CARRO BOMBA

A noite era especial para o Carro Bomba, já que esse show marcava a gravação de seu primeiro DVD. E os fãs não decepcionaram, pois compareceram em bom número ao Sesc Belenzinho para prestigiar esse momento inédito na carreira desse grupo paulistano, que faz um Rock And Roll / Metal pesado e bastante energético. O Carro Bomba, que hoje é formado pelos experientes Rogério Fernandes (vocal – Golpe de Estado), pelos irmãos Schevano, Marcello (guitarra – Golpe de Estado, ex-Patrulha Do Espaço) – único remanescente da formação original – e Ricardo “Soneca” (baixo – Baranga), e também por Heitor Shewchenko (bateria), já tem o seu nome marcado no cenário nacional. Com treze anos de carreira, o grupo possui uma discografia considerável, que consiste, até o momento, dos álbuns “Carro Bomba” (2004), “Segundo Atentado” (2006), “Nervoso” (2008), “Carcaça” (2011) e “Pragas Urbanas 2014”.

Para esta ocasião, o quarteto preparou um show especial, onde alguns convidados ilustres marcariam presença. Anunciado para começar às 21h, o Carro Bomba entrou em cena com meia hora de atraso, após breve introdução mecânica, tocando a pesada “Máquina”, música que abre seu último álbum. A seu favor, a banda tinha o som bem regulado, o que garantiu muito peso e clareza para o público durante todo o set. Exceto pelo disco de estreia, o repertório incluiu músicas de todos os outros, sendo baseado, em “Pragas Urbanas”, o qual o Carro segue divulgando. Emendada com “Máquina”, veio a cadenciada “Overdrive Rock’n’Roll”, do segundo álbum. Na primeira pausa, Rogério agradeceu a presença de todos e disse que após doze anos de estrada, aquele estava sendo um dia muito especial para a banda.

Após Marcello trocar de guitarra, o aclamado “Nervoso” começou a ser revisitado através da dobradinha formada por “Sangue De Barata” e “Intravenosa”. Outra dose dupla, só que agora para o penúltimo álbum, “Carcaça”, foi apresentada com a música que lhe intitula, seguida de “Queimando A Largada”. Para essa em questão, Rogério chamou ao palco o primeiro dos convidados, Clemente Nascimento (Inocentes/Plebe Rude), um dos ícones do Punk Rock nacional, que chegou com sua Gibson SG colocando ainda mais peso e dividindo vocais com Rogério Fernandes.

Ao final dessa, Clemente brincou: “Gostaram? Era pra ter vindo o Nando Fernandes (ex-vocalista do Cavalo Vapor e Hangar, e irmão de Rogério), mas tive que substituí-lo. O cabelo é igual, mas a minha voz é melhor ainda”. Claro que todos caíram na gargalhada! O convidado ainda ficou para a próxima, “Bomba Blues”.

Mais peso foi despejado na plateia quando Rogério, Marcello, Soneca e Heitor tocaram “O Foda-se” (juro que não foi um trocadilho intencional!) e “Mondo Bizarro”. Vale ressaltar que essa em específico, tem uma caída de tempo bem bacana na hora do solo, que revela a forte influência de Black Sabbath no som do Carro Bomba.

Falando em solo, o segundo convidado da noite foi ninguém menos do que Edu Ardanuy. Enquanto o guitarrista afinava seu instrumento, Rogério aproveitou para mencionar a presença das crianças e também de sua mãe, que estavam na plateia – arrancou justos aplausos. Daí então, após um breve solo de guitarra do ex-Dr. Sin, foram tocadas “Bala Perdida” e a própria “Pragas Urbanas”, que também contaram com seus solos. O guitarrista se despediu, sendo ovacionado.

Após mandar o recado com “Esporro” (sério, parece um trocadilho, mas não foi de propósito), o grupo convocou o último convidado, o vocalista do King Bird, Ton Cremon. E aí, o clima Sabbathico/oitentista tomou conta do local em “Arrastando Correntes”, não só por conta do instrumental, quanto por Cremon e Fernandes que soltaram as vozes, assim como também fizeram em “Fuga”, outra que é tão veloz quanto “Esporro”. Foi de arrepiar!

Em “Punhos de Aço”, que veio após as apresentações, o Carro literalmente acelerou (Ok, caro leitor, confesso que agora sim foi um trocadilho intencional!), e a mesma energia foi mantida em “Thrash ‘n’ Roll” – que deveria ter sido a última do show. Só que, lembrando que a banda estava gravando um DVD, é natural que ocorressem algumas falhas técnicas, sendo assim, a banda anunciou que o início do show iria ser repetido. Com muito bom humor, Heitor foi à frente do palco e pediu que todos fingissem para as câmeras que o show estava começando e gritassem. A plateia não só atendeu ao baterista, como ficou ainda mais empolgada, gritando em coro o nome da banda. Isso foi muito legal! Dessa forma, a breve introdução mecânica tocou outra vez, a banda entrou novamente no palco e repetiu as duas primeiras do set, já que estavam ensaiadas para serem tocadas emendadas uma na outra.

O show acabou pontualmente às 23h e foi bastante divertido – a única ressalva foi o fato de que um babaca, com espírito de porco, por duas vezes arremessou latas de cerveja, caindo bem próximo de onde estavam algumas crianças, molhando-as um pouco. Se você ainda não conhece o Carro Bomba, saiba que tanto em estúdio quanto ao vivo, o grupo dispõe de um guitarrista de mão cheia, que proporciona riffs pesados, um baixista capaz de executar bases bem trabalhadas, fazendo uso de distorção para fã de Sabbath e Motörhead nenhum botar defeito, um baterista que arrisca e acerta ao enfiar bumbos duplos, elevando o Rock’n’Roll da banda a algo mais próximo do Heavy e até mesmo do Thrash Metal, dependendo da música (vide “Esporro, por exemplo), e, na frente disso tudo, um vocalista que capricha nos ‘drives’, chegando a lembrar em alguns momentos o saudoso Ronnie James Dio. Se você perdeu, não deixe de conferir o registro desse show assim que o DVD for lançado, pois foi uma apresentação contagiante e digna da carreira do Carro Bomba.

CARRO BOMBA – Setlist: Máquina Overdrive Rock ‘n’ Roll Sangue De Barata Intravenosa Carcaça Queimando a Largada Bomba Blues Mondo Plástico O Foda-se Bala Perdida Pragas Urbanas Esporro Arrastando Correntes Fuga Punhos De Aço Thrash ‘N’ Roll Máquina Overdrive Rock ‘n’ Roll

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