Categoria: Destaques

  • MIKE PORTNOY retorna ao DREAM THEATER

    MIKE PORTNOY retorna ao DREAM THEATER

    POR GUILHERME SPIAZZI

    Há pouco foi anunciado oficialmente o retorno de Mike Portnoy para o Dream Theater e a gravação de um novo disco. 

    Após 13 anos longe do grupo, o baterista e fundador finalmente está de volta para a alegria dos fãs, que há anos pediam por esse retorno.  

    Referência do metal progressivo, a banda norte-americana passou a ser sinônimo do estilo a partir do estrondoso Images & Words (1992) e desde então não parou de conquistar novos fãs. Após algumas trocas na formação e um relativo arrefecimento do seu sucesso, o Dream Theater virou o jogo em Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory (1999) e seguiu firme na sua formação até que em setembro de 2010 Portnoy, num decisão controversa e difícil, optou por se desligar da banda após 25 anos de jornada citando a necessidade de uma pausa.

    Para o seu lugar, após uma seleção em nível mundial documentada em vídeo da qual participou Aquiles Priester (Edu Falaschi, W.A.S.P, ex-Angra), o grupo anunciou o exímio Mike Mangini (ex-Steve Vai, Annihilator). Com Mangini, o Dream Theater lançou seis discos de estúdio e ganhou um prêmio Grammy.

    Apesar da manutenção do sucesso nessa última década, os fãs nunca desistiram de sonhar com um retorno do baterista original. Várias foram as especulações desse retorno durante os anos. Os ânimos esquentaram quando John Petrucci trouxe Portnoy para a gravação do seu disco Terminal Velocity (2020). Na sequência, o baterista gravou Liquid Tension Experiment 3 (2021) ao lado de Petrucci e Jordan Rudess.

    Apesar das movimentações, a banda não dava indícios de que a sua parceria com Mangini um dia chegaria ao fim até que um comunicado oficial foi publicado nessa quarta-feira, dia 25 de outubro às 11h horário de Brasília, anunciando o retorno de Mike Portnoy.  

    Confira a tradução do comunicado oficial abaixo:

    (Nova York, NY) – Os titãs da música progressiva, vencedores do GRAMMY®, Dream Theater, estão anunciando o retorno do baterista Mike Portnoy ao grupo. Portnoy se reunirá com o guitarrista John Petrucci e o baixista John Myung – o trio formou a banda no Berklee College Of Music em 1985 – junto com membros de longa data, o vocalista James LaBrie e o tecladista Jordan Rudess. O Dream Theater entrará em estúdio para começar a trabalhar em seu 16º álbum de estúdio e o primeiro com Portnoy desde Black Clouds & Silver Linings, de 2009.

    “Eu entendo a decisão do Dream Theater de trazer Mike Portnoy de volta neste momento”, afirma Mike Mangini. “Como foi dito desde o primeiro dia, minha função não era preencher todas as funções que Mike ocupava na banda. Eu deveria tocar bateria para ajudar a banda a seguir em frente. Meu principal papel de manter nosso show ao vivo funcionando todas as noites foi uma experiência intensa e gratificante. Felizmente, tive a experiência de tocar música com esses músicos icônicos, além de alguns momentos divertidos repletos de humor. Eu também gostei muito de passar muito tempo com a equipe. E depois houve a vitória do GRAMMY®, que foi incrivelmente satisfatória. Aos fãs: muito obrigado por serem incríveis comigo. Eu aprecio as fotos que tenho de todos vocês enlouquecendo e se divertindo. Por fim, eu realmente amo a banda, a equipe e o empresário e desejo a eles e a toda a organização tudo de bom.”

    “A bateria de Mike Mangini é de outro mundo e estou extremamente grato pelo tempo que ele passou conosco no Dream Theater. Estou muito orgulhoso de todas as músicas incríveis que fizemos juntos, que culminaram em nossa primeira vitória no GRAMMY® no ano passado e dos inúmeros momentos mágicos que compartilhamos no palco nos últimos 13 anos. Desejo-lhe todo o melhor sucesso em seus futuros empreendimentos musicais”, explica John Petrucci. “Estou incrivelmente animado em receber Mike Portnoy de volta ao Dream Theater! Como membro fundador original, amigo de longa data e baterista incrivelmente talentoso e criativo, sei que seu retorno trará um espírito renovado, paixão e energia ao DT que todos nós, incluindo nossos fãs, receberemos com alegria. Mal posso esperar para arregaçar as mangas e voltar ao estúdio juntos!”

    “É ótimo voltar à forma com nosso baterista original Mike Portnoy. Começamos a tocar juntos como Majesty há quase 40 anos e estou animado para ver o que esta próxima fase do Dream Theater criará para o futuro. Não desejo nada além do melhor para Mike Mangini por todo o sangue, suor e lágrimas que ele colocou no DT durante seus 13 anos na banda”, acrescenta John Myung.

    “Ter Mike Mangini conosco todos esses anos foi, simplesmente, uma jornada incrível. Ele é um dos bateristas mais incríveis e naturalmente talentosos com quem tive o prazer de trabalhar. Obrigado Mike. A vida é uma viagem muito estranha e acho que é isso que a torna ainda mais interessante e envolvente para sempre. Ter Mike Portnoy de volta na banda é exatamente onde nós e as coisas deveriam estar. As coisas costumam dar uma volta completa e, neste caso, faz todo o sentido. Estou entusiasmado com as perspectivas desta formação clássica da DT se reunir. Posso dizer com absoluta confiança que esta será a encarnação final do DT, com muitos capítulos ainda a serem escritos no nosso futuro. Avante e para cima galera!! Bem-vindo de volta, deputado”, afirma James LaBrie.

    “Mike Mangini é um dos bateristas mais excepcionais do mundo e me sinto privilegiado por termos criado todo um trabalho com ele. Sempre serei grato pelo tempo que compartilhamos no universo do Dream Theater”, continua Jordan Rudess. “Estamos muito entusiasmados em reunir a família principal do Dream Theater. Há uma ressonância de espírito e visão que é única e vai além das palavras em nosso relacionamento com Mike Portnoy. Dentro e fora do palco não há como negar a magia que acontece quando estamos juntos. Estou grato por termos a oportunidade de trabalhar juntos novamente como Dream Theater e estou ansioso para compartilhar nossa emoção e paixão com nossos fãs incríveis por muito tempo.”

    “Estou muito feliz por voltar para casa e me reunir com meus irmãos! Há tanta história partilhada entre todos nós… tantas memórias, tanta música… pensar que estamos a completar 40 anos desde que esta viagem começou! A ideia de criar novas músicas juntos é tão emocionante e mal posso esperar para pegar a estrada e tocar ao vivo para toda uma nova geração de fãs que nunca puderam ver essa formação antes… Não há lugar como o nosso lar!!” exclama Mike Portnoy.

    Os pioneiros do metal progressivo, Dream Theater, compartilham um vínculo único com uma das bases de fãs mais apaixonadas do mundo, como evidenciado por suas três indicações ao GRAMMY® Award, vitória no GRAMMY® Award de 2022 na categoria de Melhor Performance de Metal por “The Alien” e 15 milhões de discos. vendido em todo o mundo. A obra Images & Words de 1992 recebeu uma certificação de ouro e foi incluída nos cobiçados “100 Melhores Álbuns de Metal de Todos os Tempos” da Rolling Stone. Guitar World colocou o álbum seguinte, Awake, em primeiro lugar na lista “Superunknown: 50 Iconic Albums That Defined 1994”.

    ”A Change of Seasons, de 1996, foi a trilha sonora da cobertura do esqui alpino da NBC nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002. Os fãs votaram no Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory o “Álbum de rock progressivo número um de todos os tempos” em uma pesquisa da Rolling Stone de 2012. Sem mencionar que foi classificado como o “15º Melhor Álbum Conceitual” da Classic Rock. 2009 viu Black Clouds & Silver Linings bater o Billboard Top 200 em # 6 como A Dramatic Turn of Events [2011] e Dream Theater [2013] manteve uma terceira posição no Top 10 da parada. Consequence of Sound apelidado de 2016 The Astonishing, “Uma experiência absolutamente única.” Além de três discos de platina e dois de ouro, o grupo foi incluído no Long Island Music Hall of Fame em 2010. Em 2019, a banda continuou a expandir seu público quando lançou Distance Over Time, com aclamação da crítica e comercial. Em seu 15º álbum completo e segundo lançamento de estúdio pela InsideOutMusic / Sony Music, A View From The Top Of The World, a banda continua a se desafiar e a expandir seus limites musicais – algo que eles têm feito há mais de 30 anos tocando juntos. A banda encerrou recentemente a turnê inaugural DREAMSONIC – um espetáculo itinerante de música progressiva que retornará para mais apresentações no futuro.

  • Metal argentino em luto: morre RICARDO IORIO, fundador dos lendários V8, HERMÉTICA e ALMAFUERTE

    Metal argentino em luto: morre RICARDO IORIO, fundador dos lendários V8, HERMÉTICA e ALMAFUERTE

    Aos 61 anos, faleceu na manhã desta terça-feira (24) o icônico Ricardo Iorio, vocalista de três das bandas mais lendárias do heavy metal argentino, V8Hermética Almafuerte. Após conversar com a viúva de Iorio, o advogado do músico, Juan Ignacio Vitalini, confirmou seu óbito por infarto às rádios locais de rock e de música pop. “Foi na ambulância, de fato. Ele começou a se sentir mal em casa, com dor no peito, deitou-se, chamaram a ambulância e ele faleceu à caminho”, descreveu VitaliniIorio morava na região de Sierra La Ventana, em Buenos Aires.

    O último show da vida do cantor aconteceu no dia 14 de outubro de 2023, no Anfiteatro Municipal de Rosario, como parte de sua turnê solo “Unas Estrofas Más – Gira Federal 2023”. Tido pelo público argentino como uma figura polêmica e de personalidade forte, Iorio se destacou por letras e músicas de cunho social e com críticas às injustiças e desigualdades, tais como Sé VosToro y Pampa A Vos Amigo. Para a imprensa argentina especializada em música pesada, a morte de Ricardo Iorio representa “um vazio insubstituível na cultura rock nacional”.

    Baixista no início da carreira, Iorio iniciou sua carreira musical com o V8, banda que fundou em 1979 com o guitarrista Ricardo “Chofa” Moreno. Eles se separaram em 1987, após lançarem três álbuns de estúdio, Luchando Por El Metal (1983), Um Paso Más en la Batalla (1984) e El Fin de los Inicuos (1986). No ano seguinte, Iorio formou o Hermética, com quem também gravou três álbuns de estúdio, Hermética (1989), Ácido Argentino (1991) e Víctimas del Vaciamiento (1994) e onde além de baixista, tornou-se o principal compositor, letrista e (ocasionalmente) vocalista. Depois do auge do Hermética, em 1994, o Iorio se desligou do grupo no ano seguinte e formou o Almafuerte, onde atuou como vocalista e baixista até a dissolução da banda em 2016.

    No último dia 13 de outubro, Ricardo Iorio, gravou um vídeo para suas redes sociais, convidando os fãs para o show feito no dia seguinte, sem imaginar que aquele seria o seu último show. Confira: 

       
  • PAPA ROACH doa grande quantia em dinheiro para fundação de prevenção ao suicídio

    PAPA ROACH doa grande quantia em dinheiro para fundação de prevenção ao suicídio

    Boas ações são sempre bem-vindas e de bom tom no rock and roll e os americanos do Papa Roach fizeram sua parte. Nesta segunda-feira (23), o grupo anunciou a doação de 150 mil dólares para a campanha anti-suicídio Talk Away the Dark, da AFSP (American Foundation for Suicide Prevention).

    O CEO da AFSMBob Gebbia, falou do gesto da banda: “Todos temos um papel na prevenção do suicídio e no apoio à saúde mental uns dos outros. A música sempre foi uma forma poderosa de espalhar essas mensagens. É por isso que somos bastante gratos ao Papa Roach por tornar as mensagens de saúde metal uma prioridade ao longo de sua carreira e, mais recentemente, com (a música) Leave A Light On e renomeá-la após nossa campanha Talk Away the Dark. E sua generosa doação apoiará a educação pública da AFSP programa para sobreviventes de perdas, pesquisa e trabalho de advocacia, que é essencial para salvar vidas”.

    A campanha foi apresentada em Denver, Colocorado (EUA), durante o último show do Papa Roach pela turnê “The Revolutions Live”, que contou também com as bandas Shinedown Spiritbox. A turnê marcou a estreia ao vivo da música Leave A Light On, que mediante à comoção pela campanha foi renomeada para Leave A Light On (Talk Away the Dark)

    O vocalista Jacoby Shaddix falou a respeito da campanha: “Essa questão não afeta apenas um de nós, ou alguns de nós, afeta a todos nós! Estamos orgulhosos de trabalhar ao lado da AFSP para apoiar sua missão de levar esperança às pessoas afetadas pelo suicídio e orgulhosos de que esta música – que tem sido especial para nós desde que foi escrita pela primeira vez – possa desempenhar um papel em trazer um pouco mais de luz a um tópico incrivelmente importante”.

    O single  Leave A Light On (Talk Away the Dark) será lançado oficialmente no próximo dia 31 de outubro, porém hoje a banda disponibilizou o clipe oficial do mesmo. Assista:

       
  • Com suspeita de câncer, MICHAEL SWEET (STRYPER) passará por cirurgia em dezembro

    Com suspeita de câncer, MICHAEL SWEET (STRYPER) passará por cirurgia em dezembro

    Após sofrer dois deslocamentos de retina e ser submetido a quatro cirurgias para cuidar do problema, o fundador, compositor, vocalista e guitarrista do maior grupo cristão da história, o Stryper, Michael Sweet atualizou seus fãs nas redes sociais sobre a situação de seu olho, porém pegou a todos de surpresa revelando um novo diagnóstico que aponta outro problema sério de saúde.

    O músico de 60 anos revelou que nódulos detectados em sua tireoide por meio de biopsia têm chance extremamente alta de serem câncer. Em seu comunicado, Michael começou falando de como estão seus olhos no momento:

    “Meus olhos estão ficando muito bem agora. Meu olho direito ainda está estável (após dois descolamentos e quatro cirurgias) e embora ainda haja algum inchaço na retina, sou muito grato por não ter perdido a visão nesse olho. Eles (os médicos) continuarão a observar os dois olhos (meu olho esquerdo tem duas lágrimas e muitas moscas volantes) e eu sinto que fui abençoado por ser capaz de reter a visão neste momento”.

    Junto ao guitarrista Joel Hoekstra, seu parceiro no projeto Iconic, Michael Sweet precisou usar tapa olho recentemente devido ao problema na retina
    Quanto ao recente diagnóstico sobre o problema de tireoide, Michael explicou a situação:
    “Em relação aos meus nódulos de tireoide, infelizmente meu lado esquerdo foi biopsiado e voltei com 95% com suspeita de câncer. Como sou vocalista, meu médico local recomenda que eu procure um especialista, já que o risco de lesão do nervo vocal é maior durante uma tireoidectomia. Me encontrei com um especialista em Boston, que basicamente escreveu um livro sobre esse tipo de procedimento e é capaz de monitorar o nervo vocal para diminuir o riscos de danos nos nervos. Parece ser um câncer de crescimento lento e, neste momento, ele está recomendando remover o lado esquerdo da minha tireoide. Embora o lado direto também tenha um nódulo, ele é um pouco menor em tamanho e eles continuarão a monitorá-lo. Remover apenas um lado da minha tireoide permitirá que eu provavelmente não tenha que tomar qualquer tipo de medicação de hormônio da tireoide, e eu deveria ser capaz de voltar a uma qualidade de vida relativamente regular rapidamente. Uma vez que o câncer for removido, eles serão capazes de determinar mais sobre ele com mais testes. Neste momento, a cirurgia está marcada para 15 de dezembro deste ano e devo poder estar apto normalmente logo após a cirurgia. Ele disse que serão alguns meses de cura para poder cantar com a voz plena. Nós (Stryper) estaremos gravando um álbum em janeiro de 2024 e estou planejando cantar em fevereiro, então o médico diz que dever ser o momento perfeito. Embora eu esteja um pouco nervoso, porque sou vocalista, estou confiante de que tudo vai ficar bem e que vou conseguir deixar isso para trás relativamente em breve”.

    Recentemente, o Stryper finalizou sua turnê de divulgação de seu mais recente álbum de estúdio, The Final Battle, que foi lançado no ano passado. Embora muita gente tivesse pensado que o título do álbum pudesse significar a despedida da banda, Michael Sweet já esclareceu que não existe essa relação. E ele não blefou, já que, como ele mesmo revelou, no início do próximo ano a banda entra em estúdio para gravar seu próximo trabalho.

  • Morre CELSO VECCHIONE, guitarrista do MADE IN BRAZIL

    Morre CELSO VECCHIONE, guitarrista do MADE IN BRAZIL

    O rock nacional está de luto. Aos 74 anos de idade, faleceu um dos pioneiros do rock no Brasil, o veterano guitarrista Celso Vecchione, da lendária banda paulistana Made in Brazil.

    A informação foi fornecida nas redes sociais pelo próprio irmão de Celso, o vocalista e baixista Oswaldo Vecchione, que até o presente momento não revelou a causa da morte. Comunicou Oswaldo:

    “Descansou!

    Meu irmãozinho querido descansou! Meu professor e parceiro; meu herói, Celso “Kim” Vecchione. Peço orações por sua alma. Muita dor nesse momento. Indo pra Sampa, totalmente desnorteado!”.

    Celso fundou o Made in Brazil junto com seu irmão Oswaldo no ano de 1967, no tradicional bairro paulistano da Pompeia. O Made influenciou toda uma geração que viveu o rock nos anos 70, tendo sido referenciado nas décadas posteriores por bandas como, por exemplo, o Velhas Virgens. Discos como o próprio Made in Brazil (1974) – o famoso “disco da banana” -, Jack, O Estripador (1975) e Pauliceia Desvairada (1978) se tornaram clássicos do rock and roll tupiniquim.

    Quando se fala em ‘shock rock’ brasileiro e bandas com maquiagem, muita gente se lembra do Secos & Molhados, no entanto, a primeira banda a ousar “pintar” o rosto foi o Made in Brazil, em 1969, ou seja, quatro anos antes de Ney Matogrosso e sua trupe. O Made sempre foi uma banda de blues rock de atitude e na época da ditadura militar ter atitude significava incomodar. Em 1977, por exemplo, o grupo viu seu álbum Massacre ser alvo da ditadura, sendo censurado e proibido de ser lançado na época. Como se não bastasse, o show que deveria acontecer no Teatro Aquários, que era localizado na região do Bixiga, acabou sendo vetado e os equipamentos da banda confiscados. Massacre só foi ser lançado muito tempo depois, especificamente no ano de 2005.

    Made In Brazil também é sempre lembrado por ter sido a banda que contou com o maior número de formações no mundo, com um total de mais de 200 versões e 126 músicos diferentes! Por conta disso, a banda foi incluída no Guiness.

    A equipe da ROADIE CREW transmite à família, amigos e fãs de Celso Vecchione e do Made in Brazil os nossos mais profundos sentimentos. Descanse em paz, Celso.

    Foto: Leandro Almeida
     
  • Apesar das críticas, PAUL STANLEY defende setlist previsível dos shows do KISS

    Apesar das críticas, PAUL STANLEY defende setlist previsível dos shows do KISS

    Para os fãs mais fanáticos do KISS, em conversas de mesa de bar há uma opinião que é praticamente unânime: nos últimos anos, os setlists da banda têm sido bem mais interessantes do que os de suas turnês regulares. Isso não apenas porque em seu próprio cruzeiro a banda lança mão de músicas pouco aproveitadas em turnês, mas porque na estrada o repertório da banda é praticamente sempre o mesmo nos últimos anos, com raras mudanças. E isso vem se repetindo inclusive na turnê de despedida do KISS, a End of the Road Tour. Tudo bem que quem vai a um show, seja ele qual for, quer ouvir os grandes clássicos e hits de uma banda, mas é sempre mais legal quando temos uma ou duas surpresas inseridas em um repertório. Mas apesar das críticas feitas também nas redes, Paul Stanley tem defendido o setlist atual da banda. 

    “Ouvi algumas pessoas reclamarem que o set list não muda, mas montamos um set list com base nas pessoas que estão vindo (nos assistir)”, justificou Stanley durante entrevista ao Ultimate Classic Rock“A pessoa que vem a um show, não sabe o que vai acontecer amanhã à noite ou o que aconteceu ontem à noite. Então, alguém sentado em casa criticando o set list é um absurdo”

    Bem, sobre a pessoa não saber o que irá acontecer “amanhã”, ele talvez tenha razão, porém dizer que a pessoa não sabe o que aconteceu “ontem” em termos de set list, mostra que possivelmente ele não conhece, por exemplo, o site setlist em que os fãs o atualizam praticamente simultaneamente com o que está acontecendo em determinado show.

    Além de defender a quesão dos setlists, Paul Stanley falou de seu sentimento ao ver o último show de sua vida com o KISS se aproximando: 

    “Uma coisa é planejar o fim, que começamos a planejar anos atrás, porém planejar algo e depois ver o fim é iminente, é diferente de vê-lo de longe”, admite. “Então, sim, certamente há uma realidade que bate à porta. Você está no trem e pode ver a estação”.

    KISS
    Paul Stanley (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
  • GRAVE DIGGER apresenta novo guitarrista

    GRAVE DIGGER apresenta novo guitarrista

    Nesta quinta-feira (19), o Grave Digger apresentou seu novo guitarrista. Trata-se de Tobias “Tobi” Kersting, integrante do Steelhammer e ex-Orden Ogan.

    A banda falou de Tobias Kersting em comunicado à imprensa:

    “Ele é um grande e talentoso monstro de riffs de heavy metal e a banda está muito feliz com esse enriquecimento musical. Com entusiasmo e excitação (estamos) aguardando o que está por vir… Uma nova era do Grave Digger começou!”

    O batismo de Tobi no Digger acontecerá no próximo dia 28 de outubro, em show ‘sold out’ a ser realizado em Düsseldorf, na Alemanha, em comemoração aos 40 anos de carreira da Metal Queen Doro Pesch – ou simplesmente Doro.

    GRAVE DIGGER: Chris Boltendahl – vocal Tobias Kersting – guitarra Jens Becker – baixo Marcus Kniep – bateria

    GRAVE DIGGER online: Website Store Facebook Instagram Spotify Live Dates

  • PAPA EMERITUS IV dá adeus ao GHOST em show na Austrália

    PAPA EMERITUS IV dá adeus ao GHOST em show na Austrália

    Após passar pelo Brasil em setembro e concluir sua turnê “Re-Imperatour Latin America 2023” com shows na Argentina e no Chile, o Ghost se mandou para a Austrália. No último dos três shows feitos no país, realizado em Brisbane no último dia 7 de outubro, o atual personagem de Tobias Forge, Papa Emeritus IV, fez um anúncio misterioso no show, dando a entender que aquele estava sendo o seu último à frente da banda.

    Em uma pausa antes da próxima música do show, Papa Emeritus IV comentou de modo enigmático:

    “É uma grande noite, de muitas maneiras. Vou deixar você me acompanhar, pode ficar aonde estiver, que eu vou tomar um drinque aqui. Sei que muita gente está esperando algum tipo de explosão, implosão, um milagre em que eu simplesmente desapareço em favor de um sucessor”

     

    Emeritus IV prosseguiu com seu discurso, agora de modo debochado, talvez um jeito de aliviar a tensão: 

     

    “Vou pegar esse cubo de gelo e abaixar a calça. Geralmente não faço isso, mas é para me fazer sentir um pouco melhor, porque agora estou me concentrando nisso e não em vocês. Isso no caso de vocês pensarem que eu tivesse me mijado, o que tenho certeza que teria sido o grand finale. Mas sabe de uma coisa? Esse final, vai ser meu último show, e vou dar o meu melhor para entregar esse show a vocês. E isso deveria ser o bastante, certo?”

      Confira o discurso de Papa Emeritus IV, em vídeo feito por fã na plateia: 

    O “Habemus Papam” para Papa Emeritus IV aconteceu mediante conclave do clero em 2020, e assim ele assumiu sua missão no Ghost sucedendo os papas anteriores, Emeritus I, II e III, bem como o canastrão Cardinal Copia.

    O legado de Emeritus IV durou pelos dois últimos álbuns de estúdio do Ghost, Prequelle (2018) e o bem sucedido e aclamado Impera (2022).

    Recentemente, o Ghost anunciou também que um filme está sendo produzido, unindo dramatizações e cenas ao vivo, extraídas em shows recentes gravados em Los Angeles pela atual turnê da banda.
    Papa Emeritus IV, em show recente feito em São Paulo
     
  • ROLLING STONES mantêm a chama acesa em novo disco

    ROLLING STONES mantêm a chama acesa em novo disco

    Desde que os Rolling Stones lançaram o álbum de covers de clássicos do blues Blue and Lonesome (2016) que se especula sobre um novo disco de inéditas da banda – afinal, o último trabalho com essa característica havia sido A Bigger Bang, que saiu no longínquo 2005. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Uma pandemia interrompeu uma turnê da banda, que aconteceria em 2020, no ano seguinte a retomada do giro aconteceria sem Charlie Watts, que enfrentava problemas de saúde, mas antes que ela tivesse início o baterista faleceu. Tudo isso colocou em dúvida até mesmo a continuidade da existência do grupo, levando em conta, além desses aspectos, as idades dos integrantes – Mick Jagger completou 80 em junho último, Keith Richards também arredonda a idade em dezembro próximo e o caçula Ron Wood já chegou aos 76. Senão, vejamos: o que poderia motivar três sujeitos extremamente bem sucedidos na vida e em idade de se aposentar a prosseguir nessa rotina nem sempre agradável de compor, gravar, pegar um avião e subir num palco pra tocar?

    A resposta é muito simples: o fascínio que a música exerce. Ficou bem claro que aqueles três caras simplesmente não podiam viver longe disso. Tanto que logo em 2022 os Stones finalmente retomaram a tour, agora com Steve Jordan no comando das baquetas – uma indicação do próprio Watts quando teve que se afastar.

    O grupo vinha fazendo turnês regulares nos últimos anos (passou pelo Brasil pela última vez em 2016) e gravou algumas músicas avulsas, que apareceram em coletâneas – as mais recentes haviam sido Doom and Gloom e One More Shot, que saíram na coletânea GRRR! (2012) – além de outras que jamais viram a luz do dia. “Não havia quem supervisionasse”, disse Mick Jagger em recente entrevista ao The New York Times. E completou “Não tinha quem dissesse: ‘Este é o prazo final’.” Então, Jagger, mais uma vez, pegou o touro pelos chifres, jogou o bicho no chão e assumiu o comando do negócio.

    Assim, no início de setembro começaram a surgir alguns teasers na internet mostrando as palavras “Hackney Diamonds” e um trecho de menos de vinte segundos do que, saberíamos depois, seria o primeiro single do álbum, Angry. Até que, no dia 6 de setembro, Mick, Keith e Ron concederam entrevista ao apresentador Jimmy Fallon para anunciar o novo disco – que, de fato, se chamou Hackney Diamonds, gíria londrina para definir os estilhaços de vidro que se espalham pelo chão quando alguém estoura a janela de um carro para roubar.

    E tendo o privilégio de ouvir o disco alguns dias antes de seu lançamento oficial, dá pra sacar algumas coisas: em primeiro lugar, chama a atenção a urgência que o álbum transpira e que acabou dando o tom das gravações – “foi uma blitzkrieg”, disse Richards ao NYT, “trabalhamos muito depressa; ainda estou me recuperando…” (risos)

    Um dos segredos para a sonoridade do álbum está no produtor. Algumas músicas, naquelas sessões esparsas que ocorreram no passado, foram comandadas por Don Was, antigo produtor da banda. Mas quem foi chamado pra dar um jeito no negócio foi Andrew Watt, sujeito que tem de idade praticamente a metade do tempo que os Stones têm de estrada – ele tem 32 anos, a banda subiu no palco pela primeira vez há 61… Ele disse: “Eu era o novato, não tinha a bagagem que tem a banda. Então, a forma que encontrei para navegar por essas águas foi agir rápido.” Rápido e bem. Watt, produtor egresso do pop, mas que produziu os dois últimos discos de Ozzy Osbourne e o mais recente de Iggy Pop, chegou a assinar três músicas com a banda – e certamente participa como guitarrista. Ele não só conferiu essa urgência que permeia todo o álbum, mas imprimiu uma sonoridade que consegue ser moderna sem descaracterizar o som do grupo.

    Logo após aquela entrevista a Jimmy Fallon, saiu o primeiro single. Seria a faixa que abre o disco, Angry, acompanhada de um clipe genial. Movida a um daqueles riffs de guitarra que só os Stones são capazes de criar, a letra fala para a garota “não ficar brava (angry) comigo.” “Não chove faz um mês / O rio está seco / A gente não transa mais / E eu não sei por que” dizem os primeiros versos, enquanto o vídeo mostra a atriz Sydney Sweeney dançando no banco traseiro de uma Mercedes 560 SL conversível – nada como um carro clássico para ilustrar a cena. Durante o passeio, outdoors pela rua mostram cenas de várias fases dos Stones, mas o movimento labial de Jagger acompanha a letra da música – viva a Inteligência Artificial!

    O disco continua com Get Close, com um riff de guitarra algo funkeado, lembrando a fase do álbum Some Girls, quando os Stones colocaram um pé na disco music e outro no punk rock. Jagger dá um show de interpretação e deixa claro que é um dos protagonistas do disco, enquanto Elton John dá um auxílio precioso ao piano.

    Depending on You é uma balada com um pé no country, outro gênero que sempre foi muito caro aos Stones. A música tem um dos refrãos mais bonitos que a banda já criou e, segundo consta, foi escrita no esquema “de antigamente”, com Jagger e Richards se reunindo uma mesma sala para compor. “Somos uma dupla esquisita, cara”, disse Keith ao NYT. “Mas eu o amo muito e ele me ama muito, e é isso que importa.”

    Alguns chamaram Bite My Head Off de “punk”. Não é. É um rockão com o DNA dos Stones e que poderia estar em Sticky Fingers (1971) ou Exile on Main St. (1972). Essa música tem a participação de Paul McCartney, que falou a respeito: “Eu me dei conta de que conhecia aqueles caras desde sempre, que tinha ido a shows deles, mas nunca tinha tocado com eles, todos juntos, numa mesma sala. Adorei!”

    Whole Wide World é um rock com aqueles riffs circulares que acompanham toda a música (como Shattered ou Beast of Burden, para citar apenas duas). Ela tem um acento pop, como Jagger tanto gosta, mas ao mesmo traz um peso poucas vezes visto, mistura que dá certo quando nas mãos de quem sabe fazer.

    Mais uma acalmada acontece na faixa seguinte, Dreamy Skies. Os Stones aqui voltam a flertar com o country numa baladona movida a violão e guitarra slide. Jagger dá outro show e o solo é muito inspirado.

    Vamos voltar à fase Some Girls? É só deixar rolar a seguinte, Mess it Up. Ela começa com uma solução curiosa: os primeiros cinco segundos têm uma sonoridade totalmente setentista, até a música começar “pra valer” e a produção atual assumir o comando. Ela consegue misturar um riff grudento com um refrão pop e uma levada repleta de groove – cortesia de Charlie Watts, que deixou algumas faixas gravadas, sendo que duas foram usadas no disco.

    A outra, por sinal, é a faixa seguinte, Live By the Sword. A faixa, além de Watts, tem Bill Wyman no baixo. Segundo consta, Richards teve a ideia de reunir a cozinha clássica da banda. Então entrou em contato com Bill: “Você ainda sabe tocar?” Ouviu: “Claro que sei!” “Então chega aí pra gravar com a gente.” Esse é mais um rock que poderia estar em qualquer dos discos clássicos dos anos 70 – e, de quebra, ainda tem mais uma participação de Elton John.

    Talvez o único momento em que o disco dê uma “baixada” seja em Driving Me Too Hard. Ela até lembra vagamente Tumbling Dice, mas nem de longe tem o mesmo apelo.

    Como não pode faltar num disco da banda, Tell Me Straight é a música que Keith Richards assume o vocal principal. O interessante aqui é notar como ele usa a voz de uma forma totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir – e muito mais eficiente. Certamente, tem a mão de Andrew Watt aí.

    E em seguida vem uma das músicas que tem tudo para se tornar uma das mais importantes de todo o repertório da banda. Só o fato de Sweet Sounds of Heaven (segundo single do disco) contar com os teclados e o piano de Stevie Wonder já seria motivo para dar atenção especial a ela. Mas não tem só isso. Quem dobra vocais com Jagger é Lady Gaga – que já tinha cantado Gimme Shelter com a banda em um show em 2012. E que fique claro: a despeito de se dedicar a um estilo musical que nada tem a ver com o rock, Lady Gaga é talentosíssima como cantora – é só ver sua participação no filme “Nasce uma Estrela” (2018). Nesta canção, um tema com um pé no gospel na linha de You Can’t Always Get what You Want, ela e Jagger fazem uma espécie de “desafio vocal” em que só grandes cantores poderiam se meter. Sem dúvida, o ponto alto do disco.

    Para fechar Hackney Diamonds, um clássico do blues: Rollin’ Stone (aqui grafada como Rolling Stone Blues) tema tradicional que se popularizou com a gravação de Muddy Waters em 1950. Essa é a música que deu origem ao nome da banda e que aqui aparece na versão mais crua possível: voz, violão e harmônica. Mais nada. Como se precisasse…

    Enfim, foi uma longa espera e muita incerteza envolvida. Mas se Hackney Diamonds for de fato o último disco dos Rolling Stones, nada me ocorre além de um dos clichês mais batidos da língua portuguesa: fecharam com chave de ouro.

  • MARKY RAMONE’S BLITZKRIEG – São Paulo (SP)

    MARKY RAMONE’S BLITZKRIEG – São Paulo (SP)

    Por Luiz Tosi

    Fotos: Roberto Sant’Anna

    ‘Hey, ho! Let’s go!’ Foi com esse grito, que dá início a Blitzkrieg Bop, faixa de abertura do homônimo álbum de estreia, de 1976, que os Ramones revolucionaram o rock ‘n’ roll. Revolucionaram mesmo! A banda faz parte daquele seleto grupo que merece a expressão “existe música antes e depois de…” e que influenciou um sem-número de artistas. Para se ter uma ideia, em 2020 a revista australiana Shoot Farken listou nada menos do que 444 músicas que mencionam os Ramones em suas letras, que vão de U2 (The Miracle of Joey Ramone, de 2014) a Motörhead (R.A.M.O.N.E.S., de 1991). As mortes precoces de todos os membros fundadores (Tommy, Johnny, Joey e Dee Dee Ramone) deixaram para os três membros substitutos e ainda vivos, o baixista CJ e os bateristas Ritchie e Marky Ramone, a missão de honrar um legado de 22 anos, 14 álbuns de estúdio e uma avalanche de hits, tais como Sheena is A Punk Rocker, Rockaway Beach, I Wanna Be Sedated, Pet Sematary, Poison Heart e a mencionada Blitzkrieg Bop.

    Desses músicos sobreviventes, Marky Ramone é o mais significativo, sendo o baterista que mais tempo permaneceu no grupo, tendo gravado oito discos de estúdio ao longo de quinze anos (1978-1983 e 1987-1996). Há quase vinte anos, Marky viaja o mundo com a Marky Ramone’s Blitzkrieg, banda tributo encarregada de manter o espírito dos Ramones vivo. O grupo, que já teve em suas encarnações os vocalistas Andrew WK e Michale Graves (ex-Misfits), além do guitarrista Greg Hetson (Bad Religion), conta desde sua formação (e entre idas e vindas) com o espanhol Iñaki “Pela” Urbizu (vocais) e os argentinos Marcelo Gallo (guitarra) e Martín Sauan (baixo) – os dois últimos, ex-membros da banda punk Expulsados.

    A apresentação realizada em São Paulo no último domingo (15), no Carioca Club, contou com cinco bandas na programação. A casa estava lotada por uma mistura de tribos, algo inimaginável nos tempos em que os Ramones estavam na ativa. Na plateia estavam desde crianças nos ombros dos pais até “punks old school”, passando por headbangers e “gente comum”, muitos com as suas camisetas estampadas com o icônico brasão da banda, uma das marcas mais reconhecíveis do mundo até  hoje e que foi desenvolvida nos anos 70 por Arturo Vega.

    School of Rock

    A tarde começou com um a apresentação dos alunos da School Of Rock, o que deu um alento para quem pensa que não existe futuro para o estilo. Em seguida veio a banda santista Apnea, fazendo um stoner rock com bastante influência do indie rock dos anos 1990 e 2000, tendo a bateria comandada por Boka, do Ratos de Porão. Em seguida veio o Electric Punk, mais uma banda a contar com um ícone do punk nacional na sua formação: Ronaldo Passos, guitarrista e fundador dos Inocentes. Com um set basicamente composto de covers, o Electric Punk apresentou sua primeira música inédita, Last Chance. Claro, Ronaldo não perdeu a oportunidade de cantar Eu Vou Ouvir Ramones, faixa dos Inocentes lançada no álbum Queima!, de 2002 – será que essa também entrou na tal lista da Shoot Farken? Anunciado como “artista convidado”, o próximo a subir no palco foi o cantor Supla e sua banda Punks de Boutique. Supla é um personagem! Conhecido por seu jeito irreverente e muitas vezes fanfarrão, a verdade é que Supla é um baita frontman e os Punks de Boutique entregam um show cheio de carisma e energia. 

    Supla

    Era 21h30 quando Marky e Cia. subiram ao palco cumprimentando o público. Gestos de agradecimentos e aplausos de ambos os lados e um último suspiro antes do caos. A abertura foi logo com Rock ‘n’ Roll High School. Daí em diante, no melhor estilo Ramones, a banda descarregou 35 clássicos em 70 minutos! Literalmente sem intervalos e nem ao menos um “olá” ou um “boa noite”. Mal dava tempo de contar “1-2-3-4” entre uma faixa e outra e Havana Affair, Commando, Teenage Lobotomy e Beat on the Brat indicaram o que seria uma noite de mosh, suor e lágrimas. Por sinal, Havana Affair e Commando contaram com a participação de João Gordo, do Ratos de Porão, nos vocais.

    A graça do Blitzkrieg é não parecer um cover onde todos os movimentos, notas e visuais tentam emular os Ramones originais, mas sim capturar a essência da banda: crua, agressiva (e ao mesmo tempo leve) e espontânea. É o “real deal”. O pulso constante do baterista levou o público por uma viagem no tempo. Parece fácil para os desavisados pensar que tocar as músicas do Ramones é algo simples, mas, como eu costumo dizer, Ramones é muito fácil de tocal mal! E essa perfeição não vem rápido, são 1700 shows com a banda e mais duas décadas de estrada com o Blitzkrieg.

    O Ramones tem uma das baterias mais dançantes do rock, mesmo que tocada na velocidade da luz. E por falar em velocidade, a das execuções ficou no meio termo entre os dois álbuns ao vivo dos Ramones, It’s Alive (1977), em que as faixas são mais próximas das versões originais, e Loco Live, de 1992, onde a palavra “LOCO” define bem o ritmo de cada música executada no palco. Os excelentes músicos da banda têm um protagonismo natural: o vocalista Pela trouxe a energia de um verdadeiro frontman, saltando por todo o palco e dando tudo o que tinha para o público; Martin não perdeu uma linha no baixo, mesmo tocando e pulando em ritmo extremo; já o guitarrista Gallo era a definição do cool: totalmente frio, como se quisesse equilibrar os outros.

    Embora sucessos de épocas posteriores como She’s a Sensation, The KKK Took My Baby Away, Anxiety e o hit Pet Sematary também estivessem presentes, a maior parte do set foi dedicada aos quatro primeiros da banda, Ramones, Leave Home (1977), Rocket to Russia (1977) e Road to Ruin (1978). I Wanna Be Sedated, Judy is a Punk, Surfin’ Bird (com uma performance brilhante de Pela e backings de João Gordo), Pinhead (com seu o emblemático Gabba Gabba Hey) e a sensacional Cretin Hop não deixaram ninguém parado. E o show termina com uma deliciosa homenagem a Lemmy Kilmister, numa versão matadora de R.A.M.O.N.E.S., do Motörhead. Essas faixas são tão conhecidas que parecia que qualquer um dos presentes no Carioca poderia cantar em uma banda tributo aos Ramones.

    O bis começou com a doentia You’re Gonna Kill That Girl, seguida de Have You Ever Seen the Rain?, cover do Creedence Clearwater Revival. As últimas lágrimas vieram com a versão solo de Joey Ramone para What a Wonderful World (Louis Armstrong), que contou com Marky na sua gravação original. Para o final, obviamente escolheram Blitzkrieg Bop.

    Essa foi uma grande e merecida celebração a uma das mais importantes bandas da história. De quebra, foi uma ótima oportunidade de ver grandes nomes do punk nacional em ação. “Não há ninguém tão bom quanto os Ramones, nunca haverá”, refletiu Joey Ramone antes de sua morte, ressaltando o orgulho e a autoconfiança que definiram a banda. Ele não estava errado, e é por isso que os Ramones sempre estarão vivos.

    PS: Para mais histórias sobre os Ramones, confira o Ranking Crew da banda, em nosso canal do Youtube.

    Marky Ramone’s Blitzkrieg setlist:

    1. Rock ‘n’ Roll High School
    2. Havana Affair (com João Gordo)
    3. Commando (com João Gordo)
    4. Teenage Lobotomy
    5. Beat On The Brat
    6. I Don’t Care
    7. Sheena Is A Punk Rocker
    8. Now I Wanna Sniff Some Glue
    9. We’re A Happy Family
    10. You Sound Like You’re Sick
    11. Rockaway Beach
    12. Gimme Gimme Shock Treatment
    13. Let’s Dance
    14. Surfin’ Bird (com João Gordo)
    15. Judy Is A Punk
    16. I Wanna Be Your Boyfriend
    17. She’s A Sensation
    18. The KKK Took My Baby Away
    19. Pet Sematary
    20. I Wanna Be Sedated
    21. Oh Oh I Love Her So
    22. California Sun
    23. I Don’t Wanna Walk Around With You
    24. Pinhead
    25. Cretin Hop
    26. Tomorrow She Goes Away
    27. I Just Want To Have Something To Do
    28. Chain Saw
    29. She’s The One
    30. Listen To My Heart
    31. Anxiety
    32. R.A.M.O.N.E.S.
    33. You’re Gonna Kill That Girl
    34. Wonderful World
    35. Blitzkrieg Bop
    Marky Ramone’s Britzkrieg
     
    Apnea
     
    Electric Punk