Categoria: Live Evil

  • II DARKNESS AND HATE FEST

    II DARKNESS AND HATE FEST

    Com a vinda de ótimas bandas de Black Metal por aqui, eis que foi a vez de recebermos os finlandeses do Horna, mais um grande nome da cena extrema europeia, para o “II Darkness And Hate Festival”. O evento, que ocorreu no último dia 21 de outubro no tradicional Fofinho Rock Bar, ainda contou com a participação de algumas bandas mais importantes do cenário paulistano.

    Com 40 minutos de atraso, o primeiro a subir no palco foi o Mighty Goat Obscenity, grupo de Guarulhos (SP) que mostrou seu ‘Raw Black Metal’ com influências de Blashemy. Apresentando o novo vocalista, Imperator Flagelum Christus, os guitarristas Adeptus Mysteriis Occultus e Caliev Black Messiah, Satanarex Filium (bateria) e Sir Noctu Funebris (baixo) executaram faixas de seu recente trabalho, Kosmo Satan Sovereing, com uma presença de palco fria mas, ao mesmo tempo, agradando os poucos presentes que já estavam dentro da casa.

    O próximo a subir foi o aguardado Agouro, formado por Venom Agourath (guitarra e vocal), Vultur Mortiis (guitarra e teclado), Cout Noctulius (baixo) e Mallus Peior Pessimus (bateria). Os paulistanos abriram seu set com Satanic Triumph, faixa de seu ‘debut’, Infernal Pride.

    Os problemas na aparelhagem dificultaram, mas não atrapalharam a apresentação da banda, que manteve-se forte até mesmo na hora em que a guitarra de Venom Agourath começou a falhar na execução de Nocturnal Pest, mas o músico optou por se concentrar somente no vocal. Mesmo assim, o Agouro fez um grande apresentação e mostrou um Black Metal de qualidade e uma brutalidade incrível.

    Em meio de cabeças de porco pelo palco e em uma marcha fúnebre intitulada Exército de Barathrvm, entrou em ação a horda Torqverem, formada por Necroviceral (guitarra), Iser (baixo) e Janvs Necrokramer (bateria).

    Promovendo seu recém-lançado álbum de estreia, Vber Crvciatvs, o grupo mandou um poderoso e cadenciado Black Metal, na linha de bandas como Nehemah e lembrado até o Mayhem na época do vocalista Dead. O set trouxe ainda um cover dos norte-americanos do Absu, The Come Of War, que se mostrou uma escolha acertada. O encerramento do show veio com Opvs Infernii, uma de suas melhores composições.

    Então, a banda mais aguardada da noite, Horna, entrou em cena com 20 minutos de atraso. Spellgoth (vocal), Infaction (guitarra), Vainaja (bateria), Qrake (baixo) e Shatraug (guitarra) abriram o show com Muinastein Alttarilta e Verilehto, ambas de seu mais recente trabalho de estúdio, Sanojesi Äärelle.

    O set seguiu com uma performance de palco bem rude, com direito a cuspe no pessoal da linha de frente da pista e, ainda, com um momento bizarro quando Spellgoth tirou seu membro para fora e mandou ver um xixi em cima de uma cruz. O jogo de cena não agradou tanto o público, mas clássicos como Sword Of Darkness e Imperial Devastation foram bem recebidos.

    O show durou aproximadamente uma hora, sendo encerrado com Black Metal Sodomy, na qual Spellgoth bebeu vinho e, em seguida, colocou o dedo na garganta para induzir o vômito. Os músicos foram deixando o palco e muitas pessoas ainda ficaram na expectativa de que ainda poderiam apresentar mais músicas, mas aquele havia mesmo sido o encerramento do primeiro show da turnê “Muinaisten Altarilla Tour 2011 – Brazil”, que teve diversas outras datas por cidades brasileiras e se encerrará no dia 4 de novembro, no Rio de Janeiro.

    Sites relacionados: www.horna666.com www.torqverem.com www.myspace.com/agouro www.myspace.com/mightygoatobscenity www.fofinhorockbar.com.br  
  • BRING ME THE HORIZON

    BRING ME THE HORIZON

    Post Hardcore, Metalcore, Deathcore, não importa o rótulo. A maior parte do público que lotou o Carioca Club no dia 15 de outubro (sábado) não se preocupava com isso. A única vontade era ver o Bring Me The Horizon com som alto e o mais de perto possível.

    A banda de Sheffield (ING), pela primeira vez na América do Sul, passou pela Argentina, Colômbia, Venezuela e Brasil, se apresentando em São Paulo e Curitiba. Esses shows fazem parte da turnê que está dando a volta ao mundo e seguiu para a Europa depois da temporada sul-americana. O badalado There Is A Hell, Believe Me I’ve Seen It. There Is A Heaven, Let’s Keep It A Secret, mais recente disco lançado em 2010, é o que está atualmente em divulgação. Secret virou apelido para o gigantesco título do álbum que, para muitos, é considerado um dos melhores do ano.

    Com uma fila enorme na porta, muitos aguardavam a entrada enquanto dentro da casa uma multidão já lotava a pista, camarotes e gritavam a cada movimentação no palco ou ruídos de instrumentos atrás das cortinas fechadas. Fãs de piercings, alargadores, muito preto e na faixa dos 17 aos 25 (alguns acompanhados dos pais) eram a esmagadora maioria. A famosa tatuagem no peito, igual à do líder e vocal Oliver Skyes, era replicada em muitos deles.

    Passando um pouco das 19h, foram surpreendidos pela desconhecida banda Carater, que fez a abertura priorizando sons próprios e sem agradar à plateia. Uma troca de palco demorada deixou o público ainda mais ansioso e impaciente. As cortinas abertas e os roadies do BMTH que passavam o som jogavam garrafas de água para a galera do gargarejo e aliavam um pouco a tensão.

    A histeria foi total quando o Bring Me The Horizon entrou no palco e, sem mais delongas, abriu com Diamonds Aren’t Forever, seguida por Alligator Blood e Fuck – uma das mais cantadas pelo público. Apesar de anunciar algumas surpresas, o grupo foi mantendo o mesmo set que vem executando durante toda esta tour, e seguiram agitando com Sleep With One Eye Open e Visions.

    Suicide Season, o segundo álbum de estúdio lançado em 2008, ainda é o preferido da galera e são dele os sons que o público mais gosta mais de ouvir. Football Season Is Over The Sadness Will Never End, ambas dele, vieram na sequência.

    Mesclando bem os sucessos, apesar do set enxuto, a maioria dos sons faz parte mesmo é do mais recente disco. Caso da balada Blessed With A Course, em que o vocal pediu e foi atendido pela galera, que acompanhou em uníssono com isqueiros e celulares acesos. Falando da felicidade em tocar por aqui, Olie mostrou que é a figura central do BMTH, um dos poucos vocalistas dessa nova geração que tem total domínio do público e competência no que faz.

    A banda parecia encerrar timidamente com Chelsea Smile, mas o público pediu Pray For Plagues, única do primeiro disco, Count Your Blessings, e única do bis. Enquanto ela rolava, um monstruoso ‘wall of death’, o segundo da noite, fechou a noite com jovens exaustos e extasiados de alegria por ver os ídolos finalmente ao vivo e em ação.

    Abusando dos samplers nas intros, debaixo de muitos gritos histéricos e menos ‘circle pits’ do que o esperado e pedido pelo vocalista, o Bring Me The Horizon mostrou exatamente o que se esperava deles: um show intenso e recheado de hits. Com algumas brincadeiras fora do palco, polêmicas e bebedeiras típicas de ‘rockstars’, é difícil saber se eles têm noção da multidão de mentes jovens que influenciam. Apesar de o vocalista ser o destaque, a banda tem ótima sincronia, instrumental forte e mostrou porque se transformou em headliner de grandes festivais, ganhando tanta repercussão e sendo considerada uma das melhores do gênero na atualidade. Se o futuro do Metal é esse, que seja pela trilha do Bring Me The Horizon.

  • CRUACHAN

    CRUACHAN

    O Cruachan, um dos mais antigos e tradicionais grupos de Folk Metal do mundo, finalmente desembarcou no Brasil. Os irlandeses se apresentaram no tradicional Blackmore Rock Bar, em São Paulo, e ratificaram o porquê de ser apontado como influência para diversas outras bandas do gênero.   Formada por Keith Fay (vocal, guitarra, teclado, bodhrán, mandolin, percussão), John Clohessy (baixo), Colin Purcell (bateria, percussão), John Ryan Will (tin whistle, violino, banjo, bouzouki, teclado) e John O’Fathaigh (tin whistle) o grupo, que está divulgando o álbum Blood On The Black Robe (2011), tocou para um público pequeno na capital paulista. No entanto, esse detalhe não foi empecilho para que os experientes músicos fizessem um show inesquecível para os fãs.

    A abertura ficou por conta da banda Lóchrann. Com muitos integrantes num palco extremamente pequeno, o que mais chamava a atenção era a diversidade visual dos músicos, que vestiam de camisetas de surfe, passando por roupas mais ‘headbanger’ até a vestimenta tradicional do gênero, com direito até a espada. Animados, eles conseguiram empolgar o público que visivelmente aguardava a atração principal da noite. Após alguns ajustes no palco, eis que surgem os veteranos do Pagan Metal, Cruachan. A abertura foi com The Horned God, seguida por Maeves MarchPagan Hate e o medley Bloody Sunday/Brian Boru. Com esse começo, os fãs já sabiam o que poderiam esperar para o resto da noite. Sem grandes intervalos entre uma música e outra, limitando-se a anunciá-las e com alguns sorrisos do líder Keith Fay, o Cruachan executou sem intervalos The Great HungerThy Kingdom Gone, Ossians Return, Primeval Odium, Some Say The Devil Is Dead Pagan.

    Com uma sonoridade bem crua, direta e pesada, os irlandeses fizeram uma apresentação curta. Ao todo, foram doze músicas, algumas delas contando com a participação da eufórica Juliana Rossi, vocalista das bandas Hevorah e Ravenland, que venceu um concurso que dava direito a um(a) fã dividir o palco com a banda, nos vocais femininos, já que o Cruachan não possui mais uma ocupante para essa função.

    Extremamente simpáticos, os músicos, além de usarem roupas típicas, também estavam descalços. Os destaques são Colin Purcell e John O’Fathaigh, que desde o primeiro momento estabeleceram um diálogo direto com o público, chegando até a brindar com os fãs mais próximos ao palco, seguidos pelo carisma do mentor Keith Fay.

    Ao longo da noite, o Cruachan, assim como a banda de abertura, enfrentou diversos problemas técnicos com os microfones da bateria e com a guitarra, que não foram completamente resolvidos. A iluminação também não era das melhores mas, imprevistos à parte, eles não foram suficientes para atrapalhar a performance.

    I Am Warrior foi, sem dúvida, uma das mais aclamadas do repertório. A resposta dos fãs foi imediata, acompanhando os vocais de Keith e Juliana, que algumas vezes chegaram a ser encobertos pelo público. A banda saiu do palco e voltou após poucos minutos para o bis, encerrando com o hino Ride On.

    Com uma apresentação objetiva, sem muitas pausas para conversas, o Cruachan foi extremamente eficiente ao que se propôs: fazer uma performance madura, agressiva e contagiante. A banda soube como corresponder à expectativa dos fãs do seu tradicional Pagan/Folk Metal, gênero que vem ganhando cada vez mais força no país e atraindo mais bandas internacionais.

    SET LIST: The Horned God Maeves March Pagan Hate Bloody Sunday/Brian Boru The Great Hunger Thy Kingdom Gone Ossians Return Primeval Odium Some Say The Devil is Dead Pagan The Morrigan’s Call – I Am Warrior Ride On Sites relacionados: www.cruachanireland.com www.facebook.com/pages/Cruachan/123071141091065 www.myspace.com/cruachanfanpage
  • FRETS OF FURY TOUR

    FRETS OF FURY TOUR

    A “Frets Of Fury Tour”, turnê encabeçada pelo Firewind e que também contou com Nightrage, Arsis e White Wizzard, teve o seu início num domingo (09/10) chuvoso e cheio de expectativas. O evento foi realizado no State Theater, um velho teatro covertido em casa de show que acomoda muito bem bandas de médio-grande porte. O local tem uma boa acústica, um palco grande, bastante espaço para se ver o show de qualquer ângulo e uma área própria para o merchandising. Tive a oportunidade de chegar na casa logo no início da tarde e pude conferir todo o movimento, desde a chegada das bandas até o início dos shows. Enquanto a equipe ia montando o palco, o representante oficial dos captadores Seymour Ducan gravou uma entrevista (veja o vídeo abaixo) com o Gus G. (Firewind, Ozzy Osbourne), Marios Iliopoulos (Nightrage) e Bill Hudson (ex-Circle II Circle, Cellador) que, na ocasião, estava tocando com o Nightrage substituindo o guitarrista Olof Mörck.

    Com tudo em ordem as portas foram abertas e conforme o público ia se acomodando em frente ao palco duas bandas locais se preparavam para abrir a noite. O Psyaxis saiu na frente tocando um Prog Metal bem técnico e melódico, com destaque para Black Dawn Rising. Apesar do ‘debut’, Black Dawn Rising, contar com o baterista Marco Minnemann (aquele mesmo que fez o teste para o Dream Theater e se apresentou com o Kreator no Brasil em outubro de 2009), o show teve James Farrell, que não ficou devendo nada. Destaque ainda para o guitarrista Matt Roberts, que literalmente fritou em seus solos.

    Na sequência veio o From The Embrace e, sinceramente, as coisas não funcionaram muito bem para este grupo de Tampa/Flórida. A performance foi um tanto tortuosa e a ausência de um baixista no palco fez uma diferença enorme. Acabado o show e com mais pessoas chegando ao local, a abertura oficial da turnê aconteceu quando o Nightrage subio ao palco para fazer um dos sets mais energéticos da noite. Confesso que fiquei impressionado com as palhetadas de Marios Iliopoulos, com bases sólidas, rápidas e técnicas. Apesar de estar participando apenas desta turnê, o guitarrista brasileiro Bill Hudson mostrou-se muito a vontade e bem integrado ao grupo, tanto que suas performances técnica e de palco renderam elogios. Vale destacar ainda a performance do baterista Johan Nunez. Com um rápido e eficiente repertório, não foi difícil para que os presentes se rendessem ao ‘Gothenburg Death Metal’, especialmente com as novas Insidious e Delirium Of The Fallen, que funcionaram muito bem ao vivo.

    Trazendo o seu som na linha da NWOBHM, o White Wizzard fez uma ótima apresentação e conseguiu aquecer ainda mais a noite. Com dois álbuns lançados, a banda fez um show direto e energético, com destaques para Over The TopFight To The Death e 40 Deuces. O recém efetivado vocalista Michael Gremio (ex-Cellador) adicionou ainda mais personalidade e o baixo de Jon Leon estava com um timbre perfeito.

    Trazendo um aspecto mais técnico e pesado para a noite, o Arsis, desfalcado do vocalista e guitarrista James Malone, fez um show intenso e musicalmente complexo. Os músicos contratados para substituir James executaram bem suas partes, mas no decorrer da apresentação alguns deslizes aconteceram. Ainda assim, a banda se saiu bem e foi impossível não balançar a cabeça ao som de Forced To Rock, por exemplo.

    Para encerrar a noite foi a vez do Firewind literalmente quase derrubar o local. Pode parecer clichê escrever isso, mas foi literalmente o que aconteceu. Começando pelo baterista Johan Nunez, que foi cedido pelo Nightrage para esta turnê e levou o show nas costas. Felizmente o vocalista Appolo Papathanasio está nessa turnê, pois seu carisma e desempenho ao vivo adicionam muito ao set. O baixista Petros Christo segurou muito bem, movimentando-se bastante no palco e interagindo com os fãs. Ao lado dele estava o guitarrista e tecladista Bob Katsionis se desdobrando em dois com muita competência! A essa altura você de estar se pergunto sobre Gus G. Pois bem, Gus G. simplesmente arrebentou. É impressionante como ele toca, e não me refiro apenas as partes rápidas, mas sua atenção com tudo – do timbre aos pequenos detalhes –, que realmente valorizam o trabalho e deixam o show muito mais completo. O set foi aberto com Arks Of Fire, seguidi por Head Up High, além de músicas como Destination Forever, Kill To Live, Angels Forgive Me, World On Fire, Fire & Fury, Till The End Of Time, I Am Anger e Falling To Pieces, entre outras que tiraram o fôlego dos fçãs. Ao final, só restou a certeza de que os dezoito shows programados para essa turnê estavam fadados ao sucesso.

  • PAUL DI’ANNO

    PAUL DI’ANNO

    A frase que acompanhava alguns cartazes do show de Paul Di’Anno em Itapira podia soar muito pretensiosa para alguns desavisados. Mas dizer “Itapira, a cidade do Rock” não é exagero para quem já tocou por lá (como aconteceu com este redator há cerca de dois meses) ou mesmo para quem simplesmente assiste a algum show por lá. A cidade de 70 mil habitantes e localizada a 60 quilômetros de Campinas definitivamente tem uma das galeras mais animadas e furiosas (no bom sentido…) quando o assunto é Rock. E nem venham com essa conversa de “tribos”! Naquele show em questão, na verdade um festival com cinco bandas, covers de Metallica, Guns N’Roses e Rolling Stones dividiram o palco e foram recebidas com a mesma euforia pelo público.

    Assim, não espanta que no último sábado cerca de 800 pessoas praticamente lotassem um espaço que deve receber no máximo mil pessoas para receber o vocalista Paul Di’Anno pela primeira vez na cidade.

    Fisicamente, o cantor não é mais o mesmo. Di’Anno hoje anda com o auxílio de uma bengala por conta de um problema nas costas (através do qual ele tentou fraudar o serviço de previdência britânico e acabou sendo condenado no início desse ano) e o barrigão já se tornou indisfarçável. O que não o impediu de brincar de ‘rockstar’, reclamando do hotel em que estava hospedado e atrasar consideravelmente o início do show, apesar de o palco estar pronto desde a hora marcada para o começo da apresentação – mérito, aliás, de uma afinadíssima equipe de roadies, algo raro de se ver por aqui.

    Porém, uma vez resolvido a começar o trabalho, Paul se transforma. Antes de subir ao palco, deu um afetuoso abraço em cada músico da banda que o acompanha (novamente, o competentíssimo grupo gaúcho Scelerata, que já havia trabalhado com o cantor em sua última passagem por aqui, no ano passado) e subiu no palco com o jogo ganho, debaixo de gritos de “Paul, Paul!” vindos da plateia, que se acotovelava na beira do palco.

    Sua condição física não lhe permite grandes arroubos cênicos, mas a voz de Di’Anno continua em forma. Se o alcance não é mais o mesmo, o sustain e a garra nas interpretações continuam intactos. Conforme ele mesmo já havia anunciado, o repertório – como sempre acontece, aliás – foi calcado nos seu tempo de Iron Maiden, começando por The Ides Of March, que abriu o show. Porém, logo em seguida lembrou algo de seu projeto com músicos brasileiros intitulado Nomad ao interpretar Mad Man In The Attic.

    O lugar lotado e o dia quente transformavam o Centrão numa espécie de forno crematório. Suando em bicas, o vocalista disparou em português um “caraio, muito calor!”, mostrando que suas constantes visitas ao Brasil têm aumentado seu vocabulário…

    Em cena, Magnus Wichmann (guitarra), Renato Osório (guitarra), Gustavo Strapazon (baixo) e Francis Cassol (bateria) compensavam a postura estática de Di’Anno com muita movimentação – e aí vale mais um registro para o cantor, que se mostrou extremamente simpático com a banda, rasgando merecidos elogios ao Scelerata.

    ProwlerMurders In The Rue MorguePurgatoryStrange World e Remember Tomorrow vieram na sequência, intercaladas por temas de suas bandas solo Killers (Marshall Lockjaw e The Beast Arises) e Battlezone (Children Of Madness), num show coeso e muitíssimo bem ensaiado. A galera, sem diminuir o frisson em momento sequer, reagia cantando junto com Paul e agitando de forma incessante, levando o vocalista a dizer que aquele era uma das melhores plateias para quem já havia tocado. Dispensável dizer que o lugar quase veio abaixo…

    Mais temas do Iron, como WrathchildDrifter e Killers, voltaram a levantar a galera, atingindo o auge em Phantom Of The Opera, que foi acompanhada por um coro de 800 vozes.

    De repente, Di’Anno chamou um dos roadies, se apoiou no seu ombro e saiu de cena quase se arrastando. Todos ficaram esperando pelo bis que não veio: as condições físicas do vocalista o impediram de voltar à cena e tocar as músicas que faltavam. A galera aparentemente entendeu e aplaudiu.

    O show ainda continuaria com o Rising Power, AC;DC cover de Campinas – antes de Di’Anno, se apresentaram várias bandas da região, com destaque para o Executer, de Amparo, que voltou a apresentar seu competente Thrash Metal após quatro anos de inatividades.

    Realizado pela Festa Rock Produções e com apoio do Portal Megaphone, o show foi um sucesso sob praticamente todos os aspectos – o som um pouco abafado das guitarras talvez seja o único ponto negativo a se ressaltar, mas muito pouco em se tratando de um evento desse porte. E serviu para mostrar que às vezes é bom desviar as atenções dos grandes centros e perceber que cidades menores podem ficar enormes quando o assunto é Rock.

    Sites relacionados: www.pauldianno.com www.portalmegaphone.com.br

  • MARK BOALS

    MARK BOALS

    O homem é dono de uma carreira bem extensa e são inúmeros os projetos do qual o vocalista norte-americano Mark Boals participou, sempre acompanhado de músicos do mais alto quilate – Ted Nugent, Uli Jon Roth, Virgil Donati, Tony MacAlpine, Lana Lane, Erik Norlander. E isso sem contar sua passagem pelo Savoy Brown e o ápice com Yngwie Malmsteen, com quem registrou o clássico Trilogy (1986) e os menos badalados Alchemy (1999) e War To End All Wars (2000). Somam a esses números, uma carreira solo com três discos, o gorduroso projeto de Hard Rock Billionaires Boys Club e pontas em álbuns tributos. Rodou praticamente o mundo todo, mas ainda faltava uma visita em especial ao Brasil, que aconteceu pela primeira vez no último dia 1º de outubro (sábado).

    O “Rock in Rio”, a grande quantidade de shows próximos, a forte chuva que pegou a todos de surpresa horas antes da apresentação ou simplesmente o fato de (ainda) ser um nome pouco conhecido no Brasil são fatores que podem explicar a fraca presença de público no Blackmore Rock Bar, que pouco passou de uma centena de espectadores. Mas nada atrapalhou o que se viria a seguir.

    Faltavam 15 minutos para a meia-noite quando um sonoro “Good evening São Paulo! Tudo bem?” ecoou no perímetro da casa, formalizando a entrada de Mark e sua banda de apoio, formada pelos irmãos Andria (baixo e backing vocals) e Ivan Busic (bateria), do Dr. Sin, o tecladista Bruno Sá e o guitarrista Hard Alexandre (ex-Madgator), alguns dos melhores músicos do Brasil. Com um belo “let’s rock!”, o quinteto iniciou o set com a saborosa Won’t See You Again, dos tempos do Billionaires Boys Club, seguida de Beyond The Dark, do The Codex, outro de seus inúmeros projetos.

    A escapada da baqueta das mãos de Ivan na contagem para a entrada de Liar, a primeira das muitas da fase de Boals com Malmsteen, arrancou risos até mesmo dos músicos do palco. Nem precisa dizer que foi cantada por todos, assim como Queen In Love Fury, ambas do monumental Trilogy.

    Diferente de alguns colegas de profissão, Mark mostrou grande forma física e vocal. Muito feliz em ver a alegria dos fãs cantando músicas marcantes de sua vida, não poupou a voz em nenhum instante, nem mesmo quando a execução desafiou seus limites como em Ring Of Fire e na épica Leonardo (Malmsteen), cuja performance emocionou muita gente. Tentou até pronunciar algumas palavras em português, mas logo disse que não era a dele. Foi legal quando apontou para o guitarrista Hard Alexandre e disse que ele estava entre os melhores do mundo, assim como elogiou muito o tecladista Bruno Sá e a cozinha dos irmãos Busic. Ele sabia que tinha à sua disposição o melhor e fez questão de reconhecer isso publicamente.

    O solo arrepiante de Bruno Sá, as execuções de Liar (do Seven The Hardway, o mais novo projeto de Boals), The Sails Of Charon (composta pelo guitarrista Uli Jon Roth em sua época no Scorpions), Fly e Broken Heart surgiram como as grandes surpresas do set. Essa última, inclusive, foi tocada pela primeira vez ao vivo. Ainda antes do bis, Magic Mirror colocou os fãs do guitarrista sueco em frenesi.

    O esperado bis fechou com uma das mais esperadas da noite, You Don’t Remember, I’ll Never Forget, um dos maiores clássicos de Malmsteen. Foi o ponto final de uma apresentação digna dos mais calorosos aplausos. Quem fechou os olhos por alguns instantes teve a sensação de que estava numa apresentação da época do Trilogy. E não faltaram os elogios. Andria fez questão de dizer que era uma honra tocar com Mark, que além de um dos maiores vocalistas do Hard/Metal Progressivo, era um cara excelente para se trabalhar, enquanto Ivan fez questão de lembrar que Mark era uma influência direta sua. E foi assim. Quem ainda estava no pique (como este que vos escreve), ainda curtiu as homenagens ao Whitesnake e Deep Purple com os shows das bandas Snakebite e Purplestorm, que praticamente tinham a mesma formação.

    Sites relacionados: www.markboalsmusic.com www.rocktvbar.com.br
  • PROGPOWER USA XII

    PROGPOWER USA XII

    A décima segunda edição do “ProgPower” em dez anos de existência mostrou que, apesar do mau momento econômico vivido pelos Estados Unidos, o festival se mantém forte e renovado. Desta vez contando com bandas que não necessariamente se encaixam no estilo indicado pelo nome do festival, aproximadamente 1.200 fãs vindos de várias partes dos EUA e outros países, incluindo o Brasil, se reuniram para quatro dias de muita música no maior e mais bem estruturado evento do estilo das Américas. Apesar de ter sofrido algumas baixas, como o Arcturus simplesmente desistindo de tocar e o Dream Evil tendo os vistos negados, o promotor do evento Glenn Harveston virou o jogo e adicionou duas bandas que fizeram desta a edição mais pesada de todos os tempos. Além disso, este foi o último “ProgPower” a seguir um formato mais tradicional, já que várias mudanças são aguardadas para 2012.

    Uma característica peculiar do festival é a amizade entre seus frequentadores, que em grande parte passam o ano todo se comunicando e trocando ideias através do forum oficial do evento e das redes sociais.

    Apesar de o início oficial estar marcado para sexta-feira, a programação oferece shows desde a quarta-feira, totalizando quatro dias de apresentações. Outro destaque é o cuidado que a produção tem com os frequentadores do festival. Além dos shows, os fãs ainda contam com sessão de autógrafos, um kit com um guia do festival, uma compilação em CD duplo e um área exclusiva para os representantes de gravadoras e lojas venderem seus CDs. Como se tudo isso não bastasse, ainda acontecem eventos exclusivos, como um set acústico do Vanden Plas tocando covers e originais, por exemplo. Enfim, é muita coisa pra pouco tempo, ainda mais que as festividades começaram já na quarta-feira, 14 de setembro, com uma apresentação acústica do Evergrey, seguida por um karaoquê versão Metal.

    Quinta-feira (15/09) Neste dia acontece o aquecimento de verdade. Outrora batizado de ‘Pre-Party’, ‘Showcase’ e atualmente ‘ProgPowerUSA Kick Off’, a noite começou com o Powerglove abrindo para um público ansioso. O quarteto faz um som basicamente instrumental interpretando temas clássicos de filmes e videogames. O bem humorado baixista Nick Avila logo iniciou com a costumeira frase: “Nós somos o Powerglove e estamos aqui para foder com as suas memórias de infância.” Trazendo toda uma produção de palco, com fantasias, espadas e outros objetos que lembram os jogos de videogame da década de 90, os caras fizeram um show no mínimo divertido.

    Finalmente, depois de várias tentativas de tê-los no festival, o Vanden Plas conseguiu pisar no palco e fazer uma hora e meia de show. A banda, que já havia sido deportada dos Estados Unidos uma vez e em outra ocasião teve seu visto negado, mostrou que valia a insistência do promotor. Com uma qualidade de som impecável e uma ótima performance, o grupo fez um show que passou tão rápido que sequer aparentou ter o tempo que teve. Com a casa quase lotada, muitos fãs finalmente puderam cantar praticamente todas as músicas – entre elas, Postcard To GodHoles In The Sky, Scar Of An AngelFar Off Grace e Rainmaker – fato que deixou o vocalista Andy Kuntz visivelmente feliz.

    Para fechar a noite, o Evergrey, já veterano do festival, foi incumbido de agradar a todos. E eles quase conseguiram. O show foi dividido em duas parte – na primeira, tocaram o álbum In Search Of Truth na íntegra e a segunda trouxe uma repertório diversificado, com músicas como Monday Morning ApocalypseWrongRecreation DayA Touch Of Blessing e Blinded. Ambos os sets passaram rápido apesar do longo set list e da performance um tanto apagada. Acredito que a troca de membros tenha sido uma das razões para tal, afinal a apresentação deles no festival em 2006 foi muito mais empolgante. De qualquer maneira, a banda deu o seu melhor e deixou uma ótima impressão.

    Sexta-feira (16/09) A primeira noite oficial do festival começou com o Creation’s End, banda liderada por Rudy Albert (guitarra, ex-Zandelle) e que conta com o vocalista Mike DiMeo (ex-Masterplan, Riot) e o eximio guitarrista italiano Marco Sfogli (James Labrie, ex-Mullmuzzler). Com boas músicas e uma cativante presença de palco, o grupo conseguiu quebrar o gelo rapidamente. O público vibrou bastante com os solos de Marco e mostrou-se receptivo com a banda.

    Na sequência foi a vez de os suecos do Darkwater fazerem um show curto devido a atrasos, e que se por um lado teve boas músicas, por outro trouxe uma performance um pouco maçante em que apenas os mais familiarizados com as músicas puderam aproveitar ao máximo. A execução foi ótima, o som estava bom mas ficou faltando uma melhor interação com aqueles que estavam ouvindo a banda pela primeira vez.

    Os australianos do Voyager foram a primeira banda a mexer com as estruturas do local. Esbajando energia e com músicas de muito bom gosto, o grupo deu de goleada e mostrou ter sido uma grata surpresa! Entre as ótimas composições, um excelente medley de sucessos do Rock e Pop. E mostrando um senso de humor acima do comum, a banda deixou claro que estava ali para conquistar novos fãs e certamente conseguiu. Os vocais de Daniel Estrin ao vivo são precisos e o baixista Alex Canion mandou muito bem na sua função e na agitação em cima do palco.

    Logo foi a vez do Eldritch fazer uma excelente apresentação para um público mais seleto, digamos. Infelizmente o número de espectadores diminuiu consideravelmente durante a apresentação da banda italiana, mas isso não fez com que eles perdessem o pique. Enquanto o vocalista Terence Holler não parava um minuto, sempre se movimentando pelo palco, o guitarrista Rudj Ginanneschi agitava bastante com o seu headbanging. Via-se que muitos estavam sentados apenas apreciando o show, mas os que ficaram na frente do palco agitaram bastante com a grande performance do sexteto. O ótimo som e um repertório que favoreceu o disco El Niño (1998) ressaltou o fato de eles merecerem estar no festival.

    Terminada a sessão de peso, foi a vez do Mob Rules atacar com o seu Metal Melódico açucarado e de propriedades soníferas. Que me desculpem os fãs, mas o timbre e a técnica de Klaus Dirks ao vivo não são lá essas coisas. Surpreendentemente, a pista ficou cheia e aparentemente eles agradaram muito aos que presenciaram o show, que contou com músicas como Children Of The Flames, Unholy War, Fuel To The Fire, Veil Of Death e In The Land Of Wind And Rain. Talvez a competência do instrumental tenha suprido a expectativa dos presentes, gerando um resultado positivo.

    Com o cancelamento do Arcturus, a apresentação do Ihsahn era uma das mais aguardadas por muitos e ele certamente se entregou no palco. O vocalista e guitarrista Vegard Sverre Tveitan (ex-Emperor), vulgo Ihsahn, veio acompanhado do Leprous como banda de apoio e o resultado final foi impressionante. Apesar de destoar bastante do que costuma aparecer no festival, Ihsahn fez uma apresentação maciça e centrada. A ultilização de três guitarras, algumas vezes de oito cordas, destacou a densidade de sua música, e nem o som meio embolado de bateria prejudicou a apresentação. O ponto alto foi a execusão de The Tongue Of Fire, dos tempos de Emperor.

    Fechando a noite foi a vez do Sanctuary arrancar as energias dos que ainda estavam de pé. Com a pista lotada e um caminhão de ótimas músicas, a banda liderada pelo vocalista Warrel Dane (Nevermore) não deu sossego e fez um show memorável. Warrel cantou músicas gravadas há mais de vinte anos a plenos pulmões com o restante da banda dando o seu melhor. A comunicação com os fãs foi constante e o show mostrou que a banda parece nunca ter parado. O recém integrado guitarrista Brad Hull fez uma ótima apresentação; Dave Budbill fez um grande solo de bateria; Lenny Rutledge tocava sua guitarra como se fosse a última vez na vida;  e Jim Sheppard, quem diria, finalmente estava com o seu baixo alto e definido, algo que nunca se viu nos shows do Nevermore. O set contou com músicas como Die For My Sins, Battle Angels, Sanctuary, Future Tense, Termination Force, Veil Of Disguise e Taste Revenge.

    Ao final da apresentação, em meio aos agradecimentos da banda, o organizador do evento Glenn Harveston pediu para que todos se acalmassem para a exibição nos telões do vídeo com as bandas que farão parte da próxima edição do “ProgPowerUSA”. Confira a lista no final desta matéria.

    Sábado (17/09) O último dia começou com várias pessoas já desfilando as camisetas de suas bandas preferidas, e os comentários sobre os shows que aconteceram, os que iriam acontecer e a bandas para o próximo ano eram constantes. Os ingleses do Haken foram reponsáveis por abrir as festividades. Trazendo um som fortemente influenciado pelo Rock Progressivo, encorporando um pouco de influências psicodélicas e uma certa dose de peso, a banda sinceramente hipnotizou boa parte dos presentes. Com músicas elaboradíssimas e harmonias de muitíssimo bom gosto, eles ganharam o público pela qualidade e carisma. Apesar de não haver muitas pessoas na pista, o show fluiu naturalmente e nem mesmo as longas passagens instrumentais ou alguns vocais guturais atrapalharam na apresentação.

    Infelizmente, não pudemos presenciar boa parte do While Heaven Wept porque tínhamos agendado entrevistas no mesmo horário, mas ficou uma impressão positiva pelo pouco do show que foi possível ver dessa já veterena banda norte-americana. O Red Circuit veio com a responsabilidade de mostrar seu Metal que dosa bem o Progressivo com melodias interessantes e levadas mais cadenciadas. Os vocais de Chitral ”Chity” Somapala (ex-Avalon, Firewind) funcionam muitíssimo bem ao vivo e seu carisma no palco é imenso. Para quem já o conhecia dos seus trabalhos com o Avalon, foi uma satisfação poder conferir a apresentação desse músico que tem uma história de vida no mínimo interessante. A performance da banda foi muito boa e a interação com o público garantiu uma ótima receptividade por parte dos que ainda não conheciam o som dos caras. Aproveitando a ocasião, tocaram uma música inédita e promoveram o novo trabalho de estúdio.

    Uma das apresentações mais esperadas era a do Labyrinth, que tocava nos Estados Unidos pela primeira vez. Com um repertório privilegiando o mais bem sucedido trabalho deles, Return To Heaven Denied (1998), e o novo disco Return To Heaven Denied Pt. II: A Midnight Autumn’s Dream (2010), a banda não encontrou problemas e fez um dos melhores shows do festival. O retorno do guitarrista Olaf Thorsen fez toda a diferença e eles conseguiram fazer uma apresentação digna de headliners. Os recém integrados à banda, Sergio Pagnacco (baixo) e Alessandro Bissa (bateria), deram conta do recado e é impossível não destacar o carisma de Roberto Tiranti em cima do palco. A maneira como ele canta e a interação com o público foram algo ímpar! Apesar de volta e meia aparecer um vocal de apoio sem que ninguém além de Roberto cantasse – sim, eles usaram alguns playbacks para os backings – e do atraso para o início do show, tudo foi perfeito.

    Para mudar completamente o rumo das coisas veio o Forbbiden. Exato, estamos falando de Thrash Metal, com direito a olhares espantados de tiozões e ‘prognerds’ perdidos sem saber o que fazer. A banda fez um excelente show e não poupou ninguém. Foi o volume mais alto e o som mais intenso de toda a história do festival. A apresentação só aconteceu graças ao visto negado do Dream Evil e, falando sinceramente, ainda bem que isso aconteceu. Em pouco mais de uma hora de apresentação, o grupo abordou o ótimo Omega Wave (2010) e escolheu a dedo cada música do vasto repertório – juro que vi alguém voando durante Chalice Of Blood. O guitarristas Steve Smith e Craig Locicero despejavam seus riffs enquanto Matt Camacho (baixo) adicionava um drive nas músicas que funciona muitíssimo bem ao vivo. Na bateria estava ninguém menos que Gene Hoglan, que é garantia de demolição. E a pérola do festival ficou por conta do vocalista Russ Anderson que soltou: ”Bem-vindos ao PowerProg, ProgPower, Thrash Power!!!”

    Para fechar as festividades, tivemos a ótima e bem elaborada apresentação do Therion. Antes do início do show, vários rumores circulavam no lugar dizendo que o guitarrista argentino Christian Vidal não tocaria. O fato é que durante a passagem de som, logo no início da tarde, Christian caiu de uma altura de pouco mais de um metro e meio e bateu com a parte de trás da cabeça. Rapidamente socorrido pelo produtor do evento (Glenn é enfermeiro licenciado) e encaminhado para um hospital, Christian acabou sendo liberado para a apresentação. O show do Therion é algo um tanto fora do padrão porque traz uma interpretação bem teatral e dramática. Os vocalistas foram entrando no palco de acordo com suas partes na música e posicionando-se ao lado da bateria. Além de Christian e do fundador do grupo, Christofer Johnsson, o show contou com Nalle Pahlsson (baixo), Johan Koleberg (bateria), Lori Lewis (vocal), Thomas Vikström e sua filha de 18 anos Linnéa Vikström nos vocais e Snowy Shaw (vocal) completando o time. Apesar de fazer um som que não agrada a muitos são inegáveis a qualidade e a capacidade que essa banda tem de interpretar suas músicas ao vivo. O trabalho de voz deles é muito competente e toda a produção artística enriquece a apresentação. Mesmo com um repertório extenso, o show manteve o pique e fechou o festival com chave de ouro mais uma vez. Uma pena Mat Levén não fazer mais parte dos shows, ele realmente faz falta ao vivo. Já com as apresentações encerradas, Glenn agradeceu a presença de todos, trouxe toda a equipe do festival para o palco e encerrou mais uma edição do festival. Que venha o “ProgPower XIII” em 2012, com as seguintes atrações até então confirmadas: Sinbreed, kingcrow, Solution .45, Serenity, Primordial, Redemption, Epica, Above Symmetry, Lanfear, Amaranthe, Mystic Prophecy, MaYan e Pretty Maids. Site relacionado: www.progpowerusa.com
  • X-JAPAN

    X-JAPAN

    No mesmo dia que a cidade de São Paulo recebeu o festival “Setembro Negro” (Ragnarok, Belphegor e Morbid Angel) e no mesmo fim de semana de outras atrações de peso como Whitesnake e Judas Priest (Arena Anhembi) e Blind Guardian (Via Funchal), o grupo japonês X-Japan – ou X, como também é conhecido – finalmente fez sua primeira aparição no Brasil.

    Não pense que o público que lotou as dependências do HSBC Brasil, em São Paulo, no dia 11 de setembro (domingo) era formado exclusivamente por nipônicos fãs de J-Rock. Antes do evento, a multidão que aguardava a entrada na extensa fila fora da casa de shows localizada no bairro da Chácara Santo Antônio, contava com os mais diversos tipos de aficionados por Heavy Metal, Rock’n’Roll, Hard Rock e adolescentes que curtem não apenas a música, mas animê e todo o apelo do visual kei apresentado há décadas pelos japoneses.

    Em turnê que também passou pelo México, Chile, Argentina e Peru, o grupo iniciou o set com Jade, com seu começo mais pesado e industrial, e depois bem melódica. Apesar de recente, foi muito bem recebida pelo público, que acompanhou os movimentos da banda e gritou de forma ensandecida, ainda mais quando Yoshiki se levantava da bateria e ficava em pé no banquinho.

    Ainda que estivessem pela primeira vez no Brasil, Toshi (vocal), Sugizo (guitarra e violino), Pata (guitarra), Heath (baixo) e Yoshiki (bateria e piano) estavam animados e realmente puderam se sentir em casa. Ao longo do show, todos seguiram gritando ‘We are X’, cruzando os braços e formando um “X” para mostrar sua devoção à banda, que seguiu com a adrenalina em alta com Rusty Nail, do álbum Dahlia (1996), e o single Silent Jealousy, de Jealousy (1991), último trabalho completo de estúdio gravado com o baixista Taiji Sawada, falecido em julho deste ano.

    Os conterrâneos de Loudness, Anthem, Nightmare, EZO e Malice Mizer foram executando seus hinos de forma brilhante, enquanto o público não dava nenhum sinal de que iria parar de gritar. Assim, a agitação intensa e a performance visual repleta de jogo de luzes prosseguiram com Drain, mais uma de Dahlia. Após solos individuais de Sugizo e Yoshiki foi a vez da clássica Kurenai, mostrando o início de carreira Speed Metal do X, que faz um ‘Rock-camaleão’ e que também inclui incursões pelo Hard Rock, Heavy Tradicional, Industrial, Punk e outros estilos.

    Na sequência veio Born To Be Free, seguida do solo de Yoshiki, que rapidamente mudou do piano para a bateria enquanto Toshi balançava a bandeira brasileira para executar as derradeiras I.V., tema do filme “Jogos Mortais 4”, e a acelerada X, de Blue Blood (1989). Cortejados e saudados como heróis, os músicos voltaram depois de alguns momentos para o bis, que começou de forma mais branda com Yoshiki agradecendo os gritos efusivos de forma calma com seu “Obrigado” em português, para depois beber uma lata de guaraná e gritar “Amo guaraná!”… Então, o líder do X voltou a agradecer e comentou que eles estavam aguardando por este show no Brasil há muito tempo. Além disso, relembrou os falecidos Hideto “Hide” Matsumoto e Taiji Sawada para depois emendar com Forever Love, cantada pelos presentes com emoção, assim como fizeram em mais balada, Endless Rain, na qual também ficaram agitando com bexigas coloridas nas mãos.

    No final, veio Art Of Life e fechou com Tears ecoando nos PA’s enquanto os músicos se despediam saudando o público e seguiam tirando fotos, jogando água e interagindo com a plateia – com direito até a stage diving de Yoshiki. Depois todos foram deixando calmamente o palco, enquanto os fãs seguiam cruzando os braços e fazendo o sinal característico do “X”. Uma noite histórica para os admiradores do J-Rock. WE ARE X!

  • MAYHEM FESTIVAL

    MAYHEM FESTIVAL

    O maior festival intinerante de Metal da atualidade nos Estados Unidos, graças ao hiato do “Ozzfest”, chegou à sua quarta edição contando com vinte e sete shows – sendo um no Canadá – e um cast que pôde agradar a gregos e troianos. Ainda assim, o In Flames foi obrigado a cancelar a sua participação no “Mayhem Festival”, fato que deixou alguns fãs meio irritados.  O último show do evento foi realizado em West Palm Beach, tendo um anfiteatro como palco principal e dois palcos montados lado a lado no estacionamento do local. Enquanto as bandas de abertura se revezavam nos palcos Revolver Stage e Jägermeister Mobile Stage, acontecia um ótimo show acrobático do Metal Mulisha, uma equipe de motociclismo estilo livre que impressionou os presentes.

    As apresentações começaram pontualmente às 13h45 no Jägermeister Stage, sob um sol escaldante, com a banda de Metalcore Must Not Kill, que teve vinte minutos pra mostrar serviço.

    Na sequência, no Revolver Stage, foi a vez do Straight Line Stitch colocar fogo num público já ensandecido pelo calor, que agitou muito ao som do Metalcore do grupo liderado pela carismática Alexis Brown. Em trinta minutos o recado foi dado e, no palco ao lado, o Red Fang já iniciava o seu show regado a cerveja e Stoner Metal de qualidade. Apesar de o público não ter agitado muito, foi uma boa apresentação e o destaque ,vai para a música Prehistoric Dog.

    Já o Kingdom Of Sorrow, liderado por Jamey Jasta e Kirk Windstein, começou arrebentando com Behind The Blackest Tears e mandou ver numa apresentação contagiante para uma plateia que só aumentava! Jamey não parou um minuto sequer e encarou os fãs de maneira provocativa, enquando a banda tratava se levantar a parede sonora.

    Logo depois veio o Suicide Silence quase estourando o som dos PA’s. Os tons baixos de guitarra, somados aos vocais gritados e urros de Mitch Lucker, certamente danificaram os ouvidos dos fãs mais insanos que, por alguma razão, sentiam prazer em estar perto do sistema de som. Uma das maiores rodas do dia aconteceu no meio do set quando tocaram Fuck Everything.

    Unearth entrou com a missão de acabar com os que ainda estavam de pé, e cumpriu o seu dever com esmero. Abrindo com My Will Be Done, emendaram com a ótima Sanctity Of Brothers. Um pouco de chuva chegou para ajudar na metade do set, mas nem deu para esfriar os malucos afoitos pelas rodas. Ao final da última do set, The Great Dividers, os guitarristas Buz McGrath e Ken Susi subiram num trailer que estava ao lado do palco e, enquanto Ken mandava o dedo do meio, Buz fez um ”bunda lelê” pra galera.

    Machine Head, que fez uma apresentação formidável, então entrou em ação detonando Imperium. Apesar de alguns problemas com a guitarra, Robb Flynn não poupou energia e tocou como se fosse o último show de sua vida. Em apenas cinco músicas, a banda entregou o seu melhor e foi certamente o ponto mais alto de todo o festival. Mesmo com a chuva torrencial que caiu logo na última música do set, Halo, a maioria dos fãs não arredou o pé.

    Ao final, restou correr para o palco principal e pegar o Trivium, numa apresentação que começou bem mas foi ficando morna. O set foi bom e eles aproveitaram para promover seu novo álbum, In Waves, mas fizeram um show seguro, com apenas duas composuções deste material. O líder, Matt Heafy, agitou bem e o entrosamento dos caras prova que a banda já provou o que devia.

    Com um breve discurso do organizador, saudando as bandas presentes, ele anunciou o Megadeth, que abriu o set com três clássicos – Hangar 18, Trust e Sweating Bullets – e ainda tocou a inédita Public Enemy No. 1, que faz parte do novo álbum, Thirteen. Apesar de parecer bem cansado, Dave Mustaine (guitarra e vocal) levou o show nas costas e manteve a plateia na ponta dos pés o tempo todo. A ideia de trazer a mascote Vic Rattlehead no palco na última música do set, Peace Sells, foi excelente! Além disso, ter o baixista David Ellefson na banda certamente faz diferença e o músico, além de fazer uma ótima apresentação, mostrou um timbre de baixo que parecia ter sido “esculpido”.

    Chegando ao final foi a vez do Godsmack desfilar seus sucessos radiofônicos para um povo que já mostrava sinais de fadiga. Tão logo a apresentação começou, com Cryin’ Like A Bitch, pude conferir a razão pela qual eles estão nessa turnê. A banda apresenta um show espetacular e empolgante, em que nem mesmo a frieza do guitarrista Tony Rombola atrapalha. Enquanto Shanon Larking esmurrava a sua bateria, o vocalista e guitarrista Sully Erna dava um espetáculo à parte, cantando muito bem e dominando o palco como poucos. Apesar de conhecer a banda há oito anos, nunca fui grande fã deles, mas devo dizer que em matéria de show eles sabem muito bem o que fazem e rendem ao vivo muito mais que em estúdio. Destaque absoluto para o duelo de bateria entre Sully e Shanon. O final do set contou com Whatever I Stand Alone e, após esta ótima apresentação, não restava muito mais a ser feito.

    Então, eis que veio o Disturbed para fechar o evento com um show abaixo do esperado. Abriram com Remnants, seguida de AsylumThe Game e Prayer. Entre as semitonações do vocalista David Draiman, a postura fria do restante da banda e uma mixagem um tanto vazia, restou apenas um espetáculo de imagens. O palco era composto de painéis de LAD que deram um ar espetacular ao show, enquanto labaredas de fogo esquentaram os presentes. O encerramento veio com Down With The Sickness e o show valeu para conferir este os outros sucessos que o Disturbed emplacou durante esses anos e perceber que trata-se, indiscutivelmente, de uma banda de sucesso mundial.

    Ao final, mais de doze mil pessoas tiveram um dia escaldante, cansativo e de muita diversão – seja andando de biquini pelo estacionamento, correndo na chuva, escorregando na grama e na lama, pagando doze dólares por uma cerveja, sete dólares por um hambúrguer ou conferindo os seus ídolos de perto.

    Site relacionado: https://rockstarmayhemfest.com/
  • BLOODSTOCK OPEN AIR 2011

    BLOODSTOCK OPEN AIR 2011

    A 11ª edição do “Bloodstock Open Air” segundo os fãs que comparecem a cada ano, foi a melhor de todas. Não só pela qualidade e quantidade de bandas dos mais variados estilos e dimensões (84!) mas também pela estrutura impecável e perfeitamente dimensionada para os cerca de dez mil headbangers presentes. Já para nós foi tudo muito similar a tudo que ocorreu em 2010, quando cobrimos esse festival pela primeira vez, ou seja: perfeito. Três dias de muito Metal de qualidade!

    Muito se fala dos festivais mais famosos que ocorrem na Alemanha, reunindo de cinquenta mil a cem mil pessoas, mas, verdade seja dita, os festivais “menores” conseguem criar uma excelente atmosfera com a comodidade de não estar o tempo todo envolto em uma multidão. Isso traduz-se também na facilidade na hora de comprar a essencial comida, ir ao banheiro e, especialmente, pegar cerveja! E, claro, facilita muito na hora de assistir os shows, já que de quase todos os pontos se tem boa visão do palco.

    Assim como na edição anterior, foram montados três palcos que abrigaram shows quase simultaneamente: “Ronnie James Dio”, que reuniu as bandas principais se apresentaram, “Sophie Lancaster”, montado dentro de uma tenda de circo para bandas “cult” ou “não-tão-famosas”, “New Blood Stage”, corretamente denominado já que era o lugar para as bandas menores e ainda sem contrato. Acabamos por nos concentrar nas bandas do palco principal, já que era impossível acompanhar a todas as apresentações.

    Diariamente, a partir das 11h da manhã o som já comecava a rolar nos palcos, e só acabava lá pela meia noite, quando começava uma discotecagem na tenda “Sophie Lancaster” baseada em clássicos do Hard e do Metal.

    Sexta-feira, 12 de agosto

    Na sexta-feira, logo ao chegarmos fomos agraciados com um show do Coroner. Após 18 anos de inatividade, eis que os suíços finalmente retornaram à ativa! Mal havíamos chegado e já demos de cara com um show de Thrash Metal de cair o queixo. O final de semana já ia mostrando-se promissor! Com um membro extra, Dan, apresentado como “amigo da banda” que estava dando uma ajuda nos backing vocals e samplers, a banda mostrou-se precisa e coesa, como se nunca tivessem se separado. A despeito de não ser uma banda que investe em presença de palco e visual, mas sim na sua música complexa e cheia de ‘groove’, o Coroner tocou um set curto mas com um pouco de quase todos os seus discos, incluindo sons como Masked JackalSemtex Revolution e D.O.A., entre outras. A apresentação do Coroner no “Bloodstock” fez parte de sua tour de reunião e se a banda se basear nas empolgação de seus fãs ingleses, não para nunca mais!

    Era final de tarde e a noite logo cairia. A frente do palco estava completamente tomada, já que a partir daí era “horário nobre” e todos queriam garantir seu lugar para assistir ao Kreator, mas também aos outros grupos que ainda subiriam ao palco, incluindo Devin Townsend e o muito aguardado W.A.S.P como headliner do dia.

    Kreator iniciou seu ataque para um público mais do que aquecido e que clamava pelos lendários alemães de Essen. Não há dúvidas de que os pedidos de Mille Petrozza para que os fãs criassem os maiores “circle pits” do festival foram atendidos. Os seguranças enlouqueceram tentando controlar o público que se esmagava contra a grade ou criava “ondas” de headbangers que “surfavam” a massa incessantemente, caindo na frente do palco – diretamente nas “garras” dos seguranças. Para quem já viu um show do Kreator, esse não trouxe muitas novidades. Inclusive as falas de Mille entre as músicas foram similares ao que ele disse no “Graspop” (festival na Bélgica) deste ano. Claro, isso tira um pouco da naturalidade do show, mas acaba minimizado pelos poderosos clássicos que a banda insiste – felizmente – em repetir a cada show. Dessa maneira, Pleasure To Kill (apresentada daquela maneira que todos conhecem: “Pleasure to, pleasure to, pleasure to killl!”), Enemy Of God e a porrada que encerrou o show, Flag Of Hate, foram os pontos altos e enlouqueceram o público como sempre. Outros sons de destaque dentre os doze executados em uma hora de “Thrash Metal madness” foram Destroy What Destroys You Violent Revolution. Ao final da apresentação, e parecendo um pouco indignado por não ser o headliners da noite, Mille bradou que ano que vem o Kreator estaria de volta, e dessa vez na posição principal. Aguardemos!

    Curta pausa para uma Guiness (havia uma ampla seleção de cervejas inglesas e irlandesas ao dispor dos bangers curiosos por explorar os sabores da cevada britânica) e já era hora do show do Devin Townsend. Retornando ao palco do festival em que fez um show ovacionado e muito elogiado pela crítica no ano anterior a despeito das falhas técnicas (ver review desse show em www.roadiecrew.com.br), o multi-instrumentista aclamado como genial por muitos mais uma vez brindava o público com irreverência, bom humor e, principalmente, altas doses de música pesada, técnica e muito criativa. A bem da verdade, fica muito díficil até classificar o som que Devin produz com sua banda. Na opinião de muita gente – incluindo a nossa –, esse foi o show do dia.

    Com a missão de manter um público que vinha de um show poderoso como o Kreator, o canadense manteve o clima em alta surpreendendo até mesmo aqueles que não conheciam a banda. Sem dúvida, o Devin Townsend Project ganhou novos fãs nessa noite! O set passeou por quase toda a extensa discografia do grupo e incluiu sons antigos, como Kingdom Bad Devil, e também material recente, a exemplo de Supercrush. Também rolou By Your Command do interessante projeto Ziltoid de 2007, pontuada com eventuais aparições do personagem no telão. Como já dito, o show do dia!

    Pontualmente as 22h, Blackie Lawless sobiu ao palco principal do “Bloodstock” para encerrar o primeiro dia de shows. O W.A.S.P. atual raramente tem oportunidade de ser headliner em festivais de maior porte, logo a banda se esforçou para entregar um set repleto de clássicos tocados com muita vontade e dedicação. Um verdadeiro coral de fanáticos cantou com o grupo temas como WildchildOn Your Knees e a inevitável mas sempre ótima I Wanna Be Somebody, na qual Lawless, como sempre, jogou os refrãos para o público cantar à exaustão. Também rolou o tradicional medley de Hellion/I Don’t Need No Doctor/Scream Until You Like It. O final veio na forma de sons de motoserra, que anunciavam Blind In Texas.

    Com a voz à prova do tempo, Blackie Lawless deixou todos maravilhados com uma performance digna dos melhores anos da banda. Por outro lado, não poderíamos dizer o mesmo de sua imagem, bastante “desgastada”. É sempre complexo avaliar a aparência de um músico, mas quando temos uma determinada imagem fixada na memória é chocante perceber que mesmo os ídolos envelhecem. E muito. Ainda lembro de uma garota comentando durante o show que ele estava de fato tornando-se “A Besta” do tema Animal: Fuck Like A Beast“. Se essa música estivesse no repertório, a caracterização teria sido perfeita.

    Sábado, 13 de agosto

    O sábado – nosso último dia no festival, que ainda seguiria domingo adentro – começou como todos os “dias seguintes” de festivais: sonolento e ressaqueado. Lentamente, os headbangers arrastavam-se em busca de café, água, pão, pizza ou qualquer outra coisa que formasse uma base para começar a encher o corpo de cerveja mais uma vez. Alguns poucos permaneceram acordados e bebendo desde o dia anterior – e era fácil perceber quem eram esses “guerreiros”… De forma estranha para o porte da banda, o Grave Digger foi a segunda a se apresentar, logo após o Skeleton Witch (grupo que vem crescendo muito mas que não pudemos assistir já que, como a maioria, estávamos em busca de comida!).

    Sob o sol do meio dia – sol, felizmente! –, a banda iniciou seu set que se revelaria bastante curto, com apenas oito músicas. Pontuado por problemas técnicos no som da guitarra e no microfone de Chris Boltendhal, o que visivelmente irritou bastante os músicos, a apresentação show seguiu sem maiores surpresas com um set devotado em partes à história da Escócia. Inclusive, o tradicional “mascote-tecladista” da banda, Hans Peter “H.P.” Katzenburg, fez as honras da abertura vestindo um ‘kilt’ – tradicional saia escocesa – e tocando gaita de foles na intro Days Of Revenge, do último álbum do grupo. A “batalha” de fato começou com Paid In Blood, que manteve a sequência do último disco. Na sequência veio The Dark Of The Sun, do EP homônimo (1997). A partir daí, além de mais alguns sons recentes, foram somente clássicos, incluindo Rebellion, Excalibur Heavy Metal Breakdownque encerrou o show e acordou de vez os últimos “ressaqueados”.

    A seguir, aportaram no palco os finlandeses do Tarot, que recentemente estiveram no Brasil para algumas poucas datas. Contando com Marco Hietala – que fez fama no Nightwish – no baixo e vocal, a banda conta ainda com seu irmão mais velho, Zachary, nas guitarras – completam o time Peccu Cinnari (bateria), Tommi Salmella (samplers e um excelente backing vocal) e Janne Tolsa (teclados). A banda, que injustamente é pouco reconhecida e somente agora vem encontrando maiores audiências, mostrou um Power Metal/Metal Tradicional de grande qualidade, com músicas de alto nível e vocais, tanto de Marco Hietala quanto de Tommi Salmella, que impressionaram a todos.

    Com uma atitude tranquila e divertida no palco, era nítido que os músicos estavam muito felizes por poderem apresentar seu som para o público inglês. Não havia tensão alguma no ar, apenas uma evidente satisfação. O Tarot, música após música, foi ganhando o público. Certamente muitos não conheciam a banda, mas não dava para ficar alheio à qualidade da apresentação. Dentre os sons apresentados, destaque para as mais conhecidas Ashes To The Stars Pire Of Gods. Também foi interessante o cover de Veteran Of The Psychic Wars, do Blue Öyster Cult, cantada integralmente pelo excelente Tommi Salmella.

    Mais adiante foi a vez do Therion, que mostrou um show mais teatral e estreou uma nova vocalista – Linnéa Vikström, irmã de Thomas Vikström, que gravou um disco com o Candlemass (Chapter VI). A banda era claramente uma das mais aguardadas do dia, dada a quantidade de fãs que aglomeravam-se em frente ao “Ronnie James Dio Stage”. Normalmente rotulada como Symphonic Metal, a banda vem como sempre se mostrando além das possibilidades de categorização de seu som, agora cada vez mais se aproximando da Ópera. Aliás, se Giuseppe Verdi ou Richard Wagner vivessem em nossos dias, é provável que estivessem fazendo um som como o do Therion…

    Brincadeiras à parte, o show foi marcado pela interpretação dos quatro vocalistas, relegando a segundo plano o instrumental e os inúmeros samplers. As performances vocais foram tão boas e impressionantes que era difícil prestar atenção em qualquer outra coisa. Da abertura com Sitra Ahra, do último disco de mesmo nome, até a finalização com a clássica The Rise Of Sodom And Gomorrah, entremeada por excelentes músicas como HellequinNifelheim e a sempre presente To Mega Therion, o grupo sueco não deixou dúvidas: há muitos anos é uma das bandas mais criativas e inovadoras do cenário Metal.

    Mantendo a aura de Música Clássica deixada pelo Therion, a sequência nos brindou com um show do Rhapsody Of Fire, banda que teve seu auge no final do milênio passado, quando ainda se chamava apenas Rhapsody e impressionava pela inovação. Só que impressionou na época e aparentemente não conseguiu se reinventar em seus discos, mantendo até hoje a fórmula do Metal Melódico com elementos orquestrais que os consagrou. A despeito disso, ao vivo a banda impressiona – e muito. Seja pela voz impecável de Fabio Lione seja pela maestria de um dos mais técnicos guitarristas em atividade, Luca Turilli, a verdade é que o Rhapsody Of Fire deixou todos os seus fãs mais do que satisfeitos.

    Em sua primeira aparição em solo britânico (!), o grupo brindou a plateia com um repertório cheio de clássicos, incluindo Dawn Of VictoryHoly Thunderforce e a provavelmente mais aguardada, Emerald Sword. Apesar da qualidade do seu som e da perfeição de seu show, não há como saber quando os fãs voltarão a ver essa formação reunida: em abril último, Luca Turilli e o baixista Patrick Guers anunciaram que criarão um “novo” Rhapsody.

    Durante todo o dia, crescia a quantidade de headbangers usando ‘corpse paint’, grande parte deles homenageando Abbath, do Immortal, banda que fecharia essa nossa última noite dessa edição do festival. Era realmente difícil de entender quão a sério a grande maioria desses “mascarados” estava levando a homenagem, mas, a bem da verdade, aqueles que não ousaram usar um ‘corpse paint’ puderam se divertir muito vendo os “guerreiros” desfilando de um lado para outro.

    E eis que chegava a hora dessa “horda” de ‘black metallers’ prestar tributo a seus ídolos. Uma das bandas mais solicitadas pelo público do “Bloodstock”, o Immortal fez mais uma de suas poucas aparições no verão europeu. Tocando um set list que incluiu sons recentes e clássicos mais antigos, todas as fases da banda, excluindo o álbum Blizzard Beasts, foram representadas e despejadas com fúria por sobre os fãs, que há nove anos não viam essa lenda viva do estilo em solo inglês.

    Em uma apresentação marcada por muitos efeitos de luz e pirotecnia, além das performances de palco e posturas já características, o Immortal brindou a galera com clássicos como Sons Of Northern Darkness, Damned In Black, One By One e Grim And Frostbitten Kingdoms, enquanto as performances violentas em In My Kingdom Cold Solarfall foram igualmente impressionantes. O set principal foi encerrado com Withstand The Fall Of Time.

    Uma cascata pirotécnica trouxe a banda de volta ao palco para satisfazer os ainda ávidos bangers. O som escolhido para brindar os últimos momentos da banda no palco não poderia ser outro: Beyond The North Waves. Para finalmente encerrar sua performance no “Ronnie James Dio Stage”, The Sun No Longer Rises fez todos erguerem as mãos reverenciando o trio com aquele símbolo tão famoso nas mãos do vocalista que dava nome ao palco. Finalizado o Immortal, demos mais uma passada pela tenda em que rolava a discotecagem clássica para mais algumas cervejas – e assim terminou nossa passagem por mais uma edição desse excelente festival.

    Com cada vez mais brasileiros excursionando pelos festivais de verão europeus, fica a recomendação de visitar o “Bloodstock”, evento que, se não é o maior, sem dúvida é um dos que conta com excelente organizacão e, principalmente, em todas as edições disponibiliza um elenco de bandas de qualidade e de estilos variados que certamente deixam qualquer um satisfeito. Afinal, o lema do Bloodstock é: “Feito por fãs, para os fãs.” Assim, se tiver oportunidade em 2012, não deixe de ir. Anvil e Orange Goblin já estão confirmados e a organização promete o melhor elenco de todos os tempos no próximo verão.