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  • DAVE MUSTAINE E OS 25 ANOS DE PEACE SELLS… BUT WHO’S BUYING?

    DAVE MUSTAINE E OS 25 ANOS DE PEACE SELLS… BUT WHO’S BUYING?

    Por Mitch Lafon   Há vinte e cinco anos era lançado um dos principais álbuns da história do Thrash Metal: Peace Sells… But Who’s Buying? Hoje considerado um clássico, o disco saiu em setembro de 1986 e foi o segundo lançamento do Megadeth. Para comemorar a data, o material foi relançado em dois formatos – em CD duplo e em CD quíntuplo, contendo várias raridades, para alegria dos colecionadores e fãs em geral. A ROADIE CREW conversou com o líder, fundador, compositor, guitarrista e vocalista do Megadeth, Dave Mustaine, para falar sobre essa data histórica e sobre vários outros momentos da carreira da banda.

    Para começar, qual o significado de Peace Sells… But Who’s Buying? para a banda? Dave Mustaine: Quando nós começamos o Megadeth, nem imaginávamos o quanto a banda iria durar. Na verdade, David Ellefson e eu assumimos um compromisso recíproco de que, se o grupo não desse certo, nós nos algemaríamos num poste de luz e cometeríamos suicídio detonando uma granada… (risos) Depois a gente viu que não era exatamente uma ideia muito inteligente e, de todo modo, nós éramos tão pobres que jamais conseguiríamos comprar uma granada (mais risos). Agora, falando sério, a gente olha para trás e vê todo o sucesso que tivemos naquela época, o tanto que nos divertimos e como esse disco nos firmou nesse cenário… Havia muitas bandas em Los Angeles naquela época, como WASP, Mötley Crüe, Ratt e tantas outras com caras se proclamando que eram caras barra-pesada e isso e aquilo. Nós nunca ficamos alardeando isso, mas éramos sem dúvida sujeitos bem barra-pesada. Lembro que na festa de lançamento de Peace Sells… But Who’s Buying? nós alugamos duas limosines para nós. Na hora em que fui embora, procurei por uma delas mas as duas tinham sumido. Foi quando Chris Poland (N.T.: guitarrista do Megadeth à época) disse que a namorada dele tinha pego uma para ir embora. A gente acabou discutindo e eu dei um soco na cara dele. Era assim que a coisa funcionava conosco e quando as pessoas perguntam se nós éramos perigosos eu digo que éramos, sim.

    Você acha que em algum momento vai voltar a tocar The Conjuring ao vivo novamente (N.T.: a letra faz claras referências a rituais satânicos)? Dave: Sim, sem dúvida. Em algum momento eu vou acabar mudando de ideia. Mas é como diz o ditado: na dúvida, não se meta. E eu tenho dito há tempos que preciso me cuidar. Qualquer decisão errada que eu tome em termos espirituais pode ter um efeito terrível em mim. Eu tive um forte envolvimento com magia negra e bruxaria, li a Bíblia Satância, roguei praga a muita gente e isso causou uma grande confusão na minha vida. Então, quando eu disse que não me meteria mais com isso foi porque eu tinha uma ótima razão.

    Você teve um despertar espiritual por volta de 1999 ou 2000… Dave: Foi em 2001. Eu soube que a reedição do disco tem um texto de Lars Ulrich do Metallica no encarte. Isso seria parte de um processo de reaproximação de vocês, já que, pelo que notamos, há anos você não sente nada que não seja raiva por ele? Dave: Eu não acho que seja bem assim…

    Bem, pelo que a gente lê na imprensa, o que vocês falam um do outro não é exatamente positivo nem muito simpático… Dave: Mas eu repito que não é bem assim. Na verdade, dá pra dizer que temos uma relação pela imprensa e outra relação particular. Quando a gente se fala, sempre perguntamos um pro outro: ‘E aí, cara, o que você anda fazendo? Como você está? Precisamos marcar de tomar uma cerveja juntos.’ Nós nos telefonamos e conversamos assim. Já na imprensa, a conversa é outra. Alguém chega pra mim e diz: ‘Viu o que o Lars falou de você?’ E eu respondo: ‘Ele falou isso mesmo? Você está brincando que é verdade…’ Só que geralmente era alguma coisa bem antiga ou mesmo distorcida por gente que queria criar um antagonismo entre nós pelo simples prazer de me ver chateado. Tem gente que adora dizer coisas que me aborrecem. Então, antes de mais nada você tem que ver a origem das coisas. Quem, em sã consciência, teria interesse em criar uma celeuma entre nós depois de todo o trabalho que tivemos para levar o Big Four para os palcos?

    Por falar nisso, tem uma pergunta que não quer calar. Não quero levantar um aspecto negativo, mas a ‘The Big Four Tour’ é algo pelo qual os fãs clamam há vinte anos. Então, por que vocês deixaram os EUA de fora da tour? Dave: Mas nós já tocamos nos Estados Unidos…

    Sim, mas foram apenas dois shows. Não há chance de haver uma tour americana? Dave: Não creio. Primeiro de tudo, quando marcamos a tour com Lars, eles já deixaram claro que queriam alternar semanas na estrada e semanas em casa, pra curtir os filhos. Não tem como contestar isso, então assim foi. Além disso, não tenho muita certeza de que os EUA estejam realmente querendo uma tour do Big Four. Então, acho que esses dois shows (N.T.: na Califórnia em abril e no Yankee Stadium, em Nova York, em setembro) foram suficientes. E foi ainda mais especial tocar no Yankee Stadium, que é conhecido como o berço de Babe Ruth (N.T.: um dos mais famosos jogadores de beisebol da história). Quem poderia imaginar que um dia tocaríamos lá? Já toquei num estádio de beisebol em 1999, o Bank One Ballpark, com o Black Sabbath com Ozzy nos vocais. Foi muito legal, mas não era o Yankee Stadium.

    Vocês também tocaram no ‘HeavyTO’, em Toronto neste ano. Ano passado, participaram do ‘HeavyMtl’, em Montreal e também fizeram um show secreto que foi até as três da manhã. Você acha que os EUA também estariam preparados para um festival desse tipo? Dave: Eu adoro tocar em Toronto. É uma cidade em que sempre fomos muito bem recebidos e lá temos fãs que nos acompanham desde os primórdios. Nossa relação com a cidade é especial. Nós estivemos também em Montreal há muitos anos, quando uma nevasca…

    Eu me lembro! Eu estava nesse show (N.R.: em 14 de Janeiro de 1998, no Le Metropolis). Você até pediu para os fãs doarem alimentos não perecíveis… Dave: Sim, era isso que eu ia contar…

    Foi algo muito especial que você fez pela cidade. A maior parte das bandas cancelou os shows que tinham marcados para aquele período, mas você não só manteve a data como fez mais. Não foi lá simplesmente, tocou, pegou o dinheiro e caiu fora. O que você fez foi espetacular. Dave: Obrigado. Mas você deve lembrar que a cidade estava debaixo de neve e que ninguém conseguia sair de lá. As pessoas sem teto estavam morrendo de frio. E foi isso que me deu a ideia de ajudar. Não queria ver meus semelhantes morrendo. Não sei quantos dos seus leitores concordam com esse tipo de pensamento, mas eu sempre que posso ofereço algo para comer e para beber às pessoas que moram nas ruas. Às vezes, até pago uma bebida a eles, porque muitos são alcoólicos e precisam de uma dose… E eu sempre pergunto o que aconteceu nas suas vidas para eles irem parar nas ruas. As histórias que eu ouço são terríveis, as piores que você pode imaginar. Um ficou viúvo e acabou perdendo tudo. Outro voltou ferido da guerra. E coisas piores… São pessoas comuns, como eu e você. É nessas horas em que em penso como sempre fui muito recompensado e o quanto minha vida é privilegiada. Então, se eu estou em Montreal e posso dar a chance para algumas pessoas de terem um cobertor e alguma comida, eu certamente vou fazer isso, até porque é uma atitude que ajuda a lembrar quem eu sou. Não sou um sujeito especial, sou igual a todo mundo.

    Voltando a Peace Sells… But Who’s Buying? Você pensa em fazer uma tour tocando esse disco na íntegra? Dave: Não sei… Fizemos isso no ano passado na ‘Rust In Peace Tour’, também para comemorar o aniversário do disco (N.T.: vinte anos) e foi bem legal, mas o caso é que não podemos ficar repetindo essa fórmula. Senão, daqui a pouco vamos fazer tours para comemorar cinco ou dez anos de cada um dos discos que lançamos e nunca mais vamos tocar nada novo, vão ser só turnês de aniversário. E eu quero criar músicas novas. Shawn (Drover, baterista do Megadeth) tocava numa banda chamada Eidolon. Ele era o principal compositor da banda, então sabia como funcionava um processo de composição. Só que ele nunca tinha trabalhado com alguém com eu antes. Quando fomos ao estúdio pela primeira vez, ele tinha algumas músicas prontas e eu disse a ele: ‘Eu não escrevo músicas. Basicamente, junto riffs.’ Então, quando fomos gravar o disco, nos criamos um monte de riffs e depois separamos o que íamos usar e o que íamos dispensar. Só aí fui olhar as letras dele e não gostei de nenhuma. Hoje ele já sabe como trabalhar comigo e está até escrevendo letras para nós. É bem engraçado vê-lo grunhindo as melodias, mas tem funcionado bem. Eu nunca começo a fazer um disco com ideias pré-concebidas. Então, várias coisas podem acontecer.

    Cite um exemplo deste método de trabalho que você comentou. Dave: Por exemplo, posso não querer fazer um disco extremamente rápido, mas essa pode se mostrar a única forma de fazê-lo funcionar. E uma única nota pode gerar um grande clímax! Então, o objetivo tem que ser chegar ao final e dizer: ‘Conseguimos! Era essa a música que eu estava buscando.’ Shawn me disse algo engraçado a respeito outro dia. Sempre que entro no meu carro, minha mulher ou meus filhos ligam o rádio na estação de Country Music. Não tenho nada contra Country Music, até acho que há muitas coisas boas lá, então deixo rolar. E eu estava conversando com Shawn e ele começou: ‘Eu sei que você adora Country…’ Eu não gosto de Country! Só escuto no meu carro com minha família. Então, as pessoas acabam tendo ideias pré-concebidas a seu respeito. Eu não tenho nada contra nenhum estilo de música. Ouço de tudo no meu computador, ligo na Rádio Pandora e escuto os mais variados gêneros dos mais diversos artistas. Eu ouço de tudo e acho que isso é o mais bacana no Megadeth, porque nós começamos como uma banda Punk… Eu gostava de Punk, das bandas da British Invasion e de NWOBHM. E a combinação de todos esses ingredientes acabou sendo marcante porque ninguém estava fazendo aquilo. Eu adorava AC/DC e também adorava Diamond Head ou Mercyful Fate. Eles não iam naquela progressão manjada de verso-refrão-verso-refrão-solo-refrão-final. As músicas deles contavam histórias e tinham estruturas diferenciadas. Tem gente que me diz que Peace Sells… But Who’s Buying? é um dos primeiros discos de Prog Metal da história e eu até acho que pode ser… Acho que Wake Up Dead pode ser tranquilamente um tema Progressivo. Pois é, voltando à sua pergunta anterior, acho que poderíamos ter nos divertido bastante se tivéssemos tido a oportunidade de fazer um ou mais shows de aniversário desse disco. E sobre The Conjuring, ia depender da minha cabeça no momento. Mas eu poderia cantá-la sem problemas, talvez só mudasse a letra.

    Você consegue separar o artista de você como pessoa? Tipo: ‘Aqui é o artista cantando a música, não sou eu.’ Dave: Não, jamais conseguiria fazer isso. Seria uma mentira para mim. Quando canto, eu sou eu mesmo e a música se torna parte de mim. Eu me transformo na música. Sei que tem muita gente que diz: ‘É só uma música que estou cantando.’ Mas esse não sou eu.

    Seria como se você fosse um ator. Você representa um papel num filme, mas isso não significa que você seja como aquele personagem… Dave: São coisas diferentes…

    No momento, a banda está com Shawn na bateria, o fantástico Chris Broderick na guitarra e Dave Ellefson de volta ao baixo. Como esse time soa musicalmente para você? Dave: Veja dessa forma: se eu tivesse encontrado Shawn lá no começo, o Megadeth jamais teria tido outro baterista. Ele é o sujeito certo para o posto. E tem uma grande personalidade e um grande espírito. Dave está mandando muito bem e Chris é um cara sossegado. Ele é uma pessoa bem peculiar. Toca como se fosse de outro planeta e é uma pessoa ótima. É muito dedicado ao trabalho e sempre evita qualquer tipo de problema.

    Se você pudesse escolher, essa seria a formação que você manteria até se aposentar? Dave: Sim. Mas não veja isso como um desrespeito aos fãs e suas preferências ao longo dos anos. Há momentos do passado que eu considero insuperáveis, mas se pensarmos no todo, nas dificuldades e nos altos e baixos por que passamos, prefiro essa formação a qualquer outra. Eu ainda sou amigo de muitos dos caras que passaram pela banda. Tem muitos de que, não sou amigo, mas sempre há uma razão… Seja como for, todos eles me ajudaram a chegar onde estou hoje e sou muito agradecido por isso. Desejo a eles o melhor e que cada um deles tenha o mesmo sucesso que estou tendo hoje. Nós todos fomos irmãos em algum momento da vida.

     
  • ICED EARTH

    ICED EARTH

    Vira e mexe o mentor da banda norte-americana Iced Earth, Jon Schaffer, tem que explicar aos seus fãs os motivos das constantes trocas de vocalistas. E, agora, com Dystopia, lançado recentemente no Brasil em versão digipack pela gravadora Shinigami Records, o guitarrista mais uma vez precisou comentar a respeito das mudanças de formação. O entra e sai de Matt Barlow, os discos com Tim “Ripper” Owens e agora, com o canadense Stu Block (Into Eternity), entrevistado com exclusividade pela ROADIE CREW na edição #155 (dezembro, 2011). E agora, vamos saber o que pensa Schaffer sobre a nova fase e o novo integrante.

    O vocalista Matt Barlow deixou o Iced earth em 2003, voltou em 2007 e saiu novamente em março último. Quais as circunstâncias dessa última saída dele? Jon Schaffer: Quando ele voltou, deixou claro que seria algo temporário. Ele tem uma carreira profissional (N.T.: ele é policial), tem família e eu aceitei isso tranquilamente. Nós fizemos mais um disco juntos (N.R.: The Crucible Of Man: Something Wicked Part 2, de 2008) e fizemos uma tour. Só que a indústria musical mudou muito e hoje as bandas têm que se manter na estrada para continuar na ativa. Matt não podia assumir esse compromisso e eu entendi perfeitamente. Eu adoro esse cara e desejo tudo de melhor a ele, mas nós viramos essa página e agora estamos num novo capítulo na história do Iced Earth.

    Você escolheu Stu Block, do Into Eternity, para substituir Matt. O que o convenceu de que ele era a pessoa certa para o posto? Jon: Eu assisti aos vídeos do Into Eternity e gostei do que vi nos olhos dele. Ele mostrava intensidade e paixão, que são coisas que seu sempre busquei num ‘frontman’. E a pergunta seguinte foi: ‘Será que a voz dele vai se adaptar à banda?’ Tínhamos que checar isso, porque eu nunca tinha ouvido Stu cantar naquele registro antes. A primeira coisa que pedi a Stu quando a gente marcou de se encontrar foi para ele preparar algumas de nossas músicas antigas. Em seguida, começamos a trabalhar no material novo. Não dei a ele muito tempo, mas o resultado foi ótimo. Quando ouvi o que ele trouxe para End Of Innocence e para a faixa que viria a ser Dark City eu o chamei de lado e disse: ‘Cara, o trabalho é seu.’ Percebi na hora que poderíamos criar uma ótima parceria. Stu é um cara inteligente e é comprometido – e fazia tempo que eu não tinha um vocalista que se comprometesse de fato com a banda, o que era um problema sério. E meu instinto me disse que Stu era o cara certo. Lembrava da sua energia nos tempos em que o Into Eternity excursionou com a gente e tinha certeza de que ele casaria perfeitamente com a banda. Lógico que no Iced Earth a dinâmica é outra, mas ele mostrou ter tudo o que precisávamos.

    O material de Dystopia foi escrito já com a certeza de que Stu iria cantar ou quando ele entrou já estava tudo pronto? Jon: Havia algumas poucas faixas prontas quando ele entrou na banda e nós fomos descobrindo e aprendendo a explorar a voz dele durante o processo. Fizemos algumas coisas bem fora do que estávamos habituados por causa da voz dele. Funcionou muito e Stu se envolveu bastante no processo todo, mais do que qualquer outro vocalista que já tivemos no passado. Ele fez várias letras e melodias vocais, outras nós fizemos juntos, e outras ainda eu fiz sozinho. Temos um ótimo time de compositores e isso me anima muito. É mais divertido e tira a pressão de cima de mim.

    Você é o cérebro que comanda o Iced Earth. É difícil incluir uma nova pessoa no processo criativo – principalmente no caso de alguém que você ainda não conhece tão bem –, levando em conta que a banda é a sua paixão? Jon: Na verdade, o processo criativo nunca foi fechado. Isso é uma coisa que as pessoas têm dificuldade para entender. Os vocais e as letras de Matt eram realmente ótimos, mas a criação das melodias era um problema exclusivo meu. Algumas pessoas não têm o dom de compor e a gente tem que aceitar isso. Por isso é ótimo quando surge alguém como Stu, que é capaz não apenas de cantar, mas de criar melodias realmente boas. Com gente assim não há o menor problema em dividir o trabalho de composição. E nossa parceria está apenas começando!

    O Iced Earth é conhecido pelos discos conceituais, mas Dystopia segue uma linha diferente. Desde o início vocês já tinham definido que ele não seria um disco conceitual ou isso foi resolvido durante o processo de composição? Jon: Desde o princípio ficou totalmente claro que não seria um álbum conceitual. Nós estávamos buscando um tema para a arte da capa, algo que representasse o disco como um todo e vimos que seis das letras falavam de distopia (N.T.: distopia é a antítese da utopia e geralmente se caracteriza pelo autoritarismo e pela opressão).

    Essa decisão foi tomada para facilitar o processo, para deixá-los mais livres para escrever as músicas sem ter a obrigação de ter que criar uma história também? Jon: Esse disco foi feito sob considerável pressão. A sorte é que, em relação aos discos anteriores, eu me encontro num momento pessoal muito bom. Durante o processo de composição de Framing Armageddon (2007) e The Crucible Of Man(2008), perdi vários membros de minha família – meu pai, um irmão e uma irmã. Tudo isso no período de um ano. Foi simplesmente brutal e eu não conseguia me concentrar como normalmente fazia. Depois desse período que eu chamo de ‘despertar para as vicissitudes da vida’, comecei a me senti bem melhor e feliz novamente. Mais feliz do que jamais havia sido, para falar a verdade. E a união de todos esses fatores deram um direcionamento natural para o novo disco. Por isso ele é centrado, pesado, intenso, melódico e até mesmo épico, apesar de não haver nenhuma música grandiosa nele.

    A despeito da forma como Dystopia tenha sido recebido, a grande questão é: Stu vai conseguir desempenhar a contento as antigas canções de vocês? Há uma grande expectativa em torno disso, já que as pessoas esperam ouvir esse material cantado de uma determinada forma mas há uma nova voz conduzindo-as. Como foi o processo de adaptar Stu ao repertório antigo da banda? Pergunto por que algumas músicas precisam ser apresentadas de uma forma bem específica. Jon: A percepção das pessoas passa por isso, mas para mim pé diferente. Eu sou o compositor dessas músicas e não as ouço da mesma forma que os fãs. Minha perspectiva é completamente diferente. Não quero que Stu soe como Matt ou Tim (‘Ripper’ Owens, vocalista da banda entre 2003 e 2008). Quero que ele soe como Stu. Não quero um clone de quem quer que seja na banda, quero alguém que faça seu próprio trabalho, que caminhe com suas próprias pernas. Claro que ele vai cantar o material antigo e eu tenho certeza que vai ficar ótimo. Vai ter gente que vai reclamar? Claro que vai, mas eu nunca tomei as decisões na carreira do Iced Earth baseado no que as pessoas de fora pensam e dizem.

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  • HELL

    HELL

    A banda Hell teve trajetória curta mas deixou um grande material escrito e que não chegou a ser gravado. Agora, quase trinta anos após sua criação, o Hell finalmente lança seu disco de estreia, Human Remains, pela Nucelar Blast. Formado em 1982 por Dave G. Halliday (vocais e guitarra), Kev Bower (guitarra), Tony Speakman (baixo) e Tim Bowler (bateria), o grupo voltou à ativa com David Bower (vocal) e o guitarrista e aclamado produtor de bandas de Heavy Metal Andy Sneap no lugar de Dave, que cometeu suicídio por inalação de gás carbônico em 1987. Andy, que foi aluno de guitarra de Dave, falou sobre o disco e sobre a trajetória do grupo.

    Qual é exatamente a ligação que o Hell tem com o Metallica? Andy Sneap: Imagino que você esteja se referindo ao fato de eles terem falado sobre gravar uma música do Paralex na época em que estavam escolhendo o repertório de The $5.98 E.P.: Garage Days Re-Revisited (1987). Lars Ulrich comentou isso em entrevistas. O Paralex (N.R.: banda que tinha na formação dois integrantes da formação original do Hell) lançou um EP em 1980 – e em vinil verde! E também participou da coletânea NWOBHM: ’79 Revisited (1990), que saiu por iniciativa de Lars e do jornalista britânico Geoff Barton. A ligação com o Metallica não vai além disso.

    O Hell foi criado em 1982 e não muito tempo depois encerrou atividades. O que aconteceu para vocês se separarem tão rápido? Andy: A banda assinou com a Mausoleum Records ali por volta de 1984 ou 1985 e em seguida eles quebraram… Em seguida, todos entraram num período negro: todo mundo quebrado, desiludido e desinteressado. Kev foi o primeiro a sair e em seu lugar entrou um dos alunos de guitarra de Dave, Shaun Kelly. Mas um ano depois a banda parou definitivamente e, infelizmente, Dave tirou a própria vida no início de 1987.

    Como foi esse período após a morte dele? Andy: Depois que ele morreu, cada um buscou seu próprio caminho. Kev e Tim desistiram da música. Tony continuou tocando em bandas locais. Eu encontrei Tim e Tony uns dez anos depois e eles, claro, sempre falavam sobre os velhos tempos. Tempos depois, conheci o filho de Kev, que é fã de Heavy Metal e de várias bandas que eu produzi. E aí surgiu essa ideia maluca de gravar o material que a banda tinha deixado. Nem esquentamos muito a respeito, foi como um encontro de velhos amigos em volta de algumas cervejas e com um disco para gravar nos momentos livres. Mas isso juntou a turma novamente e foi muito divertido. Acho que o resultado fala por ele mesmo.

    David Bower, o novo vocalista, é bem teatral, tanto visualmente como em relação à entonação vocal. Andy: Ele chegou a nós por intermédio de Kev, já que são irmãos. David é ator profissional, ele fez alguns trabalhos para a TV britânica e chegou a ficar uma temporada em cartaz em Londres com a peça Otelo, de Shakespeare. Mas no dia em que o ouvi fazendo uns backing vocals percebi que ele era a peça que faltava no nosso quebra-cabeças. Por ser irmão de Kev, já tinha visto a banda várias vezes, então sabia exatamente o que tinha que fazer.

    Todas as músicas de Human Remains foram escritas pela formação original? Andy: Sim, são todas dos anos 80. Fizemos algumas pequenas alterações nos arranjos para dar uma pequena modernizada, mas, fora isso, são rigorosamente originais.

    Chega a ser surpreendente que vocês tenham se reunido e não escreveram uma música sequer. Andy: Não, para esse disco não. O próximo queremos fazer com 50% de músicas antigas e 50% de novas. Há muito ainda por vir e temos grande planos para a banda. Como eu disse antes, Kev tinha desistido da música, mas agora ele a redescobriu e as ideias estão fluindo. Eu também já tenho um bocado de riffs e ideias, e David também é um guitarrista talentoso. Tony já mostrou uns dois temas para nós, então acho que já temos material até para um terceiro disco.

    Você está na cena há tempo suficiente para saber o quanto a produção musical evoluiu. Como estavam as demos em termos de qualidade em relação ao que se exige hoje em dia? Andy: Pra começar, elas eram mono. Não estou brincando, é verdade! E aí a gente entra no velho debate de análogo versus digital. O que eu tentei colocar nesse álbum foi o máximo de honestidade possível em relação ao material original. Procuramos dar uma abordagem ‘old school’ às músicas, sem emendas e coisas do tipo. As pessoas têm comentado que a produção deixou o disco mais orgânico do que as produções atuais, mas isso tem mais a ver com as composições em si e com a forma de tocar do que com a produção. Fiquei trabalhando no disco uns três anos, sempre que tinha uma folga me dedicava a ele. Quando tinha um final de semana livre, ligava pra turma e vinha todo mundo para o estúdio. No fim, não foi tão complicado. A parte mais difícil foi dizer ‘está pronto’ porque um disco nunca acaba…

    Tem gente curtindo esse disco que nem era nascida quando o Hell gravou sua primeira demo, em 1982. Andy: A reação das pessoas foi surpreendente. Nós sabíamos que era um bom álbum, mas não imaginávamos que as pessoas fossem gostar tanto dele assim. É sempre um pouco tenso quando você lança um disco, mas é muito satisfatório quando todas as opiniões sobre ele são positivas. Isso só confirma que fizemos a coisa certa. E quando isso acontece depois de todo o trabalho que dá, é uma sensação maravilhosa.

    O quanto você acha que a NWOBHM influencia nas bandas de hoje? Andy: Acho que a cena atual está um bocado saturada de bandas novas – e os selos têm grande culpa nisso. Tudo está muito previsível e é natural que as pessoas procurem algo das antigas do que riffs com guitarras de sete cordas. Nos anos 80, as pessoas realmente acreditavam no Heavy Metal, aquilo vinha do coração de quem fazia. Nunca vou lançar um disco se não estiver 100% satisfeito com ele. As bandas parecem muito apressadas hoje em dia e não acho que elas consigam se desenvolver assim.

    É bom saber que você está tocando guitarra novamente e que em breve estará no palco com o Hell. Afinal, faz um bocado de tempo que sua outra banda, Sabbat, não se apresenta ou lança alguma coisa… Andy: Na verdade, eu sempre fui guitarrista. A produção é uma espécie de ‘plano B’ que acabo funcionando. Tenho que admitir, ando muito entediado de ficar sentado o dia inteiro no meu estúdio. Então, estou me dando essa nova chance. Estou 100% envolvido nisso, é muito divertido. Pode até custar algum dinheiro e talvez tenha que deixar de fazer um ou dois discos, mas quer saber? Eu nem ligo. Pra mim, tocar é algo que não tem preço.

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  • HOISTWAY

    HOISTWAY

    Ao lançar o álbum de estreia, homônimo, o trio instrumental Hoistway vem chamando a atenção não só pela musicalidade, mas também pelo fato de ter em sua formação três pioneiros do Hard N’ Heavy brasileiro que há muito tempo estavam afastados da cena. Ao contrário do que possa parecer, Tomas Catafay (baixo, ex-Abutre), Adriano Giudice (guitarra, ex-Centúrias) e Nardis Leme (bateria, ex-Salário Mínimo) não pararam de tocar, mas somente agora resolveram explicitar novamente o prazer de se fazer música. Tomas conta mais detalhes sobre o projeto e relembra passagens da fase inicial do Metal brasileiro.

    A última vez que as pessoas ouviram falar seu nome em um registro foi no SP Metal 2, com as músicas Rock Rock Rock e Quando o Fogo Começa a Arder do Abutre. Por que você passou tanto tempo afastado da cena? Tomas Catafay: Foi questão de momentos e escolhas. Na época, e acredito até hoje, eram raros os dias que quando se fazia a conta do consumo do bar sobrava algum trocado ao final das apresentações. A opção foi seguir com a música de uma forma mais pessoal até que os planetas se alinhassem novamente. O legal é que com isto se teve todo o tempo do mundo para trabalhar nas composições com tranquilidade e curtir o processo de criação.

    Os outros integrantes têm basicamente a mesma história. O guitarrista Adriano Giudice – irmão do guitarrista original do Abutre Ricardo Giudice – foi considerado um prodígio quando gravou o álbum Última Noite do Centúrias, mas sumiu do cenário assim como Nardis Lemme, baterista que gravou Beijo Fatal (Salário Mínimo). Como vocês se reuniram para tocar? Tomas: Acredito que tanto o Adriano como o Nardis viveram os mesmos dilemas que mencionei anteriormente, e cada um seguiu seu caminho. Tinha já este projeto na cabeça há algum tempo, e fui costurando as coisas aos poucos. Mantive contato bastante próximo com o Nardis que continuou gravando com bandas e tocando ao vivo, e quando pintou uma brecha agendamos umas jams. Trouxe as composições do disco em um período onde foi possível bastante dedicação nos arranjos. A ideia original era chamar guitarristas convidados para gravar duas faixas cada um e fazer um CD com diferentes pegadas. Contamos com ótimas contribuições do André “Tri” Ferraz e do Fabio Christianini. Sempre admirei o talento do Adriano que, como você mencionou, foi prodígio no Centúrias. Depois que fez suas faixas acabou levando o projeto até o fim como integrante da banda.

    Por que escolheram o nome Hoistway (‘caixa de corrida do elevador’) para este projeto? Tomas: Quem já teve banda sabe como a questão do nome pode ser complicada. A preferência era por algo que representasse o cotidiano, sem grandes viagens. Hoistway têm uma sonoridade legal e atende o que se queria. Se existir algum “simbolismo” talvez seja o fato de estar aí mas a gente não se dar conta.

    Existe alguma razão por terem escolhido gravar um álbum instrumental de Rock ao invés de montar uma banda com um vocalista? Tomas: Este é outro ponto pessoal e complexo. Sem nenhum desprezo à contribuição dos vocalistas, acredito que deva existir além da linha melódica de voz alguma mensagem que se queira passar – as palavras têm muita força. Para ser franco, a mensagem a passar em nosso caso é o prazer de se fazer música, que o arranjo instrumental dá conta. A admiração por bandas que promoveram esta abordagem musical também foi sempre muito grande.

    Além de influência explícita de Rush na faixa L’atitude, quais foram as outras referências para a composição das músicas contidas neste ‘debut’? Tomas: É muito tempo vivido com o Rock’n’Roll na cabeça. Algumas influências podem ser mais explícitas do que outras, mas acredito que se encontra de tudo um pouco no CD. De qualquer maneira, se estão lá apareceram de forma involuntária e fica como homenagem para quem fez parte da nossa história. Curtição é sacar a fonte – se entregar de bandeja perde a graça!

    Títulos de músicas instrumentais ou trazem boas histórias por trás ou são absolutamente aleatórios. No caso do Hoistway, de onde vieram as ideias para músicas como BR 015Bounce To DiskPulmão e Arame Farpado? Tomas: Tenho o hábito de registrar as composições em casa, em gravador digital, para enviá-las eletronicamente aos demais integrantes da banda. BR015 foi o registro eletrônico desta faixa. Bounce To Disk trata do suado momento quando todo o trabalho de gravação do dia todo vira registro final na técnica do estúdio. O nome Pulmão veio depois de uma ideia doida que surgiu no curso do trabalho de gravação desta música. Quem prestar bastante atenção, vai notar que depois do ‘didgeridoo’ (instrumento de sopro australiano) que abre o disco segue em plano de fundo uma espécie de mantra que exigiu plena capacidade pulmonar do André Ferraz, um dos guitarristas convidados e mago da Oficina Eletroacústica. Já no caso de Arame Farpado, a origem é bem mais simples. Apresentei a faixa com o nome original para minha filha que, sem pensar duas vezes, mandou ver: ‘muda para Arame Farpado’. Talvez o riff meio Country tenha contribuído.

    Voltando no tempo, do surgimento em 1982 ao encerramento das atividades em meados de 1986, o Abutre conseguiu um bom status no underground paulistano e até hoje é reverenciado. Como você vê o legado deixado não só por você, mas também pelo Centúrias e o Salário Mínimo, bandas contemporâneas de SP Metal? Tomas: Existiu este momento muito legal, com uma boa sinergia entre os grupos. Todo mundo ralava agendando shows, carregando equipamentos, procurando oportunidade para gravar, arrancando leite de pedra. O SP Metal, idealizado pelo Luizinho Calanca da Baratos Afins, deu espaço para a galera mostrar seu trabalho, o que quero acreditar acabou abrindo algumas portas para quem vinha na sequência. O registro que ficou, se não é tecnicamente fantástico, certamente é honesto. Saudades dos oitos canais do Vice Versa!

    Com esta união de vocês, é inevitável não lembrar o show no festival “Metal 4”, realizado a 3 de maio de 1986 no ginásio da Sociedade Esportiva Palmeiras (SP). Você se lembra daquele evento, que contou com Centúrias, Salário Mínimo, A Chave do Sol e acabou sendo o último do Abutre? Tomas: Não dá para esquecer, até porque ainda existe registro gravado. A adrenalina estava alta. Me recordo também de outros bons eventos na Vila Belmiro em Santos, no SESC Pompéia, e pelo interior do Estado. Acredito que o “Metal 4” foi sim o principal show que participamos. Por alguma razão acabou não detonando tudo na sequência como se imaginava. De qualquer forma fechou em alta um ciclo que foi muito legal.

    Outra ligação indireta entre vocês, pioneiros, é que o logotipo do Abutre foi desenhado pelo primo de Rubens Guarnieri, ex-baixista do Centúrias; e o Ricardo Giudice gravou as músicas do SP Metal 2 com o amplificador de Rubens Gióia (A Chave do Sol). Você acredita que naquela fase inicial do Metal brasileiro as coisas eram realmente feitas com mais paixão e colaboração mútua entre os músicos? Tomas: Que memória! Havia sim colaboração e paixão no que se fazia. Acredito que a paixão permaneça, mas muita coisa mudou para o músico, possivelmente para melhor. Existe agora uma facilidade grande para se registrar um trabalho. Nem amplificador se precisa pedir emprestado – o Pro Tools cuida disto. Estúdios à disposição, prensagem fácil, transmissão eletrônica de músicas, homepages para as bandas, rede de relacionamento, etc, tudo ao alcance das mãos. Agora, se vai sobrar algum troco no fim do dia já é outra história.

    Após promover este lançamento do álbum de estreia pela Voice Music, gravadora comandada por outro veterano da cena brasileira de Metal – Silvio Golfetti (ex-Korzus) –, o que vocês planejam? Tomas: O Sílvio deu um suporte legal para colocar o ‘Volume 1’ na rua pela Voice Music. Têm ainda bastante material inédito para processar – mais um ou dois CDs. Seguimos na Oficina Eletroacústica com as gravações do ‘Volume 2’. O objetivo é disponibilizar o produto já no ano que vêm. Neste ínterim, a intenção é promover o CD recém lançado. Com o tempo a gente fica um pouco mais crítico, e também escolhe um pouco mais!

    Deixe uma mensagem final aos leitores e aos entusiastas da fase inicial do Metal brasileiro. Tomas: O Rock’n’Roll entra no DNA e não sai mais. Tenho certeza que os leitores da ROADIE CREW sabem disto melhor do que ninguém. Produzimos material porque acreditamos que exista quem aprecie o trabalho. Têm muita coisa boa por aí, além daquilo tudo que temos à disposição desde muito tempo. Seguimos nesta estrada.

    Sites relacionados: www.hoistway.com.br www.voicemusic.com.br

  • ANTHRAX

    ANTHRAX

    Frank Bello é conhecido, antes de tudo, por tocar baixo no Anthrax junto com seu tio, o baterista Charlie Benante. Mas, além de ex-roadie, ele também tem uma atração grande por atuar. Tanto que ele está escalado para representar o músico Punk Richard Hell no filme “Greetings From Tim Buckley”, que tem lançamento previsto para o próximo ano. Mas, no momento, o músico está dividido entre a tour de divulgação do novo álbum do Anthrax, o aclamado Worship Music, e as responsabilidades de pai. Bello conversou com a ROADIE CREW sobre todos esses assuntos.

    Fazia oito anos que vocês não lançavam um disco de inéditas e por várias vezes vocês começaram a trabalhar em material novo e pararam. Você até chegou a sair da banda para entrar no Helmet e, além disso, houve as trocas de vocalistas. Como vocês finalmente acabaram lançando Worship Music? Frank Bello: Houve, mesmo, uma série de tentativas de se lançar o disco. Mas para chegarmos nesse resultado, com ótimas resenhas nas revistas (graças a deus!), nós tivemos que ser muito determinados. Nós realmente nos matamos, tivemos muitos problemas a enfrentar. Na verdade, a gente só queria tocar a banda adiante, mas as coisas começaram a fugir do nosso controle. E tudo o que a gente queria fazer… era justamente o que estamos fazendo agora! Tínhamos Joey Belladonna de volta e queríamos lançar um disco como esse. Houve muito sangue, suor e lágrimas para chegarmos onde queríamos. Mas hoje estamos tocando para grandes plateias e vivemos um ótimo momento.

    Os últimos anos foram muito frustrantes para vocês por conta dos problemas que enfrentaram? Refiro-me ao vocalista que não deu certo (Dan Nelson), sua saída para o Helmet, a volta e a saída de John Bush… Frank: John tem sua vida. Nós estávamos fechados com ele, mas ele tem sua família e não quer mais viver essa vida. Eu respeito completamente essa opção dele e nós continuamos gostando muito dele. Em relação à minha ida ao Helmet, achei que era oportuno darmos um tempo uns dos outros. E o resultado é que isso deixou a banda ainda mais forte. Quando eu voltei, estávamos mais unidos do que nunca. Era disso que precisávamos para tornar o Anthrax ainda mais forte. E a volta de Joey Belladonna foi a cereja que faltava ao bolo. Nada acontece por acaso e eu estou muito feliz com tudo que aconteceu com a banda.

    Quando você trocou o Anthrax pelo Helmet, já tinha em mente essa ideia de apenas dar um tempo ou naquele momento você sequer chegou a cogitar que um dia voltaria? Frank: Eu não considerava minha missão cumprida no Anthrax, mas repito que nós dois, eu e a banda, precisávamos dar um tempo um do outro. Estava havendo muitos conflitos, pra ser bem franco. E foi em parte minha culpa por termos rompidos – eu dividiria essa responsabilidade meio a meio. Mas, como disse, acho que foi bom ter ocorrido esse rompimento temporário. Fui para o Helmet e passei dois anos em turnê, o que foi ótimo pra mim. Aprendi muito participando de outro grupo. Acredito até que me tornei um músico melhor e que voltei para o Anthrax como uma pessoa melhor, também.

    Você ainda tem interesse em participar de projetos paralelos ou seu foco agora é exclusivamente o Anthrax? Frank: Meu foco principal em termos de música é o Anthrax, mas tenho outros projetos como ator. Estou completando a filmagem de ‘Greetings From Tim Buckley’ (N.T.: a entrevista aconteceu no princípio de outubro), faltam apenas alguns dias para encerrar esse trabalho.

    Eu ia justamente fazer algumas perguntas sobre o filme mas, antes disso, pode-se dizer, então, que musicalmente falando você está no Anthrax ‘até que a morte os separe’? Frank: Sim, é isso mesmo.

    Voltando ao filme, trata-se de um documentário ou de um drama? Frank: É um drama. Meu empresário me colocou em contato com a diretora Amy Kaufman e cá estou. Foi tudo muito rápido, falei com ela numa quinta-feira e na segunda seguinte já estava filmando.

    Ninguém imaginava ver Frank Bello do Anthrax atuando num filme… Frank: Mas eu estudei artes dramáticas. Sempre adorei representar. E está sendo incrível representar Richard Hell. Estudei muito sobre ele e estou adorando representá-lo.

    Você também vai participar musicalmente do filme?
    Frank: Não vai ter nada de minha autoria nele, mas eu canto a música Moulin Rouge, de Tim Buckley. Confesso que não conhecia bem a história de Tim (N.T.: músico americano de vanguarda que morreu em 1975, aos 28 anos, de overdose). Estudei bastante e hoje sei muito sobre ele.

    Vai ser sua própria voz cantando essa música ou você dublou alguém? Frank: Não, sou eu mesmo cantando! E com uma banda de verdade. Vai ser bem interessante, você vai ver.

    Voltando ao Anthrax, o assunto mais palpitante em torno da banda nos últimos anos teve a ver com as trocas de vocalista. Você diria que Joey Belladonna voltou à banda em caráter definitivo? Frank: (enfatizando) Sem dúvida alguma! Eu falo assim porque pra mim esse é o Anthrax! Quando eu ouço esse disco, não vejo qualquer defeito nele. Repito, esse é o Anthrax! Era isso que nós procurávamos, esse cara (Joey) não envelhece. Seus vocais estão melhores hoje. Ele sempre foi um ótimo vocalista e conseguiu ficar melhor ainda. E nesse disco ele simplesmente se superou, acho que foi uma das melhores performances da carreira dele.

    Na minha opinião, Worship Music é um dos melhores discos da banda. Diria que é o álbum que o Anthrax estava devendo aos fãs… Frank: Pra mim ele tem um significado ainda maior exatamente por causa disso que você disse: é o disco que a gente precisava fazer. Isso resume tudo e eu o agradeço por ter percebido isso. Fazê-lo custou muito sangue, suor e lágrimas e eu espero que todos os fãs gostem dele como você gostou.

    O quanto esse disco tem de realmente novo e o quanto ele tem de coisas que vocês fizeram já há algum tempo? Frank: Charlie (Benante, bateria), Scott (Ian, guitarra) e eu escrevemos essas músicas ao longo do tempo, mas depois demos uma revisada nelas. O mais legal de termos tido todo esse tempo é que pudemos avaliar com calma o que ia funcionar e o que não ia. Tivemos esse privilégio de pode fazer o trabalho sem pressa. Então, deixamos algumas coisas de lado porque vimos que não ia funcionar, mas o que deixamos ficou praticamente igual à ideia inicial.

    Mas vocês usaram as gravações iniciais ou regravaram os instrumentos? Frank: Eu regravei todas as linhas de baixo. Achei que ficaram bem melhores, deram uma renovada no material. Fiquei bem mais satisfeito com o que fiz agora do que com as gravações originais. Scott também regravou algumas bases.

    Como vocês levaram oito anos para lançar Worship Music, já estão pensando no próximo disco? Frank: Ainda não queremos pensar nisso. A única coisa que temos em mente é que o Anthrax está numa excelente fase e isso é um ótimo prenúncio para o futuro. Nessa banda nós pensamos num dia após o outro. Posso dizer que estamos no nosso melhor momento e o ‘Big 4’ nos ajudou muito nisso. Agradeço muito ao Metallica por isso, por ter dado esse pontapé inicial de que nós tanto precisávamos.

    Vocês estão completando trinta anos deatividades. Poucas bandas duram tanto… Frank: Trinta anos! Dá pra imaginar? Somos uma banda de Heavy Metal com trinta anos de atividades e as pessoas discutem se nosso último disco é o melhor de nossa carreira… É quase inacreditável que tudo isso esteja acontecendo.

    Pois é, o Anthrax ainda consegue fazer as pessoas discutirem sobre seu novo disco. Nem todas as bandas conseguem isso. Por exemplo, eu não vejo ninguém discutindo o novo trabalho do Village People… Frank: (rindo) E o mais engraçado nesse seu comentário é que nós estávamos num aeroporto na Europa uns dois meses atrás e encontramos juntamente com o pessoal do Village People! (mais risos) Você citou o ‘Big 4’. Vocês tocaram no Yankee Stadium, que fica na região em que vocês cresceram (em Nova York). Imagino que tenha sido algo especial para vocês, não? Frank: Foi incrível! Essa é a única palavra que eu encontro para descrever isso. O lugar onde eu cresci fica a dez minutos de lá e nós todos somos fanáticos pelo New York Yankees (N.T.: time de beisebol). Nossa lista de convidados para esse show foi absurda! (risos)

    Mudando de assunto, na última turnê você ministrou algumas clínicas de contrabaixo com patrocínio da Hartke (N.T.: fabricante de amplificadores para contrabaixo). Pretende continuar com isso na próxima tour?

    Frank: Eu adoro ministrar essas clínicas porque assim fico em contato com a garotada que quer se tornar baixista. Eu cresci no Bronx, era completamente duro e a música foi o que me inspirou a lutar pelo que sempre quis e a me realizar. Então, se eu posso ajudar esses garotos a se tornarem músicos e com isso ter uma vida melhor, podem contar comigo! Sem demagogia. Eu só quero ajudar as pessoas, isso significa muito para mim. Eu me considero um felizardo por ter conseguido tudo que consegui e gosto de ajudar outras pessoas a conseguirem o mesmo. Eu acredito de verdade nisso.

    Você acredita que esses garotos percebem o que estão recebendo nessas clínicas ou seriam só fãs atrás de um autógrafo? Frank: Eu tento o tempo todo fazer com que eles percebam a realidade. O que eu posso fazer é contar a minha história e torcer para que eles tracem um paralelo com suas próprias trajetórias e se inspirem a buscar aquilo que desejam. Isso é o que eu mais desejo. Isso é o mais importante pra mim.

    Para finalizar, gostaria de saber como é tocar na mesma banda que o seu tio, o baterista Charlie Benante? Frank: É verdade, a mãe dele é minha avó… Ela o teve tarde e nós crescemos como irmãos (N.T.: a diferença de idade deles é de pouco mais de dois anos). Legalmente, ele é meu tio, mas a gente se pegava como irmãos! (risos) Lógico que com o tempo a gente foi se entendendo porque a gente passou a perceber como a vida funciona…

    Para adquirir o álbum – https://www.lasercompanymusicstore.com.br/ Site relacionado: anthrax.com/

    Fotos: https://anthrax.com/

  • HOTEL DIABLO

    HOTEL DIABLO

    O experiente guitarrista norte-americano Alex Grossi (Quiet Riot, Adler’s Appetite, Angry Salad, Beautiful Creatures, Ignite e outros) se uniu ao ex-vocalista do Adler’s Appetite, Rick Stitch (Ladyjack), ao baixista Mike Duda (W.A.S.P.) e ao baterista Mike Dupke (W.A.S.P.), lançando Set it Off, a primeira faixa gravada com este seu novo projeto, Hotel Diablo. Confira, a seguir, o que o guitarrista tem a dizer sobre esta recente aventura musical e se as atividades do grupo atrapalharão sua carreira com o reformulado Quiet Riot.

    Como surgiu a ideia para este seu novo projeto, Hotel Diablo? Alex Grossi: O baixista Mike Duda e eu estávamos falando sobre montar uma banda juntos faz um tempo, mas sempre acabávamos adiando. Porém, na primavera passada, nos reunimos com o vocalista Rick Stitch e o baterista Mike Dupke para tocar alguns covers em um bar aqui em Hollywood e as coisas realmente aconteceram. Rick e eu estávamos componto bastante quando estávamos no Adler’s Appetite e então tudo se conectou.

    Os planos com esta banda são a curto ou longo prazo? Digo, você se vê nela daqui a dez anos? Alex: Estamos realmente fazendo as coisas de acordo com o que está acontecendo em nossas vidas, já que todos nós temos outros compromissos. Tem sido bom até agora, porque tudo está fluindo naturalmente. Gostaria de ter um disco na praça e colocar algumas dessas coisas em filmes e na TV, já que atualmente estamos conversando com algumas pessoas sobre isso. Minha ideia é tentar manter o Hotel Diablo ativo até onde der, porque é uma banda coesa, com uma grande vibração e sem egocentrismo. Acredito que Rick tem muito potencial, sua voz é muito legal e diferente.

    O guitarrista Gilby Clarke (ex-Guns N’Roses) está trabalhando com vocês como produtor. Como se deu a escolha? Alex: Gilby entrou em contato com Rick quando ele descobriu sobre o projeto e como ele havia produzido algumas músicas da banda de Rick, Ladyjack, há alguns anos, surgiu a oportunidade dele nos ajudar com isso. Eu acho que ele fez um trabalho incrível até agora e tem um bom ouvido para aquele Rock orientado pelas guitarras. Eu curti muito o álbum solo dele, Pawnshop Guitars, então as coisas estão indo bem em todos os níveis com esse time que estamos trabalhando. O estúdio dele, Red Rum, tem equipamentos muito bons e, sobretudo, uma boa vibração.

    Musicalmente, o que os fãs podem esperar do Hotel Diablo? Alex: Algumas coisas novas que estamos trabalhando soam mais pesadas que as que fizemos com até agora com Gilby. Duda e Dupke compõem uma seção rítmica brutal e eu realmente quero utilizar o peso deles a nosso favor. Acredito que o equilíbrio do peso com a sensibilidade de Rick fará uma combinação muito legal, que tanto os fãs de Metal quanto os de Rock’n’Roll vão gostar. Lançamos a primeira música, Set It Off, via iTunes, bem como outras lojas de música on-line e a resposta tem sido muito boa até o momento.

    Vocês planejam fazer alguma turnê para o próximo ano? Digo isso porque você também está ocupado com Quiet Riot. Alex: Bem, as pessoas já estão nos abordando para marcar datas com o Hotel Diablo em diferentes partes do país, mas por enquanto estamos mantendo-o na área de Los Angeles. Fomos a atração principal do Whisky (West Hollywood, LA) em 2 de setembro. Estaremos na estrada quando, e se, for a hora certa e as nossas agendas permitirem. Eu não vejo nenhuma razão para não sair em turnê com esta banda.

    Ainda sobre o Quiet Riot, você já estava com a banda quando Kevin DuBrow faleceu. Como vocês receberam a notícia da morte dele e o que Kevin representa para a sua vida? Alex: Kevin era um grande amigo e me ensinou muito durante os anos que tocamos juntos. A notícia de sua morte me abateu e foi uma época muito difícil, não só para mim, mas para várias outras pessoas. Ainda parece muito estranho que ele se foi. Sinto falta dele todos os dias.

    turnê de sucesso como parte do “Ozzfest”, fracassou. O que aconteceu?No início de sua carreira, você fez parte de uma banda que prometia bastante, Beautiful Creatures, mas após um álbum e uma 

    Alex: Entrei para o Beautiful Creatures quando eles estavam começando a trabalhar no segundo disco, Deuce. Funcionou muito bem para mim pois eu já tinha curtido muito o primeiro álbum. Bem, não sei o que deu errado, mas posso adiantar que acabei de compor e gravar uma nova música com Joe LeSte e que ela se parece bastante com o som do Beautiful Creatures. Ele está gravando este novo álbum e acredito que será lançado em breve.

    O que ainda o motiva a estar em uma banda? Você já chegou a pensar em abandonar tudo e buscar um ‘emprego normal’? Alex: Minha motivação é fazer algo que eu amo, e que consegui encontrar meios para sobreviver fazendo isso. Tenho estado na estrada faz tanto tempo que nem me imagino fazendo outra coisa. Um emprego normal? Bem, quando não estou em turnê eu auxilio uma empresa de agendamento de shows de Los Angeles. Eles têm mesas no escritório e então isso é o mais perto que chego de um ‘emprego normal’!

    Sites relacionados: www.alexgrossimusic.com www.thehoteldiablo.com Hotel Diablo / iTunes:  https://itunes.apple.com/us/album/set-if-off-single/id449167527 Beautiful Creatures / iTunes: https://itunes.apple.com/us/album/deuce/id333011098
  • ROOT

    ROOT

    Credibilidade musical não se consegue da noite para o dia e esse grupo tcheco constrói uma reputação sólida no underground desde 1987. Fundado pelo vocalista Big Boss, o Root é daquelas formações cultuadas não pelo nome, mas pela obra. Com oito álbuns oficiais lançados e ainda assim longe do estrelado, eles não se preocupam com isso, pois querem apenas mostrar sua música ao mundo. Hoje com Jiří “Big Boss” Valter (vocal),  Hanz  e Marek “Ashok” Šmerda (guitarras),  Igor “Golem” Hubík (baixo) e Pavel “Paul Dred” Kubát (bateria), o Root acaba de soltar o nono álbum da carreira, Heritage Of Satan. O baixista Igor fala sobre a banda pela primeira vez na ROADIE CREW.

    O último álbum de estúdio, Daemon Viam Invenient, foi lançado em 2007. Por que esse longo período sem lançar um novo trabalho? Igor: O Root estava muito ocupado com a promoção deste álbum e, principalmente, com shows. Fomos para a uma turnê européia logo após o lançamento Daemon Viam Invenient, juntamente com Moonspell, Napalm Death e Behemoth (‘No Mercy Festivals 2007’). Essa turnê foi seguida por muitos shows em nosso país e também na Alemanha, Finlândia, Noruega e Portugal. Outras razões foram as reedições dos álbuns mais antigos em 2008 e 2009, pelo selo sueco I Hate Records, e lançamento de versões em LP pela Dark Symphonies Productions e Monsternation Records.

    Vocês assinaram com a gravadora Agonia Records para o lançamento do novo álbum, Heritage Of Satan. O que pode falar sobre este trabalho? Igor: O nono álbum do Root, Heritage Of Satan, foi lançado em CD e LP em setembro. Há músicas rápidas e cativantes, entre elas algumas composições mais lentas e atmosféricas. Musicalmente, é como voltar às raízes. É um material matador e com humor negro. Temos uma incrível capa pintada por Erik Danielsson do Watain, que também participou do disco junto com outros convidados  – Rune Blasphemer Eriksen (ex-Mayhem, Ava Inferi, Aura Noir) e Adam Nergal Darski (Behemoth).

    Desde o primeiro disco, Zjeveni, até Daemon Viam Invenient é possível verificar mudanças significativas na música do Root. Em Hell Symphony as características Death Metal são latentes; no The Book, a musicalidade explora melodias góticas e elementos de Heavy Metal, Kargeras é épico; e Daemon Viam Invenient é mais direto. Essas variações nas composições será frequente na carreira da banda? Igor: Cada álbum do Root é diferente porque a banda concebe o conceito lírico primeiro e depois criamos as músicas. É por isso que Kargeras é mais épico e conceitual, e totalmente diferente de Hell Symphony, que é totalmente Black Metal satânico. Já o Daemon Viam Invenient possui um estilo mais quebrado. Se o ouvinte ler as letras cuidadosamente durante a música, vai compreender essas nuances. E, claro, temos fãs que gostam de todos os álbuns do Root, bem como os que gostam apenas de alguns. O Root é uma banda variada e nossos fãs gostam disso. Eles nunca ficaram aborrecidos com a nossa música por ela ser diferente a cada álbum.

    Em Zjeveni as letras foram escritas na língua materna do grupo. A partir de Hell Symphony começaram a escrever em inglês. Por que essa mudança? Igor: O idioma inglês é melhor para a voz  e para o estilo de cantar de Big Boss e, principalmente, para os fãs entenderem as letras. Mas o novo álbum irá conter uma música em língua tcheca novamente – depois de mais de 20 anos! O álbum de estreia, Zjeveni, foi reeditado pela Nuclear War Now Productions (EUA), em inglês, nos formatos CD e LP.

    Big Boss é referência em satanismo na República Tcheca, e pelo YouTube é possível verificar a participação dele em debates e matérias jornalísticas em programas de TV.  E como as letras do Root versam sobre temas sobre ocultismo, essa temática foi escolhida pela identificação do vocalista Big Boss com o satanismo? Igor: Pode ser. Essa temática nos acompanha desde a primeira fita demo de 1987. Root é uma banda satânica e o fundador, Big Boss, é um satanista de verdade. Muitas emissoras de TV o  convidam para os debates sobre satanismo porque ele entende muito bem. Ele também foi o fundador da primeira igreja de Satanás aqui na Tchecoslováquia nos anos 90. Nossas principais canções são puramente satânicas, como Pisen pro Satana, Festival Of Destruction, 666, entre outras.

    República Tcheca, em geral, tem muitas referências ao satanismo. Como os satanistas são vistos em seu país? Igor: Você sabe, como em todo o mundo, há muitas crianças com cruz invertida no pescoço e aquelas que dizem ‘nós somos satanistas!’. Mas, claro, há também muitas pessoas que leem livros sobre satanismo e sabem muito bem sobre o tema. Satanismo é filosofia e estilo de vida. Esses satanistas verdadeiros são, em sua maioria, qualificados e com experiências individuais com quem eu gosto de conversar.Em 2010, o Root tocou no Canadá. A banda pretende buscar apresentações em outros locais da América, especificamente no Brasil? O que conhecem da cena metálica brasileira? Igor: Nós realmente gostamos do nosso show e toda a estadia no Canadá. Noctis Festival é um evento totalmente profissional. Foi bom dividir o palco com os veteranos do Sodom e outros artistas. Passamos um bom tempo em Calgary e essa viagem vai ficar em nossas memórias e corações para sempre. Se houver interesse podemos chegar ao Brasil, também. Do Brasil, eu conheço as bandas Sepultura, Krisiun e Ratos de Porão, mas na verdade a melhor banda ‘do Brasil’ é o Cavalera Conspiracy. Em minha visão, esta banda é muito melhor do que o Sepultura ou Soulfly. O Root pode ser considerado uma banda cult na cena de música extrema mundial, pois possui um trabalho bem peculiar em relação a outras bandas de Black Metal do mundo. Querem continuar como um grupo longe do estrelato da cena Black Metal mundial? Igor: Nós não nos importamos com isso. Nós queremos simplesmente tocar  a nossa música e apresentá-la aos fãs. Claro que estamos em contato com muitos outros artistas e amigos de algumas bandas. Para ser honesto, nós tocamos Metal e isso é tudo o que fazemos… Site relacionado: www.rootan.net
  • STRAIGHT LINE STITCH

    STRAIGHT LINE STITCH

    Apesar de pouco mais de uma década na estrada, o Straight Line Stitch perdurou muito até conseguir estabelecer um nome e uma rotina constante de shows. As constantes trocas de membros e as incertezas do meio musical contribuíram para que a banda desse o seu melhor e não poupasse sacrifícios para conquistar o seu objetivo. Com um bom trabalho em mãos, The Fight Of Our Lives (E1 Music, 2011), Alexis Brown (vocal), Seth Thacker e Kris Norris (guitarras), Jason White (baixo) e Kanky Lora (bateria) continuam na luta para fortalecer a base de fãs e crescer. Foi em uma conversa franca que Alexis e Jason relataram um pouco da realidade vivida por eles e por várias outras bandas que buscam o seu espaço.

    O Straight Line Stitch passou por várias mudanças na formação ao longo dos anos. Como foi o início e como vocês conseguiram chegar à estabilidade? Alexis Brown: Bem, Seth foi quem iniciou a banda no final de 1999 e início de 2000. Por volta de 2003, o Straight Line Stitch fez alguns shows com a banda da qual eu fazia parte e acabamos ficando amigos. Quando esta minha banda começou a se desfazer, acabou coincidindo com o fato de que Seth precisava de um(a) vocalista e foi quando fizemos contato. Eu me mudei para Knoxville (Tennessee) e começamos a trabalhar juntos. Foi fazendo shows que conhecemos os músicos que estão conosco. Jason White: Eu estava tocando na banda de um amigo em Atlanta (Geórgia) quando fizemos um show com o SLS. Conversamos e, duas semanas depois, Alexis me ligou convidando para conversarmos e fazer alguns shows. Alexis: A verdade é que essa banda parecia uma porta giratória de integrantes. Mas foi tocando e conhecendo diferentes músicos que encontramos as pessoas certas.

    E como tem sido o processo de composição já que a troca de integrantes foi algo constante? Jason: Bom, para o último álbum nós nos reunimos e começamos a trocar ideias. Kanky (Lora, bateria) é produtor musical, então fomos dando as ideias, ele as gravava e a partir dai as musicas foram se formando.

    Qual foi a reação dos fãs e da mídia com esse novo disco, The Fight Of Our Lives? Alexis: Acho que o novo álbum reflete muita coisa relacionada às pessoas em geral. Todos sempre estamos lutando, você tem que brigar pelas coisas que quer nessa vida. As pessoas se identificam com esse tópico. As músicas tratam disso, da nossa luta para chegar até aqui e o fato de continuarmos sempre lutando. O respaldo tem sido ótimo, não poderia ser melhor.

    As letras tratam de experiências pessoais? Alexis: Bem, eu escrevo as letras e tudo que escrevo retrata experiências que eu pessoalmente vivi.

    Já a música traz muito do chamado ‘Gothenburg Metal’… Alexis: Todos trazemos muitas influências. Somos bem ecléticos e juntamos tudo isso na hora de fazer a nossa música. Nós seguimos nosso instinto e não uma fórmula. Jason: Eu escuto In Flames, Soilwork e outras bandas do gênero, mas também gosto de outras coisas. Não é algo seja feito intencionalmente e seguindo uma determinada direção. Muitas vezes eu crio um riff, aí nosso baterista adiciona uma batida que muda completamente a característica daquele riff e assim a música vai tomando forma.

    Quais são as suas influências com relação aos seus vocais, Alexis? Já compararam você com alguém? Alexis: Tem muita gente boa por aí. Eu cheguei a comentar isso com Trevor (Phipps, Unearth), que é um ótimo ‘frontman’, assim como Mitch (Lucker, Suicide Silence) tem uma ótima presença. Ver um vocalista assim no palco é bom, porque me incentivam e fazem com que eu me esforce para melhorar. Já me compararam com outras mulheres vocalistas, sim. Parece que é algo que as pessoas gostam de fazer, elas tem que colocar numa determinada categoria.

    Do início até o momento atual, qual seria a maior diferença? Alexis: O amadurecimento! Todos crescemos, vimos muita coisa acontecer e temos estado na estrada por um longo período. Certamente amadurecemos muito como pessoas.

    Há dias em que vocês pensam em largar tudo? Alexis: Mas claro! (risos) É difícil, não é como as pessoas pensam não (mais risos). Muito acham que é sexo, drogas e Rock’n’Roll, vida boa e tal. Nada disso, você tem que fazer muitos sacrifícios. Acaba ficando longe de casa, perde aniversários, amigos, parentes e ainda por cima não faz muito dinheiro. Nós fazemos isso porque gostamos e é por isso que estamos aqui.

    Falando em dinheiro, como vocês veem o momento atual da indústria musical? Alexis: É meio assustador. Tem sempre uma gravadora falindo ou algo do gênero acontecendo. Estamos atentos e observando para onde a coisa vai. Jason: Parece que quanto mais temos que lidar com isso mais difícil é fazer o que amamos, que é tocar. Pensar nisso como um negócio, em combustível, gasolina, camisetas é complicado. É difícil você parar e focalizar apenas em tocar pelo amor à música.

    Algum lugar em particular que vocês gostariam de tocar? Alexis: Eu quero tocar naquele cruzeiro (N.R.: referindo-se ao ‘70000 Tons of Metal Cruise’). Seria incrível!

    Para finalizar, como surgiu o curioso nome Straight Line Stitch (N.R.: Costura em linha reta, em tradução livre)? Alexis: Veio da má interpretação da letra de uma música por Seth (risos). Ele estava ouvindo uma música do rapper Eminem e pensou ter ouvido a frase Straight Line Stitch. Claro que não era isso que estava na música, mas ele gostou e levou a ideia para a banda, que achou interessante. Pelo menos é original (mais risos).

  • DARK FUNERAL

    DARK FUNERAL

    Na expectativa para desembarcar no Brasil no final do ano (até o momento, estão previstos seis shows), o líder e guitarrista do Dark Funeral, Lord Ahriman, falou sobre sua expectativa para esses shows e sobre o momento atual da banda.

    O Dark Funeral virá ao Brasil em dezembro. A última vez que vocês tocaram no Brasil foi em 2006. Quais as expectativas para esse retorno ao nosso país? Lord Ahriman: Certamente, foi um período muito longo desde nossa última visita ao Brasil. Ainda tenho nossas duas idas ao seu país bem frescas na minha mente. E vamos oferecer o que temos de melhor, o Dark Funeral está mais cheio de energia do que nunca. Vamos juntos tornar essa turnê a mais pecaminosa e a mais poderosa de todas as trevas!

    Essa turnê se chama “Satanic War Tour – The Return”. Por que resolveram dar esse nome a ela? Ahriman: As primeiras datas que fizemos na Europe em 1997 e 1998 receberam o nome de “Satanic War Tour 1 & 2” e aquela foi uma época muito importante para a banda. Foi lá que conseguimos nos estabelecer como banda e atingir um grande público. Retomar a “Satanic War Tour – The Return” é uma forma de mostrar o tipo de espírito sombrio que os fãs podem esperar dessa nova tour. Além disso, queremos devolver aquilo que os fãs nos deram desde o início do Dark Funeral.

    Recentemente, vocês anunciaram que irão participar do maior cruzeiros de bandas de Metal do mundo, o “70.000 Tons”. Quais suas expectativas para tocar num festival com essas características? Ahriman: Estamos verdadeiramente honrados por termos sido convidados para tocar nesse incrível cruzeiro. Tanto eu como os demais integrantes da banda não podemos esperar a hora de chegar no palco e colocar o navio em chamas!

    O último álbum da banda, Angelus Exuro Pro Eternos (2009) ainda recebe muitas críticas positivas. De onde veio a inspiração para criar esse repertório? Ahriman: Obrigado por suas palavras! Como sempre, quando escrevo canções procuro trazer meu interior para elas e deixo que isso direcione todo o processo de criação. O que tem que sair, sai! Por isso, devo dizer que Angelus Exuro Pro Eternosé o meu álbum mais pessoal até hoje. Sinto que fui convidado para um longo passeio no inferno e por todas as trevas que tenho no meu interior, como nunca vivi antes.

    Vocês já estão trabalhando em um novo disco? Ahriman: Estamos atualmente muito ocupados ensaiando para assumir a forma de assassinos, assim teremos capacidade de pegar a estrada o mais rápido possível para libertar o inferno em cima da humanidade mais uma vez. Estamos ensaiando há alguns meses e sinto que estamos muito entrosados, melhores do que nunca! Assim, lançaremos essa nova turnê e seremos como uma máquina infernal que irá esmagar tudo em seu caminho!

    Recentemente, a banda passou por uma grande mudança de line-up. Quais as maiores dificuldades que isso trouxe para a banda? E é difícil encontrar os músicos certos para o Dark Funeral? Ahriman: Bem, em algum momento da vida passamos pelo inesperado, tudo se torna novo e temos que aceitar isso. Eu olho para a frente e procuro superar qualquer situação. Pessoalmente, e como a alma da banda, vou continuar a erguer a bandeira do Black Metal sueco. Enquanto meu espírito negro estiver queimando por dentro, vou continuar essa cruzada com o Dark Funeral, não importa quem fique ou quem saia.

    O Dark Funeral já esteve envolvido em várias polêmicas no passado, como pornografia satânica no DVD, o fã que matou um sacerdote no Chile e o motim num show no Peru. O que você tem a dizer sobre esses acontecimentos? Ahriman: É a maldição do Dark Funeral! E não há nada que possamos fazer a respeito, infelizmente. Não sinto mais necessidade de comentar esse incidente no Chile. Simplesmente não consigo ver conexão com nossa música ou com os integrantes da banda. Sobre o incidente no Peru, bem, de certa forma posso entender que algumas pessoas ficaram desapontadas pois E.M. Caligula entrou em cena sem voz, pois estava doente naquela noite. Em circunstâncias normais, cancelaríamos o show, mas, após longas discussões com o promotor, resolvemos entrar em cena e fazer o melhor. Pena que algumas pessoas resolveram destruir tudo, causando um enorme motim. No entanto, a maioria dos fãs que conhecemos no Peru foi totalmente legal conosco.

    Para finalizar, por favor, deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros. Ahriman: Às hordas brasileiras de demônios que aguardam ansiosamente nosso retorno, posso garantir que estamos duas vezes mais ansiosos para voltar e oferecer a vocês o mais pecaminoso e potente Dark Funeral de sempre! Mal podemos esperar pela nossa turnê brasileira! Vejo vocês em dezembro!

    DATAS DA TURNÊ PELO BRASIL: • 06/12 – Santa Maria/RS • 07/12 – Recife/PE • 08/12 – Rio de Janeiro/RJ • 09/12 – Belo Horizonte/MG • 10/12 – São Paulo/SP • 11/12 – Rio Negrinho/SC • 12/12 – Porto Alegre/RS Site relacionado: www.darkfuneral.se    
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    O guitarrista Doug Aldrich, que realizou quatro shows com o Whitesnake no Brasil recentemente – entre 10 e 15 de setembro, junto com o Judas Priest – concedeu uma rápida entrevista para a ROADIE CREW. Nela, o músico fala sobre os fãs brasileiros, a experiência de tocar com David Coverdale, dividir as guitarras com Reb Beach (Winger) e de ter trabalhado com outra lenda, Ronnie James Dio.

    Todos os músicos que entrevistamos falam do quanto é incrível tocar na América do Sul. Na sua opinião, o que o Brasil tem de tão especial? Doug AldrichAcredito que seja porque no Brasil e no resto da América do Sul os fãs participam de verdade dos shows, além de serem muito leais e apoiam de uma forma incrível a música que eles amam. No Brasil, os fãs demonstram um amor imenso às bandas de que gostam quando as veem tocando e isso é algo único. É o público mais insano que eu já vi…

    Desde que você se juntou ao Whitesnake, em 2002, se tornou o principal compositor (ao lado de David Coverdale, naturalmente). É um trabalho difícil de se fazer? Doug: Não, na verdade. É algo muito gratificante e bem sucedido, eu acredito. No começo, havia uma certa pressão, naturalmente, porque fazia onze anos que a banda não lançava nada de novo. E quando você tem a oportunidade de compor para um cantor como David Coverdale, tem que fazer um trabalho que o inspire a fazer sua parte. Normalmente, eu passo a ele algumas ideias. Ele também manda para mim alguns de seus esboços. A partir daí, começa um processo natural. Nós já escrevemos muitas músicas juntos e me sinto muito orgulhoso de tudo o que fizemos. A propósito, como é trabalhar com David Coverdale? Doug: É uma honra! A cada dia, ele prova que é um dos melhores de todos os tempos no que faz. E ele ainda tem determinação para fazer sempre o melhor, sempre tenta se superar. Ele nunca se acomoda com o que já conquistou e eu gosto muito disso.

    E como é dividir as guitarras com Reb Beach? Doug: Acho que nós conseguimos atingir um nível de excelência tanto no disco Forevermore (2011) como nessa turnê. Nós começamos a trabalhar juntos em 2003 e criou-se uma espécie de competição entre nós. Acontece que ambos estávamos acostumados a ser o guitarrista solo de nossas bandas. E eu gostava do jeito como eu fazia as coisas, enquanto ele preferia o jeito dele. Mas ao longo dos anos trabalhando juntos, descobrimos que a essência do Whitesnake é diferente. Hoje sabemos que quando tocamos juntos um riff como o de Love Will Set You Free a coisa funciona muito bem. E, por tudo isso, acho que hoje somos a dupla de guitarristas que mais tempo trabalha com David, o que eu acho muito legal.

    Você também tocou com Ronnie James Dio. Como foi essa experiência para você? Doug: Puxa, o que eu posso dizer?… Ele era incrível! Ele me apoiou imensamente tanto no estúdio como nos palcos e isso me deu uma enorme confiança em mim mesmo. Eu me sinto muito gratificado por ter tido a oportunidade de ter trabalhado com ele e mais feliz ainda por ter sido seu amigo. Ronnie me ajudou imensamente e trabalhar com ele era muito inspirador. Ele Ronnie e David são daqueles sujeitos que fazem com que os músicos que trabalham com eles se tornarem ainda melhores.

    Para terminar, quais os guitarristas que mais o inspiraram? Doug: Olha, é uma lista enorme! E nem precisa ser necessariamente um guitarrista. Pode ser um cantor ou mesmo um trompete. O que me inspira são o ‘feeling’ e a música. Mas, falando especificamente de guitarristas, poderia citar Jimmy Page, Jeff Beck, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughn, Tony Iommi, Ritchie Blackmore, Randy Rhoads, Eddie Van Halen, Gary Moore, Duane Allman… A lista não acaba!Muito obrigado pela entrevista e, por favor, deixe uma mensagem final. Doug: Obrigado aos fãs brasileiros por todo o apoio que têm dado ao Whitesnake.Sites relacionados: www.whitesnake.com www.dougaldrich.com Fotos: Divulgação/Ash Newell