É um prazer, quase terapêutico, para mim estar sempre garimpando em busca de novidades musicais. E, apesar de ainda restarem alguns meses para o término do ano, já posso apontar a Ballburya como uma das grandes revelações de 2024. Formado há apenas quatro anos, o grupo paulistano foi ganhando cancha lançando nos anos seguintes uma série de singles que mostravam maturidade e identidade sonoras, mesmo com a pouca idade dos integrantes. Esse processo de aprimoramento culminou nesse surpreendente álbum de estreia, Ataxia, que reforça a inovação que essa promissora banda traz para a cena musical.
Beneficiado por uma produção de alta qualidade realizada por Douglas Neves no conceituado estúdio Fusão (Shaman, Angra, Kiko Loureiro, Edu Ardanuy), Ataxia ressalta uma banda competente e cheia de atitude. As músicas são um amálgama de influências, ritmos, experimentalismos e atmosferas. Imagine o peso e a variedade de um System of a Down, mas com uma mistura de ritmos regionais brasileiros em algumas faixas, que também incorporam referências da MPB (especialmente no estilo de cantar da vocalista Cath Castro) e elementos da cultura nordestina, ao invés de raízes armênias. E falando em Cath, ela garante um dos maiores diferenciais da Ballburya. Assim como uma flor de lótus embeleza o pântano, seu estilo ‘clean’ de cantar e suas linhas melódicas e amenas adicionam doçura e poesia ao caos instrumental do grupo. Um belo exemplo dessas referências pode ser conferido na faixa Coin Collectors, que transita do frenesi característico do System of a Down e do despojamento da música alternativa à leveza de um xote. Agora, vamos a alguns dos outros destaques do álbum.
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Leia aqui a entrevista que fizemos com a banda Ballburya
É uma pena que hoje não tenhamos no cenário nacional o apoio que a citada MTV oferecia ao new metal, ao rock alternativo e às bandas que incorporavam ritmos brasileiros em sua música, como Raimundos, Virna Lisi, Mundo Livre S.A., Catapulta, De Falla, Ostheobaldo e outras. Se a emissora ainda estivesse ativa no país e dando espaço para bandas com esse viés sonoro, a Ballburya seria uma potencial candidata a figurar na programação. Não havendo mais MTV, fico na torcida para que, de algum modo, a banda encontre outros meios de alcançar o reconhecimento e a visibilidade que merece.

