Depois de muitos anos após o Volume 1 essa maravilhosa compilação promovida pela Black Order Productions está de volta.
Meus parabéns ao Lord Vlad mentor deste trabalho que uniu várias bandas de muita qualidade, que fazem parte do cenário underground baiano, mostrando para o Brasil e para o mundo que a Bahia é também um celeiro de grandes grupos de metal, e uma cena que vem se renovando e se mantendo firme e forte.
A gravadora, de uma forma ousada, lançou simultaneamente dois volumes, sim, o Volume 2 e o Volume 3, que apresentam produções impecáveis. Essas coletâneas não devem ser vistas apenas como duas compilações e sim como dois ótimos guias para quem quer conhecer ótimas bandas que a Bahia tem, e de diversos estilos do metal.
O ponto mais notável é que nestas produções a gravadora não privilegiou essa ou aquela banda. Esse trabalho nos transmite muita honestidade com abertura de espaço para novas bandas que não possuem discos lançados e nos apresenta atrações que, com certeza, são agradáveis promessas para a cena brasileira.
Neste review estão as minhas impressões a respeito do Volume 2 deste lançamento.
MALEFACTOR – Sodom And Gomorrah: Essa banda liderada pelo mentor da compilação trouxe para esta coletânea uma faixa de seu mais novo trabalho Sixth Legion. Uma ótima escolha, essa música traz um Malefactor revigorado e muito mais visceral. Foi uma ótima escolha para começar a coletânea, pela qualidade técnica e musical da banda, e pela execução de forma primorosa.
AZTLÁN – Blood Offering: Essa música é perfeita na minha opinião, death metal feito com uma qualidade soberba. A temática aqui retratada pela banda é muito interessante e combina muito bem com sua música. Vale ressaltar que esta é uma “One Man Band” e seu membro fundador é um músico que tem muita história no underground baiano, e já passou por bandas renomadas como Malefactor (como session member), Deformity BR e Martyrdom.
INSAINTIFICATION – Cowards At War: Thrash/death metal maravilhoso, pesado e até mesmo brutal. A banda apostou em uma ótima faixa extraída de seu álbum Diseased e que com certeza foi uma ótima escolha. Vale ressaltar que o Insaintification tem entre seus ótimos membros os renomados Daniel Beans e Tony Assis que integram o Headhunter D.C.
VERMIS MORTEM – Inhuman Entities: A banda traz para essa coletânea um black metal de altíssimo nível e sua contribuição para nos traz a faixa pertencente ao single recém lançado. E que também tem em seu line-up o baterista Daniel Beans que demonstra muita versatilidade em sua função.
ERASY – Sea Of Madness: Esses feirenses fazem um esplendido doom metal e dão um toque todo especial a esta compilação com a música escolhida que foi extraída de seu primeiro álbum, The Valley Of Dying Stars. Uma música que nos faz viajar entre seus vocais rasgados e riffs verdadeiramente sabáticos.
INNER CALL – 2012: Essa banda tem me impressionado há algum tempo: heavy metal muito bem feito, sem melodias maçantes e chatas, e sim, pesado e visceral não deixando a veia dos anos 80 se perder. A música foi muito bem escolhida para fazer parte da compilação, pois se trata de uma faixa que também integra o ótimo CD Elementals lançado em 2017.
SUFFOCATION OF SOUL – Life Invader: Banda da cidade de Poções interior da Bahia que tem conquistado o mundo com seu thrash metal na veia oitentista executado com maestria. Essa música demonstra uma banda afiadíssima e merecedora de toda ótima repercussão que estão obtendo. A música selecionada para estar aqui faz parte do seu novíssimo EP Macabre Existence.
GOD FUNERAL – Where Everyone Is Equal: Death metal na veia dos velhos e saudosos tempos do estilo. Uma banda que vem arrebatando muitos fãs pelo mundo com sua música muito bem executada. Lançou recentemente o seu primeiro EP e está tendo uma grandiosa aceitação. O grupo tem entre seus integrantes o guitarrista George Lessa, que tem ótimas passagens em diversas bandas e que no God Funeral mostra o seu grande talento. A música escolhida para esta compilação é a faixa dá título ao seu EP.
MARTYRDOM – Tetragrammaton: Essa é outra ótima banda oriunda de Feira de Santana, celeiro de grandes nomes de nossa cena. Banda com muitos anos de experiência e que com certeza não poderia estar de fora desta celebração. Com seu death/doom metal permeado com climas obscuros e frios, a musica escolhida para marcar com honra sua participação foi retirado seu ótimo álbum Ritual Místico De Adoração À Sabedoria Ancestral, lançado este ano.
PROFANNO – Infiés: Ótima banda que faz um death metal brutalíssimo, cheio de técnica e uma execução de bateria impressionante feita por Marcio Jordanne, baterista que tem se tornado uma referência em todo país pela técnica e por trabalhos realizados junto a diversas bandas como Devouring, Rotten Cadaveric Execration e Papa Necrose. Não esquecendo que a banda conta também com outra persona muito grata e que tem uma carreira honrada, o Fulvio Alsan, que passou por grupos como Sower e Deformity BR.
SADES – The Snow: Despois de passarmos por diversos estilos nesta maravilhosa realização promovida pela Black Order Productions, agora chegou a hora de muita melancolia e um clima negro feito por almas certamente doentias. A música apresentada aqui gravita entre partes rápidas e brutais até o mais mórbido e doentio doom metal. Uma excelente escolha para fechar este volume 2 com louvor.
Considerações finais:
Apesar da fábrica que prensou este material ter errado feio trocando a ordem de algumas faixas, a Black Order Productions, por respeito ao publico e por ter uma extrema responsabilidade, anexou ao CD um flyer muito bem elaborado com a ordem correta das faixas e expressando a sua decepção e indignação pela falta de profissionalismo por parte da fábrica. Um flyer que se torna parte integrante do belíssimo material gráfico desta realização que foi assinado pelo importante Marcelo Almeida (Other World).
Divulgando seu recém lançado debut álbum “Ritual Místico de Adoração à Sabedoria Ancestral”, convidamos o E. O. AmraKing para falarmos à respeito do seu ótimo álbum que em poucos meses já está quase sold-out.A banda vem desde os anos 90 resistindo a algumas atribulações até que em enfim estabilizaram sua formação e nos presenteia com este trabalho muito bem produzido e que mostra uma banda que nos surpreenderá ainda mais. Com sua música calcada no Death/Doom Metal e certas influências também vindas do melhor do Black metal a banda exibe um conhecimento absurdo do que faz, afinal são mais de vinte anos aprimorando seu som até chegar aqui com este resultado maravilhoso. O vocalista AmraKing nos conta também as dificuldades enfrentadas e como a banda sobrepujou todos os estorvos para continuar firme em seu propósito.
Para os headbangers leitores que não conhecem o passado do Martyrdom a fundo, a banda iniciou-se em 1992 com o nome de Damnatory e a partir de 1996 mudou o seu nome para o que conhecemos hoje. Você poderia nos contar como foram esses anos iniciais?
AmraKing – Hail MetalEvilBrother Éden Lozano!! Primeiro quero agradecer muito seu apoio e a oportunidade de expor nossas ideias para a versão on-line da Revista Roadie Crew. Os primeiros anos do que viria a ser o Martyrdom foram forjados através do Damnatory que seguia uma linha Death/Black Metal mais crua e direta, entretanto, com influências cadenciadas e sombrias que acabaram “seduzindo” o mentor na época Roosevelt “Tormento” Ramos a conduzir a composições seguindo mais essa linha obscura e melancólica (com peso e agressividade) o que acabou resultando na transição do Damnatory para o Martyrdom…
1997 – Demo Rehearsal
No ano seguinte a banda, 1997, a banda divulga sua primeira gravação, um Rehearsal contendo 3 músicas. Houve muita repercussão em torno deste material na época?
AmraKing – Sim, com pouco mais de um ano, mas já com essa proposta sonora definida, o Martyrdom lançou seu primeiro material de divulgação que foi a demo em fita cassete (tape) “Rehearsal”. Na época foram gravadas 7 sons mas apenas 3 saíram na demo: “The True Inquisition”, “Land of Shadows” e “Just the Blackness”, a formação neste período contava com Gilson Wordam (Voz), Alberto Brito (guitarras e único membro presente até hoje), Marcelo “Paganus” Antunes (Baixo, atualmente músico/compositor do Aztlán), Roosevelt “Tormento” (Bateria) e Luciano “Black Vomit” (Teclados). Essa demo foi amplamente divulgada no underground inclusive fora do Brasil; sempre em minhas viagens alguém comenta ter essa tape e até me mostrar fotos, como também nas redes sociais alguém posta foto deste cassete, ou seja, a repercussão ainda reverbera nas galerias escuras e nos logradouros malditos do underground!!!
Depois de quase 16 anos do lançamento da demo Rehearsal a banda já conta com você nos vocais, e trouxeram a demo “Subterrâneo Culto às Trevas” de 2013. Como foi a sua entrada na banda? E o que você nos fala à respeito desta demo que no meu ponto de vista trouxe um Martyrdom de volta à cena?
2013 – Subterrâneo Culto às Trevas (Demo Live)
AmraKing – Então, vou começar respondendo sobre minha entrada no Martyrdom; eu assumi os teclados e o backing-vocal no Martyrdom em meados 1998/1999 quando ainda estava sendo feita a divulgação da demo nos zines e veículos especializados na época, inclusive eu cheguei até a enviar cartas com releases e até a demo para zines. Quando resolvemos encerrar a divulgação desta demo e começar a planejar o lançamento de um single, um EP ou até um álbum (visto que já tínhamos repertório para tal) foi quando o Martyrdom passou por inúmeras mudanças na formação o que atrasou bastante na realização desses planos (claro que além desse motivo tivemos outros empecilhos). Mas após alguns anos resolvemos mudar a estrutura da formação original passando a ser uma tríade de almas, comigo nos vocais e baixo, Tormento (bateria) e Alberto Brito (guitarras), reescrevemos as canções antigas em português e passamos a compor as novas seguindo essa linha e continuamos nossos projetos; Em meados de 2005 resolvemos convidar nosso amigo/irmão G. Vurmun para assumir a bateria, Tormento voltou a ser guitarrista e com isso voltamos a nos apresentar ao vivo. Após um determinado período sofremos mais uma mudança na formação com a saída de Tormento e a entrada de Tarcísio Medeiros (Baixo) já em meados de 2012, formação que um ano depois foi responsável pelo segundo material “Subterrâneo Culto às Trevas” uma demo ao vivo gravada na cidade de Cícero Dantas/BA. Esse material de fato nos trouxe de “volta a cena” porque foi através dele que voltamos a manter contato mais expressivo com fanzines e hellbrothers de outros cenários, antes esse contato era quase que totalmente restrito às nossas apresentações.
Essa demo com certeza nos apresenta uma banda completamente reformulada, pois além de você assumir os vocais, também entraram o M. Vurmum na bateria e o Tarcísio Medeiros substituindo o Paganus no baixo. Com estes novos integrantes a banda conseguiu se firmar definitivamente? Qual a sua opinião sobre eles?
AmraKing – Essa formação foi a que durou (e segue durando) mais tempo, conseguimos uma estabilidade e com isso nossos projetos começaram a tomar forma de uma maneira mais sólida, tanto que fizemos mais apresentações e os nossos lançamentos posteriores começaram a ser produzidos após esta estabilidade.
2017 – Culto Primitivo à Morte (EP)
Em 2017 tive uma grata surpresa, chegou em minhas mãos o EP “Culto Primitivo à Morte” e que também conta com mais uma guitarra de peso, o Márcio Vieira se junta à banda. Para esta realização a banda contou com três selos e o apoio da Putrid Design. Como surgiu a ideia dessa união?
AmraKing – Após a estabilidade citada anteriormente começamos a idealizar a produção de novos lançamentos. Na pré-produção do nosso álbum surgiu o EP “Culto Primitivo à Morte” que foi lançado através de uma parceria com a Putrid Design, Sociedade dos Mortos e The MetalVox Recs & Distro; durante a produção deste material nós convidamos outro amigo/irmão de longas datas Marcio Vieira para compor o line-up assumindo uma das guitarras.
A união com os selos foi bem natural assim como a parceria com o estúdio de conceitos gráficos Putrid Design, temos contato há vários anos e essa parceria já havia sido firmada há muito tempo também.
Pra você, este EP foi o material que fez o mundo conhecer definitivamente o Martyrdom? Confesso que fiquei surpreso com os registros em vídeo que o EP trouxe como bônus…
AmraKing – Quando finalizamos a pré-produção do álbum a canção “Culto Primitivo à Morte” estava com uma versão de estúdio pronta, inclusive com um lyric video também. Como já tínhamos registros ao vivo em vídeos e áudios não lançados em nenhum material resolvemos reunir esses materiais no EP e espalhamos na cena para dar uma prévia do nosso álbum aos amantes da sinfonia mórbida.
2018 – Ritual Místico de Adoração à Sabedoria Ancestral (Full-lenght)
Eis que em 2018 finalmente chega o debut “Ritual Místico de Adoração à Sabedoria Ancestral”. Material muito bem produzido. A banda demorou mais de 20 anos para este acontecimento pudesse de tornar realidade, quais foram as maiores dificuldades que o impediu de vir antes?
AmraKing – Pois é, o “Ritual Místico de Adoração à Sabedoria Ancestral” precisou de duas décadas para enfim ser celebrado!!! Nesses vintes anos, vários obstáculos, alguns já citados como as mudanças de formação, ausência de estúdios especializados em nossa cidade Feira de Santana/BA (algo que felizmente já não é mais empecilho por ter bons estúdios aqui atualmente), falta de grana, de tempo e uma série de outros problemas foram responsáveis por esse “atraso”. Mas por incrível que pareça tem algo de positivo nisso, nós tivemos tempo suficiente para trabalhar cada arranjo, cada detalhe para que o trabalho fosse concluído bem próximo do que desejávamos, claro que sempre há um ou outro detalhe que após a conclusão deixa um desejo de ter feito diferente, mas posso afirmar com total segurança que o resultado final deste nosso álbum está muito próximo mesmo do que desejamos e planejamos em todos os seus detalhes.
O Nordeste e em especial Feira de Santana anda nos surpreendendo com as ótimas bandas que estão na ativa e com belíssimos materiais. Como você vê a cena atual em Feira e no Brasil?
AmraKing – O Nordeste Brasileiro em todos os seus Estados tem representantes foda de várias vertentes do Heavy Metal, até nem vou citar nomes para não esquecer de alguém e acabar sendo injusto, mas todos os HellBangers sabem de quem estou falando. A cena atual em Feira de Santana conta com ótimas bandas de várias vertentes do Heavy Metal – do Tradicional ao mais Extremo; temos uma produtora que também é selo e gravadora Dopesmoke Heavy Music Prods; o selo The MetalVox Recs & Distro que também é um excelente webzine, um canal no youtube que divulga bandas através de entrevistas e reviews MetalHeadsFSA e um público que tem crescido ultimamente nos eventos. Ampliando essa visão para o Brasil, vejo uma cena que passa por uma dificuldade, mas resiste com bandas sérias, produtores comprometidos e um público fiel e cabe a cada um de nós fazer sua parte para melhorarmos o que for possível e deixar que o tempo separe quem é sério e quem não é!!! Only Death is Real!!!!
Foto por: Divulgação
Me parece que a parceria entre a banda e a Putrid Design é muito promissora, afinal todo conceito gráfico ficou impecável, incluo também o EP. Você pode nos explicar o conceito por trás desta belíssima capa do debut?
AmraKing – Quando nosso parceiro Claudio Santos (Putrid Design) ler essa entrevista tenho certeza que ficará emocionado com seus elogios!!! Mas eu aproveito para agradecer também esses elogios e dizer que quando algo é feito por quem realmente conhece a comunicação é muito mais fácil. Claudio além de ser um amigo de longas datas é MetalHead também há décadas, então quando eu comecei a descrever o conceito gráfico que eu gostaria de ver no álbum ele entendeu perfeitamente. Toda a arte foi criada para passar o conceito visual de nossa proposta ideológica que é baseada no Ocultismo e a visão da Morte através do conceito de Civilizações Antigas. Sendo mais específico nos detalhes gráficos, o álbum trás gravuras (algumas explícitas e outras “ocultas”) do artista, matemático e geógrafo alemão Sebastian Münster (1489 – 1552) inspirada na obra do historiador e naturalista romano Caio Plínio Segundo – Plínio O Velho (23 – 79), além de imagens fotográficas de um monumento funerário no monte Nemrut erguido pelo Rei Selêucida Antíoco I que tinha uma visão bem peculiar acerca da morte; algumas canções do disco explicam melhor detalhes desses conceitos em suas letras.
Agora falando das letras que a meu ver são muito obscuras e introspectivas, quais as suas influências literárias para que suas músicas sejam escritas desta forma?
AmraKing – Eu pesquiso muito história, gosto de alguns romancistas, filósofos, existencialistas e também místicos. Vou citar dois escritores que permeiam vários esconderijos de minha mente e que me inspiram em diversos momentos de minha vida: Edgar Allan Poe e Aloisio Resende.
Tive acesso a este ótimo material através do amigo Jaime Amorim do The MetalVox. Como tem sido a experiencia de trabalhar com este nome respeitadíssimo em nossa cena? …com certeza um dos pioneiros na cena metálica nacional a acreditar e apoiar o underground com todas as forças…
AmraKing – Jaime é um amigo irmão de longas datas, e desde então sempre apoia a cena de alguma forma; com zine, produzindo shows e lançando materiais oficiais de bandas. Há muito tempo que ele já havia firmado o compromisso comigo de não só participar do lançamento como nos ajudar em outras frentes para divulgar o trabalho, quero aproveitar o espaço para agradecer o apoio do selo The MetalVox Recs & Distro e reforçar que este é o caminho se quisermos ver nossa cena mais forte: apoiando de forma efetiva, ou seja, comparecendo a shows, adquirindo material de bandas, zines, enfim, dando nossa colaboração para manter sempre acesa a chama do Verdadeiro Heavy Metal Underground!!!
Foto por: Divulgação
Quanto aos outros selos que também participam deste trabalho como a Dopesmoke Heavy Music Productions, Headcrusher Produções e Sociedade dos Mortos, como está sendo essa parceria junto à vocês? E a divulgação está dentro do que vocês esperavam?
Amraking – Essa parceria na verdade é uma verdadeira aliança!!! Somos muito próximos de todos que estão a frente destes selos/produtoras envolvidos com o lançamento/produção do álbum; Joilson Santos (Dopesmoke Heavy Music Prods) é um irmão também de muitos anos e já firmamos uma parceria para fazer parte em definitivo do cast da Dopesmoke HMP que vai ampliar sua linha de trabalho; Carlos Alberto (Headcrusher Prods) é outro amigo de muitos anos que inclusive já produziu eventos com nossa presença, na terceira edição do fudido JequiHell (dezembro de 2015) na cidade de Jequié e o Gleison Ribeiro (Sociedade dos Mortos) é o único que não conheço pessoalmente mas temos contato também há muitos anos e espero estar com ele em breve para finalmente resolvermos essa pendência!! Então a parceria com todos os envolvidos eu posso afirmar estar excelente assim como a divulgação do álbum que está espalhado Brasil e mundo afora – Para desespero daqueles que temem as Trevas!!!
Por ser primeiro full vocês foram bem ousados em limitar a prensagem em 500 cópias. Vão manter-se firme nessa proposta ou estudarão uma futura reedição do CD? Pois com certeza será sold-out muito em breve.
AmraKing – A princípio pensamos em ver como seria a aceitação da cena e também facilitar a distribuição dos envolvidos – menos cópias são mais rapidamente distribuídas. Também existe a possibilidade de lançarmos em outros formatos (sendo que já foi lançado oficialmente nas plataformas digitais), mas não descartamos uma re-prensagem no futuro que deve ser próximo porque as cópias deste álbum estão bem no fim.
Quanto aos shows para divulgação deste primeiro material, como estão sendo?
AmraKing – Fizemos duas apresentações em junho um dia 09/06 aqui em Feira de Santana e outra dia 16/06 em Salvador e foi muito foda ver a recepção do público com o repertório baseado nas canções do disco. Estamos agendando mais datas e novidades serão divulgadas em breve.
Mudando um pouco de assunto, tenho visto seu programa chamado Metalheads FSA que vai ao ar através do Youtube e que conta um número muito expressivo em suas visualizações. Gosto muito de suas entrevistas e nos fale quando começou esse trabalho maravilhoso que você faz…
AmraKing – Bom eu também mantenho (quando posso) um site com entrevistas, reviews, novidades que é o ThunderGod Zine (https://www.thundergodzine.com.br) e no final do ano passado eu pensei em fazer umas entrevistas em vídeo para esse site. Daí, convidei um grande amigo que trabalha com produção e edição de vídeos através da produtora Camguru Filmes o Alan Magalhães que topou na hora, mas ai pensei melhor em não vincular essas entrevistas “somente” ao ThunderGod Zine e só ao cenário de Feira de Santana como um todo entrevistando bandas daqui e que por ventura estiverem passando por aqui ou que tenham alguma história com a nossa cena, daí resolvemos criar o canal MetalHeadsFSA e fico muito feliz em saber que o canal está repercutindo bem na cena!!!
Meu amigo E. O. AmraKing, muito obrigado pelo seu tempo dedicado a essa entrevista e conte sempre com o nosso apoio. Deixe seu recado final para os nossos leitores e também deixe seus contatos para as bandas que queiram participar do seu programa… Um forte abraço!!!
AmraKing – Éden, irmão eu que agradeço a oportunidade, o espaço e toda sua atenção para a divulgação do nosso trabalho!! Muito obrigado mesmo!!!!!! Eu quero finalizar agradecendo também a todos que reservaram um pouco do seu tempo para acompanhar essa conversa e dizer que juntos seremos sempre mais fortes; vamos apoiar mais a nossa cena, comparecendo a eventos, adquirindo materiais de bandas undergrounds, zines, ou seja, colaborando como pudermos!!! Logo abaixo seguem nossos contatos (Martyrdom e MetalHeadsFSA) peço que divulguem aos seus contatos e espalhem a mensagem do Metal Negro da Morte entre os amantes das Artes Obscuras!!! Acompanhem também o canal MetalHeadsFSA e será um enorme prazer divulgar sua banda, eventos, enfim, ser mais uma ferramenta de divulgação do Heavy Metal Underground!!! Heavy Metal is the Law – Never Surrender!!
“Tudo que vemos ou acreditamos ver, nada mais é que um sonho dentro de um sonho” (Edgar Allan Poe)
Ao estarmos com o CD em mãos nos deparamos com uma belíssima capa, assim como todo conceito gráfico de altíssima qualidade que já nos chamou atenção de modo muito positivo. Afinal foi feito pela Putrid Design que mais uma vez realizou um trabalho impecável.
Com mais de vinte anos de existência e resistência, oriunda de Feira de Santana, cidade que é muito conhecida por ter bandas importantíssimas na cena brasileira.
O Martyrdom vem junto aos seus aliados lançar uma obra de uma essência negra de tal forma que ao contemplarmos sentimos uma fria plaga tomar conta de todo ambiente, seus hinos de profanação, guerra e necromancia são proferidos em português, não esquecendo que também está nítido uma veia poética.
Gravado em Feira de Santana, este álbum foi Mixado e Masterizado pelo renomado Jera Cravo em Montreal/Canadá. Sua qualidade sonora da gravação e também da execução de seus músicos nos apresenta uma banda com a certeza de ter acertado em cheio no lançamento deste artefato. Um CD que com certeza é um item obrigatório nos covis dos headbangers brasileiros.
Falando das músicas deste CD, o mais difícil é ter que eleger algumas para comentar já que elas se completam e fazem uma sequencia perfeita. E depois de contemplarmos a belíssima parte gráfica deste CD como mencionado acima, hora de contemplar os hinos aqui presentes…
A intro “Sic Luceat Lux Nosce Te Ipsum” com sua veia clássica e ao mesmo tempo caótica e nos anuncia de forma sutil o que vem a seguir. Em seguida esta obra nos trás “Culto Primitivo à Morte” uma música que o instrumental
permeia entre o Death Metal e principalmente o Black Metal em suas partes mais rápidas, as melodias doentias combinam perfeitamente com suas letras de total adoração à morte.
A música “Aeternum Tenebrarum” acredito que seja a música que instrumentalmente falando tenha sua veia mais pro Black Metal, mais que logo nos arrebata com partes cadenciadas e muito bem elaboradas. A faixa “A Verdadeira Inquisição” é uma música muito fria em sua essência, nos trás o lado sombrio e melancólico da banda em um Death Doom Metal que nos arrebata completamente.
Ao decorrer este trabalho nos mostra que o Martyrdom não é uma banda óbvia, pois não é mesmo. Este trabalho nos mostra uma banda que exibe de forma imponente toda sua experiencia adquirida dos seus mais de 20 anos de carreira.