AZUL LIMÃO / METALMORPHOSE

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A Lapa é um bairro para a vida noturna do Rio de Janeiro, onde a ocorrência de shows de Metal está aumentando consideravelmente, com eventos em quase todas as semanas e em vários dias. Um desses foi antológico e ocorreu no Rio Rock & Blues Bar com a dobradinha de dois nomes sagrados na história do Metal carioca: Metalmorphose e Azul Limão.

Um bom público estava presente, uma mistura de caras mais velhos (a maior parte) e jovens, convivendo em harmonia e preparando-se para ver as bandas. Pouco depois das 23h, o Metalmorphose subiu ao palco e começou sua apresentação. Quem esperava ver um bando de coroas desesperados por Corega, se surpreendeu. A banda mostrou-se em grande forma, exalando energia e muita vontade de estarem no palco, mostrando desenvoltura e ótima movimentação, especialmente pelo baixista André Bighinzoli e o guitarrista Marcos Dantas. Eles não param quietos, nem mesmo quando a correia da Les Paul de Marcos soltou e ele foi forçado a tocar sentado em uma música. Naquele momento o baixista, que caminhava de um lado ao outro do palco, sentou-se ao lado dele.

Tavinho Godoy tem ótimos dotes vocais – sinceramente, a voz dele está como vinho: quanto mais velho, melhor –, PP Calvalcante se concentra mais nas suas guitarras e André Delacroix estava inspirado na bateria, mostrando muita garra. A música da banda soa como uma mistura de Judas Priest e Deep Purple com a NWOBHM, sem soar datada em momento algum. Suas letras em português ajudam uma maior compreensão e interação com o público, que participou bastante em músicas como “Jamais Desista”, “Máquina dos Sentidos” (essa com uma bela interpretação de Tavinho) e, especialmente, em “Cavaleiro Negro” e “Desejo Imortal”, ambas do clássico “Ultimatum”. O show foi encerrado como o hino “Minha Droga é o Metal”, que fez os músicos saírem do palco bastante aplaudidos.

Após uma pausa, em que o palco foi preparado e o equipamento de som ajustado, bem como da casa ser tomada por um público cada vez maior, foi a vez do lendário Azul Limão entrar em cena. Como o vocalista Rodrigo Esteves mora na Espanha desde 1991, a banda se reúne de tempos em tempos para se divertir e tocar. Desta vez, o show ainda marcou o lançamento de “Regras do Jogo”, novo CD que sairá em breve – o vídeo de “Nada a Perder” já está disponível na internet –, e a banda mostra que ainda tem muito a contribuir para o Metal nacional.

Em que pese que Rodrigo Esteves aparentar cansaço e que os anos sempre cobram seu preço sobre todos nós, ele mostrou que sua voz ainda é muito boa e encantou o público com seu carisma e simpatia. Marcos Dantas, que já tinha se apresentado com o Metalmorphose, mostrou ótima movimentação no palco e a mesma técnica fluida de sempre. Já Vinícius Mathias (baixo) e Ricardo Martins (bateria) ainda formam uma cozinha rítmica sólida e coesa, esbanjando energia e técnica.

O Azul Limão segue uma escola de Heavy Metal tradicional de raiz, ou seja, é especialista em fazer uma música pesada e melodiosa, mas requintada e elegante, sem esbanjar técnica além do necessário e sem soar datado. O grupo mostrou isso em um set com músicas ótimas, como “Satã Clama Metal”, “Rotina”, “Azul Limão” (de sua Demo Tape de 1983), “Sangue Frio” e “O Grito”. Além destas, apresentaram a clássica, “Amazônia”, “Meta Z” e “Regras do Jogo”, que são de duas compilações anteriores, mas que devem estar no próximo CD. Um ótimo evento, que mostra que os veteranos ainda têm muito a dizer e contribuir em termos de música.

Set list Azul Limão: 01. Rotina 02. Solidão 03. Regras do Jogo 04. Azul Limão 05. Sangue Frio 06. O Grito 07. Amazônia 08. Meta Z 09. Você Não Faz Nada 10. Não Vou Mais Falar 11. Satã Clama Metal Bis 12. Vingança Set list Metalmorphose: 01. Jamais Desista 02. Cavaleiro Negro 03. Máscara 04. Maldição 05. No Topo do Mundo 06. Máquina dos Sentidos 07. Esperança Nunca Morre 08. Pelas Sombras 09. Metrópole 10. Desejo Imortal Bis 11. Minha Droga é o Metal