Categoria: Live Evil

  • HALCYON WAY

    HALCYON WAY

    A comemoração do lançamento de IndoctriNation, terceiro álbum de estúdio da banda Halcyon Way, ocorreu no último dia 11 de novembro como parte da terceira edição “Pathfinder Metal Fest”, festival apresenta bandas de estilos ligados ao Metal Melódico, Prog e até Thrash, vindas de várias partes dos Estados Unidos. A proposta do evento, realizado em dois dias, é revelar grupos iniciantes e dar espaço para outras já estabelecidas para um público local.

    O Halcyon Way foi encarregado de fechar a primeira noite do festival e a expectativa dos fãs de conferir músicas novas era grande. Por volta das 11h11 da noite de 11/11, a introdução de Desecration Day começou a soar nos PA’s e logo se viu uma entrada explosiva da banda. A primeira impressão foi a de que o sistema de som não aguentaria o peso das guitarras. Conforme o refrão ia se aproximando, mais pessoas chegavam para ver o show e as expectativas de que seria uma ótima apresentação se confirmava.

    Sem nem um segundo para respirar A Manifesto For Domination, do álbum homônimo de 2008, animou os fãs de longa data e ficou muito boa na voz de Steve Braun, que foi integrado justamente após o lançamento de A Manifesto For DominationFinest Hour deu continuidade ao show e outro ponto forte foi o vocal gutural do baixista Kris Maltenieks em Death Of A Dream. O show seguiu comDeliver The SufferingThe System e, finalmente, apresentou IndoctriNation, faixa que batiza o novo trabalho de estúdio.

    Outra música executada que ganhou uma nova cara na voz de Steve foi Powderburn. A banda aproveitou também a oportunidade para filmar duas música – a primeira delas foi Age Of Betrayal e trouxe uma presença de palco muito agitada. Vale destacar que essa é uma das músicas do Halcyon Way que mais é jogada no game ‘Rock Band’.

    Depois de uma pequena pausa para apresentar os integrantes, o show começou a ficar mais pesado em Rise To Revise, na qual o guitarrista Jon Bodan executa riffs que chegam a lembrar Testament. On Black Wings, outra que foi filmada, continuou adicionando peso e mostrando o que eles têm de melhor em cima do palco. Infelizmente, a apresentação estava chegando ao fim e a música escolhida deixou aquele gosto de quero mais. Inversion encerrou muito bem a festa e ainda mostrou uma das melhores performances do baterista Ernie Topran.

    O resultado final foi muito satisfatório e isso era óbvio de se perceber na expressão facial dos músicos e dos presentes. A produção de palco e luzes foi impecável e arrisco dizer que melhor que de muito show de maior porte. Os que compareceram tiveram a oportunidade de presenciar um evento muito bem organizado por Patrick Hoyt Parris, tendo ótimas bandas e um encerramento da primeira noite em alta com o lançamento de IndoctiNation.

  • CHILDREN OF BODOM

    CHILDREN OF BODOM

    Embora tenha surgido há mais de dez anos, e combine elementos de diversos estilos clássicos de Metal – NWOBHM, Thrash e, principalmente, o Death Metal Melódico amplamente difundido na Suécia dos anos 90 –, os finlandeses do Children Of Bodom atraem na Austrália uma gama jovem de fãs, notadamente aqueles ligados ao Deathcore e Metalcore e outras vertentes dos anos 2000. Por consequência, o público que foi ao Palace Theatre neste dia era bastante jovem – embora fosse possível achar os mais calejados em meio a multidão. Uma coisa interessante dos shows na Austrália e que geralmente se divulga na casa, e muitas vezes antecipadamente na Internet, os horários de entrada de cada banda, rigidamente respeitados. Isso faz com que se tenha um grande fluxo de pessoas entrando logo antes do início de cada apresentação.

    A casa abriga cerca de duas mil pessoas e não estava completamente lotada quando os Australianos do Harlott abriram a noite às 20h30, empolgando o público com seu Thrash altamente influenciado pelo Metallica da era Cliff Burton – precisa dizer mais? Após um breve intervalo – as bandas de abertura compartilharam a mesma bateria, e a do Children of Bodom estava montada atrás, o que permitiu a rápida troca de bandas – entraram os também australianos (oriundos da cidade de Perth, Oeste da Austrália) do Voyager, que tem um estilo de Metal Progressivo bem interessante: combinam vocais guturais (do também baixista Alex Cânion) e vocais “limpos” no estilo Iron Maiden/Helloween, a cargo do ‘frontman’ e também tecladista Daniel Estrin. Completam a banda os jovens guitarristas Simone Dow e Scott Kay, e o baterista Mark Boeijen. Em pouco mais de quarenta e cinco minutos, despejaram técnica e empolgação contagiante, correspondida pelo público, e calcaram seu set no mais recente trabalho The Meaning Of I de 2011. Outro aspecto dessa banda foi a inclusão de covers inusitados no seu set list, em forma de ‘medley’ – começando pela ovacionada introdução de Highway To Hell to AC/DC (carinhosamente chamado pelos Australianos de “acca dacca”), seguida de Jump do Van Halen. Depois, mudaram de forma inesperada para Scatman (Ski-Ba-Bop-Ba-Dop-Bop), do falecido Scatman John, seguida dos temas de Ghostbusters (ao melhor estilo Xentrix) e Power Rangers (!)… O público saudou com “chifres duplos”e bangueou do mesmo jeito.

    Por volta das 22h as luzes se apagam e sem anúncio nem frescura entrou no palco o Children of Bodom, descendo a pancada com Relentless Reckless Forever, do recente álbum de mesmo nome, imediatamente seguida de Are You Dead Yet. Na primeira interação com o público, o vocalista e malabarista da guitarra Alexi Laiho agradeceu a forte presença, disse que não dormia há dias por conta do fuso horário, e pediu constante participação do público por meio de rodas, “chifres” no ar e o que mais fosse possível.

    A banda é de uma qualidade técnica notável, mas é nitidamente centrada no seu talentoso ‘frontman’, que realmente dá um show a parte: canta no meio do palco com o pé na caixa de retorno e a guitarra – alterna entre ESPs em “V” customizadas com as marcações dos trastes em lilás, ou em amarelo, fosforescentes – apoiada na perna na posição quase vertical. Uma combinação de performance e apresentação visual realmente únicas. Ele até caminha pelo palco, interage com os outros músicos – principalmente com o tecladista Janne Wirman – e até parece dar espaço aos mesmos, mas acaba ficando aquela impressão que é “ele e mais quatro” na banda…

    Foram então despejando petardos de toda sua carreira, tais como Not My Funeral, Kissing The Shadows, Living Dead Beat e Roundtrip To Hell And Back, com o público correspondendo a altura e agitando como se fosse tudo uma música só – já que a banda não dava trégua.

    Originária de Espoo, na Finlândia, a banda tem seu nome inspirado em assassinatos ocorrido no local Lago Bodom. E o interessante nome (que aqui na Austrália é pronunciado “bou-doum”) aparece em diversas músicas da banda aqui lembradas: a homônima Children Of Bodom – a primeira a relembrar os discos iniciais da banda, Bodom After Midnight e Bodom Beach Terror, intercaladas com Hate Me! – do magistral trabalho Follow The Reaper – e Shovel Knockout.

    Único integrante da banda a conversar com o público, Alexi agradeceu pela empolgação, pediu mais “chifres duplos” e coro do público, colocou a guitarra na emblemática posição de novo e mandou In Your Face, Angels Don’t Kill, e voltounovamente aos primórdios ao tocar Downfall, do álbum Hatebreeder.

    Outro aspecto interessante da banda é que ela flertou com diversos estilos de Metal extremo ao longo de sua carreira (Thrash Metal, Death Metal Melódico e Black Metal) mas, ao vivo, mesmo com um repertório não cronológico. Isso tudo soa de maneira muito uniforme e peculiar, como se estivéssemos ouvindo um único disco, tamanha a competência técnica dos caras.

    Saíram do palco para um rápido intervalo e voltaram como se estivessem iniciando o show naquela hora, despejando Blooddrunk e a aguardada Hate Crew Deathroll… Sim, ficou o chamado “gostinho de quero mais”, já que a banda não tocou Needled 24/7, imortalizada no documentário “Metal – a Headbanger’s Journey” (2005)… Mas fica pra outra vez!

    A conclusão é que a técnica apurada aliada a brutalidade ouvida nos discos funciona muito bem ao vivo, empolga o público, e deve garantir aos jovens dessa banda um futuro ainda mais brilhante. Sorte dos brasileiros, que também poderão ver “The Ugly World Tour 2011”, em show a ser realizado no dia 4 de dezembro (domingo), no Carioca Club (SP).

    Set list: Relentless Reckless Forever Are You Dead Yet? Not My Funeral Kissing The Shadows Living Dead Beat Roundtrip to Hell and Back Children Of Bodom / Deadnight Warrior Hate Me! Shovel Knockout Bodom After Midnight Bodom Beach Terror In Your Face Angels Don’t Kill Downfall Blooddrunk Hate Crew Deathroll Para informações do show no Brasil, clique AQUI.  
  • SATYRICON

    SATYRICON

    O tempo em que permaneci na porta do Hangar 110 esperando para ver uma das bandas mais importantes da história do Black Metal, o Satyricon, que pela primeira vez em sua história pisava no Brasil, me fez refletir sobre o que foi e o que se tornou o Metal Negro. Tive muito tempo para isso, afinal, foram absurdas três horas de espera – o show marcado para 19h começou às 22h – e um filme me passou pela cabeça. De um círculo ora restrito, o Black Metal se tornou tão grande quanto qualquer outro estilo do Metal – vide o tamanho da fila para entrar na casa e também o público que lotou o Carioca para ver o Immortal três semanas antes.

    De fora do Hangar, dava para ouvir o Satyricon passando o som. O próprio Frost montou o seu set de bateria e há quem diga que ele já estava com o ‘corpse paint’ desde quando a banda entrou na casa. Um teclado denunciou de onde viriam alguns samplers e os backings pré-gravados de Satyr. O pedestal formava um enorme tridente e o kit de bateria de Frost tomava toda a parte de trás do palco.

    Perto das 22h, uma pequena introdução serviu para a entrada de cada componente da banda – nas apresentações na América Latina completaram o line-up os músicos Steinar “Azarak” Gundersen e Gildas Le Pape (guitarras) e Silmaeth (baixo, ex-Mayhem). Satyr se posicionou frente ao tridente-pedestal, segurou suas duas pontas, olhou para todos os cantos da casa e perguntou: “Are you ready for this?” E assim começou o show com Repine Bastard Nation, do álbum Volcano, de 2002.

    The Wolfpack, de The Age Of Nero (2008) e Now, Diabolical, do disco homônimo, colocaram por água abaixo as esperanças daqueles que ainda tinham algum suspiro de ouvir um set só de clássicos antigos, embora a execução de uma obra de arte como Forhekset, de um dos discos mais fundamentais da história do Black Metal, Nemesis Divina (1995), oferecesse um feitiço de esperança. Foi interessante ver Satyr pedindo para o público fazer um coro na parte final do piano, talvez por saber dessa peculiaridade da plateia brasileira.

    Sim, o Satyricon não é nem sombra do que foi musicalmente e magistralmente nos seus primeiros álbuns. Mas, apesar de diferente, gosto do teor mais sombrio, dark, rústico e cadenciado dos discos mais novos pós Rebel Extravaganza (1999) – ainda incompreensível para mim. E uma das grandes obras desde período tem o nome de Black Crow In A Tombstone e sua áurea negra de Celtic Frost e excelente contexto.

    Ver Walk The Path Of Sorrow, do distante Dark Medieval Times (1994), foi como ter múltiplos orgasmos. Ainda que ao vivo tenha perdido seu conteúdo quase sussurrante, me senti transportado para duas décadas atrás. Filthgrinder não tem poder de fogo para competir, embora caótica. Commando e The Pentagram Burnsprovaram que boa parte do público aceitou bem a mutação do Satyricon. Nesta última, Satyr empunhou a guitarra e iniciou os riffs. Frost era incansável e agitava a cada levada de bateria.

    Possessed, mais uma de Vulcano, abriu caminho para um clássico inesperado: a onipotente Du Som Hater Gud, executada em especial para o show do Brasil. Sensação igual só foi possível perante Hvite Krists Dod, que introduziu o clássico The Shadowthrone (1995) no set. E, sim, Mother North! Satyr ameaçou deixar o palco sem tocá-la e foi surpreendido por incansáveis pedidos da plateia. Frost estava exausto, provavelmente sofrendo muito com o calor quase insuportável dentro do Hangar. E ela começou com a parte do meio, com Satyr regendo o coro, e foi inexplicável a sensação de presenciar monumental obra do Black Metal. Se fosse o rei da Noruega, já teria a instituído como o hino nacional daquele país – assim como Valhalla, do Bathory, está para o hino nacional sueco. Um final estonteante, como deveria ser.

    Em certo momento do show, Satyr disse que não entendia sequer uma palavra em português, mas sabia pelos olhares e pela expressão dos rostos de cada presente qual era a resposta para o show que acabaram de ver, o que o animava ainda mais a tocar e não deixar o palco. “Poderia ficar e tocar aqui eternamente”, refletiu. Nós também, Satyr. Tenha certeza disso.

    SET LIST: 1. Repined Bastard Nation 2. The Wolfpack 3. Now, Diabolical 4. Forhekset 5. Black Crow on a Tombstone 6. Walk The Path Of Sorrow 7. Filthgrinder 8. Commando 9. The Pentagram Burns 10. Possessed 11. Du Som Hated Gud 12. The Sign Of The Trident 13. Hvite Krists Død Encore: 14. K.I.N.G. 15. Fuel For Hatred Encore 2: 16. Mother North
  • DESTRUCTION

    DESTRUCTION

    O Destruction estava ausente das terras Australianas há nove anos, daí a grande expectativa por trás dessa minitour de quatro datas, uma delas em Melbourne. Embora seja a segunda maior cidade da Austrália, disputando cabeça a cabeça o título com a turística Sydney, Melbourne tem o maior público underground de Rock e Metal por essas terras, devido a sua raiz fortemente europeia e temperaturas mais baixas.

    Andando pelo centro da cidade e frequentando casas de Rock e Metal encontra-se representantes de todos os subgêneros do estilo: headbangers, ‘old-school/True Metal’, góticos, etc. Duas curiosidades importantes: impressionante a força do renascimento dos anos 80 (de Glam a Thrash) –  garotos adolescentes andam vestidos como se estivéssemos em 1987 e bandas dos anos 80 são adoradas como ícones – e o fato de haver mais homogeneidade (menos extremismos) nos shows. Espetáculos como esse atraem os fãs radicais do estilo, vestidos a caráter, mas também fãs de vários outros estilos de Metal, Rock, ou mesmo de música, sem que isso cause qualquer conflito.

    O local do show, Prince Bandroom (foto acima), é bastante curioso: um salão que abriga eventos como festas e bailes, com o palco localizado em um canto, e dois bares no outro, com alguns sofás (isso mesmo, sofás) nas laterais. Não mais do que mil pessoas testemunharam a competente abertura – por volta das nove da noite – dos Australianos do 4ARM, com seu Thrash direto marcado por fortes influências oitentistas.

    O aquecimento dos ávidos headbangers continuou por volta das dez e meia da noite e ficou por conta dos veteranos do Mortal Sin. Banda australiana de considerável renome internacional – o Sepultura deles, guardadas as devidas proporções – foi ovacionado pelo público, que cantou a maioria das músicas, bangueou e abriu diversas rodas.

    O repertório foi variado, apresentou faixas de toda a carreira, mas obviamente destacou o álbum mais recente Psychology Of Death(2011), e os clássicos Face Of Despair e Mayhemic Destruction. Quando tocaram a faixa homônima deste último, dedicaram-na à banda principal da noite – por motivos óbvios!

    Os únicos integrantes originais do Mortal Sin são o vocalista Mat Mauer e o baixista Andy Effichiou – que tocam e agitam como se estivéssemos em 1985. O restante da banda – Ryan Huthnance e Nathan Shea (guitarras) e Luke Cook (bateria) – mostrou muito entrosamento, técnica e não deixou a peteca cair em nenhum momento: riffs metralhadora, peso, mudanças de andamento alucinantes, toda a receita necessária para entortar qualquer pescoço calejado.

    Finalmente, às 23h30 – algo incomum para os padrões australianos, onde shows principais geralmente acabam antes da meia noite – apagaram-se as luzes e começou a pancadaria do Destruction com as clássicas Curse The Gods e Mad Butcher, levando o público à loucura.

    Na primeira interação, o veterano líder, baixista e vocalista Schmier saudou o público, pediu desculpas pela longa ausência e notou que uma das colunas do salão (que, pasmem, ficava em frente ao meio do palco, tampando a visão) tinha uma decoração em estilo de palmeira (!). Pediu ao público que abrisse um ‘mosh pit’ em volta da mesma e foi atendido de imediato – ao chamar os acordes de Armagedonnizer, seguida de Hate Is My Fuel, ambas do novo e competente álbum Day Of Reckoning. Em seguida pediu que alguém filmasse o ‘mosh pit’ circular (que lembrou o do clipe de Thorn In My Side, do Exodus) e colocasse no YouTube…

    Continuou a noite apresentando o veterano e competente guitarrista Mike Sifringer – que metralha riffs com precisão como se fosse fácil – e o “novo bastardo” baterista Vaaver (Wawrzyniec Dramowicz), que puxou um rápido solo e emendou Eternal Ban. Foi a vez de então voltar aos anos 2000 com D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. – apresentada sob criticas aos governos e taxas que pagamos – Thrash ‘Til Death e Nailed To The Cross, esta última tendo seu refrão urrado pelos presentes. Ainda nos anos 2000, veio Metal Discharge, dedicada aos fies fãs do gênero, que o mantiveram vivo sobrevivendo a modismos e tendências.

    Schmier então criticou a organização da casa, pois o evento era restrito a maiores de dezoito anos (N.R.: na Austrália a venda de bebidas alcoólicas a menores de dezoito anos é proibida e muito controlada; muitos shows têm áreas distintas para os menores, ou identificação adequada, o que não ocorreu aqui). Isto limita em muito o público, já que os adolescentes têm que ficar de fora. Após mandar a clássica Bestial Invasion, voltou ao assunto dizendo que pessoas da idade dele (ele tem 44) iniciaram o Metal nos anos 80 e, com certeza, havia pessoas dessa época lá, mas seria bom que as regras fossem mais flexíveis pois é importante formar novas gerações, o que concordo plenamente.

    Veio então o bis com a trinca Total DesasterInvincible Force e The Butcher Strikes Back, que geraram novas rodas, bate cabeça, ‘crowd-surfing’ e ‘stage diving’ do pequeno palco, com seguranças tentando aplacar os ânimos e a dupla de frente da banda tentando se esquivar da confusão e continuar tocando – ao mesmo tempo que apreciando muito a excitante resposta do público Australiano a esse ícone do Metal mundial.

    Set List: Curse The Gods Mad Butcher Armagedonnizer Hate Is My Fuel Eternal Ban D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. Thrash ‘Til Death Nailed To The Cross Metal Discharge Bestial Invasion Total Desaster Invincible Force The Butcher Strikes Back

  • KISS FEST 2

    KISS FEST 2

    Pela segunda vez, o guitarrista Bruce Kulick passou pelo Brasil como atração principal da “Kiss Fest”, evento que celebra o trabalho da banda de Gene Simmons e Paul Stanley, e também pela segunda vez o show teve edições em São Paulo e em Campinas.

    Após uma bem sucedida apresentação na capital paulista na véspera, o clima era algo tenso no dia seguinte em Campinas: um infeliz acidente doméstico naquela madrugada havia custado uma fratura na mão do guitarrista Tony, que interpreta Paul Stanley na banda Killers. A solução foi convocar às pressas o guitarrista Simon Lira, integrante da versão acústica do Killers, e fazer um show mezzo elétrico, mezzo acústico. E, mesmo com os problemas, a banda foi muito bem, diante de uma galera numerosa e participativa. O set elétrico teve apenas músicas cantadas por Gene Simmons, que o baixista/vocalista Fernando Luiz incorpora à perfeição. E no set acústico, em formato de trio, o agora vocalista/violonista Simon roubou a noite com uma interpretação vigorosa e emocionante de I Still Love You. Mais algumas músicas em formato elétrico e Rock And Roll All Nite encerrou a primeira parte da noite, num “esquenta” perfeito para o que viria a seguir.

    Entre um show e outro, subiu ao palco Lydia Criss, ex-esposa de Peter Criss e autora do livro “Sealed With A Kiss”, que conta os bastidores dos primórdios da banda. Simpática, sorridente e com um inseparável copo de uísque por perto, Lydia não se furtou a responder qualquer pergunta e ainda mostrou grande senso de humor quando perguntada sobre o que Paul e Gene tinham achado de seu livro: “Devem ter gostado, porque ainda não me processaram…”

    Após esse curto intervalo, era a vez de Bruce Kulick, que se fazia acompanhar do vocalista argentino Sebastian Gava e sua banda. Gava, para quem não sabe, é um vocalista e guitarrista que é um verdadeiro sósia de Paul Stanley, além de ter um registro vocal muito próximo ao do músico americano. Gava já gravou com suas bandas Kefren e Máfia, além de manter um trabalho como artista solo. Além disso, já gravou com gente como Gilby Clarke, Eric Singer e o próprio Kulick, e mantém sua banda tributo ao Kiss chamada Kiss My Ass.

    Kulick e Gava foram acompanhados pela banda do vocalista, formada pelos excelentes Fernando Calabresi (guitarra e vocais), Gustavo De Filippo (baixo e vocais) e Leandro Bordicelli (bateria e vocais).

    Logo de cara, uma surpresa: apesar de, obviamente, Bruce privilegiar as músicas do Kiss da fase em que fez parte da banda, o show começou com a poderosa Love Gun, gravada pela formação clássica da banda no álbum homônimo em 1977. A partir de então, o repertório baseou-se no material registrado por Bruce, com destaque para as baladas Tears Are Falling e Forever, nas quais Gava deu um autêntico show. Já Kulick continua com sua postura discreta em cena, mas agora se aventurando muito mais nos vocais, algo que pouco fazia anteriormente. Como guitarrista, continua esbanjando experiência, técnica e simplicidade. Bruce provou mais uma vez que para ser guitarrista não é preciso tocar notas à velocidade da luz nem dar cambalhotas no palco. A guitarra é um instrumento musical e é assim que ele o encara, para felicidade de nossos ouvidos.

    I Love It Loud aumentou consideravelmente o índice de decibéis no Sebastian Bar, com a galera berrando o grito de guerra do refrão como se não houvesse amanhã. A dupla que fechou a primeira parte do show também ganhou forte participação da galera, que entoou com vontade os refrãos grudentos de Heaven’s On Fire e Crazy Crazy Nights.

    Era a hora daquela saidinha falsa de cena para voltarem com mais dois clássicos indiscutíveis: Lick It Up (outra que não foi gravada por Kulick) e a marcante God Gave Rock’n’Roll To You II, que, além de várias outras coisas, foi a última gravação de Eric Carr como Kiss (debilitado, ele apenas gravou backing vocals).

    Foi uma bela celebração, como o Kiss realmente merece. As duas bandas que se apresentaram honraram plenamente o legado do grupo de Paul & Gene e o sorrisão na cara da galera na hora da saída comprovava que o público concordava com isso. Que venham muitas outras celebrações como esta.

  • ALMAH

    ALMAH

    Após se apresentar em São Paulo, no Manifesto Rock Bar, Edu Falaschi e seu Almah estiveram em Campinas no domingo, dia 30, para apresentar um show praticamente idêntico ao da véspera.

    Antes da atração principal, no entanto, foi a vez do grupo local Heptah. De cara, uma situação no mínimo estapafúrdia marcou a entrada da banda em cena. Um de seus guitarristas se atrapalhou com o instrumento, quebrou corda e o que se viu como resultado disso foi o tal músico sentado no palco cuidando de consertar seu instrumento enquanto o resto da banda, também em cima do palco, mostrava um variado repertório de sorrisos amarelos – tudo isso em frente ao público. O Sebastian Bar tem um belíssimo camarim e a plateia poderia ter sido poupada dessa cena…

    Uma vez resolvido o problema, o que se viu foi uma banda de Prog/Power comum que se ressente da falta de um ‘frontman’ (os dois guitarristas dividem os vocais) e que tem como destaque um baterista que, se não é absurdamente técnico, se destaca pela fúria e pela pegada.

    O Almah subiu ao palco em seguida com a galera nas mãos e não negou fogo. Apresentando um repertório idêntico ao executado na véspera, a banda subiu ao palco com Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Moreira (bateria) e Ian Bemolator (do Dark Avenger) na outra guitarra. Edu explicou que o titular do posto, Paulo Schroeber, teve diagnosticado um problema cardíaco e estava em repouso por orientação médica.

    E esse foi o único problema enfrentado pela banda – não que Ian tenha mostrado um mau desempenho, muito pelo contrário, mas era visível a preocupação de Edu e da banda. Porém, como o show deve continuar, a banda foi desfilando seu repertório que abrangeu músicas de seus três discos – Almah (2006), Fragile Equality (2008) e Motion (2011).

    O que mais chamava a atenção no palco era a tranquilidade com que Edu desfilava o repertório. De fato, a iniciativa de se dedicar apenas a trabalhar em músicas que se adaptem às características naturais de sua voz foi mais do que acertada e nesse show ele mostrou que continua sendo um cantor de inúmeras qualidades. Além disso, o entrosamento e qualidade absurda da banda deixavam o vocalista totalmente à vontade para apresentar o set list. Impossível apontar qualquer destaque entre eles, já que todos, incluindo o “improvisado” Ian Bemolator, cumpriram seus papeis com perfeição.

    Assim como em São Paulo, o vocalista Vitor Cutrale (Furia Inc.) se uniu à banda em Zombies Dictator, fazendo um interessante contraponto entre seus guturais com os vocais limpos de Edu.

    O público, que, se não lotava a casa, compareceu em bom número, reagia beirando o êxtase a cada música, cantando junto com Edu e participando de cada momento do show, comprovando que o projeto paralelo do vocalista pode se tornar sua banda principal assim que ele assim o desejar.

    Foram menos de duas horas de show, sem direito a bis. E, assim como na Capital, em Campinas ele também não fez falta. A banda saiu de cena com a sensação de missão cumprida e o público foi para casa, já no início da madrugada de segunda-feira, satisfeito por ter visto um show autêntico, muito bem ensaiado e tocado/cantado com garra e tesão.

  • SIRENIA

    SIRENIA

    Pouco mais de um ano após sua primeira passagem pelo Brasil, o grupo norueguês Sirenia retornou ao país após passar pelo México, Peru, Chile e Argentina. Com dois shows seguidos marcados no Blackmore Rock Bar, em São Paulo (SP), fomos conferir a apresentação extra, ocorrida no domingo, 30.

    Pouco antes das 20h, os paulistas da Ravenland abriram a noite. Divulgando seu mais recente lançamento, o EP Memories, a banda conta agora com uma nova vocalista, Juliana Rossi, que mostrou boa presença em palco e uma voz potente ao lado do vocalista e líder Dewindson Wolfheart. “Eu particularmente já conhecia todo o potencial e profissionalismo de Juliana. Dividimos o palco por diversas vezes com sua antiga banda Hevorah e, inclusive, quando ela me convidou para cantar na abertura para o Nightwish, em 2008”, declarou o Dewindson. “Estamos realmente satisfeitos com sua performance vocal, sua atitude profissional no palco, interatividade com o restante da equipe da banda e com os fãs”, acrescentou.

    A apresentação serviu como aquecimento aos poucos presentes na casa, mas sem teclado, o Gothic Metal do Ravenland perdeu um pouco de sua ambiência e a banda ainda estuda seguir com ou sem o som do instrumento.

    Já beirava às 21h deste domingo chuvoso quando o Sirenia deu as caras. Mesmo ainda em início da turnê de promoção de seu mais recente álbum, The Enigma Of Life, era notável certo cansaço e desânimo na banda. Talvez o baixo público tenha abatido os músicos, mas ainda assim eles fizeram seu show completo.

    Mesmo com ênfase nas músicas novas, o Sirenia não ignorou seu velho material, brindando os fãs com clássicos dos primeiros álbuns, como Meridian (a que mais agitou banda e público) e Star-Crossed. Além destas, hits mais recentes como The Other Side Downfall também foram bem recebidos. Um dos destaques foi a entrada com The End Of It AllFading Star e a versão em espanhol da faixa-título do novo álbum, aqui intitulada El Enigma De La Vida – lembrando que a bela vocalista Ailyn é espanhola.

    Apesar de notar o contentamento dos fãs, foi impossível não se prender a detalhes: a banda segue sem baixista e com o som do instrumento via samplers, o excesso de playbacks e desta feita não apenas para os corais, a total falta de pegada do baterista Jonathan A. Perez e a falta de entusiasmo do novo guitarrista Jan Erik. Morten, apesar da simpatia, também estava apático. Com isso, tivemos um show musicalmente perfeito, mas performaticamente bem morno. Sites relacionados: www.ravenland.net www.sirenia.no www.darkdimensions.com.br www.rocktvbar.com.br

  • ONSLAUGHT

    ONSLAUGHT

    Com um final de semana agitado e repleto de shows alguém tinha que pagar a conta e os britânicos do Onslaught, que se apresentaram na noite de domingo (30) no Manifesto Bar (SP), foram a bola da vez. Com shows de Aerosmith e Sirenia no mesmo dia, um pequeno número de seguidores foi conferir uma das lendas do Thrash Metal mundial.

    Promovendo o recente lançamento, Sounds Of Violence (2011), e vindo de shows na Argentina (21 e 22) e em Maringá (PR), Campinas (SP) e Catanduva (SP), os ‘thrashers’ podem ter sofrido com a falta de público, mas fizeram um show impecável. “Os shows que fizemos até o momento no Brasil e na Argentina foram muito bons”, disse o guitarrista Nige Rockett. “O Aerosmith tocou hoje e isso pode ter atrapalhado um pouco, mas tudo bem; quem compareceu foram nossos fãs e demos o nosso máximo tocando para eles”, acrescentou.

    Sem banda de abertura, o set teve início às 21h com a furiosa Killing Peace, faixa título do álbum homônimo lançado em 2007, o primeiro após o retorno à ativa ocorrido em 2004. Com o público agitando e gritando, a nova Born For Warcomprovou que a ótima aceitação ao recente álbum. “A receptividade para o novo álbum vem sendo muito boa! Foram as melhores críticas que o Onslaught já teve em sua história. Não poderíamos pedir mais que isso!”, destacou Nige Rockett.

    Com um som absolutamente cristalino e forte, o set seguiu com Let There Be Death, faixa de abertura do clássico The Force e apresentada com entusiasmo por Sy Keeler. O vocalista não cansou de agradecer o apoio dos fãs e teve um desempenho fantástico, mostrando sua versatilidade no vocal. Após outra das novas, The Sound Of Violence, foi a vez de Angels Of Death, primeira do clássico ‘debut’ Power From Hell (1985), que destacou o lado Punk do grupo. Por sinal, o fundador Nige Rockett estava com a camiseta do Discharge, certamente uma das influências no início de carreira do Onslaught.

    O set seguiu com Planting Seeds Of Hate, de Killing Peace, com seu começo bem marcado e com palhetadas abafadas típicas do Thrash. Com a adrenalina a mil e uma performance de palco energética, o baixista Jeff Williams interagiu o tempo todo com a plateia. Já o novo baterista, Mike Hourihan (Extreme Noise Terror, Desecration) – substituto do veterano Steve Grice –, mostrou estar totalmente adaptado e teve uma performance elogiada até por seu companheiro de banda. “Mike é um baterista fantástico e está levando a banda a outro nível. Ele realmente veio para somar e isso se comprova em nossos shows, pois vem desempenhando um ótimo papel tanto nas músicas antigas quanto nas novas. Estamos ansiosos para poder gravar o novo álbum com ele”, analisou Nige.

    O foco então voltou ao álbum The Force, com Metal Forces e Flame Of The Antichristtocadas em sequência. Shellshock, de In Search Of Sanity (1989), relembrou a fase com o vocalista Steve Grimmett (Grim Reaper). Novamente, os destaques foram os riffs de Andy Rosser-Davies e Nige Rockett, perfeitos convites para o ‘headbanging’, que se seguiu com Demoniac, mais uma de The Force.

    A violenta Burn, faixa de abertura de Killing Peace, foi um dos pontos altos do show, com destaque para os vocais agressivos de Sy Keeler no final do refrão – “Burn, burn, burn / Ash to ashes, dust to fucking dust” –, mais um convite ao ‘banging’. Caminhando para o final, veio o grande clássico Power From Hell, recebida com entusiasmo pelos presentes. Os músicos deixaram o palco e os fãs aguardaram com ansiedade pelo encore, que veio com o cover de Bomber (Motörhead), faixa bônusde Sounds Of Violence que conta com participações especiais de Phil Campbell (Motörhead) e Tom Angelripper (Sodom).

    Após saudar o público, os músicos deixaram o palco e momentos depois já estavam interagindo com seus fãs, tirando fotos e concedendo autógrafos com a maior tranquilidade. “Gostamos muito do show de hoje, foi ótimo. Todos que estiveram aqui agitaram bastante e é isso que importa para o Onslaught”, disse Nige.

    Desta vez a desculpa de ingressos caros – as entradas custaram R$ 40 – não pode ser usada por quem não compareceu e quem sabe um dia as pessoas possam notar a importância dessa lenda do Thrash Metal. O guitarrista-fundador adianta que estão em uma ótima fase e animados para seguir o processo de composição do novo álbum de estúdio, que será lançado novamente pela AFM Records. “Já começamos a compor e temos duas músicas prontas. Gravaremos o novo disco no final do ano que vem, para lançá-lo ainda no final de 2012 ou no início de 2013”, adianta Nige Rockett.

    A “Sounds Of Violence – South American Tour 2011” segue para Santo André/SP (02/11) e se encerra com shows no Chile e no Peru.

  • ALMAH

    ALMAH

    Após toda a repercussão negativa do show do Angra no “Rock In Rio”, no dia 25 de setembro, era nítida a curiosidade de fãs e imprensa em ver como o vocalista Edu Falaschi estava cantando ao vivo com o Almah – que tem em sua formação músicos com uma qualidade excepcional. E depois de assistir ao show desde sábado (29), é possível afirmar que ele surpreendeu e cantou melhor do que nunca.

    Em entrevista exclusiva à ROADIE CREW na edição #154, o vocalista contou todos os problemas que está passando por causa do refluxo, doença que o aflige há sete anos. Depois de soltar uma carta à imprensa informando, entre outras coisas, que só ia cantar músicas se adequassem ao seu vocal, Falaschi fez jus à sua fama para um Manifesto cheio – cerca de 300 pessoas estiveram no evento.

    Em turnê de divulgação do recém-lançado álbum Motion, o Almah entrou no palco por volta da 1h sem introdução alguma e com muito peso em Hypnotized, faixa que abre este seu último trabalho. Vale destacar o entrosamento de todos os músicos, principalmente da cozinha formada por Felipe Andreoli (baixo) e Marcelo Moreira (bateria). A surpresa ficou por conta da presença do guitarrista Ian Bemolator (Dark Avenger) no posto de Paulo Schroeber, que está afastado da banda por ordem médica.

    Beyond Tomorrow veio na sequência com toda melodia e velocidade de seus riffs e linhas de bateria presentes no disco Fragile Equality. Em compensação, Children Of Lies, faixa do álbum de estreia, a cadência e o lado Hard Rock de Edu Falaschi vieram à tona – o vocalista é fã confesso das bandas de Hard Rock dos anos 80. Bullets On The Altar, polêmica, diga-se de passagem, traz uma letra que crítica a posição da religião em ataques terroristas, sobretudo daqueles atos realizados em nome de “deus”. Ao vivo a música ganhou ares apoteóticos. Outra que surpreendeu foi Zombies Dictator, que contou com a presença de Victor Cutrale (Furia Inc.) cantando os guturais perfeitamente.

    Fragile Equality e Late Night In ’85 são mais introspectivas, principalmente a última, que tem em sua letra uma homenagem ao pai de Edu Falaschi em suas entrelinhas. You’ll Understand mostrou um pouco da influência do Angra, com riffs rápidos e solos com muita melodia. Destaque para os guitarristas Marcelo Barbosa e Ian Bemolator. Em Breathe o vocalista colocou toda sua qualidade na hora de passar emoção em suas linhas vocais, digno de nota. Days Of The New, com suas influências de Carcass, colocou a casa abaixo com rodas por todo o local.

    O show seguiu com as ótimas Birds Of Prey e When And Why (uma balada que poderia estar em qualquer disco do Angra) e o público não parecia cansado, pelo contrário, queria mais. Living And Drifting fez com que Edu surpreendesse a todos novamente, pois cantou as linhas vocais iguais ao do disco, inclusive com seus característicos ‘drives’. KingTrace Of Trait e a excelente Torn fecharam a apresentação de maneira empolgante. O Almah foi corajoso em não tocar nenhuma faixa do Angra ao vivo, principalmente para não compararem a performance de Edu com a de sua banda.

    Os fãs queriam mais músicas do Almah, mas esse foi um show em que o bis não fez falta nenhuma. No fim, foi melhor assim, pois todos saíram com uma certeza em suas cabeças: a banda tem tudo pra estourar. Aguardemos os próximos capítulos dessa história. Que todos os músicos e bandas envolvidas fiquem bem e unidas. O Metal nacional agradece e aplaude de pé!

  • ONSLAUGHT

    ONSLAUGHT

    Mesmo sendo uma plena quinta-feira, o evento promovido pelo Sebastian Bar no último dia 27 de outubro merecia um público maior. Afinal, dois nomes que devem e merecem ser reverenciados pelos admiradores do Thrash Metal, o brasileiro Kamala e o britânico Onslaught, subiram ao palco da casa prometendo shows do mais alto nível.

    Os brasileiros tocaram da mesma forma que sempre o fazem: como se não houvesse amanhã. Num set muitíssimo bem ensaiado, dinâmico e enxuto, conseguiram alinhar nada menos que onze temas tirados de seus dois discos, os ótimos Kamala (2007) e Fractal (2009). Mesmo com a galera ainda adentrando à casa, o quarteto mostrou garra e performance como se estivesse diante de um estádio lotado, deixando bem claro o profissionalismo da banda. O som levemente embolado não chegou a prejudicar a banda, que saiu ovacionada de cena, como sempre costuma acontecer. O Kamala é um dos muitos nomes do Thrash nacional que merece ser acompanhado por atenção e certamente tem tudo para ser mais uma banda brasileira para fazer sucesso mundial.

    Num intervalo curtíssimo no qual foi trocado todo o palco (aplausos ao roadie que comandou a operação), o Onslaught tomou a cena mostrando que, numa daquelas situações inexplicáveis com que tanto nos deparamos no Heavy Metal, tem fama muito inferior à sua competência. Diante de uma casa um pouco mais cheia (mas ainda abaixo do que merecia), deu início aos trabalhos com Killing Peace, do álbum homônimo de 2007 – e do qual mais músicas seriam apresentadas no show.

    De cara, deu pra perceber que o som melhorara muito e que a banda tem uma precisão e uma pegada de impressionar. Sem conversa com a galera e sem pausa pra respirar, o Onslaught emendou mais quatro petardos na sequência: Born For War(de Sounds Of Violence, 2011), Let There Be Death (The Force, 1986), Sounds Of Violence (idem) e Angels Of Death (Power From Hell, 1985). Essa série serviu para deixar claro que, apesar de mesclar músicas de várias fases de sua carreira, o estilo do Onslaught permanece praticamente imutável, permitindo que sejam emendados temas com diferença entre si superior a 25 anos.

    Essa pancadaria jogada na cara da plateia de uma só vez já permitiu mostrar que o entrosamento da banda é absurdamente profissional e que individualmente seus músicos são dignos dos maiores aplausos. A velocidade fica por conta da ‘cozinha’ composta por Jeff Williams (baixo) e Mike Hourihan (bateria) – aliás, se você acha que já viu Mike vendendo incenso e batendo sininho no farol, é mera impressão. Mas que o cara está idêntico a um adepto do Hare Krishna, isso está…

    O guitarrista Nige Rockett, único membro fundador a permanecer no time, tem uma participação aparentemente mais discreta do que seu companheiro de seus cordas, Andy Rosser-Davies, mas na hora em que o amplificador deste último apresentou problemas e ele teve que se virar sozinho, mostrou que tem talento de sobra.

    Já Rosser-Davies é daqueles guitarristas discretos, que se movimenta pouco e toca muito. Observando-o em cena, dá a impressão de que tocar guitarra é mais fácil do que comer um prato de feijão com arroz. Mas o motor do Onslaught é o vocalista Sy Keeler. Postura simpática no palco, Sy se destaca pelo timbre raro, um agudo com gutural sem exagero, pela potência e pela afinação irrepreensível. Verdadeiro exemplo para muito gritador que se pretende vocalista de Heavy Metal.

    Na primeira pausa, o vocalista conversou rapidamente com a plateia, repetiu várias vezes o nome da cidade de Campinas e fez aquele agradecimento protocolar em português.

    Planting Seeds Of Hate (de Killing Peace) e Metal Forces (The Force) vieram em seguida, fazendo o galera, em número razoável a essa altura, abrirem rodas na pista do Sebastian Bar, algo raro num local habituado a abrigar shows de Classic Rock.

    Mais um papinho rápido com a galera por parte de Sy e lá íamos para a parte final do show, com Flame Of The Antichrist (The Force), Shellshock (única de In Search Of Sanity, 1989), Demoniac (The Force) e Burn (Killing Peace). Aquela saidinha fingida antecipou a rápida volta da banda ao palco e a última música da noite, Power From Hell, do disco de mesmo nome.

    A saída de cena da banda foi saudada com entusiasmo pelo público, fazendo com que a segurança tivesse algum trabalho para colocar os músicos no camarim em paz. E era evidente nas caras dos cinco a satisfação pelo ótimo show e pela ótima resposta da galera. Pena que, numa daquelas injustiças que tanto vemos no mundo do Metal, muita gente tenha preferido ficar em casa a ver um belíssimo espetáculo como esse.