Estamos diante de uma banda muito promissora, o black metal executado aqui é muito bem feito, cheios de climas e passagens muito empolgantes. Um trabalho de alto nível que demostra que essa banda está realmente preparada para ter uma carreira de muito sucesso.
Atrocities In The Name Of… é um CD que merece ser escutado atentamente, sua produção foi feita com muito cuidado, desde as músicas até no material gráfico que chama a atenção.
E para nossa surpresa este é o primeiro álbum da banda que foi formada em 1996 no ABC paulista, região muito conhecida por ser um celeiro de grandes bandas como Chaoslace e Ocultan.
Para a produção deste álbum a banda convidou o talentosíssimo produtor Victor Prospero que, além de gravar, mixar, masterizar e produzir, ele assumiu as guitarras bases, acústicas e o backing vocal.
O CD inicia com ventos, sinos e vozes misteriosas tornando a Intro perturbadora e assustadora, um ótimo início para chamar a brutal A Grande Desgraça, música esta que é uma tormenta do início ao fim, blastbeats violentos e riffs furiosos executados sem nenhuma piedade. E que no final conseguiram mesclar violões clássicos que combinaram com toda a composição.
E destaco também At The Vatican que em sua essência calcada nos moldes mais caóticos do estilo, notamos uma certa influencia do heavy metal em alguns riffs. Death Show Me Palace mostra que essa banda faz um trabalho excepcional, o inicio desta música tem claras influencias do velho thrash/black metal nos moldes do velho Desaster. Uma ótima junção de brutalidade e riffs bem palhetados que se torna impossível não balançarmos nossas cabeças. E essa música não fica só nisso tem momentos que uma fria plaga toma conta desta música que dão um clima perfeito para a entrada dos vocais.
E Elventh Commandment que se destaca entre todas as ótimas músicas deste álbum, bumbos incessantes em uma execução impecável de bateria que também demonstra criatividade em muitas partes dando um toque especial a esta composição. Se encaixando perfeitamente com as melodias hora brutais, hora mórbidas.
A música Hate and Blasphemy fecha com louvor o review deste álbum que nos apresentou esta banda que ainda vamos ouvir falar muito. Uma banda formada por músicos realmente preparados e muito talentosos, capazes de produzir um black metal intenso que também notamos influencias de outras vertentes do metal. Tudo feito com muita competência e brilhantismo.
O trio de death metal, surgido em 1990, e reconhecido pelos clássicos “Black Force Domain”, “Conquers of Armageddon” e “Southern Storm” é formado por Alex Camargo (vocais e baixo), Max Kolesne (bateria) e Moyses Kolesne (guitarra). Neste show, o grupo apresenta repertório do disco Scorge of the Enthroned, lançado em setembro de 2018, e que é o décimo primeiro da banda. Gravado em Kassel, cidade rural da Alemanha, traz músicas de alta complexidade ritmica como “Devouring Faith”, “A Thousand Graves”, “Abysmal Misery (Foretold Destiny)” e “Whirwind of Immortality’, as quais serão mostradas nesta apresentação.
Quando: 4 e 5 de Janeiro
Onde: Sesc Belenzinho
Horário: 21:30
Endereço: R. Padre Adelino, 1000 – Belenzinho, São Paulo – SP, 03303-000
Ingressos: Nas unidades do Sesc ou em https://bit.ly/krisiun-sescbelenzinho-2019Preço: Entre R$6,00 e R$ 20,00
Não recomendado para menores de 18 anos.
O Mystifier formado em 1989 em Salvador, vem desde então trilhando um caminho de muito sucesso e se tornou uns maiores ícones do Black Metal Mundial.
A banda assinou com o selo francês Season Of Mist para o lançamento de seu mais novo álbum Protogoni Mavri Magiki Dynasteia já com data confirmada para 08 março de 2019.
A capa acabou de ser divulgada e a gravadora liberou uma faixa para audição, nos apresentando um pouco do grande álbum que virá no próximo ano.
Recentemente ao Mystifier passou por toda a América do Norte, América do Sul e Europa com shows esgotados e muitos lugares.
A baixo está a faixa Weighing Heart Ceremony pertencente ao novo álbum, confira:
As bandas paulistanas de black metal Death by Starvation e Vazio acabam de lançar um split LP intitulado Avaritia furorem ignorantia (avareza, fúria e ignorância em latim). O disco de vinil 12” foi prensado na República Tcheca com altíssima qualidade gráfica e sonora e contou com a colaboração de 25 selos nacionais e internacionais. A arte ficou a cargo de Umberto Daros.
Death by Starvation
Banda formada por integrantes e ex-integrantes das bandas Abske Fides, Shyy, Infamous Glory e Black Coffins com a proposta de mesclar diversas influências do black metal noventista e transitar entre passagens climáticas e harmônicas e momentos mais brutais e caóticos. O Death by Starvation já possuí um álbum homônimo lançado em CD e disponível nas plataformas digitais. A banda se apresenta com regularidade no estado de São Paulo.
Vazio
Banda formada por integrantes e ex-integrantes das bandas Armagedom, Social Chaos e Inhuman Penitence: Renato Gimenez no vocal e guitarra, Loukas no baixo, e Daniel Vecchi na bateria. O trio toca black metal extremo e experimental mesclando elementos fúnebres e nefastos somados ao seu som tenebroso. A banda possuí um EP e um Split ao vivo com a banda Velho e se apresenta com regularidade em território nacional, além de já ter realizado um tour internacional.
Acaba de sair do forno um relançamento muito aguardado por todos, o primeiro álbum da banda paulistana de doom/death metal Abske Fides.
Considerado uma das mais importantes bandas do estilo, esta reedição trouxe 3 bônus sendo assim mais um belo presente para os fãs e seguidores do doom metal que este ano foram agraciados com grandes lançamentos.
Realmente vemos que esta vertente do metal underground vem ganhando muita força, chegando a se assemelhar com a explosão do estilo nos anos noventa, quando surgiram bandas clássicas como My Dying Bride, Anathema e Desire, e aqui no Brasil com bandas mundialmente reconhecidas como Silent Cry, Eternal Sorrow e Mythological Cold Towers.
Para esta realização o Abske Fides contou com o apoio dos selos Nuktemeron Productions, Eclipsys Lunarys, Metal Island, M.L.O. Records e Cianeto Discos.
Este é o primeiro full-length desta banda pernambucana de death metal e que logo no seu primeiro material oficial mostram muito potencial e um extremismo absurdo.
É um CD brutal em todos os sentidos, tanto nas composições como nas letras que permeiam entre temas como terrorismo, genocídio, suicídio e conflitos internos, tudo muito bem executado. E houve uma grande preocupação por parte da banda em apresentar uma gravação de muita qualidade. É possível ouvir aqui com muita clareza todos os elementos.
Sua sonoridade segue claramente o brutal death metal na linha americana e com passagens voltadas para o slam com as peculiares guitarras cadenciadas deste estilo.
Os membros da banda são músicos experientes e que já integraram bandas conhecidas como Malkuth, Antropofagia, God Decapitator e Gored Blood.
A apresentação física vem em um digipack luxuoso e que também traz um encarte muito rico e ao folearmos vemos seus membros ostentando camisetas de bandas como Krapula, Cannibal Corpse e Escarnium, já nos dando a impressão que coisa boa vem por aí.
O CD já começa com uma sonoridade caótica e ao mesmo tempo muito bem trabalhada e muito técnico com a música Body Count. E destaco aqui as ultra violentas Outbreak Of Metal Illness, Headshot Holyday e Pussyfer, músicas que são verdadeiras demonstrações de conhecimento no estilo e que se destacam pelas suas capacidades de serem brutais e harmoniosas.
Indicado para quem curte uma banda pela sua alta capacidade de executar um death metal competente e com muito diferencial sem corromper o estilo.
Esta é uma banda oriunda de Suzano, interior de São Paulo que executa um black metal interessante com climas épicos e sinfônicos, também não deixando para trás a rispidez e a frieza natural do estilo.
Na formação existem dois integrantes que faziam parte da banda Aziel que findou suas atividades entre 2008 e 2009.
Neste primeiro trabalho intitulado Reino de Desolação, o Lamazuus além de trazer uma sonoridade peculiar ao estilo e com ótimas sinfonias mórbidas traz um conteúdo lírico diferenciado do que costumamos ver na maioria das bandas pertencentes ao estilo.
A banda em suas letras demonstra de forma muito clara a sua natureza ideológica e filosófica nos apresentando muitos aspectos que flutuam entre magia e fantasia, uma junção de elementos que torna esse primeiro material bem diferenciado.
É notório que esses integrantes são seguidores das histórias perpetuadas por JRR Tolkien e também por jogos de RPG como por exemplo Arcano de Marcelo Del Debio. E isso no encarte se reflete ao vermos uma ilustração que nos remete muito a imagem do mapa da Terra Média dos livros que compõem a saga “O Senhor dos Anéis”.
Já neste mapa ilustrado no CD podemos passear entre as letras e identificar em suas passagens os locais as quais eles se referem. Tornando esse material uma obra conceitual e que além de fantasias, misticismo também notamos também uma realidade opressora e neutralizadora de uma realidade que nos cercam.
São cinco músicas que como explicado acima, são histórias. Sendo assim toda saga se inicia com a faixa título Reino De Desolação apresentando um clima inebriante com ventos cortantes e uma flauta que anuncia um som caótico e vocais rasgados entre as melodias gélidas de suas guitarras.
E em seguida vem a violenta Lágrimas Congelantes Cortantes Na Guerra Noturna que começa com muita agressividade, e decorrer da música ouvimos partes mais cadenciadas e incursões de teclados frios e passagens de piano bem executadas, destacando também o bom trabalho executado no contrabaixo.
As outras três faixas que concluem este artefato seguem exatamente as mesmas fórmulas descritas das faixas acima, sendo uma boa dica para amantes de bandas como Summoning, Falkenbach e também o controverso Burzum.
Estamos diante de um grande trabalho indubitavelmente de uma banda incansável, o Amen Corner em sua carreira de quase três décadas se tornou uma referência e uma das mais importantes bandas de Black Metal do mundo.
Under The Whip And The Crown é um ótimo trabalho, as músicas deste álbum são composições que mostram uma banda muito viva.
Neste CD eles apresentam um lado mais conceitual, com músicas mais viscerais e também notamos que houve um resgate do Amen Corner conhecido do passado. Sim! músicas que nos remetem muito aos velhos tempos do The Final Celebration e Fall, Ascension, Domination. Então sentimos a velha essência do Amen Corner muito latente e trazendo a frieza, melancolia e partes mais energéticas. Tudo muito bem pensado e muito bem trabalhado, afinal foram quatro longos anos após o último álbum.
Para alcançar esses sentimentos, a interpretações do vocalista Sucoth Benoth foi importante e ele foi bem e conseguiu nos envolver de tal maneira que sentimos mesmo o sofrimento, as angustias e também toda supremacia em uma atmosfera negra e muito satânica.
Este álbum, como foi falado acima, é um trabalho conceitual e muito interessante. Uma obra muito bem escrita que nos remete a uma era negra para os cristãos, quando o império Romano mostrou toda sua supremacia com seus guerreiros determinados a extinguir toda e qualquer crença cristã, um império determinado e que durante séculos mostrou que é possível combater essa praga que infelizmente infesta o mundo com suas mentiras até os dias de hoje.
As lamurias e as dores sofridas pelos cristãos nesta era são muito bem descritas. As letras conseguem envolver muito misticismo e exaltação do supremo poder demoníaco, onde existem passagens que descrevem que quando Judas traiu Jesus, ele estava possuído por Azazel, demonstrando toda fraqueza e a mentira que descreve o tal poder do nazareno.
O início do CD nos mostra o talento ímpar do tecladista Fernando Nahtaivel, que não compôs somente uma introdução e sim, uma trilha sonora digna de produções cinematográficas e que consegue nos transportar para toda concepção do álbum.
Então iniciando com a intro The Fall Of The Messiah, este CD já começa de forma muito imponente, uma obra perfeita.
Aí vem a música The Lord Of Sodoma que além de muito envolvente é uma composição com uma aura muito negra, entre suas bases cadenciadas, com passagens muito melancólicas e vocais lamuriosos que fazem desta música uma ótima escolha para suceder a belíssima introdução.
Jerusalem Fell impressiona pela sua soberba interpretação, uma letra forte onde a queda de Jerusalém é muito bem narrada. O instrumental executado de maneira impecável torna essa música uma das melhores deste artefato.
E continuando a audição deste álbum, nos deparamos com a difícil tarefa de escolher as músicas que mais se destacam, todas as composições se completam de uma forma muito primorosa.
Under The Whip And The Crown é uma faixa que nos fez entender o porquê de ser escolhida para intitular o CD, uma música muito forte e muito bem construída. Riffs pesados em meio a todo sofrimento causado sob chicote e a coroa de espinhos. Essa música escorre sangue com muita maldição. Uma letra perversa onde ao lermos conseguimos mentalizar os olhares raivosos dos centuriões sedentos pra profanar o corpo do nazareno com suas chicotadas, marteladas e muitas torturas.
As músicas The Ritual e Azazel são verdadeiros hinos, com suas atmosferas melancólicas e obscuras, nos faz ter a sensação que essas composições emergiram do mais profundo abismo infernal onde habitam as hostes satânicas.
E também encontramos aqui uma belíssima regravação da cultuada Heir Of Lust Heir Of Pleasures que ficou ótima, mantendo a mesma característica registrada em seu primeiro álbum. Aqui mais pesada com toda certeza.
E para fechar o review desta obra maligna, destaco The Wrath Of Roman Gods, essa música vai te impressionar. Mostra um Amen Corner com uma criatividade sem igual tornando este álbum um dos mais gloriosos de toda sua carreira, um tributo ao Black Metal.
O Thrash Terror é uma banda que vem se destacando muito na cena underground paulistana e vem conquistando cada vez mais a atenção de bangers apaixonados pelo seu estilo em todo Brasil. Este ano a banda lançou o muito bem comentado EP We Shall Revenge, um trabalho que vem se espalhando pelo mundo e angariando muito boas críticas. Para falarmos desse fenômeno com espirito oitentista convidamos o baterista Jeferson “Jeff” Romão para um bate papo a respeito de como tudo está acontecendo e sobre os caminhos trilhados pela banda até aqui, além de seus planos para o futuro.
Jeferson “Jeff” Romão, Foto por: Divulgação
A primeira vez que o vi tocar, você ainda era integrante da banda Evil Sense que inclusive lançou um ótimo álbum tem pouco tempo. Qual foi o motivo que o levou a deixar as baquetas da banda?
Jeferson “Jeff” Romão – Bom, já faz um tempo isso e vamos ver se lembro. Mas basicamente ocorreram algumas divergências musicais, formas de pensar e de levar as coisas. Eu e o Glauber ex-guitarrista e vocal, queríamos fazer músicas mais trabalhadas, arranjos mais elaborados e nem todos estavam querendo fazer algo assim mais trabalhado. Eu e o Glauber começamos a idealizar um projeto com músicas mais elaboradas, o que se tornaria mais tarde o Migth Execution. O Glauber deixou a banda e após alguns meses tive que fazer uma escolha. Como eu ainda era um adolescente, precisava focar nos estudos, trabalhar e ter minha profissão, pois infelizmente viver de música e principalmente heavy metal no Brasil é muito difícil. E então tive que escolher, já que nem todos da banda na época tiveram a compreensão de que eu precisava dar esse passo na minha vida profissional, então deixei a banda. Mas somos grandes amigos, todos, sempre nos vemos por ai, shows, estúdio ou em casa mesmo, são pessoas que sempre farão parte da minha vida.
Durante o hiato entre o Evil Sense e o Thrash Terror você participou de mais alguma banda?
Jeferson “Jeff” Romão – Nossa, sim participei de diversas bandas e projetos de camaradas. Eu comecei a tocar muito novo, entrei no Evil Sense com 16 anos, é até meio maluco imaginar isso. Após o Evil Sense entrei no Might Execution com o Glauber, começamos a ensaiar, porém uma lendária banda da zona sul chamada Under Attack me fez o convite para assumir as baquetas, já que o batera original Thomaz (atual Nuclear Frost) havia deixado a banda e novamente tive que fazer uma escolha. Como o Under Attack tinha uma proposta de ser algo mais maleável com horários e etc, e eu precisava dessa flexibilidade optei por ficar no Under Attack. Fiquei aproximadamente 3 anos e fizemos diversos shows. Abrimos para a lendária banda Omen, foi uma época extremamente divertida. A banda meio que se diluiu e optei por dar um tempo com as bandas e focar ainda mais no lado profissional comum digamos (rs). Após um período reencontrei os amigos do Guerrilh, uma banda de speed metal em português. O Dodo estava reformulando a banda e fui convidado a integrar essa nova formação. Fiquei alguns anos no Guerrilha também porém a banda também acabou se diluindo. Após isso cheguei a fazer alguns ensaios com o Clenched Fist também, muito legal conhecer a todos e aprenderem e foram grandes momentos com essas bandas.
Nelson Freitas, Foto por: Divulgação
Você é multi-instrumentista. Todos sabemos que você é um guitarrista extraordinário, mas por que a preferência bela bateria?
Jeferson “Jeff” Romão – Primeiramente obrigado pelo elogio! Dou uma arranhada apenas. Eu comecei a tocar/aprender bateria muito novo e com 6 ou 7 anos eu já tocava bateria, meus tios todos tocam violão, guitarra, baixo. Eu tive uma infância muito musical, escuto rock/metal/mpb desde criança. Meu tio, que é praticamente meu pai, foi quem percebeu que eu tinha um talento e havia uma bateria velha na casa da minha avó. Meu tio pegou o violão e fez os acordes básicos de blues, aquele mais lento mais down mesmo, por ser um compasso lento de cara me dei bem e toda tarde praticamente a gente tirava algum som junto. Eu ia tentando tirar as coisas que ouvia, Guns n’ Roses principalmente, em seguida Black Sabbath, Iron Maiden e por ai foi, até chegar no metal extremo. Porém minha paixão e onde me sinto mais confortável é no thrash metal. Com uns 12 anos comecei a aprender violão e meu tio me passou as 7 notas básicas. Na época praticamente não havia Internet e nem computador, logo não tinha YouTube, então a gente passava horas ouvindo a mesma música, ou o mesmo solos para tentar absorver algo. Meus pais não tinham condições de me colocar numa escola de música então fui indo na raça e ouvindo muita coisa, o que foi muito bom pois desenvolvi um bom ouvido e um modo diferente de interpretar as músicas o que me favorece muito para compor e construir meus arranjos.
O Thrash Terror foi formado em 2007 quando ainda você não integrava a banda, você acompanhou o início da banda para nos falar como foi começo da carreira?
Jeferson “Jeff” Romão – Sim, já tínhamos contato, eu já estava no underground, o Nelson (guitarrista) já me conhecia desde bem moleque da cena rock aqui da zona sul e sempre o admirei por ser um excelente guitarrista. Além de ser uma pessoa maravilhosa. Vi o Thrash Terror tocar no antigo e saudoso bar chamado Warriors Pub, não lembro se esse dia eu toquei também, mas sei que vi esses caras tocando e pensei “Esses caras tem problema, são loucos, por que é um som rápido, técnico, e com vocal agudo” o que é muito peculiar por que normalmente o pessoal quer cantar de uma forma mais agressiva puxando para o gutural.
Walter Nascimento, Foto por: Divulgação
No mesmo ano de sua formação a banda lançou a demo Delivering To Metal, você poderia nos falar como foi a repercussão deste primeiro material?
Jeferson “Jeff” Romão – A banda passou a ser bastante notada e participava de diversos festivais e shows. Lembro que eles estavam a todo vapor e eu sempre estava nos shows, a banda começou a ser mais notada não só na zona sul, mas em outras regiões de São Paulo.
Anos depois a banda sofre uma reviravolta radical em sua formação, digamos que entre 2010 e 2015 foi uma época difícil para banda, pois saíram três membros neste período. Qual foram os motivos?
Jeferson “Jeff” Romão – Alguns integrantes tinham outros projetos, acabaram focando mais nesses outros compromissos o que acabou sendo quase que o fim da banda. O Walter (vocal), chegou a me dizer que até ele mesmo saiu, ele é o fundador da banda junto com o Nelson. O underground as vezes é difícil pois o retorno financeiro praticamente não existe e todos temos nossos gastos, alguns tem família, então muitas vezes é preciso tomar algumas decisões.
Em 2016 a banda retorna as suas atividades quase que totalmente reformulado e já com você assumindo a bateria. Como surgiu essa oportunidade de você se integrar a banda?
Jeferson “Jeff” Romão – Apesar de todas as dificuldades com as saídas de integrantes e etc, o Nelson e o Walter nunca desistiram de acreditar na banda e em seus potenciais. Mérito maior para o Nelson pois ele resgatou o Walter. Após o resgate do Walter eles precisavam de baterista e baixista e um amigo nosso em comum – o Edu (Hellven), foi quem fez a ponte entre eu e o Nelson. O Nelson entrou em contato comigo, pedi para ele me enviar as músicas, eu queria ouvir com cuidado pois eu não estava mais afim de tocar o mesmo estilo de thrash metal que eu tocava, queria algo diferente. E quando ouvi as músicas com atenção fiquei doido por que era exatamente o que eu queria fazer, alguns riffs lembravam muito o que eu já escrevia (cheguei a compor músicas pra um projeto solo, mas por falta de tempo na concluí), então aceitei o convite e começamos a trabalhar nas músicas.
Luis Moura, Foto por: Divulgação
A banda hoje está com a formação definitivamente estabilizada? Nos fale um pouco de cara membro…
Jeferson “Jeff” Romão – Sim, essa formação está bem estabilizada e consolidada, todos pensam de uma maneira diferente, mas sempre chegamos na mesma opinião em prol do Thrash Terror, nos tornamos uma família, irmãos, estamos sempre juntos, um na casa do outro ou em festas de amigos, nos damos muito bem. Estamos com uma idade legal, madura, e já temos uma grande experiência no underground o que facilita certas coisas. Bom, sobre nós, o Walter (vocal) é um cara de um grande coração totalmente atrapalhado as vezes, o Luís Moura (Toninho), também é uma excelente pessoa, muito correto e muito justo com todos, tem um temperamento forte assim como eu, normalmente as pequenas discussões começam comigo ou com ele (rs). O Nelson é o nosso buda, um cara sempre de bem com a vida, além de um excelente músico, o Toninho também é um excelente músico, estamos com um time bem redondo, uma engrenagem completa que não vai parar nunca.
Você é o cara mais thrash que já conheci na vida, você realmente respira e transpira os anos 80. Como está sendo para você estar no Thrash Terror? Você também está por trás das novas composições?
Jeferson “Jeff” Romão – Pra mim os anos 70 e 80 foram o ápice musical, acho que essas décadas nunca serão superadas, principalmente os anos 80 para o metal. Eu acho que sim, respiro e transpiro os anos 80, apesar de não ter vivido nesta década. As bandas tinham uma atitude diferente no palco, tocavam com sangue nos olhos, riffs complexos e o visual também agressivo. Não deixo meu tênis cano alto, calça justa e jaqueta de couro jamais. Não uso mais cinto de balas por que pesa muito e não tenho mais idade pra isso (rs). Mas musicalmente me inspiro muito pois todos tocavam de uma forma muito peculiar, timbres também, até o início dos anos 90 para a bateria é muito animal a forma como tocavam. Estar no Thrash Terror e ver tudo que estamos construindo é muito gratificante, ver as pessoas falando com você após os shows, contatos na página no Facebook é isso que nos faz continuar, além do amor pela música e pelo heavy metal. Como eu havia dito a faixa título We Shall Revenge, foi praticamente escrita por mim, temos uma música chamada Rock n’ Roll Party que também tem participação minha. O Nelson e o Walter queriam reformular as músicas antigas quando entrei, então praticamente todas as músicas eu mudei algo, ou opinei algo, eu e o Nelson temos muita sintonia para criar.
2018 – We Shall Revenge “EP”
Esse ano vocês atacaram com o ótimo EP “We Shall Revenge”, como está sendo a receptividade do publico a respeito deste EP?
Jeferson “Jeff” Romão – Cara, está sendo ótima, o pessoal tem escutado, recentemente em alguns shows notei a galera cantando os sons, está sendo bem positivos para nós.
Em nossa conversa través de uma rede social, você me falou que a banda estava buscando parceiros para a materialização deste EP em formato físico. Já há alguma parceria para isso?
Jeferson “Jeff” Romão – Ainda não fechamos nenhuma parceria, há alguns selos em vista, mas ainda não fechamos com nenhum. Se algum selo se interessar podem entrar em contato, pois ainda estamos à procura.
Vocês disponibilizaram o We Shall Revenge nas plataformas digitais, como está sendo esse processo de divulgação?
Jeferson “Jeff” Romão – Lembrando do termo punk “do it yourself”, a gente tá seguindo esse estilo, então estamos divulgando por nós mesmos, nos shows, Facebook, Instagram, grupos do Whatsapp, estamos usando todos os recursos de mídia social que temos hoje em dia para a divulgação, claro! Sempre contato com os amigos e com o público quem também nos da muita força.
Ouvi atentamente o EP e digo que vocês estão muito entrosados e fazendo um ótimo som. E falando das músicas, quais os temas abordados nas letras?
Jeferson “Jeff” Romão – Obrigado! Nosso entrosamento é extremamente natural, temos muita conexão. A gente procura ser neutro e não levantar nenhuma bandeira, política, religiosa, etc. A bandeira que levantamos é do heavy metal bem feito, bem executado. Em nossas letras falamos de tudo um pouco, heavy metal, bares, bebida, política, mitologia, comportamento e atitudes. No EP temos a Deliver Us To Metal que fala justamente sobre levantar a bandeira do metal, e dizemos como o metal pulsa em nossas veias. March To Kill, aborda questões políticas, Hell’s Pub é um bar onde pode acontecer de tudo, liberdade de fazer o que quiser, beber o quanto quiser sem se preocupar. Já a Death Maker fala basicamente sobre o domínio do mal na terra. E We Shall Revenge é nossa vingança contra todos que um dia duvidaram da banda, ou de nós. Serve também para todas as bandas do underground onde sempre tem alguém duvidando, seja a sociedade, família. É pra dizer “Ei conseguimos, fizemos nossa música, estamos vivos”.
Jeferson “Jeff” Romão, Foto por: Divulgação
E falando do Jeferson “Jeff” Romão, quais as suas principais influências?
Jeferson “Jeff” Romão – Na bateria minhas principais influências são: Nicko Mcbrain, suas longas viradas me inspiram muito. Dave Lombardo é minha maior influência principalmente no disco South Of Heaven, pois ali a bateria é simplesmente perfeita nos timbres e em toda a sua criatividade para construir viradas e frases na bateria. É simplesmente genial, gosto muito do Nick Menza também, ele era muito preciso. Os nossos brasucas, Igor Cavalera também tem um groove que gosto de acrescentar nos arranjos, Ricardo Confessori também sempre colocou batidas diferentes fugindo do convencional, Aquiles Priester que tive a honra de conhecer pessoalmente, o vi tocando de perto e é algo fantástico, aprendi muito apenas olhando com seus paradiddles absurdos. E também o monstro Gene Hoglan, o qual também tive a honra de conhecer pessoalmente, o percursor de paradiddles rápidos no metal, tento me inspirar nesses caras porque pra mim realmente são músicos diferenciados. Na guitarra me inspiro muito no Dave Mustaine, sou fã do Megadeth há anos e o jeito que ele toca e cria riffs é incrível, ele coloca sentimento, seja de raiva ou tristeza nas músicas e eu gosto dessa ideia de você ouvir uma nota, um riff e aquilo querer te passar ou te dizer algo, ou alguma sensação. Pra mim a música tem que ter vida, ela tem que falar algo. Curto riffs mais diretos também, mas não feitos de forma desleixada, isso não chama minha atenção. Chuck Schuldiner também é outro cara que passa sentimento com a música, te transporta exatamente pra onde a música quer, são caras geniais pra mim.
Com o EP já disponível no formato digital, como está sendo os shows para divulgação do mesmo?
Jeferson “Jeff” Romão – Tá bem legal! Esse mês de novembro tocamos praticamente todos os sábados, no feriado também com muitas aventuras, está sendo bem positivo e um aprendizado para nós também. Queremos agora ir para fora de São Paulo, expandir mais, agregar com mais bangers e metalheads de outros locais, estamos abertos a convites para tal. Nos chamem!!
Da esq. para dir.: Nelson Freitas, Walter Nascimento, Jeff Romão e Luis Moura, Foto por: Divulgação
Jeff, tenho uma pergunta que sempre faço a todos que entrevisto. Qual seu ponto de vista a respeito da cena underground atualmente no Brasil?
Jeferson “Jeff” Romão – Cara, pergunta legal e ao mesmo tempo delicada. Particularmente acho que já tivemos anos melhores em questão do público comparecer nas casas de show, festivais e etc, há muita diversidade, sempre tem muitos eventos, isso é bom mostra que o underground vive, mas até que ponto é ser underground? Você pagar pra tocar? Ter banda é ter gastos, instrumentos, estúdio, transporte, alimentação muitas vezes as pessoas não levam isso em consideração e já vi muita banda parar por causa disso. Mas obviamente para um evento dar certo depende de uma série de fatores. A cena no Nordeste me parece sempre bem viva inclusive tenho muita vontade de tocar lá, a cena brasileira é boa e viva, acho que falta mais cooperação de todos pra que as coisas melhorem cada vez mais. Torço muito para que cada banda conquiste o que almeja, temos que levar nosso metal pesado brasileiro para os quatro cantos do mundo, potencial todos nós temos.
Quais os planos futuros do Thrash Terror?
Jeferson “Jeff” Romão – Estamos trabalhando em novas composições para que se tudo der certo ano que vem a gente gravar e lançar o full-length, também tocar fora de São Paulo e por que não, no país inteiro.
Jeff meu amigo, muito obrigado pela oportunidade de podermos trazer aos leitores da Roadie Crew um pouco sobre você e sua carreira honrada no underground… As últimas palavras são suas…
Jeferson “Jeff” Romão – Meu caro amigo, foi uma honra enorme poder participar, foi ótimo relembrar os acontecimentos nessa minha trajetória de mais de uma década no underground, agradeço o espaço como baterista, sempre ficamos lá trás, escondidos, carregando um monte de tralha, e minha ideia foi mostrar que nós bateristas também temos voz, muitos assim como eu também são compositores, não fazemos apenas barulho. Quero agradecer a minha família em especial meu tio Donizeti, minha mãe por me aturar desde moleque, minha namorada Cris por sempre estar ao meu lado e a todos meus ex companheiros de banda, meus amigos, em especial Josenildo, João, Anete, PC, Kinho, Henrique, por me acompanharem desde o início, são muitas pessoas que me ajudaram e ajudam, sou extremamente grato a todos! Vamos apoiar nossa cena, ir em shows, bandas tocarem bem pra proporcionar um bom show, todos se respeitando e pensando no outro, assim coisas andam. Keep Thrashing!!!
Trazemos aqui para vocês o EP We Shall Revenge na íntegra:
É impressionante como proliferam bandas extremas e muito talentosas no nordeste de nosso país. Essa banda oriunda de Fortaleza é uma grata revelação, pois este primeiro álbum recém-lançado nos deixou com ótimas impressões.
Death Metal feito com primor, sim, feito com muita qualidade e paixão. E de fato impressionante, suas músicas são muito brutais e que mesmo assim não deixam de ser cativantes, conseguimos entender cada riff, cada base, cada berro… numa gravação digna de altíssimo nível.
Notamos também fortes influências de bandas clássicas dos anos noventa como Grave e Gorguts em seu primeiros álbuns e uma pegada também chegada mais para o splatter e gore, uma fusão perfeita que esta banda conseguiu fazer em suas composições.
Este CD já causa ótimas impressões pela sua capa que expressa muita brutalidade e essa arte que chama muito a atenção foi feita pelo artista Tiago Medeiros que conseguiu assimilar toda proposta musical da banda e traduzir tudo em uma capa devastadora.
E ouvindo esse CD, nos deparamos com uma banda que surpreendeu e que trará muitos bons frutos para sua carreira, uma banda pronta e muito coesa para ganhar o mundo.
O CD inicia com a intro Death Is Coming com seus teclados mórbidos e misantrópicos e ouvimos ao fundo uma agonia e sofrimento, sons assustadores que nos fazem imaginar muitas atrocidades. A faixa título Maniac In Control, que vem logo após, mostra que este trabalho foi inteiramente pensado para que tudo combine perfeitamente. Esta música com suas influências noventistas e também modernas já nos toma de assalto e nos faz querer ouvir mais o que vem por aí.
E o que vem por aí? Faixas que em suas essências são obras primas do estilo e que fazem deste álbum um trabalho impar, músicas como So Satisfying, IniquitousBigot que são a pura tradução de uma banda que veio para ficar, daí vem a faixa titulo Misanthropic Butcherque no início de suas guitarras nos remete até os gloriosos tempos do Benediction, mas que não fica só nisso… Muita técnica e uma pegada extrema toma conta da composição fazendo dessa música realmente uma das melhores de todo álbum.
Também músicas como Basement Of Despair com sua cadencia, Misery Rules que é violenta deste o inicio e Twisted Fuck que em suas melodias mórbidas e brutais, com riffs bem palhetados fica impossível não balançarmos nossas cabeças e reconhecer que o nosso Death Metal é de fato um dos melhores do mundo.
O Brutal Abyss está de parabéns, pois em seu álbum de estréia fizeram um trabalho merecedor de nota dez!