Autor: Alessandro Bonassoli

  • CROSSPLANE: FASTLANE [8,5/10]

    CROSSPLANE: FASTLANE [8,5/10]

    Marcel Mönnig (vocal e guitarra), Alexander Störmer (guitarra), Andrew Barret (baixo) e Mark “Bridgeman” Brückmann (bateria) obviamente têm no Motörhead a referência máxima. Ou seja: não há como ouvir as 11 faixas de Fastlane, novo trabalho dos alemães, e não gostar.

    É aquela soma vitoriosa de atitude punk, rock’n’roll sujo e sem frescuras, muitos riffs, peso, velocidade, jeans, camiseta e jaqueta de couro.

    Ainda tem a semelhança da voz de Mönnig com a do saudoso Lemmy Kilmister que tempera tudo isso, deixando Make Beer Not War, Rock Out e as ótimas Can’t Get You Out of My Mind e All Hells is Breaking Loose ainda melhores.

    E se nas demais há semelhança vocal, em Rock’n’Roll Will Never Die fiquei com a certeza de que tio Lemmy baixou nas gravações do álbum.

    Mas calma que ainda tem a faixa-título, uma correria que faz a gente imaginar um moshpit gigante, além de Epidemic, Life is a Monster, Black is my Blue Sky, Search and Destroy e Fields of Bone. Sim, destaquei TODAS as músicas de Fastlane. Agora me dê licença. Vou ali colocar gelo no pescoço, pois o headbanging foi daqueles.

  • CANDLEBOX: WOLVES PAVEMENT ENTERTAINMENT – IMP. [7,0/10]

    CANDLEBOX: WOLVES PAVEMENT ENTERTAINMENT – IMP. [7,0/10]

    Post-grunge? Ok, o Candlebox estourou nos EUA em 1993 a partir de Seattle usando algumas características do grunge, mas com um som mais comercialmente aceitável.

    Rótulos à parte, na real o que Kevin Martin (vocal e único da formação original), Brian Quinn e Island Styles (guitarras), Adam Curry (baixo) e BJ Kerwin (bateria) fazem é rock, transitando entre faixas de peso e outras mais radiofônicas.

    Isso fica claro nas 11 músicas de Wolves, primeiro trabalho desde Disappearing In Airports (2016). E o grupo intercala suas duas facetas com a segurança e a maturidade de quem tem mais de 30 anos de estrada. A interessante Criminals é o retrato exato dessa receita.

    Perfeita para palcos, All Down Hill From Here fala sobre o dia a dia de quem já passou “metade da vida em uma banda de rock”. Let Me Down Easy é puro Foo Fighters, enquanto Nothing Left To Loose tem aquele clima Motörhead: rock sujo e sem firulas. Don’t Count Me Out, We, Sunshine e My Weakness têm menos peso, mas não são descartáveis.

  • BLOOD RED SAINTS: UNDISPUTED [8,0/10]

    BLOOD RED SAINTS: UNDISPUTED [8,0/10]

    Quando você coloca um álbum do Blood Red Saints para rolar a certeza é que pouco importa se Pete Godfrey (vocal e baixo), Neil Hibbs e Lee Revill (guitarras) e Andy Chemney (bateria) tocam melodic rock, AOR ou anthem rock. Também não interessa se há alguma diferença entre estes estilos.

    O fato é que a qualidade muito provavelmente será alta. E Undisputed, quarto trabalho dos britânicos, comprova na prática tal teoria.

    De volta ao cast da Frontiers após dois álbuns, o grupo mantém as características que chamaram a atenção da gravadora italiana que não perdeu tempo e lançou o debut Speedway (2016).

    Compostas durante a pandemia e gravadas no estúdio caseiro de Revills, as 11 faixas são um deleite para os apaixonados por melodia, belos solos de guitarra, vocal clean e aquela pegada quase pop e clima de trilha sonora de filme da década de 80.

    Acho difícil você ouvir Karma, All I Wanna Do, This Ain’t a Love Song, Heaven in the Headlights e Caught in the Wreckage e discordar, independente de curtir ou não a vibe do Blood Red Saints.

  • AS THE PALACES BURN: OFFER TO THE GODS [8,0/10]

    AS THE PALACES BURN: OFFER TO THE GODS [8,0/10]

    Nos últimos cinco anos poucas bandas brasileiras foram tão ativas quanto o As The Palaces Burn. Os singles The Devil´s Hand e I Tried saíram em 2018, seguidos pelo single Arcanum e o ótimo álbum de estreia, End´evour, ambos em 2019. Nem a maldita pandemia foi problema, pois o grupo disponibilizou o EP All The Evil, em 2020, e o single For The Weak, no ano seguinte. Agora, em 2022, a ROADIE CREW ouviu com exclusividade mundial o novo trabalho da banda catarinense. Com disponibilização marcada para o próximo dia 30 deste mês nas plataformas digitais, o EP Offer To The Gods é uma homenagem à três gigantes do metal nacional: Angra, Sepultura e Dr. Sin.

    Segundo Alyson Garcia, o EP é um “aquecimento” para o segundo full lenght, Drowning In The Shadows, programado para sair no próximo semestre. De acordo com o vocalista da banda, como os covers para Abigail (King Diamond) e Hall Of The Moutain King (Savatage), gravados em End´evour e All The Evil, foram bem recebidos, a ideia agora foi realizar um tributo à cena brasileira. E, direto do clássico Angels Cry (1993), vem Streets Of Tomorrow, em uma versão muito mais pesada, mas sem desvirtuar o que André Matos, Rafael Bittencourt, Kiko Loureiro e Luís Mariutti eternizaram. Garcia não tem o mesmo alcance vocal que o saudoso maestro do metal nacional possuía, mas assumiu a responsabilidade de modo impecável, fazendo uma interpretação que merece aplauso.

    O As The Palaces Burn buscou também Mass Hypnosis, do excelente Beneath The Remains, gravado em 1989 pelo Sepultura. O microfone aqui é assumido pelo guitarrista Diego Bittencourt, que fez questão de cantar no modo mais próximo possível da versão original registrada por Max Cavalera. Na metade da primeira audição eu já tinha certeza de que este é um dos melhores covers já feitos para o maior expoente da música pesada brasileira.

    Fire, que integra o pesado Brutal, disco que marcou uma nova pegada musical do Dr. Sin em 1995, fecha o EP. A técnica apurada do baterista Gilson Naspolini é, a meu ver, o grande destaque. Desde a introdução da música até aquela virada antológica antes da primeira estrofe você já fica com a sensação de “quantos braços tem esse cidadão?”. O espetáculo vai até o fim e arrisco dizer que Andria e Ivan Busic e Edu Ardanuy vão ficar orgulhosos.

    Quer uma sugestão? Fique de olho aqui no site, pois cada uma das músicas terá sua versão em vídeo. O material, que a ROADIE CREW já viu e curtiu, deve ser liberado em breve. Ainda sobre o EP, as linhas de baixo foram gravadas por Rodrigo Martins Zilli, velho parceiro da banda, que atuou como convidado. A produção ficou, novamente, sob comando de Adair Daufembach, que também produziu, gravou e mixou o próximo álbum do As The Palaces Burn. Mas este novo capítulo só ouviremos daqui mais alguns meses. Sem contar spoilers, Garcia explicou que Drowning In The Shadows mais trazer uma evolução na sonoridade do grupo. “A palavra que resume é ousadia”, comentou. Quem ouviu For The Weak já notou que há um certo ar mais moderno em relação à End´evour. Ainda bem, de modo positivo.

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