Tag: Rock progressivo

  • STEVEN WILSON – SÃO PAULO/SP – 27/05/2018

    STEVEN WILSON – SÃO PAULO/SP – 27/05/2018

    Sim, o mês de maio foi um dos mais empolgantes em muitos anos para os fãs de música pesada da Capital Paulista e arredores. Para começar, a quantidade de shows foi espantosa, com várias noites exigindo que o fã escolhesse qual dos grandes eventos queria assistir. Além disso, houve também o fator ‘variedade’, já que realmente rolou de tudo um pouco. Na verdade, desta vez a variedade foi tão grande e em um tão curto espaço de tempo que talvez tenhamos desenvolvido os primeiros casos conhecidos de ‘transtorno bipolar musical’. E não é exagero, veja: em um espaço de mais ou menos uma semana, tivemos a interpretação literal da tempestade antes da calmaria, primeiro com o Brujeria e o Carl Palmer alternando noites, e depois com Triptykon e Steven Wilson fazendo o mesmo. E isso só para limitar aos nomes mais óbvios.

    Embora a expectativa fosse das melhores (quem aí esteve no show surpreendente e incrível que Steven Wilson fez em São Paulo em março de 2016 sabe do que estou falando), havia também certa preocupação, já que o cenário no nosso país estava ainda um pouco mais caótico do que o costumeiro: com a greve dos caminhoneiros, a crise do abastecimento e boa parte da frota paulistana parada nas garagens, chegar ao Carioca Club se tornou um enorme ponto de interrogação na cabeça de muitos dos fãs, já que vivemos numa megalópole que não é servida por estações de metrô em todos os bairros, e que ainda convivia com a agravante diminuição da frota de ônibus. Sim, eram muitas dúvidas, e uma única certeza: aquele fenomenal artista inglês faria um show sensacional, e, pelo menos por umas poucas horas, nos subtrairia de todos os problemas que nos cercam. Uma pena que tenha que ser assim, mas que bom que existe a música para – no momento certo – fazer isso por nós.

    A certeza se concretizou logo na chegada ao Carioca Club. A despeito de todos os problemas, um excelente público compareceu, e era visível que todos tinham deixado seus problemas longe dali. E a coisa se tornou ainda mais perfeita quando o show de fato começou, com a belíssima Nowhere Now, talvez a mais bela composição dentre todas as que formam o assombroso novo álbum de Steven Wilson, o indefectível To The Bone (2017). Quem nunca teve a chance de ouvir essa música, por favor, ouça-a agora, nós esperamos aqui. Você precisa ouvir aquele refrão, precisa sentir a harmonia de cada instrumento para tentar imaginar como foi para nós a sensação de estar lá, e sentir a música curando cada ferida da nossa alma, levando embora todos os problemas enquanto Wilson cantava os versos ‘here above the clouds, I am free of all the crowds’. E esta ainda a primeira música da noite. Pariah, outra de To The Bone veio na sequência, e então vieram a tradicional sequência Home Invasion/Regret #9, do insuperável Hand.Cannot.Erase, de 2015, que garantiram os primeiros tons mais puramente progressivos da noite.

    Claro que os fãs do Porcupine Tree, banda onde Steven Wilson começou a construir seu legado, não sairiam do Carioca Club decepcionados, afinal, existe muito material fantástico ali. Como que para provar a veracidade desta constatação, The Creator Has a Mastertape (In Absentia, 2002) começou a rolar, tirando boa parte do público do chão com sua pegada mais veloz e ‘esquisita’. Ao longo da noite, várias outras composições do Porcupine Tree seriam apresentadas: Arriving Somewhere but not Here foi uma das mais bem recebidas, Lazarus, Heartattack in Layby e Sleep Together também apareceram. Mas, é muito provável que a pegada pop e dançante da nova Permanating tenha causado o maior alvoroço a noite. Harmony Korine foi encaixada no set por conta de um pedido de um casal que estava trocando alianças naquele mesmo dia. Enquanto a belíssima Song of Unborn chegou para fechar uma noite quase perfeita, com Steven Wilson sentado ao violão, enquanto seus parceiros de banda emocionaram com uma performance arrasadora.

    Ao sair da casa de shows e voltar a pensar nos problemas do mundo real, não houve como não encarar o mundo com um sorriso nos lábios. Ao menos por duas horas, o mundo havia sido um lugar perfeito.

  • STEVEN WILSON em SP – Galeria de Fotos

    STEVEN WILSON em SP – Galeria de Fotos

  • CARL PALMER’S ELP LEGACY – Rio de Janeiro – 25 de maio de 2018

    CARL PALMER’S ELP LEGACY – Rio de Janeiro – 25 de maio de 2018

    Vinte e quatro de março de 1993. O Canecão estava tomado por fãs de rock progressivo que esperavam pela primeira apresentação do Emerson, Lake & Palmer no Brasil. Marcado para começar às 21h30, o show já sofria um atraso considerável quando alguém, poucos metros atrás de mim, começou a vociferar para todos ouvirem que era “absurda a falta de respeito desses gringos!” e mais algumas frases de efeito contra Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer. No entanto, bastaram poucos minutos de “Tarkus” para a mesma pessoa pedir licença a quem estava à frente porque queria ficar mais próximo do palco. “Isso é muito lindo! Que música maravilhosa! Que banda maravilhosa!”, ele passou falando alto para quem quisesse ouvir. Esse alguém era Renato Russo.

    Vinte e cinco de maio de 2018. Não havia nenhum Renato Russo na plateia do Vivo Rio, e no palco estava apenas Palmer para comemorar o legado da obra feita por ele ao lado de Emerson e Lake (ambos falecidos em 2016). Houve atraso para o início da noite com o Carl Palmer’s ELP Legacy, mas de apenas 15 minutos, e num primeiro momento o clima na pista nem de longe lembrava aquele de 25 anos atrás. Com a configuração de mesas e cadeiras e o vai e vem de garçons – com um menu que ia de cerveja mais artesanal do que popular a garrafas de vinho; de batata frita a porções de salgadinhos e mini-hambúrgueres gourmet –, mas parecia que o público estava num restaurante sem se preocupar com quem receberia o couvert artístico.

    Felizmente, as diferenças foram apenas essas, porque o show foi lindo, com músicas maravilhosas apresentadas por uma banda maravilhosa. E Palmer acertou em cheio ao optar por não ter um tecladista. Os jovens Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Pitzpatrick (baixo e chapman stick) se dividiram na missão de emular em seus instrumentos o trabalho de Emerson, com eventual e rara ajuda de samples, e foram muito além: conseguiram brilhar em pé de igualdade com o veterano batera. A tônica ficou clara nas duas primeiras canções da noite. “Abaddon’s Bolero” trouxe Pitzpatrick preenchendo bem os espaços, e “Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2” flertou com o heavy metal graças ao riff de Bielatowicz.

    “Welcome back, my friends, to the show that never ends”, brincou Palmer ao se dirigir à plateia pela primeira vez.  Mas não foi apenas uma referência ao clássico segundo álbum ao vivo do ELP. O show tem que continuar, e o batera realmente encontrou a fórmula ideal para manter viva a música do trio sem soar oportunista. O cartão de visitas já havia sido entregue, mas uma versão absurda de “Tank” enterrou qualquer dúvida que ainda pudesse existir: enquanto Bielatowicz (como toca esse garoto!) e Pitzpatrick simplesmente debulharam, Palmer mostrou com suas viradas à la Buddy Rich que, aos 68 anos, ainda toca como se estivesse brincando.

    Baterista e mestre de cerimônias. Para falar com o público, Palmer ia à frente do palco e contava histórias. Lembrou-se de quando ele e os dois antigos companheiros receberam a visita de um sujeito de paletó, terno e gravata – “pensei que fosse alguém cobrando impostos”, disse, arrancando alguns dos vários risos da noite – e ficou sabendo que alguém estava acusando o trio de plágio, por isso teria de compensar financeiramente o autor da reclamação. “Olhei para trás e vi que o Keith havia se mandado. Pensei: ‘OK, ele sabe de alguma coisa’.” Era a vez de “Knife-Edge”, clássico do álbum de estreia baseado em peças do tcheco Leoš Janáček (1854 – 1928) e do alemão Johann Sebastian Bach (1685 – 1750), que não estavam por trás na notificação extrajudicial, obviamente.

    Quer mais clássico? “Esta é daquela disco que tem a cara dos três, e eu sou o mais bonito, à esquerda.” Modéstia de Palmer à parte, ele se referiu a “Trilogy”, faixa-título do terceiro, álbum lançado em 1971, e o show foi todo de Bielatowicz. Eu já disse que o garoto toca demais? Acredite, o que você está imaginando é pouco, porque o que ele fez aqui foi de cair o queixo. E valeu até a brincadeira tocando, digamos, ‘air keyboard’ para fazer uma referência ao que estava fazendo: levando os geniais teclados de Emerson com maestria para a guitarra. “Shit Happens”, disse Palmer, mostrando a haste quebrada de um dos pedais de bumbo. “É a quinta vez que isso acontece em toda a minha carreira, mas é pouco se levar em consideração que já são 55 anos.” Pediu cinco minutos para consertar. Levou menos tempo até a surpresa do repertório.

    “Antes de a banda acabar pela primeira vez, fizemos um disco em 1978 que…” Palmer nem precisou completar, porque ele mesmo fez uma cara de mea-culpa. “Como pode uma banda de rock progressivo lançar um álbum chamado ‘Love Beach’? Parecíamos o Bee Gees na capa, mas estávamos bonitões.” Sim, “Love Beach” é controverso, mas “Canario” soou agradável ao vivo e no formato power trio tradicional, ou seja, com guitarra, baixo e bateria. Melhor, porém, foi “21st Century Schizoid Man”. Muito bem recebida, a canção do King Crimson, grupo que Greg Lake integrou em seus primeiros anos, de 1968 a 1970, foi precedida pela história de como o saudoso baixista a sugeriu a Palmer e Emerson depois que o ELP se reuniu no início dos anos 90.

    Em um show de progressivo a autoindulgência é convidada de honra, então os solos individuais se fizeram presentes. Bielatowicz desfilou técnica de ‘tapping’ e ‘two hands’, e ninguém segurou o riso – nem mesmo o músico – quando um gaiato aproveitou um momento de silêncio para gritar “Foda!” com vontade. A imagem do disco solo do guitarrista, “Preludes & Etudes” (2014), deu lugar nos telões laterais para imagens de antigos filmes de faroeste durante “Hoedown”, que soou muito bem no novo-velho formato escolhido por Palmer. Depois, o óbvio virou surpresa. “Esta música, escrita por Greg, é muito especial para mim. É nosso grande hit nos Estados Unidos, e acredito que tenha tocado nas rádios daqui, também.” Sim, “Lucky Man”, mas com Ritchie nos vocais. Sim, o Ritchie de “Menina Veneno”, mas também o Ritchie do Vímana, banda brasileira de rock progressivo que, em sua curta trajetória na década de 70, contou com nomes como Lulu Santos, Lobão e o ex-Yes Patrick Moraz.

    Depois do solo de Pitzpatrick, mais surpresas. “From the Beginning” contou com a voz de Sérgio Vid (Vid & Sangue Azul), e “C’est la vie”, com a de Toni Platão (ex- Hojerizah), coerente ao poupar a música de seus habituais exageros ao cantar. Surpresas improvisadas, diga-se. Cada uma contou com um convidado no violão que sequer foi anunciado – se ajudar, o primeiro parecia o Almir Sater, e o segundo, o Rob Caggiano (Volbeat, ex-Anthrax). Só na aparência, claro. E de longe. Bom, de volta à programação normal: “Sei que essa música teve muita importância para bandas de rock progressivo à época, e felizmente eu estava na que a criou.” Amigo, “Tarkus” foi um desbunde, com várias passagens instrumentais de tirar o fôlego, coisa para renovar a esperança na boa música (dois garotos tocando com um veterano, lembra?) Não à toa foi, pela primeira vez na noite, aplaudida de pé por todos.

    Uma versão matadora de “Carmina Burana”, de Carl Off, lembrou a todos quem era o astro principal da noite, porque Palmer fez o possível parecer impossível na bateria. “É um privilégio estar de volta ao Rio de Janeiro”, disse ele, 25 anos depois. “A próxima canção é a instrumental número 1 do ELP no Reino Unido, e se vocês aplaudirem bastante depois, talvez nós toquemos mais uma.” Pediu e foi atendido. “Fanfare for the Common Man” ganhou um bem-vindo peso extra e trouxe a reboque o aguardado solo de bateria. Veja bem: Carl Palmer é um dos cinco bateristas em atividade que têm habeas corpus para fazer solo de bateria. E foi justamente aplaudido de pé por ser criativo e mais musical (e malabarista, claro) do que um simples espancador de peles e pratos.

    O bis? O trio nem precisou sair do palco – na verdade, as definições de TOC foram atualizadas com sucesso: o bateria havia avisado que os shows no Brasl durariam uma hora e 55 minutos, e foi exatamente o que aconteceu. Nem um minuto a menos, nem um minutos a mais. E teve pedal quebrado, participações especiais… Enfim, “Nutrocker”, que virou um rock’n’roll de primeira acompanhado no telão por imagens de Palmer, do ELP e de manchetes de jornais e revistas, encerrou um espetáculo rico em bom gosto e execução musicais. De dar orgulho a quem gosta e se preocupa com isso. Claro, tem quem ironize, mas não se preocupe. Quem faz isso provavelmente está procurando um amor que ouça Los Hermanos, A Banda Mais Bonita da Cidade, O Teatro Mágico, Clarice Falcão, Mallu Magalhães e outras cruzes muito pesadas para carregar.

    Set list

    1. Abaddon’s Bolero (de Trilogy, 1971)
    2. Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (de Brain Salad Surgery, 1973)
    3. Tank (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    4. Knife-Edge (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    5. Trilogy (de Trilogy, 1971)
    6. Canario (de Love Beach, 1978)
    7. 21st Century Schizoid Man
    8. Guitar Solo
    9. Hoedown (de Trilogy, 1971)
    10. Lucky Man (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    11. Bass Solo
    12. From the Beginning (de Trilogy, 1971)
    13. C’est la vie (de Works Volume 1, 1977)
    14. Tarkus (de Tarkus, 1971)
    15. Carmina Burana
    16. Fanfare for the Common Man/Drum Solo (de Works Volume 1, 1977)
    17. Nutrocker (de Pictures at an Exhibition, 1971)
  • Novo álbum ao vivo de CARL PALMER chegará em junho

    Novo álbum ao vivo de CARL PALMER chegará em junho

    Um novo lançamento em digipack duplo de CARL PALMER, talvez um dos bateristas mais bem cotados do mundo e membro sobrevivente do lendário grupo de rock progressivo EMERSON, LAKE & PALMER, será lançado pela BMG em 29 de junho. O Carl Palmer’s ELP Legacy Live engloba duas notáveis apresentações do CARL PALMER’S ELP LEGACY, capturados em CD e DVD, acompanhado por em um encarte de luxo com notas do próprio Carl Palmer.

    O CARL PALMER’S ELP LEGACY foi formado em 2001, e conta com Carl Palmer ao lado dos talentos pródigos de Simon Fitzpatrick na guitarra e Paul Bielatowicz no baixo. Este power trio está tomando em mãos os velhos clássicos do ELP e reconstruindo-os com bateria, baixo e guitarra, em vez de apenas replicar o trabalho único de teclado/sintetizador do grande Keith Emerson. O trio injeta uma nova vida em faixas como Hoedown, Peter Gunn, The Barbarian, Knife-Edge, Pictures at an Exibition, Lucky Man, Fanfare for the Common Man e o eterno clássico do KING CRIMSON, 21th Century Schizoid Man.

    “É um ato de metal progressivo tocando os clássicos do EMERSON, LAKE & PALMER“, diz Carl. “É original e único, e isso é importante para mim.”

    “Minha filosofia é muito simples: se eu continuo melhorando, o que continuo fazendo no momento, ou se não posso mais melhorar, mas consigo manter o padrão, então continuarei. No minuto que eu não puder fazer isso, então eu vou embora”, ele declara, deixando claro que ainda tem mais alguns anos para queimar na estrada.

    CARL PALMER toca em São Paulo em 24 de maio, no Espaço das Américas, e segue para o Rio de Janeiro, onde toca no Vivo Rio em 25 de maio. Edições avulsas, assinatura física e digital. Conheça a nossa Roadie Crew Shop – acesse https://roadiecrew.com/roadie-shop
  • Tuesday PROGpaganda # 01 [YES – Close to the Edge]

    Tuesday PROGpaganda # 01 [YES – Close to the Edge]

    Não era apenas um bom momento, e nem somente uma época inspirada. Era isso e muito mais. No começo da década de 1970, o YES vivia uma espécie de maluquice criativa, um frenesi de ideias que parecia se manifestar em uma profunda alergia a tudo aquilo que fosse convencional, usual e corriqueiro na música. O resultado de toda essa maluquice criativa, porém, era sólido, era intenso, era coeso. Um turbilhão de ideias que soavam desconexas, disléxicas, mas que reunidas em um álbum ganhavam cor, sentimento, verdade e triunfo. Então, não é de se estranhar que, após um começo não muito brilhante, que quase resultou em uma dispensa precoce da sua antiga gravadora, o YES começasse a lançar clássico sobre clássico, sempre aprendendo e disseminando uma nova lição para os seus ouvintes.

    Na época do álbum Fragile (1971) a lição aprendida, especialmente pelo tecladista Tony Kaye foi: não tenha receio de usar muito o sintetizador. Como é sabido, Kaye relutou em dar mais espaço para esta ferramenta, o que abriu lugar para a entrada do lendário Rick Wakeman, que só não tomou o álbum todo para si porque estava ao lado de outros cachorros grandes da música. Assim, com a formação “estabilizada” em Chris Squire (baixo), Bill Bruford (bateria), Rick Wakeman (teclados), Steve Howe (guitarra) e John Anderson (vocal), o YES chegava ao seu quinto álbum completo de estúdio, e trazia consigo mais algumas valiosas lições que o tempo se negou a esquecer.

    Como dito anteriormente, o processo que levou a banda até a concepção de Close to the Edge foi uma maluquice completa, um estardalhaço de ideias que, para qualquer observador externo, parecia levar a lugar nenhum. Depois de encerrada a turnê de apoio ao seu álbum anterior, todos os membros da banda tomaram seu tempo para repousar, recolocar ordem na casa, e claro, começar a pensar nas composições do que viria a ser Close to the Edge. Assim, muitos fragmentos foram elaborados, mas nada foi realmente terminado até a banda voltar a se encontrar em estúdio, onde reuniriam o material, organizariam as partes, reescreveriam o que fosse necessário, completariam os fragmentos, e claro, escreveriam partes extras, dotadas da vibração típica que só a banda reunida poderia gerar. Como as ideias abundassem e os caminhos ficassem cada vez mais complexos, foi normal que a banda esquecesse completamente partes inteiras de uma canção composta no dia anterior, o que levou o grupo a decidir gravar todas as sessões de estúdio. Ah, sim, a glória dos colecionadores. Mas não é esse o nosso assunto hoje.

    Com as peças colocadas em seus devidos lugares, a banda rumou para o Advision Studios, onde trabalharia ao lado do produtor Eddy Offord na gravação do novo material. Offord era um velho conhecido. Tendo trabalhado com a banda desde os tempos de Time and a Word (1970), ele soube trabalhar ao lado de cada membro da banda individualmente, para assim garantir a melhor e mais satisfatória sonoridade possível. E esse talvez seja um dos grandes motivos deste álbum ser o clássico supremo que é: é possível ouvir com clareza cada minucia, cada detalhe de toda a efusão criativa de uma das mais poderosas formações da história do rock, em seu momento de maior criatividade!

    Porém, mais uma vez lembre-se de algo que dissemos anteriormente: nesta época, em cada disco o YES aprendia uma nova lição, e trabalhava para difundi-la entre os seus ouvintes. Desta vez, a grande lição que a banda nos trouxe (e para a sua discografia também), foi o gosto pelos grandes épicos, grandes composições dotadas de movimentos rítmicos e climáticos. Embora não fosse nenhuma novidade no mundo da música, especialmente do rock progressivo, o domínio deste recurso mudaria para sempre a sonoridade do YES, que daqui por diante daria passos ainda mais complexos e inacessíveis para ouvidos acostumados aos hits radiofônicos (algo com que eles viriam a se preocupar no futuro, inclusive). Close to the Edge é um grandioso álbum de quase quarenta minutos, onde aparecem apenas três canções. Três sensacionais canções.

    A primeira delas, Close to the Edge, é um épico sensacional, dividido em quatro movimentos, e que toma todo o lado A do vinil, com seus mais de dezoito (!) minutos de música. Do início – marcado por sons da natureza, o reconfortante som da correnteza de um rio límpido, onde nas margens os pássaros cantam e a vida parece se demorar em seguir adiante – a canção vai evoluindo aos poucos, ganhando sentimento com a guitarra de Howe, vibração com a bateria elegante de Bruford, sentimento com as ricas linhas de baixo de Squire, e poesia com a voz de Anderson. E não se engane pensando que Wakeman passou despercebido, pois é pelos seus dedos que todo esse ambiente passa, e se une, é no som dele que todos os elementos se unem e ganham o caráter definitivo.

    A mescla de partes viajantes, delicadas e pesadas que caracteriza a faixa título é inebriante, mas todos os que já ouviram este disco certamente já provaram da sensação de descoberta que acompanha o tocar da agulha no vinil ao início de And You And I, que abre o lado B. De um mergulho na natureza do mundo, passamos diretamente para um mergulho na alma, na natureza do ser. Seria preciso inventar novas palavras para poder descrever toda a beleza das linhas acústicas que iniciam esta canção, ao mesmo tempo que o teclado e a bateria dão toques discretos ao fundo… Uma experiência única, e também dividida em quatro movimentos, afinal, aqueles eram tempos em que se tinha coragem e capacidade para pensar grande. E então, tinha o encerramento, a pancada Siberian Khratu, com guitarras que pareciam evocar o hard rock da época e influências vindas do outro lado do Atlântico, enquanto o baixo provoca ‘Roundabout feelings’, se é que o bom leitor me entende. Embora nessa época as letras de Anderson buscassem mais criar um ambiente emotivo do que contar uma história ou passar uma mensagem, certamente você vai se identificar com muitas partes das letras, pois o ambiente musical propicia isso. Uma obra completa, atemporal.

    Mais do que os discos de platina recebidos, do que as altas posições nos charts que rendeu, este Close to the Edge é um marco na história da música por sua música, não por seus números. Um marco por representar um momento de tanta criatividade que colocou a banda ‘à beira do abismo’, à mercê de um ataque de nervos. Por fim, Bruford gravou o disco e pulou fora, para se unir ao KING CRIMSON. Acontece. Mas o mundo já tinha a maior obra que esta formação poderia conceber – e ela nunca mais seria esquecida.

  • PREMIATA FORNERIA MARCONI chega ao Brasil

    PREMIATA FORNERIA MARCONI chega ao Brasil

    Quando em 1971 o primeiro single do Premiata Forneria Marconi saiu, um novo som invadiu a Itália: épico e ao mesmo tempo ancestral, dando uma sacudida em quem ouvia, projetando um novo mundo musical onde a canção dava espaço para instrumentos, sons e imaginação. Uma estrela nascia, a música na península mudava, era a grande aventura do rock progressivo.

    Agora, em abril de 2018, os brasileiros verão a banda ao vivo na turnê que celebra o novo álbum ‘Emotional tattoos’. As apresentações da Premiata são cheias de energia e adrenalina, cobrindo toda sua história. Os shows serão em São Paulo (Espaço das Américas, 19 de abril), Rio de Janeiro (Vivo Rio, 21 de abril) e Belo Horizonte (Cine Brasil Vallourec, 22 de abril). A turnê faze parte da Top Cat Series, sequência de shows internacionais promovida pela Top Cat Produções Artísticas.

    “Emotional Tattoos” marca a volta do grupo ao seu som característico após dois trabalhos quase experimentais. O novo CD oferece um rock melódico com direito a surpreendentes mudanças de rumo, incluindo sintetizadores, arranjos orquestrais, passagens guiadas pela guitarra e baladas precisas.

    PFM ocupa o 74o lugar na lista da Billboard, na votação dos melhores grupos da história, são protagonistas de uma longa série de excursões, shows (por volta de 6 mil) e grandes eventos que levaram o grupo pelo mundo afora. Ano passado, outra eleição, da revista Classic Rock, colocou a PFM em 50o lugar em sua lista dos melhores artistas de todos os tempos. Já na Rolling Stone inglesa a banda chegou ao 19o lugar no ranking dedicado aos 50 álbuns mais importantes do rock progressivo.

    O som bem trabalhado, característico da Premiata, concebe e lida com as notas, música e arranjos de maneira artesanal. O álbum novo é sempre diferente do anterior, uma longa evolução, que acompanha a maneira como a múisca é tocada naquela época determinada. A busca constante, amparada pela multiplicidade de linguagens levou PFM a amadurecer de maneira única, capaz de levar a música italiana ao mundo inteiro, bem além da sua tradição melódica.

    A vinda do Premiata Forneria Marconi é parte do Top Cat Concert Series, projeto iniciado ano passado, que trouxe Renaissance e 10.000 Maniacs ao Brasil. Em 2018, o Top Cat Concert Series continua, com shows e eventos internacionais com música de qualidade, dando ênfase ao jazz, blues e rock clássico e progressivo de todo mundo, procurando agregar o publico em todas as suas apresentações.

    https://www.facebook.com/premiataforneriamarconiofficial/?fref=ts

    https://www.pfmworld.com

    Banda:

    Franz Di Cioccio (vocal-bateria) – Patrick Djivas (baixo) – Lucio Fabbri or Alessandro Bonetti (violino) – Marco Sfogli (guitarra) – Alessandro Scaglione (teclado, hammond, moog) – Alberto Bravin (teclado, guitarra, voz)  – Roberto Gualdi (segunda bateria)

    Rio de Janeiro

    Data: 21/04/2018 – Sábado Local: Vivo Rio Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ Horário do evento: 21h Abertura dos portões: 19h Classificação etária: 18 anos. Menores de 18 anos entram acompanhados dos pais/responsável.

    Valores:

    • Camarote A

    R$ 320,00

    • Camarote B

    R$ 280,00

    • Camarote C

    R$ 200,00

    • Balcão

    R$ 180,00

    • Frisa

    R$ 190,00

    • Setor 1

    R$ 320,00

    • Setor 2

    R$ 280,00

    • Setor 3

    R$ 240,00

    • Setor 4

    R$ 200,00

    • Setor 5

    R$ 190,00

    • Atenção: para setores com mesa, a compra de um ingresso garante um assento na mesa selecionada, mas não em uma cadeira específica. Os assentos são ocupados por ordem de chegada. BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DETAXA DE CONVENIÊNCIAVivo Rio Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ Terça a sexta-feira 11h às 18h Sábados e domingos das 15h às 18h Venda e retirada de ingressos dos eventos do Vivo Rio. PONTO DE VENDA – SUJEITO A COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA FNAC – Barra Shopping Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca Piso Lagoa – Loja B101-114 Segunda a sábado das 10h às 20h Domingos das 13h às 19h Feriados das 15h às 19h Apenas venda de ingressos. Não realiza retirada. MEIA-ENTRADA E INGRESSOS PROMOCIONAIS Confira as leis de meia-entrada, identificando quem tem direito ao benefício e os documentos comprobatórios. 25% de desconto sobre o valor da inteira para clientes Vivo Valoriza na compra de até 02 ingressos. Para comprovar seu cadastro no programa, basta enviar um SMS para o número 1058 com a palavra VALORIZA. Para clientes Vivo Fixo, Vivo Internet e Vivo TV, basta apresentar a última conta paga. Disponível apenas para compra na bilheteria do Vivo Rio.