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  • GOTHMINISTER: TREVAS GÓTICAS NORUEGUESAS

    GOTHMINISTER: TREVAS GÓTICAS NORUEGUESAS

    Fotos: Sebastian Ludvigsen

    Por Valtemir Amler

    Na Noruega dos anos 90, se uma nova banda surgia em qualquer lugar do país, você já sabe, era quase certeza de se tratar de uma nova formação de black metal. Se não fosse, a chance predominante era de ser uma banda gótica do estilo ‘beauty and beast’, bem aos moldes dos clássicos Theatre Of Tragedy, Tristania e Trail Of Tears. Obviamente não era só isso que existia na cena pesada norueguesa, e um dos melhores exemplos disso era o Gothminister. Formado em 1999, o projeto musical liderado pelo vocalista Bjørn Alexander Brem não caminhava pelas trilhas do black nem tampouco do gothic beauty and beast, mas incorporava elementos específicos de ambas em sua inteligente trama musical, trazendo trevas ao chamado gothic industrial metal. A despeito das probabilidades negativas (por conta do que explanamos no início), o sucesso veio rápido, e já com o lançamento do seu debut, Gothic Electronic Anthems (2003) a banda se tornou sensação especialmente na Alemanha, onde a mistura de música gótica, eletrônica e industrial sempre teve grande público.  O álbum seguinte, Empire of Dark Salvation (2005) garantiu uma exposição internacional ainda maior, sendo lançado inclusive no Brasil, e todos já percebiam que a banda era uma realidade e uma constante no cenário. A passagem dos anos, as inevitáveis transformações na indústria musical e na maneira como consumimos música, nada disso parece ter afetado o apetite musical do Gothminister (nome adotado pelo líder, Bjørn Alexander Brem) que se mantém firme e lançando novo material em intervalos regulares. Veja o que ele tinha a nos dizer sobre isso.

    Uma das coisas que sempre me marcou na música do Gothminister é a maneira como equilibram os dois lados da música industrial, de um lado os riffs gordos e repletos de groove do industrial metal, e de outro, a ambiência e atmosfera do eletrônico. Tudo isso gera uma inequívoca aura gótica na sua música. Como foi sua relação com a música gótica, na juventude?

    Bjørn Alexander Brem: Bem, no início de tudo, ainda antes de eu pensar em compor minhas próprias músicas, eu era muito fã de música pesada. Você sabe, ouvia muito thrash, death e black metal, e ouvia até um pouco de power metal, ocasionalmente, embora não fosse nada do que eu realmente gostava. Existiam algumas bandas que eu seguia com mais atenção, Obituary, Kreator, Coroner, Slayer, Metallica, Iron Maiden, Manowar, você sabe os gigantes da nossa época, aquelas bandas que você simplesmente não tinha como evitar porque eram boas demais e estavam em todos os lugares. Dentre as bandas que eu também apreciava muito, estava o Paradise Lost, mas na época ainda não tinha assimilado toda essa coisa do gótico, foi algo que foi vindo aos poucos, conforme eu ia me envolvendo mais e mais com a música no papel de música, e não apenas como fã.

    E quando isso efetivamente começou a ocorrer?

    Bjørn: Ah, já foi há muito tempo, meu amigo! Veja, lá pelo final dos anos 80 eu e alguns amigos já tínhamos uma banda de thrash metal. Na Noruega nunca tivemos muitas bandas de thrash, o que é engraçado, pois existiam muitos fãs desse tipo de música por aqui, mas a coisa simplesmente não vingava, parece que o lance era o death e o black.

    É verdade, mas ainda assim acho que o Equinox estava entre os melhores em todo o mundo.

    Bjørn: Ah sim, concordo totalmente. Eles eram ótimos, muito técnicos. Acho que sempre foram os maiores do thrash por aqui, conseguiram até um contrato internacional, eu acho (N.R: Em 1990 o Equinox assinou com a poderosa RCA para o lançamento de seu segundo álbum, The Way To Go. O acordo ainda incluiu o próximo e penúltimo álbum oficial dos noruegueses, Xerox Success, de 1992). Mas as coisas realmente não aconteciam para o thrash por aqui, então nós acabamos ficando para trás. Nos anos 90, ainda na primeira metade da década, já me envolvi com uma banda industrial, o Disco Judas. Fiquei com essa banda de 1994 até 1999, que foi quando a banda se separou. Naquele mesmo ano, formei o Gothminister.

    Como funcionou essa história?

    Bjørn: Bem, a história por trás no nascimento do Gothminister é que um amigo me convidou para ir com ele até um clube gótico, um dos muitos que tinham na Noruega naquela época. Ele falou que deveria ir, porque era algo muito diferente e que iria expandir meus horizontes artísticos, a coisa toda que você fala quando quer convencer alguém a fazer algo (risos). Eu fui até lá, e detestei o visual, era tudo andrógeno demais para mim, muito distante de toda a experiência que tinha tido no mundo do metal até então. Eu pensava, ‘ok, não é isso que quero para mim, definitivamente não é isso que quero fazer’. Por outro lado, a música já tinha me conquistado! As melodias melancólicas misturadas com aquelas batidas dançantes, a coisa toda acabou me ganhando com a musicalidade e o ambiente. Bom, naquela mesma noite, após várias cervejas, comecei a conversar com o meu amigo, falei que aquilo me dava uma visão, que imaginava uma banda que pudesse mesclar aquilo com as guitarras pesadas de um Rammstein ou Ministry, uma banda que atuasse como uma espécie de liderança para aquele cenário, um ‘Gothminister’, por assim dizer. Disse que queria uma imagem mais masculinizada, mais assustadora, mais rígida e autoritária, para combinar com a proposta do ‘goth’ e do ‘minister’, entende? Tinha que ter a aura do ‘gótico’, mas também aquela sensação de autoridade do ‘ministro’. A ideia, o conceito nasceram basicamente pronto na minha cabeça.

    Inspiração em estado bruto.

    Bjørn: Sim, boas ideias nasceram daquele dia, que não esqueço por vários motivos. Primeiro, porque foi basicamente ali que nasceu o Gothminister. Segundo, porque fiquei realmente bem doente.

    O que houve?

    Bjørn: Basicamente, tive uma noite muito divertida, bebi muitas cervejas, tive boas ideias e de alguma maneira perdi a minha jaqueta. No final da noite, lá estava eu, voltando para casa apenas de jeans e camiseta em plenos -22ºC. Aí está uma experiência que não recomendo para ninguém, não façam uma idiotice dessas (risos).

    Ah, entendi. Foi uma experiência do tipo ‘quase morri, mas me sinto bem’.

    Bjørn: Pois é, literalmente isso (risos). Eu tive uma inflamação grave na garganta, achei que nunca mais poderia falar, mas isso nem foi o pior. Passei muito tempo de cama, febril, aquilo literalmente quase me matou. Tive que pausar meus estudos enquanto me recuperava, mas foram naqueles dias que escrevi as primeiras músicas do Gothminister, então acho que tudo bem, é um bom equilíbrio (risos).

    Acho que é a primeira vez que ouço uma história assim como a gênese de uma banda.

    Bjørn: Ah, a ideia era ser único mesmo (risos gerais). Bem, no início nem era uma banda, era um projeto só meu, um projeto eletrônico de um único homem, foi assim que a coisa originalmente foi concebida. Porém, eu sempre tive minhas raízes no metal, então não queria que ficasse daquele jeito. Eu queria uma banda, queria o som de uma bateria de verdade no palco, guitarras de verdade, música pesada, explosiva. E foi isso que fiz, busquei por instrumentistas, formamos uma banda de verdade e começamos a tocar, e o resto é história.

    Pelo que me lembro, no começo foi complicado.

    Bjørn: Foi sim, bem complicado. Nós tínhamos a banda, a imagem, o conceito e até as músicas, mas todos nos odiaram na Noruega! Esperávamos que fosse existir uma certa resistência no meio do metal, mas o que aconteceu foi que, no meio gótico, os caras olhavam para a gente e diziam ‘quem vocês pensam que são para chegar aqui dizendo que são os líderes de uma cena que não vivenciam e de que não sabem porra nenhuma?’. Quer dizer, era para ter sido o nosso fim, mas no fim das contas não poderia ter sido melhor (risos).

    Como assim?

    Bjørn: Ah, o que quero dizer é que no fim não precisamos gastar um centavo com promoção, entende? Aquela reação de verdadeiro ódio que tiveram por nós no meio gótico foi tudo o que precisávamos no início, começamos a ter muita atenção, todos estavam falando sobre nós, éramos uma piada basicamente, mas uma piada que recebia promoção gratuita o tempo todo! E esse ódio dos góticos garantiu nosso espaço entre os fãs de metal (risos).

    Se tivesse sido planejado, não teria funcionado tão bem.

    Bjørn: Exatamente (risos). E o engraçado é que hoje os góticos nos veem como uma liderança mesmo, vêm nos cumprimentar dizendo o quanto é bom que tenhamos dado certo como banda. Claro, essas são pessoas diferentes daquelas que nos odiaram um dia, mas ainda assim é curioso.

    Isso é realmente curioso, acho que ninguém pensaria em algo assim. Quer dizer, a cena gótica era forte na Noruega, a banda Combichrist se tornou realmente grande, e o seu líder também é norueguês (Ole Anders Olsen, que atua sob o nome Andy LaPlegua). Ninguém pensaria que artistas do gênero teriam dias difíceis por aí.

    Bjørn: Sim, as coisas as vezes não são tão simples de entender. Conhecemos o Andy, e ele seguiu por esse mesmo caminho, cresceu no hardcore e criou um projeto industrial, que hoje está bem mais focado no metal. A história é bem semelhante, nós fomos odiados na Noruega, e tivemos que estourar na Alemanha antes de ter algum valor por aqui. Andy criou uma banda nos EUA e estourou por lá antes. Parece que para alguém do nosso meio se dar bem por aqui, precisa primeiro se dar bem em outro lugar. Mas é importante que ainda assim todos nós decidimos fazer o que queríamos fazer, e acabamos nos dando bem com isso.

  • SHARON OSBOURNE aborda o pacto de suicídio assistido firmado com o marido OZZY OSBOURNE

    SHARON OSBOURNE aborda o pacto de suicídio assistido firmado com o marido OZZY OSBOURNE

    No ano de 2007, a empresária e esposa de Ozzy OsbourneSharon Osbourne, lançou um livro de memórias intitulado Sharon Osbourne Extreme: My Autobiography, o qual vendeu mais de 2 milhões de cópias. Em um dos capítulos do livro, Sharon revela que ela e Ozzy teriam feito um trato de que caso algum deles sofressem no futuro de demência, eles procurariam a organização Dignitas, localizada próxima à Zurique, na Suíça, em busca das tratativas para morte assistida, procedimento esse que é legalizado no país desde a década de 1940. Esse assunto foi rediscutido entre Sharon e seus filhos, Jack Kelly Osbourne, no recém-lançado novo episódio de seu podcast. Sharon foi perguntada por Jack se essa ideia “ainda é um plano”. A resposta veio com outra pergunta: “Você acha que vamos sofrer?”Jack replicou a pergunta: “Já não estamos todos sofrendo?”. E a resposta de sua mãe foi: “Sim, todos estamos, mas não quero que doa também. Sofrimento mental é dor suficiente sem o físico. Então, se você tem (dor) mental e física, até mais!”. Por sua vez, Kelly quis saber: “Mas e se você pudesse sobreviver?”Sharon foi dura, porém objetiva em sua resposta: “Sim, e se você sobreviveu e não consegue limpar a própria bunda, está mijando em todo lugar, cagando, não consegue comer…”

    No mesmo ano do lançamento do livro de Sharon,  foi relatado que o motivo de Ozzy ter concordado com o pacto foi porque Don Arden, seu sogro, sofre muito quando passou a conviver com Alzheimer. Sharon afirmou na época que ela e o marido tomaram a decisão no início daquele ano, depois que seu pai, ex-empresário de bandas de heavy metal, perdeu a luta para a doença, morrendo aos 81 anos em julho de 2007. Sharon alegou naquele período que, “Acreditamos 100% na eutanásia, por isso elaboramos planos para ir ao apartamento de suicídio assistido na Suíça se tivermos alguma doença que afete nossos cérebros. Se Ozzy ou eu tivéssemos Alzheimer, é isso – estaríamos fora. Reunimos as crianças em torno da mesa da cozinha, dissemos nossos desejos e todos concordaram. Não tem como eu passar pelo que (meu pai) passou, ou envolver meus filhos nisso. Meu pai se deteriorou à uma velocidade tão rápida que se tornou uma concha de si mesmo. Alguns dizem que a doença é hereditária, então, ao primeiro sinal, quero ser eliminada de sofrimento”.

    Em 2014, o Madman voltou a falar sobre o assunto e explicou ao The Mirror que o pacto suicida dele e de sua esposa havia sido estendido para cobrir qualquer condição com risco de vida, não apenas a demência, mas também a doença de Alzheimer, por exemplo. Disse ele na ocasião: “Se eu não posso viver minha vida do jeito que estou vivendo agora – e não quero dizer financeiramente -, então é isso… (ir para a Suíça). Se eu não consigo me levantar e ir ao banheiro e tenho tubos na bunda e um edema na garganta, então eu disse à Sharon: ‘Desligue a máquina’, se eu tive um derrame e fiquei paralisado, não quero estar aqui. Eu fiz um testamento e tudo vai para Sharon se eu morrer antes dela, então, em última análise, tudo vai para as crianças”

    Como a Suíça lida com o suicídio assistido

    A legislação suíça permite o suicídio assistido desde que não seja por “motivos egoístas”. O assunto é controverso e gera discussões em muitos países. O serviço de saúde britânico, NHS, por exemplo, define friamente o suicídio assistido como um ato de deliberadamente ajudar outra pessoa a se matar. “Se um familiar de uma pessoa com doença terminal obteve sedativos fortes, sabendo que a pessoa pretendia usá-los para se matar, o parente pode ser considerado um auxiliar do suicídio”. Tanto no Reino Unido quanto aqui mesmo no Brasil, suicídio assistido e eutanásia são práticas consideradas ilegais. O código penal brasileiro os define como crimes, e determina pena de 6 meses a 2 anos de prisão.

    O trabalho da Dignitas 

    A Dignitas é uma organização suíça sem fins lucrativos. Ela fornece suicídio assistido por médico a pessoas com doença terminal ou doença física e mental consideradas graves, apoiada por médicos suíços independentes. Eles oferecem trabalho consultivo sobre cuidados paliativos, prevenção de tentativas de suicídio, diretivas de avanço de cuidados de saúde, além de legislação para leis de direito de morrer em todo o mundo.

    Em que circunstâncias o suicídio assistido é permitido na Suíça

    Como dito, as pessoas que decidem pelo suicídio assistido devem ter bom senso, de acordo com determinação da organização; ser elas mesmas capazes de provocar a morte, apresentar um pedido formal, incluindo uma carta explicando seu desejo de morrer e relatórios médicos mostrando diagnóstico e tentativa de tratamento. Para pessoas com doença psiquiátrica grave, um relatório médico detalhado preparado por um psiquiatra também é exigido por uma decisão da Suprema Corte suíça. 

     
  • AD INFINITUM: SOB O CÉU EM CHAMAS

    AD INFINITUM: SOB O CÉU EM CHAMAS

    Por Valtemir Amler

    Se você é daqueles que não gosta de perder nenhuma novidade no seu gênero musical favorito, e se o som que curte ouvir é aquela tradicionalíssima mistura de heavy metal e elementos sinfônicos, então é certo que já ouviu falar do Ad Infinitum. Embora já tenham experiência de veteranos, a banda ainda é nova, foi formada em 2018 pela vocalista Melissa Bonny, mesmo ano em que apareceu para o mundo com seu primeiro single, I Am The Storm. O primeiro álbum oficial só veio em 2020, bem no momento mais crítico da pandemia, o que certamente tirou um pouco do brilho que Chapter I – Monarchy poderia ter alcançado caso a banda tivesse contado com a possibilidade de uma turnê em suporte ao álbum de estreia. Mesmo com as circunstâncias jogando contra os suíços lançaram uma nova versão do debut no mesmo ano (intitulado simplesmente Chapter I Revisited, e contando com versões acústicas das canções originais), e o segundo registro, Chapter II – Legacy chegou em 2021. De lá para cá a banda provou o bom gosto dos palcos, tomou gosto pela estrada, mas nem pensou em ficar longe dos estúdios, e foi assim que nasceu o mais novo capítulo dessa saga de reis e guerras que eles vêm perpetrando: Chapter III – Downfall (2023) mostra um Ad Infinitum mais seguro e experiente, ao passo que também disposto a arriscar, adicionando toques inequívocos do rock alternativo dos anos 90 em suas composições. Conversamos com Melissa, que nos ofereceu mais detalhes sobre aquilo que o quarteto vem fazendo ao longo desses seus muito atribulados primeiros anos de carreira.

    Baseado na informação que temos, os primeiros passos do Ad Infinitum remontam a sua intenção de lançar um projeto solo. Isso está correto?

    Melissa Bonny: Sim, é verdade sim. Acho que o começo é sempre algo mais modesto, menor do que acabamos fazendo, pois você só precisa começar, e nem sempre sabe muito bem como fazer isso. Então, de início, eu só queria criar algumas músicas, talvez apenas o suficiente para um EP, gravá-lo e lançá-lo para ver o que poderia acontecer, eu apenas queria trabalhar em algumas músicas que eu gostasse e nada mais. À medida que o projeto evoluiu e quanto mais eu investia energia e tempo nele, mais eu sentia que não era bem assim, eu realmente queria fazer algo sólido no mundo da música. Eu não queria apenas colocar algumas músicas juntas em um disco qualquer e então jogar isso de qualquer jeito na internet, mas criar algo que fosse realmente sólido, e que realmente fosse lançado de maneira apropriada, algo completo. No começo eu pensei, ‘certo, acho que vou simplesmente contratar alguns bons músicos para gravar o álbum, isso deve bastar’. Pouco depois eu já estava totalmente convencida de que aquilo não era certo (risos), pois realmente gosto da atmosfera de uma banda, acho muito legal quando todo mundo tem uma opinião, quando todos ajudam a chegar em um resultado melhor, quando todos tem sua própria força e direito de mostrá-la. Comecei uma campanha de ‘crowdfunding’ em 2018 para viabilizar esse projeto, e logo em seguida comecei a contatar as pessoas que achava ideiais para estarem ao meu lado em algo tão importante. Falei primeiro com o Nick Müller (bateria, Devilizer), que apresentou Adrian Thessenvitz (guitarra, Quincy Calling e Schwarzlicht), e então eu conheci Jonas Asplind (baixo, ex-Hostile e Follow The Cipher) na turnê. Simplesmente não houve audições ou processos complicados para preencher os postos, desde o início me parecia muito óbvio que essas eram pessoas fariam parte da banda, e simplesmente convidei elas.

    Antes do Ad Infinitum você não era nenhuma novata no mundo do metal, tendo participado de bandas como a austríaca Serenity, e tinha até álbuns lançados ao lado de Evenmore e Rage Of Light. Por que arriscar tudo começando uma nova banda do zero?

    Melissa: Acho que nunca entendi exatamente como algo que eu estivesse arriscando, embora fosse exatamente isso que estava fazendo (risos). A verdade é que eu tinha muitas ideias, e queria tirá-las da minha cabeça, colocar em prática aquelas ideias que estava simplesmente acumulando na mente e que provavelmente um dia acabaria esquecendo. O processo de composição que conheci nas outras bandas em que participei era muito diferente, porque ou simplesmente nos reuníamos na sala de ensaio e depois íamos tocando as ideias que surgissem até conseguirmos uma música depois de um tempo, ou havia um compositor principal e eu só podia escrever os versos dos vocais e as letras. Ambas as formas não eram realmente o que eu mais gostava, e isso é realmente o que me motivou a escrever minha própria música. Eu queria estar livre para usar todas as minhas ideias, sabe? O Ad Infinitum começou comigo escrevendo as músicas, porque como você disse, eu estava sozinha, a ideia inicial era um projeto solo. Depois trabalhei com Oliver Phillips (N.R: produtor e músico, dentre outros atua na banda Phantasma ao lado da vocalista holandesa Charlotte Wessels e o vocalista austríaco Georg Neuhauser), que me ajudou porque não sou instrumentista, então obviamente precisava de ajuda para fazer soar como algo realmente escrito por um baterista, guitarrista e baixista, e não uma peça composta por uma vocalista que está apenas programando qualquer coisa no seu computador pessoal enquanto rega os vasos de flores (risos). Claro que assim que os outros caras se juntaram à banda, eles começaram a participar do processo de composição, e aí as coisas realmente começaram a fluir como eu gostaria. No primeiro álbum foi assim, mas desde então eles estão envolvidos desde o início, obviamente.

    Não tão obviamente assim, um monte de vocalistas preferiria que o álbum soasse como ‘algo programado em seu computador enquanto rega as flores’ do que aceitar ideias que viessem de outras pessoas.

    Melissa: Ah, entendo o que quer dizer, mas definitivamente não sou do tipo de pessoa que tem um ego tão inflado assim (risos gerais). Veja, se fosse para ser uma cabeça-dura, simplesmente teria mantido a proposta de um projeto solo, mas o que eu queria era uma banda. Queria ter a possibilidade de trabalhar com todas as minhas ideias, mas não sob o custo de recusar todas as ideias dos outros.

    O que é bom, pois o resultado dos esforços do grupo é sempre maior do que a soma dos esforços individuais, para o bem e para o mal.

    Melissa: É verdade, é nisso que acredito também. Acho que a única parte ruim é que com muitas ideias fluindo, poderia ficar algo meio desconexo e disperso, mas é por isso que antes sempre devemos conversar e definir o básico que queremos alcançar. Desde que todos estejam olhando para o mesmo lugar e trilhando o mesmo caminho, conseguimos um lugar comum, e aí só temos o lado bom.

    Liricamente, você buscou um caminho conceitual desde o início?

    Melissa: Acho que podemos dizer que sim, ao menos de certa maneira. Quer dizer, eu estava muito mais concentrada na atmosfera que aquelas músicas trariam do que no conceito propriamente dito, então não sei se ‘álbum conceitual’ seria uma classificação precisa. Porém, o primeiro álbum é sobre um dos mais famosos reis da França, Luís XIV, e sua corte, as pessoas que o cercavam. E isso é ser conceitual, certo? Então, é conceitual, é e não é, ao mesmo tempo (risos), especialmente porque tentei deixar as letras meio abertas e não tão narrativas, pois queria que as pessoas conseguissem se conectar com elas e entender de maneiras diferentes, além daquela que originalmente planejei. Gosto que a música adquira significados diferentes para as pessoas, pois como fã acho que sempre me conectei de um jeito com as letras das minhas bandas favoritas de uma forma que não era exatamente a planejada por eles (risos). Temos sim uma conexão entre as letras e de álbum para álbum, então talvez tenha sim algo de conceitual. Desde que consiga alcançar a atmosfera que buscamos, acho que está tudo bem, e as pessoas parecem estar gostando.

    Bem, não posso deixar de mencionar que vocês apareceram para o mundo com seu primeiro álbum no louco ano de 2020, e chamava a atenção a capa de Chapter I – Monarchy, onde você aparecia à frente, e a banda atrás, usando aquelas máscaras da época da Peste Negra.

    Melissa: Oh meu Deus, nem me fale (risos gerais). Eu lembro que na época pensei ‘estamos acabados, antes mesmo de começarmos’ (risos). Nós tínhamos todas aquelas fotos de divulgação, e na época pareceu uma ótima ideia, a imagem era ótima, era muito chamativa, dava uma aura de mistério legal para a banda. Claro que nenhum de nós imaginava o que aconteceria em 2020, mas é assim que as coisas são! Estava tudo pronto, o disco ia ser lançado e o mundo estava em ‘lockdown’, as pessoas precisando usar máscaras para tentar evitar contrair um vírus, pessoas morrendo no mundo inteiro. Tive receio de que as pessoas entendessem aquilo como uma piada de péssimo gosto, o que absolutamente não era a nossa intenção. Chegamos a conversar entre nós e com o selo se levaríamos aquilo adiante, e acabamos fazendo conforme o planejado. Felizmente, as pessoas reagiram como você, perceberam que foi uma coincidência bizarra, e levaram tudo na brincadeira (risos).

    O que virá em seguida no universo da banda? Talvez uma visita ao Brasil?

    Melissa: Seria ótimo! Sempre ouvimos falar histórias incríveis do Brasil, além de todos aqueles discos e vídeos gravados ao vivo por aí, quero sentir isso com o Ad Infinitum. Em seguida, esperem por mais e mais música, é o que amamos fazer!

  • WOLFHEART: OS LOBOS DE CARÉLIA E OS REIS DO NORTE

    WOLFHEART: OS LOBOS DE CARÉLIA E OS REIS DO NORTE

    Por Valtemir Amler

    Depois de revelar ao mundo alguns dos atos musicais mais grosseiros e viscerais de que se tem notícia na virada dos anos 80 para os 90 (quem aí também lembra da impressão devastadora ao ouvir Beherit e Demilich pela primeira vez?), a Finlândia finalmente começou a revelar alguns nomes mais aprazíveis para ouvintes mais sensíveis nos anos 90, com o sucesso mundial de nomes como Stratovarius, Sonata Arctica, Nightwish e tantos outros. Se os nomes melódicos não paravam de somar por lá, os absurdamente extremos também não sinalizavam nenhum arrefecimento, garantindo a Terra dos Mil Lagos um dos cenários mais valorosos do metal mundial. Fato é que chegou um dia que o inevitável aconteceu: o impalatável se uniu ao palatável, e bandas como o Wolfheart nasceram, trazendo o melhor equilíbrio entre os dois mundos em sua fórmula musical. Quando fundou a banda em 2013 em Lahti, o guitarrista e vocalista Tuomas Saukkonen já colecionava uma longa experiência com várias outras bandas, e após simplesmente abandonar todas elas, fundou aquilo que seria uma ‘one-man-band’, ou um projeto solo, como preferir chamar. Fato é que não demorou muito para ele perceber o potencial que aquelas músicas apresentavam, e a necessidade de levá-las aos palcos logo o fez mudar de postura, buscando um time de músicos talentosos para completar a banda. Hoje acompanhado por Joonas Kauppinen (bateria), Lauri Silvonen (baixo) e Vagelis Karzis (guitarra, que já tocou com o Rotting Christ), Tuomas lidera uma banda experiente e conhecida em todo o mundo, e que contabiliza seis álbuns completos de estúdio. Confira o que ele tinha para nos contar abaixo.

    Quando você coloca em mente que vai trabalhar em um novo álbum, o que costuma trabalhar primeiro, as letras ou as músicas?

    Tuomas Saukkonen: Eu sempre senti a necessidade de ter a música primeiro. De alguma maneira, isso soa mais natural para mim. Ao mesmo tempo, é complicado, pois antes de tudo me vêm à mente essa imagem, como se fosse o cartaz de um filme antigo ou algo do tipo, e nessa imagem existe uma ideia geral do conceito que será abordado no novo álbum. Então, falando de forma mais assertiva, primeiro tenho uma ideia bem geral e totalmente aberta de qual será o conceito do álbum, e então começo a trabalhar na música, e só no fim me debruço seriamente sobre o conceito para criar as letras.

    Essa é uma maneira um bocado diferente daquela que costumamos ouvir, especialmente naquilo que se refere a ideia inicial do conceito. Não lembro de outras bandas terem me dito algo do tipo antes.

    Tuomas: É, acho que é um pouco diferente, mas sempre foi assim que funcionou quando se trata do Wolfheart. Eu realmente preciso ter essa imagem inicial em mente, pois é a partir dela que começarei a criar as músicas, e elas precisam estar conectadas a essa imagem, precisam ter o mesmo sentimento, o mesmo clima da imagem que tenho em mente. Então, se a imagem inicial é algo como o cartaz de um filme, a música que vou criando é como se fosse a trilha sonora para esse filme, entende?

    Sim, e acho essa uma ideia bem legal para capturar um ambiente diferente em cada disco.

    Tuomas: Sim, e essa é de verdade a única maneira que funciona para mim. Nem tento escrever de outra maneira, pois sei que ficaria travado em uma mesma ideia por dias e jamais estaria satisfeito com o resultado. Posso ser meio cabeça-dura nessas horas (risos). Outra coisa é que sempre costumo escrever as letras quase que de última hora, quando já estou quase entrando no estúdio para gravar os vocais. Sempre senti que essa é a melhor maneira de manter a emoção genuína que aquelas letras me causam, a forma original como elas me impactam. Escrever tudo muito antes meio que deixaria o meu cérebro anestesiado até o dia de gravar a voz, acostumado demais, e não gosto disso, não gosto de amortecer o impacto, por assim dizer. Simplesmente não faz sentido para eu colocar tanto trabalho para criar a música e as letras com o ambiente perfeito e então perder tudo na hora da gravação.

    Confesso que esse é um processo bem mais legal do que eu havia imaginado.

    Tuomas: Que bom que apreciou, de verdade. Normalmente as pessoas só me acham esquisito, então é legal encontrar alguém que viaja nas mesmas ideias (risos gerais).

    Bem, um dos aspectos mais presentes nos álbuns do Wolfheart, liricamente falando, é essa aproximação dos velhos contos finlandeses. Vocês são uma das bandas que mais se aproximam da velha mitologia finlandesa, algo que também sempre apreciei no Amorphis.

    Tuomas: Sim, a verdade é que sempre gostei muito desses contos, acho que eles falam muito sobre a personalidade do finlandês naqueles tempos e nos tempos atuais também. Quer dizer, são mitos, mas eles mostram a maneira como o pensamento das pessoas funciona, e isso acaba abrindo muitas possibilidades para uma história, você tem muito material sobre o qual trabalhar. Bem, temos aqui na Finlândia um livro que compila todas essas histórias mitológicas, o Kalevala. O Kalevala é uma espécie compilação de contos, o autor basicamente viajou de vilarejo para vilarejo documentando diferentes histórias e crenças que foram passadas adiante de forma oral ao longo dos tempos através dos antigos pagãos de cada vilarejo. São histórias muito tradicionais, contadas oralmente de uma geração para outra, mas há dezenas de histórias de cada região que não entraram no livro. É um livro muito abrangente, de grande valor histórico e muito valorizado como documento. Os caras do Amorphis basicamente se tornaram os ‘embaixadores mundiais’ desse livro, são os grandes divulgadores dele para todo o mundo, pois suas músicas são todas baseadas nesse livro. O segundo álbum deles, Tales From A Thousand Lakes (1994), todas as letras são traduções de textos do Kalevala, e até a capa tem muito a ver, pois aquele símbolo belíssimo que você vê na capa, e que também aparece em outras capas deles, é o equivalente finlandês ao Martelo de Thor, talvez o símbolo mais conhecido de toda a mitologia nórdica. Até eu sou fã do Amorphis por tudo o que eles fizeram musicalmente e liricamente, então eles foram uma grande referência, e por isso mesmo eu tinha que tomar cuidado para não copiar o que eles já tinham feito. Basicamente, ao longo dos anos fui me concentrando naqueles outros contos tradicionais finlandeses que não entraram no Kalevala, naquelas histórias paralelas, por assim dizer. Existem muitas delas, e sinto que poderíamos passar décadas trabalhando nisso sem precisar repetir uma história.

    Ou seja, não será fácil vermos um álbum do Wolfheart cheio de pontas soltas e temas desconectados em cada faixa.

    Tuomas: Sim, é certo que isso não acontecerá, ao menos não tenho nenhuma vontade de fazer algo assim no momento. Eu gosto de cair de cabeça em cada álbum que fazemos, e o melhor para isso é mergulhar completamente em um conceito, gosto da sensação de estar cercado de elementos que levam para um mesmo caminho, ou de caminhos que levam para um mesmo fim. Isso não significa dizer que sempre falarei de mitologia, mas sim que pretendo estar sempre trabalhando em álbuns conceituais.

    E é bem legal perceber que você mistura canções de todos esses álbuns com diferentes conceitos ao vivo, e continua tendo uma unidade musical coesa e poderosa.

    Tuomas: Sim, obrigado por perceber. Aí acho que entra muito o papel da música. Sempre tivemos essa sonoridade bastante pesada e poderosa, mas também com muitas partes mais atmosféricas e melódicas, que são recursos importantes na hora de mesclar letras e música. Bem, eu não tinha ideia disso no começo, sendo bem sincero com você, mas acontece que esses mesmos elementos atmosféricos e melódicos criam uma espécie de conexão musical que funciona muito bem ao vivo, de forma que as pessoas não se sintam deslocadas. Claro que eu nem tinha ideia disso quando fiz o primeiro álbum do Wolfheart dez anos atrás (risos gerais).

    Em 2020 você mergulhou na História finlandesa em Wolves Of Karelia, abrindo uma nova possibilidade para os álbuns conceituais do Wolfheart. Houve uma razão especial para isso?

    Tuomas: Sim, acho que eu quis conectar os mundos, sabe? Quer dizer, todo mito teve um papel na História de um povo, então sempre estive vagando em torno da tradição e do passado do nosso país, mas naqueles dias aconteceu algo diferente. A verdade é que o Wolfheart cresceu bastante nos últimos anos, e passamos meses longe de casa, tocando pela Europa, América do Sul, América do Norte, enfim, em todos os lugares. A saudade de casa vai batendo, e você começa a lembrar de tudo o que estudou na escola, das coisas que vê na TV, e o grande evento histórico da Finlândia é a Guerra de Inverno! Foi como um clique, eu simplesmente senti que tinha que contar aquela história para as pessoas, é provavelmente o evento mais importante de toda a nossa História, várias pequenas batalhas envolveram tantas pessoas e marcaram tão profundamente o nosso povo por gerações, mas a maior parte das pessoas ao redor do mundo sequer sabe que essa guerra aconteceu, pois os seus livros didáticos não trazer sequer uma menção a ele. Era hora de dar esse mergulho no passado e contar a história de alguns dos nossos heróis, e gostei muito de fazer aquilo, mas preferi focar em algo diferente nesse mais novo álbum, King Of The North (2022), pois não quero soar como um professor (risos gerais).

  • ANDRÉ MATOS – O MAESTRO DO ROCK: segundo episódio mostra sucesso e rompimento com Angra

    ANDRÉ MATOS – O MAESTRO DO ROCK: segundo episódio mostra sucesso e rompimento com Angra

    Por Antonio Carlos Monteiro

     

    Um dos episódios mais chocantes e tristes da história do metal brasileiro aconteceu no dia 8 de junho de 2019, data em que faleceu um dos maiores músicos que este país já conheceu, Andre Matos.

    Vários eventos foram realizados para marcar a riquíssima trajetória de Andre, sendo que o principal acabaria sendo o documentário “André Matos – O Maestro do Rock”. Idealizado pelo cineasta Anderson Bellini, com pré-produção do jornalista Thiago Rahal Mauro e fotografia de Renato Viliegas, o filme vai ser composto por quatro episódios e está sendo viabilizado através de financiamento coletivo de fãs de Andre. A primeira parte estreou em sessão de gala no Teatro Municipal de São Paulo no dia em que Andre completaria 50 anos, 14 de setembro de 2021. Já o segundo episódio teve sua estreia em abril de 2023, durante o Summer Breeze Brasil, e no dia 10 de outubro será exibido simultaneamente em dez salas da rede Cinemark de cinema.

    O documentário teve início com uma longa entrevista concedida por Andre a Anderson e Thiago. Posteriormente ao falecimento do músico, sua família cedeu a Bellini um vasto material e a isso se somaram entrevistas com cerca de cem pessoas que de algum modo tiveram envolvimento na carreira de Andre, o que viabilizou o projeto no formato em que está sendo realizado.

    A primeira parte focou principalmente na infância e juventude de Andre, o despertar de seu gosto pela música e a formação de sua primeira banda, Viper, trazendo depoimentos de familiares como sua mãe, Sônia Coelho, seu irmão, Daniel Matos, e seu primo Eco Moliterno.

    Já o segundo episódio detalha sua saída do Viper para se dedicar ao estudo de música erudita, com depoimentos de seus então parceiros de banda Pit e Yves Passarel, Felipe Machado e Cassio Audi, e o embrião do que viria a se tornar o Angra, que começou na faculdade de música que Andre cursava – afastando as especulações de que seria uma “banda armada”.

    O filme ainda mostra Matos falando sobre o impacto que o Judas Priest causou nele com sua performance no Rock in Rio de 1991, com direito a depoimento de Rob Halford a respeito – ele é de uma elegância enorme, como sempre.

    Toda a trajetória do Angra é contada com riqueza de detalhes, com participações de todos os integrantes, à exceção de Luiz Mariutti e Ricardo Confessori que, conforme consta nos créditos finais do filme, gravaram entrevistas mas depois pediram para que suas partes fossem retiradas.

    A gravação do primeiro disco, Angels Cry (1993), também é um momento revelador, já que as dificuldades foram imensas: “Ali a gente se deu conta do quanto era amador”, confessa Andre.

    Kiko Loureiro

    Os problemas de relacionamento também são parte importante do documentário, em especial entre Andre e Rafael.

    E também tem espaço o famoso concurso em que supostamente seria escolhido o sucessor de Bruce Dickinson no Iron Maiden. Enquanto Andre é extremamente sincero ao declarar que “nunca tive esperança ou sonhei que faria parte do Iron Maiden”, Blaze Bayley, vocalista que ficou com o posto, dá um surpreendente depoimento sobre o brasileiro.

    A gravação de Holy Land (1996), mesmo com a banda bem mais experiente, não foi menos atribulada, já que Andre enfrentou problemas com a voz. “Saber cantar é saber preservar a voz”, define ele.

    Kai Hansen (Helloween / Gamma Ray)

    A polêmica do uso de brasilidade nos discos do Angra e Roots, do Sepultura, lançados quase simultaneamente, também é destaque, assim como a consagração da banda na Europa.

    Boa parte do filme mostra a crise que começou a se instalar dentro do Angra, que culminaria na saída de Andre, Luiz e Ricardo após o lançamento de Fireworks (1998). Aos boatos de que a banda pretendia demitir o cantor, Rafael Bittencourt foi claro e direto: “Só se a gente fosse muito burro.”

    Rafael Bittencourt

    As questões relativas ao empresariamento e que levaram ao racha na banda são tratadas de forma direta mas sem sensacionalismo – ponto para os produtores do filme. O empresário da banda à época, Antonio Pirani, não quis gravar sua participação no documentário, o que acabou deixando algumas perguntas sem resposta, mas mesmo assim o tema foi bastante aprofundado.

    Em resumo (e fazendo um grande esforço para não dar spoilers), o fato é que “André Matos – O Maestro do Rock Episódio 2”, apesar de ser um pouco pesado para quem conheceu Andre de forma mais próxima, como este que vos fala, merece ser assistido por todos, desde aqueles que conhecem profundamente sua história até aqueles que desejam travar contato com a trajetória desse grande artista. A qualidade de filmagem, fotografia e edição não deixam a desejar para nenhum daqueles documentários bacanas que você costuma assistir na TV e a forma como os fatos são apresentados prendem você de uma forma diante da tela que as mais de duas horas passam num piscar de olhos.

    Que venha logo o terceiro episódio.

  • RANKING CREW: edição #42 do programa de álbuns ranqueados da Roadie Crew está no ar; assista

    RANKING CREW: edição #42 do programa de álbuns ranqueados da Roadie Crew está no ar; assista

    Já está no ar, pelo canal da Roadie Crew no YouTube, mais um episódio do programa “Ranking Crew”. Neste 42° episódio, os apresentadores Luiz Tosi, Tony Monteiro e Ricardo Campos comentam a discografia do Rainbow. Assista, comente, concorde ou discorde e escreva o seu ranking pessoal de Rainbow nos comentários do vídeo! Estamos aqui para nos divertir e reviver grandes álbuns da nossa cena.

    E não se esqueça de se inscrever em nosso canal, deixar seu like e clicar no Hells Bells (?) para receber todas as notificações dos próximos vídeos: https://www.youtube.com/roadiecrewmagtv.

  • Depois de sete anos, AC/DC volta aos palcos; show marcou o reencontro ao vivo com o frontman BRIAN JOHNSON

    Depois de sete anos, AC/DC volta aos palcos; show marcou o reencontro ao vivo com o frontman BRIAN JOHNSON

    Entre 6 a 8 de outubro, aconteceu no Empire Polo Club, em Indio, Califórnia, o aguardado festival Power Trip, que reuniu alguns dos gigantes do rock and roll e do heavy metal. E um dos shows mais aguardados do festival, ocorrido no sábado (07), foi o do AC/DC, que desde 2016 não subia em um palco. Mais do que isso, a apresentação da banda reunia alguns outros fatores que aguçavam a ansiedade dos fãs, sendo o principal a volta de dois de seus integrantes. Um deles, Brian Johnson, que havia feito seu último show com a banda em 28 de fevereiro de 2016, quando, inesperadamente, precisou, por determinação médica, se afastar com urgência dos shows por correr risco de surdez total. Na ocasião, Johnson, que na última semana completou 76 anos, afirmou que mesmo com a piora da audição em seus dois ouvidos, principalmente o esquerdo, ele não iria se aposentar da música, já que estava autorizado por seu médico a continuar gravando em estúdio. Entretanto, tempos depois, foi noticiada a demissão de Johnson, que naquele mesmo ano foi substituído nos shows restantes da “Rock or Bust World Tour” por ninguém menos do que Axl Rose, do Guns N’ Roses. O outro, o baixista Cliff Williams, que também em 2016 deixou a banda declarando em entrevista que estava se aposentando da carreira artística. Em 30 de setembro de 2020, o AC/DC anunciou o retorno da dupla e em 13 de novembro do mesmo ano a banda lançou seu novo álbum de estúdio, Power Up

    AC/DC no festival Power Trip | Foto: Christie Goodwin (@christiegoodwin)

    O show no festival Power Trip marcou também a estreia do baterista Matt Laug (Alice CooperSlash’s SnakepitAlanis MorissetteAutograph), que no mês passado foi anunciado para o lugar do polêmico Phil Rudd (leia mais aqui).

    Mais um fato importante da apresentação do AC/DC no Power Trip, foi que pela primeira vez a banda apresentou ao vivo músicas de seu mencionado álbum mais recente, sendo elas os hits Demon Fire Shot in the Dark

    Confira alguns vídeos feitos pela audiência da apresentação do AC/DC no festival Power Trip, que reuniu ainda MetallicaIron MaidenGuns N’ RosesTool Judas Priest:

     
  • LAMB OF GOD lança novo single, “Evidence”

    LAMB OF GOD lança novo single, “Evidence”

    POR ASSESSORIA 

    LAMB OF GOD lança hoje um novo single intitulado “Evidence” que celebra o aniversário do álbum “Omens” que foi lançado em 2022. A banda indicada ao GRAMMY gravou esta nova faixa durante as gravações do álbum “Omens” e decidiram lançar ela em comemoração desta data tão importante.

    Ouça “Evidence” aqui: https://lamb-of-god.lnk.to/Evidence

    Assista ao lyric video “Evidence” aqui: https://Lamb-of-God.lnk.to/EvidenceLyric

    Em relação ao single, o vocalista Randy Blythe compartilhou: “Um dos aspectos mais desconcertantes da vida moderna é a rejeição consciente de fatos empíricos em favor de confortos emocionais nas câmaras de eco da internet. A verdade não é subjetiva, não importa o quão desconfortável isso seja para algumas pessoas. A arte, no entanto, é subjetiva, então aproveite a música, independentemente de como você escolha interpretá-la.”

    Explodindo como um iniciador de roda de mosh característico do LAMB OF GOD‘Evidence’ entra com um ritmo diversificado e contundente fortificado por riffs arrasadores. Nesse cenário, as observações apocalípticas de Blythe cortam fundo enquanto ele reflete: “O caminho para o inferno é pavimentado com concessões ruins”, antes de repetir no refrão: “O corpo político se decompõe”. Ele culmina em uma última explosão de energia catártica batizada em distorção e gritos venenosos.

    Com o novo single, amanhã o LAMB OF GOD compartilhará seu documentário Making Of: Omens em larga escala pela primeira vez no aniversário de um ano do álbum. Inicialmente lançado no ano passado através de plataformas digitais para ser visualizado apenas por pessoas que adquiriram pacotes físicos de CD e vinil limitados, o documentário agora poderá ser assistido por todos e demonstra um olhar mais interno sobre o processo de escrita e gravação do nono álbum lançado pela banda.

    O LAMB OF GOD acabou de concluir um verão agitado. Eles apoiaram o Pantera na primeira turnê de headliner da banda lendária desde 2001, se apresentando em anfiteatros e pavilhões esgotados todas as noites. No intervalo, eles lotaram locais em sua própria turnê pela América do Norte.

    A banda também se apresentou na primeira edição brasileira do Festival Summer Breeze em São Paulo, no Memorial da América Latina.

    O álbum “Omens” de 2022 marcou notavelmente a sexta estreia consecutiva da banda no Top 15 da Billboard 200, além de conquistar o primeiro lugar na parada Top Hard Rock Albums, terceiro lugar na parada Top Album Sales, terceiro lugar na parada Top Rock Albums e quinto lugar na parada Top Vinyl Albums. Além disso, acumulou impressionantes 60 milhões de streams e não para de aumentar.

    O álbum foi lançado no Brasil pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast.

    Fique atento para mais novidades do LAMB OF GOD em breve.

    SOBRE LAMB OF GOD:

    “Para milhões de headbangers Lamb Of God é simplesmente a maior banda contemporânea de heavy metal do Mundo”, observou a revista Guitar World. Lamb Of God surgiu dos shows de porões e festivais no estilo “faça você mesmo” para serem a banda que encerra grandes festivais. Durante o curso de carreira, a banda baseada em Richmond, Virgínia, conquistou a reverência de bandas que foram influência para eles como também parceiros de estrada como Metallica, Slayer e Megadeth. Músicas atemporais como ‘Laid to Rest’, ‘Redneck’, ‘Walk with Me in Hell’ e ‘Now You’ve Got Something to Die For’ tornaram-se hinos dentro do livro de heavy metal. Eles empurraram o heavy metal para o novo milênio com o álbum New American Gospel (2000). Com o álbum As The Palaces Burn (2003) a banda apareceu entre os 100 Melhores Álbuns de Metal de Todos os Tempos na Rolling Stone. Ashes Of The Wake (2004) foi o primeiro álbum do Lamb Of God certificado com ouro pelo RIAA – conquista que era classificada como quase impossível para o metal extremo contemporâneo. Sacrament (2006), o álbum do ano para a revista Revolver, tornou-se ouro também. O bastante orgânico e cru Malice of Wrath (2009) começou uma relação forte com Wilbur. O diversificado Resolution (2012) e o explosivo VII: Sturm und Drang (2015) estrearam no top 5 da Billboard 200. O autointitulado álbum de 2020, que trouxe material novo após cinco anos, acrescentou clássicos instantâneos ao repertório como ‘Memento Mori’ e ‘Resurrection Man’ e mais oito grandes músicas. RevolverMetal Hammer e Loudwire colocam os álbuns do Lamb Of God em suas listas de melhores do ano. A história continua com Omens – o álbum mais agressivo e ambicioso até agora.

    LAMB OF GOD é: D.Randall Blythe – vocais Mark Morton – guitarra Willie Adler – guitarra John Campbell – baixo Art Cruz – bateria

    Mais informações: https://www.facebook.com/lambofgod https://twitter.com/lambofgod https://www.instagram.com/lambofgod/ https://www.lamb-of-god.com/

  • “Reign in Blood”? Não! Para DAVE LOMBARDO as três melhores músicas do SLAYER estão em outros álbuns

    “Reign in Blood”? Não! Para DAVE LOMBARDO as três melhores músicas do SLAYER estão em outros álbuns

    Apesar de o aclamado Reign in Blood, obra-prima lançada em 1986 pelo Slayer, ser considerado um dos principais álbuns de thrash metal de todos os tempos, para Dave Lombardo a melhor música de sua ex-banda encontra-se no sucessor,  South of Heaven (1988), disco esse em que ele teve uma performance simplesmente avassaladora. Foi o que ele disse em recente entrevista a Sam Dunn, apresentador do canal de YouTube Banger TV.

    Perguntado sobre suas três faixas favoritas do Slayer em todos os tempos, Lombardo descarregou elogios principalmente sobre Ghosts of War. Ele explicou o motivo: “Provavelmente, por várias razões. A estrutura da música, claro. Ela tem uma grande pulsação, uma ótima letra, a melodia, o jeito que a música foi montada. A pausa da bateria – é tão pesada quando ela para naquela seção. As guitarras são bem encorpadas. E o groove… Soa tão bem. Esse é o resultado final. Tem que ter sentimento. É preciso respirar. Caso contrário, é simplesmente estéril, é apenas uma linha reta, sem emoção. E essa música, acho, captura um sentimento. E há algumas músicas que funcionam e outras que não. E essa, acredito, tem todos os ingredientes ou a qualidade de, para mim, uma faixa pura e excelente de metal, uma faixa de thrash metal”.

    Outra das músicas apontadas por Lombardo entre as melhores do Slayer foi Captor of Sin, do EP Haunting the Chapel (1984): “A razão para essa é que (essa) foi a primeira vez que comecei a usar pedal duplo”

    A última música escolhida por Lombardo, foi, surpreendentemente, a pouco lembra Beauty Through Order“Eu tenho que escolher algo do World Painted Blood (2009), já que foi o último álbum de (JeffHannemanBeauty Through Order, lembro-me de gravar essa música, pois a música tinha um crescendo natural, um ‘de-crescendo’ natural também. Não seguimos o ‘grid’ para ficar metronomicamente correta, fomos como a emoção da música. A música começou, por exemplo, em 150bpm, porém no final estava em 175/180, porque foi crescendo com intensidade”.

    Lombardo pareceu ter sentido uma emoção diferente ao recordar dessa última música, visto que ele prosseguiu dando mais detalhes e recordando o momento vivido com seu saudoso parceiro de banda, o guitarrista Jeff Hanneman: “Lembro-me de me sentar com Hanneman na turnê “World Painted Blood”, antes de ele ficar doente, e ouvir essa música. Riríamos de algumas das partes de trechos de whammy que tiveram overdub, soava como algum tipo de pássaro ou alvo voando pelo ar”.

    Ouça abaixo as músicas escolhidas por Dave Lombardo
  • DAVE MUSTAINE segue elogiando o guitarrista TEEMU MÄNTYSAARI, substituto de KIKO LOUREIRO

    DAVE MUSTAINE segue elogiando o guitarrista TEEMU MÄNTYSAARI, substituto de KIKO LOUREIRO

    Megadeth continua na estrada pelos Estados Unidos com a turnê “Crush the World”. E enquanto Kiko Loureiro permanece aparentemente afastado, Dave Mustaine tem rasgado elogios ao então substituto do guitarrista, o finlandês Teemu Mäntysaari (Wintersun, Smackbound). Recentemente, o líder e fundador do Megadeth já havia comparado o estilo de Teemu tocar ao de Marty Friedman, membro da formação clássica da banda. Agora, em nova entrevista, dessa vez para o DJ Shaggy, do programa de rádio The PickMustaine voltou a tecer comentários positivos sobre o guitarrista indicado pelo próprio Loureiro, que, a princípio, segue afastado da banda para cuidar de sua família na Finlândia.

    Disse Mustaine“Atualmente, temos uma situação de guitarrista em que nosso guitarrista atual é um cara chamado Teemu Mäntysaari e nosso guitarrista regular ‘era’ Kiko LoureiroKiko teve alguns problemas. Ele foi para casa e Teemu entrou, e as pessoas estão ficando malucas sobe como as coisas estão acontecendo agora, porque temos uma química muito boa juntos”. 

    Como observado, algumas falas de Mustaine deixam dúvidas sobre a real situação de Kiko Loureiro no Megadeth, como por exemplo quando ele justifica estar agora acrescentando ao set músicas nunca antes tocadas ao vivo do novo álbum, The Sick, The Dying… And the Dead! (2022): “Conseguimos adicionar um monte de músicas ao set porque Teemu era fã de metal. Kiko não cresceu batizado no metal… Como o show que fizemos algumas noites atrás, (em que) abrimos com Hangar 18 (N.R.: do clássico Rust in Peace, de 1990) e depois seguimos com Mechanix (N.R.: do debut Killing is My Business… And Business is Good!). Nunca fizemos isso antes, então é um começo bem pesado. E adicionamos uma segunda faixa do novo álbum com Soldier On! (N.R.: Na verdade, o Megadeth já havia tocado essa música ao vivo com Kiko), e estamos nos preparando para adicionar uma terceira”.

    Quando o Megadeth informou o afastamento temporário de Kiko em suas redes no mês passado, o guitarrista aproveitou o anúncio para dizer que estaria de volta na próxima etapa da turnê. Na mencionada recente entrevista, Dave Mustaine comentou sobre a próxima fase da turnê, porém não deixou claro quem estará na guitarra: “Essa turnê vai terminar em alguns dias, e a próxima coisa, obviamente, é se preparar  para o próximo ano. Temos outra 

    “Mas [essa] turnê vai terminar em alguns dias, e a próxima coisa, obviamente, é (nos) preparar para o próximo ano. Temos outra corrida muito boa nos Estados Unidos (chegando).”

    Megadeth com o guitarrista finlandês Teemu Mäntysaari