Voodoopriest, Rhino, Desgraceira, Kyhary e Infected

Após a estreia bem sucedida com um EP autointitulado, o Voodoopriest pavimentou ainda mais seu caminho com o lançamento do álbum “Mandu”, que tem como tema a história do índio Mandu Ladino, que lutou conta o extermínio das tribos indígenas no Piaui, que pode ser considerada uma das melhores estreias do Metal nacional, cujo repertório está sendo provado nos shows, como nesta última sexta-feira (17), na tradicional Chopperia LollaPalooza, em Santo André (SP), que nos últimos meses recebeu grupos como Genocídio, Worst e os germânicos do Nuclear Warfare.

Junto com os anfitriões, foi escolhido um cast pra lá de marcante para celebrar esta festa da música pesada, que uniu bandas novas (Rhino e Desgraceira) com outras mais rodadas como o Kyhary e a Infected, que iniciou a programação, que estava prevista às 20h, mas que começou mais de três horas depois.

Conhecidos do público, o Infected mostrou o seu Thrash inspirado na escola americana, que tem como ponto alto as guitarras de Rodrigo Costa e Henrique Perestrelo, que alternam as melodias tradicionais e riffs mais técnicos e cortantes, como podemos ouvir nas músicas de seu novo trabalho, a demo “Beerstalkers”, que apontam uma banda mais técnica e madura, como mostraram em “Emotional Disease” e “Bipolarized”. Mas a cozinha formada por Hugo Golon (bateria), Bruno Tarelov e o vocalista Ronaldo “Bodão” formam um time seguro, que faz a alegria dos thrashers, o que se comprovou mais uma vez neste show de abertura. Precisam urgente lançar um novo álbum de inéditas.

Ainda na linha do thrash, mas com muito groove e influências Hardcore, o Kyhary mostrou seu som violento e sem concessões. Promovendo o álbum “Inocência, Escolhas…Fim”, Luciano BN (guitarra e voz), Renato Romano (guitarra), Denis Nohia (baixo) e Denis Roosevelt (bateria) mostraram-se um grupo sincronizado e com músicas encorpadas como “Fé e Indiferença”. “Não há mais volta” e “Eu Não Vou Aguentar”, dona de backing coesos e agressivos. Outro destaque no show foi a faixa “Julgamento”, que contou com a participação especial de Luiz Artur (Desgraceira, ThisFound Grace). Com o tempo corrido, o que gerou um pequeno estresse. A banda não executou todo o set, encerrando com “Sentença”, mostrando que é um grupo que deve ser ouvido pelos amantes de um som mais atual.

As bandas Desgraceira e Rhino foram responsáveis pela parte mais brutal do festival. A primeira, de São José dos Campos tem um jeitão mais Crossover, com muito sarcasmo e experimentalismos, como em “Sororoca da Morte” e “Medo de Avião”, cujo início é o mesmo da canção do Belchior (sim, ele mesmo), mas que depois vira uma pancadaria extrema. Um show interessante, agressivo e diferente. Ponto para o quarteto formado pelo já citado vocalista Luiz Artur, que está acompanhado por Leonardo Melo (guitarra), Ricardo Takamatsu (baixo) e Jefferson Slivka (bateria).

Rhino conseguiu dar uma cara brutal ao Thrash e Hardcore.  Com músicas curtas e uma agressividade absurda, o quarteto tem como destaque os vocais mortíferos e certeiros de Ricardo Viola. Prestes a lançar seu primeiro EP, o grupo tem tudo para angariar os fãs do estilo.

Já eram 3h15 da madrugada quando o Voodoopriest subiu ao palco. Vitor Rodrigues (voz), Renato De Luccas (guitarra), Cesar Covero (guitarra), Bruno Pompeo (baixo) e Edu Nicolini (bateria), todos músicos renomados que dispensam apresentações mostraram que o “Voodoo” se tornará em pouco tempo um dos maiores nomes do metal pesado no país ao lado de Krisiun, Sepultura e Torture Squad. A apresentação, como esperada teve como 90% do repertório no recém-lançado álbum “Mandu”, que chama a atenção pela intensidade do instrumental em especial a dinâmica das guitarras e claro, o gogó do vocalista, que é um dos melhores do país e do mundo neste quesito, como foi visto e ouvido em músicas como na trabalhada “Dominate and Kill” e a agressiva “Warrior”. Outros momentos de destaque foram a faixa-título (cujo refrão foi cantado por todos), “Trail of Blood”, cujo início e estrutura lembram os momentos mais técnicos do Testament e “Juggernaut”, a única do EP apresentada no show e que encerrou a excelente apresentação do quinteto, que terminou às 4h15 da manhã, que tiveram poucos, mas fiéis e sedentos fãs, além da simpatia do grupo, que não se negou a autografar discos e tirar fotos!

Poderia encerrar a resenha por aqui, mas algumas coisas precisam ser ditas para que as coisas melhorem nos shows: de nada adianta os organizadores trazerem grupos de renome se o público não comparece (apesar de ter um considerado número nesta noite). Acredito que é uma questão que deve ser discutida entre os donos das casas, produtores, bandas e uma parte do público para que se enxerguem soluções e que JUNTOS consigamos mudar esse quadro, pois como muitos de vocês, eu adoro shows e não quero que o metal nacional fique relegado a uma meia dúzia de pessoas ouvindo suas músicas favoritas numa jukebox. Já passou da hora de uma mudança.

Receba as novidade da Roadie Crew no seu WhassApp

Posts Relacionados

Em Destaque

[Roadie Podcast] Erro ao obter dados do Spotify.

Agenda

Nenhum evento encontrado!