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  • BRAIN STORM FEST – 10 de novembro de 2018, Itapecerica da Serra/SP

    BRAIN STORM FEST – 10 de novembro de 2018, Itapecerica da Serra/SP

    Essa foi uma noite memorável onde o underground mais uma vez se mostrou muito forte, mesmo acontecendo grandes shows no mesmo dia, o público compareceu em massa para prestigiar esse evento que colocou a cidade Itapecerica da Serra abaixo.

    A produção deste evento está de parabéns, tudo estava muito bem organizado tornando-se assim um exemplo a ser seguido. Em uma conversa com o produtor Douglas Tenório, mais conhecido entre todos como “Kisharan”, o mesmo nos informou que Itapecerica da Serra agora vai entrar na rota de shows dentro do estado São Paulo, pois a pretensão da organização é realizar eventos mensais e assim abrindo mais um ótimo espaço para que as bandas possam de forma descente mostrar o seus trabalhos.

    E de fato, foi o que encontramos ao chegar no local, uma estrutura apesar de pequena, muito eficiente. E vale ressaltar, muito acolhedor também, pois bandas e público puderam compartilhar do mesmo espaço com muito respeito e claro! Muita diversão!

    Hellven, Foto por: Rancho do Rock

    Já era quase meia noite quando subiu ao palco o Hellven com seu Death Metal calcado na velha escola do estilo conquistando o público presente, fazendo todo lugar agitar muito. Uma apresentação feita com uma energia arrebatadora. O vocalista Edu Possessed sempre muito cativante, mostrava muita interação com público.

    A banda iniciou sua apresentação com uma introdução e a partir daí foi apresentada seu setlist, com músicas como Insane Moments 2 de primeira demo First Sin, Between Reality And My Dreams com sua pegada furiosa e fazendo o público agitar muito. Então chega a hora de incendiar de vez o local tocando a clássica Remember The Fallen do Sodom.

    Executaram ainda as faixas Insane Moments 1, Execution Is The Solution e Abducted que serviram para mostrar uma banda muito afiada realizando um show muito bem executado. E pra finalizar eles presenteiam o público com mais um clássico, dessa vez foi um cover impressionante do Death, Pull The Plug.

    Hellven, Foto por: Eden Lozano

    Depois de uma pausa para recarregar as energias com umas cervejas estupidamente geladas, vem a vez da banda muito aguardada por todos, o Thrashterror que começa uma apresentação surpreendente e como era de se esperar, Thrash Metal violentíssimo.

    A energia tomou conta do público logo nos primeiros acordes, uma fantástica apresentação que fez a todos os presentes extravasarem suas emoções num headbanging frenético e incessante.

    Foi um show apoteótico, marcante em todos os sentidos, uma performance que deixou a todos de queixo caído. Sentíamos em muitos momentos intensas trocas de energias entre a banda e o público que estava em completo êxtase.

    E como declarado pelo baterista Jeferson “Jeff” Romão em nota já publicada neste site, realmente foi uma homenagem a todo legado perpetuado dos anos oitenta. O vocalista Walter Nascimento foi um show a parte, com seu timbre único conduziu toda a apresentação de forma extraordinária.

    Walter Nascimento – Thrashterror, Foto por: Eden Lozano

    E não parou por aí, o guitarrista Nelson com seu virtuosismo fez uma apresentação impecável e uma performance de tirar o fôlego e o baixista Toninho deixou a todos estupefatos como ele conseguia tocar tão bem e não parar de banguear um só minuto. Uma apresentação avassaladora com um profissionalismo acima da média.

    Aí você deve estar se perguntando, e o baterista?… o Jeff com seu jeito único de tocar, com sua pegada e viradas otimamente bem encaixadas completava todo instrumental pesado e rápido peculiar ao estilo. Um baterista que evoluiu muito ao longo de sua carreira e que, mesmo tomando conta de seus tambores e por trás de seus pratos, conseguia também instigar a todos os presentes.

    E como a banda está comemorando seu primeiro EP We Shall Revenge lançado este ano, a banda focou seu setlist nas músicas pertencentes ao mesmo. E então começam com Hell’s Pub que já mostra ao público logo de primeira a grande apresentação que estava apenas se iniciando.

    Em plena divulgação do EP a banda contra-atacou em seguida com March To Kill e Deliver Us To Metal fazendo a festa para os amantes do metal oitentista que estavam ali esperando ansiosos.

    Thrashterror, Foto por: Eden Lozano

    Neste interim, houve um pequeno problema técnico na guitarra e que para nossa surpresa o mestre Doco Lima, o mesmo que assinou a produção do EP, estava presente e gentilmente ajudou a sanar o problema com todo seu conhecimento e fez com que o Thrashterror voltasse ainda com mais sede de muito metal.

    Depois de apresentar seu setlist devastador a banda toca a faixa título de seu novo trabalho We Shall Revenge numa explosão metálica marcando essa noite na história e víamos as bandas presentes junto ao público apoiando como irmãos uns aos outros. Admirável e emocionante!

    E a para fechar com chave de ouro a banda não poupou esforços e mandaram seu último som, Deathmaker. O vocalista Walter Nascimento desceu do palco e agitou junto ao público com tanta energia que por um momento parecia inacreditável e fazendo deste show uma celebração com o mais puro espirito underground.

    Thiago – Evil Sense, Foto por: Eden Lozano

    E depois desse ataque o thrash metal não parou. Entra no palco a renomada Evil Sense com seu peso e muita agressividade. Banda que lançou no ano passado seu primeiro full-length Fight For Freedom que teve ótimas críticas na mídia especializada em todo o mundo. Tendo toda sua primeira prensagem esgotada em muito pouco tempo.

    E com todo seu know-hall a banda fez uma apresentação que o público agitou e cantou junto. Seu setlist foi inteiramente baseado no álbum que embalou com peso e maestria todos os headbangers.

    Com muitos anos de carreira a banda mostrou que o metal corre em suas veias, numa performance digna da grande banda que ali estava executando suas músicas de maneira incansável. Foi bonito de ver!

    A banda começa o show com a ótima e instrumental Travelling By Warriors Land, assim iniciando a apresentação com essa composição que é uma das músicas que mais se destaca em seu CD. Um início perfeito!

    Depois das empolgantes melodias ultra metálicas da música mencionada acima, a atmosfera thrashing toma conta do lugar sem nenhuma piedade com No More Lies e Embrace Of Death, com local quase indo a baixo pela energia destruidora de suas músicas a banda vem e destrói tudo.

    Evil Sense, Foto por: Eden Lozano

    Destrói tudo no bom sentido, pois para surpresa de todos eles fizeram uma ótima homenagem ao Slayer com o eterno clássico Season In The Abyss de forma impecável e que levou a todos ao delírio. Foi arrepiante ouvir todo público cantando com junto em só voz cada frase desta música.

    E continuando a apresentação a banda não deixou por menos e logo tocaram Thrash Anger, Evil Sense e para finalizar mandaram a faixa título de seu CD Fight For Freedom que em seu refrão ouvíamos todos cantando juntos em alto e bom som. Fight… Fight… Fight…

    As horas se passaram que nem percebemos dentre essas ótimas apresentações e já eram um pouco mais das 4 da manhã quando entra ao palco a Might Execution, com seu Thash/Death Metal esmagador.

    O show deles foi muito empolgante e junto ao público que apesar da hora estavam ali resistentes e incansáveis e acenderam todo o Rancho do Rock com suas músicas pesadas e muito bem construídas.

    Glauber – Might Execution, Foto por: Eden Lozano

    A banda estava comemorando o lançamento neste ano do seu primeiro álbum Sceptic And Controversial. E também o retorno do baixista Luiz Henrique que esteve afastado da banda por oito anos. E que foi alvo de uma bonita homenagem de seus amigos e companheiros da banda e também de todos os presentes.

    E como era de se esperar este excelente músico não decepcionou, fez um show a parte assumindo as quatro cordas da banda.

    O Might Execution com sua formação estabilizada e afiada fizeram um show arrebatador apresentando ao público seu setlist focado no seu debut álbum, mas também com músicas inéditas e mandaram logo de cara a ótima intro Quasar, em seguida a inédita Black Hole que já nos deu aquela curiosidade, será que virá em breve um novo álbum?

    E a continuação do show foi uma celebração de seu debut com as músicas Obsession, Eyes Of Damn, You Are Coward e Catch The Liar promovendo em grande estilo seu primeiro álbum e trazendo a todos uma noite muito especial com muito metal de altíssima qualidade.

    Daí eles apresentam mais música inédita, One Word To Say, que trouxe ao conhecimento do público mais uma nova composição e já nos enche de esperança de um novo trabalho futuro.

    Might Execution, Foto por: Eden Lozano

    E com o dia já quase amanhecendo a banda toca Revelations e finaliza seu show com uma das faixas mais marcantes seu trabalho, What Is Destiny que fecha o festival em grande estilo.

    Os músicos do Might Execution estão de parabéns pela apresentação, mesmo também terem sofrido um pouco com um problema técnico no microfone e que rapidamente foi resolvido, a banda não desanimou e fez um show devastador.

    O público presente também está de parabéns, ficaram até o fim em uma prova de resistência e amor ao underground, apoiando, cantando, agitando e participando de cada apresentação de uma forma muito bonita e respeitosa. Foi uma noite que vou lembrar sempre, foi uma magnifica demonstração de UNIÃO.

  • MIGHT EXECUTION – Sceptic & Controversial [8,0/10]

    MIGHT EXECUTION – Sceptic & Controversial [8,0/10]

    Este é o primeiro álbum desta banda paulistana que faz um soberbo Heavy/Death Metal com muita influência Thrash Metal Oitentista.

    Liderado pelo Glauber Marques (Ex-Evil Sense), o mesmo mostrou muita competência neste álbum, pois suas composições são muito coesas e um tanto complexas, tem momentos que chega a lembrar a complexibilidade das músicas do grande Death.

    A apresentação gráfica desde CD é muito interessante e sua concepção foi muito bem feita, a capa do CD ao abrirmos se torna um mini pôster muito bonito, além de trazer todas as informações e as letras. O artista escolhido para criação da capa e todo layout gráfico ficou a cargo do conhecido artista Raphael Bueno, que diga-se de passagem, ficou de muito bom gosto e que traduz toda temática lírica da banda.

    A produção deste material foi feita pela própria banda e No Limits Studio que executou um trabalho fantástico.

    Ao ouvirmos este CD nos deparamos com uma banda que acertou em sua proposta, as musicas são pesadas, muito trabalhadas e com uma essência verdadeiramente headbanger. O Glauber Marques além de ter um vocal pra lá de mórbido e muito peculiar, mostrou todo seu conhecimento e virtuosismo na guitarra, e junto ao não menos virtuoso Michael Pedroso que também é um instrumentista ímpar, fizeram uma dupla imbatível e que conseguiram nos proporcionar composições de tirar o folego.

    A Bateria é um outro show, a banda contou com toda experiencia e o conhecimento aprofundado desse baterista que dispensa apresentações. O Robson Rodrigues (também integrante do renomado e subterrâneo Endless Carnage) dá uma aula em seu instrumento. Com seus bumbos impecáveis e toda sua destreza fez que a união destes três membros se tornasse uma banda que vai sim, ecoar sua música por todo planeta com muita grandeza.

    Entre as 9 ótimas faixas destacamos aqui as músicas que nos tomou de assalto e que com certeza vai te fazer gostar dessa banda logo na primeira audição.

    “Simple Mortal Man” é a faixa que abre toda epopeia sonora deste álbum, uma música violenta que nos remete as bandas clássicas do Thrash/Death Metal mundiais. Além de riffs que nos remete demais ao Destruction  e sentimos fortes influencias de Heavy Metal Tradicional.

    A segunda faixa “Obsession” começa com riffs impressionantes que logo a música tomada por uma fúria indescritível. O Robson e suas viradas nos moldes de Dave Lombardo deu um toque ainda mais visceral a esta música. Uma porrada sonora.

    E cito aqui a faixa “Catch The Liar” que começa com muita serenidade e um clima transcendental que nos faz viajar e claro, que logo se funde a riffs pesadíssimos numa música cadenciada e que faz qualquer headbanger balançar suas cabeças. Essa música de fato se destaca neste ótimo material.

    E as não menos importantes “When The Spirits Returns”, “Eyes Of Dawn”, “You Are Coward”, “What Is Destiny”, “At Edge Of Cosmos” e “Simple Mortal Man – Revelations”, são músicas de um poderio sonoro que fazem deste um grande álbum e um debut notável, uma grande estreia.

    Might Execution, o nome da banda já traduz bem, é uma grande execução e uma viajem arrebatadora entre o Heavy, Thrash, Speed e o Death Metal. Ouçam e confiram!