Tag: Progressive Rock

  • ROGER WATERS – Belo Horizonte/MG – 22 de outubro de 2018

    ROGER WATERS – Belo Horizonte/MG – 22 de outubro de 2018

    Toda forma de arte tem alguma função, se coloca no direito e no dever de cumprir algum papel, de mexer com as emoções. Pode chocar, revolucionar, modificar uma era, mudar o estilo de uma sociedade ou comunidade ou, no mínimo, atingir o âmago de um indivíduo. E até salvar vidas. Foi assim que Da Vinci, Shakespeare, Mozart, Michael Jackson, Fellini, Saramago, Gabriel Garcia Marquez, Tarsila e tantos outros construíram seus impérios em suas respectivas áreas e épocas e influenciaram os pensamentos de sociedades ao redor do mundo. Num momento em que o visual e o áudio se completam, Roger Waters pisou no palco do Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 21 de outubro, um domingo à noite, a fim de não apenas fazer valer essa tradição como também fundir sua música, nascida nos anos 60 e que transpassou as décadas, com cinema e teatro para incitar as pessoas a refletirem sobre assuntos vigentes, sobretudo no cenário político global. Nem que para isso fosse preciso transformar o público num barril de pólvora – que, felizmente, não explodiu. E, independentemente se as pessoas concordam ou não com os pensamentos dele, mister Roger Waters fez história. E sejamos francos: ele não é um músico qualquer.

    Antes de tudo, um questionamento. O que você faria se chegasse – ou já tiver chegado – aos 75 anos, com dinheiro, fama e a possibilidade de visitar qualquer cidade? Deleitar-se em Berlim ou simplesmente sentar na varandinha de um hotel em Barcelona tomando um vinho poderiam ser algumas alternativas, bem como curtir os netos e bisnetos – quem sabe! Mas Roger Waters não. Mesmo com sete décadas e meia de vida, o eterno baixista e cérebro do Pink Floyd não se rendeu à aposentadoria e desde sempre se prontificou em levar sua mensagem a todos os cantos do planeta. A turnê Us + Them, que já havia passado por São Paulo, Brasília e Salvador, chegou à capital mineira novamente para causar alvoroço e arrancar lágrimas de cerca de 50 mil fãs.

    Pontualmente às 21h, começava o espetáculo – que viria a ter pouco mais de três horas de duração – bem ao estilo do ícone do rock psicodélico. Durante 20 minutos, o telão enfatizava uma mulher sentada (que poderia ser qualquer um) avistando o mar – e aí você começa a “viajar” e se preparar para o início apoteótico de Breathe, de The Dark Side of the Moon (1973), seguida por mais duas do emblemático álbum: Time fez o público explodir em êxtase, com belo trabalho do guitarrista Jonathan Wilson, enquanto The Great Gig in the Sky hipnotizava os súditos ali presentes graças ao fantástico dueto das cantoras Holly Laessig e Jess Wolfe.

    Foto: Moisés Silva

    Depois que Welcome do the Machine – a primeira de Wish You Were Here (1975) – foi executada, Waters emplacou uma trinca de seu mais recente disco solo, Is This the Life We Really Want? (2017). Déjà Vu, The Last Refugee e Picture That foram recebidas com menos aplausos, mas isso porque a maior parte do público queria ouvir mesmo eram os sucessos do Floyd. No entanto, diga-se de passagem, essa tríade foi executada com grande perfeição, abrindo caminho para um dos pontos altos da apresentação: a emocional Wish You Were Here, a deixa para muitos abraços e beijos de casais apaixonados.

    Até aquele momento, o espetáculo já primava por grande qualidade visual, incluindo um show de cores. Mas nada que se comparasse ao que viesse a seguir, com peças da antológica ópera rock The Wall (1979) – The Happiest Days of Our Lives e as partes II e III de Another Brick in the Wall – e todo seu conteúdo político, incluído nas letras, no teatro exibido por crianças e palavras e frases no telão, o que dividiu em dois o mar de humanos na pista e nas arquibancadas.

    De um lado, gritos de “ele não” – em referência à campanha contra o presidenciável Jair Bolsonaro, um dos alvos de Roger Waters na turnê. Do outro, vaias. Bem, como já ressaltado no início deste texto, o baixista – que também tocou guitarra e violão no concerto – cumpriu seu objetivo de provocar os mais diferentes tipos de emoção em seus aficionados, concordassem ou não com sua visão política. Aliás, o telão com nomes de “neofacistas” eleitos por Waters, como o norte-americano Donald Trump, a francesa Marine Le Pen e o húngaro Viktor Orbán, trazia novamente a inscrição “ponto de vista político censurado”. Quem conhece a história, sabe que se trata de mais uma crítica de Waters aos eleitores de Bolsonaro, o que resultou em xingamentos entre fãs e alguns princípios de conflitos – como disse, o barril quase explodiu.

    Foto: Thiago Prata

    Veio então uma pausa de cerca de 20 minutos para várias frases políticas no telão e críticas a líderes mundiais. Enquanto isso, uma nota curiosa e ao mesmo tempo negativa. Um vendedor ambulante foi flagrado comercializando água e cerveja com preços mais caros do que o proposto. Do lado de fora do isopor os valores expostos eram R$ 6 para a água – mas o comerciante estava cobrando R$ 8 – e R$ 12 a cerveja, três reais a menos que o exigido por ele. E olha que o valor “correto” já estava um absurdo, assim como o preço para adquirir um copo do show – era preciso comprar de uma só vez três copos de cerveja, cada um a R$ 12, ou seja, o copo “premiado” saía a R$ 36.

    Depois do intervalo, emergiu-se uma nova cidade cinematográfica, com as chaminés da capa de Animals (1977) e o icônico porco voador passando por cima do público. E mais dois clássicos, oriundos desse disco, para abrilhantar ainda mais a noite: Dogs – com aquele épico solo, um dos mais lindos da história do Floyd – e Pigs (Three Different Ones) – e imagens cômicas e escrachadas de Donald Trump. A seguir, Money e mais alfinetadas nos políticos mundiais.

    O show se aproximava do final, com mais um espetáculo de cores em Us and Them e Brain Damage, mais duas pérolas de Dark Side, e Smell the Roses, outra do último álbum solo do multi-instrumentista. Coube a Comfortably Numb a última anestesia musical, em uma exibição que já entrou para história do Mineirão em todos os sentidos. Vida longa a esse verdadeiro mito chamado Roger Waters!

  • STEVEN WILSON – SÃO PAULO/SP – 27/05/2018

    STEVEN WILSON – SÃO PAULO/SP – 27/05/2018

    Sim, o mês de maio foi um dos mais empolgantes em muitos anos para os fãs de música pesada da Capital Paulista e arredores. Para começar, a quantidade de shows foi espantosa, com várias noites exigindo que o fã escolhesse qual dos grandes eventos queria assistir. Além disso, houve também o fator ‘variedade’, já que realmente rolou de tudo um pouco. Na verdade, desta vez a variedade foi tão grande e em um tão curto espaço de tempo que talvez tenhamos desenvolvido os primeiros casos conhecidos de ‘transtorno bipolar musical’. E não é exagero, veja: em um espaço de mais ou menos uma semana, tivemos a interpretação literal da tempestade antes da calmaria, primeiro com o Brujeria e o Carl Palmer alternando noites, e depois com Triptykon e Steven Wilson fazendo o mesmo. E isso só para limitar aos nomes mais óbvios.

    Embora a expectativa fosse das melhores (quem aí esteve no show surpreendente e incrível que Steven Wilson fez em São Paulo em março de 2016 sabe do que estou falando), havia também certa preocupação, já que o cenário no nosso país estava ainda um pouco mais caótico do que o costumeiro: com a greve dos caminhoneiros, a crise do abastecimento e boa parte da frota paulistana parada nas garagens, chegar ao Carioca Club se tornou um enorme ponto de interrogação na cabeça de muitos dos fãs, já que vivemos numa megalópole que não é servida por estações de metrô em todos os bairros, e que ainda convivia com a agravante diminuição da frota de ônibus. Sim, eram muitas dúvidas, e uma única certeza: aquele fenomenal artista inglês faria um show sensacional, e, pelo menos por umas poucas horas, nos subtrairia de todos os problemas que nos cercam. Uma pena que tenha que ser assim, mas que bom que existe a música para – no momento certo – fazer isso por nós.

    A certeza se concretizou logo na chegada ao Carioca Club. A despeito de todos os problemas, um excelente público compareceu, e era visível que todos tinham deixado seus problemas longe dali. E a coisa se tornou ainda mais perfeita quando o show de fato começou, com a belíssima Nowhere Now, talvez a mais bela composição dentre todas as que formam o assombroso novo álbum de Steven Wilson, o indefectível To The Bone (2017). Quem nunca teve a chance de ouvir essa música, por favor, ouça-a agora, nós esperamos aqui. Você precisa ouvir aquele refrão, precisa sentir a harmonia de cada instrumento para tentar imaginar como foi para nós a sensação de estar lá, e sentir a música curando cada ferida da nossa alma, levando embora todos os problemas enquanto Wilson cantava os versos ‘here above the clouds, I am free of all the crowds’. E esta ainda a primeira música da noite. Pariah, outra de To The Bone veio na sequência, e então vieram a tradicional sequência Home Invasion/Regret #9, do insuperável Hand.Cannot.Erase, de 2015, que garantiram os primeiros tons mais puramente progressivos da noite.

    Claro que os fãs do Porcupine Tree, banda onde Steven Wilson começou a construir seu legado, não sairiam do Carioca Club decepcionados, afinal, existe muito material fantástico ali. Como que para provar a veracidade desta constatação, The Creator Has a Mastertape (In Absentia, 2002) começou a rolar, tirando boa parte do público do chão com sua pegada mais veloz e ‘esquisita’. Ao longo da noite, várias outras composições do Porcupine Tree seriam apresentadas: Arriving Somewhere but not Here foi uma das mais bem recebidas, Lazarus, Heartattack in Layby e Sleep Together também apareceram. Mas, é muito provável que a pegada pop e dançante da nova Permanating tenha causado o maior alvoroço a noite. Harmony Korine foi encaixada no set por conta de um pedido de um casal que estava trocando alianças naquele mesmo dia. Enquanto a belíssima Song of Unborn chegou para fechar uma noite quase perfeita, com Steven Wilson sentado ao violão, enquanto seus parceiros de banda emocionaram com uma performance arrasadora.

    Ao sair da casa de shows e voltar a pensar nos problemas do mundo real, não houve como não encarar o mundo com um sorriso nos lábios. Ao menos por duas horas, o mundo havia sido um lugar perfeito.

  • CARL PALMER’S ELP LEGACY – Rio de Janeiro – 25 de maio de 2018

    CARL PALMER’S ELP LEGACY – Rio de Janeiro – 25 de maio de 2018

    Vinte e quatro de março de 1993. O Canecão estava tomado por fãs de rock progressivo que esperavam pela primeira apresentação do Emerson, Lake & Palmer no Brasil. Marcado para começar às 21h30, o show já sofria um atraso considerável quando alguém, poucos metros atrás de mim, começou a vociferar para todos ouvirem que era “absurda a falta de respeito desses gringos!” e mais algumas frases de efeito contra Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer. No entanto, bastaram poucos minutos de “Tarkus” para a mesma pessoa pedir licença a quem estava à frente porque queria ficar mais próximo do palco. “Isso é muito lindo! Que música maravilhosa! Que banda maravilhosa!”, ele passou falando alto para quem quisesse ouvir. Esse alguém era Renato Russo.

    Vinte e cinco de maio de 2018. Não havia nenhum Renato Russo na plateia do Vivo Rio, e no palco estava apenas Palmer para comemorar o legado da obra feita por ele ao lado de Emerson e Lake (ambos falecidos em 2016). Houve atraso para o início da noite com o Carl Palmer’s ELP Legacy, mas de apenas 15 minutos, e num primeiro momento o clima na pista nem de longe lembrava aquele de 25 anos atrás. Com a configuração de mesas e cadeiras e o vai e vem de garçons – com um menu que ia de cerveja mais artesanal do que popular a garrafas de vinho; de batata frita a porções de salgadinhos e mini-hambúrgueres gourmet –, mas parecia que o público estava num restaurante sem se preocupar com quem receberia o couvert artístico.

    Felizmente, as diferenças foram apenas essas, porque o show foi lindo, com músicas maravilhosas apresentadas por uma banda maravilhosa. E Palmer acertou em cheio ao optar por não ter um tecladista. Os jovens Paul Bielatowicz (guitarra) e Simon Pitzpatrick (baixo e chapman stick) se dividiram na missão de emular em seus instrumentos o trabalho de Emerson, com eventual e rara ajuda de samples, e foram muito além: conseguiram brilhar em pé de igualdade com o veterano batera. A tônica ficou clara nas duas primeiras canções da noite. “Abaddon’s Bolero” trouxe Pitzpatrick preenchendo bem os espaços, e “Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2” flertou com o heavy metal graças ao riff de Bielatowicz.

    “Welcome back, my friends, to the show that never ends”, brincou Palmer ao se dirigir à plateia pela primeira vez.  Mas não foi apenas uma referência ao clássico segundo álbum ao vivo do ELP. O show tem que continuar, e o batera realmente encontrou a fórmula ideal para manter viva a música do trio sem soar oportunista. O cartão de visitas já havia sido entregue, mas uma versão absurda de “Tank” enterrou qualquer dúvida que ainda pudesse existir: enquanto Bielatowicz (como toca esse garoto!) e Pitzpatrick simplesmente debulharam, Palmer mostrou com suas viradas à la Buddy Rich que, aos 68 anos, ainda toca como se estivesse brincando.

    Baterista e mestre de cerimônias. Para falar com o público, Palmer ia à frente do palco e contava histórias. Lembrou-se de quando ele e os dois antigos companheiros receberam a visita de um sujeito de paletó, terno e gravata – “pensei que fosse alguém cobrando impostos”, disse, arrancando alguns dos vários risos da noite – e ficou sabendo que alguém estava acusando o trio de plágio, por isso teria de compensar financeiramente o autor da reclamação. “Olhei para trás e vi que o Keith havia se mandado. Pensei: ‘OK, ele sabe de alguma coisa’.” Era a vez de “Knife-Edge”, clássico do álbum de estreia baseado em peças do tcheco Leoš Janáček (1854 – 1928) e do alemão Johann Sebastian Bach (1685 – 1750), que não estavam por trás na notificação extrajudicial, obviamente.

    Quer mais clássico? “Esta é daquela disco que tem a cara dos três, e eu sou o mais bonito, à esquerda.” Modéstia de Palmer à parte, ele se referiu a “Trilogy”, faixa-título do terceiro, álbum lançado em 1971, e o show foi todo de Bielatowicz. Eu já disse que o garoto toca demais? Acredite, o que você está imaginando é pouco, porque o que ele fez aqui foi de cair o queixo. E valeu até a brincadeira tocando, digamos, ‘air keyboard’ para fazer uma referência ao que estava fazendo: levando os geniais teclados de Emerson com maestria para a guitarra. “Shit Happens”, disse Palmer, mostrando a haste quebrada de um dos pedais de bumbo. “É a quinta vez que isso acontece em toda a minha carreira, mas é pouco se levar em consideração que já são 55 anos.” Pediu cinco minutos para consertar. Levou menos tempo até a surpresa do repertório.

    “Antes de a banda acabar pela primeira vez, fizemos um disco em 1978 que…” Palmer nem precisou completar, porque ele mesmo fez uma cara de mea-culpa. “Como pode uma banda de rock progressivo lançar um álbum chamado ‘Love Beach’? Parecíamos o Bee Gees na capa, mas estávamos bonitões.” Sim, “Love Beach” é controverso, mas “Canario” soou agradável ao vivo e no formato power trio tradicional, ou seja, com guitarra, baixo e bateria. Melhor, porém, foi “21st Century Schizoid Man”. Muito bem recebida, a canção do King Crimson, grupo que Greg Lake integrou em seus primeiros anos, de 1968 a 1970, foi precedida pela história de como o saudoso baixista a sugeriu a Palmer e Emerson depois que o ELP se reuniu no início dos anos 90.

    Em um show de progressivo a autoindulgência é convidada de honra, então os solos individuais se fizeram presentes. Bielatowicz desfilou técnica de ‘tapping’ e ‘two hands’, e ninguém segurou o riso – nem mesmo o músico – quando um gaiato aproveitou um momento de silêncio para gritar “Foda!” com vontade. A imagem do disco solo do guitarrista, “Preludes & Etudes” (2014), deu lugar nos telões laterais para imagens de antigos filmes de faroeste durante “Hoedown”, que soou muito bem no novo-velho formato escolhido por Palmer. Depois, o óbvio virou surpresa. “Esta música, escrita por Greg, é muito especial para mim. É nosso grande hit nos Estados Unidos, e acredito que tenha tocado nas rádios daqui, também.” Sim, “Lucky Man”, mas com Ritchie nos vocais. Sim, o Ritchie de “Menina Veneno”, mas também o Ritchie do Vímana, banda brasileira de rock progressivo que, em sua curta trajetória na década de 70, contou com nomes como Lulu Santos, Lobão e o ex-Yes Patrick Moraz.

    Depois do solo de Pitzpatrick, mais surpresas. “From the Beginning” contou com a voz de Sérgio Vid (Vid & Sangue Azul), e “C’est la vie”, com a de Toni Platão (ex- Hojerizah), coerente ao poupar a música de seus habituais exageros ao cantar. Surpresas improvisadas, diga-se. Cada uma contou com um convidado no violão que sequer foi anunciado – se ajudar, o primeiro parecia o Almir Sater, e o segundo, o Rob Caggiano (Volbeat, ex-Anthrax). Só na aparência, claro. E de longe. Bom, de volta à programação normal: “Sei que essa música teve muita importância para bandas de rock progressivo à época, e felizmente eu estava na que a criou.” Amigo, “Tarkus” foi um desbunde, com várias passagens instrumentais de tirar o fôlego, coisa para renovar a esperança na boa música (dois garotos tocando com um veterano, lembra?) Não à toa foi, pela primeira vez na noite, aplaudida de pé por todos.

    Uma versão matadora de “Carmina Burana”, de Carl Off, lembrou a todos quem era o astro principal da noite, porque Palmer fez o possível parecer impossível na bateria. “É um privilégio estar de volta ao Rio de Janeiro”, disse ele, 25 anos depois. “A próxima canção é a instrumental número 1 do ELP no Reino Unido, e se vocês aplaudirem bastante depois, talvez nós toquemos mais uma.” Pediu e foi atendido. “Fanfare for the Common Man” ganhou um bem-vindo peso extra e trouxe a reboque o aguardado solo de bateria. Veja bem: Carl Palmer é um dos cinco bateristas em atividade que têm habeas corpus para fazer solo de bateria. E foi justamente aplaudido de pé por ser criativo e mais musical (e malabarista, claro) do que um simples espancador de peles e pratos.

    O bis? O trio nem precisou sair do palco – na verdade, as definições de TOC foram atualizadas com sucesso: o bateria havia avisado que os shows no Brasl durariam uma hora e 55 minutos, e foi exatamente o que aconteceu. Nem um minuto a menos, nem um minutos a mais. E teve pedal quebrado, participações especiais… Enfim, “Nutrocker”, que virou um rock’n’roll de primeira acompanhado no telão por imagens de Palmer, do ELP e de manchetes de jornais e revistas, encerrou um espetáculo rico em bom gosto e execução musicais. De dar orgulho a quem gosta e se preocupa com isso. Claro, tem quem ironize, mas não se preocupe. Quem faz isso provavelmente está procurando um amor que ouça Los Hermanos, A Banda Mais Bonita da Cidade, O Teatro Mágico, Clarice Falcão, Mallu Magalhães e outras cruzes muito pesadas para carregar.

    Set list

    1. Abaddon’s Bolero (de Trilogy, 1971)
    2. Karn Evil 9: 1st Impression, Part 2 (de Brain Salad Surgery, 1973)
    3. Tank (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    4. Knife-Edge (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    5. Trilogy (de Trilogy, 1971)
    6. Canario (de Love Beach, 1978)
    7. 21st Century Schizoid Man
    8. Guitar Solo
    9. Hoedown (de Trilogy, 1971)
    10. Lucky Man (de Emerson, Lake & Palmer, 1970)
    11. Bass Solo
    12. From the Beginning (de Trilogy, 1971)
    13. C’est la vie (de Works Volume 1, 1977)
    14. Tarkus (de Tarkus, 1971)
    15. Carmina Burana
    16. Fanfare for the Common Man/Drum Solo (de Works Volume 1, 1977)
    17. Nutrocker (de Pictures at an Exhibition, 1971)
  • IMAGERY: assista o vídeo de The Ordeal do power-trio progressivo

    IMAGERY: assista o vídeo de The Ordeal do power-trio progressivo

    Joceir Bertoni (vocal/guitarra), Ricardo Fanucchi (baixo) e Bruno Pamplona (bateria/vocal) são coletivamente conhecidos como Imagery. Quando surgiu, o grupo surpreendeu as mais otimistas previsões. Afinal, quem esperaria que um power trio do interior do país que toca rock progressivo misturado com heavy metal e jazz iria colher tantos frutos em tão pouco tempo de carreira e apenas um disco lançado?

    Tudo começou com o show de lançamento de “The Inner Journey”, seu disco de estreia, que se deu durante a abertura para o Focus, lenda do rock progressivo mundial, em 2012. Depois, a repercussão do álbum na imprensa nacional não poderia ter sido melhor. Em várias resenhas o disco recebeu nota máxima, entre eles o Rock On Stage que chegou a dizer que o Imagery “não deve nada para bandas como Dream Theater”.  “The Inner Journey” chegou ainda a ser indicado para o Prêmio Dynamite como um dos “Melhores Álbuns de Heavy Metal” de 2012.

    No ano seguinte, o Imagery assinou um contrato de distribuição com a gravadora americana Cleopatra Records  (Motörhead, Yes, Asia) que disponibilizou o álbum “The Inner Journey” para a América do Norte, Europa e Ásia. Não demorou para que resenhas super positivas começassem a ser publicadas na imprensa internacional. O site estadunidense Critical Jazz declarou que o Imagery “é uma das poucas bandas trabalhando no campo do rock progressivo com a capacidade de manter a música fresca e revigorante”.

    Em 2014 os caminhos de Imagery e Focus se cruzaram novamente. O Imagery fez a abertura de mais dois shows dos gigantes holandeses, em Curitiba e Florianópolis. A turnê de divulgação de “The Inner Journey” ainda passou por várias partes do país.

    Desde então o grupo tem se concentrado no processo de composição e gravação de seu segundo álbum, ainda sem título definido. Depois de três singles lançados, “Blinded Nation”, “People Say” e “End Of The Line”, o power-trio apresenta “The Ordeal”.

    “Assim como ‘Start The War’ do nosso disco de estreia, ‘The Ordeal’ é uma nova versão para uma canção antiga – ‘Depois’ do álbum ‘I’ da banda Revoult, embrião do Imagery”, explica o baterista Bruno Pamplona, autor da letra e música. “The Ordeal aborda de forma abrangente, e em retrospecto, a tribulação humana. É quase um “olhar para trás” em situações extenuantes e tempos difíceis na trajetória de vida de qualquer pessoa.”

    Música e vídeo foram gravadas no Plugue Estudio em Londrina/PR com produção de Júlio Anizelli e do próprio Pamplona. A produção do vídeo ficou a cargo da Usina de Ideias.

    Todos os singles lançados pelo Imagery até aqui, “Blinded Nation”, “People Say”, “End Of The Line” e agora “The Ordeal” farão parte do próximo álbum cheio da banda a ser lançado no primeiro semestre de 2019. Mais informações sobre o disco serão divulgadas em breve. Mais Informações: www.imageryprog.com.br www.facebook.com/imageryprog
  • PREMIATA FORNERIA MARCONI chega ao Brasil

    PREMIATA FORNERIA MARCONI chega ao Brasil

    Quando em 1971 o primeiro single do Premiata Forneria Marconi saiu, um novo som invadiu a Itália: épico e ao mesmo tempo ancestral, dando uma sacudida em quem ouvia, projetando um novo mundo musical onde a canção dava espaço para instrumentos, sons e imaginação. Uma estrela nascia, a música na península mudava, era a grande aventura do rock progressivo.

    Agora, em abril de 2018, os brasileiros verão a banda ao vivo na turnê que celebra o novo álbum ‘Emotional tattoos’. As apresentações da Premiata são cheias de energia e adrenalina, cobrindo toda sua história. Os shows serão em São Paulo (Espaço das Américas, 19 de abril), Rio de Janeiro (Vivo Rio, 21 de abril) e Belo Horizonte (Cine Brasil Vallourec, 22 de abril). A turnê faze parte da Top Cat Series, sequência de shows internacionais promovida pela Top Cat Produções Artísticas.

    “Emotional Tattoos” marca a volta do grupo ao seu som característico após dois trabalhos quase experimentais. O novo CD oferece um rock melódico com direito a surpreendentes mudanças de rumo, incluindo sintetizadores, arranjos orquestrais, passagens guiadas pela guitarra e baladas precisas.

    PFM ocupa o 74o lugar na lista da Billboard, na votação dos melhores grupos da história, são protagonistas de uma longa série de excursões, shows (por volta de 6 mil) e grandes eventos que levaram o grupo pelo mundo afora. Ano passado, outra eleição, da revista Classic Rock, colocou a PFM em 50o lugar em sua lista dos melhores artistas de todos os tempos. Já na Rolling Stone inglesa a banda chegou ao 19o lugar no ranking dedicado aos 50 álbuns mais importantes do rock progressivo.

    O som bem trabalhado, característico da Premiata, concebe e lida com as notas, música e arranjos de maneira artesanal. O álbum novo é sempre diferente do anterior, uma longa evolução, que acompanha a maneira como a múisca é tocada naquela época determinada. A busca constante, amparada pela multiplicidade de linguagens levou PFM a amadurecer de maneira única, capaz de levar a música italiana ao mundo inteiro, bem além da sua tradição melódica.

    A vinda do Premiata Forneria Marconi é parte do Top Cat Concert Series, projeto iniciado ano passado, que trouxe Renaissance e 10.000 Maniacs ao Brasil. Em 2018, o Top Cat Concert Series continua, com shows e eventos internacionais com música de qualidade, dando ênfase ao jazz, blues e rock clássico e progressivo de todo mundo, procurando agregar o publico em todas as suas apresentações.

    https://www.facebook.com/premiataforneriamarconiofficial/?fref=ts

    https://www.pfmworld.com

    Banda:

    Franz Di Cioccio (vocal-bateria) – Patrick Djivas (baixo) – Lucio Fabbri or Alessandro Bonetti (violino) – Marco Sfogli (guitarra) – Alessandro Scaglione (teclado, hammond, moog) – Alberto Bravin (teclado, guitarra, voz)  – Roberto Gualdi (segunda bateria)

    Rio de Janeiro

    Data: 21/04/2018 – Sábado Local: Vivo Rio Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ Horário do evento: 21h Abertura dos portões: 19h Classificação etária: 18 anos. Menores de 18 anos entram acompanhados dos pais/responsável.

    Valores:

    • Camarote A

    R$ 320,00

    • Camarote B

    R$ 280,00

    • Camarote C

    R$ 200,00

    • Balcão

    R$ 180,00

    • Frisa

    R$ 190,00

    • Setor 1

    R$ 320,00

    • Setor 2

    R$ 280,00

    • Setor 3

    R$ 240,00

    • Setor 4

    R$ 200,00

    • Setor 5

    R$ 190,00

    • Atenção: para setores com mesa, a compra de um ingresso garante um assento na mesa selecionada, mas não em uma cadeira específica. Os assentos são ocupados por ordem de chegada. BILHETERIA OFICIAL – SEM COBRANÇA DETAXA DE CONVENIÊNCIAVivo Rio Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro, RJ Terça a sexta-feira 11h às 18h Sábados e domingos das 15h às 18h Venda e retirada de ingressos dos eventos do Vivo Rio. PONTO DE VENDA – SUJEITO A COBRANÇA DE TAXA DE CONVENIÊNCIA FNAC – Barra Shopping Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca Piso Lagoa – Loja B101-114 Segunda a sábado das 10h às 20h Domingos das 13h às 19h Feriados das 15h às 19h Apenas venda de ingressos. Não realiza retirada. MEIA-ENTRADA E INGRESSOS PROMOCIONAIS Confira as leis de meia-entrada, identificando quem tem direito ao benefício e os documentos comprobatórios. 25% de desconto sobre o valor da inteira para clientes Vivo Valoriza na compra de até 02 ingressos. Para comprovar seu cadastro no programa, basta enviar um SMS para o número 1058 com a palavra VALORIZA. Para clientes Vivo Fixo, Vivo Internet e Vivo TV, basta apresentar a última conta paga. Disponível apenas para compra na bilheteria do Vivo Rio.

  • RADIO MOSCOW – La Esquina – Rio de Janeiro/RJ, 01/04/18

    RADIO MOSCOW – La Esquina – Rio de Janeiro/RJ, 01/04/18

    A quarta turnê no Brasil e o sexto show no Rio de Janeiro, sendo o quarto na capital. Este é o currículo carioca do Radio Moscow depois de sua recente passagem, então era de se esperar que o La Esquina tivesse casa cheia naquele 1º de abril. A verdade, no entanto, é que o feriado que culminou com o Domingo de Páscoa não ajudou, e a presença do público não foi das melhores. Azar de quem não foi prestigiar o trio americano e de quebra assistir a dois novos nomes do cenário brasileiro. E sorte deste que vos escreve o evento ter atrasado pouco mais de uma hora para começar. Por motivos de irritação futebolística aos 47 minutos do segundo tempo, cheguei à Lapa depois das 18h15, quando o Auramental deveria ter subido ao palco. Resumindo, teria perdido o baita show do quarteto carioca formado por Bauer França (baixo), Paulo Emmery e Enzo Mastrangelo (guitarras) e Vicente Barroso (bateria). “Nós somos o Auramental, e é isso aí. Vamos viajar”, anunciou Emmery antes de a banda – que até dias antes se chamava apenas Aura – começar um set arrebatador. Sem disco lançado, a única música com nome foi a que encerrou a apresentação, “Aura”, o single recém-laçado e que já está nas plataformas de streaming. Uma viagem, realmente, com um encerramento à la Black Sabbath vitaminado por algum alucinógeno. Mas o rock progressivo do grupo vai muito além disso, pois adiciona quando necessários groove, rock’n’roll e até mesmo fusion na linha do Dixie Dregs. Difícil fazer uma separação, afinal, além de músicas ainda sem título, o Auramental aproveitou a noite para fazer jams que vão saber o que vão virar. Mas o resultado é coisa de gente grande. E enquanto Emmery e Mastrangelo vão além de riffs ocasionais, com um trabalho de guitarra que une camadas e texturas diferentes tocadas por cada um, França puxa o som com linhas sensacionais de baixo. É para ficar de olho e aguardar com expectativa lá em cima o primeiro disco da banda. Com o álbum de estreia, “Paisagens e Delírios”, nas mãos, o Quarto Ácido teve a difícil missão de tocar logo depois de quem impressionou. E se o trio gaúcho – Pedro Paulo Rodrigues (guitarra), Vinícius Brum (baixo) e Alex Przyczynski (bateria) – acabou mesmo não conseguindo acompanhar seu antecessor no La Esquina, por outro lado cumpriu a missão de mostrar seu trabalho instrumental sem dispersar a atenção dos interessados em conhecê-lo. Oriundo da nova sofra brasileira de stoner, o Quarto Ácido nem mesmo soa como a maioria dos grupos do estilo. E apesar de o seu som não apresentar grandes novidades, e talvez um vocalista evitasse o sentimento de déjà vu próprio em alguns momentos, é bem-vinda a fusão com elementos mais alternativos, heavy rock e certa pegada de Rush bem dos primórdios – aquele ainda com John Rutsey, ou seja, sem a pegada mais virtuosa. Direto e objetivo, o trio mostrou qualidades em “33”, que abriu o show, “Delírio” e, com destaque para Rodrigues, “Pinot Noir” e “Marcha das Raposas”. Hora da atração principal, e Parker Griggs (guitarra e vocal), Anthony Meier (baixo) e Paul Marrone (bateria) deram ponto final ao feriado com um show relativamente curto, porém matador. A pegada do Radio Moscow ao vivo é simplesmente absurda, e o rolo compressor começou a passar logo de cara com “New Beginning”, a (quase) faixa-título do novo álbum – curiosamente, o set acabou privilegiando três dos cinco discos do trio: além do mais recente, lançado em 2017, “Brain Cycles” (2009) e “Magical Dirt” (2014) foram os contemplados. “Death of a Queen” veio a seguir para mostrar o que acontece quando baixa o santo de Jimi Hendrix em Griggs, que fez justiça ao maior de todos os guitarristas no riff e em solos cheios de feeling. Aliás, foi isso mesmo que o líder do Radio Moscow continuou fazendo em “These Days” e “Broke Down”, tocadas na sequência, em performances de tirar o fôlego. O mesmo vale para a insana parte instrumental com solos cheios de pressão no meio de “Rancho Tehama Airport”, que realmente remete a “Chinatown”, do Thin Lizzy. E isso é positivo, convenhamos. Mas não era apenas Griggs que roubava a cena, e talvez seja por isso que Meier se concentre em segurar a onda com seu Rickenbacker, porque Marrone toca como se estivesse possuído. Na dobradinha “250 Miles” e “Brain Cycles”, que viraram uma só peça, o batera mereceu todos os holofotes. E ao lado de Griggs, comandou a levada das excelentes “Deceiver” e “Before it Burns”, cujo bônus são os riffs carregados de wah-wah. E foi com slide em mãos que o guitarrista mandou o hard blues “City Lights”, aperitivo para a cacetada “Pacing”. E foi depois disso que a coisa quase degringolou. O amplificador de baixo deu pau duas vezes, interrompendo a execução de “The Escape”, o que fez o trio decidir pular “No Time” – curiosamente, a única canção do set oriunda de “The Great Escape of Leslie Magnafuzz” (2011) – e ir direto para a última da noite, a espetacular “Dreams”, na qual Griggs teve motivo para extravasar em mais uma dose de solos arrepiantes, escorado por uma cozinha irrequieta. A despeito dos problemas técnicos no fim – porque o som no modestíssimo La Esquina estava bom, diga-se –, o Radio Moscow deu uma bela aula de rock’n’roll com as melhores referências dos anos 60 e 70. Setlist Radio Moscow

    1. New Beginning 2. Death of a Queen 3. These Days 4. Broke Down 5. Rancho Tehama Airport 6. 250 Miles / Brain Cycles 7. Deceiver 8. Before it Burns 9. City Lights 10. Pacing 11. The Escape 12. No Time (não tocaram) 13. Dreams

    Setlist Quarto Ácido

    1. 33 2. Manhã Sépia 3. Delírio 4. Serena Inquietude 5. Pinot Noir 6. Euphrates 7. Psychodelic Pilger 8. Marcha das Raposas 9. Feeling Dead
  • RADIO MOSCOW – Power Trio fincado nos anos 60 e 70

    RADIO MOSCOW – Power Trio fincado nos anos 60 e 70

    A quarta passagem do Radio Moscow pelo Brasil é um convite a todos que curtem o bom e velho rock’n’roll. Serão cinco shows – dias 27 (Palmas), 28 (Florianópolis), 29 (São Paulo) e 31 de março (Aldeia Velha) e dia 1º de abril (Rio de Janeiro) – para Parker Griggs (guitarra e vocal), Anthony Meier (baixo) e Paul Marrone (bateria) mostrarem a força do quinto disco, o ótimo “New Beginnings” (2017), e confirmar que a bandeira do estilo está mesmo em boas mãos. Formado em 2003, o power trio americano é um dos principais representantes de uma geração que nada contra a maré ao abraçar as raízes fincadas nos anos 60 e 70, mas sem soar datada. O grupo traz para os dias de hoje um passado revigorado, e não faltam improvisos, longos solos de guitarra, feeling e talento em cima do palco. Prepare-se para alta doses ao vivo de música boa e visceral, e aumente o volume – porque vale a pena conferir também “Radio Moscow” (2007), “Brain Cycles” (2009), “The Great Escape of Leslie Magnafuzz” (2011) e “Magical Dirt” (2014) – enquanto devora as palavras do líder Griggs, que respondeu já em solo brasileiro às perguntas que enviamos para ele.

    Creio que vocês já estejam bem familiarizados com o público do Brasil, então talvez não haja mais aquele sentimento de novidade. Mas há algo especial nesta nova turnê pelo país? Parker Griggs: É sempre uma nova experiência para nós, porque é mais uma oportunidade de conhecer pessoas novas e interessantes, fazer novos amigos e ouvir novas e incríveis bandas brasileiras. Estamos muito empolgados com o festival na floresta que muitos de nossos amigos brasileiros têm falando tanto (N.R.: o Aldeia Rock Festival, em Aldeia Velha, no estado do Rio de Janeiro). Aliás, é uma felicidade saber que alguns dos grupos com os quais dividimos o palco em turnês passadas também estarão no festival, como Quarto Astral e The Mountain Session, por exemplo.

    Perguntei porque a novidade está na apresentação em Palmas, no Tocantins. Não é um lugar muito comum para shows de rock, diga-se. Você está ciente disso? Parker: Ouvi dizer que faremos o primeiro show internacional de rock na cidade de Palmas, e isso é absolutamente incrível! Falaram para mim que os promotores locais realmente se esforçaram para que isso acontecesse, então espero que mais bandas comecem a tocar por lá depois de nós. É sempre bom saber que há uma nova cena em ascensão e que, a despeito das dificuldades, um público mais jovem está se conectado à música que fazemos e ao rock’n’roll em geral.

    Dito isso, quais são suas lembranças das experiências anteriores (N.R.: o Radio Moscow fez turnês no Brasil em 2014, duas vezes, e 2016). Parker: As lembranças são sempre as mais doces, porque aqui as pessoas são muito amáveis e nos tratam bem demais. É difícil expressar todos os sentimentos em poucas palavras, mas eu diria que estamos sinceramente agradecidos por todo o amor e energia positiva que recebemos daqueles que encontramos nos shows, incluindo as bandas com as quais tocamos e fazemos jams.

    “New Beginnings” é o primeiro disco do Radio Moscow pela Century Media, então o que mais mudou para a banda desde que assinou com o selo? Parker: Nós já excursionamos na América do Norte e na Europa para promover o novo álbum, mas depois desta viagem pela América do Sul (N.R.: o trio passa também por Argentina, Uruguai e Chile) voltaremos à Europa para mais festivais e outros shows como atração principal, então ainda estamos tentando entender essa mudança como um todo. No entanto, o simples fato de termos assinado com uma gravadora maior tem sido encarado por muitos como uma mudança no jogo, e isso tem mesmo ajudado na divulgação da banda e do “New Beginnings”. E também foi bom porque a Abraxas, nosso agente aqui, funciona como gravadora e pôde fazer um acordo de licenciamento com a Century Media para lançar e distribuir nossos discos na América do Sul. Curiosamente, no passado isso não era possível por causa da política de nossa antiga gravadora (N.R.: Alive Records). De fato, acreditamos que as coisas estão mudando para melhor.

    Imagino que o nome do novo álbum está relacionado a essa nova fase… Parker: Sim, definitivamente! É o segundo trabalho com a atual formação, e Paul, Anthony e eu sentimos que estamos crescendo e ficando cada vez mais conectados musicalmente à medida que o tempo vai passando (N.R.: Marrone, que havia passado pela banda em 2010, entrou definitivamente em 2012, e Meier, em 2013). Eles estão contribuindo mais no processo de composição, e o fato de escutarmos os mesmos discos em nossas casas torna mais fácil para todos nós fazer jams, criar, gravar e tocar.

    É natural que as pessoas relacionem o Radio Moscow a você, mas devo dizer que as baquetas finalmente encontrarem seu dono em Paul Marrone. A química está mesmo muito boa atualmente, não? Parker: E está ficando melhor a cada dia! Paul é um amigo de longa data, e sou fã dele como músico. Ele toca baixo no Alpine Fuzz Society, banda que tenho com Mario Rubalcaba, baterista do Off! e do Earthless, então estamos constantemente fazendo jams e conversando sobre música. Quando vi pela primeira vez o Anthony tocando, tive certeza de que se encaixaria perfeitamente no Radio Moscow. E ele mostrou ser muito profissional logo nas primeiras jams e nos primeiros shows, mostrou estar interessado em tocar quantas músicas do Radio Moscow fossem possíveis ao mesmo tempo em que adicionou um toque pessoal nas linhas de baixo e nos riffs. Paul e Anthony já fizeram parte ou ainda tocam em alguns grupos de progressivo psicodélico na região de San Diego, como Astra, Sacri Monti e Birth, então eles são definitivamente pessoas com as quais você deve formar uma banda. Sou um felizardo por ter essas caras ao meu lado nos últimos cinco anos ou mais.

    Minha primeira impressão ao ouvir “New Beginnings” foi que você optou por uma abordagem mais forte nos vocais, que estão mais rasgados, como se você tivesse tomado uma garrafa de uísque antes das gravações. Foi intencional? Parker: (rindo) Talvez, porque você pode incluir muitos cigarros aí (risos). Mas estou tentando largar gradualmente os dois (risos). Nós também tentamos criar uma atmosfera mais sombria e obscura no novo álbum, certamente uma abordagem mais pesada em nossa música, e provavelmente isso é um reflexo desses tempos sombrios que estamos vivendo.

    As guitarras são outro ponto alto do disco, com vários riffs e solos lancinantes e cheios de feeling. O trabalho ficou ainda melhor que o de “Magical Dirt”, e canções como “Driftin’” e “Last to Know” são grandes exemplos disso. Parker: Muito obrigado, cara! Bem, eu não sei como chego a isso, porque não realmente não faço mais nada o dia inteiro a não ser tocar guitarra, então encaro o que você falou como um elogio, mesmo. Sim, com certeza essas músicas são algumas das que têm um trabalho de guitarra muito mais intenso. E acredito que nosso talento para compor também melhorou bastante.

    E creio que a principal inspiração para “No One Knows Where They’ve Been” foi Jimi Hendrix, não? Parker: Sim, porque Hendrix é sempre uma influência. Neste caso, a música foi originalmente composta por Paul e gravada pelo Cosmic Wheels, sua outra banda. Decidimos fazer uma versão dela para “New Beginnings”, e pelo visto posso dizer que funcionou muito bem.

    Ainda sobre o novo álbum, preciso citar as minhas duas favoritas. “Pick Up the Pieces” soa como se tivesse sido composta ao vivo e com a banda em cima do palco, enquanto “Dreams” deve ficar ainda melhor nos shows, com aqueles solos ganhando continuação numa jam. Parker: Nós adoramos fazem jams. O fato de não haver regras a serem seguidas durante um improviso nos leva a diferentes direções dentro de um mesmo tema musical, assim exploramos nossos limites criativos e algumas vezes até mesmo os ultrapassamos. Ao adicionar uma jam a uma música construída de maneira regular, você enriquece essa música. Gostamos de riffs fortes e pesados, de versos e refrãos pegajosos, mas também gostamos de criar esses interlúdios com jams nas quais o ouvinte ficará imerso nas texturas musicais mágicas que tentamos elaborar. Quanto mais rápido o ouvinte mergulhar nessa jam que é uma viagem psicodélica, mais rápido ele volta à realidade com um soco dado por nossos pesados riffs e pelo andamento da canção, que segue em frente!

    Esta é uma pergunta que tenho feito a alguns músicos: os últimos anos têm apresentado um sem-número de bandas inspiradas naquelas que começaram tudo. Algumas são mais bluesy, e outras, mais pesadas, mas o foco é o rock’n’roll clássico. Radio Moscow, Kadavar, Vintage Trouble, The Vintage Caravan, Blues Pills, Rival Sons, Inglorious e por aí vai… Como você explicaria esse, digamos, movimento? Parker: Acredito que as pessoas cansaram daquele som superproduzido dos anos 80 e de parte dos anos 90, então elas começaram a criar e a tocar música mais orgânica, analógica mesmo, inspirada em seus ídolos das décadas de 60 e 70. E foi graças à internet que, de repente, vários grupos underground oriundos dessa época de ouro do rock’n’roll começaram a ganhar visibilidade, assim nós fomos cavar mais e mais fundo para descobrir muitas joias que estavam enterradas. E as compartilhamos com os amigos. Assim surgiu essa nova geração, da qual nós e todas essas bandas que você mencionou fazemos parte. Isso aconteceu em vários países, incluindo o Brasil, porque vocês possuem uma cena de rock retrô muito rica. A luz acendeu sob nossas cabeças, então pensamos: ‘Podemos fazer parte da história do rock’n’roll, podemos continuar trilhando aquele caminho que foi esquecido no fim da década de 70.’ O que quero dizer é que continuamos escrevendo a história, porque não é apenas venerar o que foi feito nos anos 60 e 70. Temos nossas influências e referências, mas estamos sempre olhando para o futuro.

    E a natureza está seguindo o seu curso de diversas maneiras. Motörhead, Black Sabbath e Rush se foram, o Slayer está se despedindo… Em mais cinco ou dez anos, as bandas que crescemos ouvindo não estarão mais na ativa. Que tipo de futuro você espera para a sua geração? É uma transição normal ou uma enorme responsabilidade? Parker: Se é isso que precisa acontecer, então vamos deixar acontecer. Houve a época da música clássica, com Mozart, Bach e por aí vai, mas então as aulas de violino e piano foram deixadas para trás porque os garotos começaram a pedir um violão de Natal a seus pais. Aí veio a guitarra, e o rock’n’roll estabeleceu padrões completamente novos na produção e no consumo de música. Isso durou várias décadas, mas hoje um garoto com um laptop pode ser tornar a próxima estrela da música. Isso deveria fazer sentido? (risos)

    “Modas vêm e vão, mas a ideia de um grupo de garotos se juntando numa garagem para tocar o tipo de música que faz os vizinhos chamar a polícia… Isso é para sempre.” A frase está no Facebook do Radio Moscow, então, por mais que a música esteja seguindo um caminho estranho, há esperança enquanto os mais jovens ainda estão descobrindo Jimi Hendrix e The Allman Brothers Band, por exemplo. Parker: E acredito que o rock’n’roll é mesmo sobre isso, cara! É autoexpressão através da música, exatamente como fizeram Jimi Hendrix e Allman Brothers, que você mencionou. O desejo de realizar mudanças positivas é o que dá forma ao rock’n’roll, é o que deixa a sua chama viva e acesa!

    Bom, eu tenho de trazer esse assunto à tona, mas fique à vontade para não responder. Nem todos sabem que dois dos integrantes originais do Blues Pills fizeram parte do Radio Moscow. Você gostaria de dar a sua versão para o que levou Zach Anderson e Cory Berry (N.R.: baixista e baterista, respectivamente) a abandonarem a banda durante um show? Parker: Se você não se importar, eu prefiro realmente não falar sobre isso (N.R.: em 2011, Griggs e Berry foram às vias de fato durante uma apresentação, e o líder do Radio Moscow foi atingido na cabeça por uma guitarra atirada contra ele).

    Para terminar, quais são seus cinco discos favoritos? Parker: É difícil listar e até mesmo lembrar todos, mas citaria “Blues from Laurel Canyon” (1968), de John Mayall, e todos os álbuns do Fleetwood Mac enquanto Peter Green ainda estava na banda. Há bons discos de algumas bandas underground dos anos 60 e 70, como H.P. Lovecraft, T2, Master’s Apprentice, Jerusalem e Bull Angus, e também sou grande fã de Pappo’s Blues, da Argentina, e de Lanny Gordin, guitarrista brasileiro.

    É isso, Parker, e obrigado pela entrevista. Parker: Muito obrigado a você, cara! Espero vê-lo e também todos os fãs nos shows! Adoramos o Brasil! Cuidem-se!

  • RUSH lança ‘lyric vídeo para “A Farewell To Kings”

    RUSH lança ‘lyric vídeo para “A Farewell To Kings”

    O lendário trio canadense RUSH lançou um ‘lyric video’ oficial para a faixa-título do seu quinto álbum de estúdio, A Farewell To Kings, e você pode conferi-lo abaixo.

    Lançado originalmente em 1977, A Farewell to Kings completou no ano passado o aniversário de quarenta anos de seu lançamento, e para marcar essa data especial, o clássico álbum ganhou uma edição comemorativa e repleta de atrativos extras, intitulada A Farewell To Kings – 40th Anniversary.

    A Farewell To Kings – 40th Anniversary está disponível para os fãs em quatro diferentes formatos, que incluem uma cobiçada versão ‘deluxe’ em vinil quádruplo.

    Lançado originalmente em 1 de setembro de 1977 pela Anthem Records no Canadá, e pela Mercury nos Estados Unidos, A Farewell To Kings é o quinto disco completo de estúdio do RUSH, e alcançou a 33ª posição na Billboard 200, além de uma mais do que honrosa 22ª posição no ‘UK Albums Chart’. O disco, que mais uma vez foi produzido em parceria com o produtor inglês Terry Brown (VOIVOD, FATES WARNING, LIZZY BORDEN), destacou algumas das mais conhecidas canções do trio canadense, como Closer to the Heart e Xanadu, apenas para ficar nos nomes mais óbvios.

    Em janeiro de 2018, após alguns anos de incertezas quanto a permanência da banda no cenário, o guitarrista Alex Lifeson confirmou que o RUSH encerrou atividades. Lifesson participou do álbum mais recente dos stoners californianos do FU MANCHU, Clone Of The Universe, lançado em 9 de fevereiro deste ano.

  • STEVE HACKETT

    STEVE HACKETT

  • PHIL COLLINS & THE PRETENDERS

    PHIL COLLINS & THE PRETENDERS

    O amigo leitor pode estranhar a presença de Phil Collins na ROADIE CREW, mas uma rápida pesquisa em edições passadas mostra a cobertura de sua primeira passagem pelo Brasil é mais do que justificável. Na ed. #200 da revista, ele figurou entre os 50 maiores bateristas do rock numa pesquisa realizada entre jornalistas, músicos e profissionais do meio. Acha pouco? E a marcante passagem pelo Genesis? Para o bem ou para mal, e isso depende do quão xiita é o fã, o fato é que ele marcou uma era na banda inglesa de rock progressivo. Para terminar, a música pop dos anos 80… Bom, vamos por partes.

    Chrissie Hynde

    Coube ao Pretenders, a eterna banda de Chrissie Hynde, a tarefa de aquecer um público – 43 mil pessoas, segundo a organização – que saiu de casa para se divertir carregando a expectativa de ter que voltar para casa de bote, graças à previsão de uma chuva de proporções bíblicas para aquela noite de quinta-feira. E a vocalista e guitarrista conseguiu, em uma hora, entreter pista, arquibancada e camarotes com uma boa dose de baladas e rock’n’roll, incluindo hits. Houve espaço para a faixa-título do mais recente álbum, “Alone” (2016), e covers muito bem escolhidos, “Stop Your Sobbing” (The Kinks) e “Forever Young” (Bob Dylan), embora estes não tenham recebido a correta valorização da plateia. Curiosamente, foi justamente com “Alone”, rock de primeira qualidade, que Chrissie fez o mea-culpa por causa do excesso de baladas que, a bem da verdade, quebravam um pouco da dinâmica da apresentação. Mesmo que algumas delas tenham sido bem agradáveis, como “Hymn to Her”, justamente a que havia sido tocada antes, com uma vela interpretação da vocalista – que, diga-se, poderia fazer algum incauto pensar, numa rápida passada de olho no palco, pensar que era David Coverdale ao lado de James Walbourne (guitarra), Nick Wilkinson (baixo), Carwyn Ellis (teclados) e Martin Chambers (bateria), único integrante da formação original ao lado de Chrissie.

    Canções como “Message of Love”, ”Boots of Chinese Plastic” e “Night in My Veins” mostraram qual era o nível da música pop feita nos anos 80, mas foram os hits, todos (quase) muito bem espelhados no repertório, que nos mostraram, mais uma vez, que éramos felizes e não sabíamos. “Back on the Chain Gang”, “I’ll Stand By You” e “Don’t Get Me Wrong” fizeram com que muita gente mexesse os pés e soltasse a voz num público predominantemente de pessoas acima dos 40 anos. E teve “Middle of the Road”, claro. Provocou êxtase e poderia ter sido o ápice da apresentação não fosse a escolha de “Brass in Pocket” para fechar o set. Apesar do anticlímax, um show que valeu para matar a saudade de uma banda que não colocava os pés no Brasil há 30 anos, desde o finado Hollywood Rock. E que deu aquela vontade de ver o Pretenders num local menor.

    E havia chegado a hora de Phil Collins. Em sua turnê Not Dead Yet – mesmo nome da autobiografia, lançada em 2016 –, ele voltava ao Brasil depois de uma única passagem por aqui, em 1977, com o Genesis. E foi impossível evitar o ar de melancolia ao vê-lo debilitado fisicamente, ao vê-lo entrar no palco caminhando com dificuldade e com a ajuda de uma bengala. Sem tocar bateria desde 2009, em virtude de um problema numa vértebra do pescoço, ele hoje sofre com a perda de sensibilidade na mão esquerda e de movimentos em um dos pés. No entanto, tal sentimento acabou com as primeiras notas de “Against All Odds (Take a Look at Me Now)”, e nem seria preciso apelar na sequência, com “Another Day in Paradise”.

    Sentado durante todo o show, Collins mostrou não apenas ainda estar com a garganta em dia, mas que é um compositor de primeira linha. Perdoemos aqueles que o criticavam pela alta dosagem de açúcar em suas músicas, porque “I Missed Again”, do ótimo “Face Value” (1981), o álbum de estreia na carreira solo, e “Hang in Long Enough”, de “…But Seriously” (1989), ressaltaram a pobreza da música pop feita hoje em dia. Ao vivo, os arranjos de metais – cortesia de George Shelby (saxofone), Luis Bonilla (trombone) e Harry Kim e Dan Fornero (trompete) – ficaram ainda melhores.

    O vocalista, diga-se, montou um time de primeira linha para acompanhá-lo no palco. A começar pelos veteranos Leland Sklar (baixo) e Daryl Stuermer (guitarra), este companheiro do vocalista também no Genesis; incluindo Ronnie Caryl (guitarra), Brad Cole (teclados) e Luis Conte (percussão); e terminando num fabuloso quarteto de backing vocals – formado por Amy Keys, Bridgette Bryant, Arnold McCuller e Lamont van Hook – e no batera Nicholas Collins, de 16 anos e cujo sobrenome não nega: filho de Collins.

    O groove de “Wake Up Call”, de “Testify” (2002) abriu caminho para as duas primeiras do Genesis na noite: “Throwing it All Away”, de “Invisible Touch” (1986), e “Follow You, Follow Me”, de “…And Then There Were Three…” (1978). Àquela altura pouco importava a controvérsia sobre a participação de Collins na transformação sonora de um dois principais nomes do rock progressivo, porque foi emocionante assistir às imagens no telão, passando visualmente a limpo a história do Genesis com Collins, Steve Hackett, Peter Gabriel, Tony Banks e Mike Rutherford.

    A animação de “Only You Know and I Know”, de “No Jacket Required” (1985), foi um contraste a “Separate Lives”, cover de Stephen Bishop que Collins gravou para a trilha sonora de “O Sol da Meia-Noite” (1985). Poderia ter dado lugar a “One More Night”, por exemplo, mas o dueto com Bridgette Bryant acabou justificando a inclusão no repertório. De qualquer maneira, foi uma covardia o que aconteceu daí para frente. Mais uma de “…But Seriously”, “Something Happened on the Way to Heaven” colocou todo mundo para dançar. Que refrão! Que groove! Que arranjo de metais! O sorriso ficou definitivamente estampado no rosto dos fãs com a obra-prima “In the Air Tonight”, que ao vivo mostrou o que muitos esquecem: é rock progressivo até o talo, e a felicidade por ouvi-la ao vivo teria sido acompanhada por lágrimas se atrás da bateria estivesse o próprio Collins, um dos maiores nomes do instrumento. Mas foi, no entanto, uma experiência única ver o seu filho tocá-la perfeitamente, e o garoto tem todos os trejeitos do pai.
    Nic Collins

    “You Can’t Hurry Love”, cover do The Supremes gravada em “Hello, I Must Be Going! (1982)”, e “Dance Into the Light”, do álbum homônimo lançado em 1996, mantiveram o alto astral do show e preparam para um encerramento apoteótico. “Invisible Touch”, do Genesis, e “Easy Lover”, parceria de Collins com Philip Bailey, vocalista do Earth, Wind & Fire, ficaram espetaculares. E como se fosse possível melhorar a versão gravada em “Chinese Wall”, terceiro disco solo de Bailey, “Easy Lover” entrou facilmente no rol de momentos inesquecíveis. Por um momento, em meio à catarse, parecia que Collins queria levantar da cadeira para acompanhar o quarteto de vozes, que foi para frente do palco. Dividindo os vocais com Amy Keys e Arnold McCuller, Collins era a imagem da felicidade. Um espelho do que vinha da plateia.

    Em uma versão obviamente não pasteurizada se comparada à de estúdio, “Sussudio”, de “No Jacket Required”, encerrou o set regular com direito a chuva de confete e serpentina para enfeitar a pista de dança na qual o Maracanã havia se transformado. Do mesmo álbum, “Take Me Home” foi o tradicional encerramento. Com seu refrão cantado por quem estava feliz da vida, foi o bis que marcou a saída de Phil Collins marcada por efusivos aplausos. E foi o encerramento que ratificou uma coisa: felizes são aqueles que têm como referência o pop e o rock feitos nos anos 80. Afinal, hoje em dia a falta de qualidade da música e a ausência de talento dos artistas precisam ser camuflados por polêmicas. Tipo orientação sexual ou se a bunda tem ou não celulite. Set list Phil Collins
    1. Against All Odds (Take a Look at Me Now) 2. Another Day in Paradise 3. I Missed Again 4. Hang in Long Enough 5. Wake Up Call 6. Throwing it All Away 7. Follow You, Follow Me 8. Only You Know and I Know 9. Separate Lives 10. Something Happened on the Way to Heaven 11. In the Air Tonight 12. You Can’t Hurry Love 13. Dance Into the Light 14. Invisible Touch 15. Easy Lover 16. Sussudio Bis 17. Take Me Home
    Set list The Pretenders
    • Don’t Cut Your Hair 2. Talk of the Town 3. Back on the Chain Gang 4. Message of Love 5. Boots of Chinese Plastic 6. Private Life 7. Hymn to Her 8. Alone 9. Stop Your Sobbing 10. I’ll Stand By You 11. Forever Young 12. Don’t Get Me Wrong 13. Night in My Veins 14. Middle of the Road 15. Brass in Pocket