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  • PRÉ-NATAL UNDER METAL FEST

    PRÉ-NATAL UNDER METAL FEST

    Numa noite agradável, que até seria perfeita para se ficar em casa dormindo e ouvindo a chuva cair, resolvi me aventurar para mais uma edição de um festival que está se tornando bastante tradicional em Goiás. Este ano o “Pré-Natal Under Metal Fest” contou com bandas de diferentes estilos dentro do Heavy Metal, entre elas o Armum, Chacina, Skull On Fire, Red Old Snake, Kamura, Apocalyptchaos, Mugo, In The Shadows e Totem. Além destas, a banda Alltorment fez um tributo ao Sepultura (fase Max e Igor) e Cavalera Conspiracy.

    Apesar da chuva que não para de cair nesta época, por volta das 18h um número interessante de amantes do Metal já estava na porta do Martim Cererê, mostrando a eficiência da organização, a cargo de Adriano Reis Alves, que tem todos os motivos para ficar satisfeito com o sucesso crescente do evento. Aliás, um detalhe importante a se frisar é que este é um evento beneficente e desta vez a arrecadação de brinquedos e agasalhos foi destinada a uma entidade assistencial.

    Não consegui chegar a tempo de assistir a banda de abertura, Armum, que faz um Death Metal Extremo voltado para o Warmetal, na linha Marduk e outros do gênero. A banda é relativamente nova, mas seus integrantes são músicos competentes e pelo que pude descobrir conversando com aqueles que assistiram, fizeram um ótimo show de aquecimento.

    Logo o Chacina entrou com um som mais voltado para o Hardcore e até com lances Rap, algo que não me agrada muito, mas acho que fizeram o dever de casa e alguns curtiram. Em seguida veio a banda que há tempos havia ouvido falar, Skull On Fire, que entrou com excelente presença de palco e um som energético. O som que vinha do palco estava embolado, tanto que muitos músicos se perdiam com o retorno traiçoeiro que estavam disponibilizados. De qualquer forma, todos que estavam lá curtiram muito o que viram e a banda tem ótimas idéias, mas precisa buscar mais segurança nas composições e, principalmente, uma identidade própria. Ora soam Death Metal, em outras Thrash, com muito de Pantera. Espero que no futuro eles se encontrem, surpreendam e cresçam cada vez mais, pois fãs leais eles já tem.

    Após o set do Skull On Fire foi a vez do Red Old Snake, grupo que conta com o compositor do Dynahead e, ainda por cima, com o fabuloso baixista Gustavo Magalhães (ex-Dark Avenger e Vougan), que se uniram e criaram para criar, ao lado do vocalista Thiago Ruby, um som na linha que mescla Southern Rock com Down, Pantera e Hellyeah. Pelo que apresentaram, estão mais que prontos para alçarem voos bem mais altos! Músicas contagiantes e uma presença de palco ótima foi a tônica da apresentação, que pode ser apontada como uma das melhores da noite. Misturando músicas próprias, incluindo as do EP “Outburst” (já resenhado pela ROADIE CREW), com material novo, o grupo ainda brindou a todos com covers de Pantera, que levaram a galera à loucura. Thiago tem muito de Lajon Witherspoon (Sevendust), com ótimo alcance e excelente técnica, além de demonstrar ter bastante carisma. A performance no geral mostrou uma boa interação entre a banda e a plateia, deixando todos com largos sorrisos.

    Em seguida veio outro monstro emergente local, o Kamura, do não menos importante Ikaro Stafford (vocal, ex-Punch e Ankla), brindando todos com um Grindcore misturado com Thrash e Hardcore visceral, autêntico e brutal. CXom um som avassalador bem ‘old school’, fizeram tudo tremer e o set teve até direito de rodas furiosas e ‘wall of death’.

    O festival prosseguiu com as bandas Mungo e Totem, que fizeram bons shows, porém a coisa voltou a ficar bem mais interessante quando o In The Shadows – representante local no ‘Wacken Metal Battle’ de 2011 – entrou em cena. Ainda com o som regular, os caras trouxeram as trevas, o horror renascentista gótico e toda uma atmosfera sombria para o palco do festival. A banda é incrível! No palco todos cantam e apesar de não serem virtuosos, levam bem a mistura de Dark, Doom e Black Metal. Com músicas longas, os caras hipnotizaram todos que ali estavam, especialmente fãs do Amorphis (fase primeiro álbum), Emperor e Anathema (fase primeiro álbum). Fizeram um set baseado no material do primeiro registro, “Bleeding Tears”, deixando de fora o material do seu novo single, “De Profundis”, apenas pela falta de tempo e por suas músicas serem muito longas.

    Àquela altura muitos já estavam visivelmente cansados, mas o festival seguiu em frente com a batalhadora banda de Dark/Doom Metal Apocalyptchaos, que recentemente passou por radicais mudanças na formação, o que deixou Sandro Pessoa (vocal e guitarra) sozinho no posto. Fizeram um show muito correto, mas tiveram dificuldades porque suas composições foram criadas para duas guitarras. Ainda assim, com muita garra e atitude, Ellen, Sandro, Marcelo, Antônio e Carelli fizeram o que puderam para entreter a pequena e fiel plateia à sua frente. Espero vê-los em breve totalmente reformulados e com todos os problemas superados.

    Por último o Alltorment entrou em cena de maneira surpreendente, fazendo os poucos e insanos fãs de Sepultura e Cavelera Conspiracy gastarem suas últimas energias para fechar em alta a longa e prolífera edição de 2011 do “Pré-Natal Under Metal Fest”. A organização poderia pensar em um cast com menos bandas para deixar quem precisa utilizar o transporte público até o final do evento. No mais, a organização está de parabéns, assim como todos do Under Metal por mais esta edição. Que venham mais eventos deste porte para a região.

     
  • BEHOLDER FEST

    BEHOLDER FEST

    Por Edu Guimarães

    Cerca de 10 mil pessoas se reuniram na Praça da Moça, no centro de Diadema, para prestigiar o “Beholder Fest”, evento que reuniu grupos ainda pouco conhecidos do grande público e nomes consagrados da música pesada brasileira. O que parecia só festa começou com um problema bem significativo: o atraso de quase quatro horas para o início. Marcado para começar às 12h, o primeiro grupo só subiu ao palco às 15h50. Segundo informações oficiais da produção, o atraso ocorreu devido à demora da vistoria necessária por parte do Corpo de Bombeiros de Diadema. Para piorar, uma forte chuva caiu sobre o local.

    Foi debaixo dessa chuva que a banda Icktus subiu ao palco, quase quatro horas após o horário previsto. O temporal espantou alguns, mas boa parte do público que estava no local permaneceu para conferir e agitar com o show da banda local. Com músicas diretas e pesadas, o grupo faz um som interessante, mas peca – ops! – justamente pelo tratamento simplório dos temas cristãos que eles abordam. Mas foi um bom início que já animou os que enfrentaram o presente de São Pedro.

    Na sequência – e sem chuva – subiu ao palco o This Grace Found, de São Jose dos Campos/SP. Bem mais pesado, cheio de groove e com influências de Machine Head e Lamb of God, a banda tocou faixas do primeiro EP, que está disponível para download no site oficial (www.thisgracefound.com).

    Depois foi a vez da Rainha Plebe, com seu Rock Alternativo com letras em português. Como a banda também é da cidade, muitas pessoas à beira do palco cantavam suas músicas. A alternância entre os vocais de Juliana Bastos e Danilo de França funcionam muito bem.

    O litoral paulista esteve representado pela banda Rygel, de Santos, com um som bem trabalhado e influências de Prog e Power Metal. Certamente ótima surpresa para os presentes aficionados desses estilos e que ainda não conheciam o grupo. A banda também aproveitou o evento para mostrar ao público seu novo videoclipe, Just One. Na página da banda no Facebook é possível baixar essa e outras músicas.

    Seguindo a linha do Metal mais tradicional, subiu ao palco a banda Eyes of Beholder, que conta com o guitarrista e produtor Eric Lentini, idealizador do festival, daí o nome “Beholder Fest”. Destaque para a boa presença de palco do vocalista Eric Bruce. Devido ao atraso, o Retturn quase teve seu show cancelado. Mas, no último instante, os músicos subiram ao palco e agitaram o público com seu som na linha Thrash/Groove anos 90 e influência de Sepultura. A banda se apresentou com uma formação provisória, incluindo o baterista Rodrigo Oliveira, do Korzus, já que alguns integrantes da formação original estão fora do país. Aliás, em breve os músicos que fizerem esse show devem anunciar um novo projeto.

    A noite começava a chegar quando o Hangar iniciou seu show com The Infallible Emperor, Hastiness e Your Skin And Bones. Andre Leite foi uma feliz escolha para o posto de vocalista e sua postura no palco lembra um pouco o mestre Ronnie James Dio. A animação e o prazer por estar no palco são fatores perceptíveis nos rostos dos músicos durante a apresentação e isso, certamente, contagia a platéia. Vale citar a simpatia, principalmente de Edu Martinez e Fabio Laguna, atendendo aos fãs antes do show. Aquiles Priester só apareceu mesmo na hora de subir ao palco.

    Colhendo os frutos do excelente Discipline Of Hate, o Korzus começou a apresentação com a faixa-título do novo disco seguida por Raise Your Soul. Um problema na guitarra de Heros Trench fez com que a banda tocasse essas músicas sem o guitarrista, que ficou visivelmente irritado. Com tudo resolvido, seguiram faixas recentes e antigas, como Truth, Internally e Correria.

    Como era de se esperar, foi durante o show do Korzus que a plateia atingiu o ápice da loucura, já que o próprio estilo do grupo propicia isso. Sob o comando de Marcello Pompeu, a multidão se dividiu em duas partes, deixando o centro da praça livre, para logo depois se tornar um gigantesco pandemônio quando ambos os lados correram para o centro do círculo.

    Para encerrar a noite, os Raimundos agitaram a galera com músicas que – queira você ou não – marcaram o Rock nacional nos anos 90. Esporrei na Manivela, Andar na Pedra, Mulher de Fases e a mais recente Jaws fizeram a galera pular e gastar as últimas energias.

    Excelente iniciativa do Eric Lentini, ótimo trabalho dos envolvidos e das bandas e, principalmente, memorável participação dos fãs que mostraram que há sim um público sedento por música.

     
  • FESTIVAL QUEBRAMAR

    FESTIVAL QUEBRAMAR

    Havia uma certeza quando nos deslocamos à Macapá, capital do Estado do Amapá, para efetuar a cobertura do “Festival Quebramar”, enfrentaríamos o inclemente calor equatorial que assola por aquelas latitudes. No entanto, diferentemente de outras capitais da região Norte, Macapá é abençoada por uma constante brisa que sopra do Rio Amazonas, tornando as noites muito mais agradáveis. Realizado pelo Coletivo Palafita, com apoio do Ministério da Cultura, Governo do Amapá e Petrobrás, o evento chegou a sua quarta edição consolidando-se como um dos maiores propulsores da cultura no Estado do Amapá. Foram seis dias dedicados à música, teatro, fotografia, dentre outras vertentes culturais.

    Um dos grandes destaques do festival a se ressaltar é sua localização, à beira do Rio Amazonas, no anfiteatro da Fortaleza se São José de Macapá. Esta que é uma das maiores e mais belas fortificações do nosso país – foi construída no século XVIII pelos portugueses a fim de proteger as terras amazônicas. Contudo, felizmente, nunca fora utilizada para fins belicistas e atualmente é utilizada apenas para fins turísticos, servindo como belo “pano de fundo” para um dos melhores e mais promissores festivais do Norte do Brasil.

    O cast é bem diversificado, abrangendo diversas vertentes musicais, desde o Marabaixo – dança típica do Amapá – até o Heavy Metal. Com o sábado totalmente dedicado ao Heavy Metal, os paulistanos do Torture Squad se apresentaram juntamente com bandas locais. Com o maior público do festival, a noite do Metal, também conhecida como Pólvora, teve início com a banda Novos e Usados, vencedora da seletiva do “Festival Quebramar”. Em pouco mais de 20 minutos a banda apresentou seu competente Rock’n’Roll com letras de cunho sensual.

    Na sequência, Matinta Perera, banda que tem seu nome inspirado em uma lenda do norte, apresentou seu Grind/Deathcore com algumas passagens interessantes, incluindo elementos de batuques de marabaixo, o já citado estilo local. Os macapaenses do Prolepse foram os próximos a se apresentar. Com influências de Offspring, Dead Fish e Bad Religion, mostrou seu Hardcore melódico ao público que a essa hora começava a chegar em peso. Outra banda de Hardcore veio a seguir, Radiovoxx, mantendo público aquecido. Paralelamente às apresentações musicais, a artista Roberta Carvalho apresentava seu projeto Symbiosis, onde arte e natureza se unem, criando uma escultura viva na copa de árvores, através de projeções de luz.

    Uma das grandes surpresas da noite foi a Amatribo. Formada há aproximadamente nove anos, a banda surpreendeu pelo seu Thrash Metal influenciado por Sepultura e Overdose (fase Progress Of Decadence). Com músicas bem trabalhadas e cantadas em português, o grupo apresentou um set coeso, gerando uma ótima resposta do público presente, haja vista a experiência que têm na cena local. Ótimo show!

    A seguir, outro grande representante do Thrash Metal amapaense, Profetika. Com momentos em que éramos remetidos aos alemães do Destruction e outros sob forte influência de Slayer, a banda apresentou ótimas composições de seu EP Serial Killer. Outro grande nome da cena amapaense, Amaurose, apresentou seu Death/Metalcore levando o público agitar constantemente durante o set. Restou evidente o respeito que o público do Amapá nutre por essa formação. Por momentos a sonoridade lembrava o saudoso Massacre.

    Fechando a participação das bandas locais, o Marttyrium subiu ao palco e apresentou seu Death Metal com as composições de seu recente EP, Bloodbath. Uma das únicas locais a cantar em inglês, demonstrou o porquê de ser uma das melhores bandas do Amapá. Com um set enérgico o Marttyrium cumpriu muito bem seu papel de destaque antes dos headliners.

    Após um curto intervalo e com o público devidamente aquecido e sedento por ouvir um dos maiores nomes da cena nacional, o Torture Squad sobe ao palco com Generation Dead, do mais recente álbum, Aequilibrium. Na sequência, mesmo com alguns problemas técnicos na guitarra de André Evaristo, o Torture mostrou toda sua experiência adquirida ao longo de quase 19 anos de estrada. Enquanto o problema técnico não era resolvido, Amilcar Christófaro chamou a “responsabilidade” para si, deixando o público boquiaberto com um estrondoso solo de bateria.

    Problemas resolvidos, público ensandecido com a sequência de Living For The KillUnholy Spell e Raise Your Horns. A seguir, Vitor Rodrigues anuncia a próxima música e o mais recente videoclipe da banda, Holiday In Abu Ghraib. Era impossível ficar incólume à sequência apresentada. Chegara a hora da apresentação do novo integrante, o guitarrista André Evaristo. Após o anúncio, Storms e Black Sun foram as próximas a ser executadas. Com a promessa de regressarem ao Amapá, a banda ainda tocou Pandemonium e, para finalizar, anunciando o caos que se instalara no público, Chaos Corporation.

    O Amapá nunca mais será o mesmo depois desta brilhante apresentação de Vitor Rodrigues, Castor, Amilcar Christófaro e André Evaristo! No dia seguinte, ainda houve oportunidade para alguns momentos de interação com os fãs e músicos da cena local. Em um dos prédios históricos localizados dentro da Fortaleza de São José de Macapá, houve um debate sobre os rumos do Metal, onde participei ao lado de Vera Kikuti (empresária do Torture Squad) e do baterista Amilcar Christófaro.

    Após o divertido debate, ainda houve tempo para uma ‘Rodada de Negócios’, onde integrantes das bandas locais aproveitaram para esclarecer dúvidas e entregar material. Para finalizar o dia, o Torture Squad aproveitou o cenário espetacular da Fortaleza à beira do Rio Amazonas e realizou uma sessão fotográfica. Excelente festival com as bandas locais despontando, finalizado com uma verdadeira aula de simplicidade, simpatia e técnica do Torture Squad!

  • ROSS THE BOSS

    ROSS THE BOSS

    Grande parcela dos fãs do Manowar ainda está traumatizada com a decepcionante turnê brasileira do ano passado, quando a banda simplesmente ignorou seus próprios clássicos  e executou somente músicas compostas a partir do disco Warriors Of The World (2002). Resultado: vaias e mais vaias, público deixando o local mais cedo e, no caso do show no Credicard Hall, em São Paulo, fãs ateando fogo em camisetas da banda como forma de protesto. E a pergunta recorrente era: “Como uma banda que se diz tão devota a seus fãs tem coragem de voltar ao Brasil após doze anos e não tocar nenhum clássico?”

    Um ano e meio depois, o guitarrista e fundador do grupo, Ross “The Boss” Friedman, trouxe sua banda para uma turnê pelo Brasil com uma postura que torna inevitável a comparação com o último show do Manowar por aqui: muita disposição, simpatia e um set list obviamente calcado nos maiores clássicos da ex-banda, inclusive com músicas que o próprio Manowar não toca ao vivo com frequência. Uma pena que fatores como falta de divulgação, horário estranho (19h30) e valor do ingresso (R$ 70) afastaram o público do Manifesto, que recebeu cerca de sessenta pessoas.

    Mesmo assim, nenhum sinal de decepção no rosto de Ross The Boss quando ele adentrou o palco acompanhado de sua banda alemã, com Patrick Fuchs (vocal), Carsten Kettering (baixo) e Matze Mayer (bateria). E pra quem não conhecia o som da banda, ficou claro na primeira música, Kingdom Arise, que não seria muito diferente do Manowar, calcado no Heavy Metal Tradicional que Ross The Boss ajudou a lapidar com sua ex-banda. Música de abertura do último álbum do guitarrista, Hailstorm (2010), Kingdom Arise foi cantada por alguns dos fãs à frente do palco, para surpresa (e nítida satisfação) do vocalista Patrick Fuchs.

    O show foi logo emendado com Blood Of Knives, do álbum de estreia, New Metal Leader (2008), com a mesma energia da música de abertura. E não demorou para os fãs ouvirem o que mais esperavam: Thor (The Powerhead) foi a primeira canção do Manowar no show, executada com fidelidade e dedicada à memória do baterista Scott Columbus, ex-Manowar, que morreu em abril deste ano e que recentemente havia tocado com Ross. O trio alemão segurou bem a responsabilidade, especialmente no caso de Patrick Fuchs, que teve a missão de substituir o ícone Eric Adams. Fuchs tem um estilo diferente, mais próximo do Power Metal (e com menos facilidade para atingir os agudos do vocalista do Manowar), mas não comprometeu em nenhum momento.

    O show seguiu com God Of Dying, também de New Metal Leader, e a primeira surpresa: Gloves Of Metal, clássico do segundo disco do Manowar, Into Glory Ride (1983), normalmente deixado de lado nos shows do quarteto de Joey DeMaio. A empolgação do público, no entanto, mostrou que a música deveria ser olhada com mais carinho pela própria banda, como faz Ross The Boss. O guitarrista, aliás, foi uma grande perda para DeMaio e companhia, e isso fica nítido em suas novas composições e também na execução das músicas de sua ex-banda. Técnico, mas sem esquecer da melodia na hora dos solos (leia-se menos “fritador”), Ross poderia levar essas qualidades de volta ao próprio quarteto, que hoje carece dessas características e se concentra nas canções mais sinfônicas, ainda que pesadas, de DeMaio.

    Duas canções da banda solo, We Will Kill Dead Man’s Curve, abriram caminho para a parte mais Rock’n’Roll, emendando Death Tone Shell Shock, pérolas esquecidas de Battle Hymns (1982), disco de estreia da banda americana. The Shining Path, outra da banda, foi seguida pela dobradinha matadora Hail To England/Kill With Power, ambas de Hail to England (1983). Com o público na mão, emendaram Fighting The World, do disco homônimo de 1987 (e que não estava prevista no set), e Immortal Son, de New Metal Leader, antes de deixar o palco.

    O bis teve a faixa título do novo álbum, Hailstorm, e dois dos maiores clássicos dos “Reis do Metal”: Hail And Kill (a única do último disco de Ross com a banda, Kings Of Metal, de 1989) e Battle Hymn. Alguns problemas técnicos no baixo de Carsten Kettering fizeram com que a banda tivesse que recomeçar essa última, mas nada que incomodasse os empolgados fãs na pista do Manifesto.

    No fim, ficou claro que, apesar da qualidade da banda que o acompanha, Ross The Boss merecia mais, e isso significa um lugar no Manowar de hoje, até por conta da popularidade da banda. Infelizmente, sua mentalidade nunca bateu muito com a de Joey DeMaio e Eric Adams, muitas vezes mais preocupados com os discursos “true” e com sua cruzada “contra os falsos” do que com o próprio rumo do grupo. Foi essa diferença de pensamento gerou a saída do guitarrista da banda, segundo ele mesmo.

    Ross e os outros três integrantes desceram do palco e se juntaram aos poucos, porém fiéis, fãs que presenciaram um show que foi mais Manowar do que aqueles do ano passado. E, não por acaso, os sorrisos, cumprimentos, fotos e autógrafos foram o exato oposto das camisetas queimadas na frente do Credicard Hall.

  • FOREIGNER

    FOREIGNER

    Por Marcelo Martins / Fotos: Marcelo Martins e Sacha Vaz Depois de uma extensa turnê conjunta com Night Ranger e Journey, o Foreigner fez dois shows no Casino Rama, em Orillia/Ontário, pequena cidade próxima de Toronto, no Canadá. Uma grande expectativa cercava esses shows pela volta do líder e fundador da banda Mick Jones, que estava ausente desde setembro por problemas de saúde. Entretanto, o retorno não se confirmou e, como já vinha acontecendo, o experiente guitarrista Bruce Watson continuou no lugar de Mick. O restante da banda conta com Kelly Hansen (vocal), Jeff Pilson (baixo e backing vocals), Tom Gimbel (guitarra, teclados, sax e backing vocals), Michael Bluestein (teclados e voz) e Mark Schulman (bateria).

    Para quem não acreditava em Foreigner sem o ex-vocalista Lou Gramm, a entrada de Kelly Hansen e Jeff Pilson, ocorrida há quase oito anos prova o contrário. Ao vivo, o grupo beira a perfeição, transbordando energia e consistência.

    Na segunda noite, assim como no dia anterior, a casa que comporta aproximadamente 7.500 lugares estava lotada e o Foreigner entrou no palco por volta das 21h com o clássico Double Vision. Esbanjando simpatia e entrosamento, emendou com Head Games.

    Apesar de boa parte do público permanecer sentada, era evidente a troca de energia entre a banda e os presentes, tanto que, depois de algumas piadas sobre o frio que estava no país, durante Cold As Ice Kelly Hansen desceu do palco e foi agitar no meio da galera.

    Long Long Way From Home manteve a energia em alta e abriu caminho para a balada Waiting For a Girl Like You, que deixa claro o porquê de Hansen ter sido a escolha certa para o cargo de ‘frontman’. A surpresa da noite ficou com Can’t Slow Down, faixa título do mais recente álbum de inéditas lançado em 2009 e que foi tocada pouquíssimas vezes.

    O set seguiu com Blue Morning Blue Day e Dirty White Boy, em que mais uma vez Kelly Hansen passeou pelo meio do público. Mostrando estar em plena forma física e vocal aos 50 anos de idade, ele caminhou por todos os locais da casa, indo desde os primeiros assentos até os locais mais distantes do palco.

    Na sequência, com todos os membros à frente do palco, a versão acústica e rearranjada por Jeff Pilson de Say You Will emocionou os presentes e mostrou um dos diferenciais da banda: os vocais. Ao contrário da maioria das grandes bandas, o Foreigner não utiliza vocais pré-gravados em suas apresentações e o cuidado com a qualidade das vozes de apoio é primordial.

    O set seguiu com o primeiro grande hit da banda, Feels Like The First Time, que fez todos levantarem das cadeiras para cantar junto. Vale ressaltar o clima de amizade e alegria que o grupo transmite durante todo o show, com os integrantes se divertindo em cima do palco em todas as músicas. Jeff Pilson dá um show à parte, agitando e cantando sem parar.

    Uma das mais esperadas da noite, Urgent, com seu famoso solo de saxofone interpretado com exímia perfeição por Tom Gimbel, fez os fãs aplaudirem exaustivamente. Antecedida por um pedido para que todos se abraçassem, o maior hit da banda, I Want To Know What Love Is, emocionou todos os presentes e foi cantada em uníssono.

    Com uma parada rápida para o bis, Bruce Watson retornou ao palco e, depois de um pequeno solo de guitarra, a banda toda entrou em cena para Hot Blooded incendiar o lugar. A ausência de Mick Jones é sentida sempre, mas vale ressaltar o excelente trabalho que Bruce Watson vem fazendo nos shows, já que é uma árdua tarefa substituir um líder e fundador de qualquer banda.

    Para encerrar um show de clássicos, Jukebox Hero fechou a segunda noite de Foreigner no Casino Rama em alta, fazendo os presentes se esquecerem do frio que estava fazendo do lado de fora. Agora, a banda se prepara para uma turnê acústica e aguarda o retorno de Mick Jones.

    Set list: Double Vision Head Games Cold As Ice Long Long Way From Home Waiting for a girl Like You Can´t Slow Down Blue Morning Blue Day Dirty White Boy Say You Will Feels Like the First Time Urgent I Want To Know What Love Is Hot Blooded Jukebox Hero
  • MAYAN

    MAYAN

    A noite de sábado 26 de novembro foi, no mínimo, surpreendente para os fãs do guitarrista, vocalista e compositor Mark Jansen (Epica, ex-After Forever). Apesar do cancelamento dos shows em Curitiba e Rio de Janeiro por falta de público, os fãs de São Paulo compareceram animados e ansiosos para a apresentação no Carioca Club. O assunto mais comentado da noite era a participação da ex-vocalista do After Forever e atual ReVamp, Floor Jansen, recentemente diagnosticada com Síndrome de Burn Out (esgotamento físico e psicológico devido ao trabalho excessivo). Meses antes, por conta da doença, ela cancelou a turnê que incluiria o Brasil, deixando os fãs preocupados com sua saúde e a volta aos palcos. O que muitos não esperavam, e que foi uma surpresa agradável, foi a confirmação da presença da cantora nos shows, deixando os brasileiros ainda mais ansiosos.

    O evento previsto para começar às 20h teve início às 18h30 com a banda de abertura Melline, que tocou diante de um público reduzido. Já o MaYan, subiu ao palco às 19h15, o que causou certo desconforto para os que se programaram para o horário divulgado. Assim, muitos chegaram quando o set já havia começado. Segundo a organização, a mudança de horário foi um pedido da própria banda, que acrescentou músicas ao set list, como alguns clássicos do Iron Maiden e canções líricas.

    O MaYan subiu ao palco mostrando toda empolgação e entusiasmo com a agressiva Symphony Of Aggression que seguiu o show contando com o coro do público, do convidado Henning Basse (vocal, Sons Of Seasons) e dos vocais femininos de Simone Simons, Floor Jansen e da cantora lírica Laura Macri. Laura, aliás, ganhou o carinho dos fãs e se tornou o destaque da noite em seus dois solos impecáveis de Essenza Di Te e o clássico de Puccini O Mio Babbino Caro.

    Enquanto Laura chamava a atenção nos solos e participando de outras músicas do MaYan, Simone limitava-se aos coros e a poucas interações com o público. Já Floor Jansen e Henning Basse, bem animados, participaram, interagiram e deram aos fãs, junto com Mark Jansen e banda, o que todos estavam ali para ver.

    Com um time de músicos pra lá de experientes, composto por Mark Jansen (vocal Epica), Isaac Delahaye (guitarra Epica, ex-God Dethroned), Frank Schiphorst (guitarra Symmetry), Rob van der Loo (baixo ex-Delain, ex-Sun Caged), Jack Driessen (teclado ex-After Forever) e Ariën van Weesenbeek (bateria Epica, ex-God Dethroned), o MaYan certamente conquistou fãs que até então seguiam a banda apenas por conta do trabalho de Mark com o Epica. Ele provou também que, além de ter um propósito diferente de sua antiga banda, pode juntar maior diversidade de fãs e garante que seu sucesso não depende apenas de trabalhos passados, mas também daquilo que desenvolve com o MaYan – e sempre enfatizando que o Epica continua na ativa.

    As músicas da banda, com uma sonoridade bem mais pesada que a do After Forever e Epica, teriam um toque único e próprio se não fossem os vocais mais que conhecidos nos coros e as pequenas participações de Simone e Floor. Mark, que declarou ser apaixonado pela cultura Celta, criou no álbum Quarterpast versões e histórias diferentes do álbum Consign To Oblivion, lançado em 2005 com a vocalista Simone Simons e que em nada lembra o trabalho desse seu novo projeto.

    O show seguiu com as canções de seu álbum e, entre uma música e outra, eis que Henning Basse assume os vocais para brindar o público com um ‘Iron Maidley’ (expressão usada pela própria banda), um mix de The Number Of The Beast, The Trooper, Fear Of The Dark Run To The Hills muito bem executadas para a felicidade dos bangers presentes. Basse recebeu os aplausos e gritos da platéia, e demonstrou sua satisfação com agradecimentos, elogios e vestindo uma camisa da seleção brasileira. Ele ainda disse estar emocionado por cantar para pessoas tão receptivas e animadas.

    De volta ao palco, Mark retomou seu repertório com euforia e, entre agradecimentos e brincadeiras em português, cantou boa parte das músicas Bite The Bullet Drow The Demon fora do palco, junto com os fãs, dando a impressão de que queria cantar para cada pessoa ali presente, o que deu trabalho em dobro aos seguranças.

    O show durou cerca de duas horas e no bis vieram Sinner’s Last Retreat, música do MaYan e a participação de todos os vocais presentes nos coros, e Cry For The Moon, na voz da Simone Simons e com Coen Janssen nos teclados – era quase o Epica no palco fazendo uma boa apresentação, mas sem muito entusiasmo por parte da Simone. Encerrando o show, a famosa e talvez a mais cantada da noite, Follow In The Cry (After Forever) com Floor Jansen nos vocais levando o público à loucura com sua marcante presença de palco e excelente performance na companhia e presença de todos os integrantes do MaYan.

    Minutos depois do fim do show, Mark, Henning e Floor voltaram para uma sessão de autógrafos e fotos com os fãs que, mesmo após as luzes se acenderem anunciando o final da apresentação, não saíram da pista aguardando seus ídolos aparecerem.

    No domingo foi realizado um set acústico do Epica no Manifesto Bar, evento destinado apenas para o público pagante, sem convidados ou imprensa, e ainda teve um meet & greet com a banda para apenas quarenta pessoas, com ingressos sorteados na noite.

    Formação – show do Brasil: Mark Jansen (vocal, Epica) Isaac Delahaye (guitarra, Epica, ex-God Dethroned) Frank Schiphorst (guitarra, Symmetry) Rob van der Loo (baixo, ex-Delain, ex-Sun Caged) Jack Driessen (teclado, ex-After Forever) Ariën van Weesenbeek (bateria, Epica, ex-God Dethroned) Coro e participações: Floor Jansen (vocal, ReVamp, ex-After Forever) Simone Simons (vocal, Epica) Henning Basse (vocal, Sons Of Seasons) Laura Macri (Soprano lírico – Istituto V.Bellini di Caltanissetta) Set list: Symphony Of Aggression Mainstay Of Society The Savage Massacre Quartepast Curse Of Life Essenza Di Te Incentive Celibate Aphrodite ‘Iron Maidley’ (medley Iron Maiden) Bite The Bullet Drow The Demon O Mio Babbino Caro War on Terror Sinner’s Last Retreat Cry For The Moon Follow In The Cry  
  • UNEARTH & CHIMAIRA

    UNEARTH & CHIMAIRA

    A extensa turnê envolvendo o Unearth, Chimaira, Skeletonwitch e Molotov Solution fez a sua parada em Fort Lauderdale logo após o feriado nacional do dia de ação de graças, numa noite de céu limpo e clima de festa. O evento ocorreu em uma casa de médio/grande porte que abriga boa parte dos shows que acontecem na região. O local também foi usado recentemente nas gravações de “Rock Of Ages”, filme baseado no musical homônimo e que tem lançamento agendado para 2012.

    Apesar de pouca gente presente e do espaço apertado em cima do palco a primeira atração, Molotov Solution, conseguiu se posicionar bem com seu Deathcore pesado e cadenciado. No decorrer do set, as pessoas começaram a ir para pista, fato que certamente ocorreu por causa da energia e raça que a banda ia imprimindo em sua apresentação. O bem entrosado quarteto emprega o uso de guitarras de sete cordas, mas infelizmente não teve baixista. Mesmo com a bateria sendo esmurrada e as guitarras urrando em baixa afinação nas levadas mais lentas, ficou evidente a falta de um baixo – a utilização do efeito de bateria eletrônica chamado 808 Drop não foi capaz de salvar a situação. Destaque para a música Injustice For All, que empolgou os presentes.

    Enquanto o palco era montado para o Skeletonwitch, podia-se ouvir o clássico Run To The Hills (Iron Maiden) nos PAs e perceber que, apesar de toda a organização, às vezes a coisa demora. Com tudo pronto, o grupo não perdeu tempo e fez uma apresentação enérgica, com muita bateção de cabeça. O vocalista Chance Garnette comandou muito bem o show, o baixo de Evan Linger estava com um ótimo timbre e distorção e o baterista Dustin Boltjes é responsável por grande parte da energia da banda em cima do palco. Metade do repertório foi composto de faixas do novo álbum, Forever Abomination, que funcionaram muito bem ao vivo. Mesmo com problemas no microfone, o que interrompeu a sequências de músicas tocadas sem tempo de respirar, o show foi ótimo, com destaque para This Horrifying Force, Beyond The Permafrost, Choke Upon  Betrayal Within My Blood, que renderam muitas rodas.

    Era chegada a vez do Chimaira mostrar em cima do palco o porquê de sua popularidade. A apresentação começou muito bem com a ‘intro’ Stoma soando nos PAs e uma ótima sincronia de luzes, enquanto os integrantes iam entrando no palco. The Age Of Hell, faixa-título do novo álbum, foi a primeira do set, dando a certeza de que a apresentação seria ótima. O sexteto então emendou com Clockwork Losing My Mind. Com uma pequena pausa para agradecimentos, o grupo retomou a energia descomunal de seu show com a pesadíssima Power Trip.

    Os vocais de apoio do tecladista Sean Zatorsky (Daath) caem muito bem e completam o som do Chimaira ao vivo. Entre uma música e outra duas representantes da Jägermeister apareceram no palco servindo alguns shots da bebida para os integrantes. Depois da pausa para o “recreio”, o set continuou com rodas cada vez maiores. Durante a execução de Pure Hated, o vocalista Mark Hunter foi simpático o suficiente para pegar a máquina fotográfica de uma fã e tirar fotos de cada integrante da banda. Outro ponto alto foi o solo do baterista Austin D’Amond, que mostrou muita técnica em levadas e viradas ao estilo da banda. Outra que empolgou muito foi Year Of The Snake, valendo destacar ainda o excelente trabalho de iluminação durante todo o show. Na sequência, Born In Bloodteve Sean vindo à frente do palco para cantar parte do verso. O show fechou muito bem com Resurrection, provando que o Chimaira rende muito mais ao vivo do que em estúdio.

    Com o palco limpo e espaçoso foi a vez do Unearth terminar com o que restava de energia no local. Para quem nunca os viu ao vivo, é bom avisar que a banda utiliza todos os espaços a sua volta em cima do palco. Os guitarristas Ken Susi e Buz McGrath correm de um lado para o outro, sobem nos amplificadores, pulam e se deixar são capazes de fazer até stage dive. My Will Be Done Giles iniciaram o set, mas as meninas crescidas da Jägermeister reapareceram para agraciar os caras no palco. Com os músicos “abastecidos” e a pista lotada foi a vez de Watch It Burn, do mais recente álbum, Darkness In The Light. Conforme a apresentação seguia, os solos de Buz deixavam claro que isso faz diferença no som de uma banda e valoriza muito o trabalho do Unearth.

    Para aquecer ainda mais as coisas, o vocalista Trevor Phipps fez o que raramente acontece em shows aqui nos EUA: chamar os fãs para subir no palco e pular de volta. Obviamente conseguiu o que queria, a ponto de uma pequena fila ter se formado em cima do palco para o famoso ‘stage dive’ – teve até salto mortal! Enquanto a apresentação seguia com Endless This Lying World, de The Oncoming Storm (2004), as rodas iam amentando a ponto de espremer os que estavam contra a grade que separa o palco. O ritmo seguiu acelerado com Disillusion, The Great Dividers, Eyes Of Black, Zombie Autopilot e Crow Killer. Em Black Hearts Now Reign, a última do set, o recém integrado baterista Nick Pierce (ex-The Faceless) fez um ótimo solo.

    A escolha do repertório do Unearth favoreceu o mais recente lançamento e músicas do segundo álbum, deixando um pouco de lado o disco que traz as suas melhores composições – lll: In the Eyes Of Fire (2006). Não que isso tivesse comprometido a noite mas, como headliners, eles poderiam dar um pouco mais de atenção para este álbum, bem como fazer um set um pouco mais extenso. Enfim, mesmo com alguns atrasos e problemas técnicos, a noite transcorreu muitíssimo bem e as bandas certamente agradaram o público presente que, mesmo não lotando a casa, soube receber muito bem todas as atrações.

  • DR. SIN

    DR. SIN

    No último sábado, dia 19 de novembro, quem esteve no Manifesto Bar, em São Paulo, pôde apreciar uma noite com muita festa e Rock’n’Roll. Para celebrar o 17º aniversário da casa, todos foram presenteados com o show do Dr. Sin, atração que no momento aproveita a melhor fase dentre as quase duas décadas de atividade. Com a casa cheia, a banda subiu ao palco para mostrar aos fãs um show à altura de seu mais recente trabalho, nomeado “Animal”. “Além de ter tocado em três ou quatro festas de aniversário, eu já fui frequentador assíduo do Manifesto mas, agora, com família e filhos fica mais difícil vir sempre”, disse o guitarrista Edu Ardanuy.

    A primeira música escolhida para inaugurar o set list foi a faixa-título do CD, “Animal”, muito bem recebida por todos. Não dando espaço para muita conversa, Ivan Busic iniciou o solo de bateria que introduz a música “Fly Away” do CD “Dr.Sin II”, originalmente com vocais gravados pelo ex-membro da banda, o vocalista norte-americano Michael Vescera.

    Após um breve “Boa Noite, São Paulo”, seguiram com duas músicas do álbum “Brutal” (1995): “Isolated” foi a primeira, e logo após sua execução, o vocalista e baixista Andria Busic perguntou em tom de brincadeira se alguém estava com calor, para logo na sequência Eduardo Ardanuy iniciar a acelerada “Fire”.

    Para dar continuidade ao show tocaram mais uma do recente trabalho, a pesada e densa “Lady Lust”. “Miracles”, de “Dr.Sin II” teve destaque do público, que cantou junto com a banda cada trecho da letra, que fala que acreditar em sonhos pode torná-los reais. Outra faixa de grande receptividade ficou por conta de “The King”, uma homenagem a Ronnie James Dio, grande ídolo que influenciou bastante os músicos do Dr. Sin. “Sempre foi legal tocar nas festas do Manifesto, mas hoje acho que foi a mais legal de todas, não só pela casa estar lotada, mas o som estava muito bom e nosso astral, também”, destacou Ardanuy.

    A segunda metade do show surpreendeu com um set list totalmente inovador, mesclando músicas que raramente são apresentadas ao vivo, além das novas músicas do Animal ainda não debutadas em palco. Entre elas temos “Howling in the Shadows”, música presente no primeiro cd do Dr.Sin, lançado em 1993, e que foi totalmente regravado e lançado no ano de 2009 sob o nome de “Original Sin”.

    “Emotional Catastrophe” e “Nomad” sempre presentes no repertório foram igualmente bem recebidas, assim como a nova balada “Pray For Tomorrow”, música com uma bela melodia de voz e um solo inspirado.

    Na volta para o bis, o baterista Ivan Busic fez uma homenagem à sua mãe por conta de um momento difícil que a família tem passado e a pedido da própria, a banda não desmarcaria os vários compromissos agendados por conta da atual turnê.

    Para a reta final do show mais novidades por conta da execução de “Drifter”, até então nunca executada ao vivo e a música “Shed Your Skin”, que há muito tempo não era exibida nos shows. “Durante uma boa temporada a gente acomodou em um repertório, mas estamos evitando fazer isso agora, variando mais o set a cada show e resgatando algumas músicas antigas que eram bem legais, como foi o caso desta noite”, observou o guitarrista. “Claro que temos que dar mais atenção às músicas do disco novo, mas depois de sete discos de inéditas temos bastante repertório para escolher”, acrescentou.

    Para fechar a noite, “Futebol, Mulher e Rock’N’Roll” levou o público masculino e feminino a interagir cantando o refrão que alternou entre “eta, eta, eta…” e “alho, alho, alho…”, de forma divertida e democrática.

    Saldo muito positivo para o Manifesto, que durante todo o evento apresentou boa qualidade de som em todos os ambientes da casa, ao Dr.Sin pelo show inovador e ao público que compareceu em peso.

    Set List: Animal Fly away Isolated Fire Lady Lust Miracles The King Howling In The Shadows Emotional Catastrophe Nomad Pray For Tomorrow Drifter Shed Your Skin Futebol, Mulher e Rock’n’Roll Sites relacionados: www.manifestobar.com.br www.drsin.com.br www.drsiteonline.com.br
  • BULLET FOR MY VALENTINE

    BULLET FOR MY VALENTINE

    Após quase sete anos com o nome Jeff Killed John, por volta de 2004 eles começaram a ficar conhecidos mundialmente como Bullet For My Valentine. Desse tempo pra cá, com três álbuns lançados, milhões de cópias vendidas e integrando o cast de vários festivais, o grupo ainda não tinha feito shows no Brasil. No entanto, o “problema”, que parecia uma eternidade para os fãs brasileiros que fazem parte dos “pouco” mais de 5 milhões de “curtidores” do perfil oficial no Facebook, foi resolvido no sábado, dia 19. A primeira turnê sul-americana do quarteto galês de Metalcore, que ainda inclui shows em Curitiba (PR), Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela e México, começou em São Paulo, mais especificamente em São Bernardo do Campo.

    Um mar de jovens vestidos de preto, alguns muitas horas antes já de plantão para garantir o lugar, formaram uma fila gigantesca que praticamente tomou toda a extensão da rua onde fica localizado o Espaço Lux. Dessa forma, a produção do evento agiu bem ao abrir a casa uma hora mais cedo para evitar tumulto ou atrasos nos shows por conta da entrada do público.

    Diferentemente de outras bandas similares que também passaram por aqui recentemente, o Bullet For My Valentine conseguiu atender boa parte da mídia brasileira, argentina e mexicana que postou entrevistas pré-shows para deleite dos fãs. Os integrantes declararam estar bem animados por tocar na América do Sul, dizendo que só tinham ouvido falar muito bem de todos os países, em todos os aspectos. Participar de uma festa num conhecido bar de Rock na noite anterior ao show talvez tenha os deixado ainda mais à vontade com os locais – o próprio guitarrista Michael Paget se apresentou com a camiseta do Manifesto Bar… Bem, o fato é que banda e público estavam pura adrenalina para o primeiro dessa série de sete shows.

    Lux abarrotado e no palco a banda Carahter, quinteto mineiro que tocou também com o Bring Me The Horizon. Foi difícil lidar com a ansiedade do público sedento por BFMV, mas conseguiram dar o seu recado.

    Enquanto o povo se acotovelava e quase morria espremido na grade de proteção, a casa parecia não ter mais espaço nem pra pensamento. Foi quando com muita, mas muita gritaria que, finalmente, o Bullet For My Valentine surgiu no palco abrindo com a quase inaudível Your Betrayal, faixa que também abre o mais recente disco, Fever, lançado ano passado. Das quatorze faixas do set, grande parte foi dividida entre esse e o primeiro disco, The Poison (2005), nos quais estão seus mais conhecidos hits. Seguiram com Pleasure And Pain All These Things I Hate (Revolve Around Me).

    Com letras fortes e em sua maioria falando de amores e de amizades mal sucedidos (daí o rótulo de ‘Screamo’), mas com certa petulância e autoestima, a banda sabiamente tocou as mais pesadas (daí o Metalcore), que ganham força ainda maior ao vivo. São muito competentes no palco e o público cantava cada verso, sincronizado com a banda. Não à toa, estavam bem felizes com a resposta que certamente esperavam, já que a banda é um arrasão-quarteirão, o que se constata pelas vendas e pelos fãs histéricos em todos os lugares do planeta.

    Enquanto as garotas suspiravam com as caras e bocas do vocalista “recém-papai” Matthew “Matt” Tuck, os meninos piravam no som de James, Thomas e Paget. Walking The DemoThe Last Fight 4 Words (To Choke Upon) antecederam um dos melhores momentos do show. Baladas são sempre esperadas e geram grande comoção. E não foi diferente com Bittersweet Memories, cantada em uníssono.

    O público estava completamente tomado pelo carisma do quarteto enquanto a banda se agigantava no palco. Ainda houve tempo para Take It Out On MeSay Goodnight Begging For Mercy, a última do disco novo. E se a faixa título não rolou, o set ainda trouxe Hand Of Blood The End. Mas o “fim” mesmo veio com Scream Aim Fire. O público então pediu exaustivamente por Tears Don’t Fall, um dos primeiros sucessos da banda e que já estava programado para o bis. Também cantada de cabo a rabo, a música fechou o set de quase duas horas com a banda feliz, exibindo a bandeira do Brasil e o público desacreditando no que tinha visto. Ficou no ar aquela velha promessa de “voltamos no ano que vem”. Se pensarmos que 2012 está logo aí, para quem perdeu pode ser um consolo de que, mesmo que não seja tão em seguida, mais sete anos de agonia certamente não serão.

  • PARKWAY DRIVE

    PARKWAY DRIVE

    Quase um mês depois da passagem do Bring Me The horizon, um dos seus companheiros de turnê também esteve por aqui. Os australianos do Parkway Drive fizeram sua visita à América do Sul, também pela primeira vez, passando por São Paulo (SP) e Curitiba (PR), vindos da apresentação na Costa Rica. Num comparativo rápido entre os shows das duas, apesar do local de apresentação ser o mesmo, desta vez não tinha uma fila parada na porta, os fãs foram enchendo a casa aos poucos e o clima era bem mais festivo. E menos histérico. Até o merchandising estava com preços mais honestos. Não sei se isso se deve à postura da banda, apesar de amigos e ambas serem recentes representantes da nova geração do Metalcore, o Parkway Drive parece ser mais maduro em relação à sua carreira e talvez por isso atrai fãs, pelo menos por aqui de muito mais meninos do que meninas, que não estão preocupados se os caras, apesar de igualmente fanfarrões, são jovens ou bonitos. O importante é o som que fazem.

    Curioso é que havia um pessoal bem pitoresco no público. Vários deles estavam como uma camiseta do ‘Utinga Crew’. Outros bem engraçados tinham bóias de braço de criança e um inclusive com aqueles óculos de natação e uma bóia azul para cair no mosh. Falando nisso, o show foi sem a tão criticada grade de proteção, com o ‘stage dive’ liberado numa parte do palco e que atrapalhou o bom andamento do show.

    A festa começou com a abertura da curitibana Last Sigh. A banda, que está na expectativa de lançamento de seu primeiro trabalho, Beneath Of The Flesh, Rotten, tocou somente sons próprios e já agradou de cara.  Como curiosidade: este disco será produzido por Alexander Dietz, guitarrista da banda Heaven Shall Burn. O vocalista Deko agradeceu imensamente a boa resposta e disse que em sua terra natal o público não costuma ser tão receptivo quanto esse. Encerram com Dawn Of The Dead, que teve como coadjuvante uma ‘wall of death’ de responsa, formada pela galera que não parou de agitar em nenhum momento. Esse som será integrante deste primeiro trabalho e já está disponível para audição no perfil do Facebook e site oficial.

    Não demorou muito para que o Parkway Drive subisse ao palco e o pessoal colou nele assim que a ‘intro’ Samsara começou. Logo nos primeiros acordes de Unrest a casa veio abaixo, com o público cantando e agitando. Foi tão brutal já no primeiro som, que Winston McCall terminou com um surpreso “Holly shit!”. O vocalista também disse que não fala português, mas ia devagar no inglês para que todos entendessem. Era nítido que todos da banda estavam felizes por estar pela primeira vez no Brasil e já ter uma resposta tão positiva.

    O set curto, com apenas doze sons, foi mais baseado no álbum Deep Blue, lançado no ano passado. A banda, que este ano comemora dez anos de formação, tem apenas três álbuns de estúdio e mesclou alguns hits dos trabalhos anteriores com as novas. Caso de Idols And Anchors, uma das mais conhecidas e que teve a reação mais explosiva por parte do público.

    Os fãs continuaram subindo no palco em todos os sons e aproveitava para driblar a segurança e tentar chegar perto dos ídolos. E o show seguia com SleepwalkerKarmaDeadweight e Deliver me, todas de Deep Blue.

    Pode até parecer uma análise exagerada mas, na expectativa de bandas desta nova geração, apesar de locais diferentes de origem e com um público distinto, em termos de presença de palco este show do Parkway Drive lembrou muito os que aconteceram no mesmo Carioca Club em março deste ano. Estou falando de Comeback Kid e, mais especialmente, de Sick Of It All, já que McCall tem uma linha de vocal bastante semelhante à de Lou Koller.

    O set seguiu com Home Is For The Heartless, que na versão original conta com a participação de Brett Gurewitz, guitarrista do Bad Religion e dono da Epitaph Records, da qual o Parkway Drive faz parte deste o primeiro lançamento. O set encerrou com Romance Is Dead, um dos hits do ‘debut’, Killing With A Smile.

    O bis ficou por conta da badalada Carrion, que o parcialmente rouco McCall dedicou ao público de São Paulo. A banda literalmente terminou nos braços da galera. O vocal, que já cantava na grade, caiu no mosh e o público respondeu cantando num coro lindo e agitando até o fim. Àquela altura o palco estava tomado e o guitarrista e baixista tocaram deitados e rodeado de fãs. Este foi só o primeiro, mas como toda a banda que se anima promete voltar em breve, se depender deste público certamente isto não vai demorar a acontecer. E no caso de ser tão intenso como este, bóia só não será suficiente. Leve um colete salva-vidas no próximo.