“Tocar no Abril Pro Rock foi mais uma enorme conquista do Uganga nesse ano que está sendo muito especial pra gente. Ainda mais considerando o quadro deprimente que o país se encontra.”
Não é nada fácil para um músico como Manu “Joker”, autor da frase acima, permanecer por tantos anos no segmento do rock/metal autoral com a mesma vontade e relevância. São tantos desafios! E existem atalhos que muitos não hesitam em tomar! Manu poderia ter escolhido se apoiar no seu passado com o Sarcófago. Ou talvez ter montado uma banda cover? A verdade é que só com o Uganga foram mais de 25 anos, cinco álbuns, um DVD, duas turnês pela Europa e centenas de shows por quase todas as regiões do Brasil. E há certos momentos que são especiais. Receber a ligação da produção do Abril Pro Rock convidando o Uganga para se apresentar na edição desse ano foi um deles. É quando Manu “Joker” olha para o passado e reconhece: “Valeu a pena!”
“Desde a antiga revista Bizz que acompanho a evolução desse que é um dos maiores festivais do Brasil. E agora é a nossa vez de mostrar nosso trabalho nesse palco sagrado. O rock tá em baixa, a modinha impera? Foda-se! É nessas horas que roqueiros de verdade devem arregaçar as mangas e ajudar e reerguer o estilo, como já fizemos em tantas outras vezes. Espero celebrar a música pesada e a liberdade artística com nossos irmãos e irmãs do nordeste no dia 28 de Abril. Estamos na pilha!”
O Uganga se apresenta no Abril Pro Rock em meio às gravações de seu novo disco, “Servus”. Com produção do próprio vocalista Manu “Joker” e de Gustavo Vazquez, o quinto álbum de estúdio do Uganga, sucessor do aclamado “Opressor” (2014), está sendo financiado pelo Wacken Foundation, organização alemã sem fins lucrativos idealizada em 2008 pelos produtores do Wacken Open Air (W:O:A) e que apoia projetos de hard rock e heavy metal de todas as partes do mundo, e também pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) de Uberlândia, Triângulo Mineiro, de onde a banda é originária.
Realizado desde 1993 em Recife/PE, o Abril Pro Rock é um dos mais tradicionais festivais de música em atividade na América Latina!
Neste ano são dois dias de festival, 27 e 28 de Abril. O show do Uganga acontece no segundo dia, sábado, quando também se apresentam Moonspell, Immolation, Heavenless, entre outros.
“O Uganga já estava na nossa lista há alguns anos. Como costumamos falar, bateu na trave algumas vezes, mas agora deu certo! Fora que tinha vários fãs pedindo! Temos certeza que será um grande show.”, afirmou a produção do festival.
Entre outras novidades, o DVD “Manifesto Cerrado”, lançado recentemente em versão digital, já está em processo de prensagem e vai ganhar sua edição física em Abril. Lançado para celebrar os 20 anos de carreira do grupo, “Manifesto Cerrado” reúne um documentário de longa-metragem que conta a história da banda e um show inédito realizado na histórica estação ferroviária Stevenson em Araguari/MG. “Manifesto Cerrado” foi financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) de Araguari/MG e o seu lançamento online, totalmente gratuito, é uma tentativa de ampliar e democratizar o acesso ao material produzido.
Assista abaixo online o documentário.
Assista também o show na estação ferroviária Stevenson: https://youtu.be/vMtQBqmoNrM
Bandas como a holandesa EPICA costumam deixar saudade após passarem pela sua cidade. Existe algo na música e na postura dessa banda que encantam os ouvintes, que fazem com que os fãs sempre queiram mais discos, mais clipes, mais músicas, mais shows. A coisa até poderia ser entendida como exagero, não fossem as apresentações sempre lotadas, ou melhor, entupidas de fãs, a cada nova passagem por São Paulo. Desta vez, claro que não foi diferente. Cerca de dois anos após sua última passagem por aqui, ocorrida no seu próprio festival, o EPIC METAL FEST – quando a banda foi acompanhada por TUATHA DE DANANN, PROJECT46, THE OCEAN, XANDRIA, FINNTROLL e PARADISE LOST – desta vez a banda veio para uma apresentação ‘solo’, que não contaria sequer com um ato de abertura. E, convenhamos que ninguém ficou realmente decepcionado com isso, já que o público sabia muito bem quem gostariam de ver ao vivo.
Ansiedade, empolgação, interesse e até mesmo um pouco de curiosidade. As emoções eram tão variadas quanto o próprio público, onde alguns estampavam na cara a felicidade de ‘reincidentes’ em shows do EPICA, enquanto outros mostravam aquela feição típica do triunfo dos que têm a chance de ver a sua banda do coração pela primeira vez. A entrada de Simone Simmons como sempre foi a mais comemorada, mas nada poderia superar a onda de euforia dos que presenciaram a abertura da apresentação com Edge of the Blade, que, seguindo a tradicional abertura com a intro Eidola, deu a cara do que seria este show. De The Holographic Principle (2016) para The Phantom Agony (2003) em pouco menos de cinco minutos, Sensorium comprovou que os 13 anos que separam as duas composições trouxeram muita evolução para o EPICA, e também que essa evolução em nenhum momento ‘maculou’ a sonoridade da banda, como é tão comum perceber por aí, especialmente em apresentações ao vivo, que colocam o clássico e o novo lado a lado, em um momento de decisivo julgamento dos fãs.
Menos mal para os holandeses, que seguiram sua apresentação triunfante com a nova Fight Your Demons (The Solace System, EP, 2017) e Unleashed (Design Your Universe, 2009), sempre com a mesma empolgação – quem acompanhou a movimentação do guitarrista/vocalista Mark Jansen e do tecladista Coen Janssen entenderá perfeitamente o que quero dizer – o que arrancava um misto de aplausos e berros eufóricos da plateia em cada intervalo. Até aí, tudo estava muito bom, mas o caro leitor sabe aquele momento da briga em que um dos brigões tira a camisa? Sim, o famoso momento ‘agora a porra ficou séria!’.
No caso da apresentação das apresentações do EPICA em São Paulo, isso quer dizer uma coisa: a sequência Chasing the Dragon (The Divine Conspiracy, 2007) e Storm the Sorrow (Requiem for the Indifferent, 2012) estava chegando. Difícil dizer o sentimento despertado nesse momento, realmente difícil. Muita emoção era despertada em cada verso da canção, e a banda soube usar a empatia a seu favor, entrando na mesma vibração e na mesma empolgação do público. Situação semelhante ocorreu na sempre obrigatória execução da clássica Cry for the Moon (The Phantom Agony, 2003), uma daquelas faixas que basta ouvir uma única vez na vida para sempre ouvi-la soando nos recônditos da mente, ao nos depararmos com uma situação verdadeiramente bela e emotiva.
Mas, a passagem dos holandeses por São Paulo não poderia durar para sempre, eles ainda tinham muito o que fazer. O final do show poderia ter sido triste, melancólico. Esperar mais dois anos por eles? Possivelmente. Mas ao menos, eles nos brindaram com a trinca final Sancta Terra, Beyond the Matrix e Consign to Oblivion, com a mesma maestria e genialidade atemporal que permeia toda a sua discografia, cada uma das suas apresentações. Esperar é sempre um pouco triste. Mas esperar para ver o EPICA de novo, é sempre esperar pelo melhor. Que seja sempre assim.
Os veteranos do MALEVOLENT CREATION, um dos nomes primordiais da cena death metal dos Estados Unidos, assinaram um contrato com a Hammerheart Records. O novo álbum do grupo está previsto para o final deste ano. Há também planos para o MALEVOLENT CREATION embarcar em uma turnê onde tocarão um ‘setlist’ especial, composto por músicas de seus cinco primeiros álbuns.
A Hammerheart irá reeditar gradualmente todos os álbuns do MALEVOLENT CREATION em LP, deluxe 2-CD, MC (fita cassete) e também como merchandise (camisetas, pôsteres, etc). Isso incluirá os três primeiros e clássicos álbuns do MALEVOLENT CREATION pela Roadrunner, os LPs pela Pavement / Artic e todos os registros lançados no século XXI.
O proprietário da Hammerheart, Guido Heijnens, também é gerente do MALEVOLENT CREATION. Todas as reservas mundiais para shows são agora atendidas pelo Eternal Rock.
O próximo álbum do MALEVOLENT CREATION, o 13° da carreira, apresentará a formação atual da banda, que consiste no guitarrista fundador Phil Fasciana, juntamente com Lee Wollenschlaeger (vocal, guitarra), Phil Cancilla (bateria) e Josh L. Gibbs (baixo).
Fasciana declarou sobre a atual encarnação do MALEVOLENT CREATION: “Depois de receber tantos ótimos vídeos e músicas de cantores querendo assumir a posição de vocalista do MALEVOLENT CREATION após a saída do vocalista original Bret Hoffman, eu finalmente encontrei o homem certo para o trabalho.
“Eu recebi algumas músicas de Lee Wollenschlaeger e seu projeto solo IMPERIAL EMPIRE e fiquei tão impressionado que depois de muitas conversas e de ouvir composições próprias dele e demos dele cantando músicas do MALEVOLENT CREATION, eu não pude negar seu talento.
“A música demo postada abaixo é uma das canções dele que eu realmente gostei, e disse-lhe que poderíamos trabalhar nela para o próximo álbum do MALEVOLENT CREATION, deixar as pessoas ouvirem nosso novo vocalista e seu talento. Ele também está tocando guitarra na banda, o que nos torna agora um quarteto.
Na mesma nota, Fasciana esclarece que essa música abaixo foi postada apenas como uma maneira de afirmar seu compromisso com o novo vocalista, que é o autor da canção. A música é ainda apenas uma demo, e deverá ganhar nova letra escrita por Lee Wollenschlaeger, além de solos, criados por Fasciana. O guitarrista ainda garante que a banda vai postar mais músicas com os vocais de Lee Wollenschlaeger, e afirmou que o grupo “está agora focado em criar o disco mais pesado que o MALEVOLENT CREATION já fez”.
Um trailer de “conteúdos e formatos” para Messe Noire, o próximo DVD/Blu-ray dos gigantes poloneses do black/death metal BEHEMOTH, está disponível abaixo. O álbum está programado para ser lançado em diversos formatos no dia 13 de abril.
O líder, guitarrista e vocalista Adam “Nergal” Darski comentou o novo registro ao vivo: “Messe Noire representa toda a magia do BEHEMOTH ao vivo, e estamos felizes de termos uma verdadeira representação disso gravada, para que todos possam desfrutar. Messe Noire capta a verdadeira intensidade do que fazemos como uma banda e a energia que compartilhamos com nossos fãs. Este é também um ponto de virada, a maneira perfeita de concluir o ciclo de The Satanist, que tem sido uma experiência esmagadora e um capítulo surpreendente na carreira do BEHEMOTH e nas nossas vidas até agora! Com o lançamento de Messe Noire, gostaríamos de saudar nossas legiões em todo o mundo pelo apoio eterno! Agora, deixe a arte falar …”
Messe Noire inclui os shows do BEHEMOTH em Varsóvia (Polônia) em 8 de outubro de 2016 e a triunfante apresentação no festival Brutal Assault de 2016. O pacote também inclui o fichário especial The Satanist, com todos os vídeos oficiais associados ao álbum de mesmo nome.
O primeiro trailer de Live In Overhausen, novo disco ao vivo dos lendários thrashers de New Jersey OVERKILL pode ser visto abaixo. O álbum será lançado no dia 18 de maio pela Nuclear Blast.
Celebrando a história da banda, Live In Overhausen é um disco especial para os fãs de longa data do OVERKILL, já que celebra o aniversário de dois álbuns fundamentais na carreira dos estadunidenses. Gravado ao vivo na Alemanha (no Turbinenhalle 2, em Oberhausen) em 16 de abril de 2016, o disco celebra o 25º aniversário de Horrorscope (1991), além do 30º aniversário de Feel The Fire, o primeiro disco completo da banda, lançado em 1985.
O álbum mais recente do OVERKILL, The Grinding Wheel, foi lançado em fevereiro de 2017 pela Nuclear Blast. O disco foi produzido pela própria banda, e mixado por Andy Sneap (MEGADETH, EXODUS, ACCEPT). A arte foi criada novamente por Travis Smith (NEVERMORE, OPETH, SOILWORK, DEATH).
O SONS OF APOLLO – supergrupo de metal progressivo que conta com dois ex-membros do DREAM THEATER em sua formação, Mike Portnoy e Derek Sherinian, além do baixista Billy Sheehan (MR BIG, THE WINERY DOGS), do guitarrista Ron “Bumblefoot” Thal (GUNS N’ ROSES) e do vocalista Jeff Scott Soto (JOURNEY, TALISMAN, WET) – lançou o ‘lyric video’ para Tengo Vida, uma versão em espanhol do single atual do grupo, Alive. A faixa é parte do novo EP digital do SONS OF APOLLO, Alive / Tengo Vida, que saiu em 23 de março. O pequeno lançamento, de seis faixas, também inclui interpretações acústicas e edições de rádio para a faixa título em Inglês e Espanhol.
O álbum de estreia do SONS OF APOLLO, Psychotic Symphony, foi lançado em outubro passado pela InsideOut Music. Ele vendeu cerca de 5.200 cópias nos Estados Unidos em sua primeira semana de lançamento, o que levou a banda até a primeira posição na lista de Heatseekers da Billboard. O SONS OF APOLLO tem show marcado em São Paulo/SP no dia 14 de abril, no Tropical Butantã.
Está disponível o primeiro EP da carioca KHORIUM, ‘Manual Prático do Brasil’, trabalho que, além de debutar oficialmente a banda, enfia os dedos na ferida já escancarada de nosso país e de nosso planeta.
O EP conta com cinco música cantadas em português e que mostram fielmente as características do grupo que alia peso, groove, riffs de guitarra Metal com batidas Rap e baixo Funk, em um Crossover, com letras ácidas, expressando uma visão crítica sobre a situação atual do Brasil e do mundo.
‘Manual Prático do Brasil’ foi lançado pela Mosh Records, com distribuição pela Voice Music e está disponível também nos principais aplicativos de streaming do mundo, veja alguns links:
Spotify: https://open.spotify.com/album/4You6AnkN1iyOIT9iDcAHN…
Deezer: https://www.deezer.com/album/56334622
iTunes: https://itunes.apple.com/br/album/manual-pratico-do-brasil-ep/1343557981
O disco foi gravado no estúdio Total Produções Artísticas, produzido por G. Moreira e teve a capa criada por Rogério Fortes.
Um clipe para a faixa ‘Midiocracia’ foi lançado recentemente. A direção/produção ficou por conta da Total Produções e a locação pela Canjah Records:
https://youtu.be/n9lryl99xOw
Contato: [email protected]
Sites Relacionados:
www.facebook.com/khoriumbandwww.metalmedia.com.br/khorium
Fonte: Metal Media
A quarta passagem do Radio Moscow pelo Brasil é um convite a todos que curtem o bom e velho rock’n’roll. Serão cinco shows – dias 27 (Palmas), 28 (Florianópolis), 29 (São Paulo) e 31 de março (Aldeia Velha) e dia 1º de abril (Rio de Janeiro) – para Parker Griggs (guitarra e vocal), Anthony Meier (baixo) e Paul Marrone (bateria) mostrarem a força do quinto disco, o ótimo “New Beginnings” (2017), e confirmar que a bandeira do estilo está mesmo em boas mãos. Formado em 2003, o power trio americano é um dos principais representantes de uma geração que nada contra a maré ao abraçar as raízes fincadas nos anos 60 e 70, mas sem soar datada. O grupo traz para os dias de hoje um passado revigorado, e não faltam improvisos, longos solos de guitarra, feeling e talento em cima do palco. Prepare-se para alta doses ao vivo de música boa e visceral, e aumente o volume – porque vale a pena conferir também “Radio Moscow” (2007), “Brain Cycles” (2009), “The Great Escape of Leslie Magnafuzz” (2011) e “Magical Dirt” (2014) – enquanto devora as palavras do líder Griggs, que respondeu já em solo brasileiro às perguntas que enviamos para ele.
Creio que vocês já estejam bem familiarizados com o público do Brasil, então talvez não haja mais aquele sentimento de novidade. Mas há algo especial nesta nova turnê pelo país?Parker Griggs: É sempre uma nova experiência para nós, porque é mais uma oportunidade de conhecer pessoas novas e interessantes, fazer novos amigos e ouvir novas e incríveis bandas brasileiras. Estamos muito empolgados com o festival na floresta que muitos de nossos amigos brasileiros têm falando tanto (N.R.: o Aldeia Rock Festival, em Aldeia Velha, no estado do Rio de Janeiro). Aliás, é uma felicidade saber que alguns dos grupos com os quais dividimos o palco em turnês passadas também estarão no festival, como Quarto Astral e The Mountain Session, por exemplo.
Perguntei porque a novidade está na apresentação em Palmas, no Tocantins. Não é um lugar muito comum para shows de rock, diga-se. Você está ciente disso?Parker: Ouvi dizer que faremos o primeiro show internacional de rock na cidade de Palmas, e isso é absolutamente incrível! Falaram para mim que os promotores locais realmente se esforçaram para que isso acontecesse, então espero que mais bandas comecem a tocar por lá depois de nós. É sempre bom saber que há uma nova cena em ascensão e que, a despeito das dificuldades, um público mais jovem está se conectado à música que fazemos e ao rock’n’roll em geral.
Dito isso, quais são suas lembranças das experiências anteriores (N.R.: o Radio Moscow fez turnês no Brasil em 2014, duas vezes, e 2016).Parker: As lembranças são sempre as mais doces, porque aqui as pessoas são muito amáveis e nos tratam bem demais. É difícil expressar todos os sentimentos em poucas palavras, mas eu diria que estamos sinceramente agradecidos por todo o amor e energia positiva que recebemos daqueles que encontramos nos shows, incluindo as bandas com as quais tocamos e fazemos jams.
“New Beginnings” é o primeiro disco do Radio Moscow pela Century Media, então o que mais mudou para a banda desde que assinou com o selo?Parker: Nós já excursionamos na América do Norte e na Europa para promover o novo álbum, mas depois desta viagem pela América do Sul (N.R.: o trio passa também por Argentina, Uruguai e Chile) voltaremos à Europa para mais festivais e outros shows como atração principal, então ainda estamos tentando entender essa mudança como um todo. No entanto, o simples fato de termos assinado com uma gravadora maior tem sido encarado por muitos como uma mudança no jogo, e isso tem mesmo ajudado na divulgação da banda e do “New Beginnings”. E também foi bom porque a Abraxas, nosso agente aqui, funciona como gravadora e pôde fazer um acordo de licenciamento com a Century Media para lançar e distribuir nossos discos na América do Sul. Curiosamente, no passado isso não era possível por causa da política de nossa antiga gravadora (N.R.: Alive Records). De fato, acreditamos que as coisas estão mudando para melhor.
Imagino que o nome do novo álbum está relacionado a essa nova fase…Parker: Sim, definitivamente! É o segundo trabalho com a atual formação, e Paul, Anthony e eu sentimos que estamos crescendo e ficando cada vez mais conectados musicalmente à medida que o tempo vai passando (N.R.: Marrone, que havia passado pela banda em 2010, entrou definitivamente em 2012, e Meier, em 2013). Eles estão contribuindo mais no processo de composição, e o fato de escutarmos os mesmos discos em nossas casas torna mais fácil para todos nós fazer jams, criar, gravar e tocar.
É natural que as pessoas relacionem o Radio Moscow a você, mas devo dizer que as baquetas finalmente encontrarem seu dono em Paul Marrone. A química está mesmo muito boa atualmente, não?Parker: E está ficando melhor a cada dia! Paul é um amigo de longa data, e sou fã dele como músico. Ele toca baixo no Alpine Fuzz Society, banda que tenho com Mario Rubalcaba, baterista do Off! e do Earthless, então estamos constantemente fazendo jams e conversando sobre música. Quando vi pela primeira vez o Anthony tocando, tive certeza de que se encaixaria perfeitamente no Radio Moscow. E ele mostrou ser muito profissional logo nas primeiras jams e nos primeiros shows, mostrou estar interessado em tocar quantas músicas do Radio Moscow fossem possíveis ao mesmo tempo em que adicionou um toque pessoal nas linhas de baixo e nos riffs. Paul e Anthony já fizeram parte ou ainda tocam em alguns grupos de progressivo psicodélico na região de San Diego, como Astra, Sacri Monti e Birth, então eles são definitivamente pessoas com as quais você deve formar uma banda. Sou um felizardo por ter essas caras ao meu lado nos últimos cinco anos ou mais.
Minha primeira impressão ao ouvir “New Beginnings” foi que você optou por uma abordagem mais forte nos vocais, que estão mais rasgados, como se você tivesse tomado uma garrafa de uísque antes das gravações. Foi intencional?Parker: (rindo) Talvez, porque você pode incluir muitos cigarros aí (risos). Mas estou tentando largar gradualmente os dois (risos). Nós também tentamos criar uma atmosfera mais sombria e obscura no novo álbum, certamente uma abordagem mais pesada em nossa música, e provavelmente isso é um reflexo desses tempos sombrios que estamos vivendo.
As guitarras são outro ponto alto do disco, com vários riffs e solos lancinantes e cheios de feeling. O trabalho ficou ainda melhor que o de “Magical Dirt”, e canções como “Driftin’” e “Last to Know” são grandes exemplos disso.Parker: Muito obrigado, cara! Bem, eu não sei como chego a isso, porque não realmente não faço mais nada o dia inteiro a não ser tocar guitarra, então encaro o que você falou como um elogio, mesmo. Sim, com certeza essas músicas são algumas das que têm um trabalho de guitarra muito mais intenso. E acredito que nosso talento para compor também melhorou bastante.
E creio que a principal inspiração para “No One Knows Where They’ve Been” foi Jimi Hendrix, não?Parker: Sim, porque Hendrix é sempre uma influência. Neste caso, a música foi originalmente composta por Paul e gravada pelo Cosmic Wheels, sua outra banda. Decidimos fazer uma versão dela para “New Beginnings”, e pelo visto posso dizer que funcionou muito bem.
Ainda sobre o novo álbum, preciso citar as minhas duas favoritas. “Pick Up the Pieces” soa como se tivesse sido composta ao vivo e com a banda em cima do palco, enquanto “Dreams” deve ficar ainda melhor nos shows, com aqueles solos ganhando continuação numa jam.Parker: Nós adoramos fazem jams. O fato de não haver regras a serem seguidas durante um improviso nos leva a diferentes direções dentro de um mesmo tema musical, assim exploramos nossos limites criativos e algumas vezes até mesmo os ultrapassamos. Ao adicionar uma jam a uma música construída de maneira regular, você enriquece essa música. Gostamos de riffs fortes e pesados, de versos e refrãos pegajosos, mas também gostamos de criar esses interlúdios com jams nas quais o ouvinte ficará imerso nas texturas musicais mágicas que tentamos elaborar. Quanto mais rápido o ouvinte mergulhar nessa jam que é uma viagem psicodélica, mais rápido ele volta à realidade com um soco dado por nossos pesados riffs e pelo andamento da canção, que segue em frente!
Esta é uma pergunta que tenho feito a alguns músicos: os últimos anos têm apresentado um sem-número de bandas inspiradas naquelas que começaram tudo. Algumas são mais bluesy, e outras, mais pesadas, mas o foco é o rock’n’roll clássico. Radio Moscow, Kadavar, Vintage Trouble, The Vintage Caravan, Blues Pills, Rival Sons, Inglorious e por aí vai… Como você explicaria esse, digamos, movimento?Parker: Acredito que as pessoas cansaram daquele som superproduzido dos anos 80 e de parte dos anos 90, então elas começaram a criar e a tocar música mais orgânica, analógica mesmo, inspirada em seus ídolos das décadas de 60 e 70. E foi graças à internet que, de repente, vários grupos underground oriundos dessa época de ouro do rock’n’roll começaram a ganhar visibilidade, assim nós fomos cavar mais e mais fundo para descobrir muitas joias que estavam enterradas. E as compartilhamos com os amigos. Assim surgiu essa nova geração, da qual nós e todas essas bandas que você mencionou fazemos parte. Isso aconteceu em vários países, incluindo o Brasil, porque vocês possuem uma cena de rock retrô muito rica. A luz acendeu sob nossas cabeças, então pensamos: ‘Podemos fazer parte da história do rock’n’roll, podemos continuar trilhando aquele caminho que foi esquecido no fim da década de 70.’ O que quero dizer é que continuamos escrevendo a história, porque não é apenas venerar o que foi feito nos anos 60 e 70. Temos nossas influências e referências, mas estamos sempre olhando para o futuro.
E a natureza está seguindo o seu curso de diversas maneiras. Motörhead, Black Sabbath e Rush se foram, o Slayer está se despedindo… Em mais cinco ou dez anos, as bandas que crescemos ouvindo não estarão mais na ativa. Que tipo de futuro você espera para a sua geração? É uma transição normal ou uma enorme responsabilidade?Parker: Se é isso que precisa acontecer, então vamos deixar acontecer. Houve a época da música clássica, com Mozart, Bach e por aí vai, mas então as aulas de violino e piano foram deixadas para trás porque os garotos começaram a pedir um violão de Natal a seus pais. Aí veio a guitarra, e o rock’n’roll estabeleceu padrões completamente novos na produção e no consumo de música. Isso durou várias décadas, mas hoje um garoto com um laptop pode ser tornar a próxima estrela da música. Isso deveria fazer sentido? (risos)
“Modas vêm e vão, mas a ideia de um grupo de garotos se juntando numa garagem para tocar o tipo de música que faz os vizinhos chamar a polícia… Isso é para sempre.” A frase está no Facebook do Radio Moscow, então, por mais que a música esteja seguindo um caminho estranho, há esperança enquanto os mais jovens ainda estão descobrindo Jimi Hendrix e The Allman Brothers Band, por exemplo.Parker: E acredito que o rock’n’roll é mesmo sobre isso, cara! É autoexpressão através da música, exatamente como fizeram Jimi Hendrix e Allman Brothers, que você mencionou. O desejo de realizar mudanças positivas é o que dá forma ao rock’n’roll, é o que deixa a sua chama viva e acesa!
Bom, eu tenho de trazer esse assunto à tona, mas fique à vontade para não responder. Nem todos sabem que dois dos integrantes originais do Blues Pills fizeram parte do Radio Moscow. Você gostaria de dar a sua versão para o que levou Zach Anderson e Cory Berry (N.R.: baixista e baterista, respectivamente) a abandonarem a banda durante um show?Parker: Se você não se importar, eu prefiro realmente não falar sobre isso (N.R.: em 2011, Griggs e Berry foram às vias de fato durante uma apresentação, e o líder do Radio Moscow foi atingido na cabeça por uma guitarra atirada contra ele).
Para terminar, quais são seus cinco discos favoritos?Parker: É difícil listar e até mesmo lembrar todos, mas citaria “Blues from Laurel Canyon” (1968), de John Mayall, e todos os álbuns do Fleetwood Mac enquanto Peter Green ainda estava na banda. Há bons discos de algumas bandas underground dos anos 60 e 70, como H.P. Lovecraft, T2, Master’s Apprentice, Jerusalem e Bull Angus, e também sou grande fã de Pappo’s Blues, da Argentina, e de Lanny Gordin, guitarrista brasileiro.
É isso, Parker, e obrigado pela entrevista.Parker: Muito obrigado a você, cara! Espero vê-lo e também todos os fãs nos shows! Adoramos o Brasil! Cuidem-se!
A banda finlandesa CHILDREN OF BODOM está entrando no estúdio hoje para começar a gravar seu décimo álbum completo de estúdio, que deverá ser lançado ainda em 2018. A sequência de I Worship Chaos de 2015 será mais uma vez gravada no estúdio da banda, o Danger Johnny Studios em Helsinque (Finlândia), onde os dois últimos álbuns do grupo foram concebidos. Comandando as sessões para o novo disco estará o produtor Mikko Karmila, que trabalhou em I Worship Chaos (2015) e em Halo Of Blood (2013).
O guitarrista/vocalista do CHILDREN OF BODOM, Alexi Laiho descreveu o Danger Johnny como “um tipo de quartel-general do COB, onde tudo acontece. Temos um espaço de ensaio, estúdio e armazém onde podemos manter nosso backline, nossos carros, há uma área de lazer, então é muito legal. Tudo de I Worship Chaos foi gravado lá, incluindo a bateria. É incrível, porque dispensa ter que reservar tempo de estúdio e gastar montes de dinheiro em gravações. É uma ‘vibe’ diferente se comparada à gravação em casa, e foi por isso que fui para lá algumas semanas antes de começarmos a gravar. Estávamos precisando de duas músicas e eu percebi que faria mais coisas se estivesse lá o tempo todo”.
A recente turnê norte-americana do CHILDREN OF BODOM foi parte da comemoração do 20º aniversário do lançamento de seu álbum de estreia, Something Wild. O giro de 24 dias incluiu uma aparição no festival Ozzfest Meets Knotfest do ano passado.