Filme “Behind the Mask” revisita memórias e bastidores de 40 anos do MEGADETH e apresenta o novo álbum

Por Leandro Nogueira Coppi O Megadeth está lançando nesta sexta-feira, 23 de janeiro, seu novo e homônimo álbum — curiosamente na mesma data em que se completam 35 anos da estreia da banda no Brasil, ocorrida durante a segunda edição do festival Rock in Rio, que também contou com apresentações de Guns N’ RosesJudas PriestQueensrÿcheSepultura Lobão. Antecedendo a chegada do disco, o filme Megadeth: Behind the Mask, distribuído pela Trafalgar Releasing, estreou na última quinta-feira (22) em mais de mil salas de cinema espalhadas por mais de trinta países, incluindo o Brasil.    

Na tela, Dave Mustaine assume o papel de guia e narrador de sua própria trajetória. O filme se estrutura como uma viagem cronológica por mais de quatro décadas de história do Megadeth, costurada com um detalhado track by track do novo álbum. Cada faixa é apresentada integralmente e com as letras sendo reveladas de modo sincronizado. Ao final de cada uma, Mustaine comenta sobre como aconteceu o surgimento da música, além de detalhar as estruturas instrumentais e conceitos líricos, transformando a sessão em uma audição comentada do disco. Tipping Point I Don’t Care são apresentadas por meio de seus videoclipes. Apesar de também ter ganho clipe, Let There Be Shred é exibida com imagens antigas da banda e de flyers de shows. As demais músicas são mostradas no modelo lyric video.

A narrativa do filme, no entanto, vai muito além da música. Há espaço para curiosidades de bastidores, reflexões sobre decisões criativas, contratuais e de relacionamentos, e até momentos de leveza, nos quais Mustaine demonstra um senso de humor sarcástico, capaz de arrancar risadas da plateia. Mas é nos trechos mais pessoais que o filme encontra seu maior impacto emocional.

Um dos momentos mais difíceis de assistir é quando ele relembra a morte de Cliff Burton, ex-baixista do Metallica, vítima de um acidente de ônibus em 1986. Mustaine conta que a notícia não chegou até ele por meio dos antigos colegas de banda, mas pela amiga Maria Ferrero — profissional ligada à gravadora Megaforce Records e figura conhecida nos bastidores do metal naquela época — o que deixou uma marca profunda de mágoa que ainda ecoa em seu relato.

O filme também mergulha em um período particularmente delicado de sua vida familiar, vivido durante as gravações do álbum Super Collider. Mustaine relata como enfrentava, simultaneamente, o desaparecimento da sogra, que sofria de Alzheimer e acabou sendo encontrada morta, a progressão da mesma doença no sogro e o diagnóstico de Parkinson de uma de suas irmãs. São relatos duros, apresentados com uma honestidade que torna difícil não se emocionar.

O desfecho do filme aposta justamente nessa carga sentimental. Enquanto a letra de The Last Note ocupa o telão, Mustaine prepara o terreno para uma mensagem direta aos fãs, em tom de agradecimento e despedida. Antes disso, ainda há espaço para comentar a tão aguardada faixa bônus Ride the Lightning, um cover do Metallica que ele relembra ter composto quando ainda fazia parte da banda — um elo simbólico entre passado e presente.

No balanço geral, Megadeth: Behind the Mask não evita episódios incômodos nem conflitos mal resolvidos, mas também não se resume a ressentimentos. Mustaine reconhece e elogia diversos músicos que passaram pela banda ao longo dos anos e conclui que sua saída do Metallica, apesar de traumática, acabou sendo benéfica para todos os envolvidos. Segundo ele, eram jovens sem rumo, dominados pelo álcool e sem perspectivas claras, que acabaram encontrando sucesso, reconhecimento e estabilidade por caminhos diferentes dentro da música.

*Behind the Mask será reexibido neste sábado (23).

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