Parece que foi ontem que o Sepultura pôs o mundo da música pesada sob seus pés. Mas faz pouco mais de 20 anos que isso aconteceu e agora o grupo comemora três décadas de uma carreira ininterrupta, com altos e baixos, conquistas, conflitos, superação e muitas histórias para contar. O fato é que o grupo se transformou em um dos símbolos de nossa cultura, contribuindo para que o mundo abrisse seus olhos para o Brasil. Durante o percurso moldou o seu Thrash Metal, arriscando e experimentando sonoridades, instrumentos dos mais diversos e muitas parcerias, tornando-se referência e ganhando o respeito de fãs, mídia e bandas de todos os continentes, sendo, inclusive, o “marco zero” para novos subgêneros do Heavy Metal que surgiram nos últimos anos.
Os fãs foram os presenteados com a “Sepultura 30 Years Tour”, que começou na América do Norte – incluindo a participação da banda no “Rock In Rio USA” tendo ninguém menos do que Steve Vai como convidado especial -, e nos dias 19 e 20 de junho Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente, a receberam.
Em São Paulo o local escolhido foi a Audio Club que tem capacidade para três mil pessoas e ficou completamente lotada. Gerações se misturavam – inclusive algumas crianças –, até que às 23h10 a introdução mecânica deixou a todos em polvorosa e o Sepultura com Derrick Green (vocal), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria) entrou com “The Vatican”, representante do novo álbum “The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart”. O som estava embolado, mas a partir de “Kairos” tudo se resolveu.
A rampa projetada até a pista possibilitava que os músicos caminhassem e se aproximassem dos fãs, só que por pouco isso não se tornou negativo, pois alguns a utilizavam para ‘stage divings’ e para acesso ao palco. Culpa da casa que não dispunha de seguranças preparados para tal. Em “Propaganda”, um dos mais afoitos agarrou Andreas que ao final parabenizou a todos pela receptividade e participação, mas esbravejou – com toda a razão -, que ali não era passarela e como o show estava sendo gravado os equipamentos poderiam ser prejudicados. O pedido foi atendido e então a banda tocou a saudada “Inner Self”.
Clássicos da época dos irmãos Cavalera se alternavam com outros da fase com Derrick que já está há mais tempo que Max na banda (mais precisamente 18 anos), e assim “Breed Apart”, “Dead Embryonic Cells”, “Choke” (utilizada na época para o teste de Derrick) e outras nocauteavam o público presente. Era hora de voltar ao passado e, em “Troops Of Doom”, Andreas brincou ao apresentar o baixista “Paulo Destructor”. Mas especial mesmo foi quando relembraram o álbum “Schizophrenia” (1987) com “From The Past Comes The Storm”.
Em “Territory” o público vibrou, mas em “Polícia” dos Titãs, onde Andreas assumiu o vocal, simplesmente enlouqueceu, abrindo rodas insanas. Visivelmente os músicos se emocionavam com o que viam. O carismático Derrick, por vezes tocava o surdo à frente do palco, Andreas era quem mais se comunicava, Paulo sorria o tempo todo e atuava com backing vocals e Eloy “agredia” seu kit sem dó. “Orgasmatron” (Motörhead) ficou mais arrastada, ao contrário de “Biotech Is Godzilla”, “Arise” e “Refuse/Resist”, que encerraram a primeira parte do show.
