempre errado, talvez por culpa nossa que somos problemáticos na hora de aceitar as condições dos selos, depois de termos problemas enormes com uma de nossas gravadoras no começo de tudo. O “Sixth Legion” acaba de sair na Europa via “Your Poison Records” (Portugal) e Secret Port (Grécia) que já enviaram cópias para vários países europeus e para os Estados Unidos. Estamos viabilizando entrevistas lá fora, para que tenhamos algum suporte midiático para quando voltarmos depois de tantos anos à Europa. A meta é voltarmos ano que vem para a maior turne europeia que já fizemos, além de lançar os álbuns mais antigos lá fora também, em todos os continentes, se possível. Não fomos à Europa, na época do “Anvil of Crom” por inúmeras questões, mas uma delas era a falta de uma gravadora internacional que nos desse suporte. Não queremos voltar só para dizer que fomos. Queremos algo bem organizado e que traga algum retorno para que as tours internacionais voltem a ser uma realidade para nós.
Ví um vídeo muito bem feito da música “Counting Corpses” filmado no maior festival de Salvador, o Palco do Rock. Virá um videoclip para brindar o novo álbum?Lord Vlad – Sim. Para este mês ainda está previsto um lyric video para a faixa “The Styx River” e vamos filmar em breve o video clip para “Sodom and Gomorrah”. Fizemos videos profissionais ao vivo e diferentes tambem para a faixa “Behold The Evil” (Live in Studio Tenda) em Curitiba, para um canal de YouTube, e um video em 360°, no estúdio Tellus em Niterói/RJ, para uma antiga musica “Necrolust in Thulsa Abbey” para que as pessoas pudessem sentir como está esta nova line-up tocando sons antigos.
Em 1999 quando escutei o primeiro álbum “Celebrate Thy War” fiquei bastante surpreso com o Malefactor apresentado neste trabalho, houve um encaixe perfeito entre os vocais ultra guturais e os vocais limpos (clean). Até então não tinha escutado nada parecido. Você acredita que o Malefactor a partir deste trabalho se tornou uma referência para o estilo? Uma quebra de tabú?Lord Vlad – Com certeza. Não tenho a menor dúvida que com as temáticas deste disco e sua sonoridade bastante influenciada pelo Black Metal grego, fomos pioneiros neste metal épico e profano no metal brasileiro. As letras falavam de personagens mitológicos envoltos numa atmosfera de guerra, referentes ao mundo do pré cristianismo, antes do nascimento da Igreja Católica e sua matança com um apetite exterminador de culturas. Começamos a compor este álbum e tocar suas músicas ao vivo em 1996, mesmo ano em que outra banda pioneira trouxe temas diferentes em suas letras, que foi o grande Mythological Cold Towers de SP. A maioria das bandas da época, queriam falar sempre de satanismo e florestas e frio. Junto com o Mythological, Eternal Sacrifice, Miasthenia e algumas outras, começamos a fortalecer temáticas diferenciadas dentro do metal obscuro nacional nessa época. Alguns chamam de pagan, de avant-garde, eu prefiro chamar o Malefactor de epic unholy metal, porque não queremos estar presos à obrigatoriedade de nada em relação às letras. Apenas seguir a realidade das sombras e a ficção em forma de magia da era hiboriana.
Você como um fã do Malefactor nos diga, qual o melhor álbum lançado até agora?Lord Vlad – Sixth Legion. Não tenho dúvidas. É poderoso, infernal e feito num momento em que precisávamos provar para nós mesmos que podíamos ir além com nossa música. Está em nossa alma. É feito de metalheads para metalheads.
O Malefactor vem de uma cidade onde existem grandes nomes como Headhunter D.C., Mystifier e The Cross que voltou à ativa. Como você vê hoje a cena local?Lord Vlad – Temos bandas fantásticas e de variados estilos não só na capital, como em várias cidades do interior. Bandas como Escarnium e Suffocation of Soul que já tem feito turnês pela Europa também, dezenas de bandas lançando demos poderosas e discos metalizados. Meu selo está lançando dois cds coletaneas com 22 bandas baianas, ativas e com gravações atuais no mês que vem. Como você vê, as bandas estão vivas, produzindo. Ao contrário do público que está semi morto. Salvador, e outras cidades, precisa de festivais, urgente. Que tragam bandas de outros estados, que faça grandes confraternizações metálicas como temos visto em festivais que temos tocado pelo Brasil. As 3 bandas que você falou na pergunta são baluartes do metal brasileiro, que influenciaram a muitos por aqui no passado e no presente. Torço muito para que o The Cross alcance um maior horizonte, porque foram a primeira banda de Doom Metal do Brasil, e isso não é pouca coisa. Espero que outras bandas nasçam, como tem ocorrido e continuem a levar o metal da Bahia adiante.
O Danilo Coimbra tem um projeto muito bom chamado Divine Pain que em 2013 lançou o CD Immortality, tendo uma ótima repercussão. Você e o Jafet Amoedo participam de algum projeto paralelo?Lord Vlad – Eu gravei um álbum com o Born in Black, projeto de heavy/doom metal, acompanhado de figuras macabras do metal nacional, que foram os senhores Thormianak (Miasthenia), Alan Sub Umbra (Grave Desecrator), Danilo (Malefactor) e Victor (ex-Miasthenia). O Jafet esteve um período tocando com nossos irmãos da Behavior, que acaba de lançar um ótimo disco de death metal. Danilo segue com o Divine Pain e o Burn in Pain, além de tocar as vezes com a velha guarda do Thrash Massacre e Headhunter DC num tributo ao disco mais fudido do thrash metal, o “Bonded By Blood” do Exodus, o que pra mim é uma ótima desculpa para ficar bêbado e bater cabeça.
É notório que a qualidade do áudio neste trabalho é surpreendente. Como foi a produção deste álbum?Lord Vlad – Demos sorte de ainda estarmos vivos e tocando com essa coisa toda chamada tecnologia, além do trabalho mais que competente do produtor Vicente Fonseca no Estudio do Beco. 20 anos atrás teríamos que gastar 200 mil reais pra termos esta qualidade de gravação. Hoje a facilidade de se trabalhar num estúdio, com um técnico que entende de metal, é uma realidade e muitos discos brasileiros não devem nada a ninguém. A tecnologia global nos possibilitou isso, o que por outro lado, se não tivermos cuidado, acaba fazendo com que milhares de bandas soem iguais em estúdio, com seus sons de bateria e guitarra copiados de outras bandas. Eu não quero soar igual a ninguém. Meus discos preferidos tem sonoridades próprias. Esse padrão europeu de gravação de bandas mainstream acabam pasteurizando o metal. Mas isso é opinião minha, não sei o que os caras pensam sobre isso. Eu sou rabugento.
O trabalho gráfico neste cd também não ficou para trás, a capa traduz perfeitamente todo conteúdo lírico do álbum. Este trabalho ficou a cargo de quem?Lord Vlad – Decidimos fazer um trabalho mais simples, mas ainda assim que chamasse atenção. Pedimos ao Rodolfo Ferreira, do Dark Tower, pois piramos na arte que ele fez para a própria banda dele. Adoro essa capa e não vejo a hora de ve-la em vinil. Quem sabe não saia em LP?
Agora pelo que vejo as energias da banda estão concentradas na divulgação deste novo trabalho. Mas já há possibilidade de mais um novo trabalho em breve?Lord Vlad – Acredito que até final de 2019 já teremos composto bastante coisa, para fazermos um disco com Daniel e ele se sentir de vez em casa. Até lá estaremos empenhados em tocar o máximo possível, e fazer outros vídeos para a divulgação do “Sixth Legion”. Além disso, no segundo semestre de 2018 sai o documentário “MALEFACTOR – 25 anos sob a a Lei da Espada”, que ficou FODA !! Trabalho magistral de Sergio Franco. Esperamos que ele consiga inscrever o filme no maior número de festivais possíveis.
Foi um imenso prazer poder conversar com você e que logo o Malefactor passe novamente por aqui…Lord Vlad – Prazer foi meu Eden. Bom receber boas notícias suas, que foi vocal do Mortius na Bahia na década de 90. Estamos espalhados, estamos vivos. Um abraço a todos na Roadie Crew. Temos muitas lembranças boas com todos vocês. STAY EVIL!
Veja o vídeo de “Counting Corpses” gravado no maior festival de Salvador, Palco do Rock, em 2017.