AMILCAR CHRISTÓFARO fala sobre o falecimento de CRISTIANO FUSCO, guitarrista e fundador do TORTURE SQUAD

Em decorrência de um câncer, na última quinta-feira, 16 de janeiro, faleceu Cristiano Fusco (leia aqui), guitarrista fundador do Torture Squad, um dos maiores expoentes do thrash/death metal nacional. Membros e ex-membros prestaram homenagens em suas redes sociais, através de depoimentos dedicados à Fusco. Um deles foi Amilcar Christofaro, que fez uma transmissão ao vivo falando bastante sobre o guitarrista. Além do vídeo, que ainda está disponível (veja aqui), o baterista de longa data do Torture Squad enviou um áudio à imprensa, onde, emocionado, falou um pouco mais do amigo e velho parceiro de banda. “O Cristiano para mim é um dos grandes riffmakers que eu já conheci, ‘baseiro’, assim como a gente fala de James Hetfield (Metallica), de Scott Ian (Anthrax e S.O.D.), de Andreas (Kisser – Sepultura)… Para mim, o Cristiano tem basicamente o mesmo teor (do que eles). Um dos maiores headbangers que eu já conheci na vida, ele é muito importante na minha vida, porque ele simplesmente me mostrou o caminho do que eu me tornei, me convidou para entrar no Torture Squad, que se tornou a minha banda há 32 anos. Ele moldou a minha vida, moldou o que eu escolhi. (Musicalmente) Eu conheci muita coisa com ele, o embrião da minha alma headbanger tem uma porcentagem muito grande de construção do Cristiano. Eram noites juntos escutando discos, e numa época em que a gente tinha 15, 16 anos, ninguém bebia, ninguém usava nada, era a pura paixão pelo metal, passando a noite ouvindo disco, curtindo e absorvendo aquelas músicas de uma forma avassaladora. E a gente percebe que aquilo estava fazendo a gente criar uma química, como amigos e como banda”. O baterista recordou os primórdios e como ele passou a fazer parte do Torture Squad, a convite de Cristiano Fusco: “Desde o começo da década de 1990, quando eu comecei a tocar e tinha o RTH, e a gente dividia o palco algumas vezes com o Torture Squad, principalmente na região do Ipiranga, em São Paulo, eu via o Cristiano de baixo para cima, já o via como um cara muito sério com o heavy metal, tratava o heavy metal com seriedade, e você via isso no tocar dele, os riffs dele trazem isso. Ele não tinha brincadeira, era um headbanger compondo riffs para headbanger. E eu acredito que quando ele me viu tocar, curtiu meu estilo de tocar e viu naquilo uma forma de somar ao estilo dele de riffs. Acredito que foi assim também quando o Castor entrou e a gente montou o primeiro line-up depois que a banda (original) acabou – porque a banda é de 1989 e em 1991 se dissolveu. Só restou ele… E tem mais essa: a gente só está aqui, porque lá em ’91, ele persistiu com a paixão dele pelo metal e pelo Torture“. Amílcar concluiu dizendo: “O que eu posso falar para as pessoas é para prestarem um tributo ao Cristiano, escutando a música dele – os primeiros do Torture e o Distort (banda formada pelo saudoso guitarrista anos após deixar o Torture Squad). Isso é ele tocando. A demo do Torture (A Soul in Hell) e o (álbum) Shivering é tudo ele basicamente. Tem ideias minhas e do Castor, mas (nestes) a gente está bem tímido ali, porque estávamos entrando na banda, e nisso o Cristiano também sempre foi um ‘gentleman’, aceitando as ideias para somar, e eu fico muito feliz de ver que ele gostava das ideias que vinham (da gente), por isso que ele era aberto à elas. Então, peço isso para as pessoas, escutarem principalmente o Shivering e o Asylum of Shadows, que é um disco que pra mim é a mudança do Torture Squad, se descobrindo como banda, quando ele (Cristiano) compra o JCM 900, o Marshall dele, que ali a gente se encontra como banda, em composição também, com músicas como Murder of A GodMad IllusionFinally the Disgrace Reigns, é que a gente acha uma fórmula de composiçõa que se tornou uma assinatura da banda. O Cristiano é muito importante para o metal nacional e para a história do heavy metal. Ele era um riffeiro, um baseiro, apaixonado por heavy metal e merece ser lembrado como tal”.
 
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Foto: reprodução (Facebook)

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