Categoria: Playlist

  • AMEN CORNER – Toda discografia comentada por Sucoth Benoth

    AMEN CORNER – Toda discografia comentada por Sucoth Benoth

    Esta seção foi criada para que as bandas comentem suas próprias discografias, uma seção inovadora que já existe na revista impressa por alguns anos e que estamos trazendo até você no formato digital. Agora convidamos o nosso amigo Sucoth Benoth para participar comentando toda discografia do AMEN CORNER. Com certeza você ficará surpreso com todas as curiosidades e informações aqui escritas. Boa Leitura!

    Nome: Sucoth Benoth Ano de Nascimento: 1966 Bandas que Integrou: Infernal, Camos, Amen Corner (Atualmente)

    Demo tape “Eternal Prophecies” – (1992):

    Em julho de 1992 após três meses de ensaio, nós resolvemos gravar uma demo tape para começar a fazer a divulgação do Amen Corner, então nós fomos até o Victor do estúdio Solo aqui de Curitiba e gravamos duas músicas, Amen Corner e The Sons of Cain, lançamos uma edição limitada.

     

    7”EP “Amen Corner” – Hellion Records (1992):

    Pouco tempo após lançarmos a demo tape, nosso empresário da época o Demétrio foi até São Paulo e levou a demo, assim sendo ele conseguiu fazer contato com a Hellion records para o lançamento oficial em um disquinho 7”EP. Foi um lançamento muito fudido, o Amen Corner acabou tendo uma maior visibilidade pois o lançamento foi bem extremo atingindo o Brasil e até o exterior. É um pequeno disco com uma grande e valiosa história ele é cultuado até os dias de hoje.

     

    LP “Fall, Ascension, Domination” – Cogumelo Records (1993):

    No ano de 1993 a mais de 25 anos, me lembro que nessa época, estávamos muito empolgados para gravar as músicas e também havíamos assinado contrato com a Cogumelo Records, maior orgulho para nós e uma grande honra ter assinado com a gravadora do Sarcófago, Sepultura entre outras grandes bandas daquele período. O Fall Ascension Domination é considerado o grande álbum da banda, ele soa pesado, cru e Muito Satanico. Eu o considero um excelente álbum até porque as condições em 1993 para gravar um LP eram bem mais limitadas que hoje em dia. Tivemos uma mudança na formação saiu o baixista Fabrício Domingues e entrou o Cléio ex-Hecatombe. Entravamos em estúdio de manhã e ficávamos até a noite era bem cansativo tudo analógico, errava, voltava e gravava tudo de volta. Mas conseguimos gravar tudo em muito pouco tempo, questão de um mês se não me engano. A Produção ficou a cargo de nós mesmos e do Victor do estúdio Solo aqui de Curitiba, a capa foi pintada em tela, pintura a óleo, e tivemos que fazer uma embalagem toda especial para mandar para a Cogumelo pelo correio. Curiosidade: Durante a gravação da música Deusdemoteme teve uma explosão em um poste na rua e o barulho acabou ficando na gravação, no começo da música. Ficou muito fudido!! O Fall, tem uma temática bem Satânica e Anticristo. Black Metal na sua essência. Em 2008 ele teve um relançamento muito bem-sucedido pela Cogumelo

     12”EP “The Final Celebration” – Cogumelo Records (EP 1994):

    Com o lançamento do Fall Ascension Domination, que acabou se tornando um grande álbum, e teve uma excelente aceitação no geral, a Cogumelo se interessou em lançar um EP. No ano seguinte em 1994 voltamos ao estúdio Solo e gravamos duas músicas novas Diabolic Possession e The Five Glories e colocamos no álbum as duas músicas de nosso primeiro 7″EP lançado em 1992 pela Hellion Records de S.Paulo. As músicas Amen Corner e The Sons of Cain. Novamente a banda teve um excelente respaldo e aceitação da mídia e do público em geral, nessa época o Amen Corner começava a se destacar pela originalidade das músicas. Eu tive a ideia de fazer o desenho da santa ceia, porém cheia de demônios ao redor dos apóstolos, etc…. E o Nelsão que já havia pintado em tela o Fall, novamente se encarregou de pintar a capa do EP em tela e tinta a óleo. A capa ficou muito fudida e cheia de blasfêmias.

    CD“Iachol ve Tehilá” – Cogumelo Records (1995):

    Esse foi o último trabalho realizado pela mesma formação desde o Fall Ascension Domination, após esse lançamento a maioria dos integrantes se debandaram, ficando apenas eu e o guitarrista Tito (MURMÚRIO). Mas vamos lá, o Iachol mostra um Amen Corner mais maduro, mais evoluído musicalmente e mais entrosado. Com solos bem mais elaborados e cheio de sentimentos e peso. No Iachol Ve Tehilá (Poder e Glória) em hebraico, eu explorei mais o lado do Paganismo do politeísmo, a adoração aos deuses Sumérios, Babilônicos, Assírios entre outros, Deus da guerra, da fartura, deuses e deusas presentes nos corações e nas almas das pessoas antes da proliferação cristã no mundo. Ele foi gravado no estúdio solo novamente e dessa vez a pintura ficou a cargo do Paulo Tatoo, que fez o desenho. Foi uma época mais conturbada para mim pois em 1994 eu havia batido a moto e quebrado a perna, estava meio debilitado ainda e foi bem trabalhoso gravar o álbum, lembro que quando fui gravar os vocais, eu levei um litro de cachaça curtida com Guaco e tomei ela inteira. O Iachol Ve Tehilá teve uma grande repercussão e entrevistas nas revistas, etc….. Foi uma pena o pessoal ter saído da banda logo em seguida, pois isso atrasou a banda em alguns anos…  O Iachol foi recentemente relançado pela Cogumelo em digipack, um relançamento poderoso.

     MCD “Darken in Quir Haresete” – Demise Records (1999):

    Após o lançamento do Iachol ve Tehilá “muitos falam Jachol mas está errado o correto é Iachol”  como eu disse anteriormente o baterista, guitarrista e baixista foram saindo da banda um a um, e ficando eu e o Tito, começamos o árduo trabalho de remontar a banda e achar lugar para ensaiar, pois naquela época não existiam estúdios para ensaiar, foi um período bem difícil para nós, mas conseguimos construir um estúdio no quintal de onde eu morava e trabalhava na época e devagar fomos achando as pessoas para remontar o Amen Corner. Aí veio o baixista Rafahell da banda Imperious Malevolence, que participou na gravação do Darken in Quir Haresete, na outra guitarra veio o Israel Erthal (Naberus), no baixo (oficialmente) conseguimos de Blumenau-SC o Célio (que entrou na banda no lugar do Rafahell que havia deixado claro que apenas participaria das gravações). E na bateria também de Blumenau entrou Gerson (Osculum Infame). Então após compor 5 músicas, entramos em estúdio e lançamos o MCD Darken in Quir Haresete ele foi gravado no estúdio clínica aqui de Curitiba e lançado não pela Cogumelo records, mas sim pela Demise Records de MG, a banda voltou ao cenário com entrevistas nas revistas, zines e muitos shows pelo Brasil. Em 2000 eu resolvi deixar a banda e montar um projeto pessoal. O Darken, tem como temática o povo pagão do deserto de Moabe adoradores do Deus da guerra Camos e Quir Haresete seria a maior cidade deles uma espécie de Capital. A capa mostra duas mulheres invocando o Deus Camos para que ele proteja o povo de Moabe em uma batalha contra os hebreus.

    CD “LUCIFICATION” Independente (2007)

    De todos os trabalhos da banda esse é o único cd independente, gravado no áudio stamp estúdio em Curitiba com o produtor virgilio milléo. Trata se de um registro de uma formação que tocou durante 5 anos onde resultou em músicas com pegadas mais rápidas devido as influências e estilo dos demais músicos, (lembrando que somente o guitarrista murmúrio é o membro original que participou dessa formação) porém esse cd mantem o padrão tanto nas harmonias como também na temática que acompanha a horda desde seu início em 1992. A parte lirica quase que na totalidade do cd abrange a guerra e blasfêmia contra as amaldiçoadas ovelhas de deus, aniquilação dos fracos, o domínio total do senhor das trevas “Lucification.” Foi um período de vários shows, principalmente na região sul, estado de sp e 1 em bh que fez parte do lançamento do albúm. Em 2017 a banda fechou uma parceria com o selo mindscrap music de curitiba e relançou o albúm lucification, edição comemorativa de 10 anos de lançamento.

    01        intro:The Call 02        In Nomine Satanas 03        The Battlefield 04        Intro: The Conquerors 05        The Lord Of The Inner Circle 06        Ancient Wisdom 07        Kill For Satan (The Jesus Inside You) 08        Lucification 09        The Final March

     CD “Leviathan Destroyer” – Cogumelo Records (2010):

    Em 2008 após conversas com meu amigo Tito (Murmúrio) resolvi retornar ao Amen Corner. Em 2010 lançamos o álbum Leviathan Destroyer via Cogumelo records, |(nesse período nós havíamos retomado as conversas com a Cogumelo e inclusive em 2008 a gravadora havia relançado e Fall Ascension Domination” Os integrantes nesse álbum  são: Sucoth Benoth vocais, Murmúrio Guitarras, com as participações de War Master bateria e Nocturnal Alastor Demon no Contra baixo, gravamos no estúdio Avant Garde e a capa foi feita por Anderson da Natureza Morta, o CD é temático e fala sobre o Deus dos mares, dos eceânos “Leviathan” aquele que destrói e afunda as embarcações levando seus tripulantes a morte. Esse CD teve uma grande repercussão, entrevistas, shows. Após 8 anos afastado do Amen Corner conseguimos gravar um grande álbum.

     CD “The Return of the Sons of Cain” –  Belial Songs Records e Impaled Records (2010):

    E com grande orgulho que a Belial Songs anunciou o lançamento de The Return of the sons of Cain um tributo oficial a clássica banda de Black nacional Amen Corner, o selo afirmou que esse grandioso trabalho só foi possível devido à grande dedicação das treze bandas emergentes do cenário nacional e a parceria com o selo Paulista Impaled Records. O cd conta com uma grande produção gráfica e com excelente design gráfico feito meticulosamente pelo designer Rafael Tavares que já produziu capas para bandas como Ocultan, Nervochaos, The Ordher, entre outras. Em um encarte de dezoito páginas envernizadas e de qualidade sonora que exalta a qualidade do CD contando com treze faixas cada uma interpretada por uma banda que mostrou sua versão e visão das clássicas músicas do Amen Corner em excelente qualidade sonora fator fundamental para mostrar o nível do metal extremo nacional. O trabalho mostra a valorização da cena nacional com a intenção de incentivar o cenário nacional do qual possui clássicas bandas de qualidade muito superiores a algumas bandas de fora e a valorização da música extrema criada em nosso país.

    Set list do cd 1-Cryptic Lorn – Black Empire 2-Sades-Babylon Might and Glory 3-Thorny Woods – Lamentation and Prise 4-Impacto Profano – Zigurates Baal 5-Celebration of Evil- Camos god of the gods 6-Amaducias- Black thorn 7-Heia- On the Throne With Lucifer 8-Brutal Morticinio – My Soul Burns in Hell 9-Ars Tenebrae- Endless Solitude 10-Warriors of Metal- The Sons of Cain 11-Misdeed -Seventy Seven Guardians 12-Doomsday Ceremony- Diabolic Possession 13- Supremacy of Evil – the Creators Pride The Anguish Of The Accused

    CD / DVD “Christ Worldwide Corporation” – Cogumelo Records (2014):

    Comemorando mais de 20 anos de estrada, resolvemos lançar um álbum duplo CD e DVD assim, nasceu o Christ Worldwide Corporation via Cogumelo Records e lançado nos Estados Unidos e exterior pela Greyhaze records, esse lançamento vem acompanhado de um poster e traz uma regravação da Música Black Thorn do álbum Iachol Ve Tehilá de 1995 e mais 8 músicas. O DVD conta toda a história da banda ao longo dos anos com entrevistas, shows, clipe, fotos, etc. Ficou muito foda!! Toda a arte e designer gráfico foi desenvolvido pelo Anderson Natureza Morta e mostra cristo envolto em dinheiro do mundo todo mostrando o grandioso e lucrativo comércio que envolve deus, cristo, as igrejas e por fim as pessoas cegas que enchem os cofres das quadrilhas religiosas. É um Álbum temático onde mostramos de forma simples e clara a lavagem cerebral que os pastores incutem nas cabeças das pessoas. Foi gravado em 2012 no estúdio Avant Garde e lançado em 2014. Integrantes da banda: Sucoth Benoth Vocal, Murmúrio Guitarra, Mortum Guitarra, Shaitan Baixo e na bateria (partcipação) Ashimedai. Teve ainda participações de Angel (ex-Vulcano-B.Vocais), Moloch (Doomsday Ceremony- B.Vocais), Baal Anamelech (ex-camos e Dark Songs of Megiddo) teclados e Chaos (Guitarra ex-Camos).

    Split Tape com Black Angel “South American Tribute” – Viceral Vomit Records Equador. (2014):

    Em 2014 o Hector Corpus da banda Peruana Black Angel nos convidou para participar de um split em K7 com eles e nós achamos legal a ideia e participamos desse lançamento que saiu pelo selo equatoriano Visceral Records com distribuição na Europa pelo selo holandês Hellprod. Então nós enviamos algumas antigas e clássicas músicas e que saiu na fita e ficou bem fudido.

     

    Split CD com Black Angel “South American Tribute” – Bestial Invasion Records UK (2016):

    Não que seja um lançamento oficial mas vale a pena citar pois eu considero como um importante registro. Continuando com essa bem-sucedida parceria com o Black Angel, em 2016 o selo Bestial Invasion da Escócia resolveu lançar fita K7 Split com o Black Angel em versão CD, 500 cópias numeradas. Ficou muito legal e muito fudido mesmo, motivo de orgulho pois a banda consegue dessa forma atingir outros continentes.

  • HEADHUNTER D.C. – Toda discografia comentada por Sérgio “Baloff” Borges

    HEADHUNTER D.C. – Toda discografia comentada por Sérgio “Baloff” Borges

    Esta seção foi criada para que as bandas comentem suas próprias discografias, uma seção inovadora que já existe na revista impressa por alguns anos e que estamos trazendo até você no formato digital. Agora convidamos o nosso amigo Sergio Baloff para participar comentando toda discografia do HEADHUNTER D.C. Com certeza você ficará surpreso com todas as curiosidades e informações aqui escritas. Boa Leitura!

    Nome: Sérgio “Baloff” Borges” Ano de Nascimento: 1971 Bandas que Integrou: Thrash Massacre (1989),  Exodus Attack (Bonded By Blood Tribute – Atualmente)

    “Hell is Here” – Demo 1989 (Death/Wild Rags):

    As músicas da demo “Hell is Here”, na verdade, foram extraídas do advance tape de um 12″ EP intitulado “Noise” com 6 faixas que jamais fora lançado por problemas com a empresa contratada para seu lançamento na época, que simplesmente sumiu com a fita master e com o dinheiro pago pela banda. A princípio se trataria de um split 12″ LP com nossa banda-irmã ThrashMassacre, mas como esta não gravou a sua parte os caras decidiram lançar como material individual. “Hell is Here”, a demo, já trazia um Headhunter D.C. bastante evoluído tecnicamente se comparado com os ensaios gravados e espalhados na cena anteriormente, resultado de 2 anos de intensos e freqüentes ensaios e um número bem razoável de shows numa cena local que ainda estava engatinhando. Essa evolução já era notada através da grande performance do baterista Iaçanã (que, por sinal, tinha a metranca mais rápida entre as bandas do Brasil na época) e do guitarrista/fundador Paulo Lisboa, basta ouvir algumas intrincadas convenções do baterista e as ultra velozes palhetadas e solos do guitarrista ao longo da demo, que davam brutalidade e ao mesmo tempo uma variedade ainda pouco ouvida entre as bandas do estilo naquele período. As influências de Grindcore trazidas por Eduardo “Falsão”, que à época já ouvia muito Napalm Death, Unseen Terror, E.N.T. e Atavistic, eram bem nítidas. “Headhunter D.C.” e a faixa-título são as minhas preferidas. Talvez se o produtor do estúdio fosse mais familiarizado com Metal (algo impossível por aqui naquele tempo) o resultado tivesse sido melhor, com mais peso nas guitarras, por exemplo, mas ainda acho que o resultado final foi bem satisfatório para a época. É relevante mencionar que a demo teve algumas cópias distribuídas nos EUA na época pela Wild Rags Records, um grande feito para uma banda brasileira naqueles tempos, e que já mostrava a preocupação da banda em espalhar seu trabalho fora do país. Um clássico em se tratando de demos de Death Metal no Brasil, sem dúvida! Apesar dos vocais terem sido gravados por Eduardo “Falsão” Dantas (também conhecido na época como “Metal Killer”), meu nome já constava no lineup da banda na capinha da demo, já que eu já havia entrado em seu lugar quando do seu lançamento. Em tempo: existem duas versões da demo “Hell is Here” espalhadas na cena, uma com a faixa “Open Your Eyes” e outra com “Prepare to Die” no lugar desta.

    Studio Reh. – Promo 1990 (self released):

    Meu primeiro registro como vocalista do Headhunter D.C., essa promo foi gravada a pedido da Cogumelo para uma avaliação do novo material e da nova formação antes de assinarmos contrato com o selo. Datada de 27/05/1990 e gravada ao vivo em um pequeno estúdio de ensaios no subúrbio de Salvador, a promo conta com 4 faixas, sendo uma nova versão para “Hell is Here”, “Death Vomit” e duas músicas inéditas: “Am I Crazy?” (a última assinada por Eduardo “Falsão”) e “Why Wars?”, as quais mostram uma pegada ainda mais brutal e deathmetalizada da banda, com vocais mais podres e vomitados. Uma estória engraçada sobre essa promo é que na noite anterior à sua gravação eu enchi a cara como se não houvesse amanhã, dormi literalmente na sarjeta e acordei passando mal de tanta ressaca. Como ainda levaria anos até que o celular fosse inventado e chegasse ao Brasil, fui me arrastando e vomitando no ônibus até o estúdio com o intuito de informar aos caras que eu não tinha a mínima condição de gravar naquele dia. Chegando lá, vi que os caras já haviam montado tudo para a gravação e me disseram que eu gravaria naquele dia nem que fosse deitado no chão. 1 litro de Coca-Cola e 20 minutos largado no chão do estúdio depois, lá estava eu berrando feito um condenado com a cabeça doendo a ponto de ter um AVC! Tal situação inflenciou bastante e de forma positiva no resultado da voz na gravação: extremamente podre! Hahahahahahaaa!!!!!!

    “Born…Suffer…Die” – LP 1991 (Cogumelo):

    Em 3 de maio de 91 abrimos o show do Sepultura em sua “Arise World Tour” na Concha Acústica do Teatro Castro Alves para um público de aproximadamente 2.000 pessoas – meu terceiro ou quarto show com o Headhunter D.C. -, e logo no dia seguinte rumávamos para Belo Horizonte para a gravação de nosso primeiro álbum pelo maior selo de Metal Underground da América do Sul à época e no mesmo estúdio onde o próprio Sepultura e bandas como Sarcófago, Mutilator, Chakal, Holocausto e SexTrash também gravaram… nada mal para uma banda baiana no início dos anos 90 que acabara de completar 4 anos de existência, né? (risos) “Born…Suffer…Die” foi a prova definitiva de que não estávamos pra brincadeira e que éramos capazes de representar o Metal do Nordeste perante o Brasil com muita competência e sangue nos olhos, fazendo os preconceituosos do Sul e Sudeste engolir a seco o seu discurso de que não havia Metal fudido do lado de cá do país! Reproduzirei aqui uma parte do texto escrito para a reedição comemorativa de 25 anos do álbum: ““Born…Suffer…Die” foi gravado em 16 canais no estúdio JG (João Guimarães) sob a produção e engenharia de som do renomado Gauguin, que ali mesmo já havia sido responsável por gravações de algumas gemas do Death Metal brasileiro, como “I.N.R.I.”, “Abominable Anno Domini” e “Sexual Carnage”, e traz dez faixas e uma intro de puro Brutal Death Metal brasileiro, cru, extremo, caótico, mas muito bem executado, com alguns toques de raging Thrash. Bandas como Possessed, Death, Slayer, Sodom, Kreator, Dark Angel e ainda Morbid Angel e Napalm Death podem ser lembradas no decorrer das músicas, influências essas que unidas a um vocal extremamente característico, alternando grunhidos guturais com berros rasgados infernais no melhor estilo Quorthon/Angelripper/Mille Petrozza, guitarras com palhetadas à velocidade da luz, riffs alucinantes e solos muito bem sacados, baixo marcante e vigoroso e uma bateria capaz de fazer rachar os céus, fazem deste um álbum único. Desde um dos eternos hinos da banda, a faixa de abertura “Am I Crazy?”, cuja letra nada mais é do que uma visão ao avesso do mundo em que vivemos, passando pelas grandes regravações de “Hell is Here”, “Headhunter D.C.” “Suicidal Soldier” e “Prepare to Die”, as grindcore “Death Vomit” e “Disunited” e as inéditas “Decomposed”, “Beneath the Hate” e “Winds of Death”, as quais já mostravam uma maior evolução dentro do conceito da banda de se fazer Brutal Death Metal, até o genial petardo Deathrash “Why Wars?”, uma música não pacifista, mas inteligentemente consciente sobre os males que a inconseqüente ambição humana pode gerar, o que se ouve é um desfile do mais puro e genuíno Metal da Morte brasileiro executado por uma banda já dona de uma identidade bastante própria, apesar de seus então apenas 4 anos de atividades. O título do álbum, idéia do vocalista Baloff, foi tirado do refrão da música “Hell is Here”, e retrata muito bem o ciclo da sofrida existência humana nos dias atuais, e a capa, um trabalho magnífico assinado por Kelson Frost, que entre outras fez as fantásticas capas do “The Hangman Tree” do The Mist e “Rotting” do Sarcófago, juntamente com a clássica “foto do portão” da contra-capa, completam a obra com muito bom gosto. O álbum, que pode ser considerado como o primeiro registro vinílico de puro Death Metal do Norte/Nordeste, é aclamado pela mídia especializada Underground do país e pelos deathbangers brasileiros, logo tornando-se uma referência desse tipo de música no Brasil. Fora do país, algumas resenhas em zines e magazines estrangeiros já apontavam a banda como uma grande revelação do Death Metal sulamericano, e o álbum, uma verdadeira jóia do estilo. O zine belga Final Holocaust, por exemplo, publicou em uma de suas edições da época: “Realmente inacreditável a brutalidade contida neste álbum! Todas as 11 faixas são simplesmente de um excelente Death Metal com vocais extremos e doentios. Sem dúvida um dos melhores lançamentos vindos da América do Sul”. Ouvindo o álbum com a devida atenção, não há como duvidar disso” (por Luiz “Angelkiller” Jr.).

    “Punishment At Dawn” – LP 1993 (Cogumelo/Black Water):

    “Punishment At Dawn” surgiu como um contraponto ao que se fazia na América do Sul naquela época em se tratando de Death Metal, e mais uma vez estávamos remando contra a maré das tendências metálico-musicais que reinavam na cena. Era a época do Grunge, do Pantera e do Black Metal escandinavo, e nós, em meio a todo esse cenário instável no Metal Underground, continuávamos nos mantendo fiéis ao Death Metal e desenvolvendo uma música cada vez mais brutal e mórbida, com bastante influência do Death Metal europeu via Morgoth, Dismember, Carcass, Unleashed, Sinister, Merciless, Entombed, mas ainda com a sempre presente inspiração nos mestres Possessed e seus discípulos Death, Morbid Angel e Immolation. Também recorrerei a parte do texto da reedição do álbum em CD para abordar mais detalhes sobre o mesmo: “Com material novo em mãos a banda entra, em Maio de 1993, no 108 Studio para dar início às gravações do novo opus. Gravado e mixado por Tarso Senra (“Bestial Devastation”, “Warfare Noise”, “Schizophrenia”, “I.N.R.I.”, “Immortal Force”), “Punishment At Dawn” vê a luz do dia (ou a escuridão da noite, como queiram…) três meses mais tarde, e traz oito faixas de um Death Metal forte e poderoso feito com altíssima classe (ainda que sujo, furioso e violento como deve ser), algo ainda pouco visto/ouvido na América do Sul àquela época, quando as bandas eram mais influenciadas pela sonoridade primitiva e caótica de bandas como Sarcófago do início, Expulser e Sextrash. Temas como a altamente convidativa ao total headbanging faixa de abertura “Forgotten Existence” (até hoje obrigatória nos shows da banda), “Hallucinations”, “Bloodbath”, “Searching For Rottenness” e “Terrible Illusion” eram os novos hinos dos caçadores de cabeça em prol da causa do verdadeiro Metal da Morte Underground pelo qual empunham a bandeira com muita luta e dedicação. As letras, em sua grande maioria escritas pelo baixista Ualson Martins, lidam com alucinações, paranóia, insanidade e demais problemas que a doente mente humana é capaz de desencadear, como suicídio e assassinatos em série, além de retratarem através de contos mórbidos os sonhos de uma geração perdida. Já em “Deadly Sins Of The Soul”, uma obra-prima de Doomy Death Metal, e a faixa-título, a banda dá mostras daquilo que viria a ser sua incessante luta contra os dogmas ilusórios do cristianismo” (por Luiz” Angelkiller” Jr.). “Punishment At Dawn” foi como um prelúdio para como o Headhunter D.C. soaria dali pra frente e creio que moldou a personalidade da banda rumo a uma postura cada vez mais fincada nas raízes do Death Metal, musical e ideologicamente falando. A propósito, aguardem a sua edição comemorativa de 25 anos em CD/DVD vindo ainda nesse segundo semestre de 2018!

    “Promo Tape ’96” – Promo 1996 (self released):

    Gravamos essa promo com o intuito de mostrar à cena algo de nosso mais novo material à epoca, durante um longo período de quase 7 anos sem lançarmos um álbum de inéditas e de um impasse quase interminável com a Cogumelo. Nesse período a cena estava mais pra lá do que pra cá, e pouquíssimas bandas ainda tinham “bolas” pra continuar se assumindo como Death Metal e nós, orgulhosamente, fazíamos parte desse raro grupo de bravos deathbangers. Desse novo material, as 3 primeiras músicas a serem escritas foram “…And the Sky Turns to Black…”, “Contemplation (to the fire)” (que viria a fazer parte do “God’s Spreading Cancer…”) e “Falling in Perdition”, as quais foram gravadas para fazerem parte da promo. Pela primeira vez estávamos tocando com a afinação em Dó (2 tons abaixo), o que nos trouxe um peso maior para as cordas e consequentemente um vocal mais grave e mais gutural. A promo foi gravada ao vivo no Mutti Studio em Salvador em Dezembro de 95, e apesar de se tratar de um estúdio de ensaios de pequeno/médio porte sua qualidade de gravação nos agradou bastante. Gravamos 3 takes de cada música e escolhemos os melhores para fazerem parte do tracklist. Espalhamos bastante cópias da fita na época, e, de bônus, costumávamos incluir nossa versão para “Álcool” do Dorsal Atlântica, com a qual participamos do tributo à banda intitulado “Omnisciens” no mesmo ano. Todas as 3 músicas foram compostas por Paulo Lisboa e as letras, com exceção de “Contemplation…”, também de Paulo, são assinadas por mim, marcando o início de uma era em que eu assinaria todos os textos desde então. Essa promo tape dava uma ideia de como viria o Headhunter D.C. em seu próximo trabalho.

    “…And the Sky Turns to Black… (the dark age has come)” – LP/CD 2000 (Mutilation/Mercenary Musik/WW3):

    “ATSTTB”, na verdade, começou a ser gerado ainda entre 1994 e 1995, quando as primeiras músicas começaram a ser escritas. Depois veio a promo 96, que também serviu como uma espécie de pré-produção do álbum, a sessão de fotos do mesmo, realizada em 97 e o álbum em si finalmente vindo a ser gravado em 1998 para só em 2000 ser lançado oficialmente pela Mutilation Records (ex-Millennium Records). Isso mostra que, apesar do grande hiato entre “PAD” e este, nós nos mantivemos extremamente ativos em termos de composição do novo material, além dos frequentes shows por todo o país. Já contando com 3 novos membros, entre eles o baterista Thiago Nogueira (ex-Scrupulous), cuja carreira de músico profissional deu um grande salto desde então, o álbum foi gravado e mixado no Periferia Studio (o mesmo onde foi gravado o “The World is So Good…” do Mystifier) em Salvador entre Agosto e Setembro de 1998, e trata-se de um verdadeiro divisor de águas na carreira da banda e também na própria cena Death Metal brasileira e sulamericana. Foi o disco que catapultou o nome do Headhunter D.C. para o cenário mundial, e boa parte disso deve-se ao lançamento oficial do álbum nos EUA via Mercenary Musik/WW3 Records. Musicalmente falando, “ATSTTB” marca, de fato, uma nova era nas composições da banda, trazendo um Headhunter D.C. ainda mais brutal, pesado, mórbido, obscuro e profano, abusando de estruturas decadentes, mesclando passagens extremamente velozes graças aos blasts explosivos com um bumbo só (influência de Pete Sandoval, diferente da atual técnica de alternância de dois bumbos entre as batidas de caixa) com mudanças bruscas de ritmos caindo para andamentos mais cadenciados e soturnos. Os solos alavancados de Paulo, assim como os profundamente sentimentais de Fábio Nosferatus (meu primo, por sinal) também ajudam a desencadear essa variação entre a brutalidade inteligente e os climas densos gerando uma atmosfera assombrosa ímpar, característica do álbum. Já os textos, a partir daí assumem definitivamente uma natureza ateísta, niilista e anticristã que viriam a caracterizar de vez o lado ideológico do Headhunter D.C. (vide a faixa título – a minha preferida -, “Eternal Hatred” e “Beyond the Deepest Lie”), enquanto que “The Glory” traz uma espécie de louvor e contemplação à morte através de um texto poetizado, talvez dando aí, e de fato, início ao “Culto da Morte” propriamente dito, lírica e conceitualmente falando. Impossível falar do álbum e não mencionar a ‘doomy & gloomy’ “Conflicts of the Dark and Light”, que se tornou desde então uma das músicas preferidas pelo público e uma das mais pedidas nos shows, realmente uma excelente e inspirada composição de Mr. Lisboa. Fatos estranhos e trágicos rondaram as sessões de gravação do álbum, entre eles uma crise de epilepsia brutal de um dos funcionários do estúdio, um acidente de carro com morte na rua do estúdio e 6 (seis!) máquinas de ADAT queimadas em sequência, o que fez o engenheiro de som e dono do estúdio parar com as gravações do dia por “alguma coisa estranha estar acontecendo ali”… Tenso! (risos!) Enfim, mais um disco do qual temos um orgulho enorme em tê-lo lançado por tudo o que o permeou, por tudo o que ele significou para a sua época e continua significando para nós e para a cena brasileira, um grande “fuck off and die” para todos os posers, wimps e trendies que insistiam em dizer que o Death Metal estava morto e enterrado! Uma nova edição do álbum em gatefold black vinyl está a caminho via Crypts of Eternity Records do Perú. Aguardem!

    “Brazilian Deathkult Live Violence… 14 Years of Brutality!” – Live Tape 2002 (Eternal Fire Live Tapes Series):

    Trata-se da gravação de um show histórico realizado em Itabuna/BA no dia 09/06/1995 ainda durante a turnê do segundo álbum, quando tocamos com o Mordeth de São Paulo e a local Scrupulous abrindo a noite. Essa gravação já vinha sendo espalhada via tapetrading há algum tempo, até que surgiu a proposta do Karnage do Eternal Fire zine da França de lançá-la em cassete através de sua Eternal Fire Live Tapes Series. O show foi gravado direto da mesa de som e tem uma qualidade bem razoável para os recursos da época, mostrando a crueza e energia da banda ‘on stage’, sem mencionar a participação do público, agitando e berrando o tempo todo. Saudades do tempo em que se colocava 500 pagantes em um show de Metal Extremo – imagine sendo no interior do estado, como foi esse! O setlist é baseado nos dois primeiros álbuns e conta também com um cover de “Buried Alive” do Venom. Em 2013 teve uma versão em CD lançada pela Eternal Hatred Records com o seu áudio masterizado e disponibilizado na íntegra com duas faixas a mais que na versão em tape: “Am I Crazy? (cut off)” e um solo de bateria que não estava na programação do show e que teve de ser improvisado pelo então baterista André Moysés enquanto eu vomitava horrores atrás do palco. Maionese fudida! Hahahahaaa!!!

    “…In Deathmetallic Brotherhood” Split 10″ – EP 2007 (Legion of Death):

    Mais uma parceria com nossos irmãos franceses Karnage e Shaxul do Eternal Fire zine, dessa vez pelo seu selo Legion of Death Rekordz. Trata-se de um split em vinil com nossos velhos parceiros potiguares do Sanctifier, inspirado no split Pentacle/Desaster “…In League With…” no qual cada banda participava tocando um cover da outra mais uma música inédita. Em nosso caso, nós adicionamos uma faixa ao vivo e o Sanctifier gravou duas faixas inéditas para o lançamento. Compus “Hymn to Babylon” (com letra em parceria com meu irmão Luiz “Angelkiller” Borges Jr.) exclusivamente pra esse split, e o cover do Sanctifier escolhido foi “Cycle of the Entity”, enquanto que eles gravaram um cover de “Am I Crazy?. Gosto muito da gravação desse split (realizada no estúdio Casa das Máquinas, em Salvador, entre final de Novembro e inicio de Dezembro de 2005), uma das melhores que já fizemos, com bateria e guitarras super pesadas e na cara. A faixa inédita é puro Headhunter Death Cult Metal, 666% fincada nas raízes do gênero! Gosto muito de sua letra, cheia de luxúria, perdição, blasfêmia e exaltação aos prazeres mundanos da carne, um verdadeiro hino à velha Babilônia: “Lembremos da Babilônia, o paraíso terreno, uma nova era de luxúria está para surgir / Retribua amor com amor, combata fogo com fogo, somos filhos da Babilónia, não precisamos de nenhum Messias…”. Recentemente o Apokalyptic Raids a gravou para o segundo volume do tributo ao Headhunter D.C. e ficou foda, a cara deles! Em tempo: as mãos da capa são dos meus primos Fábio Nosferatus (ex-Headhunter D.C.) e Léo Lima, que por sinal são irmãos. Nada mais condizente  com o título do split!

    “God’s Spreading Cancer…” – LP/CD 2007 (Dying Music/Obscure Domain/Evil Spell/Deathcult):

    Acompanhando as comemorações dos 20 anos da banda, “GSC” foi gravado, mixado e masterizado entre Fevereiro e Março de 2006 no estúdio Casa das Máquinas em Salvador e produzido por Thiago Nogueira, que também gravou todas as sessões de bateria, apesar de não fazer mais parte da banda àquele periodo. Mais uma vez vínhamos de um longo espaço de tempo desde o último trabalho, mas como foi dito no texto que acompanha o álbum escrito por mim, muitas foram as razões para mais essa demora em oferecermos um novo disco de estúdio à cena, entre elas todas as dificuldades enfrentadas por uma banda do Nordeste brasileiro que optou pela honestidade e sinceridade em seu trabalho, sem mencionar a fidelidade aos seus princípios, ao invés de se deixar levar pelas tendências de ocasião que levaram tantas bandas de nossa época à decadência – ainda que em vida -, caso contrário estaríamos com um belo contrato assinado há bem mais tempo e lançando álbuns com muito mais freqüência. Outro aspecto relevante que cito no texto é a nossa necessidade de um tempo especial para a inspiração  certa no tempo certo, o que vale até hoje, afinal não fazemos música efêmera e descartável como muito vemos (e ouvimos) por aí. Não sei bem como começar a falar do álbum em si, mas a primeira palavra que me vem à cabeça é “violento”! Violento em suas músicas, com sua abordagem extremamente brutal e ‘in your face’ (“Stillborn Messiah”, “Celebrate the Chaos”, “Inner Demons Rise!”); violento em suas letras, um verdadeiro assalto contra tudo o que é hipocritamente chamado “sagrado” (“Disgrace to the corpse of God, buried and forgotten in a decrepit tomb…” – “God is Dead”); violento em sua capa, uma grande obra de manipulação digital assinada por Alcides Burn, que conseguiu, com extrema maestria, dar forma visual através de sua arte a um sonho blasfemo que eu tive durante o processo de composição do álbum. Brutal Unholy Death Metal ‘to the bone’, pesado, rápido e mórbido como deve ser! Talvez eu deixasse as guitarras um pouco mais na cara se eu tivesse a oportunidade de remixá-lo algum dia, mas num geral sou muito satisfeito com a sonoridade do mesmo. Pouca gente sabe, mas o título do álbum foi tirado da letra de “Love is Magick” de Raul Seixas, cujo trecho original teve que ser mudado por exigência da Censura Federal da época, acusando-o de apologia ao anticristianismo ou algo idiota assim. O trecho original diz: “Love is the answer, I am God’s spreading cancer, under will Love is the law”. Achei isso fantástico e “roubei” para nós! (risos!) Meus destaques vão para “God is Dead”, “Long Live the Death Cult” (dedicada ao Possessed), a faixa-título, “Stillborn Messiah”, “Inner Demons Rise!”… bem, vou parar senão vou acabar citando todas as faixas do álbum… hahahahaaa!!!

    “The Darkest Archives… From The Death Cult (1987 – 2007)” – Double CD 2010 (Crypts of Eternity):

    Esse é um CD duplo comemorativo dos 20 anos da banda contendo diversos materiais raros dos meus arquivos pessoais, incluindo aí demos, promos, ensaios, lives, takes inéditos de estúdio, cortes de programas de rádio e demais “achados arqueológicos”. Aliás, foi uma verdadeira busca arqueológica mesmo para pesquisar, reunir e compilar todo esse material, o que rendeu um atraso de 3 anos em seu lançamento – bem, em se tratando de Headhunter D.C. um atrasozinho desse não é nenhuma novidade, não é mesmo? (risos!) Muitos desses materiais eram até então inéditos em lançamentos nossos, e alguns só eram conhecidos pelas mais antigas gerações que viveram o circuito do tapetrading do final dos 80s/inicio dos 90s, mas num geral foi uma ótima oportunidade a todos os fãs e admiradores da banda para conhecer mais da longa trajetória da banda e acompanhar, através de um único lançamento, a evoluçao do Headhunter D.C. desde os seus primórdios em 87 até 2007. Além de tudo isso, o CD duplo vem com um excelente ‘memorabilia’ da banda em seu booklet, com fotos raras de época e do decorrer dos anos, flyers e cartazes de shows, letras de quatro de  nossas primeiríssimas músicas, “Evil Followers”, “Miserable Priests”, “Fuck Off the False” e “Terrorists” (que também fazem parte da compilação via gravaçoes de ensaios de 87 e 89) e fotos do show comemorativo de 20 anos da banda aqui em Salvador, entre outras imagens raras. Um belíssimo trabalho do selo peruano Crypts of Erernity, um dos nossos grandes aliados na cena atual. Foram apenas 500 cópias disponíveis e rapidamente se tornou ‘sold out’. Seria ótimo tê-lo lançado em vinil triplo ou quádruplo… quem sabe algum dia em um box especial de 35 anos da banda?

    “…In Unholy Mourning…” – LP/CD 2012 (Mutilation/Evil Spell):

    Nosso último album de estúdio, “…IUM…” foi talvez o maior desafio enfrentado por mim até aqui desde que entrei para a banda no final de 1989, pois além de não apenas gravá-lo e produzi-lo, tive que compor todas as canções do álbum. Apesar de também ter assinado algumas músicas no “GSC” e também a faixa inédita do split com o Sanctifier, ainda não me considerava como um compositor de músicas de Death Metal como o Paulo tão magistralmente o foi para a banda, e logicamente senti o peso dessa responsabilidade, mas encarei o desafio com a força que o Death Metal me provém e fui à luta! Dessa vez a maldição dos 7 anos foi quebrada, mas mesmo assim levamos 5 anos desde o último trabalho, muito pela indisponibilidade do Paulo para se dedicar a escrever os novos sons devido à grande carga de trabalho em seu emprego como professor em Jacobina/BA. Naturalmente as novas músicas soavam com uma atmosfera ainda mais carregada e profana e foi essa característica que também deu a “IUM” a cara e a sonoridade que ele tem. Antes de entrarmos em estúdio para gravarmos o disco, fizemos uma pré-produção do álbum num estúdio de ensaios na Cidade Baixa onde gravamos todas as faixas ao vivo, algumas ainda sendo arranjadas e com suas letras ainda a serem finalizadas, mas no final alcançamos o nosso objetivo que era o de justamente termos as músicas registradas antes de sua gravação definitiva para que pudéssemos moldá-las conforme as idéias fossem surgindo. Essa gravação foi recentemente disponibilizada num box em cassete duplo limitado pelo selo boliviano RawBlackult Prods. O álbum, que marcou a estréia do guitarrista George Lessa (God Funeral, ex-Keter), foi gravado, mixado e masterizado por Jera Cravo no Studio 60 entre Fevereiro e Maio de 2011, desta vez sem acontecimentos trágicos relevantes… haha! Um fato marcante a ser mencionado foi a participação de cerca de 30 pessoas, entre membros de bandas, editores de zines e demais irmãos e irmãs de nossa cena local gravando um coro (chamado por mim de “Choir of the Damned”) em “Hail the Metal of Death!”, o famoso (ou “infame”, de preferência…) “SALVE!!!” sempre berrado pelo público presente nos shows. Memorável e impagável, algo que definitivamente entrou para a história de nossa cena baiana. Enfim, o que se ouve no álbum é puro Unholy Death Metal (se eu usasse aqui o termo “old school” seria chover no molhado, então dispenso…), com características de todos os nossos trabalhos anteriores, mas com uma carga de morbidez e obscuridade ainda maior e maiores níveis de brutalidade profana. Gosto muito de “Cursed be Thou”, “Deny the Light” (que possui um riff de 87!), “A Dream of Blasphemy” e “Lightless…”, essa última lenta, fúnebre, obscura, niilista em sua essência. Quanto às letras, tive a ideia de disponibilizar as suas traduções em português em um booklet extra em sua primeira versão em digipack de luxo via Mutilation, onde todos aqui no Brasil poderiam ter uma percepção mais aprofundada de nosso lado ideológico, o qual sempre foi tão priorizado por nós quanto à nossa própria música. Posso até dizer que se trata de nosso melhor álbum até o momento, porém um novo capítulo do Culto da Morte está para ser escrito, portanto aguardem…

    “Death Kurwa! Live in Warsaw 2013” – Live CD 2016 (Necroscope zine/Bestial Invasion):

    Outro lançamento não programado e feito meio que por acaso. Surgiu após o convite de nosso parceiro, irmão e velho apoiador da banda Adam Stasiak do tradicional zine polonês Necroscope para participarmos de sua edição de jubileu #30 com um CD acompanhando o zine. Coincidentemente tínhamos essa gravação do show de Varsóvia em 2013 captada por uma câmera de vídeo que sequer captou o show todo, mas como tinha um áudio bem razoável, ambas as partes concordaram em usá-lo. Para completar a pareceria, surgiu o selo Bestial Invasion Records do Reino Unido que se propôs a prensar o CD de forma oficial e disponibilizá-lo também de forma avulsa através de seu catálogo. Apesar de todo o “acaso” em seu lançamento, trata-se de um registro importante e histórico de nossa primeira tour européia. O que se ouve ali é um verdadeiro show de Death Metal, sujo e cru, sem máscaras nem retoques, sujeito a todos os defeitos e imperfeições de um real evento subterrâneo, do Underground para o Underground! Destaque para a participação insana dos mais loucos maníacos poloneses gritando “kurwa!” o tempo todo, o que para nós seria como o nosso “fudido!” e coisas do gênero. De bônus incluímos “Forgotten Existence”, gravada ao vivo em Jacobina em 2008.

  • ETERNAL SACRIFICE – Naberius comenta toda discografia da horda com exclusividade…

    ETERNAL SACRIFICE – Naberius comenta toda discografia da horda com exclusividade…

    Esta seção foi criada para que as bandas comentem suas próprias discografias, uma seção inovadora que já existe na revista impressa por alguns anos e que estamos trazendo até você no formato digital. Para a estréia convidamos o Naberius, mentor e lider da banda Eternal Sacrifice que inclusive estará lançando ainda este ano seu novo álbum “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” que também foi comentado aqui.

    Nome: Magister Templii Lhorde Haadas Naberius Ano de Nascimento: 1973 Bandas que Integrou: Bestial Reincarnation, Mallignant Assenssion, Disgorgement, Inoculation, Wintermoon, Mortius (Teclados/Backing Vocal), Aborym (atual), Blessed in Fire 1998, Transcendental Mágick 1995 (atual-projeto solo)

    “The Magician Alcandro”Demo Ensaio 1996

    A banda foi formada em 1993, e dois anos depois não tínhamos nada gravado porque sofremos baixas na formação durante o percurso. Logo em 1994 o guitarrista Gadianton saiu da banda, éramos quatro: Naberius (V), Gadianton (G), Zaebos (B) e Zaraphiel (D), com a saída do guitarrista, ficamos meio “órfãos”… Zaebos passou a ser guitarrista e começamos uma busca por baixista. Em 1995 entrou um baixista o Grim e um guitarrista, o Charles, e com essa formação gravamos um ensaio, qual eu (Naberius) toquei teclado também e fizemos nosso primeiro show, por sinal fora de Salvador, em Aracajú/Se. “The Magician Alcandro” foi um registro sonoro impactante, apesar das dificuldades de produção sonora, a falta de experiência em registros, é possível sentir através dela uma relação muito emocional com a música obscura e o pensamento ocultista ao mesmo tempo. Talvez tenha sido o primeiro registro de uma banda de Metal Negro Ritualístico, necromântico como gosto de rotular, pois nela tinha encarnado um pouco desse feeling absorvido das nossas influencias intelectuais e sonoras.

    “Aradia… O Segredo Pagão de Elêusis” – Demo 1997

    Esse foi um dos nossos materiais que mais repercutiram no underground da época, principalmente pela qualidade da gravação, que não era maravilhosa, mas foi gravado em um estúdio com canais separados, ou seja, hoje o que parece tão comum, nos anos 90 do século XX era uma batalha conseguir esse feito. Assim como tivemos uma considerável melhora na execução de nossas músicas e a entrada de uma tecladista. Era uma demo cheia de simbologia e referências musicais únicas, aliás essa sempre foi a marca da banda, ter em sua história uma sonoridade muito peculiar, sem deixar de traduzir Metal Negro com atmosfera sombria, tétrica e satânica como deve ser. Nessa demos tivemos uma formação que durou por algum tempo: Naberius (V), Charles (G), Zaebos (G), Grim (B), Gaya (K) e Zaraphiel (D). Gravamos 9 músicas, mas lançamos apenas 6.

    “Live in the Occult Ritual of Fire” Live Demo 1998

    Nesse mesmo ano, fizemos alguns shows em nossa cidade e fora. Aqui tocamos num festival, qual fui um dos organizadores e que se chamou “The Occult Ritual of Fire”, num dos melhores espaços para shows que tínhamos aqui em Salvador na época a Faculdade de Economia da UFBA ao lado de outras bandas de Black Metal da cidade, aliás o momento era o auge do Black Metal por estes lados com uma quantidade enorme de bandas. Gravamos esse show diretamente da mesa de som, e como o resultado foi muito bom e o show foi um dos mais inspirados de todos nós, com aquela formação ideal (até aquele momento), resolvemos lançar o registro e divulgar aos amigos e apreciadores de nosso som, nela colocamos inclusive músicas inéditas que não estavam nas demos anteriores e esse foi nosso último registro com o que considero a formação mais produtiva da banda nos anos 90.

    “Beautiful Leaves of Supreme Pagan Art (Opera Sexualis)” –  Promo Tape 1999

    Como toda banda de Metal, nós passamos por sérias dificuldades, pois perdemos quase metade da banda em 1998. Primeiro Zaraphiel o baterista, depois Zaebos o baixista e ficamos um bom tempo de hiato. Decidido, falei com Charles e começamos um saga de novas composições, pois o principal compositor das músicas da banda era o Zaebos, me meti no meio com Charles e compusemos um álbum inteiro, arrojado, desafiador e cheio de empolgação, ensaiamos e achamos a fórmula perfeita para gravar nossas músicas. Surgiu no meio disso tudo a possibilidade de tocarmos com novo baterista de uma banda que estava findando, mas não deu certo. A banda então sofreu mais uma revolução, Grim que era baixista passa a ser tecladista em lugar de Gaya (que resolveu deixar a banda), entra um novo baixista em seu lugar o Nahash, um guitarrista no lugar de Zaebos, o Okkultus e um baterista em lugar de Zaraphiel, o Frater. Com essa formação, deu tudo certo e gravamos uma promo com uma qualidade ótima, com certeza nossa melhor gravação, nosso melhor registro sonoro em seis anos de existência. A intenção era enviar para o selos e conseguir um contrato de gravação para lançarmos nosso primeiro álbum – quanta ilusão! Sabendo que tudo estava num contexto muito diferente, as bandas naquele momento pagavam tudo do bolso, gravação, produção, o escambal, se duvidasse até lançavam o cd de forma independente, mas esse salto ainda não era possível para nós. Foram quatro músicas em 13 minutos de um som verdadeiramente novo e a certeza que dali pra frente daríamos um passo gigante em nossas pretensões. Formação: Naberius (V), Charles (G), Okkultus (G), Nahash (B), Grim (K) e Frater (D), essa formação era a oficial e que gravou de fato o material, que foi mantida por um bom tempo, o suficiente para darmos nosso próximo passo que foi gravar, por conta própria, o primeiro álbum “MusickantigA…”, mas aí é outra história…

    “Ignis Mallus” – Promo CD 2001

    A formação estável, álbum completamente composto e gravado, começamos uma saga atrás de selos que se dispusessem a lançar o material, afinal já tínhamos feito metade de todo trabalho, “vai ser fácil!” Que nada, foi o memento em que os problemas começaram. Primeiro pela formação que mudou quase toda, saíram: Grim, Nahash, Okkultus e Charles, praticamente todos de uma vez, ficando apenas eu (Naberius) e Frater. Começa uma nova revolução, muita gente começa a circular na banda, tentativas de alianças, pois não é nada fácil encontrar integrantes que se adequem aos temas que a banda aborda e o tipo de som que toca, a estética visual que a banda assume, tudo isso necessita de alguém que se enquadre nesses requisitos, se identifique com eles e queira seguir este caminho. Foi um período turbulento, tocando com músicos emprestados de outras bandas e participações de ex-integrantes que vez por outra nos dava uma força, foi complicado. Lançamos um promo cd para tentar lançar o material e finalmente conseguimos através de um selo lendário aqui de Salvador, a Maniac Records. Aos poucos fomos conseguindo novos integrantes, primeiro Luctuus Perpetuus (G) e Kastiphas (K) e ainda contávamos com participações em show com outros integrantes, sob a promessa de lançamento do primeiro álbum para o ano seguinte, o que não aconteceu. Ignis Mallus foi o registro de 3 músicas retiradas da gravação do álbum e pouco circulou para o publico “comum”, foi um trabalho mais direcionado, ainda assim muitos tiveram acesso ao material na época.

    “Incitatvs – Opera of Evil Dawn” – Demo Ensaio 2002

    Esse período era o da aposta que lançaríamos nosso primeiro álbum, o que não aconteceu. Como estávamos compondo novas músicas e até, elaborando um segundo álbum. Estávamos em alta ebulição criativa, junto com Charles (havia saído da banda, mas continuava compondo para a banda junto comigo), compusemos quase que todas as musicas do segundo álbum juntos e reescrevemos algumas musicas de Zaebos. Nessa época ingressaram um guitarrista (irrelevante) e um baixista, o Corozon. Com Naberius (V), Luctus (G), Corozon (B), Kastiphas (K) e Frater (D) gravamos um ensaio, com a participação do guitarrista (irrelevante) e lançamos com uma musica que depois ficamos impedidos de executar. A qualidade do ensaio era muito boa, e resolvemos fazer um material gráfico e lançar para que nossos amigos e apreciadores ficassem a par de como estavam nossos trabalhos naquele momento. Gravamos três musicas autorais e um cover que costumávamos tocar com frequência com nossa releitura “Black Funeral” Mercyful Fate.

    “The Necromantical Complex of Aradia and Incitatvs” –  Compilation CD – 2003 Esse material foi lançado com as duas demos: “Aradia…” e “Incitatvs”. Foram inseridas a mais músicas que foram gravadas na época da demo “Aradia…” e o material saiu encartado com o zine Adjacer Aspide aqui de Salvador do amigo Rildo Santana. Ganhou uma capa exclusiva com encarte e informações. No zine também tinha uma extensa entrevista com a banda.  

    “MusickantigA… Prédicas do Vero Báratro (Cantata Lugubre, The Revive Rapture of the Shadows Cult) Atto I” – Debut Álbum 2003 – Maniac Rec.

    E, finalmente, em 2003 é lançado nosso álbum, gravado em 2000 pela antiga formação, por esses e outros motivos, apenas Naberius e Frater figuram as páginas do encarte com suas faces. Musickantiga é o auge de todos os nossos esforços de dez anos de existência, ele veio para brindar toda esta saga e nos mostra como uma banda cheia de ideias, de vontades, de propósitos, porém sem deixar de lado toda aura mística que criamos em volta de nossas músicas, de nossos contextos e foi um álbum que teve uma excelente receptividade de crítica, uma álbum que esgotou no mesmo ano e deverá ser reeditado ainda este ano de 2018 através da Oskure Chaos, sob a licença da Naberius Black Art Rec. O álbum é total full com 74 minutos de um primeiro ato, ou seja, um álbum conceitual que só se completará através do segundo ato, que foi nosso segundo álbum… Um álbum cheio de simbologia, paganismo e escuridão. Na época tivemos muitos amigos que colaboraram na produção do álbum como André Laws, artista plástico que pintou a capa do disco e fez as fotos da banda, e nosso antigo irmão Éden Lozano que fez toda a arte gráfica do álbum na época. Demorou pra caraaaaaalho, mas saiu, também, deu um trabalho (risos).

    “Sonatta Satanicka 666” – MCD 2004 – Maniac Rec.

    Nosso contrato com a Maniac era para dois álbuns, pois a mesma deveria custear toda a produção do disco etc… Nesse meio tempo, fomos convidados por eles pra lançar um EP, a fim de mostrar aquelas músicas novas do segundo álbum e mostrar que tínhamos bala na agulha. Obviamente, eles estavam bem satisfeitos com os resultados efetivos do primeiro álbum e queriam ver nossa performance com uma gravação um pouco melhor. Nessa época Charles retornou à banda por um tempo e participou das gravações, qual tinha uma composição do nosso antigo guitarrista Okkultus junto comigo (Naberius) e lançamos o “Sonatta Satanicka 666” contendo duas músicas que estariam em nosso segundo álbum e mais duas músicas que compusemos exclusivamente para este material, qual chamamos de interlúdio entre o Atto I e o Atto II do conceito. A formação que gravou o MCD foi: Naberius (V), Luctuus (G), Charles (G), Orias (B) novo baixista que entrou em lugar de Corozon, Kastiphas (K) e Frater (D). Após lançarmos o MCD a Maniac rompeu com o contrato, alegando que não possuía mais condições de assumir a produção do segundo álbum e ficamos por conta própria novamente.

    “Iluminados por  Thanatherous Aleph… MusickantigA (Macabre Operetta: The Magickal Revival of Books, Pacts and Holy Writings) Atto II” – Full-Lenght 2010 – Blasphemy Prod.

    Entre 2004 e 2009, passamos por poucas reformulações, tocamos em alguns lugares, mas tudo que desejávamos mesmo era gravar nosso segundo álbum. Quatro, cinco anos é muito tempo para uma banda ficar sem produzir, sem lançar material novo, mas creio todos saberem o quanto é difícil uma banda independente se manter por tantos anos no underground, mantendo a dignidade, a ideologia e tudo mais. Nossa principal dificuldade sempre foi mesmo a formação, não diferente neste período onde o Charles voltou a sair da banda, seguido mais tarde por Luctuus, foi nesse momento que Orias decide assumir as guitarras, abandonando o baixo. E por volta de 2008 entram Lady Mortis para segunda guitarra e Lord Musifin para o baixo completando nossa banda. O álbum já estava completamente composto com uma música a mais composta por Kastiphas e então começamos a aperfeiçoa-lo até gravarmos no final de 2009 e produzir tudo que pudemos. Gravamos e saímos oferecendo para alguns selos e o que ficou mais próximo do que desejávamos foi a Blasphemy Prod. (Natal/RN). Em 2010 o álbum é lançado com excelente produção, que na época tivemos grandes parceiros como na arte gráfica o Alex Souza, nas fotografias Alex Allen e na composição da capa por minha colega de UFBA a artista plástica Inês Regina. Gravaram o álbum, portanto: Naberius (V), Orias (G/B), Lady Mortiis (G), Lord Musifin (B), Kastiphas (K/B) e Frater (D), antes mesmo do álbum ser lançado, Lord Musifin deixou a banda e de lá pra cá nunca mais acertamos um baixista fixo na banda, só gente enrolada. “iluminados…” foi um álbum também fulltime, e completou a história iniciada no primeiro álbum. Com certeza fomos a primeira banda de Black Metal a realizar um projeto dessa magnitude no país, dois álbuns conceituais e um ep de interlúdio o que justifica nos rotularmos como Opera Pagan Black Metal Art.

    “Eternal Angels Sacrifice of the Black Moon” – Split 3way – Omeyocan Prod (MEX) – 2011 

    Esse lançamento foi feito no México em 2011, e traz o mesmo material editado no MCD “Sonatta Satanicka 666”. Foi um convite feito pela banda Black Angel do Peru, qual além da própria Black Angel contou com a mexicana Septic Moon. O material bem aceito em ambos países e muito procurado até hoje. Nesse período estávamos em plena divulgação do álbum novo, contanto com um novo baixista, o Malefikus, tocamos em muitos lugares e fizemos uma boa divulgação de ambos materiais.

    Priests from Hell – Split Tape – Odio & Repulsíon (CHI) – 2011

    Ainda em 2011, o mesmo material foi lançado em tape no Chile, porém dessa vez apenas Eternal Sacrifice e Black Angel. Pro tape, com capa bem elaborada em papel gráfico de alta qualidade, assim como o material sonoro que já possuía uma excelente gravação de ambas as bandas. Tanto o Split 3way, quanto a tape estão disponíveis em nossas mãos até hoje aos que se interessarem em adquirir, assim como temos cópias finais do segundo álbum “Iluminados…”

     

    “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” – Full-Lenght 2018 – Hammer of Damnation

    De 2014 pra cá, ficamos apenas compondo e trabalhando nas músicas novas. É notório que uma banda de Metal no Brasil dificilmente se sustenta por si só, e foi preciso nos dedicar aos nossos trabalhos formais e repensar nossa carreira, reestruturar nossos objetivos também e passamos um bom tempo estudando, refletindo sobre o que realmente nos dá prazer nessa arte, além de digerir algumas baixas, mais uma vez na banda. Mais ou menos em 2011, Kastiphas (K) resolveu deixar a banda por algumas incompatibilidades de ideias e insatisfações pessoais. Em 2014 foi a vez de Lady Mortiis (G) e a banda seguiu como um quarteto. O Baixista Malefikus ficou entre idas e vinda, até que foi sacado definitivamente em 2016, e nesse mesmo ano, algum tempo antes Charles (G) retornou mais uma vez a banda em lugar de Lady Mortiis. Em 2017 iniciamos a pré- produção do terceiro álbum, qual traria mais uma vez uma obra conceitual, desta vez compusemos músicas que nos identificam, mas que ao mesmo tempo mostra uma banda um pouco diferente, com métrica compositiva também diferente, mas que aquele que conhece sua discografia consegue reconhecer as linhas de pensamento da banda, sua originalidade e sua fidelidade ideológica cultivada durante todos esses anos. Támbém foi o álbum em que meus trabalhos artísticos ficaram de fora, trouxemos um ar novo para a arte gráfica do álbum sob o olhar de outro artista plástico como Marcio Menezes (Blasphemator Art) que se encarregou da capa e todos os desenhos do encarte, da genialidade de Alan Luvarth que conseguiu traduzir perfeitamente o conceito da obra na arte gráfica do encarte, e na fotoeternalgrafia fantástica de Frederico Neto que já trabalhou com bandas como Headhunter D.C. e Malefactor. O álbum será lançado no auge da carreira da banda por um selo de respeito no cenário mundial a Hammer of Damnation, em plena comemoração de 25 anos da horda, sempre rompendo obstáculos e quebrando tabus, paradigmas e padrões, criando ideias únicas, unidos a uma musicalidade idem. “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” é a maior prova que força e perseverança sempre vencem, é um álbum repleto de simbologias e sortilégios, feito exclusivamente para aqueles que apreciam as canções da mão esquerda. Album gravado por: Naberius (V), Charles (G), Orias (G/B), Kastiphas (K) e Frater (D).

    Contato para assessoria de imprensa: www.sanguefrioproducoes.com/contato Sites relacionados: https://hodrecs.com/ https://www.facebook.com/eternalsacrifice666/ https://sanguefrioproducoes.com/artistas/ETERNALSACRIFICE/59
  • ALICE COOPER

    ALICE COOPER

    NOME COMPLETO: Vincent Damon Furnier NASCIMENTO: 4 de fevereiro de 1948, em Detroit (EUA) BANDAS QUE INTEGROU: Alice Cooper, The Spiders, Nazz e Hollywood Vampires

    I’m Eighteen: “Inicialmente, ela era apenas uma jam, algo que fazíamos para aquecer antes de tocar e ensaiar. Então,  produtor Bob Ezrin ouvia isso todas as noites e nos questionou o que seria aquela nossa música de aquecimento. Respondi que eram apenas alguns acordes jogados e ele perguntou se o nome era ‘I’m Edgy’ (eu sou nervoso). Eu disse que não, que seria ‘I’m Eighteen’. Aí ele disse que teríamos que transformá-la numa música de verdade e gravá-la, que precisaria ser algo bem básico porque iria pegar o público de jeito. Falei que iríamos tentar e começamos, mas ele, então, nos disse para deixar a coisa mais simples, somente com acordes, algo em que não tínhamos pensado. Ele a via desta forma e então tocamos como ele falou. Acabou virando nosso primeiro hit. A letra, quando fala ‘I’m Eeighteen’, significa que ele é um jovem e é um homem, que não pode votar, mas pode ir à guerra; que não sabe o que fazer com uma garota, mas sabe o que quer fazer. É algo em que ele se sente totalmente confuso, mas gosta daquilo. Ao invés de colocar ‘eu odeio’, algo que todo mundo poderia esperar quando digo ‘tenho 18 anos e…”, coloquei ‘eu gosto’. Eu sabia que esse seria o gancho do que se tornou o nosso primeiro hit.” Álbum: Love It to Death (1971)

    Be My Lover: “Uma música bem simples que veio de Michael Bruce. A estrutura de acordes é realmente bem simples, mas acredito que a letra seja importante, porque foi uma época em que todos os pais estavam confusos sobre quem e o que era Alice Cooper. Por isso, a letra traz aquela parte ‘O nome do vocalista era Alice / Eu disse: escute, querida / Você provavelmente não iria entender’. Claro que eu quis mexer ainda mais com isso e tirar sarro de nós mesmos. Apesar de eu ter falado sobre a simplicidade dela, quando a tocávamos ao vivo o público enlouquecia.” Álbum: Killer (1971)

    School’s Out: “Esta é como um hino nacional. Eu me questionei sobre quais seriam os dois momentos mais felizes quando se é uma criança. Bem, uma é a manhã de natal, quando se tem aquela expectativa de abrir os presentes. A outra é quando você está no último dia de aula antes do início das férias e às 15h é o horário de encerramento. Então, você está lá, nos últimos cinco minutos, e então, quando toca o sinal de saída, sente-se totalmente livre e comemora. Eu queria captar esse sentimento, aquele momento, a alegria de tudo aquilo. Sabia que se conseguisse reunir tudo isso, a música seria lembrada por todos os jovens… Para sempre! Daqui a cinquenta anos poderão cantar School’s Out porque ainda fará sentido para eles. Muita gente achou que era algo subversivo, mas é uma música alegre. Lembro-me que quando a compusemos éramos todos fãs dos Yardbirds, então quem ouvir mais atentamente vai notar algo de Jeff Beck lá.” Álbum: School’s Out (1972)

    Elected: “Ela era sobre Nixon, que todo mundo odiava (N.R.: Richard Nixon foi o primeiro e único presidente dos Estados Unidos a renunciar do cargo). Eu, naquela época, era provavelmente o principal personagem do rock’n’roll. Era como um Marilyn Manson multiplicado por dez para o público. Para os jovens eu era um vilão do rock’n’roll, era o cara legal, mas os pais deles não tinham digerido ainda o que era Alice Cooper. A única coisa que eles sabiam era que aquele personagem era perigoso. Assim, a última pessoa que poderia ser presidente dos Estados Unidos era eu, até mais que Nixon (risos). Assim, nós tiramos proveito disso. Mas a ideia real do instrumental desta música era prestar uma homenagem ao The Who e a Pete Townshend, que era um de nossos heróis. Eu disse à banda para iniciarmos a música do jeito que Townshend faria.” Álbum: Billion Dollar Babies (1973)

    Welcome to My Nightmare: “Esta foi a primeira música que compus quando estava sem a banda. Foi a primeira da carreira solo. Eu tinha a ideia para um show, que seria uma criança de 7 anos de idade que não conseguiria acordar de seu pesadelo. O que aconteceria nesse pesadelo? A concepção dos personagens partiu daí. O título não poderia ser ligado a algo usual no rock’n’roll, mas a uma coisa mais fantasiosa e que causaria impacto no público, o levaria para dentro quando se escutasse o instrumental. Bob Ezrin e eu levamos muito tempo fazendo este disco até que sentíssemos que havia ficado do jeito que queríamos. Era uma grande responsabilidade, porque era o primeiro disco solo e tinha que ser algo único. Alguns não conseguiram o êxito que esperavam com o primeiro solo. Até Mick Jagger… Além disso, nosso show teria que ser algo grandioso, até maior que o de Billion Dollar Babies. De fato, o risco era grande, mas todo o dinheiro que eu tinha até então foi investido naquele show. Se falhasse, eu teria que recomeçar do zero. Ainda bem que funcionou…” Álbum: Welcome to My Nightmare (1975)

    Go To Hell: “Eu tinha que achar outro lugar para colocar Alice depois de Welcome to My Nightmare. Esta seria a sequência e então eu pensei em fazer com que Alice se visse dentro do inferno e pensasse em como iria sair de lá. Ele tinha que ser mais que o diabo. Claro, tinha muito senso de humor dentro de toda aquela concepção. Veja, o show seria ainda mais grandioso, mas eu realmente estava exausto após a turnê de Welcome to My Nightmare e precisava tirar um ano de férias. Lembro que em determinado momento daquela turnê nós fizemos 65 cidades em 72 dias, num show de duas horas de duração. Era um show complicado, sem intervalo. E naquela época eu bebia bastante. Assim, quando ela se encerrou eu realmente estava acabado. Precisava descansar. Não consegui nem pensar direito em como seria um show para Alice Cooper Goes to Hell.” Álbum: Alice Cooper Goes to Hell (1976)

    Inmates (We’re All Crazy): “Compus esta música logo depois de sair do hospital, quando passava por problemas com o álcool. Depois que saí, falei com Bernie Taupin, um de meus melhores amigos e que também escrevia letras. Eu contei a ele que as figuras que tinha visto naquele asilo insano em que eu estava internado dariam um bom tema. Eu disse a ele que precisava listá-los e fazer algo em cima disso. Então, ele me ajudou com as letras. Começamos a escrever e aquilo virou um pingue-pongue. Eu escrevia uma frase e ele completava com outra. O mais legal desse processo é que ficou parecendo um desafio entre nós. Ele escrevia e eu tinha que achar algo que combinasse logo abaixo. Então, em um momento, começamos a terminar as linhas com algo que não daria para ter rima (risos). Uma que ele usou foi ‘orange’. Aí, parei, fiquei olhando aquilo e falei: ‘Você quis dizer ‘door hinge’? Caímos na risada.” Álbum: From the Inside (1978)

    Prince of Darkness: “Essa eu compus com Kane Roberts em uma época em que os filmes de terror sangrento estavam em alta. O mais curioso é que eu e Kane víamos filmes assim todas as noites. Aí, comentei com ele que a coisa que menos queria naquele disco era uma balada. Eu queria mostrar que Alice estava de volta, mais perverso que nunca. Eu estava sóbrio, então o personagem Alice não poderia ser nada melancólico e trágico. Ele tinha que ser aquele vilão. Por isso, os álbuns Constrictor e Raise Your Fist and Yell tiveram aquela tendência mais pesada do hard rock. Claro, com bastante melodia no metal. Nós, então, compusemos Prince of Darkness antes mesmo do filme de John Carpenter. Para mim, ela é provavelmente a melhor música do disco. Kane Roberts tinha aquele visual na linha de Stallone, mas o cérebro de Jerry Lewis. Ele foi o cara mais engraçado com quem já trabalhei na minha vida. Ele tinha aquela pinta de bravo, mas era muito divertido. Além disso, foi um dos melhores guitarristas com quem toquei. Ele podia ser tão bom quanto Eddie Van Halen, mas as pessoas ficavam mais impressionadas pelo físico do que com ele tocando. Eu sei que ele poderia tocar coisas que Steve Vai estaria tocando.” Álbum: Raise Your Fist and Yell (1987)

    Poison: “Era outra época e eu sabia o que estava rolando no rádio, que eram coisas de Mötley Crüe, Bon Jovi e um Aerosmith bem diferente do que eu estava acostumado a ouvir. As músicas eram boas. Muito boas! Comecei a  esquisar aquilo e sempre via o nome Desmond Child ligado a algumas destas que estavam em alta. Aí eu pensei comigo: ‘Esta é a chave, este é o cara.’ Então, me encontrei com ele e falei para ele fazer o mesmo que tinha feito com Bon Jovi e Aerosmith, mas que precisava ser um pouco mais obscuro, sexy e deveria manter a personalidade de Alice. Queria mesmo algo que, se tocasse no rádio, não sairia da cabeça do ouvinte. Bem, nós então sentamos e compusemos Poison, que tinha tudo aquilo que eu havia dito e estava buscando. Era sombria, sexy e marcante. Trabalhei muito bem com Desmond, que produziu Trash, um disco que tenho muito orgulho em ter feito.” Álbum: Trash (1989)

    Feed My Frankenstein: “Esta não foi criada por mim. Me mostraram a música e eu achei legal, mas queria fazer algumas pequenas mudanças na letra. Assim, entramos em contato com Zodiac Mindwarp (N.R.: um dos compositores da música original) para falar sobre essas alterações. Ele concordou na hora e disse que não terianenhum problema em mudar algo na letra. Fiquei muito contente quando ela foi escolhida para o filme ‘Wayne’sWorld’ (‘Quanto mais Idiota Melhor’). Meu assistente pessoal Kyler Clark é quem faz o personagem Frankenstein nos shows hoje em dia. O melhor de tudo é que quando ela começa, o público fica maluco!” Álbum: Hey Stoopid (1991)

    Nothing’s Free: “Quando comecei a compor The Last Temptation, eu passei a ver as coisas por outro lado, pelo ponto de vista cristão. Assim, o diabo não era algo para se olhar, mas para se evitar. Existe a fascinação pelo oculto, pelo diabo, mas ele é a fonte de tudo que está errado. Se você começa a acreditar nisso e aceita, ele o pega do jeito que queria. Nada é de graça. O modo como mostram o diabo é aquela coisa produzida por Hollywood, que é algo amedrontador, grande, mas ele é aquele cara mais boa pinta, um Brad Pitt vezes dez. Ele não irá parar de enchê-lo de elogios, falar coisas como ‘você é o melhor do mundo’ e dizer o quanto gosta de você. Assim, você estará com ele, concordará com tudo e passará a elogiá-lo também. Ele perguntará o que você quer. Se quer aquela garota, ele arrumará para você. Uma Ferrari? Claro! Mas nada é de graça… E, no final, ele quer a sua alma, mas faz tudo parecer isso tão atraente. Então, essa imagem de Satã ser assustador é a versão hollywoodiana, pois a versão bíblica é muito diferente. Ele é o pai das mentiras, o grande enganador, e vai lhe dizer tudo que você quer ouvir, mas, no final, nada é de graça.” Álbum: The Last Temptation (1994)

    Brutal Planet: “Ela foi composta depois que vi o que estava acontecendo na África, com as tribos literalmente se matando. Aquilo era basicamente um genocídio. E vi a foto de um sujeito pegando ossos e colocando-os dentro de uma sacola. Era a família dele. Fiquei pasmo, pensando comigo onde havia parado o mundo moderno. Aquilo era algo visto em 1870 e não naquela época. Foi quando me veio na mente, é um planeta brutal. Vivemos numa sociedade em que existem lugares mais isolados onde a vida é muito dura, não vale nada. Nada importa, as pessoas são brutais e se você não é o mais forte, você morre. Aí eu escrevi sobre essas coisas de um planeta da forma mais brutal que poderia ser. O grande ponto era fazer com que as pessoas acordassem, prestassem atenção naquilo, porque vivemos em um mundo confortável, mas a maioria está em apuros. Não estou falando de meio ambiente, mas de pessoas violentas, que fazem deste um planeta selvagem. Por isso, o disco é bem pesado. O compus com Bob Marlette, que também trabalhou comigo em Dragontown.” Álbum: Brutal Planet (2000)

    Disgraceland: “Eu queria escrever algo sobre Elvis, um ícone. E quando você se torna um, tudo o que faz saí nos jornais, na mídia. Não faz mais nada que não vire notícia. Falo de pessoas como Elvis Presley, Michael Jackson, essas pessoas que geram notícias em qualquer área. Nós vimos Elvis mudar do cara perfeito para aquele sujeito fora de controle, que engordou, estava tomando drogas sendo contra as drogas. Não fazia mais sentido. Ele estava se autodestruindo na frente de todo mundo. Ele se deixou levar e acredito que buscava a autodestruição, porque queria fugir de ser Elvis Presley. Ele morreu e deixou o público parar de se importar com o que ele fazia. Foi a saída dele. Assim, Disgraceland não era sobre o fato de ele ser uma desgraça, mas sobre colocarem-no dentro de uma mansão tendo qualquer coisa à sua disposição. Pode ser qualquer garota, drogas, tudo o que quiser, contanto que você não saia da mansão. Você vai encontrar uma maneira de tirar a sua vida, porque lhe tiraram o direito à liberdade e você precisa achar aquele espaço e preenchê-lo. Então, vai se encher de comida, de drogas e tudo mais, até que logo estará louco ou morto. Quando me encontrei com Elvis, pensei comigo que nunca queria ficar daquele tamanho no sentido de não ter mais a minha liberdade para ir ver um filme, de sair para fazer compras, de jogar golfe, de comer num restaurante… De que adianta ter todo dinheiro do mundo e não ter liberdade?” Álbum: Dragontown (2001)

    Between High School & Old School: “Ryan Roxie e eu a compusemos pensando no sentido de que o rock’n’roll ainda é uma música jovem, para adolescentes. Mas, apesar de eu ser um cara com mais de 50 anos na época, eu pensava como um adolescente. Então, eu estava entre a nova e a velha escola. O rock’n’roll à moda antiga para mim é uma realidade, mas para o público que vê um show pela primeira vez é uma coisa totalmente nova.” Álbum: The Eyes of Alice Cooper (2003)

     

    Paranoic Personality: “Todo mundo tem um amigo que gosta de uma teoria da conspiração. Sempre achei isso  engraçado, porque é interessante a forma de como essas pessoas ligam fatos a outros de uma forma tão absurda. Eu então escrevi uma música sobre esse cara, mas eu queria encontrar alguém para me ajudar com os ganchos, com as ligações. Então, Tommy Henriksen e Tommy Denander me ajudaram muito no processo. Quando compomos uma música, ela pode ter sempre aquele gancho que a faz seguir em frente até finalizá-la da forma que pretendíamos.” Álbum: Paranormal (2017)

    Ao final, perguntamos a Alice Cooper qual, dentre as músicas comentadas por ele especialmente para esta seção, seria a que melhor o identificaria para gerações futuras: “School’s Out. Ela é um rock pesado, é implacável, tem senso de humor e, ao mesmo tempo, faz sentido para todos os jovens. Ela será eterna, assim como My Generation, do The Who. Se você tocá-la para alguém de 16 anos de idade hoje em dia, ele lhe dirá: ‘Sou eu!’ A música tem mais de cinquenta anos e ainda faz sentido para um adolescente, da mesma forma que School’s Out.”