Autor: Antonio Carlos Monteiro

  • KISS FEST 2

    KISS FEST 2

    Pela segunda vez, o guitarrista Bruce Kulick passou pelo Brasil como atração principal da “Kiss Fest”, evento que celebra o trabalho da banda de Gene Simmons e Paul Stanley, e também pela segunda vez o show teve edições em São Paulo e em Campinas.

    Após uma bem sucedida apresentação na capital paulista na véspera, o clima era algo tenso no dia seguinte em Campinas: um infeliz acidente doméstico naquela madrugada havia custado uma fratura na mão do guitarrista Tony, que interpreta Paul Stanley na banda Killers. A solução foi convocar às pressas o guitarrista Simon Lira, integrante da versão acústica do Killers, e fazer um show mezzo elétrico, mezzo acústico. E, mesmo com os problemas, a banda foi muito bem, diante de uma galera numerosa e participativa. O set elétrico teve apenas músicas cantadas por Gene Simmons, que o baixista/vocalista Fernando Luiz incorpora à perfeição. E no set acústico, em formato de trio, o agora vocalista/violonista Simon roubou a noite com uma interpretação vigorosa e emocionante de I Still Love You. Mais algumas músicas em formato elétrico e Rock And Roll All Nite encerrou a primeira parte da noite, num “esquenta” perfeito para o que viria a seguir.

    Entre um show e outro, subiu ao palco Lydia Criss, ex-esposa de Peter Criss e autora do livro “Sealed With A Kiss”, que conta os bastidores dos primórdios da banda. Simpática, sorridente e com um inseparável copo de uísque por perto, Lydia não se furtou a responder qualquer pergunta e ainda mostrou grande senso de humor quando perguntada sobre o que Paul e Gene tinham achado de seu livro: “Devem ter gostado, porque ainda não me processaram…”

    Após esse curto intervalo, era a vez de Bruce Kulick, que se fazia acompanhar do vocalista argentino Sebastian Gava e sua banda. Gava, para quem não sabe, é um vocalista e guitarrista que é um verdadeiro sósia de Paul Stanley, além de ter um registro vocal muito próximo ao do músico americano. Gava já gravou com suas bandas Kefren e Máfia, além de manter um trabalho como artista solo. Além disso, já gravou com gente como Gilby Clarke, Eric Singer e o próprio Kulick, e mantém sua banda tributo ao Kiss chamada Kiss My Ass.

    Kulick e Gava foram acompanhados pela banda do vocalista, formada pelos excelentes Fernando Calabresi (guitarra e vocais), Gustavo De Filippo (baixo e vocais) e Leandro Bordicelli (bateria e vocais).

    Logo de cara, uma surpresa: apesar de, obviamente, Bruce privilegiar as músicas do Kiss da fase em que fez parte da banda, o show começou com a poderosa Love Gun, gravada pela formação clássica da banda no álbum homônimo em 1977. A partir de então, o repertório baseou-se no material registrado por Bruce, com destaque para as baladas Tears Are Falling e Forever, nas quais Gava deu um autêntico show. Já Kulick continua com sua postura discreta em cena, mas agora se aventurando muito mais nos vocais, algo que pouco fazia anteriormente. Como guitarrista, continua esbanjando experiência, técnica e simplicidade. Bruce provou mais uma vez que para ser guitarrista não é preciso tocar notas à velocidade da luz nem dar cambalhotas no palco. A guitarra é um instrumento musical e é assim que ele o encara, para felicidade de nossos ouvidos.

    I Love It Loud aumentou consideravelmente o índice de decibéis no Sebastian Bar, com a galera berrando o grito de guerra do refrão como se não houvesse amanhã. A dupla que fechou a primeira parte do show também ganhou forte participação da galera, que entoou com vontade os refrãos grudentos de Heaven’s On Fire e Crazy Crazy Nights.

    Era a hora daquela saidinha falsa de cena para voltarem com mais dois clássicos indiscutíveis: Lick It Up (outra que não foi gravada por Kulick) e a marcante God Gave Rock’n’Roll To You II, que, além de várias outras coisas, foi a última gravação de Eric Carr como Kiss (debilitado, ele apenas gravou backing vocals).

    Foi uma bela celebração, como o Kiss realmente merece. As duas bandas que se apresentaram honraram plenamente o legado do grupo de Paul & Gene e o sorrisão na cara da galera na hora da saída comprovava que o público concordava com isso. Que venham muitas outras celebrações como esta.

  • ALMAH

    ALMAH

    Após se apresentar em São Paulo, no Manifesto Rock Bar, Edu Falaschi e seu Almah estiveram em Campinas no domingo, dia 30, para apresentar um show praticamente idêntico ao da véspera.

    Antes da atração principal, no entanto, foi a vez do grupo local Heptah. De cara, uma situação no mínimo estapafúrdia marcou a entrada da banda em cena. Um de seus guitarristas se atrapalhou com o instrumento, quebrou corda e o que se viu como resultado disso foi o tal músico sentado no palco cuidando de consertar seu instrumento enquanto o resto da banda, também em cima do palco, mostrava um variado repertório de sorrisos amarelos – tudo isso em frente ao público. O Sebastian Bar tem um belíssimo camarim e a plateia poderia ter sido poupada dessa cena…

    Uma vez resolvido o problema, o que se viu foi uma banda de Prog/Power comum que se ressente da falta de um ‘frontman’ (os dois guitarristas dividem os vocais) e que tem como destaque um baterista que, se não é absurdamente técnico, se destaca pela fúria e pela pegada.

    O Almah subiu ao palco em seguida com a galera nas mãos e não negou fogo. Apresentando um repertório idêntico ao executado na véspera, a banda subiu ao palco com Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo), Marcelo Moreira (bateria) e Ian Bemolator (do Dark Avenger) na outra guitarra. Edu explicou que o titular do posto, Paulo Schroeber, teve diagnosticado um problema cardíaco e estava em repouso por orientação médica.

    E esse foi o único problema enfrentado pela banda – não que Ian tenha mostrado um mau desempenho, muito pelo contrário, mas era visível a preocupação de Edu e da banda. Porém, como o show deve continuar, a banda foi desfilando seu repertório que abrangeu músicas de seus três discos – Almah (2006), Fragile Equality (2008) e Motion (2011).

    O que mais chamava a atenção no palco era a tranquilidade com que Edu desfilava o repertório. De fato, a iniciativa de se dedicar apenas a trabalhar em músicas que se adaptem às características naturais de sua voz foi mais do que acertada e nesse show ele mostrou que continua sendo um cantor de inúmeras qualidades. Além disso, o entrosamento e qualidade absurda da banda deixavam o vocalista totalmente à vontade para apresentar o set list. Impossível apontar qualquer destaque entre eles, já que todos, incluindo o “improvisado” Ian Bemolator, cumpriram seus papeis com perfeição.

    Assim como em São Paulo, o vocalista Vitor Cutrale (Furia Inc.) se uniu à banda em Zombies Dictator, fazendo um interessante contraponto entre seus guturais com os vocais limpos de Edu.

    O público, que, se não lotava a casa, compareceu em bom número, reagia beirando o êxtase a cada música, cantando junto com Edu e participando de cada momento do show, comprovando que o projeto paralelo do vocalista pode se tornar sua banda principal assim que ele assim o desejar.

    Foram menos de duas horas de show, sem direito a bis. E, assim como na Capital, em Campinas ele também não fez falta. A banda saiu de cena com a sensação de missão cumprida e o público foi para casa, já no início da madrugada de segunda-feira, satisfeito por ter visto um show autêntico, muito bem ensaiado e tocado/cantado com garra e tesão.

  • ONSLAUGHT

    ONSLAUGHT

    Mesmo sendo uma plena quinta-feira, o evento promovido pelo Sebastian Bar no último dia 27 de outubro merecia um público maior. Afinal, dois nomes que devem e merecem ser reverenciados pelos admiradores do Thrash Metal, o brasileiro Kamala e o britânico Onslaught, subiram ao palco da casa prometendo shows do mais alto nível.

    Os brasileiros tocaram da mesma forma que sempre o fazem: como se não houvesse amanhã. Num set muitíssimo bem ensaiado, dinâmico e enxuto, conseguiram alinhar nada menos que onze temas tirados de seus dois discos, os ótimos Kamala (2007) e Fractal (2009). Mesmo com a galera ainda adentrando à casa, o quarteto mostrou garra e performance como se estivesse diante de um estádio lotado, deixando bem claro o profissionalismo da banda. O som levemente embolado não chegou a prejudicar a banda, que saiu ovacionada de cena, como sempre costuma acontecer. O Kamala é um dos muitos nomes do Thrash nacional que merece ser acompanhado por atenção e certamente tem tudo para ser mais uma banda brasileira para fazer sucesso mundial.

    Num intervalo curtíssimo no qual foi trocado todo o palco (aplausos ao roadie que comandou a operação), o Onslaught tomou a cena mostrando que, numa daquelas situações inexplicáveis com que tanto nos deparamos no Heavy Metal, tem fama muito inferior à sua competência. Diante de uma casa um pouco mais cheia (mas ainda abaixo do que merecia), deu início aos trabalhos com Killing Peace, do álbum homônimo de 2007 – e do qual mais músicas seriam apresentadas no show.

    De cara, deu pra perceber que o som melhorara muito e que a banda tem uma precisão e uma pegada de impressionar. Sem conversa com a galera e sem pausa pra respirar, o Onslaught emendou mais quatro petardos na sequência: Born For War(de Sounds Of Violence, 2011), Let There Be Death (The Force, 1986), Sounds Of Violence (idem) e Angels Of Death (Power From Hell, 1985). Essa série serviu para deixar claro que, apesar de mesclar músicas de várias fases de sua carreira, o estilo do Onslaught permanece praticamente imutável, permitindo que sejam emendados temas com diferença entre si superior a 25 anos.

    Essa pancadaria jogada na cara da plateia de uma só vez já permitiu mostrar que o entrosamento da banda é absurdamente profissional e que individualmente seus músicos são dignos dos maiores aplausos. A velocidade fica por conta da ‘cozinha’ composta por Jeff Williams (baixo) e Mike Hourihan (bateria) – aliás, se você acha que já viu Mike vendendo incenso e batendo sininho no farol, é mera impressão. Mas que o cara está idêntico a um adepto do Hare Krishna, isso está…

    O guitarrista Nige Rockett, único membro fundador a permanecer no time, tem uma participação aparentemente mais discreta do que seu companheiro de seus cordas, Andy Rosser-Davies, mas na hora em que o amplificador deste último apresentou problemas e ele teve que se virar sozinho, mostrou que tem talento de sobra.

    Já Rosser-Davies é daqueles guitarristas discretos, que se movimenta pouco e toca muito. Observando-o em cena, dá a impressão de que tocar guitarra é mais fácil do que comer um prato de feijão com arroz. Mas o motor do Onslaught é o vocalista Sy Keeler. Postura simpática no palco, Sy se destaca pelo timbre raro, um agudo com gutural sem exagero, pela potência e pela afinação irrepreensível. Verdadeiro exemplo para muito gritador que se pretende vocalista de Heavy Metal.

    Na primeira pausa, o vocalista conversou rapidamente com a plateia, repetiu várias vezes o nome da cidade de Campinas e fez aquele agradecimento protocolar em português.

    Planting Seeds Of Hate (de Killing Peace) e Metal Forces (The Force) vieram em seguida, fazendo o galera, em número razoável a essa altura, abrirem rodas na pista do Sebastian Bar, algo raro num local habituado a abrigar shows de Classic Rock.

    Mais um papinho rápido com a galera por parte de Sy e lá íamos para a parte final do show, com Flame Of The Antichrist (The Force), Shellshock (única de In Search Of Sanity, 1989), Demoniac (The Force) e Burn (Killing Peace). Aquela saidinha fingida antecipou a rápida volta da banda ao palco e a última música da noite, Power From Hell, do disco de mesmo nome.

    A saída de cena da banda foi saudada com entusiasmo pelo público, fazendo com que a segurança tivesse algum trabalho para colocar os músicos no camarim em paz. E era evidente nas caras dos cinco a satisfação pelo ótimo show e pela ótima resposta da galera. Pena que, numa daquelas injustiças que tanto vemos no mundo do Metal, muita gente tenha preferido ficar em casa a ver um belíssimo espetáculo como esse.

     
  • PAUL DI’ANNO

    PAUL DI’ANNO

    A frase que acompanhava alguns cartazes do show de Paul Di’Anno em Itapira podia soar muito pretensiosa para alguns desavisados. Mas dizer “Itapira, a cidade do Rock” não é exagero para quem já tocou por lá (como aconteceu com este redator há cerca de dois meses) ou mesmo para quem simplesmente assiste a algum show por lá. A cidade de 70 mil habitantes e localizada a 60 quilômetros de Campinas definitivamente tem uma das galeras mais animadas e furiosas (no bom sentido…) quando o assunto é Rock. E nem venham com essa conversa de “tribos”! Naquele show em questão, na verdade um festival com cinco bandas, covers de Metallica, Guns N’Roses e Rolling Stones dividiram o palco e foram recebidas com a mesma euforia pelo público.

    Assim, não espanta que no último sábado cerca de 800 pessoas praticamente lotassem um espaço que deve receber no máximo mil pessoas para receber o vocalista Paul Di’Anno pela primeira vez na cidade.

    Fisicamente, o cantor não é mais o mesmo. Di’Anno hoje anda com o auxílio de uma bengala por conta de um problema nas costas (através do qual ele tentou fraudar o serviço de previdência britânico e acabou sendo condenado no início desse ano) e o barrigão já se tornou indisfarçável. O que não o impediu de brincar de ‘rockstar’, reclamando do hotel em que estava hospedado e atrasar consideravelmente o início do show, apesar de o palco estar pronto desde a hora marcada para o começo da apresentação – mérito, aliás, de uma afinadíssima equipe de roadies, algo raro de se ver por aqui.

    Porém, uma vez resolvido a começar o trabalho, Paul se transforma. Antes de subir ao palco, deu um afetuoso abraço em cada músico da banda que o acompanha (novamente, o competentíssimo grupo gaúcho Scelerata, que já havia trabalhado com o cantor em sua última passagem por aqui, no ano passado) e subiu no palco com o jogo ganho, debaixo de gritos de “Paul, Paul!” vindos da plateia, que se acotovelava na beira do palco.

    Sua condição física não lhe permite grandes arroubos cênicos, mas a voz de Di’Anno continua em forma. Se o alcance não é mais o mesmo, o sustain e a garra nas interpretações continuam intactos. Conforme ele mesmo já havia anunciado, o repertório – como sempre acontece, aliás – foi calcado nos seu tempo de Iron Maiden, começando por The Ides Of March, que abriu o show. Porém, logo em seguida lembrou algo de seu projeto com músicos brasileiros intitulado Nomad ao interpretar Mad Man In The Attic.

    O lugar lotado e o dia quente transformavam o Centrão numa espécie de forno crematório. Suando em bicas, o vocalista disparou em português um “caraio, muito calor!”, mostrando que suas constantes visitas ao Brasil têm aumentado seu vocabulário…

    Em cena, Magnus Wichmann (guitarra), Renato Osório (guitarra), Gustavo Strapazon (baixo) e Francis Cassol (bateria) compensavam a postura estática de Di’Anno com muita movimentação – e aí vale mais um registro para o cantor, que se mostrou extremamente simpático com a banda, rasgando merecidos elogios ao Scelerata.

    ProwlerMurders In The Rue MorguePurgatoryStrange World e Remember Tomorrow vieram na sequência, intercaladas por temas de suas bandas solo Killers (Marshall Lockjaw e The Beast Arises) e Battlezone (Children Of Madness), num show coeso e muitíssimo bem ensaiado. A galera, sem diminuir o frisson em momento sequer, reagia cantando junto com Paul e agitando de forma incessante, levando o vocalista a dizer que aquele era uma das melhores plateias para quem já havia tocado. Dispensável dizer que o lugar quase veio abaixo…

    Mais temas do Iron, como WrathchildDrifter e Killers, voltaram a levantar a galera, atingindo o auge em Phantom Of The Opera, que foi acompanhada por um coro de 800 vozes.

    De repente, Di’Anno chamou um dos roadies, se apoiou no seu ombro e saiu de cena quase se arrastando. Todos ficaram esperando pelo bis que não veio: as condições físicas do vocalista o impediram de voltar à cena e tocar as músicas que faltavam. A galera aparentemente entendeu e aplaudiu.

    O show ainda continuaria com o Rising Power, AC;DC cover de Campinas – antes de Di’Anno, se apresentaram várias bandas da região, com destaque para o Executer, de Amparo, que voltou a apresentar seu competente Thrash Metal após quatro anos de inatividades.

    Realizado pela Festa Rock Produções e com apoio do Portal Megaphone, o show foi um sucesso sob praticamente todos os aspectos – o som um pouco abafado das guitarras talvez seja o único ponto negativo a se ressaltar, mas muito pouco em se tratando de um evento desse porte. E serviu para mostrar que às vezes é bom desviar as atenções dos grandes centros e perceber que cidades menores podem ficar enormes quando o assunto é Rock.

    Sites relacionados: www.pauldianno.com www.portalmegaphone.com.br

  • WHITESNAKE

    WHITESNAKE

    O guitarrista Doug Aldrich, que realizou quatro shows com o Whitesnake no Brasil recentemente – entre 10 e 15 de setembro, junto com o Judas Priest – concedeu uma rápida entrevista para a ROADIE CREW. Nela, o músico fala sobre os fãs brasileiros, a experiência de tocar com David Coverdale, dividir as guitarras com Reb Beach (Winger) e de ter trabalhado com outra lenda, Ronnie James Dio.

    Todos os músicos que entrevistamos falam do quanto é incrível tocar na América do Sul. Na sua opinião, o que o Brasil tem de tão especial? Doug AldrichAcredito que seja porque no Brasil e no resto da América do Sul os fãs participam de verdade dos shows, além de serem muito leais e apoiam de uma forma incrível a música que eles amam. No Brasil, os fãs demonstram um amor imenso às bandas de que gostam quando as veem tocando e isso é algo único. É o público mais insano que eu já vi…

    Desde que você se juntou ao Whitesnake, em 2002, se tornou o principal compositor (ao lado de David Coverdale, naturalmente). É um trabalho difícil de se fazer? Doug: Não, na verdade. É algo muito gratificante e bem sucedido, eu acredito. No começo, havia uma certa pressão, naturalmente, porque fazia onze anos que a banda não lançava nada de novo. E quando você tem a oportunidade de compor para um cantor como David Coverdale, tem que fazer um trabalho que o inspire a fazer sua parte. Normalmente, eu passo a ele algumas ideias. Ele também manda para mim alguns de seus esboços. A partir daí, começa um processo natural. Nós já escrevemos muitas músicas juntos e me sinto muito orgulhoso de tudo o que fizemos. A propósito, como é trabalhar com David Coverdale? Doug: É uma honra! A cada dia, ele prova que é um dos melhores de todos os tempos no que faz. E ele ainda tem determinação para fazer sempre o melhor, sempre tenta se superar. Ele nunca se acomoda com o que já conquistou e eu gosto muito disso.

    E como é dividir as guitarras com Reb Beach? Doug: Acho que nós conseguimos atingir um nível de excelência tanto no disco Forevermore (2011) como nessa turnê. Nós começamos a trabalhar juntos em 2003 e criou-se uma espécie de competição entre nós. Acontece que ambos estávamos acostumados a ser o guitarrista solo de nossas bandas. E eu gostava do jeito como eu fazia as coisas, enquanto ele preferia o jeito dele. Mas ao longo dos anos trabalhando juntos, descobrimos que a essência do Whitesnake é diferente. Hoje sabemos que quando tocamos juntos um riff como o de Love Will Set You Free a coisa funciona muito bem. E, por tudo isso, acho que hoje somos a dupla de guitarristas que mais tempo trabalha com David, o que eu acho muito legal.

    Você também tocou com Ronnie James Dio. Como foi essa experiência para você? Doug: Puxa, o que eu posso dizer?… Ele era incrível! Ele me apoiou imensamente tanto no estúdio como nos palcos e isso me deu uma enorme confiança em mim mesmo. Eu me sinto muito gratificado por ter tido a oportunidade de ter trabalhado com ele e mais feliz ainda por ter sido seu amigo. Ronnie me ajudou imensamente e trabalhar com ele era muito inspirador. Ele Ronnie e David são daqueles sujeitos que fazem com que os músicos que trabalham com eles se tornarem ainda melhores.

    Para terminar, quais os guitarristas que mais o inspiraram? Doug: Olha, é uma lista enorme! E nem precisa ser necessariamente um guitarrista. Pode ser um cantor ou mesmo um trompete. O que me inspira são o ‘feeling’ e a música. Mas, falando especificamente de guitarristas, poderia citar Jimmy Page, Jeff Beck, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Stevie Ray Vaughn, Tony Iommi, Ritchie Blackmore, Randy Rhoads, Eddie Van Halen, Gary Moore, Duane Allman… A lista não acaba!Muito obrigado pela entrevista e, por favor, deixe uma mensagem final. Doug: Obrigado aos fãs brasileiros por todo o apoio que têm dado ao Whitesnake.Sites relacionados: www.whitesnake.com www.dougaldrich.com Fotos: Divulgação/Ash Newell