Autor: Gustavo Maiato

  • LEATHER LEONE: APETITE PELO FUTURO

    LEATHER LEONE: APETITE PELO FUTURO

    Foto: Ricardo Ferreira

    Por Gustavo Maiato

    Leather Leone é uma das cantoras mais respeitadas que surgiu nos anos 1980 e pratica religiosamente o heavy metal até hoje. Com seu novo disco solo “We Are The Chosen” – feito com o guitarrista brasileiro e braço-direito Vinnie Tex -, a veterana americana mostra que seu apetite pela música está longe do fim. A ROADIE CREW conversou com Leather sobre influências, ídolos e a respeito da turnê que desembarca no Brasil para shows em Recife, São Paulo, Limeira e Rio de Janeiro. Ela também confirmou que estará com Paul Di’Anno na turnê do ex-Iron Maiden pelo Brasil. Confira!

    Gostaria de começar falando sobre o mais recente álbum, “We Are The Chosen”. Qual o conceito por trás dele? Há uma conexão temática entre as músicas?
    Leather Leone: Sim, todas as músicas estão conectadas porque o álbum foi escrito logo quando a pandemia começou. Minha equipe musical se dissipou, minha vida musical estava caótica, e eu estava incerta sobre o que fazer. Foi aí que eu e o Vinnie Tex mantivemos em contato e decidimos escrever um álbum. Durante o processo, eu estava irritada com tudo e todos, descobri que confiei demais nos outros para comandarem as coisas, e eles não estavam do meu lado. Então, há um pouco de raiva no álbum, mas estou forte e venho com tudo.

    Como foi gravar o videoclipe de “We are the Chosen”?
    Leather: A direção não foi totalmente minha, o Vinnie tomou a frente e contratou o cinegrafista. A paisagem era linda, embora eu tivesse uma visão diferente. No entanto, é uma história legal que representa bem o que a música propõe. Gostei do resultado, especialmente por ser algo mais conceitual do que costumo fazer.

    O novo álbum traz músicas com muitas camadas de teclado e orquestrações. Como surgiu essa ideia?
    Leather: Isso não foi minha ideia. Eu não costumo usar teclados daquela maneira, mas o Vinnie insistiu, e eu acabei sendo convencida! “We Are the Chosen” sempre foi uma música do Vinnie, desde o começo. Ele teve a ideia para a música, e eu estava envolvida mais nas letras. Eu respeito muito o trabalho dele nisso.

    Qual faixa do novo álbum você acha que foi seu melhor trabalho vocal?
    Leather: Não acredito que já tenha atingido meu melhor. Eu sou crítica do meu próprio trabalho e não gosto de ouvir o que gravo. O estúdio me enlouquece, mas estou tentando crescer com este álbum, já que foi a primeira vez que sentei com um guitarrista para compor. Acho que “We Take Back Control” e “Off With Your Head” são fortes, significativas para mim. Estou muito grata ao Vinnie, e embora essa música tenha sido diferente, talvez isso remeta à época do Chastain, onde David fazia muitos teclados. Agora que ouvi o conceito de teclado, quero explorar mais, mas de uma maneira mais distorcida. E, sabe, todo mundo parece estar gostando.

    “We Are The Chosen” traz muitas influências, do power ao thrash. Como classificar seu som? O que seus fãs costumam dizer sobre isso?
    Leather: Infelizmente, as pessoas me rotulam como uma cantora de rock clássico. Não me preocupo com o que dizem. Sou muito abençoada pela minha reputação com o Chastain e diversas influências musicais. Acho que as pessoas ouvem minha música por causa disso. Eu queria algo mais agressivo, como o Arch Enemy, mas Vinnie, vindo de um background diferente, queria compor uma música mais melódica nesse disco. Ele apoia minha voz e compreende as conversas que tivemos. Ele incorpora todos os gêneros, como em “Off with Your Head,” com o aumento gradual do ritmo no início. Ele tem um senso real da música completa, algo que eu não tenho. As pessoas geralmente me veem apenas como uma cantora de metal, e não me importo em ser classificada. Sou apenas uma veterana do metal dos anos 80.

    “The Voice of the Cult” é a música do Chastain com mais reproduções no Spotify. Já são 360 mil! O que explica?
    Leather: Eu não faço ideia do motivo. Parece que as músicas que se tornaram populares na época do Chastain eram sempre as que eu menos gostava, mas minha opinião não importa. Nunca fomos uma banda grande, mas sou abençoada por ainda quererem ouvir músicas de 1984. Estou nos palcos, e há garotas de 20, 21 anos me pedindo “Angel of Mercy”. Não sei o que era sobre o Chastain, mas sou muito abençoada. E, vocês são todos jovens demais, mas quando eu comecei, meu Deus, “banda liderada por uma mulher”, era algo grande. Não havia muitas de nós, e acho que isso é o que ajuda as pessoas a se manterem comigo.

    Algum disco da sua carreira obteve menos reconhecimento do que merecia na sua opinião?
    Leather: Sim, e novamente, muitas das coisas antigas. Você fala com alguns atores, e, você sabe, eles fazem filmes e nunca conseguem se assistir. Mas ainda posso ouvir “We Are The Chosen” e ainda posso ouvir o “We Bleed Metal”. Eu acho que todos foram subestimados, mas não se trata de talento. Trata-se de popularidade. Sempre foi assim. Eu não sou popular. Não mostro meus peitos. Não saio por aí envolvida romanticamente. Eu não tenho esse apelo sexual, que ainda é muito importante.


    E se você pudesse escolher sua banda dos sonhos – qualquer guitarrista, baixista, baterista e vocalista de todos os tempos para formar uma banda – quem seriam?
    Leather: Não faço ideia. Mas o vocalista seria Ronnie James Dio. Eu não sei. Eu não penso nesses termos. Olha, acho realmente importante encontrar músicos que te entendam. E eu sou realmente estranha, excêntrica e às vezes bem impulsiva, então você precisa encontrar alguém. Vinnie, por exemplo, é fã da minha voz. Então eu acho que você realmente precisa encontrar alguém que esteja do seu lado. Eu gosto do jeito… qual é o nome dele? Portnoy! O cara do Dream Theater. Eu gosto muito dele. Amo o cara. E nem consigo lembrar o nome dele, mas gosto do baixista do Metallica. Estou tão feliz com a minha banda brasileira. Só queria estar de volta ao palco.

    Sei que Dio é muito importante para você, certo?
    Leather: Eu só canto metal por causa dele. Quando me mudei para a Califórnia em 1977 e ainda cantava música pop – Heart, Zeppelin e Boston – então, por meio da minha banda Rude Girl, eles me apresentaram à música dele. E então eu o conheci. Havia algo nele sobre a sua fraseologia e sua melodia… Aquilo entrava na alma! E ele era obviamente uma pessoa muito legal. É verdade que ele se lembrava de tudo sobre você. Eu o vi talvez uma vez por ano, cinco ou seis vezes, sabe? Ele era muito natural, e sempre foi muito gentil comigo. Ele me dava conselhos sobre o que fazer e o que não fazer, e eu o observava em certas noites, quando ele estava realmente cansado, aprendi a brincar com oitavas através dele, o que eu não sou treinada e não sei realmente o que faço. Odeio parecer tão ignorante, mas eu apenas faço. Mas o Ronnie me ensinou, sabe?

    Bem, você é uma pessoa dos anos 80, mas ainda curte músicas novas?
    Leather: Ah, sim! Estou realmente envolvida com músicas pesadas. Lamb of God. Estou apaixonada por Spirit Box. Oh, meu Deus, aquela garota! Adoro o conteúdo lírico dela. Mas gosto de bandas mais pesadas. Claro, não consigo lembrar delas agora, mas eu gosto. Lamb of God, Jinjer, Spirit Box, Arch Enemy. Gosto dessa tensão. Não gosto de músicas que tentam ensinar como escrever músicas – com uma introdução, meio e uma resolução. Eu não quero uma resolução. Quero a tensão. E é isso que essas bandas fazem por mim.


    Deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros e diga o que podem esperar dos seus shows aqui!
    Leather: Eles todos me conhecem, não me veem há muito tempo. O Brasil é para mim como na primeira vez que desembarquei. Vocês têm o metal profundamente enraizado no sangue. Tem gente que anda por aí como eu fazia nos anos 80, com a mecha de cabelo e o cinto de balas, mas para eles é real. Eles são muito solidários. Não sei por que eles se apegaram a mim. Eles são tão amigáveis, e há um senso de gratidão que recebo deles. Não sou uma chorona o tempo todo, mas toda vez que faço um show, choro. Há uma base muito forte de metal, então é sempre uma honra compartilhar o que escrevemos com vocês. Estou trazendo algumas outras coisas do Chastain, e é claro que faremos algumas do “We Are The Chosen”. Estou muito empolgada, cara. Eu não subo em um palco há tanto tempo, e estou tão animada com esses caras. Ainda não começamos os ensaios, mas a banda incluirá Vinnie Tex, Kiko Shred, Marcus Dotta na bateria e o baixista Fábio Carito. Eles são todos profissionais, já trabalhei com a maioria deles, e tenho confiança de que será incrível, embora eu fique nervosa com essas coisas e precise ensaiar bem. E tenho uma novidade! Acabamos de descobrir que conseguimos agendar a turnê com o Paul Di’Anno, que começa em maio. Eu não sabia se podia dizer algo, mas serão cerca de 30 datas, e ele está trabalhando em mais. Eu não tenho uma agenda assim desde sei lá quando! [risos]

     

  • TAILGUNNER: EM BUSCA DE UM “NOVO ANOS 80”

    TAILGUNNER: EM BUSCA DE UM “NOVO ANOS 80”


    Por Gustavo Maiato

    A banda inglesa Tailgunner, formada por Craig Cairns (vocal), Zach Salvini e Patrick van der Völlering (guitarras), Thomas Helwon (baixo) e Sam Caldwell (bateria), vem despontando como nome de expressão daquela safra de artista que se inspira no metal praticado nos anos 1980, mas sempre está na busca por novas referências e atualizações. Em “Guns For Hire” (2023), disco de estreia do quinteto, riffs de guitarra rápidos misturados com o vocal potente de Craig, que muitas vezes aborda o tema da guerra, mostram que o grupo tem potencial. Confira uma conversa com o baixista Thomas Hewson e descubra tudo por trás das composições de “Guns For Hire”.

    Músicas como “White Death”, “Gun for Hire” e “Shadows of War” se referem a tema de guerra. Foi uma decisão consciente ou evoluiu naturalmente?
    Thomas Hewson: Não foi uma escolha consciente, aconteceu naturalmente. É engraçado porque as pessoas frequentemente mencionam o tema de guerra no álbum, mas menos da metade das músicas realmente trata de guerra. Tenho menos interesse nos detalhes da guerra e mais curiosidade pelo lado emocional humano. Há muita profundidade para escrever músicas sobre isso. Então, foi mais sobre explorar o lado humano das coisas, e a guerra acaba se encaixando bem no heavy metal.

    “Guns For Hire” foi gravado numa capela! Pode falar mais sobre essa experiência e como ela influenciou o som do disco?
    Thomas: Sim, gravamos o álbum em uma capela porque, na época, não tínhamos um contrato fonográfico e não podíamos pagar um estúdio adequado. Fizemos o álbum em janeiro de 2021, no auge da pandemia de covid, durante o inverno na Inglaterra. A capela fica perto da praia em uma vila tranquila. Moramos lá por duas semanas, cercados por equipamentos. Transformamos o altar da capela em uma sala de controle. Construímos uma cabine vocal improvisada em um dos quartos usando cobertores velhos, travesseiros, pregadores e clipes. Era como construir uma fortaleza de travesseiros na infância. Craig gravou vocais lá, suando no espaço apertado, pois havia o risco de desabar!


    Vamos falar sobre a arte da capa. Quem é o artista e como a colaboração com ele moldou a representação visual do álbum?
    Thomas: O artista se chama Mark, conhecido como Sadist Art Design no Instagram e Facebook. Desde o início, mesmo antes de formar a banda, eu tinha uma visão do estilo da arte – algo entre pôsteres de filmes de terror dos anos 50 e a estética dos filmes B dos anos 80. Mark, que havia trabalhado em capas de álbuns para outras bandas e criado coisas para antigos filmes de terror, combinou perfeitamente com o estilo que eu imaginava. Seu trabalho, reminiscente das capas de DVD de relançamento de clássicos filmes de terror, o tornou a escolha ideal para o nosso álbum.

    Falando especificamente sobre a música “New Horizons”, pode nos contar como foi o processo de gravação do videoclipe e um pouco sobre o processo de composição?
    Thomas: Começando pela composição, escrevi ‘New Horizons’ logo após ‘Futures Lost’ no álbum, praticamente no mesmo fim de semana. Elas sempre foram meio que músicas irmãs. Musicalmente, ‘New Horizons’ foi inspirada pelo álbum de estreia do Bathory, que eu estava ouvindo bastante na época. Sou fã dos primeiros cinco álbuns do Bathory, mas não posso incorporar essa influência musical conosco, já que somos um tipo de metal completamente diferente. No entanto, o riff e as estruturas, especialmente do álbum de estreia deles, inspiraram ‘New Horizons’. Liricamente, a música tem um pouco dessa influência, e o refrão é basicamente uma homenagem ao estilo clássico do Halloween. A letra fala sobre o fim da minha banda anterior, que era totalmente diferente do Tailgunner, e como tudo desmoronou pelos motivos errados. Foi uma espécie de recado para as pessoas, mostrando o que estou fazendo agora. Sobre o videoclipe, filmamos todos os nossos vídeos em Liverpool até agora, que é um pouco como a casa espiritual da banda. Este em particular foi filmado no sótão de uma antiga fábrica, o mesmo local onde fizeram os testes para o primeiro filme ‘Hellraiser’. Entramos na filmagem sem um plano real para o vídeo. Eu disse aos caras para entrarem lá e explorarem, já que era o sótão de uma antiga fábrica, então sabíamos que pareceria legal de qualquer forma. Usamos coisas que encontramos, como a gaiola em que Craig está, que estava em um antigo depósito. A plataforma onde os solos de guitarra foram gravados estava enferrujada e caindo aos pedaços, então a empurramos para fora e convencemos o Zach a subir e fazer um solo. Foi uma abordagem de encontrar o que pudéssemos naquele momento, e acho que isso tornou o vídeo muito legal.

    “Guns for Hire” tem 10 faixas. Qual delas você acha que foi a mais desafiadora na finalização dos arranjos?
    Thomas: Não tenho certeza, talvez ‘Warhead’ ou ‘Crashdive’ ou ‘Blood For Blood’. Elas seguem uma após a outra no álbum. ‘Blood for Blood’ foi desafiadora porque tive a música por mais tempo antes das letras. O riff do verso era difícil de encaixar uma melodia vocal, mas as letras vieram de um conjunto que eu já tinha escrito sem a intenção de colocá-las em música. ‘Warhead’ precisou ser reescrita algumas vezes; inicialmente, tínhamos uma música totalmente diferente chamada ‘Warhead’ que não estava boa o suficiente, então reescrevi toda a canção. E ‘Crashdive’ originalmente tinha um refrão totalmente diferente que não era forte o bastante, então tive que escrever um novo refrão. Foi um processo desafiador.

    Sabemos que o heavy metal existe desde os anos 70, mas o que acha que o diferencia da década de 80, que muitas bandas hoje estão tentando reviver?
    Thomas: Acho que, porque era algo tão novo. Claro, começou com o Sabbath em 1970, mas não decolou como heavy metal que conhecemos até o final dos anos 70, com álbuns do Priest, do Maiden e do Motörhead, por exemplo. Acho que é porque, naquele ponto, ninguém realmente havia definido o que era o metal. Era ainda essa mistura grande de ideias de todos. Quando o Venom começou, ninguém sabia que aquilo era metal extremo ou black metal; era apenas algo sujo e satânico. Antes de tudo ser dividido em subgêneros, era uma época mais excitante porque você podia fazer o que quisesse musicalmente. Isso dava mais liberdade às bandas. Quando o Judas Priest lançou ‘British Steel’, por exemplo, ninguém havia definido corretamente o metal ainda. Foi um ótimo momento para fazer algo emocionante, ao contrário dos dias de hoje, em que dizemos que tocamos músicas rápidas, mas eu nunca nos chamaria de uma banda de speed metal, porque, se fizesse isso, as pessoas reclamariam das músicas mais lentas.

    O nome Tailgunner da banda é uma referência à música do Iron Maiden, certo?
    Thomas: Sim, claro, cara. Quero dizer, mas foi apenas por necessidade. Eu estava procurando por um nome de banda por muito tempo, e chegou a um ponto em que, durante a pandemia, eu gastava cerca de uma hora todas as manhãs lendo um dicionário e ouvindo discos, tentando encontrar um nome. Eu criei uma lista com cerca de 100 nomes, e talvez 90 já estavam sendo usados, e os outros 10 meio que não eram bons. Novamente, chegou ao ponto em que estávamos prestes a entrar no estúdio, ou melhor, na capela, para fazer o álbum. Eu disse aos caras: ‘Não quero gravar este álbum sem um nome de banda, porque não parece certo’. Então, fiz a coisa meio brega de olhar para meus álbuns e, ao encontrar a música ‘Tailgunner’, todos que eu perguntava diziam: ‘Isso é legal’. Eu pensei: ‘Ok, talvez este seja o nome certo’. E agora estou tão feliz que seja nosso nome de banda, porque parece perfeito para mim. Não consigo imaginar usando outra coisa.

    Vocês são uma das novas sensações na cena do metal. Como é carregar essa tocha? Você sente alguma pressão para se conectar com novos fãs? Como você vê a recepção, com a maioria dos fãs vindo de gerações passadas?
    Thomas: Eu não sinto nenhuma pressão. Uma coisa da qual estou muito satisfeito com a banda e com este álbum é quantos jovens fãs de metal estão se envolvendo. Pessoas que não necessariamente gostariam das outras bandas da nova onda do heavy metal tradicional. Em termos dessa cena, não sei se nos considero parte dela, porque somos, pela definição, uma banda nova que toca metal tradicional, com certeza. Mas acho que há bandas, como a Riot City, que fazem um incrível speed metal. Para muitas dessas bandas, elas têm seu estilo, fazem isso muito bem, enquanto somos apenas heavy metal, um pouco thrash, um pouco power metal em músicas diferentes. Acho que é muito acessível para as pessoas, e acredito que, por isso, muitas pessoas, talvez no início de sua jornada no metal, possam pegar e, através de nós, talvez descubram outras bandas clássicas realmente ótimas que não são tão conhecidas quanto Iron Maiden ou Metallica, por exemplo.

    Pode dar algumas dicas para bandas que estão começando do zero e visam o sucesso, assim como você fez?
    Thomas: Bem, primeiro eu diria que, se você for um artista pop realmente incrível, você será um entre milhares de ótimos artistas pop em seu país, certo? Mas se você for uma ótima banda de heavy metal, você pode ser uma das três ou quatro grandes bandas novas de heavy metal em seu país. Nesse sentido, não vou dizer que é mais fácil, porque sabemos que o metal não está nas paradas, não estamos na década de 80. Mas, nesse sentido, é mais fácil, porque se você for realmente bom no que faz, será um dos poucos.

    E os conselhos, pode aprofundar mais nisso?
    Thomas: Meu conselho para quem está começando é fazer o que eu fiz, que foi estudar a indústria da música por um ano e meio antes mesmo de formar o Tailgunner. Eu não fui para uma universidade ou algo assim, apenas fiz isso online, assisti a vídeos, peguei livros, o que eu podia para entender como essa coisa realmente funciona. Porque acho que muitos músicos, certamente eu mesmo, passam tantos anos dizendo: ‘Farei o que for preciso para que isso aconteça, para realizar meu sonho’, mas você não sabe realmente o que precisa fazer. Então, passe tempo aprendendo sobre a indústria, aprenda a agendar uma turnê, a promover um single, a construir uma base de fãs. Depois que a banda se formou, ou quando completamos a formação em agosto de 2020, passamos um ano e meio fazendo o álbum, filmando vídeos, preparando fotos. Assim, quando lançamos a banda para o público, tínhamos coisas para dar às pessoas imediatamente, o tempo todo, semana após semana. Porque acho que a coisa mais importante, obviamente na música, são as ótimas músicas. O ponto final é, como eu disse sobre as ótimas músicas, realmente se esforce. Se você escrever uma música, não se contente com a primeira coisa que acha boa. Tente escrever mais três ou quatro refrães para essa música, porque de repente você pode fazer algo e pensar: ‘Caramba, isso é o único’. O mesmo com sua performance. Não se satisfaça em tocar apenas um bom baixo, por exemplo. Realmente se esforce e tente tocar coisas que você acha que são muito difíceis, porque eventualmente você será capaz de tocá-las bem. Quando escrevi ‘Guns for Hire’, era muito rápido para mim tocar. Eu costumava ter muita dificuldade, mas agora parece meio lento.

    Instagram: https://www.instagram.com/tailgunnerhq
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  • O curioso medo que SHARON superou para vir ao Brasil com WITHIN TEMPTATION no SUMMER BREEZE

    O curioso medo que SHARON superou para vir ao Brasil com WITHIN TEMPTATION no SUMMER BREEZE

    Os fãs brasileiros vão poder matar a saudade do Within Temptation no Summer Breeze Brasil, que acontece entre os dias 26 e 28 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O grupo de metal sinfônico é um dos mais influentes da atualidade e lançou recentemente o álbum “Bleed Out”, que mostra o sexteto numa versão com sonoridade mais moderna.

    A ROADIE CREW conversou com a simpática vocalista Sharon den Adel sobre o que os fãs podem esperar da apresentação, que encerrará a noite do sábado, dia 27. O bate-papo na íntegra estará na próxima edição da revista.

    Durante a entrevista, Sharon revelou que o curioso motivo que fez o Within Temptation ficar tanto tempo sem tocar no Brasil: seu medo de avião – principalmente de voos longos e com muita turbulência.

    “Apesar do meu medo de voar, vamos voltar! Sabe, não me importo com voos curtos, mas os voos longos, meu Deus! Morro mil vezes quando entro em um avião para esse tipo de viagem. Essa é a única razão pela qual ficamos tanto tempo afastados, porque tenho medo de voar longas distâncias. E na última vez que vim para a América do Sul tivemos voos terríveis. O avião foi atingido por um raio, tivemos várias coisas acontecendo. Então, essa foi a razão para eu não voltar tão rapidamente, porque estava com um pouco de medo disso ainda. Mas estou feliz por termos decidido ir desta vez, porque já passou tempo demais. Amamos todos os países da América do Sul, como Brasil e Argentina. É tudo tão bonito e é uma parte tão linda do mundo que aproveitamos muito durante a turnê. É uma parte do mundo que gostamos muito de visitar. Também gostamos de ver a paixão de vocês pela música, que é como em nenhum outro lugar na minha opinião. Então, é um prazer voltar!”, disse.

    Em outro ponto, Sharon disse que quer contar com os fãs brasileiros para decidir o setlist que será apresentado. Ela aproveitou para reforçar que ficou tempo demais sem visitar o país e está com muita saudade.

    “Talvez possamos fazer uma enquete sobre quais músicas vamos tocar no Summer Breeze! Estou curiosa sobre quais músicas do novo álbum os fãs gostariam de ouvir e quais antigas eles acham que deveríamos tocar. Talvez uma mistura entre as antigas e as novas, é provável que seja o que aconteça de qualquer forma. Já se passaram quase dez anos desde a última vez, acho que foi em 2014 ou 2015 que passamos pela América do Sul. E é tempo demais, estou muito feliz por estarmos voltando!”, concluiu.

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  • DENNIS STRATTON: ESTREANDO NO BRASIL

    DENNIS STRATTON: ESTREANDO NO BRASIL

    Foto: Jeff Sehier

    Por Gustavo Maiato

    O guitarrista Dennis Stratton é famoso por ter participado do primeiro álbum do Iron Maiden, lançado em 1980 em plena efervescência da New Wave of British Heavy Metal. Depois de uma longa carreira, Stratton, que após sair do Iron Maiden cedendo o posto a Adrian Smith, tocou em bandas como Lionheart, Praying Mantis e lançou material solo, finalmente chegou ao Brasil para conhecer seus fãs e realizar uma série de shows. A ROADIE CREW conversou com o músico sobre sua história no Maiden.

    Esta será sua primeira vez tocando no Brasil. Como você está se preparando para esta série de shows e quais músicas você mais anseia por tocar?
    Dennis Straton:
    Bem, a preparação é sempre um mistério porque esperei muito por este momento. Como você sabe, 2020 era para ser o ano, mas tudo foi adiado por causa da covid. Como se preparar para algo que nunca foi feito? É estranho. Não há problema com as músicas, porque tenho tocado esse set. Mas vindo para o Brasil, me disseram que o público brasileiro gostaria que eu tocasse mais músicas. Então, revisamos tudo e, basicamente, nas últimas semanas, tenho relembrado músicas porque acho que não toco a versão original de ‘Charlotte the Harlot’ ou a versão ao vivo de ‘Drifter’ desde 1980. Não sei se tocamos ‘Charlotte’ na turnê com o Kiss porque estávamos fazendo um set mais curto. Então, é um pouco novo para mim, porque resgatei todas as músicas antigas e tenho praticado. Ainda temos o mesmo set que normalmente fazemos na Europa, que é todo o primeiro álbum e algumas músicas do álbum ‘Killers’. Somos sortudos porque nos primeiros dias, em 79 e 80, estávamos tocando as músicas dos dois primeiros álbuns, ‘Iron Maiden’ e ‘Killers’, ao vivo de qualquer maneira. Tínhamos um grande número de músicas para escolher, até que Steve Harris decidiu quais músicas segurar para o segundo álbum. Poderíamos ter gravado ambos os álbuns ao mesmo tempo. Só que não gravei, Adrian Smith o gravou.

    E o que você acha desse formato de shows, onde você se apresenta ao lado de artistas locais? Isso é uma surpresa para você? O que você acha disso?
    Dennis:
    Eu adoro, absolutamente adoro. Eu fui pela primeira vez para a Itália por volta de 2005, 2006, e fui apresentado a uma banda em Milão chamada The Clairvoyance, um tributo fantástico ao Iron Maiden. Isso foi o que começou. Quando toquei com o Clair, era como fechar os olhos e estar no palco com o Maiden novamente porque a musicalidade era muito boa. As músicas estavam impecáveis. Eles até me lembraram de algumas coisas que eu tinha esquecido, então foi fantástico. Se vou para a Holanda, trabalho com outra banda lá, que também faz outros tributos a bandas como Whitesnake, Gary Moore, Foreigner, muitas bandas tributo. Então, vir ao Brasil e tocar com essa banda fantástica será realmente empolgante porque, como eu disse, é a primeira vez. Todo mundo conhece as músicas do Iron Maiden, então é como fechar os olhos e tocar com a mesma banda toda noite. Estou realmente ansioso.

    Na época em que você começou a aprender a tocar guitarra, quais guitarristas o inspiraram?
    Dennis:
    Isso é fácil porque, aos 16 anos, eu não tinha uma guitarra. Eu costumava ir a um pub chamado Bridge House cinco noites por semana. Havia uma banda chamada PowerPack tocando lá. Eles tinham um guitarrista chamado Terry Newman. Eles tocavam Led Zeppelin, Deep Purple, UFO e todas as bandas de rock pesado que você pode pensar. Isso foi no final dos anos 70. Isso me fez comprar minha primeira guitarra aos 16. Quando peguei a guitarra, não sabia tocar, não sabia afinar, mas assisti Terry Newman cinco noites por semana, observei o que ele fazia com os dedos, fiquei na frente assistindo e lembrando pedaços. Uma das primeiras músicas que aprendi foi ‘Morning Dew’. Agora, minha influência na guitarra a partir dos 18 anos foi Steve Lukather do Toto, porque ele tem versatilidade, ele pode tocar qualquer coisa, passando por rock pesado até baladas, trilhas sonoras de filmes, qualquer coisa.


    No álbum “Iron Maiden” você trabalhou com o produtor Will Malone, certo? O que você aprendeu com essa experiência?
    Dennis:
    Não muito, para ser honesto. Will Malone era um desses produtores da velha guarda. Ele não era muito prático na mesa de som, sabe? Você precisa lembrar que era tudo analógico, e o engenheiro provavelmente fazia a maior parte do trabalho. Não consigo lembrar o nome do engenheiro que estava conosco, mas Will Malone basicamente ficava lá com os pés para cima, ouvindo de maneira muito intensa, mas não era muito prático. A banda já havia tocado as músicas tantas vezes desde os ensaios, especialmente considerando que era uma banda nova. Quando levei o Clive Burr, ele também teve que aprender as músicas. A coisa boa foi que eu estava aprendendo as músicas, o Clive estava aprendendo as músicas, e Steve, Dave e Paul estavam repassando as músicas porque eles já as conheciam. Então, quando eu e o Clive aprendemos as músicas, estávamos prontos para tocar ao vivo e gravar. Estávamos bastante preparados, sabe, porque tudo o que fizemos foi ensaiar muito para aprender as músicas. Então, sim, a maior parte do trabalho foi feita com o engenheiro. Não aprendi muito com Will, ele era meio que um produtor de som antiquado, sabe?

    Durante esse tempo, nas turnês e nas gravações do álbum, quais foram os sinais mais fortes de que a banda se tornaria a maior da história do metal? Você sentiu alguns sinais naquela época?
    Dennis:
    Eu acho que Steve sentiu, porque ele era o cérebro. Tudo foi tão apressado depois que entrei na banda! Aprendemos as músicas, ensaiamos, depois entramos para gravar o álbum enquanto estávamos no meio de uma turnê. Tudo estava bem frenético. E como éramos muito jovens, acho que não tínhamos tempo para pensar o quão grande essa banda ia ser, se ia ser enorme. Sentimos a popularidade da banda quando o álbum foi lançado, por causa das enormes pré-encomendas. Quando fizemos os shows com o Judas Priest, também tivemos uma sensação de popularidade, porque vimos camisetas do Iron Maiden na multidão, no Reino Unido. Posso dizer que quando subimos ao palco apoiando o Judas Priest, os shows estavam lotados e eu diria que 50% das camisetas eram do Iron Maiden e 50% do Judas Priest. E isso ficou mais óbvio quando fizemos a turnê com o Kiss, porque aí fomos para a Europa toda pela primeira vez.


    O que você acha sobre o termo New Wave of British Heavy Metal? Fazia sentido naquela época?
    Dennis:
    Isso foi meio estranho para mim porque, em 1980, eu tinha 28, 27 anos. Ou seja, desde os 18, 19 anos eu vinha tocando Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, Spooky Tooth, Iron Butterfly e bandas assim que já estavam há muito tempo na cena do heavy metal. O UFO não era realmente considerado heavy metal, mas eles estavam por aí no meio dos anos 70. Quando vi esse termo New Wave of British Heavy Metal, pensei: “Uau, a velha guarda ainda está aqui também, não foi embora”. Foi apenas uma oportunidade para bandas mais jovens como o Maiden, Saxon, Def Leppard, Praying Mantis, de terem a oportunidade de tocar com os grandões. Era apenas uma questão de tempo para descobrir quem ia durar, quem ia permanecer depois de 1980. Quando o punk surgiu em 1979 e começou a pegar contratos de gravadoras das bandas, era uma questão de quem ia sobreviver. E isso resultou que o Def Leppard foi para a América, o Iron Maiden continuou e ficou mais forte, o Saxon ficou mais forte, mas nunca chegou ao topo da escada para competir com o Maiden. Deep Purple ainda estava lá, o Black Sabbath ainda estava lá, você tinha o Rainbow do Richie Blackmore e o Dio vindo com o Black Sabbath, mas eles ainda eram os líderes do heavy metal. Então, foi apenas uma questão de sobrevivência, e mostrou que o Maiden resistiu ao teste do tempo e se tornou tão grande quanto o Deep Purple, o Black Sabbath e o Led Zeppelin.

    Quais são as letras do Iron Maiden com as quais você se identifica mais?
    Dennis:
    Não sei realmente. Nunca me identifiquei com nenhuma das letras. Tenho algumas músicas que prefiro, tenho minhas favoritas, mas não acho que haja letras específicas. Não acho que haja letras que se relacionem comigo. Mas em relação às músicas em si, eu disse muitas vezes que sempre deveríamos ter um grupo de guitarra harmônica, duas guitarras harmonizadas. Levei isso para o Maiden e isso fez o som ficar maior, produções maiores, músicas maiores. Felizmente, eles ainda usam as guitarras gêmeas agora, o que me deixa muito feliz, porque isso é algo que eu trouxe para a banda e durou. Quando você ouve coisas como ‘Remember Tomorrow’, ‘Strange World’, é esse tipo de música que eu relaciono ao lado melódico, ao lado roqueiro, ao lado pesado, você sabe, com as mudanças de tempo. ‘Phantom of the Opera’ é a minha favorita, sempre foi, por ser uma música épica, e eu gostei de trabalhar nela. Mas sim, tenho muitas músicas favoritas com o Maiden, algumas nem mesmo dos dois primeiros álbuns. ‘Two Minutes to Midnight’, ‘The Number of the Beast’, ‘Wasted Years’, que refrão incrível!

    E as músicas dos álbuns do Iron Maiden que já ganharam versões cover. Alguma em particular chamou sua atenção?
    Dennis:
    A banda com a qual trabalho da Holanda, o Maiden United. Os membros incluem Joey Bruers, o baixista, e temos Ruud Jolie do Within Temptation. Temos vocalistas diferentes, como o Damian Wilson e até a Sharon do Within Temptation cantou em Amsterdã. O Maiden United pega as músicas do Iron Maiden e as transforma em versões acústicas clássicas, onde você pode realmente ouvir o significado das letras. Eles as tocam ao vivo de uma forma totalmente diferente, rearranjando e remontando as músicas.

    Você poderia escolher cinco discos que tiveram o maior impacto em sua vida e por quê?
    Dennis:
    Bem, algum dos Beatles. Nunca lançaram uma música ruim. Cada música é uma joia, com harmonias vocais, a melodia dos versos e coros que todos ainda cantam depois de todos esses anos. Eu não posso escolher um álbum específico porque todo álbum dos Beatles para mim é como uma obra-prima. Aprendi a tocar violão rítmico ouvindo John e Paul. O ‘Stormbringer’, do Deep Purple, é um dos meus favoritos também. Sempre me lembro do que realmente me marcou, como o primeiro álbum do Boston, com Tom Scholz, explodiu minha cabeça com todo o lance de guitarra harmônica e coisas do tipo. Existem muitos outros. Eu diria Eagles, com certeza, cada música dos Eagles. Se você quiser ouvir letras e ouvir uma música que conta uma história nas letras, ouça os Eagles. Acho que um dos melhores álbuns que ainda toco o tempo todo é o ‘Hell Freezes Over’, quando eles fizeram o especial da MTV.


    O que você considera como seu ponto mais forte e seu ponto mais fraco como guitarrista?
    Dennis:
    Eu acho que meu ponto mais fraco é a velocidade. Eu nunca fui um “speed freak” como Yngwie Malmsteen e Steve Vai. Eu tento, mas não funciona. Mas eu toco guitarra com significado e sentimento, assim como Steve Lukather. Eu aprendi muito com ele e Gary Moore. Eu acho que tocar o solo para complementar a música é mais importante do que tocar milhares de notas. Você tem que complementar a música na qual o solo está entrando. É um pouco difícil fazer isso com o Maiden, porque as músicas são bastante frenéticas e rápidas, mas em certas músicas, como ‘Strange World’, você pode colocar um solo melódico e adicionar o seu próprio sentimento. Também me dou bem com todo mundo! Então, estou esperando que os fãs brasileiros venham assistir ao show. Eu preciso deles, eu preciso deles porque sem eles eu não posso tocar. Preciso que os fãs brasileiros venham e apoiem o Iron Maiden, me apoiem, apoiem a banda e divirtam-se. Isso é o que estou esperando. E também, ouvi que Bruce Dickinson estará em São Paulo nos próximos dias. Estou esperando que Bruce, se você estiver ouvindo isso ou receber uma mensagem, fique alguns dias extras e venha ao show. Seria ótimo te ver, Bruce. Não vou pedir para você cantar, embora seria fantástico se você subisse e cantasse uma música, mas eu não teria como te pagar. Mas eu te pago uma cerveja. Seria ótimo ver o Bruce, se ele estiver por lá e ficar em São Paulo por alguns dias. Ah, uma última coisa, minha banda Lionheart tem notícias! Finalmente, terminamos o novo álbum, ‘The Grace of a Dragonfly’, que será lançado no próximo ano, em 23 de fevereiro, pela Metalville Records.

    Site relacionado: https://www.dennisstratton.com/

  • ENFORCED: INTUITIVO E SEM RODEIOS

    ENFORCED: INTUITIVO E SEM RODEIOS

    Por Gustavo Maiato

    Fruto da nova safra do thrash metal americano, o Enforced traz no seu DNA os genes da praticidade, intuição e velocidade. Prova disso é o formidável poder de síntese que reina desde “Kill Grid”, primeiro registro do quinteto formado por Knox Colby (vocal), Will Wagstaff e Zach Monahan (guitarras), Ethan Gensurowsky (baixo) e Alex Bishop (bateria). Mais à vontade e sem abrir mão de riffs pesados e breakdowns, “War Remains” soa como uma evolução natural e Colby dá mais detalhes a seguir.

    As letras de “War Remains” apresentam algum tema que as conecta ou funcionam de maneira independente?
    Knox Colby:
    Elas são conectadas de forma sutil. Existe um tema que passa por todas. Por exemplo, elas tratam da questão dos opostos. Existem luz e escuridão; vida e morte; amor e ódio; esperança e pesar. Esses sentimentos são conectados e não são opostos da maneira que pensamos. Você não pode ter um sem que o outro exista. Acho que os assuntos das letras acabam se costurando. Dá para sacar pontos relevantes que aparecem mais de uma vez. É como se fosse uma música gigante.

    O disco inteiro tem pouco mais de trinta minutos. Quais os desafios ao compor músicas e passar mensagens de forma tão rápida?
    Knox:
    Os desafios são basicamente editar as letras para todas as músicas. Originalmente, havia muito mais versos. Esse é um problema que tivemos no nosso álbum anterior, “Kill Grid”. Eu acabo escrevendo muitas palavras e tento colocar o máximo de conteúdo possível. Não funciona dessa forma. Agora, em “War Remains”, já selecionei os trechos específicos em que desejava ter linhas vocais e decidi resumir o que eu queria expressar dentro de quatro linhas no máximo! (risos) Eu tinha apenas quatro versos e quatro parágrafos para dar meu recado e isso é muito difícil. Consegui em alguns trechos, em outros acho que nem tanto. No geral, fiquei satisfeito com o resultado.

    Qual foi a música mais difícil de compor?
    Knox:
    A produção do disco foi tranquila. A mais difícil acho que foi “Mercy Killing Fields”…

    Essa tem um refrão excelente!
    Knox:
    Obrigado! Esse refrão quase não existiu. Quando chegamos ao estúdio para gravar, pensamos que deveríamos mudar algumas coisas na música. Todos gravaram e acabou mudando muito da versão original. Achei que não poderia aproveitar nada que eu havia composto. Não contribuo muito com a parte musical – minhas ideias não costumam ser muito boas –, só que dessa vez precisei lutar para manter a estrutura antiga. O conteúdo dessa letra é muito especial para mim. O caminho que estava tomando iria arruinar o refrão e transformá-lo em algo completamente diferente. Foi a única vez em que bati o pé, sabe? Eles disseram que tudo bem. Então, gravamos e todos perceberam o porquê de eu querer manter o refrão. Fez todo sentido. Não gosto desse tipo de confronto, sabe? Mas dessa vez eu precisei me impor! (risos).

    Foto: Morgan Parrish

    “The Quickening” tem um breakdown muito bem encaixado. Como surgiu a inspiração para essa música?
    Knox:
    Nossos dois guitarristas Zach Monahan e Will Wagstaff e nosso baterista Alex Bishop compuseram essa. Acho que é a favorita do Alex! Quando gravamos, ele veio com essa proposta de velocidade que funcionou bem! Ficou melhor do que eu esperava. Temos um amigo, que é nosso fotógrafo, que chegou a ouvi-la nos estágios iniciais. Lembro dele falando: ‘Essa música é foda demais!’ (risos) Percebemos que ia ser uma canção boa. Estamos cada vez mais apostando na agressividade e na velocidade.

    “Ultra-Violence” foi o primeiro single. Por que essa escolha?
    Knox:
    Decidimos lançar vários singles com videoclipes, mas “Ultra-Violence” foi o primeiro. Apostamos nela porque tem velocidade e agressividade, mas é muito simples. Ela resume essa simplicidade na hora de escrever e mostra em apenas dois minutos como queremos ser vistos enquanto banda. Você pisca o olho e a música acaba. Então, você fica com vontade de escutar novamente e novamente! Mostrei para alguns amigos e eles ficaram tentando descobrir como o resto do álbum soaria. É tipo como desvendar um quebra-cabeça. É um jogo de sorte, as pessoas podem curtir e se interessar ou não. O feedback que estamos recebendo é ótimo.

    Qual foi o papel do produtor Ricky Olson em “War Remains”? De que maneira a sonoridade foi afetada pelo trabalho dele?
    Knox:
    A contribuição do Ricky foi determinante. Se fosse outra pessoa, nosso álbum seria completamente diferente. Ele ouve nossas sugestões, mas também faz um jogo mental. Tipo: ‘Vocês não vão me ouvir? Tem certeza? Então faz aí para eu ver.’ Ele mostra que a maneira dele é realmente boa e nós confiamos nisso. Depois, sempre percebemos que ele estava certo. Ele tem um jeito bastante autêntico. Tipo, se a música está com um errinho ou outro, quem se importa? A música é ótima do jeito que é. Não precisa ser perfeita, sabe? Isso é algo bom de trabalhar com ele. Apenas deixe dessa forma e vamos resolver o problema seguinte. Em algumas músicas, ele tinha esse espírito de acelerar para finalizar. Acho que ele entendeu onde queríamos chegar. Se um take que fazíamos estava bom, nós o aproveitávamos e pronto. Não rola ficar pensando muito. Se minha voz falhava por um segundo, quem se importaria, certo? (risos) Ele falava esse tipo de coisa e nós comprávamos a ideia. Ele nos deixou nesse fluxo de fazer acontecer e não nos deu tempo de ficar pensando demais, o que foi ótimo.

    A arte da capa mostra um rosto com expressão de grito ou dor. De que forma esse conceito dialoga com as músicas?
    Knox:
    Joe Petagno fez a arte da capa ainda em 2021. Quando pensamos em compor um novo álbum, ainda não tínhamos falado com ninguém a respeito e Joe me enviou um e-mail me perguntando o que eu iria querer para o próximo disco. Eu nem havia falado sobre isso com ele! Bom, falei que não tinha nem começado a escrever as letras. Tinha algumas ideias e conceitos, mas nada organizado. Ele me disse para enviar ideias, pensamentos e qualquer rascunho que eu tivesse. Fiz isso e comecei a enviar pensamentos aleatórios que eu tinha. Meses depois, ele me enviou um rascunho do que seria a capa do novo álbum. Olhei aquilo e pensei: ‘Isso é insano!’ Quanto mais olhava, mais eu via que era perturbador. Pensei: ‘Isso veio da minha cabeça!’ Eram minhas palavras influenciando a mão dele. Foi a forma que ele interpretou minha mente. Foi algo repugnante, né? (risos) Pessoalmente, fiquei me questionando: ‘Será que é assim que é o interior da minha mente?’ Não é nada bom! Com o tempo, gravamos o álbum e percebemos que aquela arte se encaixava perfeitamente no que eu escrevia. Nós somos farinhas do mesmo saco.

    Quais foram as principais diferenças na hora de compor e gravar o novo álbum “War Remains” e o anterior “Kill Grid”?
    Knox:
    Ele é mais ambicioso, agressivo e menor. Ele é doze minutos mais curto, mas são mais músicas no total. Nós nos sentimos mais confortáveis no estúdio desta vez. Foi menos estressante. Claro que tem o fato de ser um álbum lançado por uma grande gravadora e tivemos que gravar entre duas turnês, mas deu tudo certo. De maneira geral, foi muito mais fácil e muito menos estressante que “Kill Grid”.

    Qual o segredo da sua técnica vocal? Você fez um baita trabalho no disco! Como você cuida da sua voz?
    Knox:
    O segredo é não cuidar da voz! (risos) Não faço absolutamente nada! Na primeira sessão de gravação, fiz exercícios de aquecimento vocal para gravar duas músicas. O que aconteceu? Acabei com minha voz! No contexto do disco, isso foi quanto tempo? Depois de cinco minutos! Minha voz acabou. Achei aquilo inaceitável. Não consegui fazer duas músicas. Resolvi não me preocupar mais com aquecimento nem técnica. Não fiz nada. Só cheguei e pensei onde queria que minha voz estivesse. Em certos pontos, tornei mais agressiva; em outros, mais flexível. E foi basicamente isso. Acho que minha voz está melhor neste álbum porque estávamos no meio de uma turnê. Eu estava aquecido de certa forma. Quando você grava por mais tempo, tudo começa a ficar mais fácil. Os músculos relacionados ficam melhores. Todo o processo de gravação dos vocais levou três dias. Tentei ser consistente e não mudar minha voz de um dia para o outro. Estou dando o pior conselho de todos, né? (risos) Tipo, não se dê tempo para relaxar, senão você perde tudo. É um conselho terrível, mas é assim que funciona comigo. Nunca aqueço, apenas subo no palco ou entro no estúdio e grito até minha cabeça explodir. Isso nunca mudou.

    “Malignance”, de “Kill Grid”, já pode ser considerada um clássico do Enforced! Quais memórias você tem dessa composição?
    Knox:
    Cara, não faço a mínima ideia do motivo pelo qual ela estourou tanto! Essa nem era a principal música do disco, está no meio do tracklist. Nunca pensamos que seria um grande sucesso. Quando começamos aqueles acordes abertos, vimos nos shows a galera gritando de volta. Ficamos tipo: ‘Sério? Essa música?’ (risos) Você nunca sabe realmente o que será um sucesso. Agora, em “War Remains” acho que temos uma ideia melhor de quais músicas podem se tornar sucesso. Mostramos nossas músicas para a gravadora e nossa assessoria, e cada um tem sua música favorita. É bem difícil! Qualquer uma pode se tornar a nova “Malignance”. Não dá para saber até tocarmos ao vivo e ver a reação da galera.

    Você tem planos para vir ao Brasil?
    Knox:
    Já recebemos duas ofertas, mas ainda não conseguimos encaixar na nossa agenda. Estamos analisando tudo. Adoraria visitar a América Latina e fazer uma turnê de umas três semanas. Nunca tocamos aí e seria bem legal. Devagar estamos vendo as possibilidades.

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  • BIFF BYFORD: AINDA MAIS INSPIRADO

    BIFF BYFORD: AINDA MAIS INSPIRADO

    Foto: Lea Stephan

    Por Gustavo Maiato

    O Saxon já se encontra no Brasil para uma série de shows que passará por cidades como Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. A ROADIE CREW conversou com o vocalista Biff Byford, que falou sobre diversos assuntos, como o novo álbum More Inspirations, que reúne releitura de clássicos que influenciaram a banda. Biff também falou sobre os 40 anos do álbum Power & the Glory e muito mais. 

    Parabéns pelo lançamento do álbum More Inspirations. O disco traz versões adicionais de músicas que inspiraram a banda. Houve alguma mudança na seleção do repertório em comparação com o primeiro álbum Inspirations?

    Biff Byford: Não, não. Queríamos apenas mostrar às pessoas o que nos inspirou e o que influenciou este álbum. Essa é a história por trás dele, realmente. Por exemplo, Detroit Rock City: Nigel Glocker era um grande fã do Kiss, então colocamos uma música do Kiss para ele, já que ele fazia parte do Kiss Army na época. Diferentes coisas assim, sabe? Eu e Paul costumávamos tocar músicas do Cream nos anos 70, então é por isso que há uma música do Cream no álbum. Cada música tem sua razão, seja bandas que nos inspiraram ou músicas que nos influenciaram. Essa é a ideia.

     

    A versão de Man on the Silver Mountain do Rainbow ficou ótima. Qual é a sua conexão com essa música?

    Biff Byford: Bem, o Rainbow já estava por aí nos anos 70. Fizemos uma turnê com eles no Reino Unido em 1980, mas não era o Dio mais no vocal. Conheci Ronnie James Dio na América, na turnê do álbum Heaven and Hell, do Black Sabbath. Então, achei que seria legal colocar uma música que Ronnie fez e uma do Rainbow, já que tocamos com eles nos primeiros dias, mesmo que tenham nos tirado da turnê porque estávamos indo muito bem. Eles nos expulsaram quando chegamos em Wembley com nossa van, disseram que não queriam que tocássemos naquela noite. Então, fomos para Londres, bebemos, e é isso.

     

    A canção Gypsy do Uriah Heep ficou muito boa nesta versão. Você tem alguma história com os caras do Uriah Heep?

    Biff Byford: Conhecemos bem o Uriah Heep porque estamos na mesma gravadora e nos encontramos com eles com frequência. Fomos até um dos casamentos deles, então somos bastante próximos. Eu vi o Uriah Heep nos anos 70 com o Deep Purple, e eu amo aquele álbum, muito pesado. É um grande álbum de heavy metal, com ótimos riffs de guitarra. Acho que precisamos incluir o Uriah Heep como uma de nossas influências, com certeza. E não usamos teclados, o que é incomum para uma música do Uriah Heep. Fizemos tudo com guitarras, e acho que ficou muito bom, uma versão bem pesada mesmo. Mais pesada que a original, com certeza.

     

    Falando sobre guitarras, o Saxon está vindo para o Brasil desta vez sem Paul Quinn. Como isso afeta a atmosfera da banda?

    Biff Byford: Estamos bastante empolgados com Brian Tatler na banda, na verdade. Ele trabalhou duro para aprender todas as músicas e se tornar parte da banda. Já fizemos vários shows com ele, então acho que sua presença de palco é bastante boa. Não podemos esquecer que ele é meio que uma lenda do metal. Acho que se encaixa muito bem, ele é da mesma época, os anos 80, sabe? E ele trabalhou um pouco com o Paul para aprender as nuances da música do Saxon. Mas acredito que as pessoas ficarão muito animadas em vê-lo no palco. Será ótimo.

     

    Este ano também marca o 40º aniversário do álbum Power and the Glory, , se minha conta não estiver errada…

    Biff Byford: Sim, é o que dizem! Eu pessoalmente não conto essas coisas, mas eu vi no Facebook que alguém mencionou o aniversário do Power and the Glory. Estaremos tocando músicas desse álbum na América Latina, então você poderá conferir!

     

    Qual é a sua memória mais forte de compor e lançar esse álbum naquela época?

    Biff Byford: Bem, foi o nosso primeiro álbum dentro de uma série de álbuns importantes nos anos 80. Foi o nosso primeiro álbum realmente. É um ótimo disco, na verdade. Foi o primeiro que fizemos fora da Europa, pois gravamos Denim and Leather na Suécia, nos estúdios do ABBA. Então, foi a primeira vez que gravamos fora da Inglaterra, e fizemos isso nos Estados Unidos com um produtor americano chamado Jeff Glixman. Foi bom, muito bom. Acho que o álbum é forte, com ótimas músicas em Power and the Glory. Foi um álbum muito popular na época.

     

    Recentemente, você colaborou na música Saxon and Vikings do Amon Amarth. Qual é a sua opinião sobre o resultado dessa colaboração?

    Biff Byford: Conhecemos o Amon Amarth há algum tempo. Acho que os conhecemos quando começaram a aparecer no cenário. Participamos de alguns festivais na Itália com eles e saímos para beber juntos, você sabe, os Saxões e os Vikings. Nós nos demos muito bem, então mantivemos contato. Johan Hegg, o vocalista, cantou em uma música do Saxon chamada Predator. Então, eles nos pediram para me envolver na composição da música Saxon and Vikings, o que eu fiz. Acho que ficou muito bom. Gosto da música; muitas pessoas acham que é a melhor do álbum deles, mas não acho que seja por minha causa. A música é ótima, com muitos riffs e tem um estilo muito Saxon. Eu gosto da música.

     

    Certo, e falando do seu projeto, o Heavy Water, com seu filho Seb, como foi o processo de composição e gravação deste novo álbum, Dreams of Yesterday? Pode ser diferente porque envolve a família…

    Biff Byford: Não acho que o processo de gravação seja diferente. Talvez a composição seja, porque não é realmente um estilo de música do Saxon. A escrita é um pouco mais antiga e moderna ao mesmo tempo, então o álbum tem um som eclético. Há diferentes estilos nele, sabe? Eu gostei de fazer o álbum com o Seb. Ele é um ótimo compositor e também um ótimo cantor, então nos damos bem. Deixo que ele cuide de todo o trabalho de estúdio para que possa aprender como fazer. É muito bom para ele, eu acho.

     

    Quais lições no mundo da música você aprendeu com seu filho durante essa experiência?

    Biff Byford: Eu não acho que tenha aprendido muita coisa musicalmente. Acho que o processo de composição é diferente com o Seb do que com o Saxon, porque podemos ter um estilo mais amplo de música para escrever. Queríamos um som mais estilo anos 60. Acho que é isso que buscamos, realmente.

    Olhando para trás, qual foi o momento mais desafiador em sua carreira?

    Biff Byford: Eu acho que o período mais desafiador em nossa carreira, e para muitas bandas de metal britânicas, foi o início dos anos 90, e final dos anos 80. Foi quando o hair metal se tornou popular, bandas como Cinderella, Mötley Crüe e Poison surgiram. Eles pegaram nosso estilo e o transformaram no deles, tornando-se muito populares. Quando o grunge surgiu na Costa Oeste, fez um grande estrago em nosso público também. Muitos fãs de rock, especialmente os mais jovens, começaram a assistir a bandas como Pearl Jam e Nirvana. Acho que essa onda grunge fez um grande buraco em nosso público, mas não vejo isso como um problema. Acho que, naquela época, o tempo em que estivemos no topo desse estilo musical acabou. Voltamos mais fortes nos anos 90, mas acredito que tenha sido o momento mais difícil para muitas bandas. Nós tivemos sorte porque tivemos grandes sucessos nos EUA, o que nos permitiu continuar fazendo shows ao vivo, mas as vendas de álbuns diminuíram e talvez não estávamos escrevendo músicas tão boas no final dos anos 80.

     

    Se você tivesse que escolher cinco discos que tiveram o maior impacto em sua vida, quais seriam?

    Biff Byford: Bem, o primeiro tem que ser Wheels of Steel do Saxon. Acho que foi nosso primeiro álbum que todo mundo ficou louco ao ouvir. Além disso, Machine Head do Deep Purple, Dirty Deeds Done Dirt Cheap do AC/DC. Definitivamente o primeiro álbum do Black Sabbath, e para os guitarristas, acho que o primeiro álbum do Thin Lizzy foi significativo. Isso mexeu com as estruturas, você sabe. E possivelmente, para mim, um dos primeiros álbuns dos Rolling Stones teve um grande impacto. Eu gostava dos Beatles quando era mais novo, mas preferia os Rolling Stones. Eles pareciam mais realistas para mim, mais parecidos com uma banda de motociclistas do que os Beatles.

     

    E sobre o mundo fora do rock e heavy metal, algum artista que de alguma forma impactou seus gostos musicais?

    Biff Byford: Eu acho que muitos dos blues americanos, o blues mais antigo, porque eu era baixista e guitarrista na época, quando tinha 15, 16 anos. Então, muitos hits do rock and roll inicial, como Jerry Lee Lewis, Little Richard e Elvis Presley, na transição dos anos 50 para os anos 60, tiveram uma grande influência em mim. E depois aconteceu com os Beatles. Cresci nos anos 60, e a metade dos anos 60, quando eu tinha uns 14, 15 anos, foi um período ótimo para a música.

     

    Obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem final para seus fãs brasileiros.

    Biff Byford: Sim, estamos indo para o Brasil finalmente. Passamos por algumas dificuldades, como a pandemia e alguns problemas de saúde, mas agora temos tudo organizado e estamos indo para o Brasil. É incrível, ir para o Brasil, certo? Estamos chegando aí, e acho que será muito especial. Quando subirmos ao palco, ainda estaremos na turnê do álbum Carpe Diem, então será especial.