DROPKICK MURPHYS

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Se existe uma banda que vem se destacando nos últimos anos por apresentar uma sonoridade diversificada, original e com muito peso – principalmente ao vivo –, ela atende pelo nome de Dropkick Murphys. Natural de Boston, Massachusetts (EUA), o grupo liderado pelo baixista e vocalista Ken Casey faz uma mistura sensacional entre punk, hardcore e a tradicional música celta, que abusa de gaitas de foles e outros instrumentos muito interessantes.

Na ativa desde 1996, a banda trouxe à América do Sul a turnê de divulgação de seu oitavo registro de estúdio, Signed And Sealed In Blood (2013), que assim como todos os álbuns anteriores manteve o nível acima da média. Com todos estes ingredientes e na expectativa por um grande espetáculo, afinal também se tratava da primeira apresentação no Brasil, cerca de 2.000 pessoas lotaram o Via Marquês, em São Paulo, para cantar, pular e beber cerveja como irlandeses loucos durante uma hora e meia. Vale destacar que o mesmo local recebeu um show extra no dia seguinte devido à enorme procura de ingressos que fez do evento “sold out”.

A abertura ficou a cargo do Belfast, grupo paulistano formado por Douglas (vocal), Marcelo (vocal), Soleta (baixo), Índio (guitarra) e Hiro (bateria). Fundada em 2011 com influência de nomes como Old Firm Casuals, US Bombs e Booze & Glory, a banda recentemente saiu na coletânea Para Incomodar – Street Punk Brasil Vol. 1, que será lançada oficialmente no dia 12 de dezembro pelo selo Semper Adversus em conjunto com a HeartsBleedBlue. A música “Trágico” – uma das faixas da compilação – esteve presente no repertório curto e direto, de aproximadamente 35 minutos, que rendeu algumas rodas na pista e fechou o esquenta com boa recepção do público.

Pouco depois das 21h, sob fortes gritos de “Let’s Go Murphys!”, Ken Casey (baixo, vocal), Al Barr (vocal), Matt Kelly (bateria), James Lynch (guitarra), Scruffy Wallace (gaita de fole, flauta), Tim Brennan (guitarra, acordeon, teclado) e Jeff DaRosa (banjo, mandolin, violão) subiram ao palco ainda escuro e com uma bandeira ao fundo para dar início a um dos fortes candidatos a “show do ano” no país.

Logo de cara com “The Boys Are Back”, canção presente em Signed And Sealed In Blood, seguida por “State Of Massachusetts” (The Meanest Of Times, 2007), a celebração geral em clima de festa tipicamente irlandesa com altas doses de punk/oi! deixou claro como seria o decorrer da noite, que ainda contaria com mais 25 músicas de todas as fases da carreira. O repertório foi escolhido cuidadosamente, já que a apresentação seguinte fora divulgada com um set list alternativo. Por este motivo deram às caras “Sunshine Highway”, do álbum The Warrior’s Code (2005), e “Working”, cover do lendário grupo britânico Cock Sparrer.

Mostrando ser também o mestre de cerimônias da noite, Ken Casey foi responsável por proporcionar momentos emocionantes ao cantar músicas como “Johnny, I Hardly Knew Ya”, “Fields Of Anthery” e “Rose Tattoo”, que foi tocada em versão prolongada. Já na voz de Al Barr, que interagiu com o público o tempo todo e não cansou de correr de um lado para o outro um segundo sequer, vieram outros pontos altos como em “Do Or Die” e “Barroom Hero”, petardos extraídos de Do Or Die (1998) – disco que tinha como vocalista Mike McColgan (Street Dogs). Mas quando ambos resolveram dividir a tarefa, o caldeirão literalmente ferveu durante “Going Out In Style”, “Forever”, “The Irish Rover” e “I’m Shipping Up The Boston”. A última, inclusive, ficou mundialmente conhecida por fazer parte da trilha sonora do filme Os Inflitrados (The Departed, 2006) de Martin Scorsese.

Após uma breve pausa, o Dropkick Murphys retornou para continuar o longo repertório com “Worker’s Song”, de Blackout (2003). Do mesmo álbum, “Kiss Me, I’m Shitfaced” contou com a presença de muitas mulheres que estavam na pista e puderam subir ao palco para se divertir enquanto Casey dominava o microfone ao melhor estilo cafajeste canastrão. Na sequência foi a vez dos homens completarem a bagunça em “Skinhead On The MBTA” com direito a “Oi! Oi! Oi!” em uníssono durante o refrão para resumir o espírito da noite, que ainda teve tempo para dois covers: “T.N.T” do AC/DC e “Alcohol” (Gang Green).

Sem deixar o palco os integrantes da banda se mostraram pacientes e atenciosos ao atender pedidos de autógrafos e fotos, provando que é possível ter qualidade musical de sobra sem se perder na arrogância de muitos considerados “astros do rock”.

Set List – Dropkick Murphys 01. The Boys Are Back 02. State Of Massachusetts 03. Sunshine Highway 04. (F)lannigan’s Ball 05. Johnny, I Hardly Knew Ya 06. Working (Cock Sparrer cover) 07. The Gang’s All Here 08. Fields Of Athenry 09. Boston Asphalt 10. Prisoner’s Song 11. Walking Dead 12. 10 Years Of Service 13. Pipebomb On Lansdowne 14. Going Out In Style 15. Warrior’s Code 16. Shattered 17. Forever 18. The Irish Rover 19. Rose Tattoo 20. Do Or Die 21. Barroom Hero 22. I’m Shipping Up To Boston 23. Workers’s Song 24. Kiss Me, I’m Shitfaced 25. Skinhead On The MBTA 26. T.N.T. (AC/DC cover) 27. Alcohol (Gang Green cover)